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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Morre Ricardo Boechat aos 66 anos, um dos maiores jornalistas e âncoras do país




Interrompemos o hiatus do blog mais uma vez para informar que morreu ontem (11), aos 66 anos, por volta de meio dia o comunicador e jornalista Ricardo Boechat, vítima de um acidente de helicóptero na rodovia Rodoanel em São Paulo que levou ele e o piloto à óbito. 

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em julho de 1952 em Buenos Aires, vindo para o Brasil na década de 1970, por conta de um serviço diplomático de seu pai. Em toda sua carreira de jornalismo, Ricardo passou pelos principais veículos de comunicação, como o Estado de S. Paulo, O dia, Jornal do Brasil e Rede Globo. Atualmente era âncora do programa matutino da Band News FM ao lado de José Simão e do Jornal da Band na parte da noite. 

O jornalista era um dos mais prestigiados comunicadores do país, tendo ganhado prêmios importantes, como o Prêmio Esso (1989, 1992 e 2002), o Prêmio Comunique-se (2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017) como âncora de rádio, colunista de notícia e âncora de TV, o título de Jornalista mais admirado do país, com Miriam Leitão (2014 e 2015) e o Troféu Imprensa (2016). Em abril desse ano receberia este último novamente das mãos de Silvio Santos. 

Pouco antes de falecer, Boechat apresentou o programa da Band News, onde relembrou as tragédias de Brumadinho e do incêndio no Ninho do Urubu, cobrando justiça e apuração das autoridades. Mal sabia que ele seria notícia minutos depois de uma tragédia que também abalou a sociedade brasileira. 

Boechat não tinha papas da língua e estava à serviço da notícia e informação. Era à favor da democracia e da liberdade de expressão e de imprensa. Até seus últimos momentos em vida, ele cumpriu seu papel para com a sociedade.






O profissional


Boechat era um jornalista irreverente, admirável, bem humorado, com a personalidade forte, língua afiada e não tinha medo de opinar e criticar sobre assuntos polêmicos. Com certeza fará falta em uma sociedade que clama pelo bom jornalismo e pela prestação de serviço. 

Ricardo criticava o governo e a política brasileira. Um dos episódios mais memoráveis foi quando criticou o pastor Silas Malafaia e disse para ele "procurar uma rola" - episódio esse que foi trabalhado por Pedro Blanche em post. Ouça a crítica abaixo:






Boechat era isso e muito mais. Será difícil, para não dizer impossível, que esse profissional seja substituído. Ricardo fará falta por sua irreverência, pulso firme  e pelo bom profissionalismo. 


A repercussão


Minutos antes a notícia ser veiculada na mídia, como o site Metrópoles, publiquei uma sobre um helicóptero que havia caído em cima de um caminhão na avenida Rodoanel em SP. A notícia não tinha muitas informações de vítimas e, até então, não sabia que uma delas se tratava de Ricardo Boechat. Somente depois a trágica informação foi veiculada.

Na Rádio Band a notícia foi dada pela repórter Sheila Magalhães, que disse o seguinte:

“Boechat apresentou o noticiário da Band News logo pela manhã, esteve em Campinas para um evento de um laboratório farmacêutico, foi a bordo de um helicóptero, acompanhado de um piloto. Ele pegou o helicóptero por volta das 11h50 da manhã e pousaria no Grupo Bandeirantes por volta de 12h15, o que não aconteceu”.


Sob forte comoção, a Bandnews saiu do ar por volta das duas horas da tarde com um pedido de desculpas

Durante a exibição do Brasil Urgente, foi o apresentador e jornalista José Luiz Datena quem informou a morte sob lágrimas e choro:

“Com profundo pesar, desses quase 50 anos de jornalismo, cabe a mim informar a vocês que o jornalista, amigo, pai de família, companheiro, que na última quarta, que eu vim aqui apresentar o jornal, me deu um beijo no rosto, fingido que ia cochichar alguma coisa, e, no fim, brincalhão como ele era, falou: ‘É, bocão, eu só queria te dar um beijo’. Queria informar aos senhores que o maior âncora da televisão brasileira, o Ricardo Boechat, morreu hoje num acidente de helicóptero, no Rodoanel, aqui em São Paulo”. 


A notícia também foi dada no Jornal Hoje, que encerrou aquela edição com um minuto de silêncio e com a voz embargada de Donny e Sandra. Uma cobertura completa foi apresentada no Jornal Nacional e as logos da Band foram trocadas por uma imagem em preto. 

Ricardo era casado com Veruska Seibel Boechat e deixa seis filhos. Finalizo esse post com uma reflexão do Pe. Fábio de Melo. Leia:




Fica aqui a homenagem do JOVEM JORNALISTA à esse grande jornalista e âncora. J-J


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Bandeira brasileira com suástica: a opinião em uma charge



Uma charge criada pelo artista neerlândes Bas van der Shot e publicada no jornal holandês Volkstrant após a vitória de Jair Messias Bolsonaro como presidente do Brasil, fora bastante polemizada e criticada. Na arte, a bandeira do Brasil foi substituída por uma suástica nazista. 

O que se lê nas entrelinhas? O que há por trás dessa arte? De que forma o artista divulga seu trabalho? Qual é o posicionamento do jornal? Até que ponto é apenas um desenho, até que ponto uma crítica? Essas são perguntas que podem vir a surgir logo após que analisamos a imagem que trocou a bandeira brasileira, pela bandeira fascista. Veja:





No lugar da cor vermelha, a amarela. O símbolo da suástica por sua vez foi criado a partir de chinelas havaianas verdes, com tiras amarelas. 



A ideia do desenho



Durante a campanha eleitoral, Jair Bolsonaro foi considerado como "facista", "ultraconservador" e "extremista de direita". Foi a partir desses atributos que a imagem fora construída. Será que estaríamos mesmo em um governo fascista? Será que a ditadura realmente voltou? 

Diversos jornais internacionais trataram Bolsonaro nesses termos e tons, inclusive o Volkstrant. Confira algumas manchetes que separei para vocês:



The New York Times

"populista de extrema direita"





Le Monde

"Eleição do Brasil: candidato de extrema direita Jair Bolsonaro eleito presidente"





"Machista, homofóbico e racista, o 'Trump brasileiro'







The Guardian

"O Brasil agora tem o mais extremista dos presidentes de qualquer país democrático no mundo"







El País

"ultradireitista"





Volkstrant


"Bolsonaro de extrema direita vence as eleições presidenciais brasileiras"






Manchetes bem pesadas, assim como a charge de Bas van der Schot, né?!



Outras charges


Assim como essa suástica critica a "nova" política no Brasil, Bas van der Schot criou outras em que polemiza sistemas culturais, políticos e autoridades mundiais. Ele, por exemplo, já criticou o presidente Donald Trump e o sistema islâmico. Confira abaixo:










Além desse tipo de charge, Schot ainda criou algumas onde critica a tecnologia e a religião. Confira:









Jornal Volkstrant


O jornal fora criado em 1919 e é um dos mais tradicionais dos Países Baixos, juntamente do De Telegraaf e do Algemeen Dagblad. Ele é considerado de centro-esquerda e está alinhado com as ideias contrárias ao governo de Bolsonaro no Brasil - a esquerda. 

Acho muito interessante a linha editorial não só desse jornal, como o do Le Monde, The Guardian, The New York Times e El país. Todos, sem exceção, possuem um posicionamento parecido acerca do presidente Jair Bolsonaro e podem ser considerados de esquerda por conta da forma como abordam termos em suas manchetes. 


Vocês gostaram da charge? A consideram crítica e polêmica? Digam nos comentários! J-J







Por: Emerson Garcia

sábado, 27 de outubro de 2018

"Segurem esses 'Bolsominions'!": verdades e mentiras sobre Jair Bolsonaro e a campanha #Elenão




Bolsominions, apoiadores do Coiso, fascistas, adeptos do Bolsomito. Vários são os adjetivos dados para as pessoas que apoiam Jair Messias Bolsonaro - que de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 25 de outubro lidera com 56% dos votos, contra 44% de Andrade (como é conhecido no nordeste). 

Tais adjetivos não são nada pacíficos e dados a partir de ideias, posicionamentos e planos de governo de Jair MESSIAS Bolsonaro (Não! Ele não será o messias do Brasil!) verificados por esquerdistas. É aquela velha briga de sempre entre esquerda e direita.

Ao contrário do que se pensa, Jair não será o salvador da pátria, mas na atual conjuntura do país, ele é a oposição e a "esperança" para uma nação que vive de migalhas, com elevado desemprego e a corrupção desenfreada. 

Muitas ideias foram pautadas contra Jair Bolsonaro nesses dois turnos e é isso que quero discutir nesse post. Seria mesmo "o coiso" misógino, homofóbico e contra as minorias? Armamentos serão liberados para geral caso ele ganhe? Por que o suposto caixa 2 veio à tona somente no segundo turno? Jair Bolsonaro odeia gays, lésbicas e nordestinos? Em que a campanha #EleNão é pertinente?

Então, venham comigo. 



Um vídeo direcionado à Bolsonaro


Uma produção que circula pela web refere-se à Jair com vários termos pesados, literais e assertivos. O trecho foi curtido e compartilhado por muitos. Assista-o: 






Como retratado, o vídeo refere-se ao governo de Jair Bolsonaro, caso eleito. Nesta gestão várias coisas ruins aconteceriam, como: "índio sequestrado", "nordestino discriminado", "afeminado espancado", "arma apontada e falta de tolerância" e "Hitler de volta à Terra". Tais palavras taxativas foram baseadas em discursos de Jair Bolsonaro e reinterpretadas à sua maneira. 

Recentemente, vi um comentário interessante: "Bolsonaro não é contra gays, lésbicas e nordestinos. Mas ele prega que todos são iguais". Percebem a diferença? É muito fácil taxar alguém como homofóbico, misógino e xenófobo a partir de suas falas, sem antes investigar à fundo o que realmente se quis dizer.





Uma revista francesa chamada Liberatión estampa Jair Bolsonaro sob a manchete: "racista, homofóbico, misógeno e pró-ditadura". Ou seja, já o preconceitua a partir de frases e trechos isolados dito por ele. Por isso que não devemos acreditar em tudo que a mídia fala ou diz



Na verdade para Jair não há ninguém diferente do outro. Todos são iguais perante à lei e a sociedade. O que movimentos ativistas querem é se diferenciar da maioria e pregar que não são tratados como iguais. Percebem o paradoxo? Por que que para ser igual é preciso se diferenciar com todas as forças?

Também dizem que Bolsonaro é misógino por conta de uma gravação em que chama uma política de "vagabunda" e também porque, supostamente, agrediu a sua ex esposa (Só que depois que a merda estava feita ela veio em rede nacional e disse que tudo era mentira). Seria mesmo Jair misógino por conta desses dois episódios?! Uma pessoa não deve ser marcada por uma frase feita ou um momento isolado


O simpatizante do nordeste


Dizem por aí também que Jair odeia o nordeste e os nordestinos. Me pergunto como alguém que seja xenófobo a esse ponto pôde fazer uma campanha eleitoral somente sobre o nordeste divulgada no dia 19 de outubro?






Achei interessante a forma como a mensagem foi passada: com literatura de cordel e ilustrações, enaltecendo as riquezas do nordeste e o que Bolsonaro fará pela região caso eleito.

Daí tem pessoas que falam que Jair Bolsonaro "não governará para pobres, somente para ricos". Depois desse vídeo, será mesmo que o candidato do 17 não governará para as minorias?! 


Da boca para fora





Quem nunca falou algo da boca para fora? Não seria diferente com o Coiso, não é mesmo?! Muitas vezes pronunciamos frases e declarações de efeitos que podem corresponder, ou não, às nossas reais convicções. Ontem (26) a atriz Regina Duarte fez uma declaração um tanto como polêmica sobre o presidenciável:

“Ele tem uma alma democrática, [um] humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada”.



Youtubers, twitters e blogueiros volta e meia mudam suas convicções e pontos de vista. Muitos até os questionam dizendo: "fulano de tal falou isso ou aquilo no Twitter". Acontece que diariamente as pessoas mudam suas convicções e pontos de vista. O próprio JOVEM JORNALISTA estaria suscetível a isso. Mas o que precisa ficar claro é que declarações não são verdades e condutas de vida



Bolsonaro é contra a ideologia de gênero, não contra homossexuais


"Ah, o Bolsonaro é contra a comunidade LGBTQ+; Fui reclamar de como tratam as minorias e vieram com uma arma apontada para cima de mim!". Figurativamente é isso que foi dito no vídeo do primeiro tópico desse texto. Na verdade, Bolsonaro não é contra homossexuais, mas, sim, contra a ideologia de gênero e o POSSÍVEL material escolar que pode ser distribuído, caso a esquerda ganhe as eleições. Foi o que ele disse em uma reportagem da revista Exame recentemente (com grifos):

“Se for eleito, espero como presidente da República e chefe supremo das Forças Armadas, dar um ippon na corrupção, na violência e na ideologia.

 “Qual é a máxima nas escolas públicas, não interessa o nível delas? É a formação de militantes. Nós queremos uma escola sem partido. Escola sem partido não é não discutir política. Pode discutir, mas não pode o aluno que tem uma posição diferente da do professor ter a nota rebaixada ou até ser reprovado”.

"Minha luta é contra o material escolar, não interessa se é homo ou hétero, para criancinhas a partir de seis anos de idade".


O que percebemos no ensino brasileiro hoje em dia é que ele tem dado vazão a assuntos como orientação sexual, ideologia de gênero, racismo e preconceito, em detrimento do português, redação, matemática ou ciências. Não que os assuntos citados não sejam importantes, mas é que a escola tem sido mais doutrinadora que ensinadora, e é isso que Jair prega contra


Armamento para todo mundo?





Com o armamento de cidadãos, Jair não prega a violência e o espírito justiceiro como muitos falam por aí. Na verdade, ele fala de seguridade urbana e liberdade cidadã. Em um encontro com homens fardados em Curitiba, em março de 2018, ele fez a seguinte declaração (com grifos):

A arma, mais que a defesa da vida, é a garantia da nossa liberdade.


Ou seja, a arma de acordo com Bolsonaro dá autonomia ao cidadão, segurança e o nivela no mesmo nível que o criminoso, não no sentido dele ser violento como tal, mas de estar armado como tal. Foi o que disse Mário Sérgio “Bradock” Zacheski, ex-deputado e delegado de polícia aposentado (com grifos):

É inerente do ser humano andar armado. Se alguém está armado eu tenho que estar também. Tem que nivelar. Se vier um cara de dois metros de altura me atacar, eu, que sou baixinho, vou me defender como?”




A defesa pessoal é algo importante, claro. Mas acredito que antes de armar os cidadãos de bem, o presidenciável deveria equipar os policiais com melhores armamentos e com tecnologias de ponta, além de colocar um policial em cada esquina desse país. O armamento pessoal não é o início, mas o fim.

É claro que a violência com o armamento de cidadãos não irá acabar, muito menos será atenuada. Aliás, existem cidadãos armados que tem feito verdadeiros massacres por aí. É nesse ponto que se encontra o verdadeiro perigo. Os Estados Unidos, adepto do armamento de cidadãos, por exemplo, tem o histórico de atentados a escolas e locais públicos em diversos estados, como indicado no gráfico abaixo:








Em resumo: o armamento de cidadãos tem seus prós e contras. 



Suposto caixa 2


Somente no segundo turno um suposto caixa 2 de Jair Bolsonaro foi descoberto. Segundo denúncias, dinheiros foram investidos para que pessoas e "robôs" divulgassem fakes news contra o Partido dos Trabalhadores (PT) pelo Whatsapp. Até mesmo o presidente da loja de departamento Havan estaria envolvido. A pergunta que fica é seguinte: porque somente agora foi divulgado isso?

A notícia foi veiculada pela Folha de São Paulo que, de acordo com Bolsonaro é a "maior fake news do Brasil". Leia (com grifos):

"A Folha de S.Paulo é a maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa vendida, meus pêsames."


Com certeza as discussões sobre fake news foram bastante acaloradas nessas eleições. O que é fato? O que é fake? Como combater as mentiras divulgadas pela imprensa? Qual é o parâmetro para dizer que uma notícia é verdadeira ou falsa? Me pergunto até que ponto uma mensagem fake pode ser propagada. No caso dessa do Bolsonaro, não por muito tempo. Aliás, alguém tem ouvido falar disso ainda?



















A (im)pertinência da campanha #EleNão








Você sabe de onde e como surgiu a 'hashtag' Ele Não?! Provavelmente não, mas surgiu após um movimento liderado por mulheres. Depois dele, que espalhou-se pelo Brasil e pelo mundo através das redes sociais, principalmente Twitter e Instagram

Acredito que antes de aderir uma campanha, é preciso verificar de onde surgiu. É um movimento totalmente feminista e em prol das mulheres, mas o que vi foram homens e jovens a propagando a torto e a direito por aí.

Outra questão que deve ser levada em consideração, por que 'ele não' e 'ele nunca'?! Porque dizem que Jair é misógino, mas vimos que isso pode ser apenas uma palavra taxativa. Além disso, 'ele não' e 'ele nunca', porque é homofóbico, xenófobo e defende o uso de armamentos pelos cidadãos, mas vimos que todas esses preconceitos foram colocados em xeque a partir dos meus questionamentos acima.

Desse modo, seria mesmo pertinente as campanhas #EleNão e #EleNunca?! "Ah! Emerson, é pertinente porque até mesmo a Madonna aderiu a campanha". E daí? Não devemos basear nossos pontos de vista e posições pelo outro, mas por nós mesmos e no que acreditamos

O que percebemos é um crescimento da campanha #EleNão, que começou com um movimento feminista e expandiu-se. De acordo com o site Época,  a campanha #EleNão atingiu mais de 1,2 milhões de tweets na rede social do passarinho, isso cerca de um mês atrás (26 de setembro). 

Segundo o El País BR, por sua vez, os movimentos #elenão e #elenunca cresceram exponencialmente durante o mês de setembro (conforme gráfico abaixo). Só que do lado oposto, sempre há um #elesim que também cresceu. Veja a seguir:




De acordo com o site Burke Institute, "por trás do #EleNão, há um #EleSim", como representa o gráfico abaixo - onde o roxo representa #EleNão e o azul #EleSim. Percebemos que o roxo é a grande maioria, mas o azul tem presença expressiva. Analise:





E quem seria o #EleSim no gráfico? O Andrade. Até mesmo no gráfico temos esses antagonismos e extremismos, e isso nem sempre é uma boa coisa.


Espero que tenham gostado do post, onde procurei desvendar as verdades e mentiras da campanha do Jair Bolsonaro. Desejo uma boa eleição a todos amanhã e que escolham o que for melhor para essa nação tão ferida e machucada. J-J




















Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O respeito cabe em todo lugar



O racismo, preconceito e, principalmente, a falta de respeito ainda são visíveis na sociedade brasileira e brasiliense. Dois episódios recentes me levaram à esta reflexão. O primeiro, quando modelos foram comparadas à escravas em um desfile aqui no Distrito Federal; o segundo, quando uma chamada de jornal online reforçou o estereótipo 'negão' em uma matéria.

Não adianta negar. Não adianta fechar os olhos. Essas questões ainda estão bastante presentes em nossa sociedade. Muitos ainda não tem a noção que o racismo é crime, mata e machuca.

Nesse post quero discutir os dois episódios apresentados no primeiro parágrafo, além de refletir sobre educação e respeito, pois estes cabem em todo lugar.



Modelos são comparadas à escravas


Em um concurso da TOP Cufa DF 2018 no JK Shopping (Distrito Federal) no último dia 13 modelos negras foram comparadas à escravas por um grupo de jovens ofensores no Whatsapp

Achei esse fato de uma sordidez imensa. As jovens foram motivo de chacota e riso. Pouco se ligou para sua beleza e seus outros atributos. O que foi levado em consideração foi (E apenas!) a cor de suas peles. Quando somos reduzidos à cor de pele temos um sério problema, pois há uma objetificação e estigmatização, além de reforços de estereótipos, preconceito e racismo.



Um dos jovens chega a brincar com o nome do desfile e o chama de "Black Moda Week". Me pergunto qual o problema de um evento somente com negras? Quer dizer que se fosse com brancas de olhos azuis não haveria problema? É nessas horas que percebo como a supremacia branca ainda é visível na sociedade brasileira e brasiliense

Uma supremacia que não mede o que se fala, que faz brincadeira com tudo e que trata o próximo apenas como objeto. Entre as brincadeiras está à de uma foto com escravos enfileirados com bacias na cabeça e uma imagem preta. 







Que bom que esses jovens responderão por esse crime. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) eles serão ouvidos em depoimento por praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito em função de raça ou cor

Veja como foi a reação de um policial ao receber os prints acima (E outros também!), com grifos:

"À noite, recebi esses prints do grupo de uma das modelos. Tomei um susto”.


Susto é pouco. O que senti ao ver esses prints foi ojeriza e daí para cima. 



Nota de repúdio 


O próprio evento se manifestou sobre o episódio. Leia: 





Destaco os seguintes trechos (com grifos):


"A organização preocupa-se ainda com o crescimento de casos de racismo relatados em todo o nosso país. Uma das características do concurso é o recorte territorial, no qual apenas mulheres da periferia podem concorrer, as ofensas em questão foram direcionadas às candidatas negras que participavam da seleção. Todas as medidas cabíveis para a punição dos responsáveis junto a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra Pessoa com Deficiência – DECRIN, já foram tomadas."


"É importante lembrar que racismo, no Brasil, é crime inafiançável previsto na lei, com pena de até três anos."



Achei a postura da organização sensata e correta.



Ator é estigmatizado por sua cor



No dia 30 de junho, uma matéria publicada pela Notícias da TV apresentava o ator Dan Ferreira apenas como um 'negão'. Atores da novela Segundo Sol e internautas se manifestaram contra a notícia e a classificaram como racista e estereotipada. O ator publicou um texto em seu Instagram:




Ei! Notícias da TV, Eu não sou seu negro! Precisamos falar sobre objetificação de corpos negros. Quisera eu, que todos tivessem ideia da responsabilidade que nos atravessa em cena pra não reproduzir estigmas, não sublinhar estereótipos, não ficar chato, fazer bem e as vezes também se permitir esquecer tudo isso. Porque não pensar sobre essas coisas e apenas executar o seu trabalho é libertador, mas nem sempre possível. Quisera eu! Porém, o que me fez escrever aqui sobre a manchete acima, além dela ser absurda, são as mensagens que recebo nas redes e nas ruas. Palavras que falam de orgulho e representatividade, e que me fazem ter compromisso e responsabilidade quando boto a minha cara na tela. É por isso que escolhi ser ator, pra comunicar, andar com o nosso tempo e contribuir com reflexão. O que para mim, enquanto jovem ator, é responsabilidade e consciência, para quem se propõem a ser jornalista deveria ser obrigação. É muito difícil ver essa parcela da impressa do nosso país que, ainda se permite escrever e publicar esse tipo de manchete, que reproduz e reforça estigmas preconceituosos, reduzindo e hiper sexualizando os nossos corpos com uma escrita viciada em troca de cliques. Sei que temos aqui, veículos e jornalistas sérios, com propósito, e é nesse tipo de imprensa que acredito e busco dialogar. Márcia Pereira, Daniel Castro, Notícias da TV, faltou respeito e responsabilidade, meus caros! Pega a visão: Os tempos são outros. Repito: Eu não sou seu negro!
Uma publicação compartilhada por Dan Ferreira (@odanferreira) em


Destaco os seguintes trechos (com grifos): 


"Ei! Notícias da TV, Eu não sou seu negro! Precisamos falar sobre objetificação de corpos negros." 

"É muito difícil ver essa parcela da impressa do nosso país que, ainda se permite escrever e publicar esse tipo de manchete, que reproduz e reforça estigmas preconceituosos, reduzindo e hiper sexualizando os nossos corpos com uma escrita viciada em troca de cliques." 


O intérprete de Acácio toca em pontos importantes: como a objetificação do corpo negro e a hiper sexualização. Uma pessoa negra não pode ser reduzida apenas à cor de sua pele ou ao seu corpo. Não levou-se em consideração o talento do rapaz e sua atuação. Apenas que ele era um 'negão'.


Polêmicas



Claro que as polêmicas sobre esse fato surgiram. O autor da matéria, Daniel Castro, disse que é a própria Globo quem cria estereótipos e estigmas. Segundo ele, ninguém chegou a refletir que o racismo pode vir do próprio roteiro de João Emanuel Carneiro. Até mesmo o ator Emílio Dantas entrou na discussão. Veja os prints abaixo: 


























































Ressalto os seguintes pontos: 


1- Negros no núcleo central


Realmente concordo com o Daniel quando ele fala da falta de negros no núcleo central de Segundo Sol, como falei no texto Chip do embranquecimento: quando a mídia busca atores brancos ou negros tendo em vista o sucesso, mas isto não pode ser um subterfúgio para reafirmar estereótipos em uma matéria. 


2- Polêmica ou racismo?


Concordo com o ator Emílio Dantas quando ele diz que o que há de verdade no episódio é racismo, ao contrário do jornalista que disse que "não há polêmica". O racismo sempre será racismo aqui ou em qualquer parte do planeta Terra


3- Objetificação


Daniel fala da objetificação de negros que ficam de cueca em rede nacional. Sim, de fato há essa objetificação, mas o jornalista mesclou a vida pessoal com a profissional do ator. Um personagem jamais pode ser confudido com um ator. Já vi casos de pessoas que xingaram ou agrediram (verbal ou fisicamente) atores por conta de seus papéis na TV. Deve-se ter o máximo de cuidado com isso. 



4- Papel de negão


Daniel falou certo: 'é um papel', e não uma verdade de vida ou a realidade. O intérprete de Acácio levou as dores porque foi tratado apenas como um mero objeto com uma cor, quando na verdade o jornalista deveria deixar claro que tratava-se de seu personagem. 



5- A culpa é do roteiro?


A culpa pode ser do roteiro, do autor, da mídia. Existem vários culpados para estereotipar e coisificar as pessoas na tela, mas isso não pode ser a justificativa para reafirmar esses estereótipos de forma alguma. 



Respeito cabe em todo lugar






Ainda sonho com uma sociedade onde o respeito seja a moeda de troca e não as ofensas gratuitas e sem fundamentos.

E você, acredita que ainda há racismo em nossa sociedade? Acredita que o respeito cabe em todo lugar? Digam tudo nos comentários! J-J


Por: Emerson Garcia
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