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sábado, 27 de agosto de 2016

JJ entrevista: Arthur Claro




É com imenso prazer que anuncio o retorno desse quadro. Depois de um regime de mais de 3 anos, resolvi reativá-lo. Não sei ao certo as pessoas que serão entrevistadas no futuro, mas para essa reestreia, entrevistei o blogueiro Arthur Claro, do blog Arthur Claro = porém ≠ . Para quem não sabe, o Arthur é o primeiro parceiro do JJ. A entrevista foi realizada em clima de descontração e você pode conferi-la a partir de agora!

Jovem Jornalista: Então, percebi que seu sobrenome é bem curioso. Nunca ouvi alguém que tivesse o sobrenome de "Claro". Qual é a origem desse sobrenome?
Arthur: Espanhola, mas o meu é erro de cartório. Começou no meu avô paterno e então são alguns da minha família.

JJ: Por que erro de cartório?
Arthur: Por que não era pra ser esse sobrenome. Meu avô paterno recebeu o sobrenome Claro e aí começou. Tem alguns Claros aqui na cidade e poucos são parentes.

JJ: Qual sobrenome era pra você ter?
Arthur: Leme.

JJ: Caramba, que curioso! Estava vendo o nome do seu blog. "Arthur Claro = porém ". Em que você é diferente das outras pessoas?
Arthur: Eu sou diferente no jeito de ser. O blog sou eu... Sou igual a algumas pessoas e com algumas diferenças. Me faço diferente tentando não repetir o que os outros fazem. Adoro ouvir rock, mas adoro MPB e Sertanejo de Raiz.

JJ: Você é bem diferente mesmo. Ouve rock e sertanejo? Como dá pra conciliar gêneros tão diferentes?
Arthur: É momento. Mas tem vez que escuto os dois no mesmo dia. Um seguido do outro. Música boa nunca é demais. Não importa o gênero. 

JJ: Percebi que um dos temas que você costuma postar no blog é música. Como surgem esses posts?
Arthur: É vontade de mostrar um pouco do que escuto que foge do óbvio. E também, na falta de criatividade de elaborar posts complexos, vou no Youtube e procuro uma música.

JJ: Qual é a história de origem do seu blog? Quantos anos ele tem?
Arthur: Nossa! Nesse formato ele tem 2 anos... O blog é eu em forma de posts porém diferente. É um blog igual a maioria porém o conteúdo é menos clichê possível. Tem dois posts que contam isso (aqui e aqui).

JJ: Depois irei lê-los. Você disse que não gosta de assuntos e blogs clichês. Pra você, existem blogs que não tem criatividade?
Arthur: Sim.

JJ: E o que te irrita nesses blogs?
Arthur: As postagens repetidas tanto no assunto como no conteúdo escrito.
















JJ: Entendi. Vamos colocar lenha na fogueira agora. Risos! O blog JJ é assim?
Arthur: Eu não vi o seu blog por inteiro, mas acho que não. Não vi post sobre maquiagem e sobre o livro A culpa é da estrelas.

JJ: Risos! Ainda bem... Mas confesso que já postei sobre o livro e o filme "A culpa é das estrelas".
Arthur: Mas você não copiou conteúdo e deu seu verdadeiro ponto de vista.

JJ: Haha achei que fosse te pegar nessa... Você já teve alguma crítica ao seu trabalho no blog?
Arthur: Eu já tive na época do blog de humor que tentava mostrar meu lado engraçado. Neste não lembro de ter tido.

JJ: E como foi essa crítica?
Arthur: Que o tipo de humor que gosto e retratava é muito forte.

JJ: E como você lidou com essas críticas? Que lições retirou delas?
Arthur: Essa você me pegou.

JJ: Eba! Consegui. Risos!
Arthur: Não acostuma. 
(Resposta Censurada Pelo Entrevistado)

JJ: São águas passadas, não é mesmo?
Arthur: Com certeza.

JJ: Vamos falar de coisas boas agora. Vamos falar da Tekpix... Brincadeirinha. Risos!
Arthur: Tekpix é a câmera que vira um Transformer que vira carro.

JJ: Risos! Foi criativo agora.
Arthur: Arte do improviso, meu caro.












JJ: Imagine agora, Arthur Claro, que o Jovem Jornalista é uma importante revista, famosa por dar furos de reportagem. Qual segredo, que você nunca contou a ninguém nem divulgou no seu blog, que contaria com exclusividade só aqui no JJ?
Arthur: Esta foi uma boa pergunta que merece reflexão com calma para dar a resposta. A maioria das coisas escrita no meu blog alguns sabem, e outros segredos alguns sabem, mas não foram publicados no blog.

JJ: Você quis sair pela tangente, é isso Sr. Claro? Risos!
Arthur: Talvez. Mas é a verdade. Posso te dizer um 'segredo' que pode me ajudar no futuro.

JJ: Diga.
Arthur: Estou criando um blog sobre sexo.

JJ: Nossa! Que novidade! Isso sim é um bom segredo. Quando o blog irá ao ar?
Arthur: Em breve, estou finalizando o layout.

JJ: Ok. Com certeza acompanharei.
Arthur: Também tem um questionário que fiz para saber como as pessoas pensam sobre o assunto e irei usá-lo para criar posts.

JJ: Beleza. Posso divulgar esse questionário.
Arthur: Deve.
















JJ: Vamos para um bate bola. Eu vou te dizer uma palavra e você tem que dizer a primeira coisa que vem a sua mente no menor tempo possível. Deus...
Arthur: Um ser igual a nós com defeitos e qualidades.

JJ: Emerson Garcia...
Arthur: Alguém que me fez acreditar que meu blog é bom apesar dos poucos comentários que recebo.

JJ: Dilma Rousseff...
Arthur: A nossa presidenta, gosto muito dela. Sou petista desde que me entendo por votante e sei que os partidos possuem seus defeitos, mas não abro mão do PT.

JJ: Aborto...
Arthur: Legalize já. Muita burocracia pra fazer algo que pode ser simples se for bem feito.

JJ: Sexo...
Arthur: É algo tão natural que não podemos ter vergonha de fazer e nem de falar.

JJ: Homofobia...
Arthur: Ignorância por falta de vontade de conhecer o semelhante,

JJ: Homoafetividade...
Arthur: Citação latina 'Amor omnia vincit' - O amor vence tudo.

JJ: Só pode escolher uma das opções agora... Jair Bolssonaro ou Jean Wyllis?
Arthur: Jean Wyllis.

JJ: Metade cheio ou metade vazio?
Arthur: Metade.

JJ: Metade o que?
Arthur: Esqueci de te falar. Se pedem pra mim escolher pra direita ou esquerda prefiro ir pelo meio. Coisas de libriano. Ou de Arthur Claro, como uma amiga define.

JJ: Legal. Risos! Beijar um homem ou ficar cego?
Arthur: Beijar um homem.

JJ: Globo ou Netflix?
Arthur: Assisto um pouco da Globo e da Netflix, mas prefiro o Youtube.

JJ: Pra direita ou pra esquerda?
Arthur: Meio Hehehe.

JJ: Risos! Quente ou gelado?
Arthur: Gelado. Se for questão de temperatura e clima prefiro fresco.

JJ: Acabou. Chegamos ao fim. Agradeço pela entrevista, Arthur. Você é DIFERENTE e é CLARO que gostei muito do nosso bate-papo. Risos! Muito obrigado. 
Arthur: De nádegas. Volte sempre. Agradecemos a preferência.


E aí, gostaram da entrevista com o Arthur Claro? Gostei da experiência de reavivar esse quadro. Foi muito divertido e interessante. Quem sabe você não pode ser a próxima pessoa a ser entrevistada para o blog?! J-J


Quer ajudar o Arthur Claro com o questionário sobre sexo? Clique aqui.


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

JJ Entrevista: Gilvania de Melo




“As bulas deixaram de ser apenas o papel que vem dentro da caixa de remédio”, diz a mestre Gilvânia


Para quem quer possuir reconhecimento profissional, a graduação é apenas o primeiro passo. Após ela, os caminhos se alargam com o Mestrado e o Doutorado. Gilvânia de Melo, 36, formada em Farmácia pela Universidade Estadual da Paraíba, percebeu a necessidade de alargar as suas tendas através do mestrado. Foi o trabalho Os textos de bula na perspectiva da gestão social do conhecimento, apresentado dia 24 de junho de 2009, que deu a ela o título de mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação pela UCB. O desejo de Gilvânia, além do título, foi apresentar a importância dos textos de bulas ao contribuir com as discussões na área de saúde pública, uma vez que a OMS (Organização Mundial da Saúde) diagnosticou o uso inadequado de medicamentos.



          
Trabalho árduo, problemas pessoais, desafios que parecem intransponíveis, e outras dificuldades, antecedem o sucesso e reconhecimento de um trabalho de mestrado. O nervosismo na hora da apresentação e o olhar afoito da banca examinadora podem ser vencidos pela confiança, perseverança, afinidade com o tema e a certeza que o seu trabalho é importante. O resultado do trabalho de Gilvânia só podia ser positivo: satisfação com o trabalho final – embora a plenitude só acontecesse depois de trabalhar com o textos de bula, tendo a possibilidade de implementar as sugestões; obtenção de comentários elogiosos; e o ingresso na Coordenação-Geral de Gestão do Conhecimento do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, onde atua como coordenadora. E de pensar que tudo começou com uma das melhores escolhas de curso que ela fez na vida!



Jovem Jornalista-  Quais os motivos da escolha do tema para a dissertação?
Gilvânia de Melo-Trabalhei durante 6 anos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sempre atendendo demandas referente a medicamentos. Nos últimos três anos coordenei tecnicamente um projeto chamado de Projeto Bulas que propunha, dentre outras coisas, a instituição de um novo processo de trabalho eletrônico com os textos de bula, acompanhado de ações de educação e comunicação em saúde, na perspectiva do combate ao uso inadequado de medicamentos.

J.J.- À priori, o uso de bulas auxilia em uma melhor utilização de medicamentos. Mas porque será, Doutora, que as bulas disvirtuam a função de auxiliar o consumidor?
G.M.- Aqui, gostaria de fazer duas considerações com relação ao que a pergunta afirma. Primeiro, as bulas, como estão hoje, não auxiliam a utilização de medicamentos -temos vários estudos científicos que comprovam o fato. Segundo, será que são as bulas que desvirtuam o consumo de medicamentos ou esse é apenas mais um elemento a ser considerado nesse ciclo não-virtuoso? Acho que devemos fazer uma análise mais ampla desse cenário.

J.J.- Por que a má utilização de bulas ocasiona um agravamento da saúde?
G.M.- Qualquer informação utilizada fora de contexto e sem os devidos esclarecimentos pode gerar problemas. Com os medicamentos essa situação adquire um tom bastante crítico uma vez que o mesmo “remédio” que cura também pode matar. Contudo, esse aspecto, muitas vezes, não é considerado pelos usuários.

J.J.- Para que isso não ocorra, as bulas devem ser informativas, educativas e explicativas, no entanto, elas possuem letras microscópicas e informações difíceis, além de conceitos que nem todos tem acesso. A bula é acessada por todas as pessoas, Gilvania? Por que?
G.M.- O processo de construção da bula parte da perspectiva do produtor da informação quando deveria partir da perspectiva do usuário. Além disso, acredito que o tipo de tratamento dado ao texto é inadequado. O tratamos dentro de uma abordagem disciplinar que não atende mais a complexidade do universo da saúde.

J.J.- Na visão da Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação, qual é a concepção de bula ideal?
G.M.- A mim não compete falar dessa visão, mas eu acredito que a bula ideal é aquele instrumento construído a partir da perspectiva do usuário da informação, que possibilite a apropriação social do conhecimento ali disponibilizado, permitindo, caso necessário, um processo de tomada de decisão mais informativo e racional dentro da perspectiva de um processo de cidadania ativa.

J.J.- Existe algum exemplo de bula ideal que a senhora e a Gestão do Conhecimento aprovam e é trabalhada em algum país?
G.M.- Não existe uma bula ideal e mesmo que existisse, ela, sozinha, isolada de outras ações, poderá muito pouco. O que eu tenho que avaliar é se o texto em circulação no meu país contribui efetivamente, ou não, para a redução dos problemas associados ao consumo inadequado de medicamentos. Se o texto não contribui, ele é inútil por mais bem escrito que esteja. Entretanto, o que posso compartilhar, é que existem outros países que tem dedicado maior atenção aos textos de bula, reconhecendo que ele é uma importante fonte de informação de fácil acesso.

J.J.- Na pesquisa, a senhora percebeu que não há muitos trabalhos direcionados a um melhoramento de bulas. Porque disso?
G.M.- Acho que quem pode mudar a situação no nosso país ainda não reconheceu de fato (com a execução de ações efetivas), a importância do desenvolvimento de um trabalho permanente nessa área.

J.J.- Durante a pesquisa a senhora pensou em desistir, devido as dificuldades? Ou sempre seguiu em frente?
G.M.- Tive vários problemas de ordem pessoal que quase me fizeram desistir, mas no tocante ao aspecto do trabalho em si, para mim, foi muito tranqüilo. Gostar da temática com a qual se está trabalhando ajuda muito a vencer as dificuldades que naturalmente aparecem ao longo do processo.

J.J.- Qual a afinidade pessoal da senhora com relação ao tema? Lia bulas quando criança?
G.M.- Nunca tive o hábito de ler bulas até o momento em que tive que trabalhar com elas. As bulas deixaram de ser o “papelzinho que vem dentro da caixa de remédio” para ser um instrumento de informação e comunicação em saúde com possibilidade de impacto no combate ao uso inadequado de medicamentos.


“O processo de construção da bula parte da perspectiva do produtor da informação quando deveria partir da perspectiva do usuário”.

J.J.- Qual a importância do tema para a sociedade?
G.M.- Se a abordagem proposta na dissertação fosse implementada, teríamos condição de desenvolver um trabalho contínuo e interdisciplinar que, certamente, resultaria em um instrumento de informação com outras características. Essa iniciativa, associada a outras ações de saúde pública, poderia mudar alguns cenários que vivenciamos atualmente relacionados a medicamentos.

J.J.- Como foi realizada a escolha de orientador? E a relação com ele, como funcionava?
G.M.- Escolhi minha orientadora não só pela relação com a temática mas principalmente por admiração. A professora Luiza Alonso é uma das mulheres mais inteligentes que conheci nos últimos tempos! Para mim foi um privilégio poder conviver com ela, ouvindo-a sempre atentamente.

J.J.- Cite uma frase para quem quer ter sucesso no ambiente acadêmico.
G.M.- Meu pai sempre dizia que o estudo era a única coisa que ele podia nos deixar como herança, pois o conhecimento era o único bem que ninguém nunca poderia nos roubar. Essa afirmativa tem sido uma realidade para mim. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“De manhã, eu costumo dizer, que eu vendo a notícia e a tarde eu compro a notícia"



A jornalista Márcia Delgado diz que trabalhar como assessora de imprensa na Funasa é diferente de ser editora de cidades no Jornal de Brasília e reforça que o jornalista deve ter responsabilidade com a informação, ter critérios de cobertura e sempre checar, rechecar os fatos e as fontes





Maria Márcia Delgado Alvim tem 38 anos, nasceu em Minas Gerais em 6 de fevereiro de 1970. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Já trabalhou como repórter de cidades e economia no Jornal de Brasília, como subeditora e editora de cidades deste, no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como repórter, no Sindicato dos Transportadores de Carga como assessora de imprensa e no Jornal da Comunidade como repórter. Atualmente presta serviço no Jornal de Brasília há 12 anos, e na Assessoria de Comunicação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) há cinco anos. Márcia Delgado é solteira e possui um filho.


Jovem Jornalista- Como você, jornalista, se porta diante da informação?
Márcia Delgado- A gente tem sempre que se portar diante do fato pensando que você tem dois lados da história. Nunca se pode dar só uma versão da história, tem que dar as duas versões. Esse é um princípio do jornalismo, que eu acho que a gente deve levar em conta, porque ninguém é culpado antes de ser condenado pela justiça e ninguém é inocente antes de ser absolvido pela justiça. Então, nós, jornalistas, temos que ter muito respeito, muito critério, muito tato para lidar com a informação, porque a gente ainda tem casos que já foram evidentes de que uma informação incorreta pode destruir a vida de uma pessoa, assim como ela pode ajudar uma pessoa. Então, o poder da informação é muito grande e é necessário responsabilidade com esta.

J.J.- Então, no caso, seria investigar os fatos como eles se manifestam?
M.D.- Sempre checar, sempre investigar uma informação, rechecar, ter o cuidado de dar uma informação quando você tem certeza. É obvio que a gente nunca vai dar a verdade como ela é, porque você vai ouvir varias versões e ainda vai contar uma história de acordo com essas versões, com a sua apuração, para que você tente se aproximar ao máximo da verdade.

J.J.- Você crê que a sua maneira de agir frente à informação e aos fatos influencia a sociedade?
M.D.- Eu acho que a informação influencia sim, ela forma opinião. Pessoas que lêem um jornal, que vêem uma notícia, elas sempre vão poder opinar. Elas estão antenadas com aquele fato e um dado incorreto, impreciso, inverídico, pode sim causar um dano muito grande tanto na sociedade quanto na vida das pessoas envolvidas.

J.J.- Você crê que exista desvirtuamento do papel do jornalista?
M.D.-
Acredito que sim, mas essa é uma prática em que a gente, jornalistas e os que estão se formando em jornalismo, tem que procurar não levar para esse lado. Porque você não pode, primeiro, opinar sobre uma informação. Por isso existe nos jornais uma editoria de opinião. Se você quer dar o seu ponto de vista sobre um fato, escreva um artigo, uma crônica, agora o que não pode é opinar em cima de outra coisa ou ser tendencioso. Por isso que você tem que ouvir os dois lados e o leitor que tire sua conclusão. Se você colocar as duas versões, as três versões sobre um fato, o próprio leitor se posiciona. Então, o jornalista não precisa colocar a sua subjetividade na matéria. Ele pode ouvir, contar toda a história bem contada e o leitor que tire as suas conclusões, que julgue se quiser, que absolva se quiser.


J.J.- Qual a sua opinião sobre os jornalistas que manipulam a notícia?
M.D.-
Sempre tem que se seguir a linha editorial do jornal, mas como profissional você tem que se esforçar para chegar o mais próximo da verdade e não tentar manipular a informação e mostrar sempre todas as questões do fato.


J.J.- É válido quebrar regras e informar a sociedade?
M.D.-
Você tenta fazer o trabalho o mais transparente possível, fazer com que contribua para a sociedade. Agora, claro que você trabalha numa empresa. Você tem que obedecer a linha editorial dela, saber que você sempre tem alguma coisa além desse profissionalismo. Então, o jornalista tem que buscar isso todos os dias: noticiar, denunciar, ajudar, porque o nosso papel na sociedade é esse. Você não está aqui para destruir a vida das pessoas, você está aqui para fazer denúncias sérias, fundamentadas. Você trabalha para ajudar as pessoas, dar voz para a população. Então, a gente tem que buscar isso a qualquer preço sim. Agora é óbvio que nem sempre isso é possível, porque encima do jornalista tem os interesses da empresa e do veiculo de comunicação. Nem sempre é viável colocar isso de uma forma exarcebada, profissional, quanto se quer, quanto se deseja, quanto se aprende.

J.J.- Qual a sua opinião dos valores-notícia? Eles direcionam a notícia ou a tornam mais elitista?

M.D.- A notícia tem sempre um valor objetivo. Ela não tem o dever único de informar, você tem todo um valor agregado a ela que pode modificar a vida das pessoas, que pode contribuir para uma sociedade melhor. Então, quando se redige uma notícia não se pensa em só relatar o fato que aconteceu, e sim mostrar para a sociedade o que está acontecendo no universo em que ela vive ou num mundo, ou num país. Agora, tem valores agregados a essa notícia que são importantes como: dela você tem que contribuir para modificar a vida de uma pessoa ou de uma comunidade.

J.J.- Como é essa ponte entre trabalhar na Funasa e no Jornal de Brasília?
M.D.-
São dois universos totalmente diferentes. Uma coisa é um trabalho de assessoria e outra coisa é um trabalho de editoria de Cidades do Jornal de Brasília. De manhã, eu costumo dizer, que eu vendo a notícia e a tarde eu compro a notícia. Então, de manhã nós estamos mostrando para a sociedade o que está sendo feito pela instituição, o trabalho que está sendo desenvolvido. O objetivo é cuidar da imagem da empresa. Aqui na Funasa eu atendo a imprensa e de tarde o meu papel é outro. É de servir a sociedade como um todo, mostrando as notícias que acontecem na nossa cidade, tentando melhorar um pouco a sociedade onde a gente vive.

J.J.- Você publicou uma notícia em 11 de janeiro de 2006 para o Jornal de Brasília intitulada “Mais segurança na hora de comprar remédios”. Nela você dá dicas de como alertar os consumidores do fabricante, do lote, da dosagem entre outros, além de mostrar que tais remédios deveriam ser autenticados. De que forma o papel do jornalista na sociedade se aplica a essa notícia?

M.D.- É fundamental, o direito do consumidor, a política do cidadão sobre uma informação de um remédios. Eu sempre trabalhei, quando repórter, com o direito do consumidor. Eu creio que é uma das áreas mais importantes dentro do jornalismo, porque não é sabido de muitas pessoas. Você quer informar o que é correto, dar dicas, fazer alertas. Esse é o nosso papel. Porque muitas vezes os consumidores são ludibriados nesse país e muitas vezes não tem voz. Eu acho importantíssimo informar, e se for saúde melhor ainda. O que a gente busca hoje é ter saúde. Então, matérias relacionadas à essa área sempre vai ter muita leitura e muita abrangência.

J.J.- O que você pensa dos jornalistas que não apuram os fatos e publicam notícias falseadas?
M.D.-
Totalmente abominável. Você tem que apurar os fatos até eles serem esgotados. O jornalista não pode ter preguiça de apurar a matéria. Eu sempre digo para os repórteres do Jornal de Brasília que uma história tem 90% de chance de ser bem contada se ela for bem apurada. Então, você investiga bem, ouve todos os lados. Eu acho que com isso você se aproxima ao máximo da verdade e notícias falsas, obviamente, é abominável.

J.J.- Você crê que a internet possui todas as informações necessárias e corretas que precisamos?

M.D.- A internet é uma ferramenta importante no nosso trabalho. Eu sou de uma época que não tinha esse instrumento e que nós recorríamos a outros métodos, buscar a informação com a leitura, a pesquisa. Então, hoje a internet facilita, mas você deve ter cuidado com as informações que você busca na rede, porque a gente sabe que tem muita informação falsa, que não corresponde a verdade. Como jornalista você tem que ter a preocupação de filtrar bem a informação e saber se aquilo que está sendo informado é correto ou não.

J.J.- Como é o trabalho do editor?

M.D.- O editor trabalha com o texto dos seus repórteres. Ele trabalha com o texto da melhor forma possível. Às vezes, você tem que reescrever o texto, às vezes tem que mandar o seu repórter rechecar uma informação. Essa é a preocupação do editor. O repórter manda o seu material para ser publicado, mas é o editor que tem que ter a responsabilidade naquilo que será veiculado. Então, o meu papel é pegar esse material, trabalhar ele da melhor forma possível para que o jornal tenha qualidade, que ele seja lido, que as pessoas gostem daquilo que elas estão lendo.

J.J.- Qual o seu papel como editoras de cidades?
M.D.-
O meu papel como editora de cidades é coordenar um trabalho, apresentar um produto final na banca de um trabalho que começa a ser feito logo no início da manhã com a chefia de reportagem, com os repórteres nas ruas, e o meu serviço é pegar todo esse material e condensar dentro da editoria, dando prioridade a alguns assuntos, descartando outros, tendo cuidado de ver se aquela informação é correta. Todos os dias a gente trabalha para mostrar à nossa comunidade o que está acontecendo do lado dela, o que foi notícia no dia anterior, o que movimentou a cidade. Sempre estamos orientando os nossos repórteres a checar a informação, a rechecar sem dúvida, perguntar. Isso é um princípio básico do jornalismo.

J.J.- Onde entra a objetividade e a subjetividade do jornalista em meio aos fatos?

M.D.- Pois é, tem matérias que você pode colocar uma dose de subjetividade se for matéria humana. A gente tem vários exemplos disso nos próprios jornais locais. Você pode colocar a sua alma ali, você pode contar uma história de uma forma mais leve, não tão objetiva, não tão sisuda. A notícia tem que ser contada de maneira objetiva, em geral é assim que funciona. Mas, algumas matérias lhe permitem que você seja mais solto, que você coloque um pouquinho mais a sua cara ali. É obvio que quem está escrevendo a matéria não é um robô, é um ser humano. Então, você leva em conta os seus valores e os seus sentimentos. Cada jornalista deve discernir onde ele pode colocar um pouco de subjetividade e aonde ele deve ser sempre objetivo.

J.J.- Você crê que a notícia e a reportagem podem ser lidas por todos?

M.D.- Acredito que sim e a gente trabalha para isso: contar a história da maneira mais simples possível para que todos tenham entendimento e compreendam a notícia e que ela seja universal, assim todas as pessoas terão acesso.

J.J.- Qual é o verdadeiro papel do jornalista?
M.D.-
A pessoa que se forma em jornalismo, que atua como jornalista tem que ter noção de que ela tem um papel fundamental na sociedade. Eu acho que a informação tem um poder muito forte e você diante desse poder não pode se deslumbrar, você não pode achar que é superior aquilo, pelo contrário, você está a serviço de uma sociedade. Esse é o verdadeiro papel do jornalista, em minha opinião. Nós estamos aqui para informar, fazer um trabalho de utilidade pública, denunciar o que está errado na nossa sociedade e contestar. J-J

Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

“Sonhar e acreditar, mas trabalhar”



Antonio José Pereira Garcia, mais conhecido como Toninho Pop, fala das grandes aspirações que tinha como radialista desde adolescente e como ele alia sua fama ao trabalho


Antonio José Pereira Garcia ficou conhecido como Toninho Pop aos 16 anos e desde adolescente já sabia que o rádio o encantava. Já poderia ver seu futuro traçado: era com equipamentos tão retrôs e singelos que ele construiria uma história de sucesso. Nasceu em São Luis (MA) aos doze dias do mês de junho de 1962, e cursou Marketing na Unicesp (DF), aos 40 anos. É ele quem traz a filial da Jovem Pan em 1996 para Brasília e trabalha nesta por cinco anos. Está atualmente na rádio JK desde agosto de 2004. Tem dois filhos, Tomy e Pedro, 26 e 10 anos, respectivamente. É divorciado e, hoje, aos 46 anos, ainda tem muito a realizar em sua carreira.Jovem Jornalista- Como você definiria o Toninho Pop?
Toninho Pop- Alegre e motivado, sempre.


J.J.- Você é mais conhecido como Toninho Pop, não é isso?
T.P.- Toninho Pop é o meu nome artístico que me foi dado quando moleque. Eu e meus amigos fazíamos festas nas Asas com equipamentos de som. Nesse tempo não tinha tecnologia, então os jogos de luz eram acionados por botões de campainhas. Foi nessa época que eu comecei a ser chamado de Toninho Pop.


J.J.- Você ainda guarda equipamentos retrôs dessa época?
T.P.- Eu tenho coisas dos anos 50 como o Gramofone, que funciona por uma manivela em que você coloca os discos de vinil ali. Dos anos 70 eu tenho gravador de rolo, disco de vinil, taid back, amplificadores. Eu sou um cara que preserva coisas antigas, mas também gosto de coisas novas.


J.J.- Você tem uma história preservada.
T.P.- Eu tenho umas gravações antigas que eu morro de rir. Eu tenho fita de 1979, 1980, eu falando no programa “Dancing Nights” da rádio Alvorada, que depois se transformou na rádio Atlântida, que depois virou a 93 e que hoje é a Antena 1, que foi onde eu comecei a minha carreira.


J.J.- Qual o seu nome completo?
T.P.- Antonio José Pereira Garcia e eu fui registrado pelo meu pai aos 40 anos e ele adicionou o “Teixeira Gomes Ferreira”, mas eu não uso. O nome que está na minha identidade é Antonio José Pereira Garcia.


J.J.- Você se formou com 44 anos, correto?
T.P.- Eu parei de estudar com 19 anos por causa da minha função como radialista. Na época o rádio era um meio de comunicação muito forte. O cara que falava no rádio era tido como celebridade. Eu era muito assediado na escola que estudava (Elefante Branco) e eu deixei me levar pela fama e mais tarde eu fui aprender a conviver com isso.


J.J.- E como foi fazer faculdade de Marketing aos 40 anos?
T.P.- Tive que ter paciência de durante esse tempo conviver com algumas questões que eu já tinha vivido e entrar no funil novamente. Eu fui respeitado por meus colegas mais novos, houve uma interação total. Agreguei muito valor ao conhecimento empírico que eu tinha com o conhecimento acadêmico que eu adquiri na faculdade. A única coisa que eu deveria ter era paciência e passar por esse processo novamente.


J.J.- Você é conhecido por uma grande parte da população?
T.P.- Para muita gente, eu sou um cara conhecido. Eu tenho muita força das pessoas e têm algumas que nem me conhecem porque o rádio não proporciona você ser unânime. Mas como eu faço alguns comerciais televisivos, acaba que 70% das pessoas me conhecem.


J.J.- Qual o seu trabalho como superintendente e apresentador da rádio JK?
T.P.– O superintendente é o gestor, aquele que faz a interface de toda a equipe. Aqui nós temos um sistema com quatro emissoras. JKFM 102,7, mix FM 88, 3, Globo AM 1160 e Bandeirantes AM 1410. O meu papel é fazer com que toda a equipe se comunique bem, para desempenhar a contento todas as tarefas relacionadas ao negócio. Com relação ao locutor, aí sim, é pura emoção. Apresentar um programa de rádio é para mim um momento especial. É brincar com a imaginação das pessoas, informar, entreter.


J.J.- A rádio sem ouvintes, para mim, não tem porque funcionar. Qual relação do espectador com a rádio JK?
T.P.– É uma relação de cumplicidade. Na minha avaliação, geralmente, quem ouve rádio ouve mais pelo conteúdo das mensagens do que pelas músicas. Até porque existem outros meios (internet, ipod, mp3, mp4, mp5). Dependendo da mensagem e da música que a pessoa ouça pela manhã, isso vai determinar o astral do resto do seu dia. E muitas pessoas têm apenas o rádio como companheiro.

J.J.- Eu pergunto isso porque o programa “Megafone” que faz exatamente isso: traz o público mais perto da rádio. Como é esse programa?
T.P.– Mudamos o nome do programa. Agora é “Alto Falante”, mas o conceito é o mesmo: entreter. Música, informação, prêmios e acima de tudo: a participação do ouvinte, a interatividade deste.


J.J.- A JK FM 102.7 é a única emissora que transmite o programa “Momento de fé”. É um diferencial?
T.P.– O padre Marcelo é o maior fenômeno do meio (rádio) hoje em dia. Com um programa que fala do dia-a-dia e dos problemas e necessidades das pessoas, o padre consegue evangelizar sem descaracterizar a verdadeira função do rádio.



J.J- Que espécie de flashbacks a programação da rádio JK insere? Seria da proporção 3:1? Como funciona?
T.P.– Em programas especiais românticos quatro por hora. Na programação normal, no máximo um a cada hora.

J.J.- É uma estratégia nem tocar músicas contemporâneas de mais nem antigas de menos?
T.P.– Depende do formato da emissora, mas procuramos sempre reviver bons momentos com músicas que já fizeram sucesso.


J.J.- Como foi a idéia de trazer a filial da Jovem Pan para Brasília em 1996?
T.P.– Foi uma decisão empresarial e artística. Na época, só a Transamérica veiculava uma programação para jovens. Cabia, então, pelo menos mais uma. Tínhamos duas rádios com o mesmo formato de programação. Que era a programação popular (rádio Atividade e Líder). Optamos, então, por fazer, em uma das emissoras, uma programação voltada para o público jovem.


J.J.- Quando se fala do universo dos jovens, ao qual a Jovem Pan se dedica, logo vem em questão do estilo. A rádio se define como pop-rock. Por outro viés, a Mix se manifesta como rock-pop. Você poderia caracterizar esses dois estilos?
T.P.– As duas rádios têm o mesmo objetivo: o público jovem. A Pan tem uma pegada mais dance e a Mix toca mais rock. São estilos semelhantes com esse pequeno diferencial, até porque as duas emissoras têm um ponto em comum: a valorização do humor.


J.J.- Como é ser integrante do “Programa Parceiros da Escola”?
T.P.– Esse é um projeto pessoal. Sempre acreditei na força da educação e da cultura. Integrar um projeto como esse é colocar em prática tudo aquilo que falamos e muitas vezes não fazemos, ou seja, ser solidário, solícito e, acima de tudo, partícipe e conhecedor de como as escolas atuam.


J.J.- Você já passou por uma situação engraçada nas rádios em que você trabalhou ou trabalha? Poderia compartilhar?
T.P.– Várias vezes. Já deixei microfone aberto, já fui confundido com outra pessoa, já troquei nome de artistas e de ouvintes, enfim, faz parte.
J.J.- Como é se dividir entre seus dois filhos e o seu trabalho? Você consegue conciliar?
T.P.– É muito fácil e gratificante. Com os filhos vivo duas situações. Um deles tem 26 anos e já é homem feito e maduro, com quem posso compartilhar uma relação de amizade. O outro tem 10 anos e tenho aquela relação de pai herói. No trabalho, procuro priorizar minhas ações profissionais, sempre dedicando a cada uma delas a importância merecida. Não sou centralizador. Distribuo tarefas para a equipe e sempre estou disposto a ouvir. Adoro o que faço e além do meu trabalho na rádio, me dedico ainda a outros três projetos (CFZ Brasília (ligado ao Zico); Toninho Pop Assessoria e Comunicação e Faculdade e Teatro Dulcina).

J.J.- Qual foi o momento mais inesquecível da sua carreira?
T.P.– Tem uma passagem que acho muito legal. Em dezembro de 1993 quebrei o recorde mundial de locução ininterrupta. Durante quatro dias, ininterruptamente, eu fiz um programa de rádio em uma cabine instalada em frente à antiga discoteca 2001, no térreo do Conjunto Nacional. Foi uma loucura, inesquecível.

J.J.- Você crê que contribuiu para o radiojornalismo brasiliense? Como?
T.P.– Acho que estou mais ligado ao entretenimento, porém tenho uma curta ligação com a notícia por meio dos informativos que veiculamos em nossas emissoras. A minha modesta colaboração é orientar os nossos jornalistas a trabalhar sempre com a verdade. Checar as informações e divulgar apenas o que pode fazer a diferença na vida das pessoas.


J.J.- Você tem fãs? Como é a relação com eles?
T.P.– Tenho vários admiradores. A relação é diária, até porque sou bastante conhecido pelo público. No restaurante, no elevador, no posto de gasolina e até na fila do banco procuro ser simpático e atencioso. Adoro as relações interpessoais. (JJ)
Por: Emerson Garcia
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