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quarta-feira, 20 de março de 2019

Registrado nº5: Vídeo Show - um programa da Globo sobre a Globo



A pauta do quadro de hoje! I Internet


Com 35 anos no ar o Vídeo Show chegou ao fim no dia 11 de janeiro de 2019 às três e onze da tarde. O programa, que estreou no dia 20 de março de 1983, era uma espécie de vitrine da Rede Globo, que exibia atualidades, curiosidades, notícias dos artistas e os bastidores da emissora. 


Conheça outros textos do REGISTRADO!
O Blecaute que tirou do ar a TV Globo em Pernambuco [1]
Os 80 anos do Grupo Bandeirantes [2]
A origem do tema de fim de ano da Globo [3]
Tela quente - de tapa buraco a principal sessão de filmes da Globo [4]


Vídeo Show passou por diversas reformulações na estrutura do programa, com inserções de quadros, mudanças de apresentadores, de logo, entre outros. 

Em sua estreia, o programa apresentava imagens dos arquivos da Globo, trechos de shows e filmes. Depois, aperfeiçoou-se com entrevistas de artistas e personalidades, making offs de programas, erros de gravações, reportagens de bastidores, rotinas, casas e detalhes da vida dos famosos. Com o decorrer dos anos, houve a inserção de repórteres, que faziam uma espécie de jornalismo de entretenimento


As origens


Tássia Camargo foi a primeira apresentadora do Vídeo Show. I Internet


O Vídeo Show teve direção de Aida Silva e roteiro de Carlos Mello e possuía um formato de programa de variedades e do gênero de entretenimento. 

O programa estreou em um domingo de 1983, com a apresentação da atriz Tássia Camargo, com o objetivo de apresentar os principais fatos da emissora em seus 18 anos de existência. Era semanal, sempre apresentado na parte da tarde, por volta de 14 horas. De acordo com entrevista da Tássia Camargo publicada no UOL, o Vídeo Show nasceu da ideia de um programa internacional que apresentava diversos conteúdos:

"A ideia surgiu de um programa internacional comandado pela Olivia Newton-John. O saudoso Ronaldo Cury perguntou se eu tinha interesse em fazer um programa parecido. Começamos a trocar ideias e pautas até formatar o 'Vídeo Show' daquela época com memórias, falha nossa, entrevistas nas residências das celebridades etc."



Um vídeo divulgado no Youtube conta detalhes da estreia da atração:






O programa, durante a década de 1980, passou por várias mudanças de horário. Sendo exibido em sábados e domingos em três horários diferentes: 14 horas, 12h30 e 14h30. 

O primeiro formato contava com um convidado, que respondia perguntas, além de ter cenas relevantes exibidas, não dele mas de momentos importantes da sociedade, música, humor e televisão. 

Tássia Camargo apresentou o Vídeo Show até a 19ª edição. A partir daí até 1984 vários atores globais apresentaram o programa, que passava a não ter um âncora fixo. Foram mais de 60 apresentadores que estiveram à frente da atração até 1987, quando Miguel Falabella foi escolhido apresentador. 



O famoso gesto de Miguel Falabella realizado aos finais do programa. I Internet


Miguel consagrou-se nessa função por conta de seu carisma e informalidade. Ele estreou no programa no dia 01 de agosto de 1987.  Foi a partir de 1988 que Falabella encerrava os programas com seu famoso juntar de mãos e abaixada de cabeça e as frases: "beijo super carinhoso" e "namastê". Neste ano foram introduzidos quadros como: Pergunte ao seu astro, Tricotando com Falabella e o inesquecível Falha Nossa

Em 1987, o programa contou com um tradicional tema de abertura que foi utilizado até sua extinção: a versão de Maynard Ferguson de Don't Stop 'Til You Get Enough, de Michael Jackson. Nessa época, o Vídeo Show contava com mais de 20 quadros, entre eles: Micro Especial Musical e A TV no Mundo.  



Cabeça Branca, interpretado por Marcelo Tas. I Internet


Durante o mês de julho de 1987, o diretor, escritor e roteirista Marcelo Tas passou a comandar o programa. Ele também interpretava o personagem Cabeça Branca, um personagem carismático que vivia dentro de um tubo de televisão. Na época, Marcelo explicou quem era o Cabeça Branca: "é bastante normal, só um pouco pálido, como deve ser uma figura que nunca saiu de dentro de um tubo de TV"

Em abril de 1988, o programa foi renovado e estendido, sem prejudicar sua proposta original: resgatar a memória televisiva. 

A narração das reportagens e quadros ficou na responsabilidade de Cissa Guimarães, a partir de abril de 1989. Ao lado de Falabella, formava a dupla mais famosa da história do programa. 

Durante a década de 1980, o cenário do programa também passou por alterações. No início, fotos de artistas compunham o ambiente de apresentação. A partir de 1984, o programa passou a ser exibido diretamente de uma ilha de edição. Em 1986 o Vídeo Show era comandado de um cenário que simulava a sala de uma casa com uma televisão no centro. Houve uma época que o cenário era composto de televisores antigos, com fios e válvulas visíveis e monitores novos, que apresentavam imagens dos temas abordados. 


Novas reformulações


O quadro de grande sucesso do programa, o Túnel do tempo. I Internet


A década de 1990 foi marcada por reformulações do programa, novos cenários e quadros. Um dos mais marcantes estreou em abril de 1991, o Túnel do Tempo. Quantos se lembram da icônica frase "Direto do túnel do tempo"? O quadro tinha o intuito de relembrar um momento marcante, seja do jornalismo, do entretenimento ou de um show, que havia sido exibido naquela data há 10, 15 ou 20 anos, por exemplo.

Em 1990, quando se comemorava os 40 anos da TV e os 25 anos da Globo, o programa realizou matérias especiais durante o mês de setembro e no dia 31 de dezembro de 1990.  

Já em 1992, ele ganhou um novo cenário, com fundo preto com luzes e neon. Em 1993, quando completou dez anos, o cenário foi renovado com cores claras. Além disso, novas músicas e vinhetas foram criadas. 

A partir de abril de 1994 o VS passou a ser exibido de segunda à sexta - como aconteceu até os seus últimos dias - no horário de 13h30 e possuía meia hora de duração. Novos repórteres, como Renata Ceribelli e Cissa Guimarães, foram adicionados, o que ocasionou a riqueza das matérias fora dos estúdios de gravação. 

Em 1995 o programa fez parte dos núcleos sob responsabilidade de Maurício Sherman e J.B. de Oliveira, o Boninho. Nesse ano, o VS comemorou 1000 edições, com uma matéria especial que relembrou todos os artistas que o apresentaram, os diferentes visuais de Miguel Falabella e os melhores momentos do Falha Nossa



Débora Secco recebe o Troféu Vídeo Show. I Internet


Em 1996, o programa passou por novas reformulações e contou com a instituição do Troféu Vídeo Show, que premiava artistas da Casa. 

Em 1998, o programa passou a ser exibido às 17h por pouco tempo, voltando a ser apresentado às 13h30, logo após o Jornal Hoje. Neste mesmo ano o VS ganhou um set para entrevistados e algumas matérias foram transmitidas ao vivo pela primeira vez. 

Entre 1994 e 2000, uma edição aos sábados era exibida com o intuito de apresentar os melhores momentos do programa. 


Nova versão da revista eletrônica



Angélica sob o comando do Vídeo Game. I Internet


Com o intuito de aproximar os artistas globais de seu público, a revista eletrônica ganhou novas roupagens, com a presença de uma plateia. O objetivo era explorar o entretenimento, animação, diversão e interatividade no palco. Esquetes bem humoradas e clipes foram exibidos. Novos artistas, repórteres e apresentadores foram adicionados ao programa com esse objetivo. 

Uma nova edição, aos sábados, foi incorporada no início dos anos 2000, que era um especial dos melhores momentos da semana que também trazia episódios temáticos, como os 18 anos da atração, super-heróis e casas. 

Em dezembro de 2001, o Vídeo Show ganhou um novo quadro/programa, o Vídeo Game apresentado pela cantora e apresentadora Angélica, que tinha o objetivo de trazer artistas que se enfrentavam em uma competição sobre a televisão e programas globais. O quadro ficou no ar por 10 anos, até 2011, e era um dos grandes sucessos do VS

Em março de 2002, Miguel Falabella deixou de apresentar a atração. Ele ficou por 15 anos como âncora do programa. Em seu lugar entrou André Marques. 

Em dezembro de 2003, estreava o Vídeo Show Retrô, que tinha o intuito de resgatar os acontecimentos da telinha global daquele ano, com exibição dos melhores momentos de novelas, programas e jornais. 

Também em 2003, a produção do programa contava com o Astromóvel, um carrinho elétrico estilizado que era utilizado pelos apresentadores que o dirigiam na companhia de um ator até os estúdios de gravação, enquanto eram realizadas as entrevistas. 

No dia 13 de abril de 2009 o programa passava a ser exibido ao vivo, de modo que o mundo do entretenimento ganhou mais visibilidade. Além dos bastidores da TV, o programa dava informações sobre o mundo do teatro, cinema e música. 


Até os tempos atuais


Zeca Camargo e Suzana Vieira mexendo o corpo no novo formato do programa. I Internet


A última década do programa foi marcada por novas reformulações e a inserção de novos apresentadores. Chegou-se até mesmo a mudar o formato do show e seu objetivo original, com plateia, interatividade e novos conteúdos. Contudo, ele não ficou muito tempo no ar. Os telespectadores gostavam mesmo da atração com uma bancada e um apresentador.

Após 13 anos apresentando o programa, André Marques despediu-se em outubro de 2013. A partir daí, o VS experimentou um novo formato que trazia um artista convidado a cada dia. A apresentação era por conta de Zeca Camargo, que o entrevistava e realizava dinâmicas e games com o mesmo. 

Em 2015 foi realizado um rodízio de apresentadores no programa, que se revezaram na exibição de matérias sobre os bastidores da emissora durante suas cinco décadas de exibição. 

Em 2016, o programa ganhou um estúdio de vidro que permitia a visão da movimentação dos Estúdios Globo ao fundo. Foi nesse ano também que, dia 21 de setembro, estreava o quadro Meu vídeo é um show, com a participação de famosos e atores (Cássia Kiss Magro, Lima Duarte, Renata Sorrah, Juliana Paes, Ney Latorraca e Tony Tornado estavam entre os convidados). 

O Vídeo Game voltou a ser exibido em uma ocasião especial entre os dias 6 a 24 de novembro de 2017. 

Desde 2015 o programa voltou a ser ao vivo e contou com a mudança de apresentadores. Monica Iozzi, Otaviano Costa, Sophia Abrahão, Marcos Veras e Joaquim Lopes passaram pela bancada até a extinção do YS em janeiro desse ano. O Vídeo Show tentou resgatar a fórmula de sucesso antiga e inicial, finalizando com um pensamento ou reflexão de Miguel Falabella, mas o programa já estava fadado ao término devido a baixa audiência. 


Aberturas



Em 35 anos de existência o programa contou com 12 aberturas com mudanças no layout e no som instrumental da música Don't stop 'till you get enough de Michael Jackson em versão de Maynard Ferguson

Ouça a versão original logo abaixo:






Durante a década de 1980 a banda Roupa Nova desenvolveu a trilha sonora da abertura do programa. Os integrantes faziam parte do DAM (Departamento de Apoio Musical da Globo) e criou o som de atrações, como Fantástico, Discoteca do Chacrinha, além de novelas. O repertório do VS faz parte de medleys da banda até nos dias de hoje. 

A primeira abertura do programa (1983) apresentava imagens de shows, filmes, esportes e jornalismo do que se passava na época ao som do hit






Já em 1987 uma abertura com bailarinos embalados pelas músicas de diferentes épocas em salas de televisão tentou substituir a clássica melodia, mas sem sucesso. 






Em 1988 a música marcante retornou com imagens projetadas nas letras que compõem a palavra 'Vídeo Show'







Em 1990 a abertura dava closes na construção das letras do nome do programa.






Em 1995 pequenos quadrados com cenas marcantes formavam as palavras.







Já em 2000 a abertura fora criada sobre um fundo de céu com nuvens. 







Em 2010, o grafismo com telas em um fundo azulado marcou a abertura.







Em 2013 foram criadas duas vinhetas: uma com imagens dos Estúdios Globo e a logo com uma fonte alongada e mais fina.








A partir de 2014, o colorido do cenário tomou de conta da abertura e a logomarca elogiada retornou. 








Evolução das logos



Em seus anos de exibição, a logo do programa passou por 14 transformações, que variavam em mudanças nas fontes, fundo e formato. O site Logos disponibilizou todas elas e vocês podem ver as variações abaixo:
























































Uma cronologia de vinhetas divulgada no Youtube mostra a evolução das logomarcas. Assista entre 0:09 e 0:25:







O término



O Vídeo Show saiu do ar no dia 11 de janeiro desse ano, às 15h11 (horário de verão), segundo informações do colaborador do blog, Layon Yonaller. Com o seu fim, a Sessão da Tarde vem logo após o Jornal Hoje. Além disso, para tapar o buraco da ausência do programa a Globo exibe depois do filme um compilado de especiais da Grande Família, o Álbum da Grande Família

Já tinha anos que o VS demonstrava que não estava bem das pernas. Várias mudanças de formatos foram introduzidas, assim como apresentadores, para alavancar a audiência que só despencava frente ao programa da concorrente, A hora da venenosa. O programa já não era mais a mesma coisa de que nos seus tempos áureos, com a apresentação de Miguel Falabella. 

O produto foi encerrado com um clipe que homenageou os produtores, idealizadores, artistas e apresentadores do programa com a música Trem Bala, de Ana Vilela, de fundo. Além disso, Sophia Abrahão e Joaquim se despediram e Miguel Falabella encerrou o programa de forma melancólica com a frase “Um beijo muito carinhoso, fiquem com Deus e até…”.





Para suprir a falta



Com o possível objetivo de suprir a futura falta do programa, foi divulgado nas redes sociais no dia 19 de dezembro de 2018 uma propaganda do canal de entretenimento e bastidores da Globo, o GShow





Atualmente o site - que tem o slogan "As histórias das histórias que a gente conta" - é a principal fonte de informação e entretenimento do canal. O comercial ganhou mais divulgação dias depois do anúncio da extinção do VS


Momento Vídeo Show

Ana Maria apresenta o Momento Vídeo Show em seu programa. | Internet



Dias após o programa terminar, o Mais Você exibia o chamado Momento Vídeo Show que apresentava os bastidores da festa de lançamento da novela Verão 90. A ideia foi de tornar o programa lembrado. 


Versão portuguesa



Ricardo Pereira é o apresentador da versão da terrinha do Vídeo Show. | Internet



Na Globo Internacional- Portugal há uma versão do programa que é apresentada pelo ator Ricardo Pereira aos sábados às 20 horas. O produto tem a mesma premissa que a do VS: conhecer os bastidores de uma cena, a adrenalina da gravação e a rotina do set, além de entrevistar vários artistas da Globo sobre suas carreiras e trajetórias de vida.

Esse foi o meu registro sobre o programa Vídeo Show, substituindo o Layon Yonaller excepcionalmente hoje.


Resgatado, publicado e REGISTRADO! J-J



Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Registrado nº 4: Tela Quente – de tapa-buraco a principal sessão de filmes da Rede Globo




Em 2018, a Tela Quente completou 30 anos. | Rede Globo 

A quarta edição do Registrado é dedicada a contar um pouquinho da história da Tela Quente – sessão de filmes exibida todas as segundas-feiras na Rede Globo de Televisão. Nem sempre foi assim: o programa existia inicialmente para preencher um horário que fora ocupado por um dos maiores humoristas do Brasil. Hoje é a principal sessão de filmes da emissora carioca.

Conheça outros textos do REGISTRADO!
O Blecaute que tirou do ar a TV Globo em Pernambuco [1]
Os 80 anos do Grupo Bandeirantes [2]
A origem do tema de fim de ano da Globo [3]


RIO DE JANEIRO, BRASIL, finais do ano de 1987: No fim deste ano o humorista José Eugênio Soares (Jô Soares) cada vez mais alimentava o sonho de apresentar um talk show. Jô tinha o programa de humor Viva o Gordo desde 09 de março 1981 [4] que ia ao ar todas as segundas-feiras depois da Novela das Oito (atual Novela das Nove) por volta das 21h10.

O então vice-presidente de Operações da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) vetou a ideia, pois seria impossível por variados motivos entre os quais tinha a grade de programação da emissora. Mas não faltaram ensaios para que a visão de Jô se concretizasse. Tudo relatado em seu livro publicado em 2011: [5]

“O Jô queria fazer um talk show de segunda a sexta, o que seria impossível, mas queria a garantia de que entrasse no ar, no máximo às 23h30. [...] Foi para o SBT onde lançou dois programas: o ‘Veja o Gordo’ e o ‘Jô Soares Onze e Meia’, que ganhou logo o apelido de ‘Jô a qualquer hora’ porque daria para contar nos dedos os dias em que ele entrou realmente, no horário, conforme previsto no contrato. [...]”


Fac-símile do artigo de Jô Soares em 30/4/1988. | Jornal do Brasil


Resumo do resumo: Boni não queria dar um programa no horário que Jô Soares queria. Houve brigas, ameaças e coisas impublicáveis. Jô trocou a Rede Globo pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), onde ficou de 1988 até 1999. Durante a cerimônia de entrega do Troféu Imprensa em 1988, no qual recebeu o prêmio de melhor programa humorístico de 1987, Jô Soares leu seu artigo publicado no Jornal do Brasil em 30 de abril:






De tapa-buraco para vitrine de filmes de sucesso


O Ano de 1988 no SBT tinha o Jô Soares como sua nova contratação de sucesso. Na mesma segunda-feira o humorista apresentou o Veja o Gordo e diariamente o Jô Soares Onze e Meia – este último que não tinha hora certa para entrar no ar apesar do nome. A Globo preparou no mesmo período uma sessão de filmes de sucesso na época e inéditos na televisão.

O nome da sessão: Tela Quente. Ao menos um mês dedicado em exibir filmes blockbusters (filmes arrasa-quarteirão) em horário nobre e em confronto direto com o ex-empregado da Globo. O resultado foi alcançado. Segundo nas próprias palavras de Boni em seu livro, a Tela Quente “incinerou” o Jô. A nova atração das segundas-feiras da emissora deu certo e veio para ficar até os dias atuais.












A Tela Quente se consolidou como exibidora de filmes de sucesso e qualidade. Naquela época sem a popularização de videocassetes, internet e Netflix a solução para assistir aquele filme era se programar para ver naquele dia de segunda-feira depois da novela. Se perder, perdeu mesmo. Quiçá passava de novo na Sessão da Tarde, Temperatura Máxima ou Corujão.

O filme Batman (original: Batman) lançado nos cinemas em 1989 tinha sido prometido para ser exibido em 1991, mas só foi lançado na TV na semana do Natal de 1992. Sim, pessoal, os filmes que passavam na telona demoravam anos e anos para serem exibidos na telinha de casa. E não se espante, por que de 1989 até 1992 era “rápido” aos padrões da época. Assista!







Vinhetas de abertura da Tela Quente


Evolução do logotipo da Tela Quente. | Rede Globo


A vinheta da Tela Quente consistia até 2016 num feixe que atingia as seis telas que formava as letras “E”, que formava o nome do programa. Tinha explosões e calor num fundo escuro. A atual vinheta de 2016 seguiu a atual cor esbranquiçada da marca da Rede Globo em vigor desde 2014.






A primeira vinheta não tinha a música tema que conhecemos, mas durou apenas no ano de 1988.







E quem não se lembra da trilha de oferecimento da Tela Quente? Ela, ao lado de sua equivalente exibida aos sábados, o Supercine, colocava ao ar o anunciante depois da vinheta e antes do filme começar.






CD da Tela Quente, homenagens e a questão do streaming


Trilha sonora da Tela Quente lançada em 1999 | Mercado Livre


Em 1999, a Som Livre – gravadora pertencente ao Grupo Globo – lançou uma trilha sonora com tema de filmes famosos como Um lugar chamado Notting Hill, Batman eternamente, Titanic e Star Wars. [6]

Em 12 de novembro de 2018, a Tela Quente exibiu o filme O Espetacular Homem-Aranha 2: a Ameaça de Electro (original: The Amazing Spider-Man 2: Rise of Electro) em homenagem ao escritor Stan Lee – morto no mesmo dia citado. 






Com a vinda das plataformas de streaming, o Grupo Globo se prepara para competir com seus concorrentes como a Netflix, por exemplo. Para promover seu catálogo de filmes, séries e outras produções a Rede Globo usa a Tela Quente como atrativo promocional. Sua primeira experiência foi o anúncio da série exclusiva estrangeira The Good Doctor e a nacional Ilha de Ferro:












O futuro da Tela Quente


O modo de exibição dos filmes mudou bastante desde 1988. Se antes precisava esperar de quatro até sete anos para ver um filme inédito na TV, em nossos dias precisamos no mínimo ter um smartphone para ver aquela obra cinematográfica que saiu do forno há poucos segundos.

Os apocalípticos decretam até o fim absoluto da TV, mas se um programa como o Encrenca (RedeTV!) existe por causa da internet, por que decretar – sem reflexão – o fim dos filmes na telinha do televisor? As exibições das produções originárias do streaming, junto com a repercussão nas redes sociais mostram que a Tela Quente, por exemplo, tem muito futuro pela frente com garantia de audiência.

A reclamação dos telespectadores em relação aos cortes da Globo no filme Animais Fantásticos e Onde Habitam (original: Fantastic Beasts and Where to Find Them) [7] exibido em 07 de janeiro de 2019 comprova que a Tela Quente conta com grande prestígio com direito a hashtag #AnimaisFantásticosNaGlobo.

Enquanto a Globo manter a Tela Quente como sua principal vitrine de grandes filmes e evitar repetições não haverá motivos para tirá-lo da grade de programação. 

Resgatado, publicado e REGISTRADO! J-J






Por: Layon Yonaller, colaborador especial do JOVEM JORNALISTA

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Registrado nº 3: O tema de fim de ano da Rede Globo



Campanha Um novo tempo de 2017/2018. | Rede Globo 


A terceira edição do Registrado foi sugerida pelo editor-chefe do Jovem Jornalista, Emerson Garcia, que em 2009 [1] já abordou o assunto a respeito. O registro que farei hoje é do tradicional tema de fim de ano da Rede Globo: a canção Um novo tempo. Neste período 2017/2018 a emissora lançou o tema: A gente toca junto [2].


As edições anteriores do Registrado estão aqui: [3] e [4].


RIO DE JANEIRO, RIO DE JANEIRO, BRASIL, 1971: No fim de ano da primeira década de 1970, o então diretor geral da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, encomendou aos músicos e compositores Nelson Motta e os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle uma canção “Otimista, com espírito natalino, sofisticada e intuitiva”. Motta e Paulo Sérgio ficaram com a composição da letra, enquanto Marcos se encarregava da melodia:






Assim que a canção em forma de valsa fora aprovada por Boni o elenco da emissora foi chamado para realizar o vídeo com a música que, há 46 anos, está na memória de todos os brasileiros de diferentes gerações. O clipe era a chamada para o ano de 1972:







Além da música, encontrei o mesmo vídeo com a narração de Cid Moreira sem a referida música e com trilha distinta:







“[...] Produções valiosas e requintadas, novelas de nível artístico e literário. A consagração dos especiais como marca de bom gosto a permitir que a nossa imagem chegasse ainda mais perto de você. E como foi assim que vivemos o ano de 71, assim também viveremos de mãos dadas com você o ano de 72. Tempos de esperança e otimismo [...].”





Campanha Um novo tempo de 1971/1972. | Rede Globo



De fato, uma canção que serviria apenas para aquele período tornou-se um hino tradicional nas chamadas de final de ano da emissora carioca. A gravadora da então nomeada Organizações Globo, a Som Livre – criada no mesmo ano – lançou um disco compacto da canção:






Compacto em disco Um nôvo tempo, lançado pela Som Livre. | Rede Globo




Curiosidades, Silvio Santos e música em italiano



TMC com canção em italiano. Silvio Santos e Chacrinha em 1971 no coral global. | TMC/ Memória Globo



2012: No site do programa Video Show foram separadas determinadas e marcantes vinhetas de fim de ano da Globo [5]. Foi de tudo: artistas em funções dos trabalhadores de bastidores; personalidades negras cantando “axé” por conta do centenário da abolição da escravatura; elenco da emissora fazendo coisas fora de seus ofícios na campanha “Invente, tente. Faça um 92 diferente.”; atrizes da casa em sua função de mãe.

1994: Para comemorar a vinda dos futuros estúdios da Rede Globo (Projac – Projeto Jacarepaguá, atual Estúdios Globo) inaugurados no ano seguinte, o elenco da Globo esteve reunido em mesa. Roberto Marinho e sua esposa Lily Marinho estavam presentes em raro momento.



Roberto e Lily Marinho na vinheta de final de ano. | Rede Globo



2016: Já o jornalista do site EGO, Danilo Sanches, [6] publicou matéria com nove imagens do apresentador e animador Silvio Santos na época em que ele estava na Globo. Das nove, seis é da época da campanha de fim de ano em 1971 ao lado do então colega Chacrinha.

1988: A Tele Monte Carlo (TMC) – emissora de televisão que pertencia as Organizações Globo na Itália, atual La7 – colocou no ar a versão italiana de Um novo tempo. Uma raridade e ineditismo para quem nunca soube desse fato:






Segundo um usuário que comentou este vídeo, a letra é essa:

“Oggi, c'è tanta gente
C'è tanta gioia dentro di noi
Tanti nuovi giorni, tanti ritorni
Un nuovo tempo, un tempo in più
Tutta la magia dell'allegria
Si ha sempre vicino a voi

È una festa tua, una festa nostra
È di chi vorrà, chi verrà (BIS)”




Voltando a canção em português. O modo como a música foi composta, a tradicional exibição anual e as articulações harmônicas [7] podem explicar o sucesso da canção-tema da Rede Globo (com grifos):

“[...] A canção não começa a ser cantada no I grau da escala harmônica, onde seria o ponto de partida convencional. Dessa forma um  estranhamento  sutil  é sugerido, dando uma sensação de “novidade”, ou de ano novo. Além disso em algumas passagens há a chamada cadência plagal, uma variação entre os graus I e IV da escala harmônica que confere uma sensação de placidez. No trecho: “Todos nossos sonhos serão verdade”,  ocorre uma mudança de tom justamente na palavra “sonhos”, abrindo-se  uma nova realidade, justo num momento do ano em que os sonhos de todo mundo estão à flor da pele. Já o  refrão da música parece deslizar  de tanta naturalidade, além de ser bastante curto, o que facilita a memorização e  torna a continuidade possivelmente infinita, a critério do arranjo que se faça pra a música. [...]”


A canção Um novo tempo, composta pelos irmãos Valle e Nelson Motta a pedido do então todo-poderoso Boni idealizada em 1971, é uma das marcas que consolidam a identidade da Rede Globo de Televisão perante o povo brasileiro, unindo a inovação da melodia sem se esquecer dos alicerces passados. J-J

Resgatado, publicado e REGISTRADO!
















Por: Layon Yonaller, colaborador especial do Jovem Jornalista
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