domingo, 16 de julho de 2017

Explicando o óbvio na quadrúplica: o último texto do semestre onde Pedro Blanche re-responde economista sobre "aborto como solução para a criminalidade"

Já que esse é o último texto da primeira parte da temporada 2017, vamos fazer em grande estilo. | Internet


Caros leitores, este é o último texto antes do recesso do blog. O suficiente para fechar uma questão aberta desde o dia 03 de julho de 2017: abortar com a finalidade de diminuir crimes e desafogar presídios. Eu não apenas discordei, como provei que a ideia é um absurdo. Na semana seguinte apareceu um texto que ele já sabe que amei: amei o bastante para dar uma resposta final e com o estilo Pedro Blanche de ser (como já fiz com o artista frustrado uma vez).

Mas é claro que vou ser o mais leve possível... Prometo!


1 - ABORTO PARA EXTERMINAR POTENCIAIS CRIMINOSOS E MUDAR O MUNDO: Jonas Gomes, economista e pesquisador da Universidade de Minas Gerais publicou um texto defendendo a tese descrita em negrito com uma pergunta: A legalização do aborto seria boa para um país? Com dados, e tendo como fonte Steven David Levitt e seu livro Freakonomics. Após isso, nos foi apresentado estatísticas sobre criminalidade e filhos sem conhecer o pai.

Enfim, numa geração como essa acrescido o cenário de crimes é fácil concluir que é necessário fazer e permitir o aborto. Afinal, "Por que este deus tão malvado" permitiria que os pobres nascessem às pencas, vulneráveis e prontinhos para virarem bandidos e dar despesas ao glorioso deus Estado? Um dos leitores não só comprou a ideia, como tem simpatia por matar muita gente nesse "planeta lotado de gente":

Titio Soros se orgulha de ti, Cleber. | Comentários no blog Jovem Jornalista



Tudo isso vem de um sujeito chamado Thomas Malthus e sua teoria populacional onde previu lá no século XIX que a comida na terra não seria o bastante para todos. Uma das soluções é parecida com a que foi defendida por Jonas que é a redução populacional. Mas Malthus estava enganado: a tecnologia agropecuária aumentou a produção de alimentos, comemos mais e melhor que antes, além de vivermos mais e termos um ambiente mais próspero nas finanças. Confira:







Se Malthus estivesse certo os pobres teriam de ser exterminados para evitar que eles passassem pela fome, miséria e caíssem no crime. Não digo que Jonas citou Malthus, mas suas fontes para dar base ao aborto como solução a criminalidade com certeza bebe da fonte malthusiana. E outros que creem em Malthus cometeram inúmeros crimes contra a humanidade em nome de um mundo melhor.


2 - A FARSA DE LEVITT: eu refutei a tese central de que liberar o aborto seria ideal para diminuir os crimes. Levitt trapaceia ao falar de que os crimes em Nova York diminuíram por conta dos abortos na década de 1970, e não por conta da política de Tolerância Zero imposto pelo então prefeito Rudolph Giuliani. Exibi o vídeo do documentário Blood Money onde o aborto é uma indústria rentável que funciona por conta do quadro geral criado pelo movimento revolucionário: estímulo ao sexo desenfreado, a destruição das famílias, o abandono da religião e a substituição por uma moral secularista e utilitarista.

Se temos crimes e uma crise de valores é por se dever a essa série de fatores citados. Portanto, cometer aborto (caso fosse legítimo e moral) seria tratar os sintomas, mas nunca iria matar a doença. Mais detalhes a respeito do porquê chegamos ao ponto em que estamos em nosso século recomendo que veja o documentário Agenda:







3 - POR QUE QUE NÃO EXISTE DEBATE NISSO? Ora, porque já deixei isso bem claro no texto anterior a este. Separo os trechos:

"Chega a ser absurdo ver o ser humano ser tratado como um número, uma peça e estatística a ser movida ao gosto e conveniência de burocratas, economistas da vida e outras pessoas que tem a solução dos problemas do mundo, mas ainda não aprenderam a arrumar a cama."


"Se o aborto é base para evitar crimes e que a mãe não sofra, então o que impedirá de abortar bebês com síndrome de Down, imperfeições físicas e mentais, além de outras causas em que o indivíduo "dará despesas" ao estado e que causará sofrimento a mãe e a família?"


"Enfim, não existe "debate" nisso porque a vida humana não pode ser objeto de joguete para burocratas. Vamos matar os outros porque tiveram o azar de nascerem pobres em nome do progresso e da segurança pública? Não temos crimes por causa do mal caráter do indivíduo que ESCOLHEU este meio? Vamos deixar de ter filhos e netos por conta disso? Em nome do "não sofrer" vamos eliminar os "imperfeitos e indesejáveis"?"


Portanto, deixei claro que há certos limites em pôr algo ou alguém como objeto de debate. A manutenção da vida, por exemplo, é uma das coisas que não fazem parte porque é sabido - em especial nas civilizações cristãs que não perderam Deus como guia moral da sociedade - que a vida humana é sagrada e ser humano nenhum pode determinar o fim desta, em especial a existência indefesa do bebê.

A obra 10 livros que estragaram o mundo, de Benjamin Wiker, mostra que as ideias podem ser perigosas e guiar o mundo aos maus caminhos. A sinopse do livro resume o que pode ser aplicado ao texto escrito pelo economista (com grifos):

"O bom senso e um pouco de lógica nos advertem que, se idéias têm conseqüências, então más idéias têm más conseqüências. E, ainda mais óbvio: más idéias, escritas em livros, tornam-se muito duráveis, infectam gerações e mais gerações e ampliam a miséria do mundo. Eu afirmo, portanto, que o mundo seria hoje um lugar demonstravelmente melhor se os livros que estamos prestes a discutir jamais tivessem sido escritos."


O óbvio deixa evidente que questionar quando a vida tem de ser interrompida, por exemplo, é um absurdo porque destas ideias serviriam de base para políticas de extermínio e/ou redução em massa da população. Os conceitos de Malthus entranhados direta ou indiretamente no texto do Jonas servem de exemplo a isso. Quem não se lembra da esterilização em massa de mulheres de origem indígena no Peru? Ora, podem muito bem encaixar o argumento do economista ao caso ocorrido no país vizinho ao Brasil, por que não?!


4 - A TRÉPLICA QUE FOI SEM NUNCA TER SIDO: Para encerrar o destrinche, é lógico que o texto do economista vai ser exposto aqui. No dia 10 de julho de 2017 ele escreveu "Existe debate nisso, sim!" - tréplica sobre a legalização do aborto, onde foi uma resposta à minha, mas que no final foi apenas um texto certinho e bem amarrado que não leva a lugar nenhum. Mas teve gente que se impressionou:

"Ui, ele lacrou! O Pedro está ferrado!". | Comentários no blog Jovem Jornalista



É por isso que amei este texto. Mas vamos ao que interessa!


Com direito a citação ao longa metragem ganhador do Oscar© A ilha dos Tomates filme Ilha das Flores, o texto de Jonas Gomes parece (a quem perdeu quilômetros do fio da meada) que sua proposta é legítima. Afinal, quem seria contra em limitar algo que seria debatido?

"Quando determinamos que algo se quer deva ser debatido, estamos não só privando os que pensam diferente de nós de expressar sua opinião, mas nos aproximando do pensamento extremista, em que os que pensam diferente, além de não ter voz, não são aceitos."


Eu concordaria se não fosse pelo que já expliquei lá no tópico 3. Além do mais, já esclareci no meu texto anterior. Imagina se, por exemplo, um casal pobre na periferia de uma cidade do Brasil quisesse constituir família e chega um desses sabe-tudo iluminados pelos ventos do secularismo e da razão debatendo se eles tivessem direito de formar sua prole. E de lá se conclui: "É melhor não, vocês vão criar futuros bandidos. Seu marido é um quebrado e você, mulher, vai parir uma ninhada de ladrões."

Terrível, não?! Vamos adiante.

Aí ele vem e me faz uma coisa dessas. Confira:

"Quando resumimos nossa decisão a apenas um “não existe debate nisso!”, estamos limitando nossa própria capacidade de análise e impondo aos demais a mesma escolha."


PUTA QUE PARIU, CARALHO! O cara não entendeu nada ou "tá de brinks" comigo. Vou explicar essa depois desse trecho que ele escreveu (com grifos):

"O que difere os seres humanos das outras espécies - além do polegar opositor (que também está presente nos primatas) - é a capacidade de pensar e fazer escolhas racionais e coletivas, visando não apenas o seu próprio bem-estar, mas também o do ambiente ao seu redor."


Ora, se a racionalidade é parâmetro para visar nosso bem-estar aí seria outra coisa. Aliás, o "bem-estar" sob a égide racional de quem? Não é à toa que Dennis Prager, da Prager University (PragerU) e o professor de Filosofia da Boston College, Peter Kreeft, explicaram que vir com esse papo não cola mesmo. Assista aos dois vídeos:










Pego o que o professor Kreeft disse em relação à escravidão: usando a racionalidade e em nome do bem-estar e analisando os "benefícios em forma quantitativa", o que impediria se escravizar as pessoas fosse conveniente em nome do progresso e do crescimento da economia? Por que não? Idem eu disse e respondi em relação ao aborto: tem valores e crenças morais (não, não podemos deixar a moral de lado!) que são inegociáveis a mercê de um burocrata qualquer.

Ao contrário do que o Jonas escreveu, eu não resumi porra nenhuma a frase "não existe debate sobre isso". Eu fui lá, provei que sua tese e fonte estavam erradas e esclareci até que ponto o ser humano chegou em fazer e pensar em nome da felicidade. Quantos desses pensadores iluminados maqueiam dados para levar adiante planos como esse de diminuir a população, por exemplo. Será que o Jonas não se deu conta que seu texto é um ode ao genocídio e ao racismo (já que sua proposta acertaria em cheio os pobres e negros?) E ainda quer fazer debate disso, ora "vá a merda, porra!", como dizia o saudoso Luís Carlos Alborghetti.

Aí depois ele se esquiva no finalzinho do texto, observe (com grifos):

"Nesse post [a tréplica] não irei defender a legalização ou me opor a ela, pois já expus (em publicação anterior) dados suficientes para uma avaliação quantitativa do caso. Quanto à análise qualitativa, em que diversos outros pontos devem ser analisados, não cabe apenas a mim apresentá-la. O diálogo deve ser aberto para que todos os envolvidos expressem suas opiniões, experiências de vida e sentimentos."


Ora, mais foi você mesmo que disse isso no seu texto do dia 03? (com grifos):

"Os benefícios para o país ficam evidenciados quando analisados de forma quantitativa. Assim, importantes mudanças na legislação não devem ser observadas apenas com viés político ou religioso, mas com debate e exposição de ideias, principalmente em um país que se diz laico."


Se você quisesse explicar o contexto "aborto é igual a menos crimes" pelo menos poria em oposição as críticas à visão de Levitt (como fui obrigado a fazer no meu primeiro texto seguinte a este) e daria ao leitor do Jovem Jornalista um panorama que desse a cada um seu lado. Não se mediu as consequências sociais, econômicas e populacionais a respeito da prática. Enfim, foi uma defesa com dados em defesa do aborto como meio de diminuir a criminalidade.


P.S: Jonas cita a "inquisição"em seu texto. Mas vamos esclarecer

O economista Jonas Gomes usa o maior dos clichês para defender suas teses: falar da "inquisição" como "prova" de que é um dos fatores de se limitar debates. Confira o que ele escreveu:

"Não precisamos ir muito longe para notar os impactos que pensamentos extremistas causam na humanidade. Ao longo da história notamos suas consequências em diversas culturas, desde o início da civilização até os tempos atuais. Dentre os casos, destaca-se a Inquisição na idade média, em que seres humanos eram queimados vivos em nome da fé. Já na atualidade, podemos conferir diariamente atos de grupos terroristas que sacrificam vidas em nome de um credo baseado no extremismo."


Meu, esse foi seu pior erro em desenvolver a argumentação do texto. Se não existisse a inquisição, qualquer acusação a outrem seria logo condenada. Você é só mais um que caiu na propaganda protestante a respeito do tema. Assista a esses dois vídeos e aprenda. Você leitor também está convidado:









Jonas, não use o espantalho da Inquisição nunca mais!


Para encerrar: considerações finais e a parábola dos talentos


Bem leitores, para explicar o óbvio nessa quadrúplica tive que expandir o tema do aborto como algo que não pode ser visto como bom (para a solução de crimes) para outros horizontes e mostrar que coisas como essa não tem discussão. Se chegamos a esse ponto é porque a sociedade perdeu seu rumo moral. Não é coisa de vir economistas, burocratas e outros com essas ideias como porta para melhorar o mundo. Não é questão de coragem ou de estar preparado para debater sobre isso ou aquilo, mas termos bom senso em saber do que é certo e errado, além do quanto é perigoso o relativismo moral.

Peço licença a todos em falar (por alto) sobre a parábola dos talentos (Bíblia Sagrada - Mateus 25:14-30) onde cada um tem o cuidado de trabalhar com seus talentos. Eu, por exemplo, jamais me atreveria a palpitar sobre rugby porque de nada sei senão o que vi no filme Invictus. Sou da escrita, do jornalismo e das letras além de ter uma paixão da terra de meu pai, a França. Isso sei fazer bem e sei que posso por meio desse meu talentomudar a vida das pessoas.

Quantos milhões de brasileiros estão enrolados com as finanças não dariam o braço e/ou o olho (pode ser "aquele olho!") para aprender a mexer com suas economias? Seria bom se tivesse dicas sobre isso. Quantos desses brasileiros aprenderiam a lidar com os números e a grana para mudar o rumo de suas vidas? E de acordo com os ensinamentos que receberiam não dariam um novo rumo em suas trajetórias. É nisso que se trata da parábola dos talentos: onde o indivíduo toma consciência de seus dons e tem uma missão para com o próximo.


Caros leitores, o hiatus de Inverno começou hoje, 16 de julho, e termina dia 05 de agosto. A todos os colaboradores e ao editor-chefe do JJ um bom descanso e que voltem a toda a carga que nossos leitores merecem. Aos leitores deixem as notificações ligadas e tomem cuidado com certas ideias, pois foram com elas que vários crimes foram cometidos em nome de "um mundo melhor."

Até mais, pessoal. J-J













Por: Pedro Blanche

14 comentários :

  1. "É melhor não, vocês vão criar futuros bandidos. Seu marido é um quebrado e você, mulher, vai parir uma ninhada de ladrões."

    Terrível e absurdo!!!!
    Vou citar aqui no Brasil, é terrível imaginar que o aborto seria a solução dos crimes, e que não geraria 'novos bandidos', parece que as autoridades estão correndo de um dos problemas 'maiores' do país e colocar o aborto como solução para não formar mais bandidos....Senhor, estamos perdidos!

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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    1. Exatamente, Pâmela. Hoje é 'melhor' ir até a via fácil do que chegar ao âmago dos problemas. Beijinhos 'procê' também. | PEDRO BLANCHE

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  2. Anyway, ainda compro a ideia, de qualquer forma entendo seu ponto de vista, assim como espero que entenda (e discorde) do meu, e não é matar, ter consciência de NÃO FAZER SE NÃO TEM CONDIÇÕES PARA TAL.

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    1. Seu comentário é um ode ao genocídio. Não venha com essa de "ponto de vista." Tome consciência, menino! | PEDRO BLANCHE

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  3. Bom recesso!!!
    www.somosvisiveiseinfinitos.com.br
    Vídeo novo: https://www.youtube.com/watch?v=AuHsm5xv_ew

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  4. Respostas
    1. Em nome de todos do JJ agradecemos! | PEDRO BLANCHE

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  5. Não sei o que pensar sobre o aborto.. poderia ser apenas para as mulheres que são abusadas.
    Há um certo tempo atrás aconteceu um lance de estupro na minha casa mas, Graças a Deus não chegou por vias de fato a acontecer um aborto. A pessoa confessou o crime e depois ele sofreu um acidente e perdeu metade da massa cefálica. O que ele fez voltou para ele mesmo. Deus sabe o que faz!!

    Um beijo e desculpe pelo desabafo,

    My Pure Style x My Instagram x My Facebook 

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    1. Fernanda, por que o bebê teria de morrer por causa do estupro? Por quê?! | PEDRO BLANCHE

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  6. Deus quando criou o Adão e a Eva disse para encherem a terra. O aborto nunca é uma solução.


    https://diamonds-inthe-sky.blogspot.pt/

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    Respostas
    1. Verdade. A vida caótica das cidades, a inserção da mulher no mercado de trabalho (feita pelos globalistas, procure mais por essa informação) e vários impedimentos de o indivíduo em enriquecer impede ou dificulta que algo tão natural aconteça: famílias com muitos filhos. | PEDRO BLANCHE

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  7. Muito bacana o texto! É um assunto bem complicado de se falar, pelo menos para mim! hehee

    O Planeta Alternativo

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