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sábado, 14 de julho de 2018

Afinal de contas, por que todo mundo ama o mascote da seleção brasileira - o Canarinho?




O mascote da Seleção Brasileira Canarinho é febre entre internautas e fãs de futebol. A ave amarela, com cara ranzinza e camisa do Brasil tornou-se um dos símbolos da seleção brasiliera mais amado de todos os tempos. 

Desde que o time do Brasil passou a ser conhecido como "seleção Canarinho" na Copa do Mundo de 1954, que ele não tinha um mascote para chamar de seu. Desse modo, já há algum tempo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) idealizava um ícone que expressasse tanto a torcida, como os jogadores e o futebol brasileiro. O animal escolhido foi a ave canarinho e as cores verde e amarelo. 

O mascote foi lançado pela primeira vez em 2014, sendo que ganhou mais força em 2016 e apresentado em 6 de março de 2018, oficialmente. Desde então tem marcado presença em escolas, creches, eventos, treinos e jogos de futebol. Em sua primeira versão (2014), tinha uma expressão mais doce e amável . Em sua segunda (2016), ele apareceu de cara fechada, séria, ranzinza e nervosa - devido ao fatídico 7 a 1, no jogo entre Alemanha e Brasil e os resultados negativos nos seguintes. Parece que essa expressão da ave não mudará tão cedo, já que a seleção brasileira deu adeus ao hexa na semana passada (6). 





A mudança de expressão do Canarinho, de acordo com o diretor Comercial e Marketing Gilberto Ratto, teve como objetivo aproximar o mascote da torcida e do momento desfavorável da seleção brasileira:

“A gente notou que precisava criar uma aproximação maior com a torcida, e então começamos a criar estratégias para aproximá-lo mais da população. Não foi só o mascote que fez parte dessa renovação, tiveram campanhas publicitárias, foi todo um movimento que ajudou o canarinho a se popularizar”.


Com uma expressão centrada, o Canarinho é diferente de outros mascotes sorridentes e amigáveis, e talvez isso permitiu que fizesse sucesso. O ícone tem um andar diferenciado, um jeito zoeiro, uma cara fechada, brinca, se diverte e faz até mesmo embaixadinhas. Entre crianças, até jovens e adultos, todos gostam dele. 





Enfim, o Canarinho tornou-se uma espécie de talismã da Seleção Brasileira, mesmo sendo adiado o título do hexa esse ano. Ações publicitárias e novos produtos licenciados serão criados. 




Conceito do Canarinho


A primeira versão do mascote tinha uma expressão branda e divertida, não emplacou. Já a segunda, irritada e nervosa. Esta sim fez sucesso. Apesar da palavra "canarinho" expressar doçura, calmaria e alegria, o ícone da seleção brasileira não tem isso em seu rosto. O principal conceito do mascote é descrever o torcedor brasileiro, apresentando concentração, foco e empenho - também verificados dentro de campo. Confira um vídeo divulgado pela CBF:






A CBF criou uma versão sorridente com a justificativa que o mascote tem seus momentos de "mal e bom humor" e também porque o Canarinho com rosto enfezado "assusta as crianças". Contudo, o que percebi é que todos adoram o "Canarinho Bolado", "Canarinho Putaço", "Canarinho enfezado" ou seu melhor nome: "Canarinho Pistola"



Canarinho ou Canarinho Pistola?


Um movimento na internet batizou o mascote da seleção brasileira de Canarinho Pistola, não aprovado pela CBF que achou inapropriado por trazer uma arma de fogo no nome. No início da transmissão da Copa do Mundo a Rede Globo o chamava de Canarinho PISTOLA, mas voltou atrás e o chama agora apenas de Canarinho. O que gerou discordância da parte até mesmo da apresentadora Ana Maria Braga

O fato é que este último nome traz uma certa identidade ao mascote, enquanto aquele é bonito, mas simples e comum. Contudo, preciso deixar claro que o nome oficial é Canarinho (por isso que o chamo assim nesse post) e que ele é chamado de Canarinho Pistola somente nas redes sociais. 

Com tanta confusão no batismo do nome, já parou pra pensar de onde surgiu a expressão "canarinho" e "seleção canarinho"?



A origem da Seleção Canarinho




Até a Copa de 1950, as cores do uniforme do Brasil eram branco (camisa) e azul (gola). A partir de 1953, a CBF resolveu mudá-las por meio de um concurso, em que se exigia que o novo manto tivesse as quatro cores da bandeira nacional. O vencedor foi Aldyr Garcia Schlee, que criou um uniforme com a camisa amarelo-canário (cor em alusão à ave) e detalhes verdes e o calção azul. A seleção estrearia com a vestimenta na Copa do Mundo da Suíça, em 1954. Desde então passaria a usar esse tradicional uniforme e seria chamada de Seleção Canarinho, apelido dado pelo então radialista Geraldo José de Almeida.   





Seleção Canarinho foi um apelido abraçado pela torcida e utilizado até os dias de hoje. A partir disso, o mascote mais querido de todos os tempos surgiu e se popularizou. 



Popularização


Canarinho é um mascote midiático e que ganhou as redes sociais. Páginas e perfis no Twitter (não-oficiais) foram criados com memes, montagens, imagens, frases e citações sobre o futebol sério e que dá gosto de ver e jogar: o futebol-raiz

O mascote popularizou-se porque representa a sociedade em muitas esferas, seja na política, relacionamentos ou redes sociais. Vez ou outra, o Canarinho pode ser comparado à expressões de mimizentos e haters nas redes sociais, mal educados que não dão bom dia na rua ou pessoas com alguma chateação. Enfim, o Canarinho não só representa um ícone do futebol, mas vai além






Produtos licenciados do Canarinho






A CBF aproveitou a popularização do Canarinho, para criar produtos e possibilitar suas vendas. Dois canarinhos - um sorridente e o de cara enfezada - já entraram no catálogo de vendas, sendo que o segundo tornou-se mais vendido e aceito pelo público. 

A ideia é que a lista de produtos licenciados aumente mesmo com a derrota do Brasil na Copa da Rússia. De acordo com Gilberto Ratto, mais de 20 produtos - como copos, canecas, capas para celular, versões em outros tamanhos do mascote e uma Minicraque -  serão criados e confeccionados e vendidos na loja virtual, já ativa, Meu Canarinho


Acredito que o sucesso do Canarinho deve-se por conta de sua autenticidade. Com isso, novos produtos, memes e frases ainda podem ser criados, pois é um mascote popular e conhecido nacional e internacionalmente. J-J


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 10 de julho de 2018

"Olha o retângulo imaginário!": Árbitro de Vídeo (VAR), tecnologias do futebol e polêmicas



Você sabe o que é Árbitro de Vídeo? Quando ele pode ser recorrido? A nova tecnologia de arbitragem do futebol está sendo testada desde 2016 e foi utilizada pela primeira vez na Copa do Mundo da Rússia no início do mês passado (junho). O árbitro de vídeo tem a função de orientar e auxiliar o árbitro e o bandeirinha em campo, além de rechecar e analisar lances que geram dúvidas e polêmicas.

A sigla de árbitro de vídeo é formada por três letras: VAR (Video Assistant Referee, árbitro assistente de vídeo). Como o próprio nome sugere, o VAR assiste ao jogo em questão por uma tela, além de trabalhar em conjunto com o árbitro e o bandeirinha. A comunicação é realizada por meio de um ponto eletrônico localizado no ouvido do árbitro. Agora, além do apito, este tem mais um objeto que o define. 

Ao futebol novos fatores e ferramentas são adicionados. O árbitro e os bandeirinhas não trabalham mais sozinhos, mas há toda uma equipe que os auxilia por meio da tecnologia. Cada um desses trabalhadores (árbitro, bandeirinha, árbitro de vídeo e seus assistentes - falarei em detalhes mais à frente) possuem uma função importante e primordial para que nenhum lance se perca ou passe despercebido e que as regras do futebol - o esporte tradicional e famoso que conhecemos - sejam aplicadas de forma correta e justa. É assim que o site Tecnoblog reiterou:

"Com todo esse equipamento, a FIFA espera que a Copa do Mundo de 2018 possa 'oferecer justiça' dentro de campo."


Esta nova tecnologia do futebol foi trabalhada em um projeto visual do artista Ben Feanrley (já falado aqui) chamado de Office Table Football (Futebol de mesa de escritório, em português), em que correlaciona personagens importantes em campo (juiz e bandeirinhas), com os árbitros de vídeo.





Este projeto também foi apresentado em curta-animação. Assista:







Quem tem acompanhado esta Copa percebeu que não é a tecnologia que sanaria problemas, dúvidas e polêmicas. Pelo contrário, por mais que esta seja avançada não extermina ou minimiza essas questões. Afinal, a tecnologia é controlada por seres humanos, dotados de falhas e pontos de vistas. 

O post de hoje terá o intuito de discorrer sobre os seguintes pontos: Como funciona o árbitro de vídeo?; Em que situações pode ser utilizado?; Tecnologias do VAR; e polêmicas do VAR.

    

Como funciona o VAR?








Pelo menos dois ambientes contam com a tecnologia do VAR. O primeiro, uma cabine na lateral esquerda do campo de futebol que contém uma tela que capta todos os lances do jogo. O segundo, uma sala conhecida como Sala de Operação de Vídeo (VOR) localizada no Centro Internacional de Transmissão, em Moscou. 

Esta última é a Central de Comando dos VAR, onde quatro árbitros de vídeo assistem e monitoram cada partida. A equipe é liderada por um VAR e seus três assistentes, conhecidos como: AVAR1, AVAR2 e AVAR3

Na mesma sala também se encontram quatro operadores de replay que cortam e selecionam ângulos captados pelas câmeras dos estádios à cada lance (Falarei dessa e de outras tecnologias no próximo tópico) e os fornecem já editados ao VAR e seus assistentes.






Com relação aos operadores de replay, há outra subdivisão de trabalho: dois selecionam os melhores ângulos e os outros dois reúnem imagens das análises para divulgá-las no site e no aplicativo da Fifa após o jogo. É, meus amigos! Quem diria que nos bastidores do trabalho do árbitro de vídeo, tem uma equipe de edição de vídeo?!

A comunicação entre o árbitro de campo e o VAR é toda realizada por meio de um ponto eletrônico. Sempre que julgar necessário, o VAR analisa e questiona as decisões do juiz sobre o jogo. Além dessa comunicação, o juiz em campo pode solicitar ajuda do árbitro de vídeo em lances capitais da partida (Falarei no tópico Situações).







Somente quando um lance de pênalti, de cartão vermelho gera dúvida ou está em processo de revisão ou para identificar algum jogador que o árbitro de campo pode se dirigir até à cabine na lateral do gramado e rever os lances em uma tela. Neste caso, ele faz um sinal visual, um "retângulo imaginário". Este sinal é um novo recurso/sinal/ícone do futebol que deverá ser utilizado em partidas de futebol daqui para frente. 






Tecnologias 



































A cada época, o futebol torna-se mais arrojado e tecnológico. Diversas câmeras que filmam em super-slow-motion, ultra slow-motion e ultra high-definition (UHD) são alocadas ao redor do campo de futebol. Algumas paralelamente às outras, já outras transversais, além das câmeras aéreas. As câmeras do árbitro de vídeo, conhecidas como VAR Offside, estão posicionadas estrategicamente: nas laterais, atrás da trave de gol e até mesmo no estádio. 

Tecnologias como rede de fibra ótica, de Linhas de gols, Linha de Impedimento Virtual e relógios digitais tem sido empregadas para um melhoramento da arbitragem e da aplicação de regras do futebol. Conheça-as: 




Rede de fibra ótica


Todo o aparato de câmeras e de redes é de fibra ótica, o que facilita o transporte das imagens captadas diretamente para o Centro de Transmissão (CT) em tempo real. 

A fibra ótica eleva o nível de transmissão de sinais, dados, voz e vídeo e por isso foi escolhida. Entre suas vantagens de acordo com o ADSL Fibra estão: maior capacidade de transmissão, menor degradação do sinal, sinais luminosos, menor consumo de energia e sinais digitais. 


Super Slow-Motion e Ultra Slow-Motion


Ao redor do campo de futebol, dez câmeras gravam utilizando esses recursos: 8 em Super Slow-Motion e 2 em Ultra Slow-Motion. Localizadas estrategicamente, captam e enviam as imagens para o CT.

Câmeras que gravam super lenta e ultra lentamente tem o intuito de diminuir a velocidade de lances importantes e que geram dúvidas. Se o Slow-Motion já produz imagens lentas, imagina o SUPER e o ULTRA Slow-Motion? Confira a diferença dos três por meio de vídeos: 


Slow-Motion







Super Slow-Motion








Ultra-Slow Motion







Linha de Impedimento Virtual



Talvez você já tenha visto em algum jogo uma linha amarela que perpassa de uma ponta à outra perto do gol para sanar a dúvida se houve ou não impedimento. Com a Copa da Rússia, essa tecnologia torna-se mais efetiva, ao disponibilizar duas câmeras especiais que operam de forma sincronizada e transmitem as informações para um programa de computador que projeta uma linha virtual sobre a imagem do campo. Como ilustrado na imagem abaixo:









O posicionamento das câmeras e das linhas virtuais é calibrado antes de cada partida, levando em conta as dimensões e condições exatas do campo e do estádio no dia do jogo com o auxílio de marcadores no gramado e um software de mapeamento 3D. Precisão e acuidade são primordiais.



Tecnologia de Linha de Gol







Sete câmeras são posicionadas ao redor das duas metas do campo, a fim de observar, de forma atenta, se a bola cruza, ou não, a linha de fundo por completo. Há um conjunto de cabos abaixo do gol e sob a grama que acompanham isso. Também foi incluído um chip que filma com a tecnologia 4K dentro da bola, que sinaliza quando existem distorções no campo magnético. 

É um software que faz os trabalhos decisivos, ao cruzar informações e concluir, em segundos, se a bola cruzou totalmente a linha de fundo do gol ou não. O árbitro de campo pode pedir auxílio ao VAR nessa situação. Veja como funciona:









Relógio digital







Um relógio no pulso do árbitro de campo também o auxilia a perceber quando foi gol ou não, já que ele vibra em seu pulso sempre que é gol, assim como o relógio digital conectado na cabine dos assistentes de vídeo. 




Situações em que se pode utilizar o VAR



Não são em todas as situações que o árbitro de campo pode pedir auxílio ao VAR. Existem casos específicos. Por exemplo, o juiz só pode utilizá-lo em lances capitais da partida, são eles: em caso de gols, pênaltis, cartões vermelhos e erro de identidade de jogadores. Veja a imagem divulgada pelo site El Pais





Por sua vez, o VAR só pode interferir em campo quando perceber que houveram situações de erros "claros e óbvios" que foram mal arbitrados pelo juiz ou que passaram despercebidos por ele. 


Polêmicas


O VAR é uma tecnologia de ponta, assim como a rede de fibra ótica, Linhas de gols, Linha de Impedimento Virtual e os relógios digitais. Contudo, mesmo com esses aparatos as polêmicas não deixam de existir. Por que para certos lances utiliza-se o VAR e em outros, que claramente o recurso deveria ser utilizado, não?

As respostas para essas perguntas podem ser respondidas nas subjetividades dos árbitros de campo e de vídeo e dos bandeirinhas, nos pontos de vistas diferenciados e nos olhares próprios e únicos. Ninguém tem um ponto de vista igual ao do outro. Somos seres únicos e autorais.

Por outro lado, tecnologia alguma é controlada sozinha, mas por seres humanos, muitas vezes frágeis, falhos e subjetivos. A tecnologia, por si mesma, é fria e objetiva, mas ela é operada por pessoas de carne e osso. Por mais que sejam avançadas, ainda não percebo o momento em que elas substituirão o homem.

É por isso que até hoje o lance que antecedeu o gol da Suíça sob o Brasil no dia 17 de junho tem sido questionado. Será que o gol de Steven Zuber foi mesmo válido, uma vez que instantes antes ele empurrou o zagueiro Miranda? O VAR responderia essa pergunta, mas o juiz não percebeu a atitude, muito menos quis olhar para o telão do estádio. 





Um outro lance que gerou bastante discussão foi o que envolveu o jogador brasileiro Gabriel Jesus e o suíço Manuel Arcanjo, onde este último agarrou aquele, que caiu na área do gol. Seria pênalti para o Brasil?






O VAR e as tecnologias abordadas são excelentes se utilizados da forma correta e no momento oportuno. Contudo, pelo que temos percebido, eles geram injustiças e polêmicas, não por serem aparatos viciados e com fraudes, mas porque são operados por pessoas com subjetividades e pontos de vistas, que podem agir de forma irresponsável, parcial e injusta, dependendo do caso. 

Finalizo o post de hoje com a incrível crônica do escritor Gabriel Galo A evolução do árbitro de vídeo, publicada no dia 18 de junho desse ano:


"Onde o futebol vai parar? Gabriel Galo 'responde'

Arnaldo chegou ao estádio com seu amigo, o Alfredo. Era a primeira vez que Alfredo ia a um jogo ao vivo depois de muitos anos ausente. Sequer se interessava pelo esporte. A Copa de 2026, no entanto, fez com que ele quisesse voltar a acompanhar o ludopédio. Olhava espantado para as instalações novas da moderna arena, o estádio gourmetizado, cheirando a coisa de agora, que acabou de sair do plástico. “Vai começar!”, falou Arnaldo, puxando Alfredo pelo braço. Tomaram assento nas confortáveis cadeiras com visão total do gramado.

– Ué? Cadê o trio de arbitragem? – perguntou Alfredo. Apenas um senhor vestido de amarelo entrava em campo com a bola do jogo.

– Ih, Alfredo, bandeirinha não existe mais. Instalaram sensores nas pontas do gramado que indicam quando a bola sair.

– E se tiver dúvida de quem tocou por último?

– Mas nem tem mais como ter dúvida. Fica um grupo numa salinha vendo tudo. A cada lance, apita no relógio do árbitro de quem é a bola.

– Ah…

– Pois é, modernidade.

– E impedimento, como faz?

– Ué, a mesma coisa. O tal do árbitro de vídeo já manda o aviso pro juiz na hora.

– E se ele apitar antes?

– Mas aí o árbitro pode até ser suspenso! A regra nova é deixar o jogo correr, só pode apitar quando o árbitro de vídeo mandar.

– Ah…

– Pois é, modernidade.

– E quando é falta?

– Aí depende. Se for falta besta, assim, o juiz pode até marcar, mas não pode comprometer.

– E o que aconteceu com os bandeirinhas?

– Perderam o emprego. No começo o sindicato bateu em cima, mas não teve jeito. Tem pouco bandeirinha no mundo, coisa de negociação aí, barganha, essas coisas.

– Coitados…

– Ih, rapaz, mas melhorou muito. Tem mais erro quase nenhum. Pior foram essas mesas redondas, sabe? O povo que ficava três horas brigando “foi pênalti!”, “não foi!”, e tal, foi tudo mandado embora.

– Mas esses não fazem falta…

– Não.

– E, pênalti, expulsão, essas coisas?

– Rapaz, me escute, preste atenção. Eu já te falei. Só pode apitar quando o árbitro de vídeo mandar!

– E como é isso?

– É assim. Depois da Copa  de 2018, aquele monte de pênalti apitado, expulsão e tal, os árbitros de futebol começaram a não apitar mais nada. Sabe como é? Se tinham dúvida, faziam era nada, nem esboçavam reação, ficavam esperando o tal do árbitro de vídeo dizer o qual é que era. Daí esse negócio foi ficando cada vez mais sério.

– E pra que tem um árbitro lá no campo? Por que não tira todo mundo?

– Rapaz, tentaram, mas não deu certo. Primeiro que você nem precisa ser muito bom, sabe? Qualquer um faz um curso aí, rapidinho. Só tem que apitar rápido quando mandarem.

– E por que não deu certo?

– Xi, foi uma choradeira danada. O jogo virava uma briga, povo se pegando de murro, um horror. Entrou até psicólogo na parada. Fizeram uma junta para entender o que estava acontecendo. Daí definiram que precisava de uma figura de autoridade em campo. Só assim jogador de futebol respeita.

– Autoridade? Mas pelo que você está falando, o árbitro não precisa fazer mais é nada!

– Outra melhoria, inclusive. Antes queria ser árbitro aquele bicho meio maluco que tinha problemas de autocontrole, cheio de síndrome de pequeno poder. Agora acabou isso aí. Quem ganha mesmo é o tal do árbitro de vídeo. Profissionalizaram a profissão e tudo o mais. Ganham até ticket refeição e plano de saúde.

– E se o árbitro se revoltar e começar as coisas do jeito dele?

– Um só fez isso. Saiu de campo contundido com cinco minutos de jogo. Esse povo da teoria da conspiração falou que o relógio dá uns choques que paralisam o insurgente. Mas eu não acredito nisso não. Depois, nunca mais.

– Ah…

– Pois é, modernidade.

– Mas os jogadores não podem ter nada disso, né?

– Não! Mas algumas equipes estão testando o técnico de vídeo.

– Oxe!

– Pois é. Salvou até o Vitória de um rebaixamento aí um ano desses!

- Que tecnologia!


– Pois é, modernidade."


Até mais! J-J




Por: Emerson Garcia

terça-feira, 19 de junho de 2018

21 cartazes das Copas do Mundo



Chegamos ao último post da Semana da Copa. Para finalizá-la apresento 21 cartazes de todas os eventos do mundial. Os posteres/cartazes são usados para divulgação desde o início da Copa do Mundo em 1930, no Uruguai. As Copas do Mundo de 1942 e 1946 foram suspensas devido à Segunda Guerra Mundial e, com isso, não tiveram cartazes também. As primeiras logos foram usadas a partir de 1954 e 1962, nas Copas da Suíça e Chile, respectivamente. 

Os posteres e cartazes não são apenas divulgação, mas obras artísticas e de design que precisam ser observadas e apreciadas. Por isso, irei comentar os 21 cartazes a partir de um ponto de vista próprio, analisando seus elementos, cores, estéticas da época, relação com o país sede do mundial, beleza, relevância e até que ponto podem, ou não, serem lembrados. 

Vamos lá?!



1- Uruguai (1930)



O primeiro cartaz a gente não esquece! Ele fora muito bem construído espacialmente com traços e figuras geométricas. O goleiro ocupa de forma assertiva o retângulo maior. Acredito que estudou-se proporção para criar esse poster. As fontes, por sua vez, dão um ar inovador e vanguardista para a época e me lembra os cartazes da Semana da Arte Moderna




2- Itália (1934)



O jogador foi concebido a partir de uma tecnologia avançada para a época. Embora o 3D atualmente esteja mais avançado, aqui ele aparece de forma interessante. O fundo claro do cartaz contrasta com as outras cores. Aproveitou-se bem os espaços e não há poluição escrita ou visual. 




3- França (1938)



A imagem do jogador com a bola, em cima do globo terrestre é simétrica e verticalizada. A predominância são cores escuras e terrosas, como marrom e amarelo queimado. O verde de "Coupe du Monde" contrasta com o marrom. Os dois posteres anteriores são mais bonitos que esse, em minha opinião. 




4- Brasil (1950)



Até aqui, uma bola de couro fez parte de todos os posteres. Esta que era um símbolo do futebol da época e que passou por várias repaginadas. Neste poster ela aparece de forma imponente e em maior tamanho, no pé de um jogador com uma meia com os países competidores daquele mundial. 



5- Suíça (1954)



O segundo poster que apresenta um goleiro. Neste cartaz a bola ganha mais ênfase, enquanto o goleiro se dispõe na vertical. Em minha opinião este é um dos cartazes mais feios, por não haver um cuidado artístico, muito menos o destaque da cultura e simbologia suíças. 




6- Suécia (1958)



Não gosto de imagens com letras pretas e fundo amarelo e vice-e-versa por achar feio e com um ar de "sujo". A imagem do jogador e da bola de futebol foram bem colocadas na arte. O jogador de futebol está na parte inferior e a bola na superior e, proporcionalmente falando, há diferenças entre eles. Achei interessante a faixa com as seleções competidoras que, inclusive, tem a bandeira da Fifa também. 





7- Chile (1962)



Até agora, este é o cartaz mais minimalista e simples já apresentado. O azul piscina predomina em comparação com o branco, que aparece apenas em palavras na base da imagem. Em minha opinião não houve um compromisso com esse cartaz. Tudo foi jogado ao acaso: "Ah, vamos colocar um fundo azul e colocar uma bola grande em um globo terrestre também grande e está bom". Não gostei do resultado final. 




8- Inglaterra (1966)



O primeiro, desde 1930, a trazer o mascote em um cartaz e o único - já que nos próximos também não estão presentes. Há uma distância muito grande entre o Willie e a bola de futebol, o que não ficou interessante ao meu ver, pois há muito espaço azul, o que me incomodou. A repetição de "World Cup" por duas vezes (Na roupa do leão e no topo do cartaz) tornou-o pouco interessante. O que gostei de relevante foi o mascote e a logo no cartaz, mas eles deveriam estar melhor alocados.    




9- México (1970)



Um dos melhores cartazes até agora. Apenas trocaria esse rosa choque "Mamãe sou gay" por um degradê (Não sei se tinha isso na época, maaas...) das cores verde, branco e vermelho da bandeira do México. No mais, gostei da fonte de "Mexico 70" e da contabilização da edição do Mundial logo abaixo. Seria interessante que adotasse em todos os cartazes o lugar e o ano que acontece a Copa, por exemplo: Rússia 18, Brasil 14, Coreia do Sul/Japão 02 e França 98



10- Alemanha (1974)



Neste cartaz utilizou-se a pintura. Gostei muito do desenho do jogador, sob um fundo mais escuro e marrom (Deu maior destaque). O poster apresenta frases em três línguas - inglês, português e francês - o que demonstra a globalização do evento. No canto superior esquerdo há a logomarca que aparece pela segunda vez depois do cartaz da Inglaterra em 1966. Só tenho uma ressalva: as informações de data e os estádios poderiam estar em uma fonte maior. 




11- Argentina (1978)




O cartaz traz as cores azul e branco do país em maior destaque e as informações todas à esquerda, o que deu respiro e descanso para o desenho principal. Este possui vários pontinhos e círculos. Na parte lateral, os designers repetiram várias ações, como: trazer o nome do país e o ano; colocar a logo do evento, entre outros. 




12- Espanha (1982)



De novo a arte aparece em foco. Criado por Picasso, é um dos melhores cartazes ao trazer a arte modernista e cubista, com um jogador que chuta uma bola para o gol (Não parece, mas é exatamente isso, acredite!). Na parte superior, há a palavra "España" e na inferior "82" todas estilizadas artisticamente. Optou-se por colocar todas as palavras em espanhol nesse cartaz. Ele também traz a logo do evento. 




13- México (1986)



Dessa vez o México apresentou sua cultura no banner, ao trazer a sombra de um jogador cabeludo em um dos monumentos mais conhecidos do país. A bola é realística e a fonte possui semelhanças com a utilizada na Copa de 1970.




14- Itália (1990)



Um cartaz que misturou o antigo e o moderno. Seu criador, Alberto Burri, editou uma fotografia do Coliseu em preto e branco e inseriu em seu interior um campo de futebol com as bandeiras dos países participantes daquela Copa. O resultado é como se o coliseu fosse, verdadeiramente, um estádio de futebol. Bonito, né?!





15- Estados Unidos (1994)



Os designers utilizaram as cores da bandeira americana (branco, azul e vermelho) para criarem o poster desta Copa. Com bolas de gomos vermelhos formou-se os algarismos "9" e "4". Abaixo dos números há um mapa do país americano, onde bolas são ligadas por traços nos estados onde houveram os jogos. A fonte escolhida relembra as inscrições de bares do Velho Oeste americano. 




16- França (1998)



Mais uma vez a pintura é utilizada na criação de um poster. Ele retrata um estádio futebol, com a vibração da torcida, jogadores em campo, juiz etc. Cheio de formas geométricas - retângulos, traços e linhas - lembra bastante os retângulos da bandeira francesa. As cores branco, azul e vermelha aparecem na base do cartaz de forma discreta mas em alusão à bandeira. O idioma do banner é todo em francês. 




17- Coreia do Sul e Japão (2002)




Mais uma vez a pintura e arte são retratadas em um banner. Ele contém a logo na parte superior direita e as informações do evento na parte oposta. A escolha da fonte e cor dão clareza e tiram todas as dúvidas. No centro do desenho, o desenho minimalista da Taça Fifa é repetido. Discretamente, as cores dos países-sede estão representadas: vermelho, azul e branco. 




18- Alemanha (2006)




Pela primeira vez na história, um poster foi escolhido com a ajuda do público. Eles votaram no cartaz que mais os agradava em um concurso por telefone. Foram quase 50 mil ligações e mensagens de texto em cinco dias de competição, até que este foi escolhido. Revelado em Stuttgart, Alemanha, o cartaz é ilustrado com estrelas em um céu que formam uma bola de futebol. O tom azul é elegante e bonito e as palavras escritas em branco trouxeram conforto e tranquilidade. A ideia foi totalmente inovadora e com certo simbolismo. Talvez seja um dos posteres mais subjetivos e fantasiosos de todos os apresentados. 




19- África do Sul



O cartaz não representa apenas a África do Sul, mas todo o continente africano - que pela primeira vez teve uma copa sediada. É um poster muito bem construído, em que o rosto de um africano forma a África e encabeça uma bola de futebol - a Jabulani. Composto pelas cores marrom, vermelho, verde, amarelo e preto, representa não só as cores da África do Sul, mas de outras africanas. Na parte inferior direita há a logo em forma de selo. 



20- Brasil



Com uma logo e mascote criticados, o poster da Copa no Brasil se redimiu um pouco. Ele ilustra dois jogadores de futebol que chutam uma bola e que formam o desenho do mapa brasileiro. Há vários degradês entre as cores verde, azul e amarelo e o vermelho, sem explicação (aliás serviu como um degradê passando do laranja até chegar no amarelo de novo), lembram a cor da nossa bandeira. Há estampados em desenhos o carnaval, fauna, flora, calçada de Copacabana que são clichês da nação que dificilmente um estrangeiro desconheça. Na parte superior direita há a logo do evento e mais abaixo os patrocinadores - que pela primeira vez são apresentados em um banner. 



21- Rússia



Um cartaz retrô que muito me agrada. Nele está estampado o ex-goleiro russo Lev Yashin que continua a ser o único da história a ganhar uma Bola de Ouro como o melhor do mundo. 


Lev Yashin, considerado o maior goleiro de todos os tempos. O único goleiro a receber a Bola de Ouro. I Internet



O poster tem inspirações do Construtivismo Russo, ao apresentar formas geométricas como círculos, linhas e retângulos. Ele lembra bastante cartazes antigos de propaganda política soviética, mas sem cores fortes e intensas como o vermelho. Aliás, o verde, laranja e amarelo claro trouxeram mais leveza e alegria. 


Cartaz Soviético. I Internet 



Lev agarra uma bola antiga que tem o mapa da Rússia estampado. Esta parece "soltar raios", lembrando o Sputnik, o primeiro satélite criado por um russo. 


Sputnik sendo lançado. I Internet



O cartaz mistura conceitos antigos e retrôs com tecnologia russa (soviética) e design atuais, mas sem levar isso para o campo político. Ele é todo escrito em russo e traz a logo do evento no canto inferior direito. 

Este banner lembra muito o primeiro da Copa no Uruguai, há 88 anos, por trazer também um goleiro e ser construído quase na mesma posição. As cores usadas entre ambos também são parecidas e semelhantes. Veja e compare:






Confira a incrível concepção e apresentação do cartaz russo, em um vídeo divulgado pela Fifa:







OBS.: Pela segunda vez em um banner (Depois do do Brasil) são apresentados os patrocinadores do evento na parte inferior. Acredito que esta será uma tendência nos próximos cartazes. 



Gostaram dos cartazes? Qual(is) o(s) seu(s) preferido(s)? Chegamos ao fim da Semana da Copa. Agradeço a participação, interação e comentários de cada um. Com certeza foi uma Semana marcante. No decorrer da Copa outros posts podem ser criados e postados, dependendo da importância ou criatividade dos temas. Até mais! J-J

























Por: Emerson Garcia
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