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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Catraca Livre: utilizar-se da dor alheia não é informação, é falta de sensibilidade

"Imagem meramente ilustrativa".


Em abril desse ano, durante a Semana do Jornalista, fiz um post elencando três coisas que, em minha opinião, são o mal do jornalismo. Entre elas, estão as suítes póstumas - aquelas reportagens e matérias que se aproveitam de uma situação de tragédia para promover jornais ou meios de comunicação. Há quase um mês (29 de novembro), esse mal ficou em evidência após a cobertura execrável, maldosa e insensibilizante do página Catraca Livre

Jornalistas cobriam uma das maiores tragédias do esporte, enquanto a página de Gilberto Dimenstein, um outro ângulo da situação com bastidores, matérias derivadas e suítes. Por ser uma página que não se dedica a esporte, o Catraca Livre resolveu inovar na cobertura, mas acabou por transparecer a imagem de uma imprensa marrom. A atitude do Catraca Livre gerou revoltas na internet, deslikes e questionamentos sobre esse tipo de jornalismo.


Os posts na fanpage e site

Logo após a fatal notícia na madrugada, o Catraca publicou uma série de posts em sua fanpage e site que foram excluídos depois das críticas e polêmicas.










Em meio a uma situação de tristeza e luto, o Catraca Livre trouxe posts amenos, curiosos e informacionais, isso à priori. O portal de notícias usou o momento e o exemplo errados. Utilizar-se da dor alheia não é informação, é falta de sensibilidade. Colocar fotos de pessoas em seus últimos momentos de vida (inclusive dos jogadores da Chapecoense) não é jornalismo, mas sim uma atitude de asco. 

Quando escrevi o texto Solidariedade ainda que tardia? tomei o máximo de cuidado para não ser insensível com a situação, com os jogadores e seus familiares. Tanto é, que esperei passar uma semana para refletir. E o objetivo foi criticar uma situação que havia observado. 

O Jornal Livre disse que a atitude do Catraca Livre foi de extremo mal gosto e que os usuários perceberam uma certa hipocrisia da parte do portal:

"Os usuários acusaram o Catraca Livre de ser hipócrita, já que a página vive replicando textos sobre empatia e amor ao próximo".


"Mea culpa"

Após os posts publicados, o Catraca Livre começou a receber uma série de deslikes. Isso é um sinal que leitor nenhum admite uma falta de respeito dessas e que esse tipo de jornalismo é reprovado. 

No dia 29 de novembro, foi publicado um editorial na fanpage onde Dimenstein assumia toda a culpa às reportagens publicadas. Mas, antes disso, vários equívocos de desculpas foram postados, como dizer que era relevante jornalisticamente mostrar todos os lados do fato






No dia 30 de novembro, Dimenstein postou na página pessoal sua indignação contra os linchadores, o que deixou o post no Catraca Livre, no dia anterior, um tanto quanto dúbio. Veja:





Claro que, pra assumir o erro, Dimenstein teve que falar que o próximo tem mais erros que ele né?! Um vitimismo descabido. O jornalista, de início, já fala de "insanidade digital" e dos internautas cheios de ódio. Me digam se os posts do Catraca Livre também não foram uma insanidade digital?! São dois pesos, duas medidas.

Outro ponto a ser destacado é a tentativa de amenizar as publicações. Mais do que "inadequado", os posts revelaram uma falta de amor, compaixão e respeito. 

Por último, Gilberto questiona a republicação e prints dos posts do Catraca, já que os linchadores criticaram que esse conteúdo não deveria ser publicado, como se colocasse, mais uma vez, a culpa nos outros (Esse "mea culpa" é uma balela. BALELA!). Quero dizer ao jornalista ultraesquerdista que "o que foi publicado, está publicado". Uma vez na rede social não tem mais como voltar atrás. Os dedos nervosos e prints estão aí! A atitude dos "linchadores" não foi de republicar conteúdo, querido, mas de reprovar uma publicação. Entende a diferença?

Analisando em linhas gerais, o Catraca Livre tentou justificar-se, usando as desculpas erradas, o que o deixou em uma situação mais delicada. Os pedidos, frágeis e superficiais, deram margem à desconfiança e ao sentimento se a página - de fato - havia se redimido mesmo. 


BÔNUS: A página ATEA também pediu "desculpas" após divulgar o seguinte meme sarcástico:




O pedido de desculpas foi agressivo, vitimizado e ainda criticou a religião. Veja:























E não parou por aí:



















JOGO DAS SETE SEMELHANÇAS: Perceberam as semelhanças entre os discursos de desculpas do Dimenstein e da ATEA? Apontem nos comentários e eu digo se acertaram!


Sigam o exemplo!

Em momentos de dor devemos nos solidarizar, mesmo que tardiamente - quem leu o meu texto no início de dezembro sabe! - e não aproveitar-se do momento com suítes póstumas e postagens de mal gosto. A própria Playstation, que é uma empresa de games e diversão, sensibilizou-se mais que o Catraca Livre e seus pedidos intermináveis de desculpas. Vejam:





Não é hora de promover seu meio de comunicação; de fazer suítes póstumas para ganhar curtidas e visibilidade; de fazer chacota com religião; de divulgar vídeos nas redes sociais, principalmente no Whatsapp, de aviões mais seguros do mundo e de equipamentos de última geração para eles não caírem; e muito menos de vender uniformes da Chapecoense por R$ 250, mesmo que a Black Friday tenha passado! 


Repercussão

A reação, após os posts do Catraca Livre, foram imediatas: críticas, perdas e deslikes sem tamanho. Nessa página você pode acompanhar em tempo real as oscilações e quedas drásticas dos fãs, basta clicar no botão laranja "see live statistics"

Tal repercussão descortina, de vez, a decadência da qualidade do jornalismo e demonstra o poder do público que lê e consome informação. Este não tem se enganado com essa mídia cada vez mais suja e insensível. Se ficou uma lição positiva nesse fato foi a do público reativo e crítico. J-J


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Solidariedade ainda que tardia?



Desde a semana passada (29) solidariedade foi o que não faltou entre os apaixonados por futebol, brasileiros e até mesmo estrangeiros. Uma tragédia de tamanha grandeza, como a do acidente aéreo que levou a óbito importantes jogadores que estavam no auge da carreira e profissionais de jornalismo, despertou nos seres humanos o sentimento de amor, alteridade e compaixão. 

Tal fato me fez refletir no despertamento da solidariedade em tempos de crise. Será que nós, seres humanos, só nos convalescemos do semelhante quando ele passa por uma situação adversa? Durante esses dias, vi dezenas de internautas colocando em suas fotos do Facebook o filtro #VamosChape, vi diversos monumentos nacionais e mundiais aderindo a cor verde do time e vi, ainda, uma união impressionante entre times, de diferentes cores e mascotes, unidos em solidariedade, bem diferente de jogos em que há torcidas se degladiando. 

No meio de uma tragédia, times usaram o brasão chapecoense e outros abriram mão do uniforme habitual, por um de luto, na cor preta. Os amantes do esporte disseram que o futebol não é apenas competição, mas que existe algo muito maior: a união. Sim! A união que veio após a tragédia.

Que interessante seria se os times esportivos sempre deixassem a rivalidade de lado e caminhassem de mãos dadas, não? A rivalidade começa dentro do campo de futebol e chega até às arquibancadas, tendo como pano de fundo socos, pontapés, sangue e narizes quebrados. Foi necessário uma tragédia para que o estádio em Medellín retirasse de cena a violência esportiva e desse espaço às homenagens, balões brancos e minutos de silêncio. 

Não sou insensível até o ponto de não reconhecer os abraços, palavras solidárias, espírito de "chorar com os que choram" dos colombianos. Eles foram nobres em suas atitudes e eu sei que emocionaram a cada um que viu o estádio daquela forma. Não sou casca grossa de não achar os monumentos verdes a coisa mais linda do mundo, nem de ser tão seco que não possa aplaudir a atitude do Conmebol de declarar a Chape como campeã da Copa Sul-Americana de 2016. Mas o que venho colocar em reflexão é o seguinte: será que tem que acontecer uma tragédia para que nos juntemos, formemos um único time e um cordão de solidariedade?

Nos últimos dias, vi muitas atitudes solidárias como: o filtro do Chape no Facebook; o belíssimo encerramento do Jornal Nacional, com funcionários aplaudindo os atletas e jornalistas que morreram na tragédia; a cobertura sensibilizante do Fantástico, que incluiu cavalos esportistas tristes (um até com a camisa do Chape e com uma lágrima escorrendo!), a simulação da cobertura da final do campeonato em um estádio vazio, triste e silencioso realizada por Galvão Bueno (Arte e produção incrível!) e uma mãe de um jogador que consolou um jornalista que a entrevistava (E olha que eu fico com um pé atrás com essas reportagens dramáticas heim?!). 




Uma das formas que podemos contribuir para a nossa comunidade é com atitudes solidárias e que vejam o semelhante como um ser igual a nós. Mas não podemos achar que a solidariedade só é possível em momentos como a tragédia do avião da Chapecoense. Estaremos sendo hipócritas e oportunistas. Existem seres humanos que estão sofrendo tragédias em vida: o desemprego, a fome, a miséria, a escassez, a falta de moradia, a pobreza. E onde estão os nossos olhos solidários para essas pessoas? 

É muito fácil, após a morte da equipe de Chapecó, dizer que "se é chapecoense desde criancinha" ou "atleticano desde bebê" por que o time do Atlético cedeu o título à Chapecoense. Poderia mudar a minha foto do Facebook para o filtro do #VamosChape? Poderia! Mas solidariedade é maior que um filtro, e se utilizasse-o muitos diriam que era oportunismo, afinal odeio futebol e jamais poderia dizer que sou chapecoense desde criancinha! O filtro também daria margem à essa interpretação. Se houve alguma solidariedade da minha parte nas redes sociais, foi um post manifestando as minhas condolências às vítimas e familiares e uma logo preta do Jovem Jornalista em sinal de respeito e luto. 

Por outro lado, por que reconhecer os jogadores como heróis e os vencedores do campeonato após suas mortes? Quer dizer que uma pessoa só é reconhecida como herói depois que morre? Quer dizer que eu só posso demonstrar solidariedade por alguém quando esse alguém transcende para outro plano? O histórico da Chapecoense foi só de vitórias e ascensão: da série D para a A em 5 anos, até chegarem ao céu. Quantos internautas colocaram o filtro do Face antes dos jogadores morrerem? Quantos foram chapecoenses enquanto a equipe estava brilhando em campo? Me digam quantos que eu excluo esse texto!

Hoje em dia? Dias e dias de coberturas, homenagens, reconhecimentos à equipe. Será que é válida essa solidariedade ainda que tardia? Sim! É aquela palavra bíblica né?! "Chorar com os que choram e sorrir com os que sorriem". E o acidente com o avião da equipe do Chapecó e os jornalistas foi uma situação de choro. Mas que tal nos unirmos em solidariedade em outros momentos, que podem ser pequenos, de alegrias, em que os heróis não estão mortos, de tragédias em vida, e que não há uma comoção nacional? Você pode demonstrar solidariedade para uma pessoa que respira e viva, como a Thalita Moreira pode relatar no dia 25 de abril de 2013. Muitas vezes, quem precisa de uma atitude solidária é seu vizinho e você não está nem aí pra ele. J-J


Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As cerimônias de abertura: Pan de 2007 foi melhor que Olimpíada de 2016

Cerimônia de abertura do Pan de 2007 foi mais digna que Olimpíada de 2016 | TV Globo/ OTI


Caros leitores, é lógico que a última cerimônia de abertura foi bonitinha e encantou os olhos de muita gente, mas esta não me enganou porque vi muita coisa ruim. A festa foi mais uma peça de propaganda ideológica do que um espetáculo em que o país anfitrião mostra o melhor de sua nação perante a comunidade internacional. Ao assistir aquelas quatro horas de celebrações me lembrei rapidamente da cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007 na mesma cidade do Rio de Janeiro - festa na qual foi muito mais brasileiríssima do que a ridícula de 2016. Com a desculpa de "economia de recursos" e "consciência ambiental", o que se passou no Maracanã foi pequeno demais do que aconteceu nove anos antes.

Em uma parte da cerimônia de 2016, onde se retratou os povos que originaram o Brasil, os italianos, por exemplo, foram esquecidos. Viu-se que a mensagem passada é "ter orgulho" de morar em uma favela do que num local mais digno para os pobres (o culto do pobrismo e do "eu me conformo do que tenho" em vez do "mereço uma vida melhor"). Depois vieram com a história furada do aquecimento global - onde até então se dizia que o Polo Norte derreteria em cinco anos e nada ocorreu - e a tal atenção a "minorias". Enfim, tudo que há nas pradarias da hipocrisia.

Quem não dormiu no ponto em perceber essa e outras bizarrices além de mim, foi o professor Olavo de Carvalho ao desmascarar o diretor Fernando Meirelles ao publicar este tweet em rede social:

"Bolsanaro [sic] vai odiar a cerimônia. Trump também. Pelo menos nisso acertamos. A cerimônia de hoje terá índios, empoderamento dos negros e das mulheres, transgêneros e um alerta contra os riscos do uso de petróleio [sic]".


Em seu texto chamado A apoteose do fingimento histérico, Olavo de Carvalho destrincha essa e outras bobagens do que se viu naquele último dia 05 (com grifos):

"[...] a classe dominante rouba as palavras do povo para condená-lo e intimidá-lo como se ele fosse ela, e ela o povo. Intelectuais, artistas, jornalistas e publicitários pagos generosamente pela elite governante bilionária fazem-se de defensores da população ludibriada para poder continuar a ludibriá-la e a acumular poder e dinheiro sob os pretextos mais sedutores e hipnoticamente populistas que uma mendacidade ilimitadamente inventiva já logrou conceber.[...]"


Olha o grau de cinismo: Fernando Meirelles e seus adjacentes, na condução do show de 2016, se viram como os paladinos da verdade contra os malvados da elite como Bolsonaro e Trump ao "sambar na cara da sociedade" índios, negros, gays e etc. Além disso, o diretor diz que tanto um quanto outro que - nas palavras dele - não gostariam da cerimônia porque as pessoas citadas estariam lá. Num país civilizado, Meirelles seria processado por calúnia e difamação. Só falta avisar isso ao Bolsonaro. Eu é que não vou porque não sou babá de ninguém. Mais adiante escreve o professor Olavo (com grifos):

"Mas quem não sabe que, para montar o espetáculo, o sr. Meirelles recebeu 270 milhões de reais de um bilionário esquema público-privado que jamais deu ou daria um tostão a políticos como Trump e Bolsonaro, aos quais odeia tanto quanto o povão os ama? [...] E quem não sabe que os donos do petróleo são ainda os árabes, os maiores assassinos de gays e mulheres que já existiram no mundo, contra os quais o show do sr. Meirelles não ousaria, nem ousou dizer, uma palavrinha incômoda sequer? Em que mundo, em que fração do universo imaginário o sr. Trump fez algum dano a gays e mulheres, que pelo menos fosse comparável ao que essas criaturas sofrem nas mãos dos muçulmanos sob aplausos frenéticos e incondicionais da esquerda internacional à qual o sr. Meirelles indiscutivelmente pertence e à qual mostrou descarada fidelidade por meio do símbolo comunista do punho esquerdo cerrado? E em que planeta do mundo da fantasia o sr. Bolsonaro, um modesto capitão da reserva que jamais foi visto sequer ao lado de um bilionário, faz parte da elite opressora?"


E a cerimônia de abertura do Pan de 2007?

De cima para baixo: a energia do sol, a energia das águas e a energia do homem. TV Globo/ OTI


Essa sim foi a mais brasileira de todas, sem nada a dever a de 2016. Uma mistura de folclore, música popular e erudita, e muita brasilidade. Foi neste show de nove anos atrás que foi apresentada a candidata a trilha sonora dos Jogos Pan-Americanos, confira (de 1:06:25 a 1:08:24):





Foi apresentada também a música tema do Pan de 2007 chamada Viva essa energia, cantada por Ana Costa e Arnaldo Antunes, que contagiou o público presente. A partir deste mote, a parte artística foi divida em três temas: Energia do sol, Energia das águas e Energia do homem. Entre os temas, se ouviu Villa-Lobos (O trenzinho caipira), Tom Jobim (Chovendo na Roseira) e a interpretação de Wave pela cantora Céu. (Veja de 1:12:48 a 1:14:42)

Destaco que na parte Energia do homem, o público ficou ligado durante a apresentação de Adriana Calcanhoto ao cantar a canção Acalanto. (de 1:24:50 a 1:27:49)


A pira Pan-americana: o sol

Joaquim Cruz acenda a pira pan-americana em forma de sol | TV Globo/ OTI


Se tratando de acendimentos de piras, reconheço (e devo sempre reconhecer) que as escolhas foram dignas tanto em 2007 quanto em 2016. No Pan foi o nosso medalhista olímpico Joaquim Cruz. A curiosidade que levanto é que o astro-rei foi o formato escolhido nos dois eventos. A diferença é que a pira de 2007 era maior e girava, enquanto os raios espelhados de 2016 se movimentavam em torno daquele "caldeirão de bruxa prateado".

Quem encerrava os festejos era Daniela Mercury com um pout-pourri das canções brasileiras como Cidade maravilhosa e Aquarela do Brasil, com efetiva participação popular.


Enfim...

...A cerimônia de abertura de 2007 não teve proselitismo de esquerda, decadências culturais e musicais, e muito menos desrespeito com nossas origens. Os artistas do Pan eram conhecidos e respeitados ao contrário de uns e outros de gosto duvidoso. Não vi com bons olhos a abertura de 2016porque o que seria uma festa linda como vitrine brasileira tornou-se um show digno de DCE de universidade federal repleto das piores criaturas eivadas de lá. O máximo que se salva da cerimônia deste ano foi a lembrança do inventor Santos-Dumont, a interpretação respeitosa de Paulinho da Viola do Hino Nacional Brasileiro e a coragem do presidente interino da república, Michel Temer, em declarar os jogos abertos mesmo sob vaias, ao contrário de Lula que sequer abriu a boca. 

Até mais, pessoal! J-J














Por: Pedro Blanche

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Qual o legado que as Olimpíadas Rio 2016 deixará?



Sempre que tem algum evento esportivo ou competição espera-se que se deixe um legado para o país ou cidade onde foi sediado. Mudanças significativas na economia, educação, saúde, turismo, transporte público, é o que eventos de grande porte como uma Olimpíada ou Copa do Mundo pode proporcionar. 

Monumentos, estádios, vilas e ginásios são construídos não só para um evento esportivo, mas para serem vistos como patrimônios e fontes de lucro e renda. O Estádio Nacional de Brasília, por exemplo, foi reformado para sediar alguns jogos da Copa do Mundo 2014. Mais de R$ 1,7 bilhões (ou US$ 550 milhões) foram gastos. O estádio serviu mesmo só para alguns jogos da copa e para as Olimpíadas agora. O restante do tempo, para algum show ou outro de grande porte, ou para ser o palco de "peladas" de times de Brasília. Ele tornou-se, ao meu ver, em um Elefante Branco. Não trouxe legado algum para o Distrito Federal, nem para o país.

Por outro lado, existem obras inacabadas da época da Copa do Mundo, que poderiam deixar algum legado para o Brasil. E outras, ainda, que nem saíram do papel. Você já ouviu falar do Veículo Leve sobre Trilhos (ou VLT), não é mesmo? Creio que só ouviu falar, porque ver que é bom... A obra era pra ficar pronta na Copa do Mundo e prometia melhorar o transporte público de Brasília e ser um referencial de Mobilidade Urbana. O GDF, na época, recebeu R$ 103 milhões para melhorar o Metrô e investir no VLT. Onde está esse dinheiro? Amarrado no rabo do burro. 

Aliás, a leitora Hilsa Camargo, do blog Vida Bonita, ainda espera a Copa de 2014 trazer algum legado para a sua cidade:

"Emerson, engraçado como em eventos maiores sempre vemos muitas coisas inacabadas. Aqui em Pernambuco, desde a copa do mundo de futebol que começaram várias obras para melhoria do transporte coletivo e até agora nada de acabarem... e olha que faz um tempãooooo!"


Antes de prevermos o que as Olimpíadas Rio 2016 deixará como legado, precisamos analisar o que os Jogos Panamericanos 2007 e a Copa do Mundo 2014 nos deixou ou tem deixado. 


Jogos Panamericanos 2007

O legado do Pan do Rio teve mais problemas a mostrar do que benefício. Na época, a construção e reforma dos locais de competições somou R$ 1,07 bilhão e ainda deixou obras inacabadas e desarmonia entre governo municipal, estadual e federal, que ocasionou o atraso de várias obras. 

Um grande caminho teve que ser percorrido para a execução da Copa e das Olimpíadas. O Engenhão - que foi palco do Pan e da Copa e é palco das Olimpíadas - apresentava problemas desde a época do Pan, e não foram resolvidos na Copa. Me parece que se resolveu nas Olimpíadas (Veremos mais a frente). 

Confira como estavam, naquela época, as instalações que foram usadas em 2014 e estão sendo usadas em 2016:



Copa do Mundo 2014

Obras superfaturas, inacabadas, só no papel e corrupção são alguns dos cenários que podem ser traçados dessa copa, que foi conhecida como Copa das Copas. Muitos falam que essa copa deixou um legado para o turismo, mobilidade urbana, educação, transporte público e segurança. Para mim, isso é mais um legado imaginário, do que real. Vamos aos fatos.

O estádio Engenhão, que iria receber os jogos, apresentou problemas estruturais na cobertura, sistema elétrico deficiente, parte hidráulica enferrujada, equipamentos eletrônicos de baixa qualidade e argamassa ruim, como bem mostrou Allan Virissimo na época. (O mesmo estádio do Pan!)

Deterioração da parte metálica do Engenhão em 2013.


Agora, durante as Olimpíadas 2016 - para sediar competições de futebol e atletismo - investiu-se R$ 115 milhões em melhorias na pista e no novo sistema de cronômetro. Que legado os eventos esportivos anteriores deixaram, já que foi necessário todos esses reparos?


Elefantes Brancos e abandono

O legado que uma competição como as Olimpíadas Rio 2016 trará no futuro pode ser ameaçado por causa do descaso e abandono de ginásios, monumentos, estádios e vilas. Não me espantaria ver o Engenhão daqui um ano totalmente destruído. É preciso colocar os pés no chão, para não se gastar rios de dinheiro com obras inúteis, que podem se tornar Elefantes Brancos ou serem, simplesmente, abandonadas.


A rádio pública NPR (EUA) diz o seguinte:

“O estádio mais caro da Copa do Mundo – localizado na capital, Brasília, e com uma etiqueta de US$ 550 milhões – está sendo usado como estacionamento de ônibus.''


Já a Fox News (EUA) fala que:

“Os estádios da Copa do Mundo no Brasil estão sendo usados para festas infantis, como estacionamento de ônibus e abrigo de invasores sem teto''.


O site Hypeness - de criatividade e notícias em comunicação - mostrou uma série de fotos (SURPREENDENTES) de vilas e estádios de Olimpíadas abandonados após as competições. Veja algumas dessas imagens:


1 e 2- Pista de Bobsleigh que foi cenário dos Jogos de Inverno de 1984. Uma área da pista é para ciclistas e skatistas, a outra está em total abandono.
3- Vila Olímpica dos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
4- Vila Olímpíca dos Jogos de Atenas de 2004.
5- Centro de Vôlei de Praia dos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.
6- Complexo Esportivo dos Jogos Olímpicos de Saravejo de 1984.


O meu medo é que construções tão suntuosas dessas Olimpíadas se transformem nesses cenários retratados acima.


O que esperar das Olimpíadas Rio 2016?

De acordo com o site Rio 2016, espera-se que essas Olimpíadas vá além dos esportes e traga legados para todo o país:

"Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 vão muito além do esporte. O evento vai deixar um legado não só para o Rio de Janeiro, mas para todo o Brasil, em diversas áreas – incluindo educação, cultura e sustentabilidade".


No site linkado acima, você pode conferir o detalhamento de todo esse legado.

No meu texto O peso da balança das Olimpíadas de 2016, publicado em julho de 2012, faço um apanhado dos pontos negativos e positivos das Olimpíadas. Nesse segundo ponto, falei o seguinte:

 "Em níveis econômicos e turísticos, as Olimpíadas proporcionarão investimentos de peso, o que fará com que o país seja reconhecido pelas tecnologias investidas. Falaremos de independência atrelada a uma série de fatores, como tecnologia, turismo e economia".


O G1, por sua vez, listou as obras que ficarão de herança para a cidade do Rio de Janeiro e para todo o país. O site criou um interessante infográfico que situa e lista as obras que tangem respeito a mobilidade, infraestrutura, legado esportivo e meio ambiente em todo o território do Rio de Janeiro:


















Vale a pena conferirmos essas obras e como elas estarão daqui a alguns anos. J-J


Pra você, as Olimpíadas Rio 2016 deixará algum legado?




Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

As polêmicas da Vila Olímpica

 

A Vila Olímpica (ou Vila dos Atletas) é o ambiente que a cidade responsável pelas Olimpíadas cria e constrói para abrigar os esportistas. O valor de sua construção foi de R$ 2,909 bilhões (financiados pela Caixa Econômica Federal e recursos próprios). 

A Vila Olímpica das Olimpíadas Rio 2016 fica localizada na Barra da Tijuca e conta com 3604 apartamentos, em 31 edifícios, que abrigam 17.950 atletas. Cerca de 18 mil trabalhadores se envolveram na obra.

Muitas polêmicas tem envolvido a Vila Olímpica, como: instalações; romance e sexo entre os atletas; e violações trabalhistas. Discorrerei desses pormenores agora.


Instalações inadequadas

Maquete da Vila Olímpica: tão bonita por fora....


Muitos atletas tem reclamado das instalações da Vila e outros se recusaram a permanecer no local, indo para hotéis de luxo ou transatlântico 6 estrelas. Segundo esses esportistas, os quartos não oferecem conforto, vasos sanitários estão entupidos, instalações inacabadas, e até mesmo fios elétricos expostos.

A delegação da Austrália saiu das instalações e emitiu uma nota que dizia que a Vila "não é segura [...] e nos prédios há cheiro de gás, vazamento de água e defeitos na eletricidade".

Já o australiano Andrew Bogut falou:

"Nós não achamos que a cama seja essencial para dormir. Os atletas podem dormir de pé. [...] Eu vou postar fotos com a hashtag alojamento de luxo. [...] Colocamos juntos uma cortina de chuveiro, então poderemos tomar banho sem inundar o lugar" (Fonte: Ig)


A delegação da Suécia, por sua vez, reclamou da estrutura e sujeira.


Pra não ficar só nas palavras dos atletas, irei mostrar fotos comprometedoras da Vila. Preparem o coração!


Instalações sem acabamentos e fios soltos. I G1


Cadê a mangueira desse registro? I G1


Sujeira por todo lado! I G1



Esquerda: australiano Andrew Bogut improvisando uma cortina para o box do banheiro para não alagar tudo! Direita: Pia de banheiro quebrada. I G1


É VERGONHOSO para um país passar por isso. Os organizadores tiveram tempo  e dinheiro suficiente desde que souberam em 2011 que o Rio de Janeiro sediaria as Olimpíadas. A Vila foi entregue dia 28 de julho mas com essa série de problemas relatados. A organização do evento se defende dizendo que houve sabotagem e que esses incidentes estão sendo resolvidos.


Defesa


Os problemas de instalações aconteceram principalmente no prédio destinado a delegação da Austrália. Por esse motivo, o Comitê Olímpico Rio 2016 não descarta a possibilidade de sabotagem à Vila:

“Estamos considerando casos isolados, mas não temos provas suficientes para crer que aconteceu uma sabotagem organizada”, Mario Andrada, diretor de comunicação. 


O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que o prédio da delegação australiana era o pior de todos, mas que a situação já estava bem melhor, e que os atletas poderiam retornar às instalações. A chefe da delegação australiana, Kitty Chiller reconheceu as melhorias:

"Teve um fantástico progresso hoje. O trabalho que fizeram foi muito bom".


Mesmo a obra sendo localizada no Rio de Janeiro, o governo carioca não se responsabiliza pelos problemas. O prefeito Eduardo Paes diz que essa responsabilidade é do Comitê Organizador:


"Não é uma área que a gente tenha que cuidar. A prefeitura, há três meses foi entregue a Vila pro Comitê Organizador, fez o check list, estava tudo bem encaminhado e não havia reclamações. Então são ajustes que têm que ser feitos".


Romance e sexo





A fama de azaração e romance em vilas olímpicas não é de hoje. O local é propício para se conhecer pessoas dos mais diferentes países, etnias e aparências. Namoro e sexo são bastante comuns. Uma situação que já tomou proporções mundiais envolveu as brasileiras Giovanna Pedroso e Ingrid Oliveira - esportistas de saltos ornamentais - que brigaram por que Ingrid queria levar um rapaz conhecido como "muso" para o quarto das duas

O Comitê Olímpico Rio 2016 conhece essa tradição e disponibilizou 450 mil camisinhas para os atletas. Essa "festa sem fim" acontece principalmente nas últimas semanas dos jogos, quando as pessoas conhecem umas à outras.



O Tinder, por outro lado, tornou-se o principal aplicativo de pegação entre os atletas. Estima-se que houve um crescimento de 129% de seu uso na Vila Olímpica. Essa ferramenta é uma das mais eficazes e certeiras para quem procura um relacionamento sério ou não. Ele mapeia as pessoas próximas, além de filtrar as características que se procura. Instagram também é um bom meio de azarar aquele(a) esportista que te chamou a atenção. 



O site Hypeness explicou por que o sexo é um dos esportes mais praticados na vila e tem garantido medalha de ouro para ela:

"A explicação para tanta disposição não está somente no encontro de tantos corpos trabalhados enclausurados num mesmo local sob intensa pressão – está também na própria natureza mental e física dos atletas".


Contudo, essa "festa sexual" pode trazer perigos, além da polêmica que já tem trago. É preciso tomar cuidado com assédio, de qual tipo for, e também com estupros gratuitos. 


Violações trabalhistas


Outra polêmica que selecionei é sobre os trabalhadores que construíram a Vila Olímpica. Muitos deles não tiveram uma alimentação e nem jornada de trabalho adequadas. Eles comiam salgadinhos e pães durante o almoço. Alguns tiveram turnos de 23 horas de trabalho! E há indícios que 630 trabalhadores não tinham registro!

A multa, se isso for confirmado, pode chegar até R$ 315 mil. São R$ 500 para cada um dos trabalhadores irregulares.


Essas são só algumas das polêmicas da Vila Olímpica Rio 2016. Deve ter muita coisa que não se sabe ainda por aí... J-J




Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Os anéis olímpicos e suas cores

A bandeira com anéis olímpicos |  Wikipédia em Português (Reprodução)

Serei didático, mas sucinto. Os cinco anéis coloridos fazem parte dos símbolos olímpicos. Mas, e as cores? Por que são anéis? Vamos lá!

Oito anos depois da recriação dos Jogos Olímpicos, Pierre de Frédy, o barão de Coubertin (meu xará!) desenvolveu os cinco aros como emblema oficial que simbolizasse os jogos:

"As seis cores combinadas nesta forma reproduzem as cores de cada país sem exceção. O azul e amarelo da Suécia, o azul e branco da Grécia, as bandeiras tricolores da França, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Hungria, e o vermelho e amarelo  da Espanha estão incluídas, assim como a bandeiras inovadoras do Brasil e da Austrália, e aquelas do antigo Japão e da China moderna. Esta, realmente, é um emblema da organização internacional. Foi feita para ser transformada em uma bandeira, e a aparência da bandeira seria perfeita. É uma luz, uma bandeira atraente, um prazer para ver tremulando ao vento. Seu significado é em grande parte simbólico."


As bandeiras nacionais inspiradoras |  Ilustração: Pedro Blanche


Isto mesmo. Cada cor do anel sintetiza as cores de várias bandeiras. Além disso, pode haver também o significado civilizacional existente no mundo. Os anéis entrelaçados representam a união das nações. Outra corrente aponta que as cinco cores representavam cada continente - no qual o barão jamais cogitava - porém o antigo emblema da Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais (ANOC, em inglês) continha os símbolos das organizações olímpicas continentais.


Antigo emblema da ANOC |  ANOC


Por falar nisso, a cor azul que representaria a Europa foi escolhida para moldar a bandeira da União Europeia:





Aplicações

Rede Globo está permitida de usar os anéis olímpicos |  TV Globo


Não é qualquer um que pode expor os anéis olímpicos. Se tratando de publicidade apenas os apoiadores, parceiros e patrocinadores oficiais podem chegar perto do símbolo. Qualquer coisa fora dos requisitos viola os princípios da proteção de marcas. A rede de televisão SBT, por exemplo, tem um quadro jornalístico chamado Corrida pelo Ouro porque não é permitido o uso das "denominações olímpicas" como Rio 2016.

Até mais, pessoal! J-J



Por: Pedro Blanche
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