sábado, 25 de maio de 2019

Entre Frames #15: Empatia - Priscila Alcantara






Especialmente nesse sábado o Entre Frames está saindo. O clipe escolhido é Empatia, de Priscilla Alcantara. Lançado em 15 de janeiro desse ano, já possui quase 5 milhões de visualizações, 310 mil curtidas e 7,1 mil descurtidas. O clipe teve direção de Gil Morais, roteiro de Gil Morais e Alyne Morais e direção de fotografia de Rodrigo de Paula e Marcelo Batista. Este é o segundo clipe da cantora que trago no quadro - o primeiro foi Liberdade (leia aqui). 

Empatia fala exatamente disso, mostrando situações empáticas e de solidariedade e outras de violência, acusação e umbiguismo. O clipe tem vários elementos e símbolos cristãos representados por encenações e releituras de quadros religiosos. Assista:





A partir de agora esmiúço cada um dos pontos retratados pelo clipe.


Estética do clipe





O clipe apresenta ambientações frias e quentes. De uma forma geral, a fotografia possui tons de frieza e delicados, com as cores verde, cinza e branco em evidência. Por outro lado, Priscilla aparece em vários fundos - vermelho, branco e azul - sempre mesclando ambientações frias com quentes. O vermelho, como uma cor de poder e quente; o branco, como neutralidade; e o azul, como calmaria e tristeza.

Há várias cenas conceituais no vídeo que implicam em sua estética. Como a que Priscilla aparece com roupa branca e clara (0:27), com roupas escuras em um ambiente esfumaçado (0:36) e quando está no bréu com luzes brancas, azuis e vermelhas. Talvez esse seja o grande contraponto do clipe: ele passa por cenas frias, mas bem conceituais. 


Frames conceituais e o início do clipe


O clipe já se inicia com vários frames editados para sincronizar com a música. Muitos deles duram poucos segundos ou apenas um (0:39-0:44). Nos frames podemos ver pessoas em depressão e com a autoestima baixa (0:09-0:22), assim como de várias cenas de Priscilla editadas de acordo com o ritmo da música (3:00 - 3:16).

Perceber e analisar esses frames foi uma tarefa difícil, já que muitos passam rapidamente e são quase imperceptíveis ao olhar humano. Mas como esse é um quadro de FRAMES fiz de tudo para que nenhum tenha passado desapercebido.


Pedido de socorro



Logo no primeiro segundo (0:01), depois de vários frames e cortes (Sim! Há cenas e frames no segundo 0!), Priscilla parece pedir socorro. Eu interpretei da segunda forma: em um mundo cada vez mais egoísta e egocentrista, a empatia e o amor ao próximo estão escassos e faz-se necessário que haja um grito de socorro para que esses sentimentos ressurjam. 


Auto imagem



Inicialmente, o clipe aborda a auto estima e auto imagem através de uma moça que se olha no espelho, mas parece ter problemas com sua auto imagem (0:04-0:08). Daí me pergunto: como alguém pode ser amoroso e empático com o próximo, se primeiro não se aceita e se ama?!



O espelho é um dos símbolos utilizados no clipe e aparece mais uma vez em 2:18, quando uma moça o segura. Ele representa a auto imagem e auto aceitação de nós e de nossa essência. Posso fazer uma analogia com um trecho da música que diz: "Então faça por mim, O que faria a você". Isso significa que só podemos ser empáticos com nosso semelhante se olharmos primeiro para dentro de nós. 




Outro momento que demonstra a falta de auto estima é quando um jovem negro tenta torna-se branco (1:04). 


Recriação de quadros


Como falado anteriormente, a recriação de quadros religiosos é o grande mote do clipe. São quadros que demonstram situações de empatia ou não; ou então são somente representações artísticas. Desse modo, são encenadas as seguintes obras: Deus e a criatura (2:49); Jesus mostrando o lado para Tomé (0:23-0:25); Santa Ceia (1:17); Pedro tirando a orelha de um soldado (1:23); a  Mulher adúltera e Jesus (2:08); O nascimento de Vênus; Nos portões da eternidade; Monalisa; e a Figura de Cristo (0:47).

Todas as encenações são realizadas como se acontecessem na atualidade. A retratação de Tomé vendo o lado de Jesus significa a falta de fé que temos; a figura de Jesus Cristo significa que Ele ainda é um dos exemplos mais empáticos de toda humanidade (E me aprofundarei nisso mais tarde); a Santa Ceia demonstra comunhão, amizade e empatia entre as pessoas; já a de Pedro tirando a orelha de um soldado, uma atitude não empática; e a da Mulher adúltera e Jesus uma atitude que é ao mesmo tempo empática e não. A partir de agora, me aprofundo mais nesses quadros:


Deus e a criatura



Um dos quadros religiosos mais famosos é retratado no clipe. Trata-se de A criação de Adão, de Michelangelo. A união entre o divino (Deus) e o humano (homem). Essa relação é a mais empática que pode existir, pois antes a humanidade estava separada de Deus, mas Ele, por ser empático, resolveu nos unir de volta através do amor, compaixão e redenção.



Essa releitura também pode ser analisada de outra forma: empatia entre pessoas comuns, ou seja, uma pessoa ver a outra como semelhante e ajudá-la. 


Jesus mostrando o lado para Tomé



O quadro refeito chama-se O incrédulo Tomé, de Caravaggio. Na recriação há um homem branco com o lado furado, representando Jesus Cristo, e um negro (O que demonstra a preocupação de Priscilla e dos idealizadores apresentarem um vídeo multirracial). O realismo dessa cena é algo incrível, assemelhando-se muito com o quadro original. 



A recriação significa a falta de fé que a sociedade possui na atualidade. 


Santa Ceia



O famoso quadro da Santa Ceia de Leonardo DaVinci é reproduzido com Priscilla Alcantara ao centro e figurantes ao seu redor (1:19). A recriação demonstra que devemos manter a comunhão com o próximo (empatia) e com Deus.



É interessante que os elementos pão e vinho não aparecem na cena à toa, mas com um propósito. O pão significa o corpo de Cristo; e o vinho, Seu sangue. Ao comermos o pão e bebermos o vinho ficamos mais semelhantes à Cristo e agimos de acordo com o que Ele agiria em nossos dias. 


Pedro tirando a orelha de um soldado


A cena representa a falta de empatia das pessoas com o próximo. Quantos agem de forma violenta e agressiva com o semelhante, não demonstrando amor e empatia?! Os frames e as cenas retratam como existem pessoas impulsivas e sanguinárias, como na parte que foca na mão ensanguentada do soldado (1:33).




Nesta mesma cena é possível ver e analisar que há pessoas pacíficas e que reprovam a atitude da tipificação de "Pedro" (1:25). E este é o contraponto da cena.




 Com o decorrer do clipe, o "Pedro" segura a espada com o sentimento de arrependimento (2:41), o que demonstra que é possível, sim, que uma pessoa egocêntrica e violenta, se transforme em uma empática e amorosa, bastando apenas que ela queira isso. 





A mulher adúltera e Jesus 



O quadro da mulher adúltera e de Jesus também é retratado. No início do clipe vemos uma pessoa correndo por uma estrada. Mais à frente, ela reaparece e descobrimos tratar-se de uma mulher (1:35), a mulher adúltera dos tempos atuais. 



Ela está desconfiada e olhando para trás e a gente percebe que ela corre de um grupo de homens, mas à sua frente também existem outros que estão apenas a esperando para violentá-la (1:44). Agora, sem saída, ela está exposta ao grupo de haters. O líder, sem pestanejar, logo pega uma pedra para jogar nela (1:50). A moça, então, se defende de tamanha violência (1:54). É quando um homem a salva, segurando o braço do hater e o impedindo de jogar a pedra (2:03). Este homem demonstrou empatia em um ato heroico para com a moça, ou seja, ele não queria que acontecesse com ela o que poderia acontecer consigo mesmo. 



Assim como o "Pedro" violento e sanguinário transformou-se em alguém empático, nesse caso o hater  também foi transformado. Ele se rende há um poder maior (2:15) - como se alguém mais forte que ele estivesse no comando (Acredito ser Jesus Cristo, um dos seres mais empáticos que existe) - e joga a pedra no chão (2:32).



Em minha análise, a pedra tem vários significados: ela demonstra hipocrisia, violência, falta de compaixão e empatia. Quando estamos munidos dela, não vemos o outro como semelhante e acreditamos que ela nos empodera. Por isso, foi preciso que o hater se desempoderasse dela e a jogasse no chão. Só pode ser empático quem abandona os pesos da acusação e da falta de amor. 



Por último, acontece a mesma coisa que ocorreu entre Jesus e a mulher adúltera. A pessoa que salva a mulher de ser apedrejada a levanta, demonstrando à ela empatia e a dignifica novamente, em uma das cenas mais emocionantes de todo o clipe. 



Outro ponto a ser ressaltado nessa recriação de quadro, é que quando a pedra é jogada no chão no mesmo instante a imagem do clipe fica em modo "pisca-pisca", indo para outra cena do clipe (2:32-2:33). Achei isso genial.


O nascimento de Vênus



O quadro de Sandro Botticelli é retratado quando uma moça fica com os cabelos ao vento.


Nos portões da eternidade



A obra de Vincent Van Gogh, criada duas semanas antes do pintor cometer suicídio, também é retratada em um momento de depressão de um personagem do clipe. 


Monalisa



Priscilla Alcantara tipifica a Monalisa de Leonardo DaVinci, seja por conta de sua pose ou a forma que aparece no clipe. 


Figura de Cristo



Através de todos os quadros retratados, podemos perceber a figura de Cristo, ao menos no questionamento: "O que faria Jesus nesse caso?". Jesus Cristo tem a capacidade de perdoar pecados e de transformar a vida das pessoas. Foi Ele quem colocou a orelha do soldado de volta e foi Ele quem não deixou que a mulher adúltera fosse apedrejada e a dignificou. Por esse motivo, Jesus Cristo é uma das figuras mais empáticas de toda a humanidade. Ele foi empático quando ninguém mais era, amável quando ninguém mais foi e compassivo quando o ambiente era de violência e acusação. 


Referências bíblicas


O clipe conta com várias referências respaldadas na Bíblia, são elas:


JOÃO 13
“Depois, derramando água numa bacia, começou a lavar os pés dos seus discípulos e a enxugá-los com a toalha que tinha na cintura"


LUCAS 22
“Tomem isto e partilhem entre vocês. Pois não beberei vinho outra vez até que venha o reino de Deus” 


JOÃO 18:10
“Assim, os soldados, seu comandante e os guardas do templo prenderam Jesus e o amarraram”


JOÃO 8:1-11
“‘Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?'”


JOÃO 20:25

“Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei”


Outras atitudes empáticas



O clipe não conta somente com os quadros empáticos religiosos, mas com várias outras cenas que demonstram (ou não) empatia. São elas:


- Mulher é salva de suicidar-se (1:11): um dos momentos mais empáticos do clipe é quando uma moça é salva de suicidar-se por um homem (1:06-1:11). Já parou para pensar que poderíamos ter salvo, através do poder de Jesus Cristo, várias pessoas da depressão e do suicídio, seja com uma palavra de ânimo ou em situações mais extremas?! Contudo, a sociedade que vivemos não é nada empática e preocupada com o próximo. Não deveria ser assim. Se não quero algo de ruim para minha vida, não deveria querer para a do próximo, correto?!







- Pessoa lava os pés de outra (0:57): outra atitude empática. Ao lavar o pé de alguém você se coloca em seu lugar (alteridade) e coloca essa pessoa em uma posição acima da sua. Lavar os pés, de acordo com o significado bíblico, é humilhar-se e tomar o lugar de servo. O próprio Jesus Cristo lavou os pés dos seus discípulos. Penso assim: se Ele, o maior exemplo de empatia, humildade e simplicidade, fez isso, porque eu não posso fazê-lo?





- Comunhão na Santa Ceia (1:19): o clipe também aborda essa questão, por meio do partir do pão e do vinho e da comunhão entre os semelhantes. Ser uma pessoa empática é ser igual à outra pessoa, nem mais nem menos, apenas igual. 





Ser ou não ser empático?


Mesmo com esse amplo leque de atitudes empáticas analisado, a pessoa quem vai decidir se será empática ou não. É uma decisão unicamente pessoal. O clipe não te obriga a ser empático, mas mostra caminhos e atitudes para aqueles que optaram por esse caminho. 

O interessante é que ele mescla situações empáticas e não empáticas, como quando há pessoas que salvam e se mostram empáticas às outras, ou quando há pessoas violentas, agressivas e que não se mostram assim. 


Movimentos de câmera


A câmera é dinâmica e segue a vibe do clipe. Por várias vezes a câmera se aproxima das cenas, vindo de fora para dentro. Em outros momentos, os movimentos são bruscos já que são muitos frames apresentados em poucos segundos, como falado no tópico 2 (Frames conceituais e o início do clipe). 


Efeitos




O clipe conta com vários efeitos, como fade in rápidos, flashes e raios que invadem a cena. Isso deixou o clipe mais vivo e jovial. Um trecho importante que merece destaque é quando Priscilla canta "O que faria a você ê-ê-ê-ê" e o fundo da cena parece tremer e fica com as luzes "piscando" (2:04). 


Cenas conceituais




Embora trazendo quadros religiosos históricos e formais, o clipe apresenta cenas conceituais, tais como: homem de cabeça para baixo (1:00) e homem negro sendo mergulhado em uma água esbranquiçada (1:04). Além delas, o clipe apresenta uma estética bem conceitual, como falado no tópico 1 (Estética do clipe). 


Simetria





De forma geral o clipe é bem simétrico, ao trazer as releituras de quadros religiosos ao centro, assim como Priscilla e um homem depressivo. 


Braços estendidos






De forma conceitual, vários braços se estendem no clipe na parte final (3:18-3:20) em sentido de socorro e emergência, como falado no tópico 3.


"Então você"




Quando Priscilla canta "Então você" ela aponta para o espectador que assiste o vídeo (1:41).



Frames da Priscilla



O clipe é finalizado com frames da cantora. 



Clipe com gente!



Empatia é um clipe de gente, que fala para GENTE. Desse modo, é um clipe bem humanitário que demonstra, por meio de atitudes, como podemos ser ou não empáticos. O casting da produção foi bem diverso, trazendo pessoas de várias raças e estilos, como verificado no frame que Priscilla aparece centralizada na cena e várias "gentes" ao seu redor. Algo que também pode ser verificado na capa do cd, como falado nesse post


Motes



O clipe trata com maestria de temas atuais como o suicídio, homofobia e racismo, mesclando a história dos personagens com passagens bíblicas. Claro que Priscilla comunica isso por meio da arte. Leia o que ela disse (com grifos):

É cheio de referências artísticas, porque amamos arte. É cheio de representações de vida, porque amamos pessoas. Talvez você tenha que assistir mais de uma vez e a cada vez, captará algo novo. Divirta-se com isso. Essa experiência é pra você."




O clipe, claro, também trata de empatia e do nosso relacionamento com as pessoas. Priscilla falou o seguinte:

“Empatia é constantemente se perguntar “e se fosse comigo?. É permitir que outros toquem nas suas feridas para lhes dar esperança. Empatia é não se considerar o único personagem por entender que toda boa história é vivida por um elenco."


Letra



A letra é um recado de uma pessoa para outra, sendo que aquela demonstra empatia para com essa. Registrei alguns trechos e abaixo meus comentários.



"Acredita em mim quando eu digo 

Que provavelmente não irá viver sem chorar"

O trecho fala de nossa humanidade e joga a real para o interlocutor: essa vida é feita de momentos difíceis. 


"Então, você

Mesmo sofrendo tem que escolher crescer"

Aqui sou arremetido à resiliência. As crises e dores nos ajudam a melhorar como pessoas e a crescer. 


"Do mesmo lugar que você, eu vim

Como você, ao pó eu voltarei"

Igualdade. Essa é a palavra-chave que poderia esclarecer esse texto. Somos seres humanos diferentes, mas com a mesma essência (somos pó). O trecho também mostra que não existe ninguém melhor nem pior que o outro. 


"Você é igual a mim
Então, faça por mim

O que faria a você ê-ê-ê-ê"

Esse trecho fala em específico da empatia, o título e o assunto da canção. 


Música


A música apresenta um ritmo envolvente e é bem dançante.



Essa foi a análise de hoje. E você, já conhecia o clipe? Gostou da minha análise? Considera-se uma pessoa empática? Diga tudo nos comentários! J-J














Por: Emerson Garcia

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Continue o post: 'Filmes que eu ainda não assisti', de Arthur Claro

Pode conter spoilers!



A parceria entre o Jovem Jornalista e o Arthur Claro igual porém diferente está de volta! Dessa vez eu e o Arthur Claro tivemos uma ideia diferenciada: criarmos posts que são continuações de posts do blog parceiro. Não entendeu?! O Arthur decidiu qual post do blog dele devo continuar e vice-e-versa. Esta foi uma ideia diferente na história dos nossos blogs, pois não vimos algum outro fazer esse tipo de parceria. Então, mergulhe nessa nossa loucura.

O Arthur Claro escolheu o post Filmes que eu ainda não assisti para eu dar continuidade. Bem, ele selecionou os seguintes filmes que não assistiu ainda: Bonequinha de Luxo, Casablanca, A noviça rebelde, A primeira noite de um homem, Juventude Transviada, Feitiço do tempo e O pecado mora ao lado. O Arthur ditou a seguinte regra para o meu post: eu teria que escolher um filme da lista, assistir e escrever o que achei dele, sendo que ele já viu Bonequinha de LuxoCasablanca

Desse modo, na quarta-feira (22), assisti Feitiço do tempo (1993), pois foi a sinopse que mais chamou a minha atenção quando li no blog do Arthur. O filme conta a história de um meteorologista de televisão que vai à uma cidadela reportar sobre a celebração do Dia da marmota. Por não gostar da cidade, ele planeja apenas fazer seu trabalho e ir embora o mais rápido possível. Mas as coisas não saem como planejado, pois uma nevasca bloqueia as estradas, impedindo as pessoas saírem de lá. É então quando ele fica preso na cidade, mas não somente isso, no tempo também, pois revive por várias vezes os acontecimentos daquele fatídico 2 de fevereiro. 




Com isso, as cenas se repetem. Ele sempre acorda às 6 horas da manhã, ouve o noticiário de rádio, realiza suas atividades matinais, abre a janela, percebe o clima e as pessoas indo para a comemoração do Dia da marmota e se direciona para reportar sua notícia. Isso se repete por várias vezes, até que o meteorologista percebe que está vivenciando os mesmos acontecimentos. Ele alerta sua colega de profissão e o cinegrafista sobre isso, mas eles não dão crédito, pois todo o dia às 6 da manhã suas memórias são apagadas, menos a do repórter. 

O meteorologista, portanto, descobre que pode fazer várias coisas que não implicam no dia seguinte, pois ele não existe. É aí que a parte divertida e interessante do filme se encontra. O repórter dirige por uma estrada ferroviária, come as mais diversas guloseimas, bate em pessoas na rua, namora, se casa, morre de várias formas, rouba dinheiro do banco. O repórter ainda pode prevê o que acontece com as pessoas na rua e antecipa diálogos e falas. 

Ele então percebe que mesmo vivendo o mesmo dia pode mudar experiências e atitudes. Por esse motivo, o filme só é repetitivo no início, mas como o decorrer das cenas ele passa a ser inovador, mesmo que o dia 2 de fevereiro comece com o repórter acordando às 6 horas da manhã. Uma mesma cena é repetida por várias vezes com diferenciações de diálogos, perspectivas e pontos de vista. Um verdadeiro balé de edição é criado, o que deixa o filme interessante e com um roteiro não-linear.

Não falta no filme também romance, pois o meteorologista se apaixona por sua colega de trabalho ao viver o mesmo dia. Ele consegue conhecer com profundidade sua colega de trabalho, seus hobbys, o que gosta de comer ou fazer. Se fosse para conhecê-la em somente um dia não conseguiria, mas como é um mesmo dia que se repete isso é possível, pois à cada novo mesmo dia ele a conhece um pouquinho mais até se apaixonar por ela. 

Vivenciar o mesmo dia também dá a oportunidade do meteorologista se aprofundar em várias atividades. Ele aprende a tocar piano com uma perfeição imensa, faz esculturas de gelo e aprende a falar francês. 

Se por um lado, viver o mesmo dia pode ser monótono e cansativo, por outro pode ser interessante, criativo e libertador. Feitiço no tempo provou que basta apenas um dia para sermos felizes e que viver o dia como se fosse o único de sua existência é fundamental. 




Feitiço no tempo me lembrou das séries The Flash e Legend's of tomorrow, pois nestas também houveram um looping temporal em que os personagens viveram o mesmo dia por diversas vezes, mas de maneiras e perspectivas diferentes. O roteiro de Feitiço no tempo se aproxima bastante ao do episódio de Legend's of tomorrow, pois os personagens desse também viveram o dia de formas diferentes e sabendo que não haverá consequências no final. 

O longa é concluído de forma clichê, ou seja, o feitiço no tempo é concluído, o repórter fica apaixonado por sua colega de trabalho e o dia de amanhã acontece. Mesmo que o final seja esse, eu gostei do filme. Ele tem boas cenas que renderam risadas, momentos bem humorados, reflexões e cenas dramáticas. Um ótimo filme estilo Sessão da Tarde. J-J


quarta-feira, 22 de maio de 2019

Elementos e símbolos cristãos em 'Abram os portões', de Israel Subirá



Há um mês (23 de abril) foi lançado no canal do Israel Subirá no Youtube o vídeo da música Abram os portões. No mesmo molde e plasticidade de Deus meu, já falado aqui, Abram os portões possui colagens sob um fundo estrelado e vários elementos e símbolos. Até a redação desse post o vídeo já conta com 83 mil visualizações, 15 mil curtidas e 64 descurtidas. O vídeo também é uma produção de FJR Crew por Flauzilino Jr e Trentino.

Abram os portões fala de uma passagem bíblica que diz:


"Abram os portões para que entre o rei da Glória 
Quem é esse rei da Glória? 
O Senhor, Ele é o rei da glória". 


Agora, assista ao clipe:







A partir dessa premissa elementos e símbolos cristãos foram adicionados, até se chegar ao resultado final do vídeo.


Símbolos cristãos

Em toda a duração do vídeo aparecem os seguintes símbolos cristãos: o jumentinho, Jesus com um cajado e uma ovelha, o fogo, a cruz vazia, colagem de Leão e o templo de Jerusalém. Explico cada um deles abaixo:


Jumentinho




Não por acaso, aparece a colagem de um jumentinho que faz alusão a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém em cima dele, uma semana antes de sua crucificação. O jumentinho alude ainda ao rei da glória. 


Jesus




A imagem de Jesus é aquela catolizada - com cabelos longos e vestido até os pés. O rei da glória aqui representado traz um cajado e uma ovelha nas mãos, representando que Ele, além de ser o rei da glória, ainda é o pastor de muitos. 


Fogo





O fogo é tido como um elemento cristão, pois representa o fogo do Espírito Santo. Quando Jesus subiu aos céus, Ele deixou o seu Espírito Santo na Terra e este batizou as pessoas "com Ele e com fogo". Várias igrejas pentecostais utilizam em suas logos o símbolo do fogo.



Cruz vazia




A cruz vazia representa a ressurreição e serve de lembrete aos cristãos da morte e do sacrifício de Jesus, e não somente isso, mas de sua vitória na cruz. Jesus, o rei da glória, não está mais apregoado em uma cruz, mas vive eternamente pelos séculos dos séculos. 



Colagem de Leão





Se durante a morte Jesus Cristo é conhecido como o Cordeiro, na ressurreição é visto como o Leão. E existe um trecho no vídeo em que aparece uma colagem de leão junto a de Jesus, durante a frase "Ele é Santo", que demonstra que Ele, é o Cordeiro e o Leão, mas também o Santo dos santos. 

É muito interessante o ar e a atmosfera criado nessa parte com várias colagens. 


Templo de Jerusalém





Jerusalém é tida como a Cidade Santa e um templo de Jerusalém aparece em destaque, pois chegará o tempo em que nossa pátria será Jerusalém e Jesus Cristo viverá, reinará e governará a todos de lá. 


Outros elementos

Vários foram captados por mim no clipe, como:


Templo







O clipe é iniciado com a entrada de um templo suntuoso e belo. Há uma aproximação dele, até que passamos por seus umbrais e somos apresentados à outros elementos do vídeo. É interessante como há uma sincronia entre a aproximação do portal do templo com o trecho "Abram os portões", como se o telespectador pudesse participar da ação. 


Elementos da natureza




O clipe conta com vários elementos naturais como estrelas, lua, mar e montanhas, o que demonstra que o rei da glória é dono de todo universo, de toda vida, criação e criatura (Só de ler isso que escrevi já até me arrepio).

E é assim que o rei da glória age: orquestrando e movendo céus, terra, montanhas, lua e estrelas. O interessante é que cada um dos elementos é colocado aos poucos, de forma gradual, demonstrando esse controle do Senhor de mover ou colocar elementos da natureza como bem desejar. 




Constatei outros fatos curiosos sob esse tópico. São eles: Quando se canta "Dele é o céu", imediatamente aparece na tela imagens de um planeta colorido; quando se entoa "Dele é o mar" surge um oceano subindo da base até o topo do vídeo; quando se canta "O seu rosto como sol" aparece o fogo; no trecho "Os seus olhos como farol" surge a imagem de um olho relampeando; e quando se diz "Os montes são trazidos ao chão" as colagens de montanhas vão ao chão. Recursos geniais!









Universo




O universo é um dos destaques do vídeo. Aparecem céus, mares, sol, lua, montanhas, foguetes, terras e estrelas. Tudo isso para contar a história do rei da glória. Mais uma vez, assim como em Deus meu, Flauzilino Jr e Trentino utilizam imagens da natureza, seja da fauna ou da flora. 













Detalhes que não passaram desapercebidos





Mesmo com um fundo escuro, é um clipe que conta com muitas colagens coloridas. Além delas, ajudando no tom alegre, estão as matizes de cores e degradês (Para quem não sabe me amarro em um tom degradê).

Destaco também o momento final do vídeo quando a imagem é esmaecida. 


Letra




"Abram os portões 
Abram os portões 
Pra que entre o rei da glória 
Abram os portões"

A letra é iniciada com a abertura dos portões para a entrada do rei da glória. 



"Dele é o céu 
Dele é o mar 
Dele é a terra 
E o que nela há"

Logo depois se fala que este rei é dono de todo universo. 



"Quem é esse? 
Quem é esse? 
As montanhas se escondem 
Os montes são trazidos ao chão"

Momentos depois fala-se do poderio de Jesus



"Quem é esse? 
Quem é esse? 
O seu rosto como o Sol Seus olhos um farol na escuridão"

A partir daí, a letra descreve a aparência do rei da glória. Nessa parte mostra o olho de Jesus relampeando.



"Quem é esse? 
Quem é esse? 
Que não cabe no universo 
Mas habita em meu coração"

Depois fala da dimensão de Jesus, que é imensa, mas que pode habitar num coração contrito. Daí as imagens e colagens de elementos da natureza e do universo.



"Ele é o rei da glória
O rei da glória
Que pra sempre vai reinar e em
Justiça governar o seu povo"


Essa parte fala de um futuro próximo, em que Jesus governará o mundo com sua equidade e poder. 


"Ele é santo
Ele é rei
Tu és digno
Pra sempre amém"

A música é finalizada com esse reconhecimento.



Essa foi uma singela análise do clipe Abram os portões, que contou com vários elementos e símbolos cristãos.

E você?! Já conhecia essa música e clipe? O que achou dos pontos abordados? Digam tudo nos comentários! J-J


Por: Emerson Garcia
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