terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Janeiro Branco: A saúde mental e emocional precisa ser discutida



Janeiro é o primeiro mês do ano. Um tempo de reflexão, planejamento de objetivos e metas. Desde 2014, nesse período, diversas iniciativas são realizadas a fim de discutir assuntos ligados à saúde mental e psíquica, é o chamado Janeiro Branco. Esse projeto é seríssimo e importante, uma vez que a depressão, suicídio e doenças mentais tem crescido na sociedade contemporânea.

Esse post terá o intuito de discutir os seguintes tópicos: Origem do Janeiro Branco; O que é?; Objetivos; Por que janeiro e por que a cor branca?Ações; e Vídeos e propagandas sobre o Janeiro Branco.


Origem do Janeiro Branco


A campanha Janeiro Branco é recente, tendo sua origem em 2014 em Minas Gerais. Nessa época, profissionais da saúde, psicólogos e psiquiatras perceberam a necessidade de discutir e alertar sobre temas de saúde mental e psíquica. Em seu início foram realizadas palestras e divulgação online do tema. 

Atualmente a campanha ganhou maior aderência de colaboradores, psicólogos, psiquiatras e pessoas comuns. O interesse em ajudar na divulgação cresceu, bem como aumentou o número de palestras e mesas de debate sobre o assunto.

Institucionalmente, a campanha tornou-se oficial em Campinas (SP) em setembro de 2016, a partir da lei 15.303 - conhecido como mês Janeiro Branco. Creio ser interessante a legalização dessa data por todo o Brasil, pois quanto maior a divulgação e conscientização, maiores as possibilidades de manter a mente saudável e menores os índices de adoecimentos e suicídios.


O que é?


Por ser uma campanha recente, é possível que muitos não saibam o que o Janeiro Branco significa. Ele nada mais é do que uma mobilização em favor da saúde mental, de modo que esta se evidencie durante todo o mês de janeiro através de reflexões e discussões. 

A saúde mental é uma área de extremo valor, mas que não é tão discutida e/ou cuidada. Geralmente nos preocupamos com a saúde física, por ela ser visível e "mais fácil" de ser tratada, mas não com a saúde mental. Esta última também merece ser conhecida e tratada, uma vez que ela é um estado de equilíbrio capaz de gerar bem-estar ao indivíduo e à sociedade como um todo. 

Ainda nos dias atuais a saúde mental, bem como as doenças psicológicas e psiquiátricas são tabus. Preconceito e falta de conhecimento são perceptíveis. Muitos não querem discutir esses temas, muito menos lidar com pessoas com depressão, ansiedade, fobia, pânico, esquizofrenia, entre tantas outros transtornos psicossomáticos. Por esses motivos, a campanha Janeiro Branco tem seu valor, ao quebrar tabus, desvendar os olhos da população, esclarecer dúvidas sobre esses temas, além de mostrar a importância da saúde mental e de consultas em sets terapêuticos para todos (Existe o preconceito que pessoas com a saúde mental em ordem não podem frequentar psicólogo. Algo totalmente errado).

A entidade Viva Bem elaborou um vídeo explicando mais sobre o Janeiro Branco. Assista:







O conceito de Saúde mental engloba o que?






Desde o início desse texto falo desse conceito, mas o que ele realmente significa e engloba? Basicamente duas vertentes, são elas: a ausência de transtornos mentais e a capacidade de reação equilibrada e adequada às circunstâncias, condições e obstáculos da vida. 

Em minha opinião, a saúde mental é uma necessidade de todos os indivíduos em vários âmbitos (social, familiar, espiritual, laboral, etc), uma vez que ela é de suma importância para atuarmos com equilíbrio e capacidade. 


Objetivos

O objetivo principal do Janeiro Branco é a reflexão da importância da saúde mental e o conhecimento das emoções e sentimentos. Além desse, o site Psico Online listou outros 5. Abaixo eu os reescrevi para facilitar o entendimento: 

1- Definir janeiro como mês de reflexão e iniciativas contra o adoecimento emocional das pessoas; 

2- Alertar sobre temas de saúde mental e emocional;

3- Incentivar as pessoas a refletirem sobre suas vidas e se elas investem em saúde mental e emocional;

4- Invocar as mídias e instituições sociais sobre a importância da campanha na vida das pessoas; e

5- Contribuir para a construção, fortalecimento e disseminação da Cultura da Saúde Mental. 




Por que janeiro e por que a cor branca?

Janeiro é conhecido por ser um mês reflexivo, mas também por significar recomeços e inícios de novas atitudes. É com esse propósito que ele foi escolhido para reflexão sobre saúde mental: é possível reconstruir a saúde mental através de novas oportunidades. 

Além disso, o primeiro mês do ano é naturalmente terapêutico. A proposta, então, é criar uma campanha que o use como ponto de partida inspirador e motivador. E nada melhor que começar o ano com a possibilidade de ser mais saudável mentalmente falando, né?

Mas por que a cor branca foi escolhida para representar a campanha? Sabemos que o branco é a cor que origina todas as demais. Ela é o somatório de todas as outras. Levando para o sentido da campanha, significa o agrupamento de projetos e experiências de um indivíduo. 

É uma folha branca que nos dá a possibilidade de criar ideias, realizações e colocarmos nossa criatividade em ação. Assim, a partir dessa folha qualquer pessoa tem a chance de escrever ou reescrever histórias. Levando para o Janeiro Branco, as pessoas podem escrever ou desenhar uma nova percepção de saúde mental sem tabus ou preconceitos.





Ações da campanha

Elas compreendem diversas atividades criativas, como: palestras-relâmpago de 20 minutos em ambientes públicos ou privados; rodas de conversa e dinâmicas interativas rápidas em empresas; exibições de filmes sobre Educação e Saúde mental em escolas; distribuição de poesias em ampolas em praças; exposição de arte e oficinas artísticas em ambientes terapêuticos, CAPS e hospitais-dias. 

O site Janeiro branco disponibilizou vários exemplos de ações que podem ser desenvolvidas durante a campanha. Gostei das possibilidades, contudo não da forma em que elas foram dispostas. Ao invés de vídeos com explicações em off, textos seriam mais eficazes, mas dá para extrair bastante coisa interessante.


Vídeos e propagandas

Em pesquisas na internet encontrei vários vídeos e propagandas sobre o Janeiro Branco. Veja algumas delas:


Psico Online.com


Em apenas um minuto essa entidade conseguiu resumir o que é o Janeiro Branco, objetivos da campanha, etc. Veja o vídeo Qual a cor da sua emoção? desse ano:






Também tem esta abaixo, onde se pergunta: Qual é a cor da sua emoção? e se fala que a vida tem a cor que a gente pinta. Também a achei bastante interessante. Aprecie:







Janeiro Branco 2017



Você teria o poder de impactar alguém em apenas 15 segundos? Os idealizadores desse vídeo conseguiram. Assista:








Janeiro Branco: Ações em saúde mental (Translog)


Esta traz uma boa mensagem, excelente música (Paradise- Coldplay) e belas captações de imagens. Vale a pena ver:








Janeiro Branco - O que te faz bem? (Cruz Vermelha Paraná)


Achei muito interessante como a peça visual é construída a partir da pergunta O que te faz bem? e a resposta de várias pessoas. Essas foram variadas, criativas e surpreendentes. Assista:







Como a campanha Janeiro branco pode ajudar as pessoas?







Já parou para pensar como essa campanha pode ajudar as pessoas? É um projeto que tem muito a colaborar e acrescentar na sociedade. Várias iniciativas, propagandas e ações criativas podem ser colocadas em prática para melhorar a vida das pessoas e suas saúdes mentais e emocionais. Com uma pequena atitude você pode fazer alguém feliz e melhor.


Já conhecia o Janeiro Branco? Gostou das ações e vídeos a respeito? Diga nos comentários! J-J


Mais informações
Site
Canal no Youtube


Por: Emerson Garcia

sábado, 6 de janeiro de 2018

Vibe humor: músicas de aceitação 3









No Vibe humor de hoje darei continuidade ao tema explorado em duas playlists em novembro e dezembro de 2015: músicas de aceitação. Para quem ficou curioso, pode conferir a primeira e a segunda lista aqui e aqui. Depois de fazer uma seleção com novas músicas, me perguntei: por que não criar a terceira lista com esse tema?

Nesta exploro novos assuntos, como: promover a paz para o mundo LGBTQ+, multiplicidade do amor, liberdade de ser o que se é, aceitação de si mesmo, diversidade, formas de amor, entre outros. 

Vamos de música? Recomendo que tirem a máscara do preconceito e naveguem nessas canções sobre aceitação!







Começo a lista de hoje com Por que no ser amigos do Hombres G. A letra fala sobre aceitar o que é diferente e criar pontes de paz e amizade. A melodia é bem animada e pra cima. "Hay muchas formas para hacerse escuchar muchas personas que merecemos la paz porque odiar al diferente si no es como los demás cuando todos somos gente nada más".

Libertad de Christian Chavez e com a participação de Anahi fala de dois momentos: o primeiro, de dor e angústia por conta de um preconceito; o segundo, de aceitação e libertação de tudo. Essa é uma música bem eletrizante, estilo as que tocam em baladas. "El silencio se va Junto a mi ya no está El dolor se marchó Y mi alma es libre del temor".

Feliz e ponto do Silva é um hino que proclama a diversidade sexual e a multiplicidade do amor. A melodia é contagiante e bem delicinha de ouvir. O clipe, por sua vez, é bem polêmico por tratar de poliamor e amar acima de qualquer coisa. "Eu quis tanto ter você Quando você não me quis E agora a gente é feliz e ponto Com amor se paga amor E o ditado é quem diz Que a gente ama assim sem dar desconto".

Quantos aí já ouviram falar de Lulu Monamour? Cantor não tão conhecido, ele é um rapper homossexual que tem letras bem fortes sobre preconceito e aceitação das pessoas LGBTQ+. A música dele que escolhi para essa playlist chama-se Liberdade e fala sobre o preconceito que lésbicas, travestis e homossexuais sofrem nas ruas, mas também da liberdade de expressar-se através da música e rimas e de ser o que se é. "Liberdade é o que o meu povo quer Não importa amar homem ou mulher Não importa o que eles disser Ame e continue amar quem você quiser"


I still love da Jennifer Hudson é a próxima música da lista. A letra fala do sentimento livre e verdadeiro que é o amor. A melodia é romântica e dançante e o clipe é um estouro.  "I still love you (Please come back to me) I still love you (He's everything I need) I still love you (You make my life complete) I still love you" (Porque eu ainda te amo (Por favor, volte para mim) Eu ainda te amo (Ele é tudo de que preciso) Eu ainda te amo (Você faz de minha vida completa) Eu ainda te amo).







Seguimos com Don't wait de Joey Graceffa. A letra fala sobre aceitação de si mesmo e libertar-se da escuridão do passado que aprisiona muitas pessoas da comunidade LGBTQ+. Ela ainda fala de uma bússola que ajuda a seguir em frente, rumo ao norte. A melodia é animada e o clipe bem produzido, com uma ótima história. "The darkness can be such a lonely place on your own I’ll be your compass so you’ll never feel alone Don’t wait for the world to be ready Who says you can’t explore Who says you can’t explore Don’t wait for the world to be ready Find what you’re looking for Find what you’re looking for" (A escuridão pode ser um lugar tão solitário em seu próprio país Eu vou ser a sua bússola para que você nunca se sentir sozinho Não espere para o mundo para estar pronto Quem disse que você não pode explorar Quem disse que você não pode explorar Não espere para o mundo para estar pronto Encontre o que você está procurando Encontre o que você está procurando).

Apenas um beijo de Flávio Renegado também fala de diversidade e poliamor. A melodia tem um ritmo bem envolvente, que lembra o pop rock. A letra fala sobre os tempos contemporâneos e a liberdade para amar, não importa quem seja. "Apenas um beijo Apenas um beijo Até quando iremos lutar por liberdade por amar?".

Odair José canta Forma de sentir onde fala que toda forma de sentir e de amor é válida. Uma letra simples mas que diz tudo. O ritmo é bem calmo e leve. O cantor me lembrou bastante o inesquecível Amado Batista. Acredito que a canção se encaixe no ritmo brega e é ótimo ter algo tão diverso nessa lista. "Ame, assuma e consuma O teu verdadeiro sentido do sentir E nem penses que eu vou proibir...".

De toda cor de Renato Luciano foi trilha sonora de A força do querer. Ela era tema da personagem transsexual Ivan/Ivana e do travesti Nonato/Elis Miranda. A letra fala abertamente sobre diversidade e aceitação das pessoas como elas são. É uma belíssima canção, bem profunda. A melodia é compassada e calma, onde o violão marca uma presença forte. "Sou homem, mulher Igual e diferente de fato Sou mamífero, sortudo, sortido, mutante, colorido, surpreendente, medroso e estupefato Sou ser humano, sou inexato".

Bate a poeira de Karol Conká fala sobre o preconceito velado e a violência atual do mundo. A letra reflete sobre a igualdade dos seres humanos e a possibilidade de sermos o que quisermos ser. Desde que ouvi essa música na abertura de Malhação: Viva a diferença, tive vontade de trazê-la em um post no blog. A letra é forte, o ritmo é um black music e é ótimo ver a Karol jogando verdades na nossa cara. "Negro, branco, rico, pobre O sangue é da mesma cor Somos todos iguais Sentimos calor, alegria e dor [...] Seja o que tiver que ser, seja o que quiser ser Bate a poeira, bate a poeira, bate a poeira".



Essa lista tem o objetivo de enaltecer a diversidade, toda forma de amor e a aceitação dos seres humanos e seus gostos sexuais. Afinal, somos todos iguais, mas bem diferentes! O que nos falta é aceitar o outro como ele é. 

Gostaram da playlist? Acrescentariam mais alguma música? Se tiverem dicas de próximos temas para o Vibe humor é só entrar em contato conosco. Até a próxima! J-J





Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O belo e o sombrio nas aberturas de 'Pretty Little Liars' e 'Anjo Mau'










Em julho do ano passado, no Quinta de série de Pretty Little Liarsfiz uma observação acerca das semelhanças entre a abertura de PLL (finalizada em 2017) e de Anjo Mau (1997). Disse o seguinte:

"Essa abertura me lembrou a de uma novela de 1997 da Globo: Anjo Mau. O que vocês perceberam de semelhanças/diferenças entre elas? Digam nos comentários! Em breve farei um post somente sobre isso e quem sabe sua opinião e ponto de vista não aparece?"


Antes de analisar os cartões de visitas das produções, é necessário destacar que ambos trazem em destaque a figura feminina. As mulheres nas aberturas de novelas, séries e outros produtos são bastante comuns, mais do que os homens. De cabeça, posso citar Belíssima, Corpo Dourado, Beleza Pura, A Indomada Explode Coração, que exploravam o corpo e a força feminina. Também há a vinheta  da Globeleza, que traz mulheres em ênfase, e não homens. 

Retratá-las tornou-se algo corriqueiro. Sem contar ainda da padronização estética e de estereótipos que a mídia, até os dias de hoje, insiste em trabalhar. Não há espaço para mulheres acima do peso ou com uma beleza inferior ou "esquisita". Elas devem ter tudo em cima, corpos esculturais e uma estética invejável. Ao fazer uma breve pesquisa para esse post, descobri que a maioria das mulheres escaladas para estrelarem aberturas foram ou são modelos

Explorar o corpo, as curvas e a aparência das mulheres é o tipo de conceito comumente trabalhado nesses produtos audiovisuais. Em Belíssima, por exemplo, enfatizou-se as curvas femininas - já que era uma modelo que estava de calcinha e sutiã, que girava em cima de uma superfície. Mas não somente esse aspecto feminino é desenvolvido: em A Indomada a mulher fora retratada como forte e corajosa, mesmo que a modelo Maria Fernanda Cândido tivesse um belo rosto e corpo.

Na abertura de PLL e Anjo Mau explorou-se aspectos femininos, mas que não tem a ver com corpos e curvas. Em ambas destacou-se a aparência, estética e necessidade de cuidar da beleza das mulheres. Algo que mesmo que não passe pela padronização de corpos, ainda trabalha com a visão de estereótipos, tais como: mulher precisa estar bela e se maquiar. De certa forma são visões que ditam o consumismo e a futilidade e enaltecem apenas a beleza exterior, e não a interior. Desse modo, mesmo com essa visão, ainda sim, a mídia incute nas pessoas esse modo de ser e pensar.

Para começar minha análise, observe as aberturas de PLL e Anjo Mau e perceba as semelhanças e um pouco do que já disse nesse post:











Realmente as semelhanças são bem visíveis, né? Logo que vi a abertura de PLL, me lembrei da de Anjo Mau. Esta última é mais antiga que aquela, o que me leva crer que os criadores daquela se inspiraram nesta. 

As equidades entre as aberturas começam pelos frames. Separei alguns, veja:




Em alguns a semelhança é tão grande que até mesmo a posição das câmeras é igual. Além disso, até ações de uma abertura se repetem na outra: maquiar os olhos, passar batom nos lábios e arrumar os cabelos. Já no quarto frame comparado, o olhar é o mesmo: triste, enigmático e misterioso.

A grosso modo, as aberturas retratam a mesma coisa: duas mulheres que se embelezam e se arrumam para uma ocasião. Ocasiões estas distintas: enquanto em Anjo Mau a mulher se embeleza para um casamento, em PLL a moça para o seu próprio velório. Mas, mesmo que possa não parecer, elas traduzem o mesmo sentimento: tristeza, mistério e suspense. Ou seja, existem semelhanças visuais, conceituais e de significados.

O lilás e roxo mórbido do cartão de visitas de Anjo Mau assemelha-se bastante ao fundo nublado e à iluminação escura do de PLL. As cores desbotadas, ofuscadas e borradas ao redor da noiva, significam a mesma coisa que as sombras escuras e negras em volta da defunta. 

Por outro lado, o conceito de aparência e de estar bela à qualquer custo, choca-se na atmosfera dos clipes. O belo, estético, aparente e a beleza exterior, perdem o sentido e o brilho logo que jogados sobre um fundo lilás mórbido, nublado, negro e sombrio. No final das contas, a beleza ofusca-se e torna-se desinteressante e disfuncional. De que ser belo valeria, se seu casamento fosse arruinado e você fosse uma noiva triste? De que ser belo valeria, se toda sua beleza acabasse e fosse evaporada por larvas, insetos e terra? A beleza retratada na abertura de Anjo Mau, não é feliz ou contagiante. É só perceber o rosto da noiva triste e seu aspecto desbotado. Já a da moça do cartão de visitas de PLL é mórbida e apática. 

O significado das canções-temas também é algo que merece ser comparado e refletido. Secret, em PLL, fala sobre segredos e das consequências que existem, se guardá-lo ou revelá-lo. Cruzando raios, de Orlando Morais em Anjo Mau, fala sobre relacionamentos desgastados, como no trecho que diz: "Sobre os oceanos Em doces guerras frias Não deixa anoitecer Não deixa escurecer O nosso dia". Realizando uma análise das duas letras percebemos nuances de semelhanças: em ambas existe um ar sombrio. Este que se traduz nos aspectos visuais dos clipes.

Achei as aberturas de ambos os produtos interessantes, pois me fizeram analisar além do que é retratado nelas. Por traz da representação do belo, da beleza exterior e da retratação feminina, existe algo sombrio e melancólico. E isto é ótimo para quem gosta de pensar fora da caixinha, de conceitos já predeterminados, promovendo discussões filosóficas. J-J


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A bossa nova no mercado sonoro gospel




Um dos ritmos brasileiros mais consagrados de todos os tempos, a bossa nova, tem ganhado espaço no mercado sonoro gospel. Em janeiro do ano passado (2017), por exemplo, o cantor André Valadão lançou o Bossa Worship - que consiste em uma obra do estilo, com regravações de hits famosos na língua inglesa. De acordo com André, foi desse modo a seguir que o projeto foi concebido (com grifos):

"A língua inglesa é a mais falada em todo mundo, e o nosso ritmo brasileiro #BossaNova é agradável ao ouvido de todos! Durante um bom tempo relutei em começar a registrar isto que sempre tive no coração. Mas a hora chegou! O tempo de #Deus é perfeito! (…) E a minha oração é que estas canções que já tocam a vida de milhões de pessoas, agora toque também com o nosso ritmo."


O cd tem a melodia que já se conhece da bossa nova, com teclados, saxofones e baterias que são tocados na sonoridade do samba - mais melodioso, ambiente e calmo. 

A ideia do cantor foi de exportar esse ritmo totalmente Made in Brazil para o exterior. Esse lançamento é uma forma de difundir ainda mais a cultura musical brasileira, mas em uma língua universal e bastante conhecida. 


Uma publicação compartilhada por Bossa Worship (@bossaworship) em



É importante ressaltar que Tom Jobim e Vinícius de Moraes eternizaram Garota de Ipanema (1962) - que tornou-se o hino da bossa nova e parte do legado brasileiro. Ela foi uma canção tão significativa que foi tocada em várias produções gringas (filmes, séries, etc) e até mesmo relançada em inglês (Versão cantada por nada mais, nada menos que Frank Sinatra).  






Esse é o seu poder. Capaz até mesmo de atingir o público gospel.




Um pouco de história


A bossa nova é um gênero musical genuinamente brasileiro originado no final dos anos 1950 e lançado por João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e cantores e/ou compositores da classe B da zona sul carioca. Ela tem influências do samba e do jazz. De acordo com informações da Wikipédia, era um ritmo conhecido por beber de outras fontes:

"[...] o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba na época, ou seja, a uma reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano."


Esse estilo musical possui sofisticação e complexidade ímpar, e combina bastante com ambientes da alta sociedade e até mesmo restaurantes requintados.  

Já parou pra pensar o por quê de utilizar-se o termo "bossa nova" para esse ritmo? Nova é um termo bastante óbvio e refere-se a uma novidade musical. Já o termo bossa tem a ver com os sambas de breque, baseados no talento de improvisação. A palavra apareceu pela primeira vez na década de 1930, na música São coisas nossas, de Noel Rosa:

 "O samba, a prontidão/e outras bossas,/são nossas coisas(...)".



Todas essas características são visíveis no álbum Bossa Worship, de André Valadão. Um projeto, que apesar da originalidade, não foi a primeira obra gospel do gênero.


Outras Bossas Nova gospel...


André Valadão, um pouco antes do lançamento da obra, disse que Bossa Worship tratava-se do "primeiro disco de bossa nova gospel que existe". Contudo, realizei várias pesquisas e descobri que tiveram pelo menos dois cds bossa nova gospel antes deste. São eles, Novidade de Vida (1982) da dupla Edson e Tita e Amado da minha alma (2014) de Eliene Nunes.



Novidade de Vida (1982)






Este é o primeiro cd de bossa nova gospel brasileiro. Ainda em formato de vinil, ele contou com a participação de vários cantores e compositores e em 2015, foi considerado  por vários historiadores, músicos e jornalistas como o 17º maior álbum da música cristã brasileira. Na parte instrumental, o cd contou com flauta, violão, trompete e fliscorne. 

Abaixo trago-o completo (O cd foi disponibilizado no Youtube). A obra possui musicalidade, arranjos bem elaborados e um ótimo vocal. Ouça:







Amado da minha alma (2014)







Em seu primeiro cd a cantora Eliene Nunes trouxe como diferencial de adoração a "MPB, bossa nova e samba", de acordo com sua fanpage. É interessante perceber a influência musical da artista, que em sua foto de capa posa em frente a uma estante que contém um disco da Jovem Guarda, por exemplo. 








Escolhi a música Promessas para ilustrar o álbum. Nela Eliene Nunes bebe da fonte da bossa nova e cria uma canção alegre e revigorante, mas de forma comedida. Percebe-se a leveza do samba e da MPB. Assista:







Observações sobre os cds








Bossa Worship, Novidade de Vida e Amado da minha alma trazem um estilo musical não tão comum no cenário musical gospel. Todos bebem da fonte da bossa nova, MPB e samba, contudo, uns são mais bem sucedidos que outros. 

Bossa Worship traz bons arranjos instrumentais, mas pouca originalidade nas letras, já que trata-se de regravações internacionais. Há pouca ousadia musical nas faixas que revelam certa monotonia de ritmo e melodia.

Escolhi a regravação de The River para ilustrar esse cd, pois ela é a mais diferente e a que mais gosto.







Serão lançados clipes das músicas desse cd que foram gravados no Rio de Janeiro e na região da Lapa, como mostrou uma postagem do Instagram do Bossa Worship:






Novidade de Vida, dos três, talvez seja o mais interessante. A começar pelas letras originais e a diversidade de ritmos nas faixas. Há músicas calmas e outras animadas.

Amado da minha alma, por sua vez, consegue trazer a bossa nova para canções na nossa língua. Achei a cantora Eliene simpática e com uma voz interessante. 



É válido explorar esse ritmo no ambiente gospel, uma vez que ele é conhecido no Brasil. Também é pertinente exportá-lo para outros lugares e países, seja através de músicas em português ou em inglês. Enfim, fiquei feliz por essa versatilidade no mundo gospel e por ter encontrado um novo estilo para ouvir. 

Encerro o post de hoje com o bonustrack Rio de Janeiro do Diante do Trono. A canção tem o ritmo de bossa nova e foi feita em homenagem à cidade durante a gravação de Príncipe da Paz (DT10) na Praça da Apoteose (RJ). J-J







Por: Emerson Garcia
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