sábado, 4 de abril de 2020

O Dia da Visibilidade Trans por empresas e marcas



No dia 31 de março foi comemorado internacionalmente o Dia da Visibilidade Trans (Transgender Day of Visibility). A primeira homenagem foi em 2009, tendo 10 anos esse dia. Tal dia é uma forma celebrar as pessoas trans, com o intuito de conscientizar a sociedade sobre a discriminação que esse grupo enfrenta. Ele foi fundado pela ativista transgênero Rachel Crandall, de Michigan. Em 2014, a data ganhou proporções mundiais, sendo comemorada por países, como Brasil, Irlanda e Escócia. 

O Dia da Visibilidade Trans é uma forma de permitir que as pessoas trans vivam de forma aberta e autêntica, sem terem medo de sofrerem preconceito ou represálias. Os indivíduos trans deveriam ser respeitados. Você pode conviver com um colega de trabalho, um familiar ou vizinho. Não há como dizer que eles não existem. A comunidade trans é diversificada, tanto de raças e etnias como de fé. 

Esse dia também é uma forma de agradecer às pessoas trans por seus feitos e contribuições para a sociedade. Pessoas trans contribuem na moda, ciência, educação, artes, teatro, cinema, televisão, economia e política.

Com o assunto em alta, diversas marcas e empresas decidiram criar conteúdos, mudar fachadas e logos para reforçar a importância da data e gerar discussões sobre o assunto. Abaixo, comento o que essas empresas fizeram esse ano e em outros também.


Starbucks



A empresa de bebidas nos Estados Unidos colocou duas bandeiras transgêneros para celebrar a data. Para quem não sabe as cores da bandeira é azul e rosa. 

Já na franqueada em São Paulo foi estendida uma enorme faixa da bandeira na fachada do estabelecimento, de fora a fora. 




Google


No ano passado a empresa de pesquisas criou um doodle homenageando Brenda Lee, militante transexual brasileira. Brenda lutou pela causa e abrigou dezenas de LGBTQs e portadores de HIV, sendo brutalmente assassinada junto com algumas amigas a tiros. Seu corpo foi achado em uma kombi, em 1996.

A repercussão do doodle foi imediata. Usuários elogiaram o posicionamento da Google, assim como outros questionaram a escolham da empresa de ilustrar sua página para alguém como Brenda Lee. 


Nickelodeon


O canal a cabo destinado ao público infantil decidiu homenagear as "pessoas trans ao redor do mundo e encorajando-as a viverem sua própria verdade" em sua conta no Twitter com a bandeira trans. 

Também entraram na homenagem a casa do Bob Esponja Calça Quadrada, TMNT e uma série de programas infantis, como forma de anunciar apoio a pessoas trans em todo o mundo. 



Cartoon Network


O também canal infantil, um dos maiores do meio, resolveu "celebrar a autenticidade de você que escolheu ser você" em sua conta no Twitter com um coração com listras azul e rosa bebê. O post foi criado nas mídias do canal original e teve apoiadores e críticos com a manifestação.  



Twitter Open


O grupo LGBTQ+ do Twitter - com uma logo com uma bandeira LGBTQ+ com o pássaro sobreposto - , publicou um vídeo lembrando os usuários de várias hashtags em uso, como #TransDayofVisibility, #TDoV2020, entre outras. Cada uma delas tem um emoji com uma mão segurando uma bandeira trans nas cores azul, rosa e branco.  



Caitlin Blunnie

A instagrammer e ilustradora de Virgínia (EUA) Caitlin Blunnie criou uma ilustração de uma jarra de refresco animada com camadas líquidas rosa e azul que segura uma bandeira trans, com o seguinte dizer: "Oh, yeaaahhh, trans right" (... direito trans).




The Trevor Project


A ONG, que tem o objetivo de informar e prevenir o suicídio entre jovens LGBTQ*, criou o Guia de Ser um Aliado de Jovens Transgêneros e Não-Binários com ilustrações de Dami Animated e publicou em seu Twitter com uma mensagem motivacional que diz "E lembre-se, não importa o que você esteha passando no Dia da Visibilidade Trans, estamos aqui para você". Conheça o interessante guia nesse link.  

Veja o guia de forma integral abaixo:




GLAAD

A ONG GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, Aliança Gay e Lésbica Contra Difamação) publicou no Twitter uma parceria com o Instagram para uma série chamada #TransLoveStories com o intuito de compartilhar histórias de vida das pessoas trans e suas experiências de amor. 



SAGE


A maior e mais antiga organização do mundo dedicada aos idosos LGBTQ+ honrou Lorena Borjas, mãe da comunidade trans Latinx em Queens e uma mulher compassiva que mudou a vida de tantas pessoas LGBTQ+ no Twitter com uma montagem nas cores azul e rosa e a frase "Rest in power" (Descanse em poder). 



Athlete Ally



A organização, que desmantela os sistemas de opressão no esporte que isolam, excluem e colocam em risco as pessoas LGBTQ+, criou a hashtag #Transkids e #ProtectTransKids no Twitter com o objetivo de resgatar as crianças trans. 


Human Rights Campaign 




O maior grupo de defesa e de lobby dos direitos civis LGBTQ+ nos Estados Unidos criou um espaço com vários vídeos de histórias de pessoas trans, além desse banner super legal acima.



E no Brasil?


No Brasil a data é comemorado em 29 de janeiro, depois de uma ideia de um grupo de ativistas trans em 2004. Assim, surgiu a primeira campanha de transfobia no país promovida pelo departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério de Saúde. 

Esse ano, o Palácio do Buriti recebeu luzes nas cores da bandeira trans. 



Essas foram algumas das campanhas do Dia da Visilidade Trans tanto dos Estados Unidos como do Brasil. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Entre Frames #23 #universoFelipeSassi: Bumbum no ar - Lia Clark feat. Wanessa Camargo






A partir de hoje abro no Entre Frames uma sequência de seis clipes roteirizados e dirigidos pelo expoente nacional do pop, Felipe Sassi. Vocês perceberão, através das minhas análises, que Felipe construiu um universo, o qual chamo de #universoFelipeSassi, e conseguiu dar continuidade aos seis vídeos, por meio de uma história que permeia todos eles. Começo hoje com a origem de tudo isso - Bumbum no ar - e sigo com Coisa Boa, Brisa, YoYo, Loko! e Terremoto.  

Felipe Sassi é um jovem publicitário de 26 anos que já tem seu reconhecimento no mercado pop nacional e internacional. Ele já dirigiu cantoras como Ludmilla, Gloria Groove, Iza, Lia Clark, Aretuza Lovi e Wanessa Camargo. Foi ele quem dirigiu Apaga a Luz (já analisado aqui). 

Bumbum no ar foi lançado no Youtube em 18 de outubro de 2018. Conta atualmente com mais de 3,8 milhão de visualizações, 114 mil curtidas e 7,5 mil descurtidas. Lia Clark e Wanessa Camargo são as estrelas do vídeo, dirigido e roteirizado por Felipe Sassi e com produção de Lucas Barsalini, Jessica Martins e Pam Hughes. 

Qual a história de Bumbum no ar? Lia Cark e Wanessa Camargo unem forças para matar um político lgbtqfóbico, machista e racista que passa a perseguir grupos minoritários, entre eles o de gays, lésbicas e de mulheres. Elas tentam por fim em sua vida, mas falham até que tem uma nova chance de colocar seu plano em ação.

Parece que a arte imitou a realidade e vice-versa, mas um aviso no início já alerta a todos que trata-se de uma "obra de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com  a realidade". Assista ao clipe:





Agora, vamos à minha análise.


As cores 





O clipe se passa praticamente em ambientes internos, e foram utilizadas as luzes deles. Os tons da sala de depoimento são escuros e fechados - preto, cinza escuro e cinza claro. Já o da sauna e do spa (casa de massagens) possui uma paleta de cores vermelhas e amarelas. Já o ambiente do hospital é claro, as paredes azul com detalhes em amarelo. O início do clipe - introdução e créditos iniciais - possui uma coloração azul esverdeado. 

Ainda brincando com as cores, os produtores utilizaram tons darks no ambiente do depoimento (preto, branco gelo, branco, cinza e marrom claro) e é possível ver detalhes em vermelho na sala de investigação das garotas (luminária, telefone e casaco da Lia). Já a cena da sauna tem predominância de vermelho, marrom, preto, amarelo e amarelo claro. 

Desse modo, Felipe usa as cores como uma forma de narrativa. A fotografia do clipe é bem construída e a filmagem é de primeira categoria.


Notícias


O clipe é iniciado com várias notícias de jornais com citações machistas, racistas e lgbtqfóbicas de um candidato à presidência fictício chamado Jota Palhares. Parece que Felipe chegou a ver discursos de certo político e os reproduziu. A partir de agora, comentarei as notícias:


- "Não passarão", "Muito longe da esperança" e "retrocesso" (0:07): essas frases são bem atuais e você já as deve ter visto em redes sociais e Twitter. "Não passarão" tem um sentido bem amplo, podendo ser usada para machistas, lgbtfóbicos e racistas; "muito longe da esperança" é o retrato de um mundo atual de caos e desigualdades"; e "retrocesso" faz um contraponto com o progresso da bandeira brasileira. 



- " 'Lugar de mulher é cuidando dos filhos e da casa', diz candidato": uma frase extremamente machista e preconceituosa. Bem, o lugar de mulher é onde ela quiser. Acredito que já chegamos em um nível de entendimento bem maior, frente às outros tempos. 




- "Não existe racismo no Brasil" (0:09): quem diz isso não conhece de perto as desigualdades sociais e raciais de nosso país. A frase demonstra uma cegueira de entendimento das pessoas, que são racistas, mas acham que não são. Digo, sem medo de errar que existe, SIM, racismo no Brasil. 





- "Jota Palhares queima bandeira LGBTQ em comício" (0:11): uma atitude de ódio, lgbtqfobia e intolerância. Se não vimos pessoas queimando bandeiras gays, vimos pastores quebrando santas e desfazendo terreiros. É possível, portanto, equiparar as duas situações. E mesmo que não se tome uma situação tão extrema, só o olhar atravessado e o discurso inviesado já dizem muita coisa. 




Os jornais estão dispostos em um quadro de cortiça, como se fosse uma investigação criminal. Os recortes foram afixados com alfinetes e percevejos, assim como um santinho do candidato: JOTA PALHARES 28. Parece que é uma investigação das garotas cantoras.  



P.S.: O santinho parece ter chifres vermelhos. 


Recortes



No início do clipe também (0:13) há recortes de jornais que formam o nome da música, das cantoras e do diretor. Um efeito bem interessante que me fez lembrar da época em que recortava diferentes letras para formar palavras ou mensagens secretas. Era divertido ou não?!


No caminho da investigação




Sabe aqueles recortes de informações afixados com percevejos e com barbantes vermelhos de investigações policiais que vemos em filmes e séries?! Pois é, em Bumbum no ar tem isso. Continuando as investigações de Lia e Wanessa, percebemos que elas traçaram os locais que o candidato à presidência costuma frequentar: spa, seguir até e sauna (0:15). Não por acaso, são esses lugares que as meninas visitam à procura do criminoso. 

Após essas provas e nos enfoques em notícias, é mostrado o mural de forma geral e panorâmica (0:18). Imagino o trabalho que foi dado para produzir só esses 20 segundos iniciais. 





O começo do clipe



Ele é iniciado com as duas cantoras prestando depoimento. Os investigadores dizem o seguinte:

- Eu acho bom vocês contarem a história desde o começo. [investigador]
- Eu quero detalhe por detalhe. [investigadora]


A partir daí, Wanessa e Lia contam a história de forma cantada e com danças. Intercala-se as ações contra o candidato, com cenas do depoimento. Aliás, tem uma parte que os investigadores ficam até em clima de romance (1:05). Não se sabe se um beija o rosto do outro ou se cochicha algo no ouvido do outro, o que se sabe é que rola um sentimento entre os dois. 




A cena do depoimento no começo se situa, na verdade, no final do vídeo. Essa mudança de narrativa, demonstra uma técnica de contar a história de forma não-linear, o que não prejudicou no entendimento do clipe.  


Planejar!




Na sala de investigação as cantoras planejam matar Jota Palhares, contando com o auxílio de um investigador. Wanessa segura uma arma branca (faca), mas que por incrível que pareça não é a arma do crime, como veremos mais à frente (0:49-0:50). 






O crime




Lembra que no mural da investigação o spa é um dos lugares que Jota Palhares frequenta? As garotas, então, se infiltram para ter contato com ele e tentam matá-lo em uma sessão de massagem, logo após ele sair da sauna junto com três homens de toalha (1:22).

Lia e Wanessa se vestem de massagistas para recepcioná-lo (1:30). Elas se entreolham como se combinassem algo e começam a fazer a "massagem" (1:33). Elas quebram Jota, estralando suas mãos, pés e pescoço, ao ponto de matá-lo. O objeto do crime, portanto, não é uma faca, mas as mãos das cantoras.


Próximo ato




Parece que as cantoras matam o candidato à presidência, mas não. Dias passam e Lia está na sala da sua casa vendo televisão até que aparece uma notícia na TV (2:20-2:23):

Bafão News: "Jota Palhares sobrevive após tentativa de homicídio".


Assim, elas descobrem que Jota Palhares sobreviveu e decidem ir até o hospital disfarçadas (Lia de médica e Wanessa de paciente) para terminarem o serviço. Ao chegarem no hospital, tiram o disfarce e atacam os seguranças, protagonizando uma luta sincronizada e ensaiada com eles (2:48-2:57). 





A hora fatal




Elas saem vencedoras da luta, indo até o quarto onde Jota se encontra. Lia injeta um líquido vermelho no verdadeiro criminoso. Tal líquido combina com detalhes da sua roupa debaixo. Ele é uma espécie de veneno, que leva Jota ao óbito.

Wanessa e Lia correm com o corpo pelo hospital, a fim de fugir, mas são pegas pela polícia e presas (4:58). A continuação pode ser vista em Coisa Boa, próximo clipe do Entre Frames





Profundidade, simetria e harmonia




O clipe tem aspectos visuais que merecem ser mencionados, como o do homofóbico no corredor do spa, quando há uma profundidade na cena (1:26); as cantoras disfarçadas no hospital, quando há uma simetria e harmonia delas (2:33); a harmonia entre as cantoras e o candidato (3:37); e quando Lia está de quatro no meio do corredor no hospital, em que percebemos a simetria e profundidade da cena (4:02). 




Detalhes


Bumbum no ar é cheio de detalhes, mas ainda não há easter eggs. Esses últimos poderão ser vistos, analisados e comentados a partir do próximo clipe, Coisa Boa. Vamos aos detalhes então:


- Caixote: Quando Lia está sentada no sofá de sua sala, seus pés estão em cima de um caixote com palavras escritas em russo e uma estrela (2:20). 




- "Hoje você vai ser meu refém": nessa parte há uma sincronia, pois quando elas cantam isso, elas correm com a maca. Elas estão alegres e com um sorriso sarcástico no rosto (3:45).




- "Vem novinha, vem jogando o seu bumbum no ar": a frase é dita pelo candidato à presidência na cama de massagem, após ser golpeado dolorosamente (1:45-1:47). A frase ser dita por ele tornou o clipe, de certa forma, hilário.




- No ritmo indiano: Lia Clark dança a coreografia em ritmo indiano, com os movimentos de mãos e braços característicos (1:48). Há uma sincronia no toque da música e na dança de Lia. É a mesma batida (1:51). 





- "A pressão do meu rebolar": nessa parte Lia aparece no meio do corredor como se fosse uma cobra (3:53).



- Cena da luta: é épica! Há um slow motion das garotas lutando com os seguranças e uma trilha sonora condizente (2:58-3:22). 




- O gemido: Lia parece gemer no chão (4:13). 






Inspirado nos filmes de Quentin Tarantino






O roteiro de Bumbum no ar é inspiradíssimo nos longas de Tarantino por conta da violência empregada. Embora não haja sangue, a inspiração veio do diretor.


Coreografia





A coreografia de Bumbum no ar é feita somente pela Lia por causa da diferença de altura entre ela e Wanessa. Enquanto Lia tem 1,90m, Wanessa tem 1,60m. Então elas tomaram essa decisão mais por conta da estética do clipe. 

Lia dança com seus bailarinos na sala de massagem e no corredor do hospital. Os dançarinos parecem ser amigos da Lia e ligados à causa LGBTQ+. A dança final coroa o clipe com maestria (4:18-4:58). 


Discurso de ódio




O clipe é um protesto aos discursos de ódio que vemos por aí. Ele prova que discursos misógenos, racistas e homofóbicos não tem vez em nossa sociedade. Wanessa e Lia ganham voz e são porta-vozes daquelas pessoas que acham errado as atitudes retratadas. São verdadeiras espiãs e donas do mundo todo. 

Suas ações são amenizadas e, na verdade, as atitudes do candidato à presidência é que são gravíssimas. O clipe mostra que TUDO BEM quebrar a pessoa ao meio e envenená-la se ela estiver falando besteira por aí.

Eu vejo que a atitude extrema de Lia e Wanessa já passou na cabeça de muitas pessoas de fazer o mesmo com políticos da vida real, mas só não fizeram isso porque são orientadas por leis. Mas políticos como o do retratado no vídeo ao menos deveriam ter outro tipo de punição. Não se pode deixar falar coisas graves e ficar por isso mesmo. 


Letra




Fazendo uma relação com o clipe, a letra quase não tem relação, a não ser o trecho "hoje vai ser o meu refém". A letra é mais divertida e o clipe tem um ar pesado por retratar situações gravíssimas. Se a letra denunciasse, realmente, o preconceito, misoginia e homofobia seria mais interessante. Mesmo assim, destaco alguns trechos:


"Desce, sobe, trava e empina
E vai mirando o teu bumbum pra cima
Eu disse desce, sobe, sem dó, nem piedade
Pra chegar junto, tem que ter dignidade"

Aqui é praticamente um tutorial da coreografia do bumbum empinado.


"Ah, eu 'to maluca
Hoje eu quero ver você suar
Ah, eu 'to maluca
Vem jogando o seu bumbum no ar"

Um trecho cheio de rimas. 


"Vem sem medo, meu bem
A ginga você tem
Hoje tu é meu refém"

Aqui a letra fala de um momento romântico e sensual entre duas pessoas. No clipe o trecho ganhou uma nova visão. 


Música 


A música é pra cima e induz a dança. 


Esse foi o Entre Frames de hoje. Até Coisa Boa, no dia 16! J-J




















Por: Emerson Garcia
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