O que faz sucesso hoje em dia é ver Mariano seminu, com uma fralda geriátrica cantando sertanejo universitário em um show.
Quando o Pedro Blanche falou da falta de identidade do axé atual há uma semana e meia, percebi que a música brasileira não é mais como antes, quando as músicas eram eternizadas e perpassavam por gerações. Aliás, a música brasileira pode até ter seus prodígios, mas o que a mídia tem apresentado é um produto, com gosto de plástico; com letras, embora com "refrões chicletes", que não significam nada, e serão esquecidas rapidamente.
A mídia tem pautado o que é bom no ramo musical. Claro, que algum tempo atrás, o que era dito "famoso", era realmente bom, como Legião Urbana, Engenheiros do Hawaí, e outros que fizeram história. Mas, hoje em dia, o gosto popular tem mudado, e por consequência, a veiculação desses gostos. É como se a sociedade precisasse de "pão e circo", e a mídia atendesse esse desejo. O que é realmente bom, dá espaço às modinhas do momento, ritmos musicais pobres, letras repletas de onamatopeias, que fazem de tudo, menos fazer com que a sociedade reflita.
Pergunte a qualquer criança de 5 ou 6 anos se ela conhece as músicas do Bonde do Tigrão, o Créu, o fabuloso refrão "Eu sou linda, absoluta, eu sou Stefhany", ou Eguinha Pocotó. Elas não saberão dizer, e arrisco dizer, que nem um adulto, com uma memória infalível, lembrará desses fenômenos.
Hoje em dia, as pessoas querem saber de "Barabarabará", de "A muriçoca soca, soca", de "Ziriguidum", "Lepo lepo". Nada que faça pensar, e que daqui há alguns anos serão meros fenômenos. Enquanto existem pessoas orfãs de bons sons, que só serão descobertos com pesquisa na internet, ou se algum amigo baixar no aplicativo 4Shared e te enviar por Whatsapp.
Aliás, alguns cantores que estão fora da ótica do sucesso, merecem ser ouvidos. Minha amiga Stephanie, por exemplo, já conhecia a banda Scalene, que participou da última edição do Superstar, bem antes dela ir para a mídia. E ela conhece o trabalho amplo, que não foi passado em sua totalidade.
Eu conheci o cantor Cícero, não porque foi trilha sonora de alguma novela, ou porque apareceu em um programa televisivo. Minha prima me apresentou e eu viciei nesse ritmo, e nesse novo estilo de MPB. Ele já possui 3 álbuns, e não sei se a maioria do público conhece, ao menos, o primeiro dele.
Não sei se Cícero, Vanessa da Matta, Adriana Calcanhoto, e tantos outros cantores que não aparecem tanto na mídia, em comparação a outros - do sertanejo universitário ou do funk - poderão ter suas canções eternizadas. Não é porque estão na mídia que são ruins. E não é porque estão na mídia que são bons. Não culpo a indústria cultural de simplificar o gosto musical das pessoas, mas, elas próprias, que querem algo fast-food, banal, alienante e pobre de sentido.
Dificilmente, uma canção pobre de sentido será eternizada - salvo "Olha, olha, olha, a água mineral, mineral, você vai ficar legal" (mas é porque estávamos falando de outra fase do Axé, que estava colada com outros sucessos, como os de Daniela Mercury, Ivete Sangalo e É o tchan). Não pense em ver um sucesso de Michel Teló, Cristiano Araújo, MC Naldo e Anitta eternizados (Nem com reza brava!). Esses últimos cantores fazem parte da geração de plástico, sem gosto e de sucesso momentâneo. E o que é um sucesso eternizado? Ouça Pais e Filhos, Let It Be e Stand By Me - esta última cantada por pessoas de várias culturas - que saberá.
Ao menos, em Verdades Secretas, a trilha sonora está requintada, com músicas não tão conhecidas, e até com a de uma banda que você já ouviu por aí, mas que não está todos dias na telinha: Los Hermanos, com Sentimental.
Que os ouvintes possam apreciar músicas mais interessantes, aproveitando essas "migalhas", que vez ou outra, aparecem na mídia, e passar a gostar (e até apreciá-las), colocando-as nas paradas de rádio, nos trending topics das redes sociais, e até mesmo, valorizando shows. Eu, por exemplo, tenho vontade de ir a um show do Cícero, mesmo que ninguém o conheça, nem que o seu público seja comparado a de um Cristiano Araújo da vida. J-J
Por: Emerson Garcia





















