sábado, 24 de fevereiro de 2018

O que há por trás da escolha dos artistas para o "FanFeat" da Coca Cola?



Faltam 6 dias para que o Brasil conheça os 3 "super artistas" brasileiros vencedores da campanha da Coca Cola, o FanFeat. A empresa selecionou 9 artistas que estão em alta no Brasil (Simone e Simaria, Solange Almeida, Projota, Pabllo Vittar, Ludmilla, Luan Santana, Valesca, Anitta e Thiaguinho, para que os fãs e o público selecionem seus favoritos









Os 3 mais votados lançarão um hit musical, um clipe e se apresentarão em um show exclusivo. Até quando fiz esse post ontem (23), esses são os artistas mais votados:





A seleção da Coca Cola, embora enalteça artistas brasileiros e nacionais, ainda assim, padroniza gostos, estereotipa a identidade musical do país e reafirma a nossa indústria musical. Se formos perceber, os cantores escolhidos são aqueles que estão no auge do sucesso; que possuem hits que tocam nas grandes rádios; que cantam letras que nada acrescentam e que não incitam a reflexão e a crítica; e que possuem sucessos passageiros e efêmeros, como já falei nesse post



Quem decide os ritmos e os cantores do momento?


Se formos parar para pensar, a resposta são os consumidores de músicas e videoclipes. São eles que pautam as grandes rádios, que colocam uma canção no topo ou viralizam um videoclipe. Contudo, a mídia e as empresas também tem sua importância: o de difundir os hits e os cantores que o público anseia ou de ir por um caminho inovador, ao apresentar artistas, ritmos e músicas que também atendem ao gosto dos espectadores, mas que não são tão conhecidos. Geralmente elas optam por focar no que a grande população deseja ouvir, como se ela própria ajudasse a comercializar a indústria musical e massificasse ritmos, gêneros, cantores e músicas. É o caso da Coca Cola.

A empresa de bebidas optou por destacar ainda mais os cantores de massa. Tal atitude é um tanto quanto estratégica: a Coca Cola é uma entidade multinacional conhecida em todo o mundo e que atende à praticamente toda sociedade (Quem aí não gosta do líquido preto gaseificado?). Ao selecionar Anitta, Thiaguinho, Pabllo Vittar, Valesca e Simone e Simaria, é como se seus lucros e benefícios duplicassem, entendem? 

Além disso, a Coca Cola ainda visa um público-alvo específico: o de jovens que amam a bebida e os cantores da atualidade. E de onde sairia maior adesão à campanha FanFeat, se não deles que são ligados nas redes sociais, tecnologia, música e Youtube.

Desse modo, percebo que quem decide os ritmos e cantores do momento é o público, juntamente com a mídia, as marcas, entre outros.


Padronização de gostos


Quem disse que a música brasileira se resume à somente esses 9 cantores e ritmos? Ela é muito mais que funk, sertanejo, pagode e pop, mas fica claro na campanha da Coca Cola uma padronização de gostos e uma reafirmação da indústria musical brasileira. Na escolha da empresa de bebidas não há representantes da MPB, Bossa Nova, muito menos do rock. 

Entendam que não critico os ritmos, cantores e trechos dos hits escolhidos. Apenas acredito que a música brasileira é muito mais do que está sendo retratado. A proposta da Coca Cola de unir diferentes artistas, gêneros e ritmos em uma campanha e futuramente em novos projetos, na prática, não é efetiva. Embora sejam ritmos diferentes, há muitas semelhanças, como: são cantores que estão na moda, gêneros de massa e letras com refrões chicletes. No final das contas são canções que nada acrescentam e que brevemente serão esquecidas.

"Mas colocar um artista menos conhecido da MPB ou da Bossa Nova fugiria da proposta de criar um hit animado e que fosse estourar por todo o Brasil, Emerson". Será mesmo? Ou é por que esses ritmos são subestimados no Brasil? Por quê não estampar as latinhas de Coca Cola com o cantor Cícero, Tiago Iorc, Sandy, Anavitoria, Ana Carolina, Rita Lee, Clarice Falcão, Vanessa da Mata, Supercombo e tantos outros artistas? A resposta é clara: porque a campanha Fanfeat não teria tanto impacto, tantas latinhas de refri vendidas muito menos lucro.





O colaborador do blog Arthur Claro não tem o seu estilo musical representado nas latinhas de Coca Cola muito menos na campanha Fanfeat, provando que os artistas que estão lá não são os ídolos musicais da todos:

"Eu não gosto de nenhum artista que está concorrendo porque são de estilos musicais que não gosto. Além disso, os artistas são todos parecidos, sem nada de diferente. Dessa nova geração acho que podia ter o Tiago Iorc, pois ele é diferenciado".


As frases da Coca Cola "Super artistas", "Juntar seus ídolos em um hit" e os "Melhores artistas de todo o Brasil" são pura balela. O que está representado ali naquelas latinhas é uma padronização de gostos e músicas, literalmente, "enlatadas". Não houve uma pesquisa aprofundada da história musical brasileira, muito menos foi levado em consideração os gêneros preferidos de todas as pessoas.



Latas de metal; músicas de plástico





As músicas dos cantores, o hit e o clipe que futuramente virão a ser feitos se decomporão mais rapidamente que todas as latas de metais de Coca Cola do mundo inteiro, isso porque não houve a preocupação de trazer gêneros, ritmos e músicas que tem potencial de perpassar gerações e tornarem-se eternos e inesquecíveis. 

Não vamos tão longe. Quantos se lembrarão, daqui um ano, das frases: "Caraca, Muleke", "A danada sou eu", "Vamo Acordar esse prédio" e "Vem não tem igual"? São letras marcantes, refrões chicletes e dançantes? São. Mas isso não é suficiente para que as músicas se tornem eternas. Elas só fazem sucesso por um curto período de tempo. E, atualmente, as que estão no auge são aquelas que falam de pegação, empoderamento feminino e curtição de balada. Não há profundidade e complexidade ou reflexão e críticas nas letras. É sempre mais do mesmo.






Um dono de uma lanchonete foi bastante criticado ao raspar os artistas e as letras estampadas nas latas de Coca Cola. Na verdade, não foi uma atitude homofóbica contra os artistas, muito menos ele foi um hater deles. O que ele estava raspando não eram os artistas, mas as letras das músicas que nada acrescentam. Ele disse o seguinte:

"Na verdade, não tenho nada contra os artistas, mas as músicas que estão estampadas nas latas não convém com meus ideais. Quando vi, pensei 'não posso colocar isso pra vender aqui': músicas que fazem apologia ao sexo, bebidas, farras, entre outras coisas que não acrescentam em nada de bom." 


E eu concordo plenamente com ele. Por que não estampar a latinha com a figura do Cícero e o trecho de Açúcar e Adoçante que diz: "Cuidado que eu mudei de lugar Algumas certezas"? Acredito que ela jamais seria raspada, bem como a música, hit e clipe não seria esquecido e decomposto tão cedo.

O FanFeat que será criado em breve (Na verdade o clipe e a música também deveriam ser inventados pelos fãs, mas provavelmente não serão) trará lucros e benefícios para a Coca Cola e visibilidade para os 3 "super artistas", mas somente por alguns meses. Ele rapidamente será esquecido!



No final, os artistas das latinhas serão exclusivamente favorecidos!














Por que dar visibilidade à artistas com as carreiras já consolidadas e não para aqueles tão bons quanto (ou melhores que)? Essa campanha da Coca Cola mostra claramente que somente alguns cantores são favorecidos, seja pela mídia, empresas, governo, etc. Quando apenas patrocinamos, incentivamos e destacamos determinados cantores ou bandas dizemos, subliminarmente, que os demais não merecem nem ao menos serem ouvidos.

Curiosamente, os artistas selecionados pela Coca Cola são aqueles que mais tem dado lucro e benefícios nas mais diversas áreas. Arrisco dizer que eles até mesmo são/seriam beneficiados pela Lei Rouanet, visto que geraria lucro para a sociedade e visibilidade para as classes menos favorecidas (#ironiaModeOn). Eles também interessam (e muito) o governo por não realizarem críticas a ele, muito menos à sociedade (Claro, são músicas superficiais e sem raízes!). 

No final das contas, a Coca Cola e o governo não tem interesse algum em estampar em latas e comercializá-las as figuras do Cícero, Gabriel, o Pensador, Chico Buarque, Legião Urbana, Titãs, Pitty, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Vanessa da Mata e muito menos do Jair Bolsonaro!

Por trás da seleção de artistas da Coca Cola há muitos interesses em jogo, assim como em volta da Lei Rouanet e seus beneficiários (É só ler esse link que traz polêmicas bem obscuras e sujas a respeito). J-J


Por: Emerson Garcia

6 comentários :

  1. E particularmente fui contra o cara fazer isso, já que ele pode não gostar mas ele comanda o que os clientes gostam? Acho que não, isso é não saber lidar com seu público e querer que todos tenham os mesmos gostos.

    www.vestindoideias.com

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    Respostas
    1. Exato, Carla. Acredito que não houve um estudo aprofundado.

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  2. Oi Emerson! Tudo bom?
    Passando pra agradecer seu comentário lá no meu blog.
    Tenha uma excelente semana! <3

    ~ miiistoquente

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  3. Olá JJ tudo bem???


    Não "vivi" essa promoção da Coca Cola, porém não tem nenhum artista que eu SUPER goste e por isso não curti...


    Beijinhos;
    Débora.
    https://derbymotta.blogspot.pt/

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  4. Eu não escuto música e estou longe do BR há bastante tempo, realmente tou por fora disso tudo.


    Beijinhos
    n. // www.fashionjacket.com.br

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