Pode conter spoilers!
Em 26 de janeiro de 2023 a Globoplay e o jornalismo da Globo lançavam a série documental Boate Kiss - a tragédia de Santa Maria. Esse é o tema da Quinta de série de hoje. Dirigida por Marcelo Canellas e roteirizada por Fernando Rinco e Gabriel Mitani, a produção contou com 5 episódios de em média 1 hora cada. A série teve uma classificação etária de 14 anos.
O jornalista investigativo Marcelo Canellas conta a história de luta por justiça protagonizada por familiares das vítimas de uma das maiores tragédias do Brasil: o incêndio da Boate Kiss. Canellas foi criado em Santa Maria, então ele tem muita familiaridade com aquela localidade. A produção, desse modo, é guiada pelos pontos de vista dos sobreviventes e das famílias das vítimas do incêndio que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos. O foco dos episódios também está na batalha judicial ao redor do caso da Boate Kiss.
A produção foi lançada exatamente 10 anos depois dos fatos, ou seja, eles ocorreram na madrugada de 27 de janeiro de 2013. O incêndio da boate Kiss foi ocasionado pelo uso de artefatos pirotécnicos em ambiente fechado, desencadeando uma série de falhas de segurança e negligências.
A série tem o intuito de explicar muitas coisas, de colocar o pingo nos 'is', de aprofundar nos fatos e mostrar que o caso foi altamente criminoso. 10 anos depois, ainda há muitas feridas abertas e pontos que não foram bem esclarecidos. A produção, desse modo, é muito didática ao explicar como o incêndio ocorreu, o papel dos bombeiros e da polícia.
Desse modo, a série elucida o que aconteceu na noite da tragédia. Durante uma festa universitária, a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador pirotécnico (sputnik) no palco, que atingiu o isolamento acústico de espuma no teto, propagando chamas rapidamente. A espuma tóxica, por sua vez, liberou gases como cianeto e monóxido de carbono, causadores da maioria das mortes por asfixia. Diversas falhas de segurança foram evidenciadas, tais como: superlotação, extintores de incêndio ineficazes ou inexistentes, apenas uma saída de emergência (que foi obstruída), revestimento irregular e falhas na sinalização. Imagino o desespero que foi das pessoas saírem desse cenário de horror, mas sem lograrem êxito.
A série é pesada, densa e traz tristeza por vermos vidas jovens sendo ceifadas, de um incêndio que poderia ser evitado. Há diversos depoimentos, documentos, imagens de arquivo e o silêncio pesado que acompanha cada relato. Uma noite que era pra ser de diversão, transformou em noite de luto e tragédia.
Sobre as condenações agora: quatro réus foram condenados em júri popular em 2021, mas o Tribunal de Justiça do RS anulou o júri em 2022, libertando-os. Em 2025, um dos condenados foi para o regime aberto, gerando mais debates sobre a morosidade da justiça.
O prédio da boate foi demolido e um memorial está sendo construído no local para preservar a memória das vítimas e evitar que a história se repita. O caso gerou mudanças significativas nas normas de prevenção a incêndios em todo o Brasil, conhecida como Lei Kiss. J-J








Me lembro desse incêndio da boate, foi muito triste, Emerson abraços.
ResponderExcluirUma das maiores tragédias brasileiras. Uma tragédia que poderia ter sido evitada se houvesse mais comunicação e atenção dos donos da casa quanto a apresentações no palco.
ResponderExcluirEstou vendo um documentário sobre o 11 de Setembro na Disney que também é ótimo, com imagens do atentado e histórias de sobreviventes que eu nunca tinha visto. Vale a pena conferir também.
abraços