Pessoas cobertas de lama em poses fotográficas. Foi essa a forma que a marca de cosméticos Jendayi encontrou para solidarizar-se com as vítimas de Brumadinho (MG) e protestar contra a ganância de empresários. Contudo, a campanha foi tida como oportunista e desrespeitosa. Muitos a denunciaram no Facebook enviando feedbacks à rede social com a pecha de "ridicularização de pessoas".
Será que esta foi uma campanha oportunista, que visou apenas a comercialização e engrandecimento financeiro da empresa? É o momento apropriado para lançar uma publicidade como essa? Perguntas assim tomaram de conta das principais mesas de debate.
Este post tem o objetivo de discutir: a campanha da Jendayi; a mensagem; as repercussões; perfil da Jendayi; e fotografia publicitária e tragédias.
A campanha
Houve uma glamurização da tragédia com o ensaio fotográfico de Jorge Beirigo. Diferentemente das vítimas, os modelos estavam inseridos em um ambiente montado e construído artificialmente. Em nada se assemelham à realidade das quase 358 vítimas.
O bebê, a mulher e o rapaz em nada representam e homenageiam as mais de 300 vítimas de Brumadinho e explico o por quê:
1- Emoções artificiais: um bebê chorando de mentira, não é o mesmo que um chorando de verdade; uma mulher com o olhar pesaroso, não tem o mesmo valor de alguém que perdeu tudo; um homem enlameado não tem nada a ver com um soterrado pela lama da enchente. As emoções artificiais foram geradas para a comoção, mas surtiu justamente o efeito contrário.
2- Tragédia construída: terras molhadas, lamas no corpo e nos ambientes onde foram encenados as fotos do ensaio. Além disso, expressões e emoções artificiais e uma parede construída. NÃO! Nada disso sequer se aproxima da dimensão de uma "tragédia" como a cedição de barragem de Brumadinho.
3- Poses de modelos: rosto sério e marcante e poses firmes e envolventes. Foi dessa forma que os modelos se comportaram nas fotos em "protesto" da tragédia. Sabemos muito bem que essa não foi a realidade daquelas vítimas soterradas, daquelas que tentaram se salvar e das que foram salvas pelos bombeiros. Não houve espaço para selfies e poses para as câmeras de jornais noticiosos.
Mensagem
A mensagem principal da campanha seria um protesto, de acordo com informações e legendas da própria empresa de maquiagem. Leia:
“Brumadinho CLAMA! A Jendayi cosméticos e o fotógrafo Jorge Beirigo fizeram um ensaio-protesto sobre a tragédia de Brumadinho-MG! Isso não pode ficar assim…”
Tudo o que a empresa queria era estar ao lado das vítimas de Brumadinho e lutar junto com a causa. Em publicação do Facebook - que já foi apagada no presente momento - a Jendayi reiterou seu posicionamento com a campanha (com grifos):
“O objetivo desta campanha é mostrar que existe uma marca de cosméticos que se preocupa com a beleza… a beleza da vida. Nossos cosméticos embelezam os cabelos, mas nossas atitudes podem deixar um sorriso, um olhar, uma família, um sonho… mais iluminado e bonito. Nossa empresa está nesta luta”.
A intenção da Jendayi foi nobre, mas ela se perdeu no decorrer do caminho. Todo mundo deseja ser feliz, ver a beleza da vida e se permitir dar um sorriso, mas nesse momento essas expressões são muito difíceis de serem verificadas.
Por outro lado, a solidarização da empresa de cosméticos por meio de um ensaio fotográfico teve o intuito apenas comercial e glamurizador da situação. Por que não solidarizar-se com campanhas de água potável, dinheiro e mantimentos?
Repercussões
É claro que a repercussão da campanha só deveria ser negativa. Vários comentários foram contra ela. Abaixo, cito alguns deles:
Tais repercussões obrigaram a empresa a apagar o post no Facebook e privatizar seu perfil no Instagram. Pelo Facebook a empresa realizou um pedido de desculpas. Veja:
Transcrevo o pedido abaixo, com grifos:
Sem mais nada a declarar - já que explanei em tópicos anteriores - deixo apenas uma pergunta: Por que a Jendayi não ajudou antes e resolveu ajudar agora?
Tais repercussões obrigaram a empresa a apagar o post no Facebook e privatizar seu perfil no Instagram. Pelo Facebook a empresa realizou um pedido de desculpas. Veja:
Transcrevo o pedido abaixo, com grifos:
"A Jendayi Cosméticos vem por meio desta pedir desculpas pela má repercussão de campanha veiculada por nós. Em nenhum momento tivemos a intenção de ofender as vítimas do crime ambiental em Brumadinho. As fotos tinha uma intenção de protestar e jamais de se aproveitar da situação. Reiteramos nossos pedidos de desculpas as vítimas e a sociedade em geral por nossa campanha mal elaborada. Nossas mais sinceras condolências as vítimas e ajudaremos no que for possível.
Equipe Jendayi Cosméticos."
Sem mais nada a declarar - já que explanei em tópicos anteriores - deixo apenas uma pergunta: Por que a Jendayi não ajudou antes e resolveu ajudar agora?
Perfil publicitário
A Jendayi é uma empresa de BELEZA. Logo, suas campanhas publicitárias tem o intuito de enaltecer a BELEZA DOS MODELOS. Além disso, é uma empresa altamente visual e estética. Portanto, a campanha de "protesto" também possui esse mesmo perfil, embora a empresa diga que não. Mesmo que o ensaio retrate uma situação calamitosa, foram escolhidos modelos belos, bonitos e fotogênicos.
Tanto é assim, que os modelos da campanha não aparecem sem maquiagem. A mulher, por exemplo, aparece maquiada, com os lábios de batom, cílios postiços e lápis no olho.
Tanto é assim, que os modelos da campanha não aparecem sem maquiagem. A mulher, por exemplo, aparece maquiada, com os lábios de batom, cílios postiços e lápis no olho.
Fotografia publicitária e tragédias
É possível que uma fotografia publicitária tenha cunho de protesto?! Não sei, pois nunca estudei publicidade e propaganda, mas nesse caso do ensaio não foi protesto por uma série de fatores discorridos. O que sei é que podemos protestar e retratar tragédias por meio de fotos jornalísticas.
Oportunação ou protesto?
É possível que uma fotografia publicitária tenha cunho de protesto?! Não sei, pois nunca estudei publicidade e propaganda, mas nesse caso do ensaio não foi protesto por uma série de fatores discorridos. O que sei é que podemos protestar e retratar tragédias por meio de fotos jornalísticas.
Oportunação ou protesto?
Querendo ou não, a empresa que não era conhecida até então está na mídia. Eu, por exemplo, não sabia de que se tratava essa Jendayi, mas agora sei.
Para você, o ensaio sobre Brumadinho é oportunação ou protesto?! Está claríssimo para mim que foi oportunação. Digam tudo nos comentários! J-J
Por: Emerson Garcia


































