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quinta-feira, 21 de março de 2019

Quinta de série: Os dias eram assim

Pode conter spoilers!







No Quinta de série desse dia apresento a produção Os dias eram assim. Exibida entre 17 de abril e 18 de setembro de 2017, esta foi uma supersérie produzida pela Rede Globo que contou com 89 capítulos. Apresentada na faixa das 23 horas e com censura de 16 anos, fora escrita por Ângela Chaves e Alessandra Poggi, com direção geral e artística de Carlos Araújo. O elenco teve a presença de Sophie Charlotte, Renato Góes, Maria Casadevall, Gabriel Leone, Cássia Kiss Magro, Marcos Palmeira, Letícia Spiller e Carla Salle. 

Os dias eram assim foi o primeiro produto da emissora considerado como supersérie, ou seja, uma obra com similaridades de novela e série ao mesmo tempo. Esta supersérie assumiu o que se conhecia até então como novela das onze

A supersérie tem como pano de fundo os anos 1970 e 1980, quando o Brasil passava pela chamada ditadura militar. Nela conhecemos o casal Renato Reis e Alice que se apaixona, mas que passa por dificuldades, que envolve o momento político da nação da época. Além dessas dificuldades, eles também devem vencer a fúria e o ódio de Vitor, ex namorado de Alice, que não gosta nada da ideia da aproximação dos dois e arma sempre para separá-los.

A produção é mais que uma história de romance e dificuldade, mas de luta, ideias políticos e um retrato de como a sociedade se portava. Os dias eram assim foi uma obra corajosa por mostrar sem filtros ou edições a realidade da época. E que realidade era essa?! As torturas, exílios, paixões proibidas, tentativa de mudar o sistema, o processo de Diretas Já, o tri mundial da seleção brasileira, a descoberta da Aids etc. 




Desse modo, Os dias eram assim é uma história de romance, mas também de luta, de busca por ideias e de tentativa de mudança política e social. O interessante é que a trama aborda o auge da ditadura militar e o seu fim nos anos 1980 (Ela abrange os anos de 1970 até 1984), com detalhes e informações - vídeos, documentos, mídias e jornais da época. 

Em ODEA acompanhamos o drama de Alice e Renato que se amam, mas que não podem ficar juntos por questões políticas. Idealistas e sonhadores, mesmo com os empecilhos da vida, procuram mudar a realidade ao seu redor, mesmo com a distância e o passar dos anos. Será que esse amor tem o poder de vencer um regime político tão forte?! Será que com o decorrer dos anos e longe um do outro, Alice e Renato ainda se amam? Perguntas que só quem assistiu ou assistirá a supersérie pode responder. 


Personagens


A supersérie contou com duas fases distintas: a primeira de 1970 à 1979 e a segunda de 1979 à 1984. Com o passar dessas fases, alguns atores mudaram e outros se mantiveram. Selecionei personagens marcantes da trama. 




Alice: protagonista da trama. É uma estudante idealista e questionadora que se apaixona por Renato, mas que é afastada dele por vários motivos. 





Renato: também protagonista da trama. É um médico idealista, sempre disposto a ajudar e salvar vidas. Se apaixona por Alice, mas tem que se afastar dela e ir morar exilado no Chile. 





Vitor: vilão e antagonista da trama. É o ex namorado de Alice, que afasta ela de Renato junto com a ajuda de Arnaldo. 





Rimena: médica chilena que se encontra com Renato quando ele vai para o Chile. Os dois constituem uma família e tem um filho. 





Gustavo: irmão de Renato. É estudante, músico, que luta pelos seus ideais e contra a ditadura militar. Em um momento da trama é preso. 





Túlio: jovem idealista e amigo de Gustavo. É contra a ditadura e planejou ao lado do amigo o atentado contra uma construtura que apoiava o movimento da época. 





Vera: viúva e mãe de três filhos - Renato, Gustavo e Maria. É dona de uma livraria em Copacabana. 





Arnaldo: dono da construtora Amianto e apoiador da ditadura militar. É pai de Alice e Fernanda e fará de tudo para que sua primogênita (Alice) se case com o magnata e advogado Vitor. É ambicioso e inescrupuloso. 





Cora: é a mãe do vilão, Vitor. Extremamente oportunista e interesseira. 





Fernanda: conhecida como Nanda, é a irmã mais nova de Alice. Extremamente boêmia, gosta de viver a vida como se fosse seu último dia. Ela adquire Aids em uma época que a doença era pouco conhecida. 


Questões políticas


A trama aborda a questão política, passando pelos Anos de Chumbo. O interessante é que a Globo retratou a época de forma verossímil, ao contrário do que aconteceu na realidade, quando ela apoiou o movimento. Então, essa série é uma forma de retratação do canal. 

Torturas são apresentadas de forma realística. Há bastante sangue, violência e assassinatos desmedidos. Desse modo, a série não é nenhum pouco leve e light. Ela mostra e personaliza os torturadores da época em personagens como Arnaldo (Antonio Calonni), Vitor (Daniel de Oliveira) e Olavo Amaral (Marco Ricca). 

A Globo obteve êxito em criticar o movimento político que, alguns dizem, ter a ver com os dias atuais de nossa sociedade. Há quem fale que os dias eram assim, estão assim e tendem a ficar assim. Então, a produção critica a censura, exílio e a falta de democratização. 

Para amenizar sua posição de apoiadora da ditadura militar, a Globo utilizou o recurso de edição de reportagens em que, claramente, retratava somente um lado das Diretas Já

Outra questão política muito forte são os movimentos estudantis, em que pessoas idealizavam  e eram a favor da democratização do país. 


Questões sociais


A série inicia-se com a comemoração do tricampeonato da seleção brasileira. Um momento de alegria, descontração e felicidade, que contrastava com o que acontecia no país. Seria possível comemorar um título em meio à exílios e torturas?! Não sei como o governo se aproveitou desse título na época, mas deve ter utilizado de forma positiva, de modo a enaltecer a nação e só mostrar seu lado bom. 

Também merecem destaque, as criações artísticas - seja por meio de livros, músicas, televisão ou teatro - que mesmo em uma época de extrema censura, ainda se conseguia produzir bons conteúdos. 

Por outro lado, o movimento de libertação sexual estava em alta, em que as pessoas buscavam o prazer à qualquer custo. Desse modo, a obra discute a bissexualidade e a homossexualidade. 


Aids



Um dos melhores temas tratados pela produção foi a Aids. Na época em que a trama se passa a doença ainda estava em descoberta e não havia os remédios (coqueteis) de tratamento disponíveis. A trama apresentou todo esse drama através da história de Nanda, uma jovem apaixonada pela vida que a viu se transformar com a descoberta da doença. A interpretação e maquiagem do personagem merecem destaque. 

Na época que se passa a história, foi quando perdemos Renato Russo e Cazuza para a doença, dois astros do rock nacional. 


Abertura e trilha sonora


A abertura conta com a trilha sonora Aos nossos filhos, de Ivan Lins e é incrível e curiosamente cantada pelos protagonistas da trama: Sophie Charlotte, Renato Góes, Gabriel Leone, Daniel de Oliveira e Maria Casadevall. Fiquei sabendo disso no último capítulo, quando a trama foi encerrada com eles cantando nos bastidores. 





Achei interessante a iniciativa de atores da trama cantarem a trilha sonora. Seria plausível que outras tramas fizessem o mesmo. 



Audiência


A audiência da supersérie oscilou entre 22,7, 27, 26 e 23 pontos. - números bastante expressivos. Sua média foi de 21 pontos e a trama bateu recorde de 32 pontos

Os dias eram assim foi uma das tramas das onze mais assistida desde que o horário de fora criado. Verdades Secretas detinha esse recorde com 20 pontos de audiência. Já Os dias eram assim 21 pontos. 



Crítica

A trama apresentou uma temática inovadora, mas que não traduziu fielmente sua complexidade nos capítulos. As autoras preocuparam-se mais em destrinchar a história de romance do casal de protagonistas, que relatar com profundidade a ditadura militar. Esses fatos foram tratados de forma simplória, pasteurizada e movidas por clichês que podem, ou não, ser confirmados. 

Contudo, em seus momentos de contextualização histórica  a trama resgatou reportagens, imagens e músicas da época, em uma documentação até que relevante. O pecado encontrou-se quando foi incorporada à trama uma música que somente foi lançada em 1986, Tempo Perdido, sendo que a trama foi até 1984. Mesmo com esse impasse, não poderia deixar de citar a música de Renato Russo tão bem representada por Thiago Iorc. 






Algo que pode ter atrapalhado a trama também foi sua duração (89 capítulos). Há quem diga que não era necessário essa quantidade de capítulos e que ela poderia ser mais enxuta.

Os dias eram assim possui boas cenas, ganchos e cliffhangers, mas não podemos esquecer que trata-se de uma obra de ficção. J-J






Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Rosa e Azul: cor tem ou não gênero e as convenções sociais



A discussão do momento tem a ver com duas cores: o rosa e azul. A frase "O Brasil está em uma 'nova era', em que meninos vestem azul e meninas vestem rosa" dita pela ministra de Mulheres, Família e de Direitos Humanos, Damares Alves, ecoa nas principais rodas de conversas. Há aqueles que entenderam a frase no sentido literal e outros que a entenderam como uma metáfora.

Claro que a declaração tomou foco na mídia e atingiu famosos, celebridades e internautas, que se posicionaram a favor e contra a fala da ministra. 

Em tempos de transição drástica de governo e pensamentos, a fala da ministra pôde ter soado como partidária, segregadora e preconceituosa. Essas podem ter sido as primeiras impressões, mas quero desconstruir isso nesse post.


Uma metáfora







Segundo a ministra, pastora e advogada o que ela realizou foi uma metáfora. E o que é uma metáfora? É quando alguém diz algo com outra intenção e/ou objetivo. Desse modo, ao se falar que meninos usam azul e meninas rosa, ela quis dizer que é contra a ideologia de gênero e apenas isso. Não tem nada a ver com cores. Leia o que ela disse (com grifos):

"Fiz uma metáfora contra a ideologia de gênero, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores. Se quiserem, mamães e papais podem vestir as crianças com roupas coloridas".


Em outras palavras, o que ela quis dizer foi o seguinte: Olha, as cores podem ser usadas por meninos e meninas. Não há restrições quanto à isso e que usar roupas coloridas não é o mesmo que uma menina usar roupa de menino e vice-e-versa. 

Tanto foi uma metáfora a frase de Damares, que ela apareceu em público com uma roupa azul. Se fosse no sentido literal o que havia dito, ela não poderia usar a cor. A secretária da Família, Angela Gandra Martins, defendeu a fala da ministra (com grifos):


"O que ela quer dizer é que a gente vai procurar acentuar o que é próprio de cada um. A gente não vai construir uma outra identidade esquizofrênica dentro dela, vai respeitar o que é natural naquele ser humano."



Ou seja, os Direitos Humanos acima de qualquer ideologia. 



O vídeo


Damares aparece no vídeo de forma animada e convicta até que diz a frase célebre. Assista:





Há um entusiasmo das pessoas que estão ao redor da ministra quando ela fala a frase e eles chegam até mesmo a repeti-la. No fundo, a bandeira de Israel aparece - uma flâmula de uma das regiões mais religiosa do mundo. Posso inferir que essa nova era que Damares verbaliza tem a ver com os Direitos Humanos, inclusive das crianças, preservados e intactos. Acredito que mesmo que a bandeira israelense tenha aparecido, a filosofia não tem a ver com religião, mas com movimentos políticos subliminares. 



Príncipes e princesas



Em um momento que de acordo com propagandas da Avon meninas não podem ser chamadas de princesas e elogios devem ser repensados e reconfigurados, Damares prega a ideia que garotas devem ser tratadas como PRINCESAS e garotos, como PRÍNCIPES, e não vice-e-versa. Esta também é uma significação para a frase da ministra

As campanhas da Avon, publicadas em meados de 2018, foram criticadas pelos conservadores, que as consideraram ideológicas e tendenciosas em demasia. Para a Avon, meninas deveriam ser chamadas do que elas quiserem:






A fala da ministra vem para quebrar com todos esses paradigmas e padrões que foram empregados de forma forçada. O interessante é, que se por um lado prega-se a ideologia de gênero, por outro brinquedos de menina são rosa e os de menino azul. Meninos, de acordo com a Omo, são aventureiros e brincam de bicicleta e garotas, são doces e frágeis. 

Acredito que mesmo com toda essa imposição será difícil reverter alguns conceitos já tão impregnados na sociedade.


Convenções sociais


Realmente as cores não possuem gênero e a ministra quis dizer exatamente isso. Houve uma época que meninos usavam rosa e meninas azul e tantos meninos quanto meninas usavam vestido até o primeiro corte de cabelo. 

O fato é que a questão do rosa e azul é mais cultural e propagandista, do que biológica. Convencionou-se assim. No texto Azul é a cor mais rosa, publicado em 2016, falei sobre isso:

"A ideia das cores para cada gênero só surgiu no início do século 20 e era o inverso da atual (rosa para meninos e azul para meninas). Somente entre 1920 e 1950, que as lojas inverteram isso, para aumentar as vendas."


Tais convenções sociais podem ter levado ao preconceito de um menino não usar um acessório ou uma vestimenta na cor rosa, embora esta signifique força e coragem. Além disso, não poderia usá-la por uma questão de marketing. Não foi a Damares que delimitou o uso das cores, mas a sociedade




Inspirações de decorações para o Chá de Revelação (da esquerda para a direita): 1 - bolo com recheio; 2- balões; 3- bigodes e lacinhos; e 4 - placar. 



Falei das cores de brinquedo para cada gênero, mas até mesmo o Chá de Revelação possui convenções sociais: balões, sprays, ovos ocos, bolo e elementos azuis caso o bebê seja menino; balões, sprays, ovos ocos, bolo e elementos rosas, na ocasião se for menina. Por que esses ideológicos de plantão não fazem o chá de revelação com inversão de cores? Por que, se cor não tem gênero, no chá de revelação, sim?! Por que ninguém ousa, mesmo com ideais de gênero, presentear a grávida que espera um menino com um enxoval rosa? Respondo: por que já temos conceitos e ideais impregnados em nossa sociedade.

O Youtuber Jonathan Nemer satirizou o Chá de Revelação em um vídeo em seu canal, o Desconfinados. Veja:





Não adianta um famoso lacrar nas redes sociais de rosa, sendo que costuma vestir sua filha negra de rosa. Não adianta uma moça vestir-se de azul e presentear sua afilhada com um enxoval todo rosa bebê. Há, nesse sentido, uma hipocrisia descarada.


Hipocrisia







O ator Bruno Gagliasso protestou contra a frase da ministra com uma blusa MANIPULADA rosa, de acordo com o maquiador Agustin Fernandez:


"A hipocrisia e a vontade de lacrar são tão grandes que não tinha nenhuma camiseta rosa no armário, daí editou uma foto velha"


Este foi um protesto por conveniência, com o objetivo único de aparecer e gerar cliques.

Em outra ocasião, Bruno Gagliasso aparece vestido de unicórnio AZUL e sua esposa, Giovanna Ewbank, de um ROSA. Tem alguma coisa errada, não?! Será que o Bruno segue convenções sociais? Em minha opinião, é claro que segue e só quer 'lacrar', como dizem por aí. 





Assim como Bruno, outros famosos resolveram protestar contra a fala da ministra.


#Cornãotemgênero





A hashtag #Cornãotemgênero tomou de conta das redes sociais. A jornalista da Globo News, Andréia Sadi, protestou de azul em uma entrevista com a ministra Damares; famosos como Luciano Huck, Mônica Iozzi, Fernanda Paes Leme, Maria Gadu e Leilane Neubarth em seus protestos enfatizaram que cor não possui gênero.

Em minha opinião, este foi um protesto desnecessário. Vimos que a fala da ministra foi metafórica e não literal. 




Ouvi uma vez de alguém que, na verdade, realmente as cores não tem gênero ou sexo, mas sim as pessoas. O mesmo com as roupas: elas não possuem gênero, mas sim os seres humanos. 

Acredito que ninguém pode dizer que rosa é de menina e azul de menino, mas a própria convenção social, como falado anteriormente, não nos permite que demos um tênis rosa para um menino e quando vemos um menino com uma camisa rosa na rua ainda há aquelas falas maldosas que dizem que "rosa é cor de menina" e que "o menino que usa rosa é veado".

Enfim, cor não tem gênero, mas as pessoas sim e uma menina diz "obrigada" e um menino "obrigado", como em uma imagem do Gran Cursos divulgada.








Use a cor que quiser





Meninos e meninas podem usar rosa, azul, preto, branco, verde, branco, vermelho, lilás, marrom e outra infinidade de cores. As cores são universais e não possuem gênero. Cor alguma pode definir uma pessoa ou sexualidade. Escolhas de cores não definem quem você é. Contudo, não podemos deixar de negar as convenções sociais já bastante consolidadas na sociedade. J-J 



Por: Emerson Garcia

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Sem-vergonhas!



De início, vale lembrar que “sem-vergonha” não é o mesmo que “sem vergonha”. Enquanto essa última expressão é formada pela junção da preposição “sem” com o substantivo “vergonha”, indicando a ausência de um sentimento de inferioridade ou de indecência, a primeira é adjetivo composto, designando aquele que não tem dignidade, desavergonhado, sem moral, descarado, cínico, canalha, devasso, vil. Nos dicionários, seu uso geralmente é ilustrado com frases do tipo “Existem muitos políticos sem-vergonha no país”.

Longe de ser injusto, esse tipo de exemplo se justifica ao constatarmos que nossos jornais e noticiários estão recheados de sem-vergonhices ilimitadas praticadas por políticos do Executivo e do Legislativo, lembrando-nos, diariamente, que a maioria dos nossos representantes está muito longe de nos representar. No mundo inteiro, o Brasil é o país cuja população menos confia nos políticos [1]. Triste realidade.

Porém, solidário aos demais poderes, ou talvez enciumado pelo seu menor protagonismo midiático, o Judiciário vem se esforçando bastante ultimamente para disputar com a classe política o sentimento de nojo e de repulsa por parte da população. Em meio a uma crise econômica que gerou e mantém milhões de desempregados, pressionou o Congresso e o Presidente a aprovarem um imoral reajuste de 16,38%, elevando seus nababescos salários para quase R$ 40.000 mensais, fora os penduricalhos, em um efeito cascata que terá impacto de cerca de R$ 4 bilhões por ano nas contas públicas [2].

O acordo era a concessão dessa benesse em troca da extinção do “auxílio-moradia”, uma imoralidade ainda maior. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso percebe o quão indefensável é que uma casta de privilegiados, cujo salário pode comprar uma casinha simples por mês e que, consequentemente, já mora em mansões e apartamentos de luxo, receba tal benefício, enquanto o país ostenta quase 7 milhões de famílias sem teto [3]. Mas eis que, espertamente, mesmo após a concessão do reajuste, os Conselhos Nacionais de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP) decidiram manter o famigerado auxílio [4]. Glu-glu. Ráá.

A última ação dessa campanha de autopromoção do descrédito foi protagonizada pelo Ministro Marco Aurélio Mello, que, no apagar das luzes antes do recesso do Supremo Tribunal Federal (STF), monocraticamente, passou por cima do entendimento do plenário e mandou soltar os presos já condenados em segunda instância, ou seja, por um juiz e por um colegiado de julgadores [5]. Mantida essa decisão estapafúrdia, diversos criminosos, muitos deles condenados no âmbito da Operação Lava Jato, terão seus desejos de Natal atendidos. O caso mais ilustre é o do ex-presidente Lula. Parece que o “bom velhinho” este ano resolveu agir mais cedo.

Por essas e outras, como não se revoltar com o caso do advogado Cristiano Acioli, detido pela Polícia Federal, a pedido do Ministro Ricardo Lewandowski, apenas por expressar que sente vergonha do STF [6]? Deveria ele, por acaso, ser “sem vergonha”? Impossível. Para o bem do Brasil e o desespero dessa turma que não perde por esperar pela cada vez mais próxima Operação Lava Toga, ele teve a coragem de expressar aquilo que onze entre dez dos cidadãos que carregam este país nas costas pensam: “Sem-vergonhas!” J-J


Por: Regis Machado, Auditor do Tribunal de Contas da União (TCU)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O que é o Movimento LGBTQ+?




Havia lido uma publicação no JOVEM JORNALISTA que falava sobre a ditadura gayzista - algo que nunca existiu - e que hoje possui um outro nome, Ideologia de Gênero. Segundo os evangélicos e políticos conservadores é uma ideologia utilizada pelo movimento LGBTQ+ para 'mudar o sexo das crianças'. Os mesmos utilizam dessa mentira escancarada para se promover e conseguir entrar na política, através da alienação -  como realizado pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Somente se lembre das suas diversas afirmações sobre o kit gay que nunca existiu, da sua popularização homenageando torturador, de seus comentários preconceituosos e em uma jogada indireta e como ele fez com que a mídia fosse desvalorizada pela sociedade ignorante que o elegeu.

Hoje, quero lhe propor a conhecer sobre o que é e representa o movimento LGBTQIAP+ (que é uma sigla muito maior que essa). Não é somente festa, como realizamos todos os anos na Parada LGBTQ+ em São Paulo, e diversas outras cidades e capitais por todo Brasil e até mesmo fora do país. É também um movimento político, onde tentamos eleger candidatos que representem nossa bandeira e a de diversos outros grupos sociais para lutar a favor dos nossos direitos, num país tão conservador e exclusivo, como o que vivemos onde falta autoconhecimento, autocritica, e transborda ego e hipocrisia. 

O Movimento LGBTQ+ serve para elevar a classe que tanto é desprezada pela sociedade e invisibilizada por questões fúteis que sempre são distorcidas por líderes evangélicos. Para se ter uma ideia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo só pôde ser oficializado em 2013 e uma das primeiras propostas apresentadas pelo Magno Malta, que está ao lado do presidente eleito, foi a revogação dessa lei, sendo que há diversos outros problemas econômicos, sociais, educacionais e de saúde para serem resolvidos com extrema urgência. Isso não se chama política, conheço como perseguição de classe. O Movimento serve para barrar esse tipo de policiamento contra as classes sociais que tanto sofrem pelo sistema. 

Nós não queremos impôr sexualidade ou gênero nas crianças, tampouco proibir as pessoas de serem hétero (?), e nem limitar as opiniões e pensamentos daquilo que nos agrada. Mas fazer outras pessoas fora da nossa bolha entender que possuem privilégios sob todos nós, que perdemos um de nós a cada 19 horas por crime brutal e sem motivos aparentes, somente por ser gay; e barrar um outro número que cresce cada vez mais, os 73% dos jovens LGBTQ+ acima de 13 anos que sofrem agressão na escola e agora são martirizados por uma depressão - fruto dessa agressão psicológica, verbal ou física. E ainda temos que desconstruir a pessoa que acredita que o que queremos conquistar não passa de privilégios, sendo que possuímos um presidente prometendo barrar a nossa liberdade. Não é meio contraditório? J-J


Por: Deivyson Luan, à convite do editor-chefe do JOVEM JORNALISTA

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O perigo de um banheiro único em uma escola



E se sua filha de 8 anos de idade frequentasse o mesmo banheiro que os coleguinhas da escola?! Esse e outros episódios aconteceram em uma escola do Paranoá (Distrito Federal), após uma nova metodologia de ensino ser adotada no último dia primeiro. Ela foi adotada para crianças de 4 a 8 anos de idade, da educação infantil até o terceiro ano do ensino fundamental. 

Funciona mais ou menos assim: meninos e meninas compartilham um banheiro coletivo, onde os espaços públicos são somente as pias e os espelhos, enquanto os compartimentos dos vasos são dispostos em cabines individuais. 

A escola não vê problema no banheiro coletivo e disse que a medida foi colocada em votação por pais dos alunos. Contudo, pais entraram na justiça e o banheiro tem sido investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por ferir a intimidade e colocar em risco à vida e a sexualidade das crianças.

Mesmo sendo cabines individuais, vários relatos surgiram de uma aluna que disse ter visto a parte íntima do colega e de outra que estava com medo de frequentar o banheiro porque coleguinhas estavam a acariciando. Mesmo sendo um banheiro coletivo, essas crianças estão desprotegidas. Quem garante que ela está protegida no ambiente de pias e espelhos?


Existe uma diferença grande entre banheiro INDIVIDUAL e COLETIVO. O banheiro individual unissex seria aquele onde um aluno entra, fecha a porta e faz suas necessidades, não importando seu sexo. O banheiro coletivo, todos os alunos entram, sejam meninas ou meninos. E é aí que está o perigo. 


A escola pública do Paranoá afirma não haver "ideologia de gênero" nem no campo teórico nem no conceitual nessa nova metodologia. MENTIRA! Por trás da medida, a escola propaga, sim, a ideologia de gênero e a educação para a diversidade. Ela diz que pretende prevenir abusos, mas o que temos percebido é que os abusos e assédios continuam. 

Uma criança de 4 a 8 anos tem total noção de seu lugar no mundo e do seu corpo. Tanto é que um menino sabe a diferença do seu corpo para uma menina. Crianças nessa idade estão em pleno desenvolvimento corporal, emocional e psíquico. Uma atitude de implementar um banheiro coletivo não leva em consideração isso. 

A escola também afirma que o banheiro coletivo "não ofende a intimidade e a privacidade" dos alunos. Ora, à medida que eles entram no banheiro já precisavam ter suas intimidades preservadas. Uma menina gosta de entrar no toallet para arrumar o cabelo e retocar a maquiagem ou o batom. O menino, para arrumar o cabelo e colocar gel nele.

Em resposta ao MPDFT, a escola ainda disse que "as crianças vivenciam experiências de respeito ao próximo, à privacidade, à coletividade, à higiene, ao autocuidado". Ora, acredito que elas tenham que viver essas experiências fora do ambiente do banheiro! Um menino não entrar no mesmo ambiente que uma menina, isso já é respeito!





A escola ainda se defendeu ao dizer "que a imensa maioria dos casos de abuso ocorre em ambiente ÍNTIMO OU FAMILIAR". E o banheiro compartilhado não é um ambiente íntimo e privativo?! A ideia da escola é que o uso do banheiro coletivo seja RACIONAL e com a INTENÇÃO DE SER PEDAGÓGICO. Acredito que ninguém utilize um banheiro com esse intuito, mas fazer o que né?!

Timidamente, a escola quis tomar para si a educação e o ensino de valores familiares. Estes devem ser dados pelos familiares e responsáveis pelas crianças. Ambiente escolar é um ambiente de aprendizado, não de propagação de ideologias como essa. J-J



Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Bolsonaro até nos pés!



Parece que a criatividade dos brasileiros não tem limites. Aproveitando a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições desse ano, o etilista catarinense Victor Vicenzza criou uma linha de 80 produtos em homenagem ao político do PSL. Entre os produtos estão botas e máscaras com a estampa do presidente eleito. Veja abaixo alguns deles:















Entre os produtos, os que achei mais interessante foi a bota dos 'Bolsominions' e a máscara de Jair de óculos escuros. 

Essas botas criativas estão com o preço bem salgado. Variam de R$ 189,17 até R$ 229,17. As botas estão sendo conhecidas como 'Bolsoboots' e já tem inúmeras filas para suas compras. 

Vicenzza, com essa nova coleção, angariou um amplo número de 'bolsofãs', mas com esses produtos o estilista não pretende fazer política, de acordo com sua própria fala:

"A marca é minha. Estou preocupado com quem compra comigo e não com a opinião”.


Confira o vídeo de lançamento das 'Bolsoboots':






O interessante desse vídeo é porque explica a concepção da loja Victor Vicenzza e também várias polêmicas com a marca. 

Cada modelo das botas possui um nome (veja a partir de 9:58), entre eles a: "Bolso bitch over news", "Anco boot mito", "Bota 'Tá ok' " e "Bolso bitch over 17". Aproveitando toda a repercussão, Vicenzza oferece o desconto de 17% (número do Bolsonaro) para quem comprar pelo site



E você, o que acha dos produtos do Bolsonaro? Tem a ver com política ou não? Usaria as botas? Diga tudo nos comentários! J-J



Mais informações


Por: Emerson Garcia

sábado, 10 de novembro de 2018

Vinhetas patrióticas do SBT: o que há por trás?




No último dia 06, o SBT publicou diversas vinhetas que foram questionadas pelos internautas. Elas enaltecem o Brasil, são patrióticas e nacionalistas, com mensagens otimistas, de esperança e união. O grande problema é que foram comparadas à mensagens da ditadura. Assista abaixo:



As vinhetas traziam as cores do Brasil, um fundo musical com o Hino Nacional e a marchinha "Eu te amo, meu Brasil Eu te amo Meu coração é verde, amarelo, branco e azul anil", imagens de pontos turísticos brasileiros e as frases "Brasil, Ame-o ou deixe-o""Eu te amo meu Brasil!".

Já outra, trazia as cores da bandeira nacional, um hino militar e a frase "Brasil de encantos mil!". Veja:






Os vídeos promocionais, que passaram durante o intervalo do programa Fofocalizando, foram bastante polemizadas. O que o SBT quer dizer com os vídeos? Será que a emissora insinuou que o Brasil viverá uma ditadura a partir do ano que vem?

Muito especulou-se sobre as intenções da emissora do homem do baú com as vinhetas. De acordo com uma nota enviada, a ideia [era] "passar uma mensagem de união, esperança e otimismo aos telespectadores brasileiros e aos que não são, porém vivem no país". A rede de televisão somente se esqueceu que as mensagens das vinhetas foram bastante divulgadas e propagadas em um período obscuro de nossa história




Frases de ditadura







Quem é da época militarista se lembra que a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o" era direcionada aos contrários à ditadura militar no país, no período de 1964 a 1985. Àqueles que não aceitavam as regras, ideias e leis impostas deveriam deixar o país, exilados. 

Tais campanhas foram criadas no governo do general Emílio Garrastazu Médici e são enaltecedoras da cultura do Brasil e extremamente patriotas. Embora sejam patriotas, as mensagens escondiam o que de fato acontecia aqui: censura, exílio e tortura. De acordo com o Correio Braziliense, o governo de Médici foi um dos mais repressivos da época. Na verdade, ou você amava o Brasil DE TODO O CORAÇÃO ou sofreria as consequências. 

De acordo com o Wikipédia, o slogan Brasil, ame-o ou deixe-o era extremamente usado nos conhecidos Anos de Chumbo e era ufanista, ou seja, vangloriava-se sobre os fatos e feitos no Brasil nessa época. 

Já a marchinha Eu te amo, meu Brasil Eu te amo fora criada pela dupla Dom e Ravel durante o período militar. Leia a letra completa abaixo (com grifos) e escute a música:


"As praias do Brasil ensolaradas,
O chão onde o país se elevou,
A mão de Deus abençoou,
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor.
O céu do meu Brasil tem mais estrelas.
O sol do meu país, mais esplendor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil.
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Ninguém segura a juventude do Brasil.

As tardes do Brasil são mais douradas.
Mulatas brotam cheias de calor.
A mão de Deus abençoou,
Eu vou ficar aqui, porque existe amor.
No carnaval, os gringos querem vê-las,
No colossal desfile multicor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.
Adoro meu Brasil de madrugada,
Nas horas que estou com meu amor.

A mão de Deus abençoou,
A minha amada vai comigo aonde eu for.
As noites do Brasil tem mais beleza.
A hora chora de tristeza e dor,
Porque a natureza sopra

E ela vai-se embora, enquanto eu planto amor."






Marchinhas como essa foram criadas até para o futebol nacional. Ou seja, percebemos que a ditadura militar interferia nas diversas escalas. Leia a canção Pra frente Brasil (com grifos) de Miguel Gustavo e a escute:


"Noventa Milhões em Ação
Pra Frente Brasil
Do Meu Coração
Todos juntos vamos
Pra Frente Brasil
Salve a Seleção!
De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil! Brasil!

Salve a seleção!"






Concessão durante o regime militar



Me pergunto porque o SBT (na época TVS) criou tantas vinhetas inspiradas no regime militar?! Talvez você não saiba, mas o canal foi parar nas mãos de Silvio Santos graças a uma concessão de um dos presidentes do regime militar, João Figueiredo em 1980. Acredito que, por esse motivo, o SBT tenha ampla afinidade com o militarismo. Veja o vídeo abaixo:










O SBT estava tão ligado ao regime militar que criou o quadro Semana do Presidente, onde divulgava-se eventos da agenda presidencial. Este quadro foi ao ar por mais de vinte anos. 






Design das logos 











As logos só são parecidas em questão de escrita mesmo, embora a do SBT contenha um ponto de exclamação ao final (!). Enquanto a logo do SBT é em sua maior parte verde, com o desenho da bandeira do Brasil circunstrito, a do regime militar apresentava a palavra 'Brasil' na cor azul e a frase 'ame-o ou deixe-o' na preta, com a bandeira nacional na lateral esquerda. 



Fora do ar


Depois de polêmicas, o SBT voltou atrás e retirou as campanhas do ar, embora em buscas na internet seja possível visualizá-las. Leia o que dizia o documento veiculado pelo SBT (com grifos):

"A emissora cometeu um equívoco de não se atentar que este bordão foi forte na época do regime militar".



Várias sátiras foram colocadas no Twitter com a palavra 'equívoco'. Separei os mais engraçadas:












Realmente foi um equívoco enorme o SBT publicar essas vinhetas logo após os resultados das eleições presidenciais. Se bem que compreendo os motivos dele ter feito isto, já que era intimamente ligada ao regime militar. J-J







Por: Emerson Garcia
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