terça-feira, 15 de outubro de 2019

'O Rei Leão': marcas criam coleções



O live-action de O Rei Leão estreou no dia 18 de julho, conquistando o público e arrecadando milhões em bilheterias. O filme é a tentativa de apresentar a animação de 1994 em um tom mais realístico, além de permitir a revivência de crianças (Como eu!) que cresceram assistindo ao desenho. Sim! O Rei Leão é um dos desenhos da Disney que tenho paixão e que vi pela primeira vez quando tinha apenas 5 anos de idade. Então, há uma carga emocional, nostalgia e memória afetiva envolvidas aí.

Com o intuito de ir na calda desse sucesso e angariar lucro, diversas marcas criaram coleções de chinelos, maquiagens, joias, berloques, camisetas, meias, agasalhos e pijamas temáticos. O intuito é homenagear a história de Simba, Nala, Timão e Pumba e companhia.

Resolvi fazer uma seleção dos itens que mais chamaram a minha atenção. Lembrando que não recebi nenhum dinheiro ou produto das empresas para falar delas (Mas bem que poderia KKKK). Falo por simples paixão. Vamos lá?!


Hering


A marca Hering criou uma coleção em parceria com a Disney, inspirada em O Rei Leão. Camisetas, casacos, pijamas e meias estão entre os produtos.





O primeiro item que chamou a minha atenção foi essa meia amarela, com as inscrições "Future King" e "The Lion King". Existem outros modelos dessa meia, variando de cores (vermelho, cinza e branco) e frases, mas a que achei mais bonita foi a amarela. 





A próxima peça selecionada é um moletom azul, com capuz e bolsos frontais, com um dos personagens estampados na frente. O moletom também tem nas cores verde e preta, sempre variando os desenhos. A loja descreve essa peça como "modelagem regular" e "perfeita para dias fresquinhos sem perder o conforto e o estilo"


A peça seguinte é uma blusa de frio cinza com a frase "Long live the king" (Vida longa ao rei, em tradução livre). Achei a estampa muito bacana. Essa coroa em cima da frase deu um ar a mais. 


O próximo produto da lista é uma camiseta em tom verde com os personagens que mais gosto - Simba, Timão e Pumba - e a frase marcante "Hakuna Matata". Para quem não sabe, essa é a frase dos deboístas de plantão. A Hering disponibilizou outras cores (azul, amarelo, cinza, preto, branco e gelo) com modelos diferentes. A marca descreve o produto da seguinte maneira: "malha de algodão confortável com um perfeito caimento ao vestir".




Finalizando os produtos da Hering, selecionei essa camiseta em tom de amarelo queimado com uma incrível ilustração de um leão. 



Havaianas


No JOVEM JORNALISTA, já trouxe a coleção das Havaianas de Game of Thrones, além de ter contado um pouco da história da marca. Dessa vez, falo das havaianas temáticas de O Rei Leão. São dois modelos disponibilizados em números normais e para crianças. Saiba detalhes logo abaixo.


O chinelo a seguir é do Simba e tem cores quentes predominantes (marrom escuro, marrom claro e amarelo). Achei o chinelo fofo e divertido, lembrando bastante o live-action e a animação. 





O próximo são dos meus personagens preferidos Timão e Pumba que aparecem em poses descontraídas, com um fundo verde da floresta. Curti bastante a utilização das cores verde e amarelo, pois trouxeram certa amenidade, além de lembrar a bandeira do Brasil. 


Zaxy


A empresa criou uma incrível coleção com três chinelos diferenciados que referencia o crescimento de Simba, ao lado de Timão e Pumba. Com todo um conceito, cores e estilo, essas sandálias ganharam o meu coração.


O chinelo a seguir alude quando Simba era uma criança, representado pelo dia. O produto possui um degradê (Amo degradês!) que vai do amarelo até o laranja, com a frase "Hakuna Matata" e os personagens estampados nas tiras. As chinelas parecem ser de boa qualidade e de uma borracha bem resistente. 


Já o modelo seguinte faz menção ao crescimento e vida adulta de Simba, representado pela noite. As cores também se apresentam em degradê, indo do lilás clarinho, até o escuro. Mais uma vez a chinela traz estampados os personagens e a frase "The Lion King"




A chinela seguinte também não deixa a desejar no quesito beleza e sutileza. O produto é todo preto e a tira traz personagens e a frase "Go Wild" (Enlouquecer, em tradução livre). Esse modelo também é vendido em tom nude, com o degradê que vai do nude ao rosa e a tira nude. 





Luminess Cosmectics



Em junho, a empresa lançou uma linha de maquiagens dedicadas ao filme, em parceria com o maquiador Sir John, profissional responsável pelo visual de Beyoncé (voz de Nala no live-action). Chamada de Disney's The Lion King Limited Edition a coleção possui oito itens, incluindo paletas de sombra e contorno, iluminadores e batons. O que me chamou atenção foram as embalagens que apresenta desenhos inspirados no longa e no continente africano. O diferencial também está nas cores, ao trazer tons para os mais diferentes tipos de pele. 





Vivara


A Vivara criou berloques de Simba, Nala, Scar, Mufasa, Timão, Pumba, Zazu e o mandril Rafiki, sendo um mais lindo que o outro (Ao todo são 10 berloques). Banhado a prata e com uma argola escrito "O Rei Leão", cada berloque pode compor uma pulseira exclusiva da Vivara. O resultado final é esse a seguir: 



A Vivara ainda criou separadores temáticos, com desenhos de patinha e do Simba.

Claro que cada berloque é o olho da cara e a pulseira completa não sai por menos de R$ 2000. Embora com o preço salgado, esses berloques são um charme, não é mesmo?! 



Esses são alguns dos inúmeros produtos do filme que chamaram a minha atenção. E você, gosta de O Rei Leão? Curtiu os itens selecionados? Diga nos comentários! J-J



Mais informações 
Vivara - O Rei Leão
Luminess beauty
Zaxy - O Rei Leão
Hering - O Rei Leão
Havaianas - O Rei Leão

Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O ar intimista e espontâneo de 'O carpinteiro' de Alessandro Vilas Boas



O cantor Alessandro Villas Boas lançou no final do ano passado (28 de dezembro) o cd O carpinteiro pela Onimusic e Som do Reino. O álbum foi gravado ao vivo e conta com seis músicas, sendo três inéditas e três regravadas. Esse é o segundo cd solo de Alessandro Villas Boas (O primeiro chama-se O fogo nunca dorme).

Em O carpinteiro Alessandro Villas Boas apresenta um estilo próprio de louvor e adoração, que perpassa ora pelo espontâneo, ora pela adoração. Por ser um álbum ao vivo é possível perceber com clareza a atmosfera musical formada, bem como as interações do público.  

O título faz alusão à Jesus, o carpinteiro celeste, assim como fala de Suas atribuições: Ele possui o nome doce como mel, é eterno e aqueles que creem e confiam em Seu nome fazem questão de conhecê-Lo em sua essência. 

A plástica sonora é peculiar e singela. Alessandro trabalhou musicalmente bem cada uma das faixas. Os instrumentos estão limpos e cada um possui seu protagonismo. Além disso, o cantor repaginou três músicas, que por sinal trouxeram um novo ar à elas.

O carpinteiro tem duração de 61 minutos, sendo uma média de 9 minutos para cada música.

O álbum conta com as faixas: O fogo nunca dorme, Deixa queimar, Quero conhecer Jesus, Doce como o mel, Jeremias 23 e O carpinteiro. Falo de cada uma delas agora. 


Músicas

Alessandro inicia o disco com a repaginação de O fogo nunca dorme. Ela inicia intimista e com o solo do cantor. À medida que é executada, ela cresce, com os baixos, guitarras e bateria, até atingir seu ápice. Vilas Boas interage com o público, que responde cantando junto com ele. A música diz o seguinte: "O fogo nunca dorme O fogo nunca apaga Nunca apagará Deus nunca morre Deus nunca é vencido, nunca é vencido". A música tem arranjos do back vocal e um espontâneo que diz "De eternidade à eternidade De geração à geração Nunca é vencido""Alto Mais alto Levantamos o Teu nome Levantamos o Teu nome" e "Tudo o que tenho é Teu Tudo o que tenho é Teu Pra sempre e sempre Amém". São palavras de poder e de fé ditas com um fundo musical.







Deixa queimar tem um dedilhar minimalista em seu início, com a voz de Alessandro que diz: "Ouvi o meu Senhor bater na porta E o meu coração queimou". Essa também é uma regravação, se não me falhe a memória do álbum Som do secreto. Assim como a anterior, essa também tem uma crescente com guitarra e baixo bem marcados. No meio da canção o cantor entoa o seguinte espontâneo: "Muitos querem Suas mãos Nós só queremos os seus pés". Além dele, Alessandro repete um espontâneo de outra música, que diz: "Doce, tão doce Alto, tão alto Fundo, profundo É Teu amor". Deixa queimar é repleto de trechos espontâneos como o do final: "Oh Deus me livre de viver sem lágrimas em meus olhos"






A conhecídissima nacional e internacionalmente Quero conhecer Jesus (Quem sabe não escrevo um post só sobre ela em breve?!) ganhou uma versão estilo pop rock. Sua velocidade ficou mais rápida, mas a essência e o carisma da música continuam os mesmos. O que tenho para falar dessa música?! Quase nada. Não dá pra falar, só sentir. Ela tem um refrão explosivo que diz: "Meu amado é O mais belo entre milhares e milhares". O destaque da versão vai para o trecho em que o cantor e o público cantam "Yeshua" em uníssono. É de arrepiar! 


Agora partimos para as inéditas desse projeto. Doce como mel é a minha canção preferida. Ela fala das características de Jesus Cristo ressurreto, ao conceituá-lo: "Seus olhos são como fogo Em sua boca uma espada Está vestido com Seu manto de sangue". Só de ouvir essa música já fico arrepiado. O refrão (citado acima) é chiclete e não me canso de cantar, assim como a ponte, simples porém impactante, que diz: "Só Teu nome é doce como mel Só Teu nome é doce como mel". Uma das letras mais profundas do cantor que já ouvi.







Jeremias 23 é a segunda faixa mais longa do álbum, com 11 minutos. Com uma entrada comovente e uma parte instrumental considerável, a canção relata exatamente o que está escrito em Jeremias 23, sem firulas ou rodeios. É uma música que demonstra o relacionamento entre o servo e Seu Senhor. Alessandro canta com uma voz rouca e embargada, que trouxe mais emoção para a música. Os versos "Sou como um bêbado Vencido pelo vinho Por causa das Suas santas palavras" é repetido à exaustão. 







O cd é finalizado com a música-título, O carpinteiro, que possui quase 14 minutos de duração. A letra fala de Jesus Cristo, esse ser supremo, mas simples, em que está acessível à todos aqueles que o buscam. A letra faz uma relação entre os nossos corações e uma porta. Deixo alguns trechos da música: 


"Qual é o som, qual é o som
De quando Deus desce na terra?
Qual é o som, qual é o som?
Qual é o som, qual é o som
De quando Deus desce na terra?
Qual é o som?
Qual é o som, qual é o som
De quando Deus desce na terra?
Qual é o som, qual é o som?

E esse é o som
O Carpinteiro batendo a porta
O Carpinteiro batendo a porta
E esse é o som
O Carpinteiro batendo a porta
O Carpinteiro batendo a porta

E esse é o meu som
Do lado de dentro eu abro a porta
Do lado de dentro eu abro a porta
E esse é o meu som
Do lado de dentro eu abro a porta

Do lado de dentro eu abro a porta"


Acho interessante que a bateria emite os sons como se fosse de alguém batendo a porta mesmo. 






O ar intimista e espontâneo


Sem dúvidas posso classificar O carpinteiro como um cd intimista e cheio de espontâneos. De acordo com Ton Molinari, o espontâneo "é a chave de um momento de adoração. Simplesmente porque o que a boca fala deve habitar no coração". E é exatamente isso que pode ser verificado no cd: não são espontâneos ditos da boca para fora ou para tornar as canções mais longas, mas saídos do íntimo do cantor e do público.

Espontâneos são shots adicionais de revelações bíblicas que complementam a mensagem das músicas. E BÍBLICAS, por que Emerson? Porque não posso criar um espontâneo gospel de mim mesmo, mas sempre tendo como base a palavra de Deus. Se perceberem, todos os espontâneos desse cd tem como base a Bíblia e tem o intuito de não enaltecer a si mesmo, mas ao Pai, Filho e Espírito Santo. 

Por fim, um espontâneo tem duas bases importantes: conhecimento bíblico; e conhecimento musical, já que não tem como criar um espontâneo musicalmente rico, sem que a própria música te dê esse suporte. 



Capa



Apresenta caixas e molduras tridimensionais sobre um fundo marrom escuro. A fonte do título e do nome do cantor é criativa e foi a mesma utilizada nas artes do vídeo no Youtube. A capa também apresenta as iniciais SDR (Som do Reino).


Alessandro Vilas Boas oferece mais sustância ao novo movimento do louvor gospel.


E você, já conhecia o cantor e esse cd? Diga nos comentários! J-J


Por: Emerson Garcia

sábado, 12 de outubro de 2019

Reflexões sobre as gangorras colocadas na fronteira México e Estados Unidos



E se povos diferentes pudessem ser unidos por uma simples gangorra? Foi com essa ideia que o arquiteto norte-americano Ronald Rael e a designer Virginia San Fratello criaram gangorras entre os vãos de um muro entre El Paso (EUA) e Ciudad Juaréz (México), com o objetivo de unir de forma lúdica os dois lados. 

As peças de metais foram colocadas entre os vãos do muro, sendo pintadas na cor rosa. A escolha dessa cor foi com o intuito das gangorras serem vistas à distância e por causa do contraste que ela possui com o entorno. Rael disse o seguinte: 

"As áreas de fronteira são áreas de contrastes - e o rosa faz contraste com o lixo, o deserto, o metal. É muito brilhante, traz alegria”.


O rosa também é uma forma de lembrar a época violenta da Ciudad Juárez, principalmente nos anos 90, em que várias mulheres morreram ou desapareceram. 

Nas redes sociais, vídeos e fotos foram divulgados, em que mostram a experiência e alegria das pessoas ao brincarem nas gangorras. 




One of the most incredible experiences of my and @vasfsf’s career bringing to life the conceptual drawings of the Teetertotter Wall from 2009 in an event filled with joy, excitement, and togetherness at the borderwall. The wall became a literal fulcrum for U.S. - Mexico relations and children and adults were connected in meaningful ways on both sides with the recognition that the actions that take place on one side have a direct consequence on the other side. Amazing thanks to everyone who made this event possible like Omar Rios @colectivo.chopeke for collaborating with us, the guys at Taller Herrería in #CiudadJuarez for their fine craftsmanship, @anateresafernandez for encouragement and support, and everyone who showed up on both sides including the beautiful families from Colonia Anapra, and @kerrydoyle2010, @kateggreen , @ersela_kripa , @stphn_mllr , @wakawaffles, @chris_inabox and many others (you know who you are). #raelsanfratello #borderwallasarchitecture #teetertotterwall #seesaw #subibaja
Uma publicação compartilhada por Ronald Rael (@rrael) em


O conceito das peças já existe há 10 anos, desde 2009, quando a política da Lei de Cerca Segura foi desenvolvida pelo então presidente George W. Bush, mas só foi desenvolvido no final de junho desse ano, de acordo com o jornal The Guardian.



A construção das gangorras levam a uma série de reflexões, embora a experiência tenha oferecido entretenimento e diversão em um primeiro momento. Primeiro, os objetos são uma forma de protesto contra as políticas migratórias americanas que surgiram já há algum tempo. Na concepção de muitos, o local onde a cerca está instalada é um ambiente de desigualdade, preconceito e desequilíbrio. 

Segundo, colocar gangorras ali tem o sentido de unir povos diferentes e equilibrá-los. Esses objetos construídos me lembrou a amizade entre um alemão e um judeu, por meio de uma cerca, no livro e filme O menino do pijama listrado. Assim como eles eram unidos apesar das diferenças, as pessoas que sentam de um lado ou de outro se unem também. Veja o que o arquiteto Rael disse em um post no Instagram:


“O muro tornou-se um fulcro literal para as relações EUA-México. Crianças e adultos foram conectados de maneira significativa em ambas as partes, com o reconhecimento de que as ações que acontecem de um lado têm uma consequência direta no outro”.

Terceiro, as gangorras só funcionam com a participação de ambos os lados, ou seja, se forem adotadas ações de um lado (Sejam positivas ou negativas) elas interferirão diretamente do outro. Não é possível tomar medidas em um país, sem que elas interfiram em outros. Por isso é importante o respeito, a compreensão e a alteridade. Apesar de ambos os lugares estarem separados por um muro, eles necessitam um do outro. Interações, mesmo que indiretas como por meio dessas gangorras, são possíveis e mais que necessárias.






A ideia é que as gangorras sejam instaladas em outros lugares da fronteira, e por que não dizer em outros países que vivem em pé de guerra?! Seria muito interessante colocar uma entre a fronteira brasileira e argentina, entre a judaica e arábica e entre a Coreia do Sul e do Norte. Por mais simples que um objeto possa parecer, ele tem surtido efeitos. Espero, de coração, que diferenças socieconômicas, raciais, de gênero, de sexo etc. possam acabar. As gangorras foram o primeiro passo e significativo. J-J


Mais informações
Site
Instagram do Ronald Rael


Por: Emerson Garcia

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Rádio Bagaralho: Programa "Nos Embalos da Vitrola" #5






Olá ouvintes da Rádio Bagaralho FM (Rádio Bagaralho, a rádio do... povo). Aqui quem fala é o locutor Arthur Claro, aquele que é igual porém diferente. Com o oferecimento da Pharmácia Philadelphia (onde o freguês começa com F) começa agora o programa Nos Embalos da Vitrola.




Benny Benassi - Satisfaction






Love Generation - Bob Sinclair






Whigfield - Saturday Night





Queridos ouvintes, quero agradecer a todos e espero que continuem ouvindo a Rádio Bagaralho. Uma boa sexta-feira e um fim de semana repleto de felicidades. Beijos e abraços. J-J













Por: Arthur Claro

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Entre Frames #18: Fiscal - MC Queer





Felicidade aqui é mato! Um dos quadros que mais tenho prazer de escrever está de volta, o Entre Frames! Depois de um longo inverno, retorno com o clipe Fiscal, de Mc Queer. Lançado no dia 23 de maio de 2016, o clipe conta com quase 865 mil visualizações, 28 mil curtidas e 1,3 mil descurtidas. O vídeo tem direção de Fernanda Weinfeld, direção de fotografia de Alexandre Elaiuy, direção de arte de Camila Vieira. A coreografia ficou sob a responsabilidade de Davi Chaves. Fiscal conta com grande elenco, entre eles Fefito (youtuber e blogueiro), MC Linn da Quebrada (cantora), Lia Clark (cantora) e o casal do Diva da Depressão, Edu e Felipe.

O clipe é uma dura crítica aos homofóbicos de plantão, por apresentar o universo LGBTQ+ sem filtros, com vocabulário utilizado pelos heterossexuais e homofóbicos. A letra e o clipe são fortes e intensos e não conseguiu agradar a gregos e troianos. Alguns LGBTQ+, por exemplo, odiaram.  

Fiscal é ao mesmo tempo simples e complexo. Os elementos do clipe (iluminação, fotografia e objetos) são simplórios, porém a letra é profunda, pretenciosa, sem pudores e com muitas palavras de baixo calão. Diria até que o clipe é cheio de estereótipos e preconceitos e que, por isso, não agradou a todos. Assista:





Em entrevista, MC Queer disse que a inspiração para o clipe veio de uma notícia de um jovem agredido com lâmpada fluorescente por um grupo de homofóbicos na Avenida Paulista. O ano dessa notícia não encontrei, mas li uma notícia de 2010 bem semelhante ao fato teatralizado pelo clipe. Inclusive os agressores tiveram que pagar uma multa de R$ 25,7 mil à vítima.  

A partir de agora, irei apresentar em tópicos todas as minhas impressões do clipe.


Estética



O clipe tem como cores principais o preto, cinza, grafite, branco e branco fluorescente. As cores aparecem na composição dos cenários e nos uniformes dos fiscais (Eles costumam usar preto, cinza e branco). A utilização dessas cores deixa o clima e a ambientação mais neutros.

Por vários momentos, há uma sobreposição de cores: o preto sobre um fundo acinzentado; e quando a tela é dividida em duas - uma parte cinza e outra preta. O contraste entre elas é predominante. As cores podem aparecer divididas e sobrepostas, sempre na seguinte ordem: cinza-preto-cinza (0:45). 

Em outro momento, esse ar darkness (preto e cinza) sai um pouco de foco, pois é somente a cor branca que predomina nas paredes, grades e chão. O chão, por exemplo, está cheio de lâmpadas quebradas, espatifadas e puídas, com um fiscal com um taco de beisebol logo à frente (1:39-1:42).



Já falei do contraste entre cinza e preto, da predominância do branco, e agora falo de outras composições. Por exemplo, há um contraste interessante quando há uma explosão de pó lilás na tela sob um fundo preto (2:14) e uma explosão de pó lilás sob um fundo branco (2:14). O lilás sob o fundo preto é sinônimo de escuridão e tristeza, sob o branco tem um sentido totalmente oposto (O lilás fica mais leve e amigável).







Fiscais



A maioria dos fiscais e o cantor vestem roupas escuras (preta e cinza) e utilizam bonés pretos com viseiras escuras. O cantor, por sua vez, utiliza um colar com a letra Q, em alusão ao seu nome de artista: MC Queer. A roupa (uniforme) e os objetos utilizados pelos fiscais são para dar ideia de um exército que tem como função vigiar as outras pessoas e as pessoas da comunidade LGBTQ+.



Ao utilizar bonés com viseiras e óculos escuros, os fiscais se escondem atrás desses objetos. Há um momento, porém, que eles tiram o boné com a viseira (óculos) (0:50-0:52). Faço uma analogia a respeito disso: de viseiras, os fiscais se escondem e demonstram poder, assim como superheróis com uma identidade secreta, com suas máscaras e objetos, sendo fortes e invencíveis. Quando os tiram se tornam fracos (1:10). E o que isso significa, Emerson?! Se os homofóbicos estão escondidos demonstram força, ainda mais em grupo. Se tiram o boné e a viseira, são fracos e humanos, como as vítimas que violentam e assassinam.  




Intercalados



Os fiscais costumam aparecer intercalados uns com os outros com roupas claras (cinza e branco) e escuras (preto) (0:13-0:17). O ambiente é bem composto pelos fiscais e pelas lâmpadas que aparecem intercaladas e ao redor dos fiscais. 





Centralismo, alinhamento, verticalismo, transverticalismo, simetria e outras coisas mais



O clipe apresenta, desde o início, equilíbrio e simetria. Percebemos isso quando o cantor e os dançarinos aparecem centralizados no clipe (0:01-0:04), quando o vemos alinhados, como um exército (já falado anteriormente) (0:05-0:30) e dispostos alinhados com as lâmpadas fluorescentes (0:30-0:32). 

Percebe-se que há certo equilíbrio nas cenas. Não há nada fora do lugar. Exemplo disso é quando a imagem fica equilibrada e simétrica com os fiscais (0:47), quando verificamos o cantor simétrico e alinhado (0:54-0:56) ou quando percebemos uma junção interessante de lâmpadas se quebrando com o cantor, e isso com centralismo e uma boa montagem.

Outro frame que é interessante citar é um que apresenta um fiscal centralizado em um retângulo, circunscrito em vários retângulos, alinhados e simétricos. Nesse frame a tela é dividida da seguinte forma: duas partes pretas grandes e duas brancas pequenas. O fiscal "desaparece" no cenário, pois ele está com roupa preta e um taco de beisebol sob um fundo preto (1:28). Visualize o frame logo abaixo:



Mas nem de simetria e centralismo o clipe é composto. Há verticalismo - quando homens são dispostos na vertical nos frames (0:24-0:25) e quando aparecem quatro lâmpadas na transversal (0:33) e foca-se em três lâmpadas e em três fiscais de costas (0:33) - e transversalismo - quando surgem na tela bastões de lâmpadas cruzadas (0:25).








Um ponto que merece ser ressaltado  é a coreografia que é apresentada com passinhos sincronizados e arquitetados, esses misturados com outros frames, o que trouxe um efeito interessante ao clipe (0:05-0:30).


Lâmpadas fluorescentes, tacos de beisebol e pós






Como falado anteriormente, os objetos centrais do clipe são as lâmpadas fluorescentes, que significam, internamente, homofobia, intolerância e violência descabida. Os fiscais, inclusive o próprio cantor, costumam aparecer com tacos de beisebol (0:07). Os tacos, por sua vez, também significam violência, pois são utilizados para quebrar as lâmpadas. Há até mesmo um sentimento de carinho pelo objeto, quando um fiscal beija um taco de beisebol com a logo do MC Queer (0:36). 



Quando as lâmpadas são quebradas (0:43 e 1:42-1:45delas saem pós brancos, púrpuras e rosas. Apesar do caos que se instaura - quando por exemplo um fiscal de tênis branco pisa nos cacos de vidro e a cor do tênis confunde-se com os pós (1:55-1:56) - tais ações proporcionaram uma boa estética e arte ao vídeo em si. Exemplos? Seguem abaixo:

- Um fiscal quebra uma lâmpada. Dessa vez não sai pozinho branco, mas rosa choque (1:42-1:45);



- Um fiscal pega o pó da lâmpada e joga no traseiro (1:54);



- Explosão de pó na tela com os dançarinos e figurantes (2:20-2:27); e



- Explosão de lâmpadas com pós rosas (2:32).


Os pós brancos, púrpuras e rosas deixam o clipe mais belo, esteticamente falando, apesar da mensagem pesada e dura. Não por acaso, as cores púrpuras e rosas estão contidas na bandeira LGBTQ+.

Para finalizar, cito mais alguns trechos interessantes e os explico em seguida:


- Uma lâmpada se espatifa ao som da música (0:49)
Há uma sincronia interessante entre a lâmpada se espatifando e o som da música. O efeito fica mais criativo ao utilizar o slow motion


- um figurante assopra um pó púrpura (2:17)



A cena também contém o efeito de slow motion


- Um figurante faz o gesto de Poncio Pilatos (lavando as mãos) e espalha pó branco pela tela (2:18)



O ato de "lavar as mãos como Poncio Pilatos" significa que muitas vezes a sociedade fica aquém para a homofobia e violência contra a comunidade LGBTQ+. Não é por acaso que esse gesto é realizado. 


- Duas mulheres jogam purpurina rosa em cima de outra mulher (2:33-2:34)


Mais um frame artístico e criativo.



Na escuridão



A iluminação do clipe é meio darkness, apesar das lâmpadas fluorescentes. As roupas dos fiscais (escuras) contribuíram para isso. Há um trecho, em específico, que é possível verificar isso que é quando os fiscais aparecem em contraluz, na escuridão (0:52-0:53).

Fiz uma análise disso: os fiscais do amor ou homofóbicos de plantão insistem ser "iluminados" e "donos da verdade", mas se encontram na escuridão da homofobia, preconceito e ignorância. 


Palavras e gestos alinhados


A letra da música é bem forte e para maiores de 18 anos (Falarei em detalhes logo mais à frente) e o interessante é que em cada trecho cantado há um gesto condizente, assim como cada parte cantada uma coreografia. Separei alguns desses trechos logo abaixo e os gestões que são apresentados:

- Quando se canta "... pra poder dar o próprio cu", o cantor aparece de costas, mostrando o bumbum (0:56)



- Quando o cantor entoa "...e reza" ele faz um sinal com a mão (1:12)



- Na parte "... que tu gosta de fio terra" o cantor faz uma espécie de sarrada (1:25)



- Quando se canta "ou enche ela logo de leite" aparece o cantor 'melando' o lado da boca com uma tinta branca (1:33)




- O cantor faz um gesto obsceno na parte "... e chupa rola" (2:04)



Esse alinhamento também é verificado quando a música tem um som de tremor e a câmera e os dançarinos tremem também (1:26).


"O fervo também é luta"


Um trecho que é cantado por diversas vezes é esse acima. A primeira vez que o ouvi acreditava que FERVO seria FREVO, FESTA, mas estava totalmente enganado. De acordo com o colaborador do blog, Thiago Nascimento, o fervo é um movimento da época que significa militância com batida, empoderamento e busca pela subversão do medo. De acordo com o Dicionário Informal fervo é:

"Agito, azaração. Local de encontro das pessoas para fazer uma festa."


Há um trecho icônico que é quando o cantor fala "o fervo também é luta" no mesmo instante que aparece um lábio cinza brilhante falando a frase (0:20-0:21). 

Militar sobre o movimento LGBTQ+ não é tarefa fácil, e o MC Queer faz isso com crítica e sem papas na língua. Tanto a música como o clipe são subversivos e incomodaram muita gente, tanto LGBTQ+ como não.


Uma blusa militante e pessoas LGBTQ+



Aos 1:57 Fefito aparece no vídeo com uma blusa escrito Laerte, Caitlyn Jenner e Roberta Close. O detalhe é que todas as celebridades estampadas são TRANSEXUAIS

Durante toda a exibição do vídeo aparecem pessoas LGBTQ+, sejam lésbicas, gays ou transexuais (2:45). Não consegui identificar todas, mas foi demais o MC Queer dar esse espaço para elas.



Detalhes quentes


O clipe, de forma geral, é sensual e, por que não dizer, sexual?! Além das palavras e gestos listados em um tópico anterior, aparecem outros detalhes bem quentes, como:


-  Um lábio com a língua passando pelo lábio (sensualidade) (2:46-2:47)



- Um casal gay em cena quente. Um deles passa purpurina na costa do outro (2:50-2:51)



Ao final


Em um dos últimos frames MC Queer se desmonta, ou seja, tira o boné e a viseira (demonstrando sua humanidade) e entoa a seguinte frase: "E aí, firmeza?" (2:56-3:00). Essa frase é característica de São Paulo e demonstra um jeito paulistano de falar. Não por acaso, MC Queer é paulista e a situação teatralizada ocorreu na Avenida Paulista. 



Já o frame final foca na logo do MC Queer, um Q estilizado (3:00-3:06).



Letra


Como já falado anteriormente a letra é forte e é uma crítica aos homofóbicos e um ode à comunidade LGBTQ+. Resolvi destacar alguns trechos com minhas considerações:

"passa na calçada espalhando o terror 
solta a mão, segura firme, chegou o fiscal de amor"
O fiscal do amor a qual o cantor faz menção são os homofóbicos e disseminadores da violência contra a comunidade LGBTQ+. 


"todo mundo tá ligado, quer dar ré e vai de segunda 
quebra lâmpada na cara pra não enfiar na bunda"
Aqui há uma clara referência ao episódio de intolerância na Avenida Paulista. O trecho também mostra que os homofóbicos são enrustidos e tem um lado gay. 



"quero muita atenção no que eu vou falar pra tu
tem que ser macho pra caralho
pra poder dar o próprio cu"
Esse trecho foi bastante controverso, machista e preconceituoso. Na verdade, homossexual algum quer ser chamado de macho, pois isso é perjorativo e bastante estereotipado. Na verdade, o MC Queer quis inserir uma dose de ironia e crítica no trecho. 



"vê se me ama ou vê se me erra
fala pra tua mina que tu gosta de fio-terra"
Um trecho que desafio os heterossexuais e homofóbicos de plantão. O fato de gostar de fio-terra não faz uma pessoa mais ou menos homem. Aliás, há registros de heterossexuais que são adeptos que suas namoradas realizem tal ação por ser extremamente prazeroso.



"to bem de saco cheio, então tu me respeite 
ou cala tua boca ou enche logo ela de leite"
Aqui é o estopim da crítica de MC Queer aos homofóbicos. 



Objetivo do clipe



Ele nada mais é que mostrar que os homofóbicos podem ser enrustidos. O cantor faz isso utilizando o próprio vocabulário dos heterossexuais sobre os homossexuais. Por exemplo: leite, dar ré e vai de segunda, enfiar na bunda e ser macho para caralho. É preciso deixar claro que esses estereótipos não são da classe LGBTQ+, mas da hétero. Com isso, o cantor quer lutar e cantar contra até o fim, assumindo-se abertamente gay e subvertendo todo e qualquer discurso homofóbico. Veja o que ele disse (com grifos):

"O clipe tem presença de absolutamente todas as letrinhas do nosso arco-íris. Todo o discurso da música foi construída em cima da linguagem do próprio opressor. Eu e muitos personagens nos assumimos orgulhosamente viados e diversos outros adjetivos similares justamente para subverter o discurso homofóbico." 



Música

Fiscal foi a primeira música que MC Queer escreveu, sendo um desafio honesto e a mais "pesada" do disco no que diz respeito à letra. A música, propriamente dita, é um funk LGBTQ+ com uma batida boa de dançar e ouvir. Há vários barulhinhos de batucada e uma pegada eletrônica.


Esse foi o Entre Frames de hoje. Curtiu? "O fervo também é luta!". J-J














Por: Emerson Garcia
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