Pode conter spoilers!
Como comemorar o aniversário de 100 anos de um jornal emblemático, que cobriu notícias históricas no decorrer do tempo?! Teria que ser uma comemoração pomposa, criativa e diferente. Hoje, no Quinta de série, falo da produção documental O século do Globo, de autoria de Pedro Bial e com direção de Pedro Peregrino e Dudu Levy. A produção, em 4 episódios de em média 1 hora cada, pode ser conferida no Globoplay. A série estreou no dia 8 de julho de 2025.
Com roteiro de George Moura, Ricardo Calil, Renato Onofre, Flavia Bessone e Renato Vieira Terra, a produção conta com arquivos do jornal e da TV Globo, documentações, encenações fictícias, depoimentos, misturando fatos históricos com reconstituições com atores. Por esse motivo, a produção conta com atuações de Tony Ramos, Eduardo Sterblitch e Bruno Mazzeo.
A série é interessante por misturar a veia documental e arquivística com as atuações dos atores. Aliás, a atuação, caracterização e maquiagem deles estão impecáveis. Eduardo Sterblitch e Tony Ramos interpretam o jornalista Roberto Marinho em diferentes fases da vida. Ao ver a série, vemos a perfeição de interpretação de ambos. Realmente eles encarnaram o jornalista e criador do jornal O Globo e da TV Globo. Tony Ramos já havia incorporado Marinho na novela Garota do momento, no capítulo do dia 26 de abril de 2025, coincidentemente dia do sexagenário da TV Globo.
Além de Eduardo Sterblitch e Tony Ramos, a série também conta com Rodrigo Simas, Bruno Mazzeo, João Vítor Silva, Ravel Andrade, Lívia Silva e Miguel Rômulo nos papeis centrais durante as simulações.
A série narra uma sequência de acontecimentos históricos que foram noticiados pelo jornal O Globo no decorrer de seus 100 anos de circulação no Brasil, acompanhando também a evolução do mundo nesse período. O jornal cobriu guerras, ditadura militar, pandemia do COVID-19, impeachment de presidentes e uma série de outros marcos históricos, sempre com uma visão crítica e bastante própria. Algumas coberturas era o próprio Roberto Marinho quem dizia como proceder e qual enfoque dar para a matéria. Uma das cenas mais fortes e emblemáticas foi um furo jornalístico e uma foto histórica, de milhões. Quem assistir a produção saberá do que estou falando.
A produção conta com 4 episódios, são eles: A origem, O jornal e a ditadura, A volta da democracia e Presente e futuro. É uma produção ágil, que você consegue assistir em apenas um dia, além de comemorar junto esse jornal centenário. É interessante porque o documentário não faz chapa branca, mas mostra o jornal como de fato ele é, com seus erros, acertos, polêmicas, crescimentos, desenvolvimentos, influências políticas e editoriais e por aí vai. A série vai desde a modernização do jornal, passando por seus altos e baixos, até os desafios contemporâneos e atuais da sociedade, com tecnologias cada vez mais arrojadas e a substituição do papel impresso para o meio online.
Para gravar a série, os produtores utilizaram recursos de inteligência artificial para representar os cenários da redação do jornal, contando também com uso de telões de LED e parte da cenografia baseada em fotografias.
A parte ficcional ficou sob a responsabilidade de José Luiz Villamarim, diretor artístico da série. Ele trouxe atores para fazer as simulações da redação em suas respectivas épocas.
A série, portanto, vai além da comemoração: ela é um mergulho nos bastidores da imprensa, nas transformações da mídia e no papel do jornalismo na construção da narrativa do país. Ela não é somente sobre o passado, mas sobre o presente e o futuro, servindo para pensar sobre credibilidade, poder e responsabilidade da mídia. Em tempos de fake news e disputas narrativas, a série provoca: quem conta a história... e como?
O século do Globo merece ser assistida para compreender o papel da imprensa, pois ela é essencial para entender o próprio Brasil. A série entrega isso com ritmo, cuidado e relevância. É claro que a produção merece o play, principalmente para aqueles que curtem documentários informativos e instigantes. Visite o passado com outros olhos! J-J
Por: Emerson Garcia






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