Batizada em homenagem às suas 11 tiras de couro costuradas à mão em forma de "T", a Modelo T foi usada em alguns dos jogos da primeira Copa do Mundo, mas não em todos. Após ter sido utilizada nos Jogos Olímpicos de Paris 1924 e Amsterdã 1928, ela era considerada uma opção confiável.
Para a primeira edição da Copa, o árbitro John Langenus pediu aos capitães de Uruguai e Argentina que escolhessem uma bola. O país-sede queria a Modelo T, enquanto os adversários preferiam a Tiento, composta por 12 painéis longos. Como não foi possível chegar a um acordo, ficou decidido que uma bola diferente seria usada em cada tempo de jogo. A Argentina foi para o intervalo ganhando por 2 a 1 com a Tiento, sua preferida, mas o Uruguai virou e marcou três gols no segundo tempo com a Modelo T no gramado e se sagrou campeão por 4 a 2.
Itália 1934: Federale 102
A bola foi produzida por uma fabricante italiana, mas ao menos duas outras bolas foram usadas nos jogos do torneio, incluindo a final. Eram os capitãos das equipes que escolhiam qual queriam usar.
Composta por 13 painéis de couro costurados à mão, a Federale 102 tinha como característica que a incisão para a câmara foi costurada com linha de algodão, em vez de couro, para deixar a bola mais confortável.
As outras bolas utilizadas no torneiro foram a Globo e a Zig-Zag, ambas fabricadas por empresas britâncias. A Zig-Zag, feita pela empresa William Sykes em estilo semelhante à modelo T de 1930, foi escolhida para a final, quando a Itália, dona da casa, derrotou a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação.
França 1938: Allen
Como ocorreria com todas as bolas oficiais da Copa do Mundo entre 1934 e 1966, a Allen foi fabricada no país-sede - neste caso, em Paris.
As bolas Allen não tinham nenhuma marca comercial, mas uma bola com o nome da empresa foi colocado no círculo central antes da final para ajudar a promover e divulgar o fabricante.
Com um design parecido com o da Federale 102, com 13 painéis e linha de algodão, a Allen foi outra bola da Copa a ter um passado olímpico, já que havia sido utilizada nos Jogos de Paris em 1924.
Nas três primeiras Copas (1930, 1934 e 1938), a bola era de couro marrom. A bola de capotão. As costuras eram externas, e o bico de encher ficava para fora. Na chuva, absorvia água e ficava mais pesada.
Brasil 1950: Superball Duplo T
Apesar de conter as palavras "Indústria brasileira", a Superball Duplo T foi patenteada originalmente pela empresa argentina Tossolini, Valbonesi, Polo & Cia, que a batizou de Superval Doble T.
Após a Segunda Guerra Mundial, a fábrica se tornou a fornecedora oficial da bola da Copa do Mundo, que foi remodelada como a Superball Duplo T, após pequenas mudanças. Foi a primeira bola da Copa do Mundo sem cadarços, inflada por uma válvula inserida diretamente em uma das 12 tiras de couro idênticas, costuradas à mão, o que proporcionava uma superfície mais uniforme, redonda e vedada. As bordas arredondadas dos painéis, mais leves, proporcionavam mais durabilidade e estabilidade, já que a costura recebeu proteção extra. O bico e as costuras foram colocados dentro da bola, para a segurança dos jogadores.
Foi com o modelo que Pelé e Garrincha encantaram o mundo e ajudaram o Brasil a ser campeão do torneio pela primeira vez.
Suíça 1954: Swiss World Champion
Feita com couro curtido, a Swiss World Champion manteve uma cor ligeiramente amarelada, o que facilitava que os torcedores a acompassem melhor do que as anteriores bolas marrom-escuro.
Essa característica foi particularmente útil nas condições chuvosas e lamacentas da final, quando a Alemanha Ocidental venceu a favorita Hungria por 3 a 2. Como as bolas de couro impermeáveis não foram criadas até a década de 1980, a Swiss World Champion absorveu um pouco da chuva e foi ficando cada vez mais pesada durante a final, em Berna.
Era feita com 18 longas tiras de couro, unidas por fios de nylon e dispostas em fileiras de três painéis que contavam com bordas irregulares e continuam a ser usadas como modelo pelos fabricantes de bolas. Foi com ela que o Brasil conquistou seu segundo título mundial.
Suécia 1958: Top Star
Para o torneio, a FIFA organizou um concurso para eleger a bola oficial da Copa do Mundo entre 102 bolas de futebol sem marca enviadas ao comitê organizador e ao presidente da FIFA, Stanley Rous. Os nomes dos fabricantes foram colocados em envelopes fechados e numerados, que só foram abertos após o sorteio da Copa do Mundo. A vencedora foi a número 55 - a Top Star, disponível nas cores amarela, marrom-clara e branca.
A bola branca - com 24 tiras de couro e revestida de cera para não absorver a umidade - foi usada na maioria dos jogos, incluindo na final, quando o Brasil, com um jovem Pelé de apenas 17 anos, derrotou a Suécia.
Chile 1962: Mr Crack
Fabricada com 18 tiras de couro, a Mr Crack tinha painéis mais arredondados do que suas antecessoras, o que a fazia parecer mais esférica. Foi também a primeira bola da Copa do Mundo com uma válvula de látex, o que garantia que mantivesse sua forma por mais tempo, já que murchava mais lentamente.
Quando a Adidas começou a fabricar bolas de futebol, em 1963, uma das suas primeiras foi batizada de Santiago, em homenagem à bola do torneio, e se baseou no design da Mr Crack. Porém, a bola oficial tinha problemas de absorção de água e várias seleções europeias preferiram usar bolas alternativas - incluindo a Top Star de 1958, escolhida para as quartas de final entre Tchecoslováquia e Hungria.
Inglaterra 1966: Challenge 4-Star
Antes do torneio, mais de cem bolas sem marca foram enviadas à Federação Inglesa de Futebol, onde um um grupo de especialistas testou a circunferência, a esfericidade, o peso, a perda de pressão e a distância da quicada de cada uma.
Fabricada pela Slazenger, uma empresa britânica conhecida por seus equipamentos de tênis e golfe, a Challenge 4-Star saiu vitoriosa. A bola contava com 25 painéis e estava disponível em branco, amarelo e laranja.
A versão branca foi usada com mais frequência, mas foi a bola laranja que se tornou sinônimo do torneio por ter sido usada na final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, vencida pelos donos da casa na prorrogação por 4 a 2, com três gols de Geoff Hurst.
México 1970: Telstar
A Copa do Mundo 1970 foi um divisor de águas e a Adidas foi nomeada a fornecedora oficial das bolas, em parceria que continua até hoje.
A emblemática Telstar, contava com 32 painéis - 12 pentágonos pretos e 20 hexágonos brancos -, um design que, desde então, é usado regularmente para representar uma bola de futebol em todo o mundo.
A bola recebeu o nome do satélite de comunicações responsável pelas primeiras transmissões de TV internacionais ao vivo - incluindo o torneio no México, vencido de forma inesquecível pelo Brasil -, que tinha painéis solares escuros sobre um fundo branco.
A Telstar também estava disponível nas cores laranja e branca. Porém, os exemplares usados nos jogos na América do Norte não tinham o nome da bola nem o logotipo da Adidas.
A Copa de 1970 foi a primeira a ser televisionada ao vivo, e o desenho da Telstar - o nome significa "Estrela de televisão" - foi feito para tornar a bola muito mais visível para as TVs.
Alemanha Ocidental 1974: Telstar Durlast
As bolas Telstar de 1970 e 1974 tinham um revestimento de plástico Durlast, que as tornava resistentes à água e à lama. A última, que seguiu o emblemático design da sua antecessora, adicionou esse elemento ao seu nome.
A Adidas forneceu duas bolas para o torneio na Alemanha Ocidental: a Chile Durlast, branca, ideal para jogos iluminados por refletores, e a Apollo Durlast, laranja, com melhor visibilidade na neve. Porém, apenas a versão branca foi utilizada.
Em uma mudança em relação às duas Copas do Mundo anteriores, os jogos foram disputados com bolas que exibiam marcas comerciais, exibindo o nome oficial, o fabricante e as palavras Official World Cup 1974 (Oficial da Copa do Mundo 1974).
Argentina 1978: Tango Durlast
Batizada em homenagem à dança mundialmente famosa originária da Argentina no século 19, a Tango introduziu as chamativas tríades curvas para o público mundial - um marco do design que foi replicado nas cinco edições da Copa do Mundo que se seguiram.
Fabricada na França e costurada à mão, a Tango contava com o revestimento Durlast, impermeável, que já havia aparecido nas bolas Telstar de 1970 e 1974.
Mais uma vez, foi criada uma bola que se tornaria "um clássico do futebol". Foram 20 painéis com "tríades" que criavam a impressão visual de 12 círculos idênticos. Nos anos seguintes, todas as bolas oficiais da Copa do Mundo foram inspiradas nesse design.
Espanha 1982: Tango España
Seguindo o sucesso do design de quatro anos antes, a Adidas fez pequenas modificações na bola e a rebatizou como Tango España.
Novamente apresentando 20 tríades pretas em painéis hexagonais, em que cada triângulo se combinava para formar 12 círculos, a bola marcou o encerramento do revestimento Durlast dos anos 70, já que era coberta em poliuretano, com uma camada extra para as costuras.
O desenho de 1978 foi ligeiramente alterado em 1982 e apresentou uma inovação tecnológica: costuras seladas para serem impermeáveis. Isso reduziu drasticamente a absorção de água pela bola, além de minimizar o aumento de peso. A Tango España foi a última a ser feita em couro para as Copas.
Trinta anos mais tarde, a bola oficial da Eurocopa da UEFA de 2012, na Polônia e na Ucrânia, recebeu o nome de Tango 12, em homenagem à pioneira bola da Copa do Mundo 1982.
BÔNUS: O perfil da TV Globo no Instagram fez uma postagem desafiando o público a se lembrar das bolas das últimas Copas. Eu lembrei de todas elas. E você, será que lembra delas?
Esse foi As bolas da Copa e suas histórias - parte 1! Até mais, com a parte 2! J-J
Por: Emerson Garcia
























