Antes do JJ entrar de férias, pedi aos queridos leitores que mandassem ideias de pautas e temas para discutir no retorno do hiatus. A leitora Jeice Cruz mandou uma sugestão:
Seu desejo é uma ordem!
A notícia que Jeice Cruz se refere, foi veiculada no G1 no dia 03 de janeiro, com o título Homem raspa cabelo da filha de 12 anos e é preso na Serra, ES. Primeiramente, quem sou eu para julgar a forma como pais educam seus filhos. Cada um educa da forma que achar correta. Uns na base do diálogo, outros por meio de correções corporais. Em minha opinião não existe jeito certo de educar. Eu já apanhei para ser corrigido e não tenho trauma disso.
Contudo, preciso admitir que alguns pais optam por métodos violentos e humilhantes, que não ajudam em nada no desenvolvimento do caráter e personalidade dos seus pequenos. Existe uma diferença imensa entre "corrigir com a vara" e "deixar marcas com a vara". Progenitores não sabem a medida certa da correção e depositam toda sua raiva, rancor e frustração em seus filhos. Eles acham que quanto mais doer, mais serão corrigidos e aprenderão. Mal sabem eles que quando uma criança é disciplinada ela chora mais por conta da correção, do que pela dor. Então por que deixar marcas?
O caso do pai e da filha que pintou o cabelo de papel crepom é bem mais grave. Não foi apenas danos físicos, quando seu pai raspou seu lindo véu encaracolado, mas também psicológicos. O pai queria puní-la, mas somente viu aquele momento. Será que ele parou pra pensar o tempo que levará para o cabelo crescer novamente? Ou então, como sua filha está psicologicamente? Não. Até porque, como diz no ditado: "Quem bate esquece. Quem apanha jamais esquece".
Como você corrigiria esse filho que sujou a parede com mãos com tinta?
De fato, todas as vezes que apanhei jamais me esqueci, mas não guardo mágoa e rancor da minha mãe. Eu lembro dessas correções físicas como benéficas para o meu caráter. A menina, por sua vez, também se lembrará desse episódio, mas só ela sabe as marcas que seu pai deixou em seu psicológico.
Sou a favor da correção, não do vexame ou humilhação. E para mim, essa garota foi humilhada por seu pai. Ele não deveria ter tomado uma atitude tão drástica, sabendo que o cabelo de uma mulher é algo "sagrado".
Comentário de leitor na notícia do G1.
Se ele queria corrigí-la, que procurasse outra forma para isso. Embora eu tenha algumas reservas quanto à não-gravidade de uma menina pintar o cabelo de papel crepom - até porque dois dias depois se lava e aquilo sai - se ele julgou importante aplicar a disciplina, que ele até batesse, colocasse de castigo ou utilizasse a "pedagogia dos cortes", mas que não fizesse o que fez.
Emerson, você tem probleminha? Preferia que o pai batesse em sua filha ao invés de cortar o cabelo? Sim, de acordo com o que falei até agora, preferia sim, conquanto que não deixasse marcas graves na garota. Até porque, perder o cabelo irá trazer mais prejuízos a ela que qualquer atitude.
Juízo final: tapa na cara ou corte de cabelo?
Ele poderia optar pela não-violência total também. Deixar ela "de cara pra parede" como meu pai deixava meus irmãos (mas não a mim porque eu era bebê demais), proibir ela de sair pra casa das amigas e deixá-la trancada no setor habitacional.
E por último, a "pedagogia dos cortes". "Ficar sem uma coisa, por causa disso e disso". Bem eficaz e causa efeitos corretivos. O pai poderia dizer: "Você vai ficar sem redes sociais, sem Whatsapp, porque pintou o cabelo de verde com papel crepom". Ela ia sofrer, se escabelar - hoje ninguém vive mais sem redes sociais - mas iria ser corrigida. Ao utilizar essa metodologia, o pai não poderia deixar de explicar os motivos pelos quais a filha iria ficar sem as redes sociais. Isso é muito importante.
Porém, como disse, quem sou eu para julgar como um pai deve corrigir seus filhos? Eu, quando for pai, optarei por outras formas de correção, que não a violência corporal. Tem muitas formas eficazes para disciplinar os meninos e livrá-los do perigo de tornarem-se maus, violentos e caras de pau.
Contudo, há aqueles que optam por não corrigir seus filhos, o que os deixam sem limites, rebeldes e indisciplinados. E aí também está um grande perigo: um filho que não respeita os pais, que não está debaixo de uma autoridade, sofrerá muito depois. A própria sociedade irá corrigí-lo, e não será de uma forma branda.
Com o rei na barriga. O perigo de não corrigir os filhos. I JW
Juízo final: comentários extremistas e um válido
Esse é o meu ponto de vista sobre o fato, mas a Jeice Cruz também disse que "houveram muitos comentários machistas, mas também muitos feministas" na notícia reportada. Pude constatar isso bem. Leitores que foram a favor do pai; outros da menina. Alguns dos depoimentos foram extremistas, com alto teor de julgamento e falta de compaixão. Já outros, compassivos.
O comentário abaixo me revoltou por ser extremamente machista. Parece que não é um pai que está falando, mas "um machão da esquina". Você pode corrigir sua filha, mas chamá-la de "vagabunda" e expor sua força de macho, não.
Uiii! Que macho!
Já esses, mostram como o pensamento dos homens ainda está retrógrado. Mulher tem que ficar em casa e não pode passear com amigas. Sendo que ela poderia ser uma mãe que desse assistência a sua filha, mas também que vivesse uma vida normal. Mulher não pode fazer nada, mas homem, sim. Até raspar o cabelo da filha.
Lugar de mulher é dentro de casa.
E olha o que você fez com a responsabilidade do pai sobre a filha...
Além dos comentários, que defenderam a menina e seu cabelo, a opinião abaixo chamou-me a atenção, por ver a situação com sensatez e sobriedade.
Comentário sensato.
Talvez o meu posicionamento sobre o fato mostrou que sou feminista, mas a questão, ao meu ver, não é estar do lado dos machos alfas ou das mulheres. A notícia não deveria ter gerado guerra de gêneros de forma alguma. Deveria ter gerado reflexão, se a atitude do pai foi correta, ou não. Creio que eu esteja não do lado do feminismo, mas da análise crítica sobre o fato. J-J
Por: Emerson Garcia