terça-feira, 5 de julho de 2022

Músicas seculares não podem ser espiritualizadas - o caso de 'Epitáfio', 'Titãs'


Lançada em 2002, Epitáfio é uma canção e single da banda Titãs, sendo um dos grandes sucessos do grupo. Ela foi e é bastante criticada por dizer que o acaso é que nos protege. A música não é de adoração, de louvor ou de exaltação ao nome de Deus. Até porque o Titãs é um grupo secular. 



Existem músicas evangélicas que, se analisar a letra, não tem nada de exaltação à Deus, pois falam mais do ser humano, do que do Senhor. A música Meu Jesus maravilhoso és do Kleber Lucas, por exemplo, o autor fala muito "Eu, eu, eu", outrossim tinha que ser "Tu, tu, tu". No meio evangélico, se canta mais música antropocêntricas (homem no centro), do que teocêntricas (Deus no centro). 



Não se pode condenar a música Epitáfio porque, na verdade, é uma trilha de novela, que não é evangélica, nem é exibida em um canal evangélico. Os autores e compositores, por sua vez, não são evangélicos. Em um chá musical, o aluno pode cantá-la; em um programa de TV, o cantor pode apresentá-la, porque ela fala do dia a dia de uma pessoa. Tinha um pastor em Vitória (ES) que dizia que a gente só não pode cantar canções que neguem o nome de Deus, e exaltam santos. Elas, sim, tiram o lugar de Deus. Se um aluno cantar em um chá musical, não posso proibir, até porque é um evento de músicas em geral. Em um evento secular, você canta essas músicas como outra qualquer. Se a pessoa é profissional, pode se recusar, ou não, a cantá-las.

A parte de Epitáfio que diz "O acaso vai me proteger", é uma parte como outra qualquer, que idolatra o acaso. Nós, evangélicos, pensamos que quem nos protege é Deus, mais o ímpio não pensa dessa forma. Ele pensa em várias coisas. Ele acredita na sorte, na proteção do vento, do destino, menos de Deus. Então, não podemos condenar a letra por causa disso. Não podemos espiritualizar todas as coisas, por que não tem esse lugar, Dentro da igreja, você não irá cantar uma música dessas. 



Atualmente, na igreja o pessoal pouco canta hinos da harpa. Eles são inspirados por Deus e na palavra Dele. Agora, tem muitas músicas de cantores gospel que se cantam que não tem nada a ver com o nome de Deus e nem O exaltam. Por que, então, criticar as músicas seculares? 

Talvez, quando o compositor escreveu Epitáfio, ele nem pensou que quem nos protege é Deus. E se não fóssemos evangélicos, e a música tivesse cunho religioso, falaríamos a mesma coisa. Por exemplo, eu já vi pastora falar que o marido é a vida dela: "Você é a minha vida!". Ué, a minha vida é Deus, Jesus Cristo. Agora, ela está colocando o marido acima de Deus, de Jesus? Não tá. É uma expressão que ela usa. Já vi muita mulher que fala para o marido e os filhos: "Vocês são o meu tudo!". Outros que falam: "Você o meu porto seguro". Na verdade, o porto seguro da gente é Deus e Jesus. Não se pode julgar as pessoas por causa disso, porque é uma forma dela interpretar e mostrar o amor que é sentido e demonstrado pelo outro. A pessoa que canta essa música, não a canta para louvar a Deus, mas canta uma canção que tem uma poesia de alguém. Quando o Titãs conhecer a Jesus, poderá cantar assim: "Mas Deus vai me proteger, enquanto eu andar distraído". Se eu, evangélica, for cantá-la, posso modificá-la. 

Não podemos pegar todas as músicas seculares e espiritualizá-las, porque elas não foram feitas por pessoas cristãs! Agora, os hinos da harpa foram feitos por pessoas cristãs, foram inspirados na Bíblia e as igrejas não cantam. Usam música de mundanos, que muitas vezes são desviados. A gente continua as cantando nas igrejas, enquanto tem corinhos de fogo e hinos da harpa para serem cantados. J-J

 
Por: Marilza Luciano, colaboradora especial do JOVEM JORNALISTA

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Entre frames #60: Trilogia Blue Neighborhood (Wild, Fools e Talk me down) - Troye Sivan


Hoje finalizo a Pride Week 2022 em grande estilo, pois farei um Entre Frames mais que especial, aonde analisarei a trilogia Blue Neighborhood de Troye Sivan, com os clipes que formam uma história com início, meio e fim - WildFools e Talk me down. A edição do diretor foi lançada no dia 9 de agosto de 2016, contando com 31.775.616 visualizações 456 mil curtidas. Os clipes foram dirigidos por Tim Mattia e produzidos por Brandon Bonfiglio at London Alleey. A edição com apenas uma narrativa foi dirigda por Tim Mattia, que cuidou dos novos cortes para o projeto ter sentido e uma estória linear e congruente. 

A trilogia conta a jornada de dois meninos que se conhecem na vizinhança na infância, se tornando amigos inseparáveis, e se relacionam de forma amorosa quando chegam na adolescência, enfrentando a opressão e a discriminação do pai homofóbico de um deles. A série tem um final trágico e triste, com a morte do pai de um dos garotos. 

A primeira parte é focada na infância de amizade entre os garotos, que passam por diversas aventuras e descobertas. A segunda, eles entram na adolescência e mantém um romance intenso e amoroso, tendo que lidar com o alcoolismo e a homofobia do pai de um deles. O terceiro clipe é mais melancólico porque é focado na morte do pai de um deles.

Cada uma das partes tem uma vibe, filtro de cor e perspectiva. O espectador consegue diferí-los. A primeira parte é mais solar, a segunda tem tons mais de madeira, e a terceira azulados, tristes. Tudo isso ajudou a contar a história dos três clipes. Assista à trilogia agora: 


Conheça sobre cada um dos clipes agora. Dividi em três partes macros (Clipes) e micros (Tópicos de cada clipe).   

 

Wild


 

É a parte em que os créditos são inseridos, os personagens são introduzidos e a história começa a ser tecida. A parte compreende 4:02 e traz a amizade entre amigos e pais; o alcoolismo de um dos pais; e a descoberta do amor infantil entre os amigos. Há cores solares, alegres e também azuladas. O clima nostálgico acompanha as memórias de Troye, que relembra os bons momentos de sua infância. A câmera é subjetiva e intimista, além de dinâmica. Foram utilizadas a luz solar, sombras e filtros. Há uma valorização e apreciação da natureza, mesclado com momentos atuais e do presente. Um amigo tem um cuidado e um carinho muito grande com o outro. Eles realizam brincadeiras inocentes e é introduzido os primeiros problemas de alcoolismo do pai de um deles, que demonstra ser ausente e violento.  

O vídeo é todo sobre inocência e ingenuidade e traduz o início de um relacionamento. Troye consegue criar a atmosfera ideal para o pano de fundo que rodeia a trilogia. 

 

Cenas iniciais

Entre 0:00 e 0:12 aparecem os créditos iniciais. Ouve-se o barulho do mar e o filtro da cena é azul. A câmera vai se aproximando da praia e mostrando-a de forma panorâmica. Aos 0:03 um personagem surge de relance na tela. Seus olhos azuis, combinam com a tonalidade azul da tela. Em 0:05, os protagonistas do clipe correm na areia da praia em um clima de inocência e descontração. Em 0:08, o outro protagonista surge de relance na tela. Aos 0:10, os meninos surgem brincando na praia. O filtro é azul e frio.  

Após essa introdução, há o fim dos créditos e o início do clipe propriamente dito (0:12 - 0:14).

 

Infância nostálgica e divertida

A câmera se aproxima e chega bem próximo da cena (0:12 - 0:14). Nos próximos segundos, filma-se os pés dos garotos correndo, em filtro azul (0:14 - 0:15). Eles brincam e se divertem. A câmera é subjetiva e intimista, filmando os detalhes da cena e objetos (0:15 - 0:28).  



Entre 0:29 e 0:30, a cena corta da nostalgia para o momento de Troye Sivan já adulto nos ombros de outro rapaz (0:29 - 0:30). É como se ele tivesse se recordando de sua infância. Nos segundos seguintes (0:33 0:38), a cena corta para o passado e mostra os garotos descendo da árvore e voltando para suas casas de bicicleta, evidenciando uma união e a vontade de um estar ao lado do outro. Há simetria e centralismo na cena. Entre 0:39 e 0:40, um chega em sua casa e se despede do outro, com pesar e tristeza. Em 0:45 e 0:52, um deles corre para a sacada para ver o outro ir embora. Há um clima de romance e saudades entre ambos e a vontade de estarem para sempre juntos. Entre 0:52 e 0:54, Troye fica mais sentido e nostálgico no ombro do rapaz. 


Momentos lúdicos Vs. Problemas familiares

Os amigos continuam brincando e realizando atividades lúdicas juntos, como brincar com prendedores de roupas, jogar videogame, correr pela floresta e andar de bicicleta (0:55 - 1:01). O pai de um deles mantém um barco, enquanto eles passam em câmera lenta e em slow motion (1:03 - 1:04). Os frames se alternam entre eles brincando e o pai de um deles bebe cachaça e entra no alcoolismo lentamente (1:12 - 1:22). 

Troye relembra desses momentos alegres e difíceis no ombro do seu crush, ora com nostalgia, ora com pesar (1:23 - 1:24). Entre 1:26 e 1:27 há uma sincronia do barulho de palmas batendo e de um dos meninos batendo suas mãos. 


Pais


Essa primeira parte mexe muito comigo pois fala da relação paterna com seus filhos. É uma parte emocionante, assim como as outras seguintes. Entre 1:28 e 1:41 há uma transição de um dos pais (bêbado e alcoolizado), para o outro (brincalhão, presente e divertido). 

 

Segundos depois (1:44 - 1:45), os pais e filhos se encontram e brincam na praia. Os pais possuem certa amizade e admiração, assim como seus filhos também. Entre 1:50 e 1:54, Troye se lembra desses episódios nos ombros do seu amado. O pai de um dos garotos sente falta deles, enquanto eles brincam e se aventuram na floresta da praia. Eles encontram um polvo, o pegam e ficam com nojo (1:54 1:56). O pai alcóolatra fica com vontade de beber e coloca a garrafa na boca, olhando para o lado com certa desconfiança. Os garotos se divertem, enquanto o pai enche a cara (1:57 - 2:01). Troye fica cada vez mais sentimental nos ombros do crush (2:02 - 2:04). 


Amor floresce


Entre 2:37 e 2:41, os amigos ainda brincam na praia e jogam carangueijos no mar. Já jovens, eles se abraçam com maior intensidade, a ponto de não se desgrudarem mais (2:41 - 2:422:44). Na cabana, durante a infância, eles são despertados para um sentimento novo, intenso - o amor (2:44 - 2:46). A amizade, cuidado e carinho de um para o outro são reconfigurados para um sentimento mais forte.


Aos 2:47 e 2:51, já jovens continuam abraçados e em clima romântico. Crianças, de mãos unidas, na cabana, há um clima e química entre os amigos (2:52 - 2:53). Na praia, ainda crianças, os amigos manifestam carinho, dedicação e amor um pelo outro (2:55 - 2:56). Eles acarinham o rosto um do outro, sorriem e se abraçam. 


Há uma transição de cenas entre 2:56 3:00. Os meninos correm pelo deck da praia, até que corta para a perna e pé de um deles correndo. O pai de um dos garotos fica alterado por conta da bebida e começa a fazer brincadeiras (3:08). Há brigas e desentendimentos na praia (3:14 - 3:26), até que a discussão fica mais acalorada entre os pais, enquanto os garotos retornam (3:27 - 3:30). A briga termina e os garotos se separam (3:32 - 3:34).

 


Os garotos se lembram dos tempos de alegria, juntos (3:42 3:49), ficam tristes por se separarem e, adultos, se lembram desse momento abraçados, unidos e grudados (3:50 - 3:51). Entre 3:58 e 4:01 há uma transição para a segunda parte do vídeo, Fools.


Fools


A segunda parte vai de 4:02 até 7:49 e mostra que o relacionamento dos garotos fica mais intenso. Além disso, há brigas, violência e homofobia por parte do pai, o ensaio de uma heteroafetividade forçada e o distanciamento dos garotos. Temas como esse são tratados nessa nova parte: primeiro beijo, descoberta do amor, homofobia, sexo e decepção amorosa. As cenas dessa parte são mais densas, tristes e emocionantes. Os cortes e edições são mais bruscos, o filtro e cor azul se mantém e a câmera é subjetiva, dinâmica e intimista.  

Após o afastamento na primeira parte, os garotos crescem e seguem suas vidas. O pai está cada vez mais no alcoolismo. À medida que crescem, relembram de memórias de suas infâncias, até que se reencontram e mantém um relacionamento amoroso e de sexo. O pai de um deles descobre e resolve agir com muita violência. Os garotos se separam e se reencontram de uma forma não muito boa, decepcionante, quando um deles resolve ter uma experiência hétero. Há lembranças e montagens de cenas da primeira com a segunda parte. Apesar do clima pesado, a música dessa segunda parte é mais animada, eletrônica e ritmada.   

Fools é sobre o momento no qual a ingenuidade acerta as contas contigo. Retrata a negação da própria identidade, entre outros assuntos bem espinhosos. O final traz uma prévia da próxima parte da trilogia, onde surge um funeral!  


A segunda parte inicia, fazendo referência à primeira. Os amigos estão apaixonados e se beijam, genuinamente (4:02 - 4:07), Entre 4:13 e 4:16, Troye Sivan começa a cantar a segunda música. O filtro é azul. 

 

Entrega


Os amigos retornam a viver suas vidas, sem a  presença um do outro e crescem distantes (4:16 - 4:19). Após, corta para cenas atuais e do presente deles se amando e se querendo bem (4:19). Os amigos aparecem, juntos, e já crescidos na praia, rindo e curtindo a presença um do outro (4:28 - 4:29). Há um foco e close no cantor Troye, alinhado à esquerda da tela (4:28 4:29). 


Entre 4:30 e 4:32, os amigos se abraçam e se amam intensamente e se entregam um ao outro. A seguir (4:33 - 4:34), o cantor é alinhado à direita no refrão da música, com tonalidades azul. Em 4:35 há cenas de sexo e entrega, ao passo que entre 4:35 e 4:36, o pai de um deles se entrega, ainda mais, ao álcool. A seguir, os meninos ainda se entregam um ao outro (4:36), até que o pai dá umais um gole na cachaça e entra bêbado dentro de casa (4:37). Ele briga com os garotos (4:38 - 4:39) e eles ficam desnoteados e sem ter o que fazer, ocasionando uma briga (4:41 - 4:42).  


A briga continua (4:43 - 4:45) e há uma transição interessante do garoto sendo jogado por seu pai na cama e depois por seu namorado durante o sexo (4:46 - 4:47). O menino fica apreensivo na cama apanhando do seu pai. Há muitas cenas gratuitas de violência (4:53 - 5:01).   


Após a atitude violenta

Depois de apanhar, o menino fica recluso e encolhido na cama do seu quarto (5:17 5:18). O pai fica pensativo e reflexivo no jardim da casa, com a mesa cheia de bebidas. Ele olha para a mão que bateu no menino com pesar, parecendo estar arrependido do que fez (5:22 - 5:25). O menino está depressivo (5:25 - 5:26) e o pai chora, com tristeza (5:27 - 5:28).

 

Reencontro


Cenas do passado e do presente se misturam (5:32 - 5:49). Os garotos relembram sua infância e se reencontram. O menino avista o outro e fala para o pai esperar um pouco que ele voltaria ao trabalho (5:52 - 5:54). O outro fica com cara de paisagem e o menino chega até ele (5:56 - 5:57). Eles se aproximam e o pai os deixam, saindo de costas (5:58 - 6:01). 


Os amigos começam a discutir e a se desentender, até que um deles se distancia (5:58 - 6:01). O pai discute com ele e o outro vai embora de cabeça baixa (6:19 6:23). O pai se orgulha pela decisão de seu filho e o abraça (6:24 - 6:25).  


Experiência hétero

Entre 6:46 e 6:51, um dos garotos caminha na sacada de sua janela, rememorando uma cena da primeira parte. Segundos depois, entre 6:55 6:58, um dos garotos resolve investir em um relacionamento hétero, chegando a caminhar com sua nova namorada pelas ruas. 



O garoto vê seu ex namorado com uma garota (6:58), se sentindo tristíssimo. A seguir (7:00 - 7:15), corta para uma cela de romance homo e, depois (7:15 - 7:17), para uma do casal hétero de mãos dadas. 

Corta para o menino triste na varanda, com memórias do passado (7:17 - 7:22). O garoto vai para casa decepcionando e vendo seu romance do passado desmanchando (7:22 - 7:24). Por fim, há cenas de memória e saudades na varanda (7:28 - 7:33). 

Os segundos finais dessa parte, retomam a briga do pai com o filho, com ele rechaçando a orientação do filho e por ele ter ficado com um garoto. O diálogo e a briga aparecem de forma audível e sonora (7:37 - 7:48). 

 

Talk me down


A terceira parte traz a parte mais dolorosa da trilogia, com a morte do pai, reencontro dos amigos, memórias, consolos, decisões, escolhas e um desfecho. Ela vai de 7:49 à 12:32. A música é triste e depressiva, a tonalidade e filtro é em sua maioria azul, há um clima mórbido no cemitério, lembranças, reencontros, tristeza, drama, melancolia, brigas entre o casal hétero, abraços calorosos entre amigos, cenas mescladas do passado e presente, e claro, os créditos finais.   

Não há como não ficar triste e emocionado com essa parte. Talk me down encerra de forma comovente o enredo onde Troye, gay, vive um romance proibido que acaba sendo abafado pelo preconceito do pai de seu amado.  

 

Funeral


A terceira parte inicia com cenas em um cemitério (7:49 - 7:57). O pai de um deles falece. O filtro é azul e a câmera passeia pelo ambiente, até mostrar os presentes para o funeral. 


Troye surge cantando e se arrumando para o funeral do pai de seu amigo. Ele arruma sua gravata e se dirige para o cemitério (7:59 - 8:008:10 8:11). Por lá, as pessoas estão tristes e emocionadas e Matt se lembra dos momentos BONS que passou com o seu pai. Claro que Matt passou por momentos difíceis e complicados com ele, mas ele resolve se lembrar apenas dos bons e dos momentos de brincadeiras que teve (8:12 8:15; 8:19 - 8:21). 


Troye termina de arrumar e coloca seu paletó, até chegar no cemitério para transmitir suas condolências ao amigo (8:22 - 8:25). Ao chegar, olha para o seu ex namorado com olhar de apaixonado, enquanto ele é consolado pela sua namorada. Foco na visão dele, olhando ele ser acarinhado pela mão de sua namorada (8:27 - 8:30). Troye, então, olha com ciúmes para o casal (8:36 - 8:41). 


O enterro vai se encerrando e o ex namorado sai desolado; ele anda pelo cemitério e relembra dos bons momentos que teve com seu amigo (8:51 - 8:52; 8:57 - 9:03). A seguir, há montagem de cenas bem editadas com a namorada consolando Matt, e depois pai e filho se acarinhando  (9:04 - 9:07). 


Troye se senta no chão; e Matt chega até ele; Matt se lembra de mais momentos com Troye, enquanto ele encosta a mão em seu ombro (10:01 - 10:03; 10:09 - 10:11; 10:12 - 10:17). Surpreso, Troye se levanta assustado e eles se lembram dos momentos de alegria, amizade e amor juntos (10:19 - 10:24).



Troye Matt se lembra e fica mexido com a situação (10:25 - 10:28). Há mais memórias do passado dos meninos (10:2810:37). A namorada vê a cena dos dois com certo desdém (10:3710:39). Os dois se separam do abraço (10:4110:43) e a namorada olha com olhar desconfiado para os dois e Matt tenta se explicar (10:4710:49). Matt se lembra da briga com o seu pai (10:4910:50) e, temendo que isso aconteça novamente, foge de Troye (10:5010:55).


Então, se direciona até a namorada, que não gostou nada do que viu (10:58 11:04). Matt dá uma última olhada para o seu ex namorado e passa mais memórias (11:04). 


Há mais memórias da infância e juventude dos garotos (11:1111:13; 11:16), memórias negativas e positivas (11:1911:30). O clipe finaliza com os garotos pulando no mar e, depois, Troye de um penhasco com vista para o mar, parecendo que cometeu suicídio, depois de anos de homofobia. Ele faz isso devido a perda de seu grande amor (11:3111:33).




A tela fica preta e os créditos finais surgem (11:3312:32). Os créditos fornecem linhas diretas para prevenção de suicídio. 





Trilogia Blue Neighborhood



Essa é uma trilogia tocante com abordagem desde das relações familiares, passando pelo verdadeiro amor e com o fim tráfico do suicídio. Esse é um projeto incrível de Troye Sivan, ao lado do diretor Tim Mattia, que é executado de forma perfeita, por eles apresentaram uma história belíssima em apenas 12 minutos, ou seja, um curta-metragem. O retrato é convicente, emotivo, sem ser algo clichê. A coragem de filmar esse tipo de história também deve ser ressaltada, para aumentar a conscientização e entendimento das pessoas. Além disso é, sem dúvidas, uma incrível obra de arte.  

Há referências aos rituais religiosos que Mary, mãe de Bobby, em Orações para Bobby, realiza para curar o seu filho de sua orientação, como quando o pai do garoto Matt o obriga a encerrar qualquer tipo de relacionamento que tenha com o seu amado, interpretado por Troye. Na parte final, Talk me down, há algo similar no que acontece no longa mencionado anteriormente: Bobby, após não aguentar mais as desavenças que encontra, além da confusão que sua mãe lhe traz, se lança do alto de um viaduto.  

As mensagens apresentadas são fortes e claríssimas. Abordam depressão, preconceito, ignorância, arrogância e conflitos que muitos indivíduos enfrentam sós. Não há jeitinho, repressão ou supressão do que se sente. Deveria haver apenas pessoas que seguem suas vidas da forma que querem seguir.

A trilogia foi indicada ao VMA 2016 na categoria de Melhor Clipe em Longa-Metragem, mas perdeu para Lemonade, de Beyoncé.

 

Troye Sivan

É incrível como o cantor consegue mostrar diversos pontos de vista da história dos clipes. Troye quis retratar pessoas incertas com sua sexualidade, reprimidas pela família, religião. Ele quis dizer que todos os envolvidos nessas situações sofrem demais durante a vida. Em curta-metragem, ele tratou de temas como amizade, amor, família e preconceito.

Troye é um ser admirável, pelo fato não só dele ser gay assumido e militante, mas o conteúdo que ele apresenta sem aproveitar de sua própria sexualidade para falar algo. Isso significa que a orientação sexual dos indivíduos é irrelevante, com relação ao que ela apresenta e faz com qualidade.


Letras



Discorrerei sobre as três letras. Em Wild, Troye encanta os ouvintes ao resumir um amor proibido, que mesmo gerando feridas, te faz insistir, pois você está envolvido e completamente apaixonado. Separei alguns trechos:

“Tentando duramente não me apaixonar

No caminho de casa

Você estava tentando me cansar, cansar

Me beijando nas cercas e muros

No caminho de casa

Eu acho que está tudo dando certo, agora”

(Tentando duramente não me apaixonar

No caminho de casa

Você estava tentando me cansar, cansar

Me beijando nas cercas e muros

No caminho de casa

Eu acho que está tudo dando certo, agora)

 

“Leave this blue neighbourhood

Never knew loving could hurt this good, oh

And it drives me wild

'Cause when you look like that

I've never ever wanted to be so bad, oh

It drives me wild

You're driving me wild, wild, wild

You're driving me wild, wild, wild

You're driving me wild

(Wild, wild, hey!)”

(Deixe essa vizinhança triste

Nunca soube que amar poderia doer tanto, oh

E isso me deixa louco

Porque quando você olha assim

Eu jamais quis ser tão mau, oh

Isso me deixa louco

Você me deixa selvagem, selvagem, selvagem

Você me deixa selvagem, selvagem, selvagem

Você me deixa selvagem

(Selvagem, selvagem, ei!) )


Fools continua a saga em um caminho oposto, com Troye dizendo ser idiota por gostar demasiadamente de alguém. No refrão, Troye reflete em um conflito interior, sobre a total dedicação vista na música anterior e percebe que, mesmo sem conseguir viver sem, ele é um tolo por cair nesse jogo de sedução.

“I am tired of this place

I hope people change

I need time to replace what I gave away

And my hopes, they are high

I must keep them small

Though I try to resist

I still want it all”

(Estou cansado desse lugar

Espero que as pessoas mudem

Eu preciso de tempo para substituir aquilo que eu dei

E as minhas esperanças, elas são altas

Eu deveria mantê-las pequenas

Apesar de eu tentar resistir

Eu ainda quero isso tudo)

 

“Only fools fall for you, only fools

Only fools do what I do, only fools fall

Only fools fall for you, only fools

Only fools do what I do, only fools fall”

(Apenas tolos se apaixonam por você, apenas tolos

Apenas tolos fazem o que eu faço, apenas tolos se apaixonam

Apenas tolos se apaixonam por você, apenas tolos

Apenas tolos fazem o que eu faço, apenas tolos se apaixonam)


A letra de Talk me down é totalmente trágica e sincera. Para dar vida à música, ele chamou o produtor Emile Haynie. Juntos, fizeram uma faixa delicada e épica sobre dormir eternamente ao lado de quem se ama. Essa é a faixa mais delicada, por conta do coração partido de Troye. A letra cria uma atmosfera triste, de saudade de coisas e uma vibe irremediavelmente romântica, com doses de sonho, esperança e fragilidade.   

“I wanna sleep next to you

But that's all I wanna do right now

And I wanna come home to you

But home is just a room full of my safest sounds

'Cause you know that I can't trust myself with my 3 A.M. shadow

I'd rather fuel a fantasy than deal with this alone”

(Eu quero dormir ao seu lado

Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

E eu quero voltar pra casa, pra você

Mas casa é só uma sala cheia dos meus sons mais seguros

Porque você sabe que eu não posso confiar em mim e em minha sombra das 3 da manhã

Eu prefiro alimentar uma fantasia do que lidar com isso sozinho)

 

“I wanna hold hands with you

But that's all I wanna do right now

And I wanna get close to you

'Cause your hands and lips still know their way around

And I know I like to draw that line, when it starts to get too real

But the less time that I spend with you, the less you need to heal”

(Eu quero dar as mãos com você

Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

E eu quero chegar perto de você

Porque suas mãos e lábios ainda sabem seus caminhos

E eu sei que eu gosto de traçar um limite, quando começa a ficar muito real

Mas quanto menos tempo que eu passo com você, menos você precisa para se curar)

 

Música

Wild, Fools e Talk me down possuem vibes sonoras muito distintas. Wild tem um delicioso eletropop minimalista e crescente, com coral infantil, que suaviza sua densidade.

Fools, por sua vez, começa com um suave piano que recebe elementos eletrônicos e bastante energia, crescendo a cada momento até atingir seu ápice no fim. Ela é uma das preferidas dos fãs, pois começa como uma balada, mas, em seguida, se transforma em um grandioso eletropop durante o refrão. Entre 2:44 e 3:05 há um grande coral, precisamente na parte “only fools”, que foi extraído de uma das primeiras apresentações ao vivo da música, num show privado para fãs, colocado, de forma brilhante, na versão final.

Talk me down troca as batidas por uma orquestra, dando um toque único à canção. A produção da música, em conjunto com os vocais e letras, criam uma atmosfera bem peculiar. Essa faixa, junto com o visual/tema de seu clipe, é de uma responsabilidade enorme e não sai da sua mente tão cedo.

Finalizamos o Entre frames de hoje que está mais do que especial! Espero que o leitor tenha gostado! Assim finalizamos a Pride Week 2022! J-J    










 

 




Por: Emerson Garcia
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