quinta-feira, 30 de junho de 2022

Quinta de série #serieteners3 #4: Fé na vida

Pode conter spoilers!



#Serieteners3 apresenta... Fé na vida, série documental da Globoplay, exibida entre 28 e 30 de dezembro de 2021! Ela foi apresentada em três episódios de em média 45 minutos. Foi produzida e apresentada pelos repórteres do Fantástico, Murilo Salviano e Tábata Poline. Equipes do Fantástico e do Profissão Repórter foram reunidas para a produção da série. 

Fé na vida é uma produção jornalística que apresenta histórias emocionantes de pessoas que tiveram que interromper seus sonhos devido à pandemia do novo coronavírus. Aos poucos, elas retomaram esses sonhos e projetos. Murilo Salviano e Tábata Poline percorreram 10 estados de todas as regiões do Brasil por mais de 2 meses à procura de histórias inspiradoras de gente que continuou e não desistiu de seus sonhos, com muita fé e esperança. Murilo falou mais do projeto:

“Nosso desafio era encontrar histórias de quem, apesar de estar sofrendo, decidiu seguir em frente, realizar um sonho ou mudar de vida. O brasileiro, em geral, é persistente, acredita e sonha. As pessoas contam de um jeito emocionante as histórias delas. É muito forte e, ao mesmo tempo, simples. É um Brasil real.”

A pandemia do coronavírus ocasionou em muitos sonhos interrompidos e mais de 600 mil brasileiros perderam suas vidas. O avanço da vacinação e a flexibilização das restrições, contudo, fizeram com que as pessoas voltassem a sonhar e terem suas esperanças reativadas. É necessário ter fé na vida, afinal, a esperança e o otimismo são característicos da sociedade brasileira. Sempre é possível sonhar, recomeçar.  

 

LEIA SOBRE OUTRAS SÉRIES 


O trabalho de produção foi intenso. A equipe de reportagem visitou todas as regiões do país, seja de avião, de ônibus ou até mesmo de barco. E, a partir daí, foi descobrindo muitas histórias inspiradoras. Salviano falou mais dessa parte de produção: 

"Quando a gente chegou na rodoviária, a gente estava um pouco apreensivo sobre as histórias que a gente iria encontrar, o quanto as pessoas iriam se abrir, se elas permitiriam a gente viajar com elas."

A série documental mostra pessoas e histórias reais, humanas. Por exemplo, a relação entre mães e filhos é retratada em vários momentos, inclusive na primeira história que foi gravada na rodoviária do Tietê, em São Paulo. As histórias tinham forças. As pessoas tinham várias coisas interessantes para dizer e compartilhar. Tábata complementa:

"É o abraço, o sorriso, recomeçar qualquer coisa que se queria."



O ponto de partida das histórias foi a rodoviária do Tietê (SP) que o maior terminal da América Latina e um dos maiores do mundo. Mas a procura se estendeu por personagens de 13 estados brasileiros, sempre encontrando indivíduos comuns. Essas pessoas são fortes, guerreiras e apresentam histórias sobre resiliência, persistência, mas também medo.  

Por meio da série documental, o olhar está no presente e futuro. Será que dá para continuar a vida? Como ela será daqui para frente? Um novo olhar foi proposto adiante da pandemia com a série. A ideia foi mostrar um outro lado da moeda: o de que é possível sonhar apesar das dores e frustrações. Murilo falou um pouco disso:

"Durante o ano inteiro mostramos em nossos telejornais as dificuldades nas diversas áreas, da saúde, da economia, sociais. No especial, fomos atrás de personagens que já estavam fazendo esse futuro de esperança, que não deixaram de sonhar nem de realizar, apesar de muita dor.”

Episódios

Os episódios são temáticos, mas se complementam entre si. O primeiro tem o tema de reencontros, com o foco na família; já o segundo aborda emprego e trabalho; por fim, o terceiro, encerra com o tema de realização de sonhos, como o de uma formatura. Em resumo, a família, o trabalho e os sonhos são os pilares que direcionam o programa. 

Entre as histórias, há a de uma mãe que vai ao encontro do filho porque ele ficou desempregado na pandemia e precisava da ajuda dela; de um zelador que volta a abraçar a mãe depois de três anos porque sentia medo de passar COVID-19 para ela; de uma família quilombola no interior da Bahia que ansiava por sobreviver; dos trabalhadores do barracão da escola de samba São Clemente, que não pararam mesmo sob a incerteza do desfile; e até mesmo de dona Deia Lúcia, mãe do ator Paulo Gustavo, vítima do coronavírus, que precisava seguir em frente apesar da dor da perda do filho e do marido do humorista, Thales Bretas, que precisa seguir em frente sozinho. 


Os entrevistados deixaram muitas lições aos repórteres, que voltavam a entrevistar os indivíduos tête-à-tête depois de um longo período. Eles foram inspirados por essas pessoas que driblaram tudo de ruim que vivenciaram para seguir rumo aos seus sonhos. Com certeza, eles aprenderam muito uns com os outros. 

Confira alguns teasers e vídeos das histórias que foram abordadas na série:

  



  



   


Música-tema e abertura


A música-tema da abertura é Amanhã, composta por Guilherme Arantes e regravada de forma inédita na voz de Gloria Groove. Assista a abertura que apresenta imagens de cenas dos personagens da produção, em montagens artísticas e filtros de cores em tons lilás:

   


"Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar...". Eu arrepio só de assistir essa abertura com essa interpretação de Gloria. Ficou incrível! 

A música interpretada pela cantora ganhou uma versão estendida, em formato de clipe. Toda emoção é pouca... Assista:

   


Crítica

Foi uma grata surpresa assistir essa produção no final do ano passado. A produção é muito bem feita e trouxe um quentinho ao meu coração. É muito interessante como ela foi montada, jornalisticamente falando. Jornalista, além de profissional, ainda é um ouvidor e contador de histórias, que pode se sensibilizar com os seres humanos, sim. 

Ver o resgate da essência do brasileiro na telinha foi emocionante. A esperança é, muitas vezes, a única coisa que as pessoas possuem. A Bíblia diz que ela permanece para sempre, ao lado do amor e da fé. A série não pretende romantizar, de forma alguma, a vida. Esta e a realidade são duríssimas. Mas ser resiliente é fundamental para se seguir em frente e é isso que a produção mostra. Que momentos difíceis podem melhorar! Recomendo a série! J-J



Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Panafetividade: conheça mais sobre a atração por todos os gêneros

Mais cedo, o Arthur Claro escreveu um post sobre assexualidade, que é a falta total, parcial ou condicional da atração sexual, independente do sexo biológico ou gênero. Agora, explano sobre a panafetividade, ou seja, a atração sexual, romântica ou emocional em relação às pessoas, independente de seu sexo ou identidade de gênero. Pan significa todo, total, inteiro e afetividade, atração. Juntando, fica assim: atração por todos os gêneros - em todas as suas manifestações -, sem restrição e/ou preferência quanto à orientação sexual do outro.  

Pessoas pans não se importam com gênero, se referindo a si mesmas como "cegas". Para elas, gênero e sexo não são fatores determinantes em sua atração sexual ou romântica. Elas se interessam pela pessoa em si, suas características, como aparência e/ou personalidade. Assim, em cada pessoa panafetiva, a maneira de se relacionar se dá de uma forma diferente. Pessoas pans tem atração por homens, mulheres, trans, não-binários, intersexuais, andróginos, entre outros. Essa é mais uma das "caixinhas" da sexualidade existentes. 

O termo da panafetividade surgiu pela primeira vez em 1917, mas era usado para descrever pansexualismo, ou seja, a ideia de que as pessoas colocam seus instintos sexuais em primeiro lugar. Nos anos 1980, por sua vez, haviam comunidades fetichistas que usavam o termo para descrever indivíduos sem preferências sexuais específicas e abertas às mais distintas experiências sexuais. Mas esses dois conceitos não se aplicam atualmente. 

A identidade panafetiva mesmo surgiu na segunda metade do século XX, mas se tornou mais popular no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, com uma alternativa mais inclusiva, do que foi realizada anteriormente. Foi nesse período, também, que a comunidade queer dos EUA interagiu mais por correio. Com isso, inúmeros indivíduos com experiências distintas sobre a comunidade LGTQIAP+ interagiram. O choque cultural foi presente. Conheceu-se termos como pessoas trans ou genderqueer. 

A pessoa adepta à esse tipo de afetividade mostra que a orientação sexual pode estar congruente com gêneros distintos. Antes das discussões pans, ao se falar de homo e heteroafetividade, vinha na mente somente a ideia de homens e mulheres cis. Agora, não. Os gêneros e orientações são construtos sociais e devem ser atualizados. Por isso, o movimento pan se aproxima e apoia o movimento trans, pois ambos defendem debates sobre as amplas possibilidades de vivenciar os gêneros. 

O post de hoje tem o intuito de falar sobre vários tópicos, são eles: Panafetividade e biafetividade; bandeira pan, arromântica e símbolos; dia da panafetividadepensamentos e filosofias pans; panafetividade e terapia.


Panafetividade e biafetividade

Por muito tempo a panafetividade foi confundida com a biafetividade, mas isso caiu por terra. Afinal, a pansexualidade rejeita o binário de gênero, enquanto a biafetividade é utilizada como termo "guarda-chuva" por conta da atração por dois gêneros. Também não se pode confundir a panafetividade com a poliafetividade, que é a atração por mais de um gênero, mas não todos.

Convencionalmente, a diferença entre a biafetividade e a panafetividade é a seguinte: pessoas biafetivas reconhecem os diferentes gêneros e se relacionam de formas diferentes com eles, enquanto pessoas panafetividades se atraem por todos os gêneros, indistintamente. 

Há estudiosos que dizem que a panafetividade é uma ramificação da biafetividade. Já outros, afirmam que bi e pan são coisas separadas. Para aqueles que estão descobrindo sua orientação é bom pesquisar, se informar e conversar tanto com pessoas pans como bis. 

Um panafetivo pode se atrair por um andrógino que é uma pessoa que se veste e se comporta como alguém que não sabe o gênero dela. O fato é que a sexualidade é construída no decorrer do tempo. Para a sexóloga Ana Cláudia, muitos indivíduos se identificam como panafetivos, mas estão num processo experimental. A panafetividade, portanto, tem a ver com um desejo amplo, quando a questão sexual se encontra com a característica humana, sem pensar na física. 


Bandeira pan, arromântica e símbolos


A bandeira do orgulho panafetivo foi criada em 2010 por Jasper no blog Pansexual Flag. É composta por três faixas horizontais de mesmo tamanho, sendo uma rosa, uma amarelo e outra ciano. A faixa rosa é para pessoas que se identificam com o gênero feminino; a azul, pessoas que se identificam com o gênero feminino; e a amarela é para pessoas que se identificam com o gênero não-binário. Uma curiosidade é que o magenta, amarelo e azul formam todas as outras cores, daí a alusão à pan. 


Esse é um símbolo panafetivo nas cores da bandeira pan com a letra "P" estilizada cuja ponta termina em uma cruz  e uma seta, como os símbolos de masculino e feminino. 


Esse é mais um símbolo pan que apresenta símbolos de masculino e feminino de várias cores entrelaçados. 


Essa é uma bandeira panromântica, composta por quatro faixas horizontais de tamanhos iguais, nas cores azul, verde, laranja e rosa. As cores representam, respectivamente: gênero masculino, gênero neutro ou sem gênero, com gêneros fora do binário ou entre masculino e feminino e de gênero feminino. A bandeira foi criada em 24 de maio de 2015. 



Símbolo panromântico.


Dia da panafetividade

No mundo, o Dia Internacional do Orgulho Pansexual é comemorado no dia 8 de dezembro, aonde se dedica para celebrar a panafetividade. Já o Dia da Visibilidade Panafetiva e Panromântica é dia 24 de maio. 


Pensamentos e filosofias pans

Diversas figuras públicas se consideram pessoas pans, como Miley Cyrus, Serguei, Renato Russo, Reynaldo Gianecchini, Janelle Monáe, Demi Lovato, Bella Thorne, Jazz Jennings, Mary Gonzalez e Brendon Urie. A seguir, trago frases que essas pessoas disseram sobre a filosofia pan:

“Não sabia que isso existia até que alguém me explicou. Você gosta de seres humanos, não precisa ser uma garota ou um garoto, ele ou ela” - Bella Thorne

“Já tive, sim, romances com homens. Mas a sexualidade é muito mais ampla” - Reynaldo Gianecchini

"Panafetividade é a possibilidade do amor acima de tudo" - Nátaly Neri

“Eu gosto de garotas sexy, gosto de caras sexy. Eu gosto de sensualidade em geral, sabe?” - Bella Thorne

“É uma palavra ampla e isso ocorre porque as pessoas querem liberdade para se identificarem da maneira que quiserem, sem que ninguém as rotule” - Michael Aaron, psicoterapeuta e terapeuta sexual.


Panafetividade e terapia


A pessoa panafetiva também precisa cuidar de sua saúde. A população LGBTQIAP+ é a mais vulnerável a problemas emocionais como ansiedade, estresse, depressão e até mesmo o suicídio. A ajuda profissional é fundamental para o autoconhecimento e exploração da sexualidade. Busque ajuda para lidar com dores e preconceitos para se aceitar como ser panafetivo. 


A atração por todos os gêneros

A panafetividade pode ser para qualquer tipo de pessoa. Para transgêneros, intersexuais e até mesmo pessoas cisgêneros. A pessoa panafetiva tem o gênero como fator irrelevante na questão sexual ou relacional. Mesmo que o gênero não seja fator preponderante, as pessoas panafetivas tem suas preferências específicas, que não cabem dizer nesse post.

A identidade panafetiva deve ser aceita, compreendida e não criticada, em nossa sociedade. J-J





Por: Emerson Garcia

Vamos falar de assexualidade?

Se a resposta foi "Sim" continue a ler...

Porém se a resposta foi "Não", peço que clique aqui.



Um assunto sexual porém é algo assexual. Confuso?! Mas estou aqui para explicar com as minhas palavras sobre o tema assexualidade. Utilizarei alguns artigos retirados do Google para ter um bom embasamento, para quem sabe ser um post bem explicado e nada clichê. 

Segundo o site Wikipédia, a assexualidade é a falta total, parcial ou condicional da atração sexual independente do sexo biológico ou gênero. Isto quer dizer que as pessoas assexuais podem apresentar pouco ou nenhum interesse nas atividades sexuais humanas. Em outras palavras é classificada como uma orientação sexual. 

Algumas pessoas sexuais podem ter relacionamentos românticos porém nada sexual, mas tem alguns assexuais que participam por curiosidade de atividades sexuais e também podem se masturbar numa forma de se aliviar sozinho, porém não sentem necessidade de realizar a masturbação. 

Segundo pesquisas, a assexualidade é perto de 1% da população mundial. A pessoa assexual geralmente traz questionamentos e dúvidas de outras pessoas ao longo da vida, pois estas acham que isso pode ser uma "doença" ou uma "fase", mas como toda orientação sexual é preciso compreender e respeitar independente das preferências e necessidades sexuais. A assexualidade não tem a ver com a abstinência ou celibatário, muito menos tem relação com algum trauma por experiências ruins ou abusos sexuais.


Dia e Semana da assexualidade


O dia de celebração da assexualidade é no dia 6 de abril e a semana que se celebra a conscientização é a última do mês de outubro.


Mitos sobre assexualidade

Assexuais são pessoas frias e incapazes de construir relações afetivas;
Assexuais não enfrentam preconceitos, opressão e discriminação; e
A assexualidade é uma criação moderna da internet.


Símbolos da assexualidade


A bandeira da assexualidade é constituída por quatro listras horizontais nas cores preta, cinza, branca e roxa com os respectivos significados assexualidade, área cinza entre o sexual e o assexual, sexualidade e a comunidade.




Tendo a explicação da bandeira é fácil compreender o triângulo, tendo em mente que a sexualidade humana é fluida e que ela se manifesta diferente em cada pessoa. Então, as duas pontas superiores do triângulo correpondem à heterossexualidade e à homossexualidade; e a parte central corresponde a bissexualidade.




O símbolo é uma brincadeira existente na comunidade assexual. Isto quer dizer que as pessoas dizem que até bolo pode ser melhor que sexo, devido a esta comparação que adotaram como símbolo para desejar boas vindas aos novos membros de algumas comunidades.



A carta Ás do baralho em inglês se pronuncia ACE que é a mesma pronúncia para designar uma pessoa assexual. Símbolos são o Ás de Copas que representa os românticos e o Ás de Espadas que representa os arromânticos.




Agora que vocês aprenderam um pouco da assexualidade, que tal refletir sobre estas perguntas para tentar se compreender a sua sexualidade?

- Eu sinto atração sexual?
- Eu me sinto atraído por outras pessoas, sejam do sexo oposto ou do mesmo sexo?
- Eu me sinto pressionado a gostar de sexo por conta de influências de amigos, familiares, cônjuges e da mídia?
- Eu já me forcei a participar de atos sexuais ou românticos para não me sentir inadequado? 
- Eu sinto que tem algo errado comigo porque não sinto atração sexual como as pessoas à minha volta? 
- Eu posso desfrutar da minha vida sem necessidade de ter contato sexual?
- Eu sinto que posso me conectar emocionalmente com outra pessoa sem necessidade de sentir atração física ou sexual?
- O que eu valorizo em um relacionamento amoroso?
- Como meu parceiro me vê? 


Conforme as respostas que obtiverem pode ser que tenham a resposta da sua sexualidade. Não sou um especialista para afirmar quais são as respostas e nem que estas perguntas são válidas para descobrir isso, mas vale o exercício da reflexão sobre elas. J-J





Por: Arthur Claro

terça-feira, 28 de junho de 2022

'Pink money': apoio genuíno à causa LGBTQIAP+ ou oportunismo?

Um termo que tem crescido ultimamente é o pink money. Ele é utilizado para caracterizar a comercialização de produtos para o público LGBTQIAP+. Abraçar a diversidade de forma mercadológica pode ter duas vias: a do apoio genuíno e a do oportunismo. As empresas devem ter uma visão mais duradoura com a comunidade, do que apenas criar um produto durante o mês de junho e/ou inserir bandeiras do arco íris por todo lado.

Para se pensar em pink money, deve-se conceituar o que vem a ser consumo ideológico. Bem, algumas causas sociais cada vez mais ganharam espaço atualmente, o que influenciou em setores do consumo. A ideia foi a de atingir nichos, grupos e comunidades mais específicas, fazendo com que esses espaços tivessem relevância. Foi assim que restaurantes vegetarianos e veganos foram criados, produtos de beleza cruelty free foram fabricados, entre outros. Perceba que o intuito das marcas é de se tornarem cada vez mais preocupadas social e eticamente com seus consumidores, que são os mais diferentes possíveis. 

O pink money, portanto, vem muito desse consumo de ideologia LGBTQIAP+. Agora, tudo é colorido e diversificado, o que meio que impulsionou diversas empresas, marcas e artistas à apoiarem essa causa. 

Pensando no consumo ideológico, temos o green money (produtos e/ou serviços com preocupação ecológica e sustentável); e o black money (negócios criados ou geridos por pessoas negras). Deve ter outros tipos de "money" por aí, mas desconheço.

Quando uma empresa adere à pauta LGBTQIAP+ somente para obter lucro (o pinkwashinge aproveitar o buzz, isso é visível e questionável. É como se a empresa fosse vista como oportunista e falsa pelo consumidor. O que o cliente anseia, em se tratando de consumo ideológico, é que a compra tenha uma mudança significativa no quesito social, que realmente faça a diferença. No instante em que a ação é vista como falsa, é dificílimo que uma empresa retorne novamente ao topo. 

Que pessoa LGBTQIAP+ não ficaria feliz em se ver representada nos produtos, embalagens e anúncios pelo menos uma vez ao ano?! Mas o LGBTQIAP+ fica ainda mais feliz quando as marcas fazem uma diferença real e em longo prazo em sua comunidade. 

No post de hoje apresento propagandas e artistas que aplicaram bem o pink money e outros que não souberam como aplicar.


Skol


Em 2018, a empresa de bebidas reuniu diversas grandes marcas para se unir à ela em apoio à causa LGBTQIAP+. A proposta foi que cada marca convidada, retirasse de seu nome uma letra para formar a sigla que representa o movimento, por determinado tempo. 

A composição ficou dessa forma:

L: Skol

G: Burguer King

B: Lacta Bis

T: Trident

Q: Quem disse, Berenice?


É claro que se fosse hoje em dia, a Skol teria que chamar pelo menos outras 4 marcas, já que a sigla aumentou! 

Durante o mês de junho daquele ano, as marcas retiraram as letras emprestadas a campanha nas redes sociais e em grandes jornais. E a ação não parou por aí: as empresas também fizeram doações para ONGs como Coletivo Não desculpo, Casinha, TODXS e Coletivo Transformação. A hashtag da campanha foi #MarcasAliadas


Ben & Jerr's

A rede de sorveterias possui um posicionamento bem recorrente e estruturado em favor das questões LGBTQIAP+. A marca possui uma postura de apoio à diversidade já há alguns anos, com inúmeras ações importantes, como a celebração de um casamento igualitário em uma das lojas da franquia em 2015 e postagens bem adiantadas sobre a causa. 


A Ben & Jerr's possui um posicionamento consistente e ações criativas que cativam o público de forma divertida e sincera. 


Netflix

É claro que a rainha dos streamings merecia ser mencionada nesse post, né? Mais do que ninguém, a empresa sabe se posicionar com relação à comunidade LGBTQIAP+. Ela intervém até mesmo com comentários lacradores. 

A empresa mantém um comprometimento de apoiar a diversidade, não só apenas em junho, mas no ano todo. Ela aposta na pluraridade de suas produções, abraçando as diferenças e isso reflete nos seus conteúdos compartilhados na internet. 

Em 2019, a empresa lançou uma campanha própria, divulgando imagens de personagens icônicos para representarem uma cor da bandeira e uma letra que compõe a sigla, com uma frase marcante de cada personagem. Sucesso na certa! 


Casquinha do orgulho da Pannafredda



Uma sorveteria da 216 Sul em Brasília, Distrito Federal, desenvolveu um sorvete esse ano para celebrar o orgulho LGBTQIAP+. 20% dos valores das vendas serão doados para a ONG local Casa Rosa que acolhe pessoas LGBTQIAP+. 

O sorvete tem as seis cores do arco íris, sendo que cada uma delas possui um sabor diferente. São elas: 

Frutas vermelhas – Vermelho

Laranja e cenoura – Laranja

Maracujá – Amarelo

Limão com manjericão – Verde

Melão com corante azul – Azul

Uva – Roxo


A sorveteria Pannafredda sabe aproveitar as datas comemorativas. Eduardo, o sócio-proprietário, disse o seguinte:

“A gente sempre aproveita datas comemorativas. Por exemplo, no Ano Novo, todos os sabores são brancos; no Dia dos Namorados, trabalhamos muito com chocolate, com sabores afrodisíacos”, exemplifica Eduardo. “Aí, tivemos essa ideia de fazer sorvetes coloridos para o Mês do Orgulho e fomos buscando sabores que ficassem legais e combinassem”.


Propaganda da VW Polo com casal gay

Esse ano de 2022, a VW Polo resolveu criar uma propaganda do novo Polo com um casal LGBTQIAP+, que também se relaciona na vida real. A peça tem gerado muitas repercussões nas redes sociais, que varia de elogios à críticas destrutivas. O fato é que casais não-tradicionais estarão cada vez mais presentes em propagandas de automóveis. Casais LGBTQIAP+ em propagandas não é novidade. Há 20 anos, a Fiat mostrava um casal lésbico. 


A jogada de marketing da Volkswagen foi a de destacar uma dor específica do povo brasileiro: a do Brasil ser um dos líderes de homofobia no mundo. E isso gera publicidade e lucro, é o chamado de marketing reverso, de viralização. A empresa investiu pouco em marketing, já que quem o fez foi quem criticou a campanha. 

Talvez a Volkswagem esteja priorizando um tipo de consumidor ou sendo oportunista, quem sabe. É difícil dizer porque a empresa de automóveis nunca manteve essa postura e não costuma falar com esse público. Mas, o fato é que as empresas tem que aprender a se comunicar com diferentes públicos, já que o respeito à orientação sexual e outros temas sobre diversidade são prioridade, agora, para as montadoras. É necessário abrir os olhos e abraçar o tema. 


Assista a propaganda na íntegra agora:

   


Doritos Rainbows


Durante os últimos anos da Parada LGBTQIAP+ de São Paulo, a marca Doritos distribui sua versão especial do salgadinho. A edição também pode ser adquirida de forma online, fazendo uma doação para a Casa 1, que acolhe e apoia jovens LGBTQIAP+ expulsos de casa. 


Coroas LGBTQIAP+ do Burger King


O Burger King, em prol da causa nos EUA e no Brasil, distribui mais de 100 mil coroas com as cores da bandeira LGBTQIAP+ nas paradas do orgulho. As coras são distribuídas gratuitamente e tem o intuito de mostrar que "todo mundo é bem vindo".

A rede de fast foods também possui outras ações, que mostram a estratégia de inclusão da marca. 













Claudia "Lacriane" Leitte


Quando a aderência a comunidade LGBTQIAP+ é forçada é perceptível, como quando Claudia Leitte utilizou termos da comunidade LGBTQIAP+, mesmo não fazendo parte só para lacrar. E detalhe: ela já declarou preferir um filho "macho" ao invés de um gay. Autopromoção oportunista aqui, não! 


Nega da Borelli


Nego do Borel não é gay, mas pegou carona na onda LGBTQIAP+, com o clipe para o single Me solta. Borel é homem heteroafetivo e cisgênero e encarou uma personagem chamada de Nega da Borelli, que afirmou ter inventado há anos e que reproduz em inúmeros lugares ao longo de sua carreira. Nego foi acusado de se apropriar do pink money e querer lucrar em cima da comunidade LGBTQIAP+. 

Borel, com o clipe, teve o intuito de mostrar a diversidade da favela. Se esse fosse mesmo seu objetivo, ele colocaria mais figurantes trans, gays e andróginos e não somente a encarnação dessa personagem, que se veste e se porta de forma bem estereotipada. Só há ele de representante da comunidade, mais ninguém. Estranho acreditar que Nego é aderente, de fato, à causa LGBTQIAP+, já que é simpatizante do atual presidente do Brasil. Assista à essa vergonha alheia agora:

  


Arrasou viado



Jojo Todynho também está onda do pink money, mas foi duramente criticada por conta desse clipe. Fazer discurso vazio para pedir desculpas e ficar bem na fita? Aí não, né?! Jojo costuma chamar as pessoas de "viadinho", "baitola" e outros nomes e, agora, quer apoiar a causa LGBTQIAP+? Algo de errado não está certo! 

Jojo se apropria de termos da comunidade LGBTQIAP+ para dizer que os apoia, como Que tiro foi esse?, expressão disseminada em grupos LGBTQIAP+, principalmente de travestis e drags, mas ela já chamou um hater na internet de "cara de baitola". Por que Jojo não se incomodou com a "cara de baitola! dos gays que deram visualizações no Youtube e ainda aparecem no clipe dando pinta?! Assista ao clipe de Arrasou viado:

   

Quer arrasar, "viada"?! Então apoie ONGs LGBTQIAP+ e não reforce preconceitos e estereótipos por aí! 
  
Casal gay estampa propaganda da Latam


Após viralizar nas redes sociais ao compartilhar seu pedido de casamento realizado dentro de um avião da Latam em março deste ano, o influenciador e designer de moda piauiense, Laéllyo Mesquita, virou garoto propaganda da empresa. Agora, Laéllyo e seu noivo, Gilberto Nino, se tornaram o Casal Latam 2022. Seria oportunismo?!




Abraçar a diversidade pode ser algo positivo, mas se for da forma correta. Empresas são lembradas e inesquecíveis, porque fizeram ações que fizeram realmente a diferença. Por isso, é importante medir até que ponto essas ações são legitimamente em prol da causa LGBTQIAP+, a ponto de reverter em ações concretas para benefício da comunidade, não somente em junho, mas o ano todo. Quais dessas empresas possuem políticas de governança de fato inclusivas? Quais contratam pessoas transgêneros? E, contratadas, quais garantem condições para que essas pessoas permaneçam e ascendam na carreira?! Quais artistas, são de fato apoiadores da causa, e não quer ganhar lucro no "rabo do cometa"?!

A lição que fica é que: a edição do produto pode até ser bonitinha, mas também é necessário haver compromisso com excelentes ações de governança. Isso é o que vale mesmo! J-J





Por: Emerson Garcia
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