Em mais de 2 minutos e meio de clipe pude observar diversos pontos que discorro logo abaixo.
Início e término
A abertura do clipe consiste em um retângulo que se abre aos poucos (Primeiro um retângulo fininho, outro mais grosso, até formar um onde se passa o clipe). Isso ocorre em seis segundos (0:00-0:06).
No final é utilizado esse mesmo recurso, mas dessa vez fechando a tela (2:24).
Estética do clipe
O clipe contém 3 estéticas diferentes: a primeira com cores quentes (amarelo, laranja, amarelo queimado - 0:00 - 1:21); a segunda com cores frias e neutras (branco, cinza, preto, grafite, azul e rosa bebê - 1:22 e 1:27); e a terceira que mistura tons frios e quentes (amarelo, rosa pink, verde oliva e vinho - 1:28).
A composição dessas paletas variam de cores e acessórios dos cantores (bonés, pulseiras, panos no pescoço e na cabeça), de cenários (quadros e paredes), até almofadas coloridas.
O clipe é bem solar e acredito que isso se deva ele ser lançado durante o verão 2019. As cores combinam bastante com o ritmo dançante e para cima.
Alinhamentos e formas geométricas
Visualmente é um clipe que trabalha muito com formas geométricas, principalmente quadrados e retângulos, tornando-o harmônico e sem muitas invenções, exceto em trechos em que os protagonistas são alinhados de forma transversal (0:17 e 2:16).
É um clipe bem chapado e retangular. Há retângulos nas verticais (0:33 e 0:34); objetos quadrados e retangulares -almofadas, cama, espelho e quadros (1:28). O vídeo é organizado com linhas, formas e blocos de mesmo tamanho e espessura, ora alinhados lado a lado, ora sozinhos (1:23 e 0:43). Os cantores se apresentam dentro dos retângulos simetricamente (2:18) e/ou à direita/esquerda. Em alguns trechos o retângulo deixa de ser horizontal e passa a ser vertical (1:51).
A câmera sempre capta imagens de forma fixa, com alternâncias entre campos abertos e fechados e pouca inventividade. Os protagonistas quase sempre aparecem centralizados (0:55 e 1:13) e com seus bustos focalizados (2:20), alinhados na transversal ou localizados à esquerda e direita da tela.
O enquadramento focalizou a bunda da Anitta por várias vezes (0:52 e 1:08), assim como os bustos dos cantores (0:53 e 1:15).
Detalhes
Apesar de ser um um clipe de pouca criatividade e poucos minutos, pude observar diversos detalhes que não passaram desapercebidos por mim. Listo-os abaixo:
- Anitta tem o bronze de biquini (0:39)
- Pequenos objetos amarelos ganham a cena - cinto, pulseira e salto da Anitta e cinto, luva e pano na cabeça de Kevinho (0:43)
- Anitta faz uma espécie de X com as mãos cruzadas (1:45)
- Kevinho usa uma corrente com um "R". Será que é uma homenagem para a mãe ou a namorada?
- Anitta usa um shortinho com 10 escrito. O que será que o algarismo significa? (1:59)
Cores
As cores nesse clipe, como falado, possuem um protagonismo e importância considerável. O amarelo, laranja e amarelo queimado são contrastantes entre si, mas também cores associativas.
Pude perceber aos 0:43, por exemplo, que elas se alternam na roupa e acessórios da Anitta e com o fundo da tela (amarelo). Há a seguinte ordem de cores nessa parte: LARANJA - AMARELO - LARANJA - AMARELO - LARANJA - AMARELO.
Por outro lado, as cores pretas das roupas dos cantores contrastam muito bem com o fundo amarelo. Aprendi, em um livro que li, que se você quer fazer contrastes é só utilizar o preto e o amarelo. Ele é tão visível que até mesmo a cor da palavra "Kevinho" na blusa do cantor é amarelo, contrastando com sua cor.
Já aos 1:29 percebi que Anitta utiliza uma camiseta rosa escrito 85 nas cores rosa, amarelo pastel e azul que combinam com a ambientação da cena que possui essas mesmas cores.
Os passinhos e coreografia
Terremoto não possui uma coreografia cativante e criativa. Há somente o balançar de mãos, de pernas e da bunda, mas nada que realmente chame a atenção. Como destaque está o momento que Anitta caminha para a direita movimentando suas pernas e fazendo um "passinho" (0:43); quando a câmera focaliza nos pés de Kevinho e nos passos que realiza (1:53); e quando a cantora faz uma espécie de quadradinho com a bunda (2:00 e 2:08).
O clipe possui muita sincronia entre os passos e o toque da música. Como exemplo enfatizo a cena da bunda de Anitta que se converge com o toque da música em 2:11.
Dentro e fora da TV
Na metade, em determinado momento do clipe, percebe-se que as cenas apresentadas e encenadas estão "entubadas", ou seja, dentro de uma TV antiga de tubo (1:21). Em um primeiro momento a câmera sai da TV, mostrando o aparelho e os quartos de Kevinho e Anitta (1:18). Ao final (1:43) acontece uma inversão, saindo da cena nos quartos e indo para dentro da televisão com frames dos cantores dançando em quadrados laranjas com o fundo amarelo.
Apesar do clipe ser uma releitura, achei esse recurso interessante. É como se existisse duas realidades diferentes: uma dentro da tela e outra fora dela. Isso leva aos questionamentos do que seria realidade, ou não, no clipe. Será que o que acontece na TV é uma invenção e encenação e o que acontece fora é a realidade? Aliás, o que é ficção e realidade no produto?
Referências
O clipe apresenta muitas referências retrôs, como a TV de tubo, blusa com números, livros e até mesmo um quadro de um lutador de artes marciais (1:23) - seria este o Jackie Chan?! Não posso afirmar com certeza, mas o moço do quadro se parece muito com ele.
Além dessas, há outras que dizem respeito aos primeiros anos da década de 2000, que é quando esse clipe e I'm still in love with you se passam.
Os produtores de Terremoto se inspiraram na moda, look e tecnologia de 2002 para criá-lo. Naquela época estavam na moda modelos de calças mais folgadas, brincos de argola, bonés aba reta, estampas com logos, sapatos de plásticos e transparentes, tudo bem retratado em ambos os clipes. O stylist André Philipe explica sobre a composição de tudo isso:
"Fomos à procura de materiais e métodos para deixar as peças com o mesmo acabamento. Refizemos estampas, fontes, cores e efeitos. As coisa que adaptamos foram alguns materiais para deixá-los mais confortáveis para dançar".
Palavra tracejada
Aos 2:30 há uma espécie de conserto nos caracteres. Riscou-se a palavra directed (dirigido) e colocou-se em seu lugar a remade (refeito), que mostra que na verdade o clipe não foi DIRIGIDO por tal pessoa, mas REFEITO - a partir de um anterior - por tal pessoa.
Homenagem
O clipe é finalizado com uma tela preta com inscrições em homenagem ao cantor Sean Paul (2:26). A frase em inglês diz o seguinte:
"Thank you Sean Paul"
A produção visual é uma homenagem ao clipe lançado em 2002 (Divulgado no Youtube em 2009) e é praticamente uma cópia dele.
Terremoto vs. I'm still in love with you
Terremoto é literalmente uma réplica de I'm still in love with you, sem tirar nem por. Separei alguns frames de ambos os clipes idênticos:
As referências, paletas de cores, figurinos, danças em estúdio, interações entre os cantores, posições e enquadramentos são semelhantes entre si. Desse modo, Terremoto não apresenta nenhuma novidade e criatividade. A única diferença entre os clipes é o seu ritmo. Terremoto possui um ritmo de funk, enquanto I'm still in love with you um romântico, de balada.
A ideia do remake surgiu mais de um ano atrás, mas demorou para ser lançado por uma série de motivos, de acordo com Anitta. O clipe foi produzido em mais de 14 horas de gravação.
Assista ao clipe original: