domingo, 31 de maio de 2026

As 12 bolas da Copa e suas histórias - parte 1


A Copa do Mundo vem aí! Daqui 11 dias a bola vai rolar em gramados americanos, mexicanos e canadenses. Falando em bola, esse é um post em que vou falar das bolas da Copa e suas histórias. Ele será dividido em duas partes. Essa é a primeira.

No início, a bola era marrom. Depois, fez-se a luz. Branca, com gomos pretos, cores, nomes e grafismos. As bolas refletiram as transformações mundiais e acompanharam as singularidades de cada sede, da primeira edição, em 1930, no Uruguai, à última, em 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. Que tal fazermos uma viagem no tempo e conferir os detalhes dos variados modelos?


Uruguai 1930: Modelo T


Batizada em homenagem às suas 11 tiras de couro costuradas à mão em forma de "T", a Modelo T foi usada em alguns dos jogos da primeira Copa do Mundo, mas não em todos. Após ter sido utilizada nos Jogos Olímpicos de Paris 1924 e Amsterdã 1928, ela era considerada uma opção confiável. 

Para a primeira edição da Copa, o árbitro John Langenus pediu aos capitães de Uruguai e Argentina que escolhessem uma bola. O país-sede queria a Modelo T, enquanto os adversários preferiam a Tiento, composta por 12 painéis longos. Como não foi possível chegar a um acordo, ficou decidido que uma bola diferente seria usada em cada tempo de jogo. A Argentina foi para o intervalo ganhando por 2 a 1 com a Tiento, sua preferida, mas o Uruguai virou e marcou três gols no segundo tempo com a Modelo T no gramado e se sagrou campeão por 4 a 2.


Itália 1934: Federale 102



A bola foi produzida por uma fabricante italiana, mas ao menos duas outras bolas foram usadas nos jogos do torneio, incluindo a final. Eram os capitãos das equipes que escolhiam qual queriam usar.

Composta por 13 painéis de couro costurados à mão, a Federale 102 tinha como característica que a incisão para a câmara foi costurada com linha de algodão, em vez de couro, para deixar a bola mais confortável.

As outras bolas utilizadas no torneiro foram a Globo e a Zig-Zag, ambas fabricadas por empresas britâncias. A Zig-Zag, feita pela empresa William Sykes em estilo semelhante à modelo T de 1930, foi escolhida para a final, quando a Itália, dona da casa, derrotou a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação. 


França 1938: Allen



Como ocorreria com todas as bolas oficiais da Copa do Mundo entre 1934 e 1966, a Allen foi fabricada no país-sede - neste caso, em Paris.

As bolas Allen não tinham nenhuma marca comercial, mas uma bola com o nome da empresa foi colocado no círculo central antes da final para ajudar a promover e divulgar o fabricante.

Com um design parecido com o da Federale 102, com 13 painéis e linha de algodão, a Allen foi outra bola da Copa a ter um passado olímpico, já que havia sido utilizada nos Jogos de Paris em 1924. 

Nas três primeiras Copas (1930, 1934 e 1938), a bola era de couro marrom. A bola de capotão. As costuras eram externas, e o bico de encher ficava para fora. Na chuva, absorvia água e ficava mais pesada. 


Brasil 1950: Superball Duplo T




Apesar de conter as palavras "Indústria brasileira", a Superball Duplo T foi patenteada originalmente pela empresa argentina Tossolini, Valbonesi, Polo & Cia, que a batizou de Superval Doble T.

Após a Segunda Guerra Mundial, a fábrica se tornou a fornecedora oficial da bola da Copa do Mundo, que foi remodelada como a Superball Duplo T, após pequenas mudanças. Foi a primeira bola da Copa do Mundo sem cadarços, inflada por uma válvula inserida diretamente em uma das 12 tiras de couro idênticas, costuradas à mão, o que proporcionava uma superfície mais uniforme, redonda e vedada. As bordas arredondadas dos painéis, mais leves, proporcionavam mais durabilidade e estabilidade, já que a costura recebeu proteção extra. O bico e as costuras foram colocados dentro da bola, para a segurança dos jogadores.

Foi com o modelo que Pelé e Garrincha encantaram o mundo e ajudaram o Brasil a ser campeão do torneio pela primeira vez.


Suíça 1954: Swiss World Champion


Feita com couro curtido, a Swiss World Champion manteve uma cor ligeiramente amarelada, o que facilitava que os torcedores a acompassem melhor do que as anteriores bolas marrom-escuro.

Essa característica foi particularmente útil nas condições chuvosas e lamacentas da final, quando a Alemanha Ocidental venceu a favorita Hungria por 3 a 2. Como as bolas de couro impermeáveis não foram criadas até a década de 1980, a Swiss World Champion absorveu um pouco da chuva e foi ficando cada vez mais pesada durante a final, em Berna.

Era feita com 18 longas tiras de couro, unidas por fios de nylon e dispostas em fileiras de três painéis que contavam com bordas irregulares e continuam a ser usadas como modelo pelos fabricantes de bolas. Foi com ela que o Brasil conquistou seu segundo título mundial.


Suécia 1958: Top Star


Para o torneio, a FIFA organizou um concurso para eleger a bola oficial da Copa do Mundo entre 102 bolas de futebol sem marca enviadas ao comitê organizador e ao presidente da FIFA, Stanley Rous. Os nomes dos fabricantes foram colocados em envelopes fechados e numerados, que só foram abertos após o sorteio da Copa do Mundo. A vencedora foi a número 55 - a Top Star, disponível nas cores amarela, marrom-clara e branca.

A bola branca - com 24 tiras de couro e revestida de cera para não absorver a umidade - foi usada na maioria dos jogos, incluindo na final, quando o Brasil, com um jovem Pelé de apenas 17 anos, derrotou a Suécia.


Chile 1962: Mr Crack


Fabricada com 18 tiras de couro, a Mr Crack tinha painéis mais arredondados do que suas antecessoras, o que a fazia parecer mais esférica. Foi também a primeira bola da Copa do Mundo com uma válvula de látex, o que garantia que mantivesse sua forma por mais tempo, já que murchava mais lentamente. 

Quando a Adidas começou a fabricar bolas de futebol, em 1963, uma das suas primeiras foi batizada de Santiago, em homenagem à bola do torneio, e se baseou no design da Mr Crack. Porém, a bola oficial tinha problemas de absorção de água e várias seleções europeias preferiram usar bolas alternativas - incluindo a Top Star de 1958, escolhida para as quartas de final entre Tchecoslováquia e Hungria.


Inglaterra 1966: Challenge 4-Star


Antes do torneio, mais de cem bolas sem marca foram enviadas à Federação Inglesa de Futebol, onde um um grupo de especialistas testou a circunferência, a esfericidade, o peso, a perda de pressão e a distância da quicada de cada uma.

Fabricada pela Slazenger, uma empresa britânica conhecida por seus equipamentos de tênis e golfe, a Challenge 4-Star saiu vitoriosa. A bola contava com 25 painéis e estava disponível em branco, amarelo e laranja.

A versão branca foi usada com mais frequência, mas foi a bola laranja que se tornou sinônimo do torneio por ter sido usada na final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, vencida pelos donos da casa na prorrogação por 4 a 2, com três gols de Geoff Hurst.


México 1970: Telstar


A Copa do Mundo 1970 foi um divisor de águas e a Adidas foi nomeada a fornecedora oficial das bolas, em parceria que continua até hoje.

A emblemática Telstar, contava com 32 painéis - 12 pentágonos pretos e 20 hexágonos brancos -, um design que, desde então, é usado regularmente para representar uma bola de futebol em todo o mundo.

A bola recebeu o nome do satélite de comunicações responsável pelas primeiras transmissões de TV internacionais ao vivo - incluindo o torneio no México, vencido de forma inesquecível pelo Brasil -, que tinha painéis solares escuros sobre um fundo branco.

A Telstar também estava disponível nas cores laranja e branca. Porém, os exemplares usados nos jogos na América do Norte não tinham o nome da bola nem o logotipo da Adidas. 

A Copa de 1970 foi a primeira a ser televisionada ao vivo, e o desenho da Telstar - o nome significa "Estrela de televisão" - foi feito para tornar a bola muito mais visível para as TVs.


Alemanha Ocidental 1974: Telstar Durlast


As bolas Telstar de 1970 e 1974 tinham um revestimento de plástico Durlast, que as tornava resistentes à água e à lama. A última, que seguiu o emblemático design da sua antecessora, adicionou esse elemento ao seu nome.

A Adidas forneceu duas bolas para o torneio na Alemanha Ocidental: a Chile Durlast, branca, ideal para jogos iluminados por refletores, e a Apollo Durlast, laranja, com melhor visibilidade na neve. Porém, apenas a versão branca foi utilizada.

Em uma mudança em relação às duas Copas do Mundo anteriores, os jogos foram disputados com bolas que exibiam marcas comerciais, exibindo o nome oficial, o fabricante e as palavras Official World Cup 1974 (Oficial da Copa do Mundo 1974).


Argentina 1978: Tango Durlast


Batizada em homenagem à dança mundialmente famosa originária da Argentina no século 19, a Tango introduziu as chamativas tríades curvas para o público mundial - um marco do design que foi replicado nas cinco edições da Copa do Mundo que se seguiram.

Fabricada na França e costurada à mão, a Tango contava com o revestimento Durlast, impermeável, que já havia aparecido nas bolas Telstar de 1970 e 1974. 

Mais uma vez, foi criada uma bola que se tornaria "um clássico do futebol". Foram 20 painéis com "tríades" que criavam a impressão visual de 12 círculos idênticos. Nos anos seguintes, todas as bolas oficiais da Copa do Mundo foram inspiradas nesse design.


Espanha 1982: Tango España


Seguindo o sucesso do design de quatro anos antes, a Adidas fez pequenas modificações na bola e a rebatizou como Tango España.

Novamente apresentando 20 tríades pretas em painéis hexagonais, em que cada triângulo se combinava para formar 12 círculos, a bola marcou o encerramento do revestimento Durlast dos anos 70, já que era coberta em poliuretano, com uma camada extra para as costuras.

O desenho de 1978 foi ligeiramente alterado em 1982 e apresentou uma inovação tecnológica: costuras seladas para serem impermeáveis. Isso reduziu drasticamente a absorção de água pela bola, além de minimizar o aumento de peso. A Tango España foi a última a ser feita em couro para as Copas.

Trinta anos mais tarde, a bola oficial da Eurocopa da UEFA de 2012, na Polônia e na Ucrânia, recebeu o nome de Tango 12, em homenagem à pioneira bola da Copa do Mundo 1982.


BÔNUS: O perfil da TV Globo no Instagram fez uma postagem desafiando o público a se lembrar das bolas das últimas Copas. Eu lembrei de todas elas. E você, será que lembra delas?


Esse foi As bolas da Copa e suas histórias - parte 1! Até mais, com a parte 2! J-J


Por: Emerson Garcia

sábado, 30 de maio de 2026

Milena: depois de quase 40 anos, chega o primeiro gibi solo inédito da MSP Estúdios

Após 37 anos a MSP Estúdios registrou um fato inédito, criativo e único: chegou nas bancas o primeiro gibi solo inédito, o gibi da Milena! A personagem chegou ao universo Mauricio de Sousa em 2019 e agora tem uma revista pra chamar de sua!

Foi um momento emblemático e emocionante em mais de 60 anos de história da MSP Estúdios. Milena, é a primeira personagem negra da turminha mais querida dos gibis a ter um impresso solo. Eu cresci lendo as revistas da Turma da Mônica (era assinante) e fiquei simplesmente vidrado com essa novidade.

Acredito que as revistinhas já podem ser encontradas nas bancas e assinaturas, mas no site da Panini você já pode adquirir por R$ 8,90. Os gibis serão publicados quinzenalmente e desde o dia 11 de maio, Milena passou a integrar o catálogo ao lado dos títulos clássicos do Bairro do Limoeiro.

 


A capa da primeira revistinha traz Milena centralizada, com a Turma da Mônica ao redor. Milena parece segurar uma câmera e é como se ela tirasse uma selfie animada e criativa. 

Milena chega às bancas com um novo layout e design de revistinhas: com maior espaço para as artes de capa e o nome do personagem central do gibi na parte superior, centralizado. Esta é uma nova fase editorial da MSP Estúdios, que traz Milena no núcleo central ao lado de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. A última vez que houve uma revista com protagonista, foi com Magali, no final da década de 1980 - em 1989.

 


E qual é o conteúdo que poderá ser encontrado em Milena? Bem, a nova revista vai acompanhar de perto a forma como Milena observa o mundo, reage aos desafios e interfere de maneira ativa no que acontece ao seu redor. Nesse novo ciclo, sua característica curiosa ganha um contraponto divertido: Milena passa a revelar também seu lado completamente bagunceiro.

Milena traz uma representatividade negra que pode ser verificada na reunião de autoras negras da MSP Estúdios na primeira edição, além da escritora Eliana Alvez Cruz, jornalista e autora reconhecida por obras que abordam memória, cultura afro-brasileira e identidade. Esta escritora retoma sua cobaboração com a personagem após assinar o livro Milena e o Enigma do pássaro antigo, lançado em 2024 pela Editora Malê.

Esse movimento editorial se conecta com a presença crescente de Milena em outras frentes do universo da MSP Estúdios. Milena já protagonizou a série Milena & Franjinha: Em busca da ciência, disponível na HBO Max, e se destaca no mercado de lienciamentos, entre os personagens com melhor desempenho em diferentes categorias de produtos. Esses desdobramentos reforçam a consistência da personagem junto ao público. J-J  


Por: Emerson Garcia

sexta-feira, 29 de maio de 2026

5 Produções que abordam direção perigosa, álcool e responsabilidade

Estamos no Maio Amarelo, o mês de conscientização no trânsito. Com essa vibe, apresento 5 produções que abordam direção perigosa, álcool e responsabilidade de forma mais sensível, reflexiva e humana. Algumas decisões podem mudar vidas para sempre.

Durante muito tempo, velocidade, imprudência e excessos foram tratados pelo entretenimento quase como símbolos de liberdade. Aos poucos, filmes e séries começaram a mostrar o outro lado dessa história: as consequências reais de escolhas feitas em segundos. Confira os filmes a partir de agora! 


1- Another round


Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa estrelado por Mads Mikkelsen acompanha um grupo de amigos que decide testar os efeitos do álcool no cotidiano. Apesar do filme ter cenas hilárias e de alívio cômico, ele também mostra como o consumo exagerado pode afetar controle emocional, segurança e relações. Em diversos momentos, a narrativa faz refletir sobre responsabilidade e limites.


2- Relatos selvagens


O trânsito é cenário para impulsividade e explosões emocionais. Entre imprudência, discussões agressivas e perda de controle, o filme escancara como pequenos conflitos podem crescer de forma perigosa. A produção faz pensar sobre estresse, comportamento ao volante e intolerância - temas sobretudo atuais. 


3- Sob Pressão


A série médica brasileira retratava vítimas de acidentes causados por álcool, distração e velocidade. Mais do que mostrar o impacto físico, a produção evidencia o efeito dessas tragédias nas famílias, nos profissionais de saúde e em todos ao redor. Cada emergência reforça que o trânsito não envolve apenas quem dirige, mas toda uma rede de vidas conectadas.


4- Flight


Interpretado por Denzel Washington, o protagonista vive um piloto experiente que consegue evitar uma tragédia aérea, mas precisa lidar com as consequências de suas escolhas relacionadas às drogas e ao álcool. Apesar de não ser sobre trânsito terrestre, o filme aborda vício, responsabilidade e os riscos de assumir o controle de qualquer veículo sem condições adequadas.


5- Baby driver


Com visual estilizado e cenas eletrizantes, o filme chama atenção pelas perseguições e direção em alta velocidade. Mas o filme também evidencia como decisões impulsivas e envolvimento com o crime colocam vidas em risco. Por trás da adrenalina, existe uma reflexão sobre consequências e responsabilidade.


Essas produções mostram que, no trânsito, álcool e direção nunca combinam. E direção perigosa não afeta apenas quem está ao volante - impacta sonhos, famílias, vidas inteiras e futuros. O Maio Amarelo existe justamente para lembrar algo simples, mas essencial: responsabilidade também é uma forma de cuidado.

Que outras produções rememoram e tem o trânsito e a direção como temas? Digam nos comentários. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Quinta de série: Caçador de Marajás

Pode conter spoilers!







No Quinta de série de hoje apresento uma série documental original do Globoplay chamada Caçador de Marajás, que foi lançada em 16 de outubro de 2025. A produção enfoca na ascensão meteórica e a queda dramática de Fernando Collor de Mello, o presidente mais jovem do Brasil e o primeiro a sofrer um processo de impeachment. Caçador de Marajás foi escrita por Charly Braun; roteirizada por Bruno Passeri, Charly Braun, Guilherme Schwartsmann e Miguel Antunes Ramos; e dirigida por Charly Braun. Produzida pela Boutique Filmes, Waking Up Filmes e Estúdios Globo, ela conta com 7 episódios de em média 50 minutos cada um.

Caçador de Marajás se refere à um apelido que Fernando Collor de Mello possuía. Fernando utilizou o marketing e o apelido, prometendo combater a corrupção e privilégios. O tema de abertura da produção é o instrumental de Pense em mim, de Leandro & Leonardo. A escolha da música foi acertada, uma vez que na época a sociedade inteira pensava em Fernando Collor de Mello. A música sertaneja foi então acusada de ser "a trilha sonora da era Collor". Ele viveu seus tempos áureos, mas também tempos sombrios e de queda.

A produção mostra a trajetória política e pessoal dessa figura emblemática. A série, sobretudo, fala sobre as denúncias feitas pelo irmão de Fernando, Pedro Collor, que levaram ao seu afastamento. Além disso, ela explora o esquema de corrupção comandado por PC Farias, o impacto da inflação na época, as mobilizações estudantis dos "Caras-Pintadas" (lideradas por figuras como Lindbergh Farias) e as entrevistas históricas que abalaram o governo. 


 
A série utiliza vasto material de arquivo e depoimentos de figuras-chave do período. O elenco da produção conta com depoimentos riquíssimos de Thereza Collor, Luiz Estevão, Dora Kramer, Boris Casoy, Mônica Waldvogel, Xico Sá, Ricardo Kotscho, Merval Pereira, Ali Kamel, Boni, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Alexandre Frota e grande elenco. Os depoimentos são claríssimos e o objetivo não é de enaltecer a vida de Collor, mas mostrar quem ele realmente é nos bastidores. 

A fotografia da produção é de Carol Quintanilha e ela faz um trabalho impecável de captação de imagens. A série faz um retrato fidedigno do político alagoano e de sua família, do começo do poderio político familiar até a chegada de Collor à presidência e sua renúncia frente ao processo de impeachment.

Caçador de Marajás é um documentário de investigação jornalística que se transforma em um retrato intenso sobre poder, corrupção e impunidade no Brasil. O documentário faz isso por meio de uma narrativa dinâmica e cheia de tensão, misturando depoimentos, documentos e reconstituições para mostrar como essas investigações ganharam repercussão nacional. Um dos pontos altos da produção foi quando Collor, na época, pediu para que a sociedade saísse às ruas nas cores verde e amarelo em busca de seus direitos. Ocorreu justamente o contrário: jovens e pessoas saíram vestidos de preto e com a cara pintada de verde e amarelo - os famosos caras-pintadas.



A produção tem o intuito de revelar os bastidores de um sistema político que durante anos funcionou quase sem ser questionado. Perguntas como: até que ponto a sociedade acompanha o uso do dinheiro público? E como a transparência pode mudar essa relação entre população e poder?, são levantadas e colocadas em questão.

Enfim, a produção transforma um tema político e administrativo em algo acessível e envolvente. É o tipo de série que provoca indignação, mas também reflexão sobre responsabilidade coletiva, ética e participação social. É uma produção para quem gosta de documentários investigativos que unem informação, tensão e debates extremamente atuais. Uma das lições que a produção nos deixa é que o Brasil mudou para melhor. A outra é que ele não mudou tanto assim. J-J


Por: Emerson Garcia
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