quarta-feira, 22 de maio de 2024

Dom do Olhar: Elena Kalis + Fotos subaquáticas


A fotógrafa russa Elena Kalis é conhecida pelos seus incríveis ensaios submersos, como esse da Alice in WaterLand que já apresentei aqui no blog. Fotografar debaixo d'água é um verdadeiro desafio, mas as fotos ficam interessantíssimas. Hoje quero falar dos conceitos e características de fotos subaquáticas, além de falar mais um pouco da artista Elena Karis.

As fotos subaquáticas combinam artifícios como bolhas, ondas, luzes e objetivos, deixando-as em harmonia e equilíbrio. A refração da luz e da água produzem efeitos incríveis nas fotografias, dando a sensação de relaxamento, combinado com fantasia. Veja algumas fotos de Elena nessa vibe:

























O ar poético e mágico estão presentes nas fotografias. Elementos e seres humanos flutuam e são refratados pela água e luz, dando a sensação de ausência de gravidade e leveza. São fotografias surreais, cenas que parecem ser retiradas de um sonho. 

A produção e trabalho de uma fotografia subaquática exige muito do modelo e da produção. Nessas fotos de Elena, eles mergulham em águas rasas e por uns segundos, prendem a respiração até onde conseguem e onde se sentem confortáveis. Os resultados são incríveis. Vejam mais fotos:























É possível perceber o amor que a fotógrafa Elena Karis possui pelo oceano. Para ela, é um mundo de fantasia, ludicidade, globalismo e cheio de diferenças. Veja o que ela comentou sobre:  

“Eu gosto de como as coisas e as pessoas se movimentam debaixo d’água. Os movimentos são graciosos e difíceis de alcançar na terra. Nunca me canso de olhar para o oceano. O amo e passo muito tempo na água, seja fotografando ou não. Acabou se tornando uma coisa natural pra mim.”


Com as fotografias subaquáticas a artista experimenta e se diverte bastante. E o resultado é diferente e criativo. J-J



















Por: Emerson Garcia

terça-feira, 21 de maio de 2024

Resenha 'O ponto de vista no filme documentário' de Manuela Penafria

O texto O ponto de vista no filme documentário de Manuela Penafria conceitua o documentário em contraposição com a ficção. Elenca-o ao processo de realização de escolhas e indagação destas, uma vez que tem como retrato a realidade, e, acima disso, como o documentarista a referencia. O documentário, portanto, situa-se na captação de imagens e cenários naturais e no processo de criação autoral.

O desafio proposto por Manuela parte justamente de como realizar um documentário. Ele é conceituado como estrutura narrativa com introdução, desenvolvimento e conclusão, de modo organizado e lógico com capacidade de chamar a atenção do público.

Mesmo com a criatividade e a autonomia, o documentarista deve estar ciente dos seus limites. Deve buscar um tema que tenha potencial de aprofundamento e possua interesse público. As temáticas dos documentários não necessitam ser geradas de notícias factuais. Contudo, discordo da autora quando diz que o documentário exclui a atualidade. Há temas livres, como há temas de notícias.

O programa A Liga, exibido na Band, é um bom exemplo para quebrar a generalização da autora. O documentário televisivo apresentou tanto temas diversos, sem gancho de notícias, como Milionários, O prato dos brasileiros e Mitos Sexuais; assim como temáticas com gancho atual. Mudanças climáticas – que investigou os desastres das enchentes do RJ e SP alguns anos atrás – e Jovens e Violência – que trouxe o caso do jovem que massacrou alunos de uma escola no RJ recentemente - podem ser citados.

Entendo o documentário sobre dois pontos. Primeiro como complemento de notícias factuais, uma vez que em um telejornal tradicional é praticamente impossível tratar com detalhes os assuntos, pois destina-se de 1 a 2 minutos para cada notícia. Segundo, como a possibilidade de discorrer assuntos interessantes e criativos. Após as escolhas da pré-produção, o momento das filmagens é primordial. O documentarista deve estar ciente das imagens que irá utilizar; as pessoas que irá entrevistar; os planos e enquadramentos; luzes; sons, entre outros. Ele filma de acordo com o que foi preestabelecido, no entanto, levando em consideração o instante da filmagem, já que a realidade é mutável. O desafio encontra-se em como encaixar escolhas pré-definidas e trabalhar os materiais na pós-produção.

Desse modo, a autora traz os conceitos de controle gráfico e controle narrativo. É importante definir, por um lado, a estética do documentário, assim como a montagem na pós-produção. O roteiro final do documentário não é o momento das filmagens, e sim a arte final, o processo de montagem do material colhido. O ponto de vista do documentarista não pára no momento da filmagem, e sim, quando o documentário é finalizado.


O programa A Liga nos permite perceber todos os processos de um documentário que desemboca em uma narrativa cinematográfica própria. A pesquisa aprofundada do tema, com dados estatísticos, assim como os possíveis contatos com os entrevistados, parte para a etapa de filmagem, mas não é tudo. É o processo de montagem que fornece um visual para a atração. Na pós-produção unem-se falas parecidas, de forma sequencial, que permita que o espectador realize associações. Se o repórter pergunta ao entrevistado sobre um assunto, coloca-se uma fala similar de outro em seguida. O resultado final é inventivo e dinâmico.

Em minha opinião, o documentário sugere, que por utilizar elementos da realidade, é um retrato fiel dessa. Contudo, o processo de escolhas do documentarista e a fase de pós-produção já causa representações. É por isso que a autora diz que o documentário não tem o intuito de transmitir a realidade, e sim referenciá-la.

Em um documentário, portanto, as questões éticas devem ser discutidas, tendo em vista a utilização de imagens. O documentarista deve deixar clara a finalidade da filmagem para as pessoas que irá entrevistar e manter uma relação de respeito. Em A Liga os espaços são transgredidos pela subjetividade do repórter, que vez ou outra, pede aos entrevistados que exibam partes do corpo. Essas ações já denotam preocupação mais em promover o entrevistado, do que mostrar realidade. Nem a promoção, nem a falta de respeito, em minha opinião, devem ser elementos importantes em um documentário, e sim, o conteúdo deste.

A autora reitera que o documentário não é algo fechado e quadrado, ele permite intervenções por parte do documentarista, já que a realidade permite seleções. O ponto de vista no documentário, portanto, depende de como o profissional vê a realidade e como pretende utilizar as imagens no documentário. É importante dizer, ainda, que o documentarista pode ter o objetivo de autopromover-se, tratar o assunto com sensacionalismo ou ser fiel ao tema. Tudo depende do ponto de vista.

O texto, portanto, é pertinente e condiz com a perspectiva do documentário, pois a autora trata-o não como um retrato fiel da realidade, e sim, como construção. Desse modo elenca como os planos e as escolhas de enquadramento determinam o ponto de vista do documentarista, assim como os processos de seleções influenciam em sua construção. J-J

 

Por: Emerson Garcia para a disciplina Produção e Edição em TV da UCB

segunda-feira, 20 de maio de 2024

5Q: Toc Toc

Pode conter spoilers!







Moral

Até que ponto você lidaria com seu TOC tendo que ficar com várias pessoas em uma sala de espera que possuem TOCs tão peculiares quanto o seu?

Cena boa

O filme todo é muito engraçado e a interação dos personagens é interessante de se assistir, mas cito a cena em que Lili se apaixona por Otto e o beija. É emocionante.

Cena ruim

Acredito que tiveram cenas desnecessárias e repetitivas, principalmente as de Blanca e seu TOC por limpeza e organização. Mas isso é irrelevante, já que se trata de um filme de comportamentos repetitivos.

Perfil

O filme possui seis protagonistas, cada um com sua estória e seu momento de brilhar na tela. Blanca tem TOC por limpeza e organização; Otto por simetria e medo de pisar em linhas; Lili repete tudo o que fala, bem como reproduz as últimas sílabas de palavras que ouve; Emilio tem obsessão por carros, números e ruas; Ana Maria tem a síndrome da verificação, se benze toda hora e fica impressionada com o que vê e ouve, achando que acontecerá consigo; e Federico tem tiques nervosos e não se controla, falando coisas e fazendo gestos obscenos. Cada um deles devem lidar com suas peculiaridades e a dos outros enquanto espera o doutor chegar ao consultório.



 Opinião

Uma comédia espanhola deliciosa que trata do assunto TOC com muito bom humor. Toc Toc possui personagens cativantes, que no decorrer da trama conhecemos suas estórias e nos apaixonamos por cada um. Os seis protagonistas tem muita química entre si e cada um tem seu grande momento, sem ofuscar o outro personagem. Desde o início do filme um mistério se instaura: o que aconteceu com o doutor, por que ele não chegou e por que o sistema marcou as consultas dos personagens para o mesmo horário? É interessante ver que um ajuda com o TOC do outro, ocasionando em cenas hilárias, emocionantes e cheias de ensinamentos. Em tão pouco tempo as seis pessoas se tornam melhores amigas e torcemos pela amizade (Até pelo romance entre uns deles). A gente compra a estória, o problema de cada um e torce para que eles fiquem bem. O final não poderia ser mais surpreendente e a gente percebe que ele fez total sentido e a verdade estava na nossa cara todo o tempo e tudo se encaixa perfeitamente. 'Toc Toc' se passa a maior parte do tempo em uma sala de consultório, mas isso não deixa a trama pobre de locações. Conhecemos o passado de cada protagonista e a apresentação de cada um deles no início é cativante. O filme é uma adaptação de uma peça francesa, mas com um toque espanhol incrível. Enfim, 'Toc Toc' é sim para sorrir até umas horas, mas é também para compreendermos que podemos ser indivíduos melhores, respeitando as diferenças e ajudando as outras pessoas em seus problemas.  J-J



Por: Emerson Garcia

sábado, 18 de maio de 2024

Rádio Bagaralho: programa 'Vibe humor' - músicas politicamente incorretas

Com o oferecimento de Onda Hilária Surf Shop, começa agora o Vibe humor! 





Música é liberdade de expressão, mas até mesmo esta tem que ter seus limites. No Vibe Humor de hoje apresento 8 músicas que podem ser ditas serem preconceituosas, e que ultrapassaram a margem do politicamente correto. Se fossem tocadas nos dias atuais, seriam totalmente banidas. 

As faixas de hoje não precisam ser mais tocadas, a não ser aqui no Vibe humor. Elas apresentam tom opressor, violência, machismo, LGBTfobia, misoginias, racismo, preconceito e tudo mais de podre que possa existir. O fato é que tiveram artistas que divulgaram essas músicas e fizeram até sucesso nas rádios ou nas pistas, mas elas não cabem mais na atualidade e nem merecem holofote.

Na playlist de hoje apresenta músicas brasileiras e internacionais. Ouça-as e jogue-as no lixo! 



Começo com a marchinha de Chacrinha. Os versinhos "De dia é Maria e de noite é João" não caberia nos dias de hoje. É uma crítica às mulheres lésbicas. Mesmo que Chacrinha fale que "É um barato É um sucesso Dentro e fora do Brasil", isso não soa como elogio, nem homenagem. 

O grande sucesso Robocop Gay de Mamonas Assassinas soaria um tanto quanto inadequado nos tempos atuais. A banda fez enorme sucesso nos anos 1990, mas teria problemas não só com essa música, como com muitas outras. 

A música Rock das Aranhas tem tom sexual explícito além de ser preconceituosa. O rockeiro Raul Seixas se depara com duas mulheres colocando as aranhas para brigar. Inconformado, ele coloca sua cobra no meio para mostrar "como é certo". Na época a música já foi censurada, imagina nos tempos atuais?! Mesmo assim, ela é um clássico do rock nacional. 

Nem precisa dizer que Vou começar a bater em mulher de Alípio Martins enaltece a violência contra a mulher e ao feminicídio, não é mesmo?! A música, lançada em 1975, foi um grande desserviço às mulheres. Um trecho diz assim: "Vou começar a bater em mulher Elas adoram ser maltratadas Elas só gamam se um dia apanhar". 

One in a million de Guns N' Roses fala sobre ser um garoto branco de cidade pequena que tenta se descobrir como pessoa em meio a uma metrópole. Tem um trecho que diz que ele não gosta de ver gente diferente, como negros, imigrantes e "bichas". Um verso diz o seguinte: “Imigrantes e bichas Não fazem sentido para mim Eles vêm ao meu país E acham que podem fazer o que quiserem Como começar um mini-Irã Ou espalhar doenças”. Um festival de xenofobria, racismo e homofobia ao mesmo tempo! 



Maurice Joshua teve a infeliz ideia de fazer uma música dizendo o quanto seu membro inferior era grande em I Gotta Big Dick. O instrumental da música é interessante, mas a repetição da frase chega ser exaustiva e chata. Falar do órgão sexual em uma música é politicamente incorreto! 

Um grande sucesso nos anos 2000, Tapinha de MC Naldinho enaltece a violência doméstica, mesmo que a letra diga que "Um tapinha não dói". Essa já é uma semente para a violência de gênero e estimula a agressão contra a mulher, seja em que dimensão for, além de banalizar a violência.  

Ataulfo Alves seria preso se cantasse Mulata assanhada nos dias de hoje. A letra fala que as mulheres negras são boas para o amor, mas não para o casamento. Composta no fim dos anos 1950, tem uma parte que fala o seguinte absurdo: “Ai, meu Deus, que bom seria Se voltasse a escravidão Eu comprava essa mulata E prendia no meu coração!”.


Essa foi a playlist de hoje, que não é para ser tocada por aí! Foi apenas para mostrar o quanto essas músicas são politicamente incorretas. Em breve, posso trazer a parte 2! J-J



Por: Emerson Garcia

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