terça-feira, 27 de junho de 2017

Homossexualidade como doença e homossexuais doentes: Mudar nomenclatura ou retirar da lista de doenças significa mudança de cérebro das pessoas sobre a comunidade LGBTQ+?



Há algum tempo a comunidade LGBTQ+ sofria preconceito social porque a homossexualidade era tratada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi em 1990 que ela foi retirada da lista internacional de doenças (dia 17 de maio  desse ano completou 27 anos da conquista). Antigamente a sociedade empregava o termo homossexualismo, com o sufismo ismo que significa patologia. Hoje homossexualidade - que é o mais correto. Há ainda aqueles que preferem homoafetividade, uma vez que homossexualidade pode referir-se apenas à relações sexuais. 

A mudança de nomenclaturas ajudou bastante a não ver a homossexualidade como doença. Contudo, não é regra geral. Ainda hoje, muitos acreditam que a pessoal homossexual precisa ser tratada, que trata-se de um distúrbio e a encaminham para uma cura gay. Isso acarreta uma série de doenças como depressão e propensão ao suicídio, devido à rejeição da sociedade e da família.

De acordo com Marco José de Oliveira Duarte, psicólogo, sanitarista, assistente social e autor do artigo Diversidade sexual, políticas públicas e direitos humanos: saúde e cidadania LGBT em cena quando há discriminação e preconceito com lésbicas, gays, transsexuais, transgêneros e travestis somente se contribuirá com um comprometimento da saúde dessa comunidade (com grifos):

"[...] quando tomamos essas mesmas discriminações e preconceitos por orientação sexual e identidade de gênero, traduzidos, respectivamente, de homofobia/lesbofobia e transfobia, entendemos esse fenômeno como elemento histórico na determinação social do processo saúde-doença-cuidado, que imprime mais sofrimento e adoecimento no conjunto de outras vulnerabilidades que geralmente acometem os LGBT."



Homossexualidade como doença






Até 1990, a homossexualidade era vista como doença e tinha a ver com fatores psicológicos, de saúde pública. Por esse motivo, gays eram internados em clínicas psiquiátricas e submetidos a tratamentos como choques nos órgãos genitais, lobotomia e hipnose. 

A Superintessante listou alguns métodos usados ao longo da história para reverter a homossexualidade. Confira:


Forca
Nas colônias protestantes dos EUA, no século 17, a sociedade era tão puritana que esse era o destino de quem cometesse “atos indecentes”


Prisão
Na Inglaterra, em 1895, Oscar Wilde foi condenado a ficar dois anos preso por seus relacionamentos “antinaturais”


Hipnose
Em 1899, um certo Dr. John D. Quackenbos tratava com hipnose não só a homossexualidade como a ninfomania e a masturbação


Castração
Em 1898, o Instituto Kansas de Doenças Mentais castrou 48 meninos. Certos pacientes buscavam voluntariamente a cirurgia de extração de testículos, acreditando que isso curaria seu desejo sexual


Choques
Em 1937, em Atlanta, médicos prometiam que seus pacientes desistiriam do “vício” depois de dez sessões de eletrochoques


Aversão
Nos anos 50, na Checoslováquia, pacientes tomavam uma droga indutora de vômito e eram obrigados a ver cenas de homens nus. Depois, recebiam um injeção de testosterona e eram expostos a imagens de mulheres nuas


Lobotomia
O tratamento foi usado no começo do século 20, até que, em 1959, um relatório do Hospital Estadual Pilgrim, em Nova York, avaliou 100 casos e concluiu que os pacientes continuavam homossexuais


Em 1886, o sexólogo Richard vou Krafft-Ebins agrupou a homossexualidade com outros 200 estudos de casos de práticas sexuais, em sua obra Psicopatias sexuais (em português), alegando que esta era causada por uma inversão congênita que ocorria durante o nascimento ou era adquirida pela pessoa. Richard disseminou a informação que homossexualidade estaria ligada à uma perversão sexual (psicopatia).

Já em 1952, a Associação Americana de Psiquiatria publicou no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais, que a homossexualidade era uma desordem e um distúrbio mental. Estudos posteriores comprovaram que não é, retirando-a da lista de transtornos mentais em 1973.

Por último, em 1977 a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a homossexualidade (Na época homossexualismo) na classificação internacional de doenças, como transtorno mental. O termo só foi retirado 13 anos depois no dia 17 de maio de 1990! Por esse motivo a data é conhecida como Dia Internacional contra a Homofobia

Cada país tratou e trata a homossexualidade de forma distinta. O Brasil deixou de tratar esta como doença antes da resolução da OMS de 1990, em 1985. A China tomou a atitude há 16 anos, em 2001. Ainda hoje há discussões na psicologia sobre cura gay. Creio que essa será uma luta difícil a ser combatida. 

Todo esse histórico nos leva a refletir como a comunidade LGBTQ+ sofreu e ainda sofre. Eram chamados de doentes, loucos, com distúrbios mentais. Será que ainda hoje são vistos assim? Mudar uma nomenclatura ou retirar da lista de doenças da OMS, não quer dizer que mudamos os cérebros das pessoas. 

A origem da homossexualidade está em um somatório de fatores, mas ninguém sabe a causa. Por que então tratá-la com bloqueios psicológicos? É assim que pensa Carmita Abdo, do Projeto de Sexualidade da USP:

“Mais importante que considerar a homossexualidade um problema psicológico, passível de ser tratado, é educar a população para respeitar as individualidades. Diferenças não são escolhas, e sim tendências que fazem parte da natureza da pessoas".


É um desafio constante compreender a orientação e identidade sexual dos indivíduos. Há rejeição, falta de compreensão e preconceito. Será que lá no fundo a sociedade ainda não trata a homossexualidade como doença?


Doenças mentais na comunidade LGBTQ+





Não ser aceito e compreendido pode gerar nas pessoas LGBTQ+ uma série de doenças psicossomáticas e mentais. Como um gay reagiria ao não ser aceito por seus pais? Como uma lésbica ficaria ao ser vista como uma doente? Como um transgênero se comportaria ao receber o conselho que deve continuar homem ou mulher, mesmo não se vendo assim? Muitos tentariam se moldar à visão e opinião do outro, mas isso não duraria muito tempo e acarretaria em transtornos graves.

Em 2000 estudos do American Medical Association's Archiver of General Psychiatry mostraram uma forte ligação entre homossexualidade e problemas emocionais e mentais, que ocasionam o suicídio. O número de jovens homossexuais que sofrem distúrbios emocionais e psíquicos é maior que os jovens que também sofrem:

"Os jovens que sofrem esses distúrbios foram quatro vezes o número dos da mesma idade que sofrem de maior depressão; quase três vezes o número dos que sofrem de ansiedade generalizada; quase quatro vezes o número dos que experimentam desordem de conduta; cinco vezes os que têm dependência de nicotina; seis vezes os que sofrem de desordens múltiplas; e mais de seis vezes os que têm tendências suicidas."


Nem sempre a depressão e suicídio de homossexuais está ligado à homofobia, mas não se pode afirmar que não há uma parcela inclusa. As doenças mentais e psicossomáticas, contudo, estão mais ligadas à aceitação de si mesmo e dos outros.

De acordo com Íris Ferreira, Juliana de Almeida e Natanael Reis no artigo Consequências biológicas, psicológicas, familiares e sócio-culturais do homossexualismo (Esse é o título mesmo em plena publicação em 2008!) o homossexual tem dificuldade em lidar com sua condição (com grifos e acréscimo):

"Outras [pessoas] lutam em silêncio, mas uma vez exaustos, assumem publicamente a homossexualidade. [..] As primeiras conseqüências do comportamento gay/lésbico são o agravamento dos sentimentos de culpa, solidão e depressão. Apesar do prazer momentâneo de relação sexual, o homossexual não consegue evitar as angústias causadas por seu comportamento."



Durante toda vida os homossexuais são influenciados pelos familiares e sociedade sobre como devem ser e agir. Muitas vezes, a pressão e a fórmula "correta" de se portar comprometem o bem estar psíquico e emocional destes. É assim que pensa Klecius Borges em seu texto intitulado A depressão nos homossexuais: o peso da homofobia (com grifos):

"Expostos a uma sociedade heterocentrada e homofóbica, desde cedo percebemos o estigma social vinculado a nossa orientação sexual e rapidamente desenvolvemos mecanismos internos de repressão e sublimação de nossos sentimentos. Ao mesmo tempo, como forma de evitar a rejeição de quem amamos e a discriminação social, aprendemos a disfarçar nossos impulsos, a controlar comportamentos e atitudes e a evitar quaisquer sinais que possam nos comprometer. Como resultado desse processo interno e externo, acabamos prejudicando seriamente nossa auto-estima e nos tornando defensivos, introspectivos e distantes emocionalmente.

É comum na adolescência, quando esses conflitos normalmente se acirram, o aprofundamento de sentimentos de solidão e desespero e o surgimento de fantasias (e até mesmo tentativas) de suicídio. É nessa fase também que muitos passam a consumir álcool e drogas como forma de aliviar o sofrimento."


Silenciar, reprimir, não se aceitar, ter pensamentos suicidas, depressivos, tentar mudar-se. Essas são as atitudes de muitos homossexuais. Isso pode ser resolvido com compreensão e aceitação.


Aceitação e compreensão: os antídotos



A depressão, tristeza, silêncio, tentativas de suicídio podem ser evitados se a família apoiar, aceitar e compreender o homossexual. A aceitação da orientação sexual é fundamental para o bem-estar psíquico e mental deste. Uma reportagem da CartaCapital mostrou um estudo da Unicamp onde comprovava que o preconceito aumenta o risco de depressão e que a aceitação produz o efeito inverso:

"Por sua vez, quando a homossexualidade do jovem é bem recebida pela família, e a proteção aumenta, diminuem os riscos de transtornos mentais." 



Esses são os antídotos para curar os homossexuais feridos emocionalmente. É preciso que a sociedade deixe de adoentá-los. O que percebo é que mesmo não tratando mais homossexualidade como doença, muitos tem deixado homossexuais doentes com suas discriminações, preconceitos e falta de amor. J-J





Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Tire suas dúvidas: Orientação Sexual, atual sigla LGBTQ+, Escala de Kinsey, Identidade de Gênero e Nome Social






Este post tem o objetivo de esclarecer conceitos e dúvidas sobre a comunidade LGBTQ+. Iremos falar sobre esses assuntos: principais orientações sexuais; conceitos de homossexualismo, homossexualidade e homoafetividade; a atual sigla LGBTQ+; Escala de Kinsey; identidade de gênero; e nome social.

Esperamos que aqueles que não tem conhecimento desses temas, se interem; e que quem já conhece, possa se aprofundar e compreender melhor. Cada assunto foi dividido por tópicos pra facilitar o entendimento.


1- Principais orientações sexuais



A primeira coisa que queremos falar aqui é algo que muita gente ainda não aceita, – e quando digo “muita gente ainda não aceita”, queremos dizer os heterossexuais – que é que a pessoa não vira homossexual, transgênero ou qualquer outra orientação ou identidade. Você já nasce assim.

Heterossexual: pessoa que sente atração pela do sexo oposto (hétero = diferente).

Homossexual: aquela pessoa que sente atração pela do mesmo sexo (homo = igual). Com isso, todo homem que se sente atraído por homem ou mulher que se atrai por mulher é considerado homossexual. 

Bissexual: pessoa que se atrai por ambos os sexos.

Panssexual: pessoa que não se sente atraída pelo sexo da pessoa, mas sim por ela propriamente dita. 

Assexual: pessoa que não se sente atraída por nenhum sexo.




2- Homossexualismo, homossexualidade e homoafetividade: Qual o termo correto?





O termo homossexualismo está em desuso por causa do sufismo ismo que pode significar "doença". Ele era bastante empregado quando este era considerado uma doença até 1973. Com o decorrer do tempo, tornou-se comum utilizar homossexualidade, já que o sufixo dade quer dizer "modo de ser". O manual de comunicação da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ALGBT) explica essa transição conceitual (com grifos):


“Homossexualidade ao invés de  homossexualismo

Em 1973, os Estados Unidos retirou “homossexualismo” da lista  dos distúrbios mentais da American Psychology Association, passando  a ser usado o termo Homossexualidade. [...]

Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia formulou a Resolução  001/99, considerando que ‘a homossexualidade não constitui doença,  nem distúrbio e nem perversão’

Por isso, o sufixo ‘ismo’ (terminologia referente à ‘doença’) foi  substituído por ‘dade’ (que remete a ‘modo de ser’).”



Contudo, muitas pessoas utilizam o termo homossexualismo por considerarem que não há nenhum tipo de problema, já que o sufismo ismo tem outros significados, de acordo com o Wikicionário (doença seria apenas um deles, com grifo):

"sufixo de origem grega que exprime a ideia de
* fenómeno linguístico
* sistema político
* religião
* doença
* esporte
* ideologia
* etc."


De acordo com isso, ambos os termos - homossexualismo e homossexualidade - estariam corretos. Mas nos posts da semana adotaremos homossexualidade

Utiliza-se, ainda, o termo homoafetividade, já que os explicados acima podem sugerir um ar pejorativo e sexual. É preciso levar em consideração que uma pessoa que sente atração por outra do mesmo sexo, não quer apenas uma relacionamento de transa, mas de afeto e amor. 

O vocábulo homoafetividade foi criado pela desembargadora e jurista Maria Berenice Dias. Ela defende que a afeição é o fator preponderante na atração que um indivíduo sente pelo de mesmo sexo. Veja o que o site Significados diz:

 "Segundo a Desembargadora, a homoafetividade vai além da relação sexual, é, um vínculo criado pela afetividade, pelo carinho e pelo desejo de estar com o outro em uma convivência harmônica."



3- Entendendo a sigla LGBTQ+










Bom, para começar, nem sempre a sigla foi essa. Não muito tempo atrás, era GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas ela não era muito aceita pela própria comunidade, visto que excluía as demais formas de sexualidade ou identidades de gênero. 

Depois disso a sigla se tornou GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais e Travestis), mas essa também não parecia muito certa, porque via-se que inclusive no meio, as mulheres eram diminuídas. Depois de muita luta, as lésbicas conseguiram que ela fosse mudada para LGBT, ganhando visibilidade e importância que também merecem.

Contudo, essa ainda não parecia a maneira correta de lidar com todas as identidades e sexualidades possíveis, como o intersexual, que são pessoas que nascem com uma certa dificuldade em identificar-se como 100% masculino ou 100% feminino (Em outras palavras, nascem com ambos os sexos); os pansexuais, que são aquelas que se atraem pela pessoa, e não pelo gênero atribuído a ela; e os assexuais, que não se atraem por nenhum sexo.  Então o outro nome que passou a fazer parte da sigla foi o Queer. 


“Queer é um movimento que toma uma direção não esperada, que contesta as normas dominantes, de modo que lésbicas, gays, intersex, bissexuais, trans, trabalhadoras sexuais podem viver com menos medo no mundo”, Judith Blutler. 


Queer também foi o nome de uma série LGBTQ+ muito famosa nos Estados Unidos chamada Queer as Folk (traduzida como "Gay como nós", uma brincadeira com a frase Nobody is so weird as folkNinguém é tão estranho como nós – surgiu Nobody is so queer as folk"Ninguém é tão gay como nós"), que é uma série bem polêmica para os parâmetros televisivos da época. 

Queers não gostam muito de rótulos, por isso são chamados assim. Irônico, não? A galera que não gosta de etiqueta, recebe uma só para eles.


Com isso, depois de muita luta, a sigla se tornou bem ampla, tentando alcançar todos os tipos de sexualidade e identidades de gênero. LGBTTTQAIP ou, em resumo, LGBTQ+ - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Travestis, Queers, Assexuais, Intersexuais e Pansexuais. 


4- Escala de Kinsey




A Escala de Kinsey foi idealizada na década de 40 pelo biólogo Alfred Kinsey com o objetivo de demonstrar que a sexualidade não é fixa; e  que entre comportamentos homossexuais e heterossexuais há muitas variantes. 

Esta escala possui 7 gradações diferentes, sendo que a de assexualidade foi acrescentada por Kinsey depois (representada pela letra X). Confira:

0 – exclusivamente heterossexual
1 – predominantemente heterossexual, apenas ocasionalmente homossexual
2 – predominantemente heterossexual, mas mais do que ocasionalmente homossexual
3 – Igualmente heterossexual e homossexual
4 – Predominantemente homossexual, mas mais do que ocasionalmente heterossexual
5 – Predominantemente homossexual, apenas ocasionalmente heterossexual
6 – Exclusivamente homossexual
X - assexual












A escala funciona mais como um guia do que como uma regra para entender melhor a complexidade da sexualidade e destacar a continuidade entre o comportamento e desejo sexual entre diferentes sexos (heterossexual) e mesmo sexo (homossexual) durante o período de vida das pessoas. O site Hypescience esclareceu isso (com grifos):

"A escala é puramente um método de auto-avaliação com base em sua experiência individual, e a classificação que você escolher pode mudar ao longo do tempo. Além disso, a escala é projetada para permitir a mudança e fluidez na sexualidade dos indivíduos. Ou seja, você pode ser completamente heterossexual por um período e heterossexual com alguns comportamentos homossexuais em outro. Seus autores estavam cientes de que a sexualidade não é fixa ou estática, desde o nascimento até a morte."



Você pode fazer seu teste aqui (Teste em inglês).



5- Identidade de gênero: cisgêneros, transgêneros, transexuais e travestis





A questão de gênero é algo que nem todo mundo consegue entender, e até pouco tempo atrás, nem nós entendíamos muito a diferença. Então, vamos diferenciar cisgêneros, transgêneros, transexuais e travestis!

Cisgêneros: são aquelas pessoas que se identificam completamente com o gênero biológico que lhes foi designado. Por exemplo, nascemos meninos, com o órgão genital masculino, não temos problema com o nosso corpo e nos indetificamos com o nosso gênero, logo somos homens cisgêneros.

Transgêneros: são aquelas pessoas que não se identificam com o gênero biológico que lhes foi designado. Como por exemplo, o caso do Thammy, que não se identifica como mulher, embora tenha a genital feminina. Ele fez uma cirurgia para reformar seus seios e faz tratamento com hormônios. Thammy, então,  é um homem-trans. 




Além disso, há algumas vertentes para o transgênero, como o transexual e o travesti. Em ambos os casos os indivíduos não se identificam com seu gênero biológico. 

Transexuais: são aqueles indivíduos que fazem a cirurgia de redesignação de sexo e passam a fazer parte do gênero que eles de fato se identificam.

Travestis: são aquelas pessoas que também não estão confortáveis com seus gêneros biológicos, se comportam como o gênero, mas não fazem a cirurgia de redesignação de sexo. 


Não é tão complicado, viu?


6- Nome social





Nome social tem estado nas principais agendas de discussões, além da justiça atualmente. Nome social nada mais é que o nome pelo qual pessoas transgêneros e travestis preferem ser chamados cotidianamente, ao contrário do nome oficial registrado, pois este não reflete sua identidade de gênero.

No Brasil, a Universidade Federal do Amapá foi pioneira na adoção do nome social para seus alunos. Recentemente, o Distrito Federal teve avanços nessa questão. Para a justiça, já é lei o nome social com o decreto nº 8.727. Universidades, concursos públicos, hospitais, escolas e organizações, como o Detran e o Metrô, já adotam o nome social. Caso essas entidades descumpram a norma podem ser punidas com base na lei nº 10.948/2001, que combate a transfobia. 


Nome civil X Nome social

O site Jus Brasil distinguiu esses dois conceitos:

Nome civil: conjunto de prenome e sobrenome que todas as pessoas naturais têm direito de possuir.

Nome social: pode ser definido como um nome civil que não aderiu à personalidade da pessoa natural, portanto é o prenome que é utilizado publicamente distinto do nome civil de quem o utiliza.



Como você se identifica?

Desde quando nascemos, somos identificados com um nome. Logo depois, adquirimos uma carteira de identidade. Contudo, nem sempre o que está escrito nela, condiz realmente como a pessoa se enxerga. É com esse objetivo que a legalização do nome social surge: resignificar identidades e adequá-las à realidade do indivíduo. É assim que diz um texto do Fanzoni (com grifos):

"O nome social passou a ser adotado para adequar o senso de identidade do sujeito àquilo que esse sujeito representa socialmente. Assim evita-se a exposição desnecessária do indivíduo, e o constrangimento de ser tratado de uma forma que não condiz com sua condição humana, psicológica, moral, intelectual e emocional."


Intrínseco à legalização do nome social está a aceitação e o respeito.


Esperamos que tenham tirado suas dúvidas sobre esses assuntos atuais e pertinentes. J-J






Por: Emerson Garcia e Thiago Nascimento

domingo, 25 de junho de 2017

Um pequeno histórico da comunidade LGBTQ+: Stonewall e a Parada LGBTQ+



Em comemoração ao mês do Orgulho LGBTQ+, teremos 7 postagens especiais sobre essa comunidade  e falaremos sobre assuntos que a envolva. Escolhemos fazer essa semana em homenagem a revolta de Stonewall que teve início no dia 28 de junho de 1969, o que foi um marco importante. Começamos no dia 25 pois é quando acontece a parada LGBTQ+ em New York, onde tudo começou.

No dia 28 de junho de 1969, em New York, aconteceu uma batida policial em um bar que era frequentado por pessoas LGBTQ+. Nessa época, pouquíssimos estabelecimentos aceitavam a presença desse público e os que permitiam geralmente eram bares. As batidas policiais eram bem frequentes, mas a comunidade local estava saturada de toda essa violência.

Em uma das batidas um grupo de travestis foi preso, e isso gerou muita indignação nas pessoas presentes e foi aí que teve início a revolução. Elas começaram a investir contra os policiais, que para se defenderem, se trancaram dentro do próprio bar. Os homossexuais, travestis e cia começaram a apedrejar o lugar, atearem fogo e ainda tentaram abrir a porta do estabelecimento à força.

Com toda essa resistência, acabou sendo necessário reforços policiais, mas não foram muito úteis. A comunidade LGBTQ+ continuou lutando e protestando contra a polícia e arremessou tijolos, garrafas, pedras, etc. Depois de toda essa disputa, as coisas aquietaram um pouco.

No dia seguinte, tanto a polícia quanto os protestantes voltaram ao bar. Eles escreveram mensagens nas paredes, pedindo direitos iguais. Não muito tempo depois, o combate entre os frequentadores do bar e os policias começou novamente. Aqueles jogavam pedras, tijolos e garrafas nestes.



Foram seis dias de embate. Todos os confrontos só tiveram fim quando o Presidente da Câmara decidiu acabar com a violência que vinha por parte da polícia. Então, o bar foi reaberto e todos seus antigos frequentadores retornaram. E foi assim que deu-se início a parada LGBTQ+ e o Dia do Orgulho LGBTQ+, que geralmente é comemorado no dia 28 de junho (ou datas próximas) por causa da rebelião de Stonewall.

Muitas pessoas (principalmente aquelas que não fazem parte da comunidade LGBTQ+) acabam olhando a parada como uma festa, mas não entendem que não é só isso. As paradas LGBTQ+ que acontecem todos os anos tem temas muito importantes que são discutidos e protestados. 



No último domingo (18) aconteceu a Parada LGBTQ+ de São Paulo. Seu tema foi “Estado Laico” e seu slogan era “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado Laico”. 

Segue abaixa uma lista dos temas discutidos nos últimos dez anos nas Paradas LGBTQ+ de São Paulo: 

2007 - "Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia"
2008 - "Homofobia mata! Por um Estado laico de fato"
2009 - "Sem homofobia, mais cidadania – Pela isonomia dos direitos!"
2010 - "Vote contra a homofobia: Defenda a cidadania!"
2011 - "Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!"
2012 - "Homofobia tem cura: educação e criminalização."
2013 - "Para o armário nunca mais – União e conscientização na luta contra a homofobia."
2014 - "País vencedor é país sem homolesbostransfobia: chega de mortes! Criminalização já!"
2015 - "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me"
2016 - "Lei de identidade de gênero, já! - Todas as pessoas juntas contra a transfobia!"
2017 - "Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei! Todas e todos por um Estado laico"

Podemos concordar que ainda falta muito o que ser discutido. Os temas são coisas recorrentes, como a homofobia, que ainda é algo presente no dia a dia de muitos membros da comunidade LGBTQ+. 

Do mesmo jeito que acontece aqui, acontece em New York, onde foi o início de tudo. Eu não consegui encontrar na internet a lista com os temas abordados mais recentes da parada de NY, mas fica claro que não é uma festa, e sim uma forma de manifestação.

E assim terminamos o primeiro post de uma sequência de sete da Semana do Orgulho LGBTQ+. Não deixem de conferir! J-J



Por: Thiago Nascimento

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Programa "Igual porém Diferente" #3




Olá ouvintes da Rádio Bagaralho FM (Rádio Bagaralho, a rádio do... povo). Aqui quem fala é o locutor Arthur Claro, aquele que é igual porém diferente. Com o oferecimento da Pastelaria do Chian começa agora o programa Igual porém Diferente.  

Neste programa irei mostrar uma música original e uma versão dela aonde vocês irão se deleitar com canções iguais porém diferentes. Hoje vou mostrar a música Thriller do Michael Jackson e a sua versão indiana. 


Original




Versão Indiana




Queridos ouvintes, quero agradecer a todos e espero que que continuem ouvindo a Rádio Bagaralho. Um bom fim de semana repleto de felicidades. Beijos e abraços. J-J

Por: Arthur Claro
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