quinta-feira, 2 de abril de 2026

Quinta de série: Leila (podcast)

 Pode conter spoilers!



No Quinta de série de hoje trago o podcast documental em 8 episódios chamado Leila, disponível no Globoplay e Spotify. O material em áudio teve o intuito de investigar e apresentar fatos da história do incidente que envolveu a atriz de mesmo nome, famosa, bonita e glamurosa, em 1975 (numa época em que eu nem era nascido ainda). Narrado pela atriz Leandra Leal (no ar atualmente em Coração Acelerado), o podcast possui ideia original, roteiro e direção de Daniel Pech; pesquisa e roteiro de Sara Stopazzolli; produção de Deborah Osborn, Camila Nunes, Felipe Briso e Daniel Pech; produção executiva de Deborah Orborn e Camila Nunes; entre outros envolvidos. Um podcast original Globoplay, produzido pela bigBonsai em coprodução com a Multiverso Produções. São 8 episódios no total, com 35 minutos em média cada um.

No fatídico dia 12 de novembro de 1975, no auge da ditadura militar, um taxista vê a modelo Leila Cravo nua e machucada pela avenida Niemeyer, em frente ao Motel Vip's, Rio de Janeiro. Tudo leva a crer que a atriz tenha caído da suíte presidencial do estabelecimento, a 18 metros de altura, com um bilhete na mão. A modelo teve diversos ossos do rosto fraturados, politraumatismo craniano, perda parcial em uma das visões e traumatismo craniano. Ficou três dias entre a vida e a morte e 11 dias em coma. Acordou no dia 22 de novembro do mesmo ano, quando completou 22 anos. Ficou internada por quase um mês.

O caso levantou uma série de discussões. Foi tentativa de suicídio? Tentativa de feminicídio? Crime contra a vida? O episódio se tornou em um caso chocante, marcando a vida da jovem atriz na época e de sua família. A série true crime silenciou-os por décadas, até que fizeram um podcast em 2022, tratando sobre o assunto.

A história possui duas versões. A primeira é de que Leila havia ido a uma festa no bar Antonio's com o advogado Marco Aurélio Sampaio Moreira Leite, que era casado. Após o bundalelê, eles foram ao motel. Depois da modelo ter sido achada inconsciente e sido levada ao hospital, ele contou que a havia deixado no quarto de madrugada ao seu próprio pedido. Anos depois, contudo, Leila revelou que Marco Aurélio havia combinado com outros dois homens de ir ao motel também. Ela teria se negado a ter relações sexuais, tendo sido estuprada, espancada e forjado uma situação que parecesse suicídio. 

A segunda seria uma tentativa de suicídio de Leila, que teria saído do quarto apenas enrolada em um lençol e se jogado de um jardim no andar. A atriz revelou que um dos homens era ministro do governo Geisel, mas nunca disse seu nome.

Nenhuma das duas hipóteses levantadas foram realmente comprovadas, apesar da primeira ser muito mais replicada e acreditada. Daniel Pech falou de como o acidente deixou Leila sem perspectivas de vida:

"Ela era figurinha fácil nas festas mais badaladas do Rio de Janeiro e nos bastidores da TV Globo, mas o incidente acabou com sua vontade de viver".


Na época o caso teve ampla repercussão pública, tendo sido noticiado pela imprensa como tentativa de suicídio, sendo arquivado anos depois. Segundo sua filha Tathiana, a mãe por um longo tempo usou drogas e era violenta, reafirmando essa hipótese de tentativa de suicídio. Veja o que ela disse: 

"Se eu soubesse que minha mãe foi vítima dessa crueldade toda, teria tido compaixão e não raiva, como muitas vezes senti por ela. Minha família nunca contou o que tinha acontecido e eu não entendia por que minha mãe vivia drogada e reclusa do mundo".



A produção apresenta contradições de testemunhas e revela o ambiente das festas da elite carioca dos anos 70. Ela inclui revelações realizadas por Leila a sua neta, Ana Júlia, pouco antes de sua morte, sobre quem estava no motel naquela noite.

Leila Cravo, foi uma modelo, atriz e apresentadora de grande sucesso dos anos 1970. Ela chegou a ser apresentadora do Fantástico na TV Globo e ficou bastante conhecida por suas partipações em filmes de pornochanchadas, além de ter aparecido em algumas novelas quando fez sua estreia na televisão em 1974.

A época em que o incidente ocorre - ditadura militar - levanta uma série de motivações para o incidente. Será que estavam tentando calar a modelo? Nesse sentido, o projeto destaca como a voz de Leila foi suprimida por uma sociedade machista e conservadora durante a ditadura. Leila era uma mulher à frente do seu tempo, livre, desimpendida e vanguardista, isso porque ela atuou até mesmo em pornochanchadas. 

O podcast contou com materiais de arquivos em reportagens da Globo; matérias de jornal da Última Hora/FolhaPress, O Globo e Jornal do Brasil; matérias de revista da Manchete, Fatos e Fotos, O Cruzeiro, O Pasquim e Ele e Ela; e do livro Passagem Secreta de Leila Cravo. Para a pesquisa ainda, contaram com o Acervo da Fundação Biblioteca Nacional-Brasil e com o livro Os motéis e o poder de Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo.  

A narração de Leandra Leal traz para a trama investigativa um tom literário, dando visibilidade aos verdadeiros fatos do crime que aconteceu na época. O podcast, ainda, reúne depoimentos inéditos de familiares da vítima. Leila Cravo morreu em 2020, aos 66 anos, após sentir dores no peito. J-J


Por: Emerson Garcia

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