quarta-feira, 1 de abril de 2015

A humanidade jornalística



A imparcialidade jornalística tem acalorado as discussões não é de hoje. É possível um jornalista ser impessoal em um texto, no rádio, na internet ou na TV? A minha resposta seria que depende. Muitos jornalistas direcionam suas matérias a um lado da história, enquanto outros buscam os 3 lados dela: duas opiniões e a verdade. O jornalista só não é imparcial se não for tendencioso ou não colocar adjetivos em suas matérias. Contudo, aprendi que jornalista não é um robô. Ele é dotado de sentimentos, humanidade e emoção. Jornalista também é gente. Chorar em uma matéria não significa que você é imparcial. Significa que você é humano. 

A jornalista Sandra Annemberg, na última segunda, chorou por causa da morte da repórter e amiga, Beatriz Thielmann. Essa atitude tomou conta das redes sociais. Muitas pessoas acharam um gesto honroso, outros fizeram piadas. Emocionar-se sobre uma situação triste, cabe a qualquer pessoa, mesmo que ela seja jornalista. Isso mostra a humanidade das matérias. 

A morte faz parte da vida, e não deve ser tratada como superficial ou algo indiferente. Não tem como noticiar a morte de alguém querido do lado de fora, sem envolver-se. Essa notícia tem que ser vista de dentro. Aliás, existem muitas matérias que só tem veracidade, poder de prender o espectador, de sensibilizar, se vistas de dentro. Ou seja, o jornalista noticia algo, onde os fatos acontecem e sentindo na pele. É claro que as pessoas vão falar que isso é imparcialidade, mas o que seria melhor: uma matéria superficial ou uma matéria completa, dotada de sentimentos?





"Vai fazer muita falta Bia", é o que a jornalista fala, com a voz chorosa e embargada (a partir de 1:50). Nem a frase nem a atitude da âncora foram imparciais, ao meu ver. Não existe outra reação de quem perde um amigo. "Mas em jornal não pode ter sentimento, Emerson". Então quer dizer que todos os jornalistas são robôs?!

Não foi a primeira vez que ela chorou, mas em uma reportagem sobre a busca de familiares por usuários de crack em ruas, Sandra emocionou-se e compartilhou seu sentimento com o telespectador. Ela colocou-se no lugar de familiares desesperados. E se fosse seu filho?!



Quando a reportagem acaba ela diz, segurando o choro: "Eu quero compartilhar com você, que quando eu assisti essa reportagem, aqui na redação, eu chorei muito. Eu precisei sair, respirar, tomar uma água. Nós sempre mostramos os viciados de longe. Nós sempre vemos os depoimentos das famílias falando dos seus também de longe. Mas hoje, nós vimos o contato sendo feito (...)". (a partir de 1:36) Você pode dizer que ela foi parcial, que ela usou adjetivos ou que ela foi sensacionalista. Mas diria que ela referiu-se, com sentimento (Quem não fica triste com um caso de droga?!), sobre uma realidade que assola o Brasil.

Parcialidade não tem nada a ver com humanidade jornalística. Diria que um jornalista é parcial quando ele mostra um lado da história para o público, sabendo que ela tem vários lados. Que outro lado tem uma matéria de crack, a não ser a tristeza e a desgraça?! Que outro lado tem uma matéria sobre a morte de alguém querido, se não o luto?! Nesses casos, a jornalista não foi parcial, ela foi apenas humana. Apenas isso. J-J


Por: Emerson Garcia

6 comentários :

  1. Não vejo nenhum problema na jornalista se emocionar, especialmente em se tratando da morte de uma colega. As pessoas estão muito intolerantes e críticas hoje em dia... Como dizem por aí haters-gonna-hate.

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    1. Pois é. As pessoas se importam com coisas pequenas.

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  2. Essa pessoa é maravilhosa! Pra mim é um exemplo de jornalista.

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