Ah, Netflix! Por que você sempre consegue fazer mais séries para nos destruir? Uma das estreias recentes do serviço de streaming é Sex Education, uma produção que fala de vários assuntos em torno do sexo, sexualidade e seus tabus na escola Moordale Secondary.
Otis (protagonizado por Asa Butterfield) é um garoto virgem e filho de uma psicóloga especializada em problemas sexuais. Com o desenvolver da história, ele faz amizade com Maeve, uma garota durona e muito inteligente. Ela, ao observar o modo como Otis ajuda um de seus colegas de classe passar por um momento constrangedor, tem a ideia de montar sua própria clínica de terapia sexual na escola junto com o amigo.
Contudo, há um grande porém: Otis precisa de ajuda para resolver seus próprios problemas sexuais, pois é virgem e não consegue fazer sexo com ninguém. Otis também conta com a ajuda de seu melhor amigo, Eric, que é um menino negro e gay que procura entender como lidar com seus dilemas.
Uma coisa que achei muito interessante na história é que, de certa forma, todos os protagonistas conseguem se desenvolver, inclusive aqueles que a princípio você não dá a mínima. No final, você está totalmente sensibilizado e entende o porquê de tal personagem ter aquele jeito.
Muitas pessoas ainda acham um problema essa série - porque ela é adolescente mas não tem um tom muito para adolescente, assim como a série Elite - entretanto, não deixa de ser um assunto importante a ser falado. Educação sexual é um tema primordial que segue sendo negligenciado e a série não hesita em falar dos tabus de maneira aberta e sempre de modo explícito, deixando clara a mensagem que ela quer passar naquele episódio.
Tem um episódio em particular que eu gostei bastante que foi sobre [spoiler] um menino que queria muito que uma menina aceitasse seu convite para ir ao baile porque ele a amava e tem toda uma mensagem de “não significa não”. Esses e muitos outros assuntos são importantíssimos de serem abordados para que a geração atual e as próximas entendam isso com facilidade.
Sex education conta apenas com 8 episódios de cerca de 50 minutos. Embora eu queira muito que a série seja renovada, até o momento não houve nenhuma notificação da Netflix sobre isso. J-J
No Quinta de série desse dia apresento a produção Os dias eram assim. Exibida entre 17 de abril e 18 de setembro de 2017, esta foi uma supersérie produzida pela Rede Globo que contou com 89 capítulos. Apresentada na faixa das 23 horas e com censura de 16 anos, fora escrita por Ângela Chaves e Alessandra Poggi, com direção geral e artística de Carlos Araújo. O elenco teve a presença de Sophie Charlotte, Renato Góes, Maria Casadevall, Gabriel Leone, Cássia Kiss Magro, Marcos Palmeira, Letícia Spiller e Carla Salle.
Os dias eram assim foi o primeiro produto da emissora considerado como supersérie, ou seja, uma obra com similaridades de novela e série ao mesmo tempo. Esta supersérie assumiu o que se conhecia até então como novela das onze.
A supersérie tem como pano de fundo os anos 1970 e 1980, quando o Brasil passava pela chamada ditadura militar. Nela conhecemos o casal Renato Reis e Alice que se apaixona, mas que passa por dificuldades, que envolve o momento político da nação da época. Além dessas dificuldades, eles também devem vencer a fúria e o ódio de Vitor, ex namorado de Alice, que não gosta nada da ideia da aproximação dos dois e arma sempre para separá-los.
A produção é mais que uma história de romance e dificuldade, mas de luta, ideias políticos e um retrato de como a sociedade se portava. Os dias eram assim foi uma obra corajosa por mostrar sem filtros ou edições a realidade da época. E que realidade era essa?! As torturas, exílios, paixões proibidas, tentativa de mudar o sistema, o processo de Diretas Já, o tri mundial da seleção brasileira, a descoberta da Aids etc.
Desse modo, Os dias eram assim é uma história de romance, mas também de luta, de busca por ideias e de tentativa de mudança política e social. O interessante é que a trama aborda o auge da ditadura militar e o seu fim nos anos 1980 (Ela abrange os anos de 1970 até 1984), com detalhes e informações - vídeos, documentos, mídias e jornais da época.
Em ODEA acompanhamos o drama de Alice e Renato que se amam, mas que não podem ficar juntos por questões políticas. Idealistas e sonhadores, mesmo com os empecilhos da vida, procuram mudar a realidade ao seu redor, mesmo com a distância e o passar dos anos. Será que esse amor tem o poder de vencer um regime político tão forte?! Será que com o decorrer dos anos e longe um do outro, Alice e Renato ainda se amam? Perguntas que só quem assistiu ou assistirá a supersérie pode responder.
Personagens
Asupersérie contou com duas fases distintas: a primeira de 1970 à 1979 e a segunda de 1979 à 1984. Com o passar dessas fases, alguns atores mudaram e outros se mantiveram. Selecionei personagens marcantes da trama.
Alice: protagonista da trama. É uma estudante idealista e questionadora que se apaixona por Renato, mas que é afastada dele por vários motivos.
Renato: também protagonista da trama. É um médico idealista, sempre disposto a ajudar e salvar vidas. Se apaixona por Alice, mas tem que se afastar dela e ir morar exilado no Chile.
Vitor: vilão e antagonista da trama. É o ex namorado de Alice, que afasta ela de Renato junto com a ajuda de Arnaldo.
Rimena: médica chilena que se encontra com Renato quando ele vai para o Chile. Os dois constituem uma família e tem um filho.
Gustavo: irmão de Renato. É estudante, músico, que luta pelos seus ideais e contra a ditadura militar. Em um momento da trama é preso.
Túlio: jovem idealista e amigo de Gustavo. É contra a ditadura e planejou ao lado do amigo o atentado contra uma construtura que apoiava o movimento da época.
Vera: viúva e mãe de três filhos - Renato, Gustavo e Maria. É dona de uma livraria em Copacabana.
Arnaldo: dono da construtora Amianto e apoiador da ditadura militar. É pai de Alice e Fernanda e fará de tudo para que sua primogênita (Alice) se case com o magnata e advogado Vitor. É ambicioso e inescrupuloso.
Cora: é a mãe do vilão, Vitor. Extremamente oportunista e interesseira.
Fernanda: conhecida como Nanda, é a irmã mais nova de Alice. Extremamente boêmia, gosta de viver a vida como se fosse seu último dia. Ela adquire Aids em uma época que a doença era pouco conhecida.
Questões políticas
A trama aborda a questão política, passando pelos Anos de Chumbo. O interessante é que a Globo retratou a época de forma verossímil, ao contrário do que aconteceu na realidade, quando ela apoiou o movimento. Então, essa série é uma forma de retratação do canal.
Torturas são apresentadas de forma realística. Há bastante sangue, violência e assassinatos desmedidos. Desse modo, a série não é nenhum pouco leve e light. Ela mostra e personaliza os torturadores da época em personagens como Arnaldo (Antonio Calonni), Vitor (Daniel de Oliveira) e Olavo Amaral (Marco Ricca).
A Globo obteve êxito em criticar o movimento político que, alguns dizem, ter a ver com os dias atuais de nossa sociedade. Há quem fale que os dias eram assim, estão assim e tendem a ficar assim. Então, a produção critica a censura, exílio e a falta de democratização.
Para amenizar sua posição de apoiadora da ditadura militar, a Globo utilizou o recurso de edição de reportagens em que, claramente, retratava somente um lado das Diretas Já.
Outra questão política muito forte são os movimentos estudantis, em que pessoas idealizavam e eram a favor da democratização do país.
Questões sociais
A série inicia-se com a comemoração do tricampeonato da seleção brasileira. Um momento de alegria, descontração e felicidade, que contrastava com o que acontecia no país. Seria possível comemorar um título em meio à exílios e torturas?! Não sei como o governo se aproveitou desse título na época, mas deve ter utilizado de forma positiva, de modo a enaltecer a nação e só mostrar seu lado bom.
Também merecem destaque, as criações artísticas - seja por meio de livros, músicas, televisão ou teatro - que mesmo em uma época de extrema censura, ainda se conseguia produzir bons conteúdos.
Por outro lado, o movimento de libertação sexual estava em alta, em que as pessoas buscavam o prazer à qualquer custo. Desse modo, a obra discute a bissexualidade e a homossexualidade.
Aids
Um dos melhores temas tratados pela produção foi a Aids. Na época em que a trama se passa a doença ainda estava em descoberta e não havia os remédios (coqueteis) de tratamento disponíveis. A trama apresentou todo esse drama através da história de Nanda, uma jovem apaixonada pela vida que a viu se transformar com a descoberta da doença. A interpretação e maquiagem do personagem merecem destaque.
Na época que se passa a história, foi quando perdemos Renato Russo e Cazuza para a doença, dois astros do rock nacional.
Abertura e trilha sonora
A abertura conta com a trilha sonora Aos nossos filhos, de Ivan Lins e é incrível e curiosamente cantada pelos protagonistas da trama: Sophie Charlotte, Renato Góes, Gabriel Leone, Daniel de Oliveira e Maria Casadevall. Fiquei sabendo disso no último capítulo, quando a trama foi encerrada com eles cantando nos bastidores.
Achei interessante a iniciativa de atores da trama cantarem a trilha sonora. Seria plausível que outras tramas fizessem o mesmo.
Audiência
A audiência da supersérie oscilou entre 22,7, 27, 26 e 23 pontos. - números bastante expressivos. Sua média foi de 21 pontos e a trama bateu recorde de 32 pontos. Os dias eram assim foi uma das tramas das onze mais assistida desde que o horário de fora criado. Verdades Secretas detinha esse recorde com 20 pontos de audiência. Já Os dias eram assim 21 pontos.
Crítica
A trama apresentou uma temática inovadora, mas que não traduziu fielmente sua complexidade nos capítulos. As autoras preocuparam-se mais em destrinchar a história de romance do casal de protagonistas, que relatar com profundidade a ditadura militar. Esses fatos foram tratados de forma simplória, pasteurizada e movidas por clichês que podem, ou não, ser confirmados.
Contudo, em seus momentos de contextualização histórica a trama resgatou reportagens, imagens e músicas da época, em uma documentação até que relevante. O pecado encontrou-se quando foi incorporada à trama uma música que somente foi lançada em 1986, Tempo Perdido, sendo que a trama foi até 1984. Mesmo com esse impasse, não poderia deixar de citar a música de Renato Russo tão bem representada por Thiago Iorc.
Algo que pode ter atrapalhado a trama também foi sua duração (89 capítulos). Há quem diga que não era necessário essa quantidade de capítulos e que ela poderia ser mais enxuta.
Os dias eram assim possui boas cenas, ganchos e cliffhangers, mas não podemos esquecer que trata-se de uma obra de ficção. J-J
Baseado no livro homônimo de Deborah Harkness, A descoberta das bruxas foi uma série estreante no ano de 2018 com apenas 8 episódios. Apesar da quantidade baixa de episódios, os roteiristas conseguiram manter a história bem interessante, equilibrando romance e sobrenatural nas horas certas.
Diana Bishop é uma historiadora e uma bruxa que não quis aprender sobre essa parte de sua família, renegando sua magia, até que encontra na biblioteca um livro que aparentemente havia desaparecido. Com o aparecimento repentino do livro, Diana Bishop começa a atrair vários tipos de criaturas sobrenaturais: vampiros, demônios, bruxas, etc. Elas buscavam o livro por anos, e isso incluía o vampiro Matthew Clairmont.
Ela acaba se apaixonando por Matthew e ele por ela. Isso cria um problema para ambos, porque há uma briga entre vampiros e bruxas que duram por muitos anos. Além disso, há uma lei que proíbe que espécies diferentes tenham relacionamentos. Com isso, eles acabam sendo responsáveis por tentar acalmar essa briga, quebrando também a regra, para que possam ficar juntos.
Há ainda um Conselho que inclui membros de todas as espécies (vampiros, bruxas e demônios) criado para evitar disputas. Ele também está interessado no livro, pois segundo a lenda, contém a receita de como criar vampiros, assim como descriá-los. E isso acentua uma tensão entre as duas espécies, pois as bruxas acham que os vampiros querem criar mais vampiros, se tornando uma espécie imortal e dominante e os vampiros acham que as bruxas querem exterminá-los do mundo. E Diana Bishop é uma parte importante dessa briga.
Por ter sido a única pessoa para qual o livro apareceu, todo mundo começa a caçar Diana. Matthew jura protegê-la, talvez até arriscando sua vida e a de sua família. Enquanto isso, as tias de Diana, que também são bruxas, descobrem que ela tem um poder muito raro que pode ajudá-la a fugir e se proteger, e com isso, decidem ensiná-la a usar esse poder.
Com uma guerra batendo à porta, Diana precisa aceitar seus poderes e aprender como usá-los com as suas tias. Enquanto ela faz isso, Matthew a protege.
A série já foi renovada para a 2ª e 3ª temporadas pelo canal Sky One. No Brasil ainda não teve exibição por nenhum canal. J-J
OQuinta de série de hoje apresenta um verdadeiro sucesso de audiência e crítica, La casa de papel. A produção mistura ação, suspense e assalto em um triller de tirar o fôlego. Criada por Álex Pina para a rede espanhola Antena 3, ela estreou em maio de 2017 e já conta com 2 temporadas e 21 episódios. Recentemente, a Netflix adquiriu os direitos de exibição. No elenco estão Úrsula Corberó, Alba Flores, Álvaro Morte, Itziar Ituño, Pedro Alonso, Paco Tous, Jaime Lorente, Miguel Herrán, Darko Peric e Roberto García.
A trama é narrada por Tóquio e conta a história de um grupo de oito ladrões que se trancafiam junto de reféns durante uma semana na Casa da Moeda da Espanha com o objetivo de fabricar dinheiro e fugir por um túnel secreto (o objetivo é imprimir 2,4 bilhões de euros). O plano é arquitetado pelo inteligentíssimo e manipulador conhecido por El Profesor, que fora da Casa da Moeda direciona a equipe, media a relação dos prisioneiros e da polícia e manipula esta última.
A equipe é formada por pessoas que não se conhecem e possuem nome de cidades: Tóquio, Denver, Rio, Oslo, Nairobí, Moscou, Berlim e Helsink, além do Profesor. Cada um deles possui uma personalidade e objetivos diferentes para quando ficarem bilionários. Mesmo sendo desconhecidos uns para os outros, o convívio permite que sejam íntimos e tenham relações interpessoais, até mesmo entre um ladrão e uma refém.
À cada episódio que passa, a tensão aumenta. Será este o maior roubo da história? Será que os ladrões terão êxito em sua missão? E se algo der errado? Do início ao fim das temporadas, ficamos apreensivos e até mesmo torcemos pelos ladrões. A adrenalina fica à mil: a polícia tem dificuldades de acabar com o assalto, novos fatores são adicionados à ele e cenas de suspense e ação te deixam perplexo.
O plano foi todo arquitetado meses antes da ação e vemos ele por meio de flashbacks. El Profesor pensou em tudo: o que fazer caso o plano desse certo e, até mesmo, o que fazer caso desse errado. Ele estudou a Casa da Moeda da Espanha por meio de uma maquete, as atitudes da polícia e instruiu os oito ladrões de como deveriam agir. Um dos planos era que eles se tornassem reféns e que todos vestissem um macacão vermelho e máscaras do pintor Dalí. Isso despistaria a ação da polícia e a confundiria, preservando suas identidades pelo maior tempo possível. Acompanhar a execução do plano e sua origem foi magnífico. Realmente El Profesor pensou em tudo.
Cerca de sessenta e seis pessoas foram feitas de reféns, sendo que uma delas era filha do ministro da Espanha. Para executar o plano sem falhas, será preciso não só lidar com a impressão de dinheiro, como com cada um dos aprisionados. Mas até isso El Profesor deu-se ao trabalho de pensar.
La casa de papel é uma série surpreendente, que te deixará perplexo e vidrado, além de torcer por cada ladrão com nome de cidade. A série possui bons plots, personagens ricos, ação, aventura e suspense.
Personagens
El Profesor: é o líder e cérebro do grupo que controla as ações dos ladrões na Casa da Moeda de fora. Possui aparelhagem de última geração e se comunica com a polícia. Faz de tudo para que o plano seja executado. Extremamente inteligente, planejou o assalto monumental há meses.
Tóquio: é a narradora da história. De personalidade forte, possui sonhos e se apaixona por um dos ladrões. É impulsiva, inconsequente e não tem medo dos resultados de suas atitudes.
Nairóbi: é sensível e possui uma infância difícil. É especializada em falsificações e perdeu a guarda de seu filho. Agora, tudo o que ela mais quer é tê-lo de volta e reconstruir a sua vida.
Moscou: possui habilidades com metais e é capaz de quebrar qualquer cadeado. É um homem simples que foi preso por roubo de jóias. Entra no mundo do crime ao descobrir que possui asma.
Denver: é filho de Moscou e possui uma personalidade impulsiva. Apresenta um caráter explosivo e tem em seu pai a única esperança. Durante o assalto se apaixona por uma das reféns.
Helsink: é sérvio e tem poucas habilidades com a fala. Ao lado de Oslo, é capaz das mais sagazes atitudes.
Rio: um jovem imaturo, mas bastante inteligente, com especialização em crimes cibernéticos. É um dos ladrões mais sensíveis e que coloca o sentimento na frente de qualquer coisa.
Berlim: é o líder do grupo de ladrões. Extremamente desumano, insensível e firme em seus posicionamentos. Possui uma doença que pode colocar o plano do Profesor a perder.
Oslo:também sérvio, é calado e um ótimo soldado para a execução do plano do Profesor ao lado de Helsink.
Raquel: é a inspetora policial responsável pelas investigações e negociações do sequestro. Possui uma vida sentimental conturbada e lida com a doença degenerativa de sua mãe. No decorrer dos episódios apaixona-se por uma pessoa improvável e proibida.
Ángel: trabalha ao lado de Raquel como inspetor do caso. Nunca se sentiu tão desafiado na profissão como dessa vez, quando terá que lidar com pessoas ardilosas, fortes e incompassivas.
Bella Ciao
Esta foi uma emblemática música que foi tocada durante os episódios. A versão original data da Segunda Guerra Mundial e era cantada pelos partisans italianos (resistência) contra o governo nazista e tornou-se conhecida com a série. Várias paródias foram criadas a partir dela. Ouça a versão original:
Fotografia e trilha sonora
A fotografia da série é intensa e forte. Paletas de cores vermelha, contrastam-se com branca e neutras. As músicas e trilhas sonoras instrumentais casam muito bem com as cenas, ao reproduzir sentimentos e narrar a história.
Prêmios
La casa de papel já ganhou diversos prêmios entre 2017 e 2018 como de Melhor Roteiro pelo IRIS, Melhor Série Dramática pelo Emmy e Melhor Série pelo Prêmio Fenix. Além desses, ganhou de melhor ficção, atriz e direção.
Audiência
A série é uma das de mais elevadas audiências em se tratando de série não-americana. A pontuação no TVST (TV Show Time) também é boa: possuindo 99% de aceitação e notas que variam de 9,7 e 9,9.
Crítica
La casa de papel possui bons plots, enredo e roteiro. Tudo acontece sem enrolação e repetição. A série mescla cenas de ação e drama, sempre apresentando flashbacks e explicando alguma situação do momento atual.
Os personagens possuem uma riqueza de personalidades e perspectivas. Nenhum ladrão é igual ao outro, com sua própria história.
A corrida policial também é boa, exceto que em algumas horas acontecem deslizes e cenas pouco improváveis de ocorrer na vida real.
LCP prende do início ao fim, mesmo que demore alguns episódios para engrenar de vez.
Sobre a terceira temporada
A Netflix divulgou um teaser da terceira temporada que tem como trilha sonora a música Bella Ciao. O novo volume promete dar um desfecho à história de Berlim, supostamente morto no final da segunda parte. Assista:
Além dos rostos já conhecidos das duas primeiras partes, a terceira temporada contará com Bogotá, Alicia, Tamayo e El ingeñiero.
Com La casa de papel encerramos essa temporada do Quinta de série. Até qualquer dia. J-J
Hoje falarei da segunda temporada de Trial & Error. Por ser uma série antológica, cada temporada possuiu uma história, embora conte com personagens da primeira (falada aqui). Com exibição pela NBC, a segunda temporada conteve 10 episódios, encerrando-se assim a série. O elenco da última temporada teve Kristin Chenoweth - no papel de suspeita de assassinato e atores da primeira, como Nicholas D'Agosto, Jayma Mays e Steven Boyer.
Dessa vez temos uma suspeita de assassinato, que conta com a ajuda da equipe excêntrica de defesa que trabalha em uma antiga loja de animais empalhados. Kristin Chenoweth interpreta Lavinia Peck-Foster que é flagrada com o corpo do marido em seu porta-malas. Lavinia é uma dama divertida e cheia de segredos que veste chapéus chamativos, anda com o gato Fluffy que não possui pelos e é uma péssima motorista.
Certo dia, seu marido, Edgar, é encontrado sem vida dentro de uma mala em seu carro, com uma marca de relógio na testa e vestígios de água. Agora ela contará com uma equipe de defesa pouco convencional para tentar se livrar do assassinato, que a coloca como a principal suspeita.
A equipe é uma verdadeira comédia que já vimos na primeira temporada: Josh Segal é um advogado de quinta categoria; Anne Flatch, a secretária, possui estranhos comportamentos; e Dwayne é um detetive medroso e atrapalhado. Será que essa equipe conseguirá livrar Lavinia da prisão?
A segunda temporada segue a fórmula da primeira, mas agora com uma mulher no foco. A série é toda gravada no formato de documentário, sem saco de risadas e com uma única câmera.
Mesmo com uma fórmula parecida, a produção de Jeff Astroff e Craig Gerard, ainda arranca risadas, surpreende à cada novo elemento do caso e se aprofunda nos dramas e perfis dos personagens.
Trial & Error 2 é uma boa série de comédia para passar tempo e divertir-se. J-J
No Quinta de série de hoje falarei da série Safe. Ela teve seu lançamento em 2018 e contou com apenas 8 episódios. É uma produção britânica do Canal+ e Netflix e fora criada por Harlan Coben, especialista em livros de suspense e crimes. No elenco estão os atores Michael C. Hall (o Dexter, de Dexter), Amanda Abbington, Marc Warren, Audrey Warren, Hannah Arterton e Nigel Lindsay.
A série conta a história de Tom, um cirurgião pediátrico e pai viúvo de duas filhas adolescentes, Jenny e Carrie, que vê seu mundo girar quando uma delas, Jenny de 16 anos, desaparece após uma misteriosa festa. Agora o pai está aflito e desesperado e não descansará até saber do seu paradeiro e encontrá-la, seja viva ou morta.
Tom, com a ajuda de seu melhor amigo e com detetives da cidade, busca pistas para encontrar Jenny. Elas começam a surgir quando o pai vasculha o laptop e o quarto da filha. À medida que se vai desvendando os mistérios, os segredos de pessoas próximas começam a ser revelados.
E uma coisa que quem assistir à série precisa saber é: nada, nem ninguém é o que parece ser. A cidade guarda muitos mistérios, e quando achamos que Tom está perto de solucionar o desaparecimento da filha, parece que volta à estaca zero.
A forma como a série é contada é intrigante e contagiante. Desde o primeiro episódio, cenas da festa são reveladas aos poucos, em doses homeopáticas, assim como as personalidades dos personagens, que são construídas a cada novo episódio. Safe não respeita uma certa linearidade, perpassando entre o passado e o presente, até que tudo seja descoberto somente no último episódio.
Safe apresenta personagens aprofundados e com histórias interessantes. Todos fazem com que brote no telespectador a desconfiança de que sabem mais do que dizem e que guardam a verdade sobre Jenny. Há muitos personagens, e todos eles possuem uma ligação direta ou indireta com a filha do protagonista.
Esta é uma produção que prende a atenção do início ao fim, provoca dúvidas, instiga e eleva a adrenalina do coração. Sofremos juntos com Tom e torcemos que ao final ele saiba a verdade sobre sua filha, por mais dolorosa que possa ser. O Tom tem um pouco de Dexter e, em algumas cenas, chegamos a pensar que ele usará da força e violência, mas ocorre justamente o contrário. Esta só é uma impressão mesmo, que vem e passa.
Safe tem boas montagens de cenas, fotografias com filtros intensos e sombrios e movimentos de câmera que te aproximam das cenas. Além disso, possui um roteiro circular que envereda para pistas inverídicas e pontas soltas que não são resolvidas, para driblar os espectadores e não entregar o final logo de cara.
O significado de safe é "seguro", por se tratar de um condomínio de luxo no subúrbio da Inglaterra extremamente seguro, mas neste lugar ninguém está realmente nesta condição depois que Jenny desaparece. Além disso, mesmo em um ambiente seguro, há muito mistério, podres e segredos obscuros dos moradores.
Motivos para acompanhar Safe
O incrível site SevenList criou uma lista com os motivos para acompanhar a série em forma de infográfico e com várias ilustrações. Veja (clique na imagem para visualizar):
Basicamente foi tudo que falei no primeiro tópico. Os pontos ressaltados foram os seguintes: a história, as famílias, histórias interligadas, nada é óbvio, segredos, narrativa e desfecho.
Abertura
Apresenta o condomínio em meio à fumaça com a música Glitter & Gold de Barns Coutney. Assista:
A música tocada é uma espécie de folk, com entradas agudas, no estilo country. A letra fala de uma pessoa forte e sagaz disposta a desvendar mistérios e segredos. Fique com um trecho e com a música completa:
"I am flesh and I am bone (Eu sou carne e eu sou osso)
Rise up, ting ting, like glitter and gold (Levante-se, ting ting, feito brilho e ouro)
I've got fire in my soul (Eu tenho fogo em minha alma)
Rise up, ting ting, like glitter (Levante-se, ting ting, feito brilho)
Like glitter and gold (Feito brilho e ouro)
Like glitter (Feito brilho)
Do you walk in the valley of kings? (Você caminha no vale dos reis?)
Do you walk in the shadow of men (Você caminha à sombra dos homens)
Who sold their lives to a dream? (Que venderam suas vidas por um sonho?)
Do you ponder the manner of things (Você reflete sobre o jeito das coisas)
In the dark (No escuro)
The dark, the dark, the dark" (No escuro, escuro, escuro)
Crítica e audiência
Safe apresenta um suspense e mistério no estilo Sherlock Holmes e das obras de Agatha Christie. A série tem importantes plots, ganchos e no final não fica nenhuma ponta solta, por mais que a trama queira deixá-las em algum momento. Os personagens, por sua vez, tem segredos sombrios revelados a cada episódio. Seus intérpretes são assertivos nas atuações e, embora somente conheçamos Michael C. Hall como um ator de sucesso, os demais não perdem em nada para ele. As atuações da detetive Sophie Mason (Amanda Abbington), do melhor amigo de Tom, Pete Mayfield (Marc Warren) e de Zoe Chahal (Audrey Fleurot) que perde o filho e é acusada de pedofilia estão impecáveis. Cada personagem tem uma camada de mistério, vulnerabilidade e sua própria profundidade, mesmo que seja em apenas 8 episódios. A produção recebeu críticas positivas pelo Rotten Tomatoes e uma aprovação de 76%. Recomendo Safe para quem quer maratonear uma série e ser surpreendido ao final. J-J