sexta-feira, 22 de junho de 2018

Desrespeito, misoginia e assédio tem os mesmos significados tanto no Brasil, como na Rússia ou na Casa do Chapéu



O desrespeito é desrespeito tanto aqui no Brasil, como em qualquer parte do mundo. O machismo é machismo tanto em terras brasileiras, como na Rússia. A misoginia não deixa de sê-la se estivermos em outro lugar. O assédio, será sempre assédio em qualquer país. Limites culturais, geográficos e linguísticos não podem servir como subterfúgios para se cometer atitudes execráveis de cunho sexista, misógino ou de gênero. As consequências dos vídeos que envolveram brasileiros em "brincadeiras" com russas e um russo demonstram que suas atitudes são erradas, tanto a níveis nacionais, quanto internacionais. Ninguém admite os vídeos como momentos descontraídos, isto é unanimidade. 

Mesmo que os indivíduos com as blusas da seleção estivessem no Brasil, não seriam aplaudidos ou apoiados. Embora aqui a sexualização e objetificação dos gêneros sejam afloradas e comuns (Só lembrarmos que "Novinha na pica", "Ela quer pau" e "Vai, faz a fila e vem uma de cada vez" são letras de funks de sucesso e "cultura"), se os mesmos brasileiros fizessem uma selfie com uma brasileira, a questão não ia ficar boa para o lado deles. Seria desrespeito do mesmo jeito e eles sofreriam as consequências. 





Ao estarem na Rússia, acreditaram que tudo seria visto como trollagem (Parecida com as que brasileiros fazem com argentinos, sabem?!). Eles deviam ter pensado: "Ah, elas não entendem esses termos. Então vamos falar para repetirem que não dará nada". Só que voltamos ao que disse no primeiro parágrafo: não existem linguagens diferentes para desrespeito, misoginia e assédio. E foi aí que os brasileiros fracassaram. E tanto, que as leis russas são muito mais severas que as nossas e as 'pessoinhas' foram denunciadas formalmente no país e ainda devem ter que se desculpar publicamente tanto para a mulher, quanto para todos os cidadãos russos.  

Não há como justificar a atitude dos rapazes como uma brincadeira "porque as russas não entendem nossa língua". Quer dizer que só seria desrespeito se elas compreendessem? Não devemos analisar a situação a partir das moças, mas dos rapazes e do que falaram. Em cinco vídeos que assisti foram misóginos, desrespeitosos e homofóbicos, ao dizerem frases como: "Essa é bem rosinha! Essa é bem rosinha! Buceta rosa! Buceta rosa!", "Eu quero dar a buceta para vocês", "Vou dar a buceta loira para o Thiago", "Chupar xoxota é uma coisa linda", "Eu sou viado" e "Eu dou para o Neymar". Pouco importa se o clima era de descontração, se as moças e o rapaz russos entraram na brincadeira e repetiram também, se sabiam ou não os significados das frases. O que importa mesmo é como ainda demonstramos desrespeitos, misoginias e homofobias em frases que acreditamos serem simplórias, divertidas, descontraídas e "leves".    




Frases como essas demonstram como há um menosprezo pelo sexo feminino, como a objetificação de gêneros é latente, como sexualizamos todas as situações (Até as que não precisam) e como reproduzimos padrões, estereótipos e preconceitos seja com mulheres, homens, gays, transgêneros, etc. Quando reduzimos uma mulher à apenas "sua vagina" ou quando estereotipamos gays, mesmo que seja por brincadeira, temos sérios problemas. Mas não é de se estranhar que essas frases foram ditas por brasileiros, uma vez que nas terras Tupiniquins há uma banalização do sexo (seja na sociedade ou na música) e onde o preconceito contra a comunidade LGBTQ+ é velado.  






As atitudes dos brasileiros na Rússia só foram reproduções de como nos comportamos aqui no Brasil. Agora imagina vocês como seremos vistos pelo mundo por conta de um grupo de metidos à gostosões? A imagem negativa só irá crescer. "Ah, as pessoas daquele país não respeitam as mulheres, levam tudo na brincadeira e para o lado sexual". Sabemos que nem todos os homens brasileiros são assim, mas seremos vistos assim por conta deles. Em comparação à outros países, no quesito respeito estamos perdendo de goleada, e ela é bem pior do que o fatídico 7 X 1 que levamos da Alemanha em 2014. Até podemos esquecer desse jogo decepcionante, mas dificilmente nos esqueceremos de como os brasileiros trataram as mulheres (Antes de russas, MULHERES!) e um russo - ainda jovem, mas que nem por isso os brasileiros deixaram de fazer brincadeiras de cunho homofóbico com ele. 






Ainda tiveram pessoas com a coragem de falar que não houve assédio nos vídeos, por que "ninguém forçou eles a fazerem nada". Quer dizer que não é assédio se me aproveito de uma pessoa, por ser estrangeira, e peço que repita frases que ela desconhece? Isso é de uma violência tremenda não só à pessoa, mas a todos os seres humanos. Mais do que violar uma pessoa corporal ou verbalmente, eles as violaram quando a desrespeitam. A violência psicológica e emocional equipara-se à física. Os brasileiros talvez não tenham a noção da gravidade que fizeram com essas pessoas. Foi mais do que um murro na cara, um soco no estômago ou uma penetração sexual forçada.  







A situação não é amenizada porque tem sorrisos, brincadeiras e descontração nos vídeos. Os sorrisos apareceram em sinal de desconforto, timidez e inocência, por não saberem o que estava sendo dito e para entrarem na onda de "gaiatos", que preferem levar tudo na esportiva, não sabendo a gravidade do que dizem e do que pedem para os outros repetirem. Foi quase como se os brasileiros drogassem e embebedassem as russas e o russo, fizessem de tudo com eles, rissem deles e ainda os obrigasse a tirarem sarro de suas próprias desgraças. Quando uma pessoa não tem noção de uma situação, isso não é engraçado; quando alguém se aproveita do outro, porque ele não entende sua língua, isso também não é para rir; quando alguém se diverte com o outro e este não tem entendimento disso, isso não é brincadeira; quando um grupo de indivíduos junta-se para fazer chacota com alguém, isso não é aplaudível. Pelo contrário, em todas essas situações os brasileiros foram de uma covardia incomensurável.   






Contudo, graças às leis - tanto brasileiras como russas - que toda ação tem uma consequência. Não é porque os brasileiros estão em outro país que estão imunes à elas. Afinal, o desrespeito, misoginia e assédio possuem os mesmos significados tanto no Brasil, como na Rússia ou na Casa do Chapéu. Os brasileiros já estão enquadrados nas leis russas; um dos envolvidos em um vídeo já foi demitido do seu cargo na LATAM; uma nota de repúdio foi divulgada pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado; e o Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) abriu um inquérito criminal contra os brasileiros, onde apurará um suposto crime de injúria. Atitudes como essas não passarão e jamais hão de passar.

Vídeos como os divulgados só demonstram que ainda temos muito a aprender sobre respeito ao próximo, à mulher, ao negro, ao homossexual e ao estrangeiro. O respeito deve caber em todo, qualquer lugar e com qualquer pessoa. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Quinta de série: Young Sheldon

Pode conter spoilers!






Mais um Quinta de série no ar, galera! A série dessa semana chama-se Young Sheldon (já fiz um Primeiras Impressões sobre aqui). Derivada de The Big Bang Theory (falada no blog), a produção já conta com uma temporada completa de 22 episódios. A série é exibida pela CBS e Warner Bros, criada por Chuck Lorre (TBBT e Mike & Molly) e Steven Molaro e produzida por Timothy Marx. O elenco conta com Iain Armitage, Zoe Perry, Lance Barber, Raegan Revord e Montana Jordan e narração de Jim Parsons (TBBT).

YS conta a história da juventude do nerd mais amado e odiado de TBBT: Sheldon Cooper. Nela, Sheldon está com 9 anos de idade e os traços de brilhantismo, antissociabilidade e chatice que conhecemos começavam a aparecer. Ele é um garoto peculiar, que entra no Ensino Médio muito cedo e tem que lidar com a escola, sociedade e, principalmente, sua família - que ao contrário dele é bem comum.

A mãe de Shelly, Mary, é uma dona de casa religiosa e simples. O pai, George, é um treinador de futebol fracassado. Sua irmã gêmea, Missy, não parece em nada com ele tanto física, como psicologicamente. Georgie, o irmão mais velho, é burro e mal educado. Cada um deles aprende a lidar com a genialidade de Sheldon Cooper, que acaba por ser o centro das atenções da família. Tarefa não tão difícil para sua avó, Meemaw, que admira seu jeito genial de ser. 





YS foca na dinâmica familiar, em como lidar com gênios na família e nos conflitos, desafios e peculiaridades do jovem Sheldon. Há, quase sempre, uma carga dramática ao explanar esses temas, mas os momentos bem humorados e divertidos estão presentes. 

Tecnicamente, a produção não conta com o recurso "saco de risadas", costumeiramente usado em sitcoms. O estilo de câmera também é diferente do utilizado no gênero: as filmagens são em estilo de filmes com apenas uma câmera; e não com cortes e closes, com multicâmeras como em TBBT. A fotografia de YS também é melhor trabalhada e produzida, assim como o figurino e trilha sonora.


Personagens

Vários personagens interessantes, criativos e divertidos aparecem de forma recorrente em YS. Não falarei de todos, pois o post ficaria maior do que precisaria. Desse modo, falarei dos principais e de apenas alguns recorrentes. Veja:



Sheldon Cooper: protagonista da história, Sheldon tem uma mente única, capaz de fazer cálculos matemáticos difíceis, com ideias físicas avançadas e a capacidade de realizar experimentos científicos dignos de um PhD. É apaixonado por física, astronomia, pelo programa do Dr. Próton, revistas em quadrinhos e trens. Apesar do enorme Q.I., Sheldon não possui uma boa socialização e compreensão do comportamento humano, o que o deixa mais peculiar ainda. Shelly também questiona a existência de Deus. Para ele, a única religião é a ciência. 




Mary Cooper: é a matriarca da família Cooper. Ela é protetora ao extremo com relação ao Sheldon, o que gera ciúmes em Missy e Georgie Jr. É religiosa fanática e vez ou outra tem algum embate com Shelly por conta disso. 





George Cooper: patriarca dos Cooper's, é treinador de futebol em Medford High. A genialidade de Shelly não é encontrada nele, o que faz as pessoas à sua volta duvidarem que seja mesmo pai do garoto. Tem dificuldades de lidar com o gênio mirim, mas é cheio de amor e proteção para com ele e seus irmãos. 





Georgie Cooper Jr.: é o irmão mais velho de Sheldon e muito diferente dele. Georgie é burro, não gosta de estudar e tem costumes que fogem à qualquer regra de etiqueta. Despreza Sheldon por ameaçá-lo com sua inteligência e confiança. 





Missy Cooper: é a irmã gêmea de Sheldon, que vive o provocando e competindo com ele (Aquela coisa de irmãos né?!). Missy é alegre, sociável, ama lazer e possui uma mente evoluída para alguém de sua idade. Missy aproveita os prazeres de sua idade como ninguém. 





Meemay (Connie): ama seus netos e sua filha Mary mas não gosta tanto de seu genro George. Possui paciência e compreensão com a genialidade de Sheldon, por quem tem uma relação de amizade interessante. Meemay tem a mente aberta sobre as coisas da vida, ama bons drinks e namorar. 





Tam Nguyen: melhor amigo de Sheldon (Quer dizer, o único amigo dele). Tam é um vietnamita-americano que apresenta à Sheldon o mundo dos jogos RPG e quadrinhos. 





Dr. John Sturgis: é o interesse romântico (OTP) de Meemay. John é um professor de física da faculdade apaixonado pela avó de Shelly, só que ela é uma senhora difícil de lidar. Em três episódios, já me apaixonei por esse personagem - ele é fofo, romântico, inteligente e tem uma voz engraçada e gostosa de ouvir. 



Referências noventistas


YS se inicia no final dos anos 80 e início dos 90, em 1989. Há inúmeras referências aos anos 90, desde músicas, veículos, figurinos, cortes de cabelo, até programas de TV, filmes e bandas. O cabelo de Georgie, por exemplo, estava super em alta na época, assim como as roupas xadrez e o jogo Dungeons and Dragons. Veja:






































Young Sheldon já começa com referências noventistas quando é tocado Walk Of Life de Dire Straits, uma banda da época retratada. Ouça:






Ô, saudades dessa época heim? Ouça outras soundtracks de YS aqui.



Estrutura dos títulos dos episódios


Cada episódio tem um título com três palavras que fazem referência aos momentos e situações vividos nele. Veja alguns: Rockets, Communists and the Dewey Decimal System (1X02), An Eagle Feather, a String Bean and an Eskimo (1X10), Killer Asteroids, Oklahoma and a Frizzy Hair Machine (1x16) e Vanilla Ice Cream, Gentleman Callers and a Dinette Set (1X22).



Curiosidades


YS tem várias curiosidades, algumas delas que nem tinha conhecimento. Confira uma seleção que fiz:




1- Jim Parsons que teve a ideia do spin-off

Sabia que foi o próprio intérprete do Sheldon adulto quem teve a ideia da série derivada?! Ele tem o costume de conviver bastante com seu sobrinho, que é inteligente e um gênio, e foi daí que surgiu a inspiração para YS.






2- Atrizes familiares


A mãe de Sheldon em TBBT possui muitas semelhanças físicas com a do jovem Sheldon, isso porque as atrizes na vida real são mãe e filha! Isso mesmo! Laurie Metcalf é mãe de Zoe Perry!






3- O ator que faz o pai de Sheldon já esteve em TBBT!


Você sabia que o intérprete de George já apareceu em um episódio de TBBT? No décimo-primeiro episódio da quinta temporada de TBBT, Lance Barber interpreta Jimmy Speckerman - um valentão que fazia bullying com Leonard nos tempos da escola. 






4- Easter-eggs

A melhor curiosidade! Em YS há muitas referências e easter-eggs à TBBT, como a canção Soft Kitty, o programa do Professor Protón e o amor de Sheldon por trens.



É possível haver um crossover entre TBBT e Young Sheldon?


Sim, é possível porque TBBT já utilizou de vários flashbacks e de histórias contadas sobre a vida não só de Sheldon, como de seus amigos nerds. Desse modo, é permissivo que em YS se tenha flashforwards (momentos do futuro de Sheldon) e em TBBT flashbacks da infância e juventude de Sheldon. A produção também poderia criar uma timeline alternativa e trazer o jovem Sheldon para os dias atuais em TBBT e levá-lo, adulto, para os anos 90. 

Contudo, Chuck Lorre disse que há um desafio à frente se os produtores forem pensar em um crossover das duas séries:


"As pessoas entram na sua vida em 1989 e o impactam de muitas formas, então, estamos procurando maneiras de entender como que The Big Bang Theory poderia influenciar a história contínua de Young Sheldon".



Outra ideia é trabalhar com as versões adultas de personagens de YS em TBBT, inclusive no final da décima-primeira temporada desta última vimos as versões adultas de Missy e Georgie Jr. Veja o comentário de Lorre sobre isso:


“Existem pessoas jovens na vida de Sheldon que talvez nós venhamos a conhecer na sua fase adulta." 


Por último, percebemos uma sincronia entre as séries e como elas se complementam. Histórias, memórias e personalidades de personagens narrados em TBBT são trabalhados por outro ângulo e, às vezes, mais à fundo em YS. Sinto que há muito ainda à ser explorado nesse sentido. 



Audiência




YS obteve uma aprovação de 71% no site Rotten Tomatoes e uma classificação de 6,8 em uma escala que vai até 10. 


Crítica




Esta é uma série rápida, simples, mas com muitas lições e histórias nos bastidores. Talvez ela seja mais reflexiva que sua série-mãe por tratar de temas como: criação de filhos, preconceito, religião, ciência, família, genialidade e síndrome de Asperge. O tom dela varia entre drama e comédia, mas sem torná-lo artificial. YS emociona, reflete e faz sorrir.

A interpretação dos atores estão incríveis, principalmente de Iain Armitage como Sheldon; Annie Potts, Meemaw; e Zoe Perry, Mary. 

As referências aos anos 90 e à TBBT foram muito bem colocadas. A fotografia e figurino, por sua vez, estão bem produzidos e montados.

Esta é uma série para quem já tem alguma certa afinidade com o Sheldon Cooper adulto. Mas para quem não tem ou não assistiu à TBBT, também é válida por tratar de temas importantes e por estar fora da órbita de roteiro da série-mãe. 



Sobre a segunda temporada


A série foi renovada no dia 6 de janeiro de 2018 pela CBS. Parece que o carisma do protagonista e de outros personagens caíram no gosto do público. Veja o que o presidente da CBS Entertainment disse sobre o segundo ano do jovem Sheldon:

“Mal podemos esperar para ver a visão dos produtores sobre como a família Cooper lidará com Sheldon ficando mais velho e mais inteligente”.


Espero que tenham gostado do QdS de hoje. Esse é mais um entretenimento para cada um de vocês! J-J










Por: Emerson Garcia

terça-feira, 19 de junho de 2018

21 cartazes das Copas do Mundo



Chegamos ao último post da Semana da Copa. Para finalizá-la apresento 21 cartazes de todas os eventos do mundial. Os posteres/cartazes são usados para divulgação desde o início da Copa do Mundo em 1930, no Uruguai. As Copas do Mundo de 1942 e 1946 foram suspensas devido à Segunda Guerra Mundial e, com isso, não tiveram cartazes também. As primeiras logos foram usadas a partir de 1954 e 1962, nas Copas da Suíça e Chile, respectivamente. 

Os posteres e cartazes não são apenas divulgação, mas obras artísticas e de design que precisam ser observadas e apreciadas. Por isso, irei comentar os 21 cartazes a partir de um ponto de vista próprio, analisando seus elementos, cores, estéticas da época, relação com o país sede do mundial, beleza, relevância e até que ponto podem, ou não, serem lembrados. 

Vamos lá?!



1- Uruguai (1930)



O primeiro cartaz a gente não esquece! Ele fora muito bem construído espacialmente com traços e figuras geométricas. O goleiro ocupa de forma assertiva o retângulo maior. Acredito que estudou-se proporção para criar esse poster. As fontes, por sua vez, dão um ar inovador e vanguardista para a época e me lembra os cartazes da Semana da Arte Moderna




2- Itália (1934)



O jogador foi concebido a partir de uma tecnologia avançada para a época. Embora o 3D atualmente esteja mais avançado, aqui ele aparece de forma interessante. O fundo claro do cartaz contrasta com as outras cores. Aproveitou-se bem os espaços e não há poluição escrita ou visual. 




3- França (1938)



A imagem do jogador com a bola, em cima do globo terrestre é simétrica e verticalizada. A predominância são cores escuras e terrosas, como marrom e amarelo queimado. O verde de "Coupe du Monde" contrasta com o marrom. Os dois posteres anteriores são mais bonitos que esse, em minha opinião. 




4- Brasil (1950)



Até aqui, uma bola de couro fez parte de todos os posteres. Esta que era um símbolo do futebol da época e que passou por várias repaginadas. Neste poster ela aparece de forma imponente e em maior tamanho, no pé de um jogador com uma meia com os países competidores daquele mundial. 



5- Suíça (1954)



O segundo poster que apresenta um goleiro. Neste cartaz a bola ganha mais ênfase, enquanto o goleiro se dispõe na vertical. Em minha opinião este é um dos cartazes mais feios, por não haver um cuidado artístico, muito menos o destaque da cultura e simbologia suíças. 




6- Suécia (1958)



Não gosto de imagens com letras pretas e fundo amarelo e vice-e-versa por achar feio e com um ar de "sujo". A imagem do jogador e da bola de futebol foram bem colocadas na arte. O jogador de futebol está na parte inferior e a bola na superior e, proporcionalmente falando, há diferenças entre eles. Achei interessante a faixa com as seleções competidoras que, inclusive, tem a bandeira da Fifa também. 





7- Chile (1962)



Até agora, este é o cartaz mais minimalista e simples já apresentado. O azul piscina predomina em comparação com o branco, que aparece apenas em palavras na base da imagem. Em minha opinião não houve um compromisso com esse cartaz. Tudo foi jogado ao acaso: "Ah, vamos colocar um fundo azul e colocar uma bola grande em um globo terrestre também grande e está bom". Não gostei do resultado final. 




8- Inglaterra (1966)



O primeiro, desde 1930, a trazer o mascote em um cartaz e o único - já que nos próximos também não estão presentes. Há uma distância muito grande entre o Willie e a bola de futebol, o que não ficou interessante ao meu ver, pois há muito espaço azul, o que me incomodou. A repetição de "World Cup" por duas vezes (Na roupa do leão e no topo do cartaz) tornou-o pouco interessante. O que gostei de relevante foi o mascote e a logo no cartaz, mas eles deveriam estar melhor alocados.    




9- México (1970)



Um dos melhores cartazes até agora. Apenas trocaria esse rosa choque "Mamãe sou gay" por um degradê (Não sei se tinha isso na época, maaas...) das cores verde, branco e vermelho da bandeira do México. No mais, gostei da fonte de "Mexico 70" e da contabilização da edição do Mundial logo abaixo. Seria interessante que adotasse em todos os cartazes o lugar e o ano que acontece a Copa, por exemplo: Rússia 18, Brasil 14, Coreia do Sul/Japão 02 e França 98



10- Alemanha (1974)



Neste cartaz utilizou-se a pintura. Gostei muito do desenho do jogador, sob um fundo mais escuro e marrom (Deu maior destaque). O poster apresenta frases em três línguas - inglês, português e francês - o que demonstra a globalização do evento. No canto superior esquerdo há a logomarca que aparece pela segunda vez depois do cartaz da Inglaterra em 1966. Só tenho uma ressalva: as informações de data e os estádios poderiam estar em uma fonte maior. 




11- Argentina (1978)




O cartaz traz as cores azul e branco do país em maior destaque e as informações todas à esquerda, o que deu respiro e descanso para o desenho principal. Este possui vários pontinhos e círculos. Na parte lateral, os designers repetiram várias ações, como: trazer o nome do país e o ano; colocar a logo do evento, entre outros. 




12- Espanha (1982)



De novo a arte aparece em foco. Criado por Picasso, é um dos melhores cartazes ao trazer a arte modernista e cubista, com um jogador que chuta uma bola para o gol (Não parece, mas é exatamente isso, acredite!). Na parte superior, há a palavra "España" e na inferior "82" todas estilizadas artisticamente. Optou-se por colocar todas as palavras em espanhol nesse cartaz. Ele também traz a logo do evento. 




13- México (1986)



Dessa vez o México apresentou sua cultura no banner, ao trazer a sombra de um jogador cabeludo em um dos monumentos mais conhecidos do país. A bola é realística e a fonte possui semelhanças com a utilizada na Copa de 1970.




14- Itália (1990)



Um cartaz que misturou o antigo e o moderno. Seu criador, Alberto Burri, editou uma fotografia do Coliseu em preto e branco e inseriu em seu interior um campo de futebol com as bandeiras dos países participantes daquela Copa. O resultado é como se o coliseu fosse, verdadeiramente, um estádio de futebol. Bonito, né?!





15- Estados Unidos (1994)



Os designers utilizaram as cores da bandeira americana (branco, azul e vermelho) para criarem o poster desta Copa. Com bolas de gomos vermelhos formou-se os algarismos "9" e "4". Abaixo dos números há um mapa do país americano, onde bolas são ligadas por traços nos estados onde houveram os jogos. A fonte escolhida relembra as inscrições de bares do Velho Oeste americano. 




16- França (1998)



Mais uma vez a pintura é utilizada na criação de um poster. Ele retrata um estádio futebol, com a vibração da torcida, jogadores em campo, juiz etc. Cheio de formas geométricas - retângulos, traços e linhas - lembra bastante os retângulos da bandeira francesa. As cores branco, azul e vermelha aparecem na base do cartaz de forma discreta mas em alusão à bandeira. O idioma do banner é todo em francês. 




17- Coreia do Sul e Japão (2002)




Mais uma vez a pintura e arte são retratadas em um banner. Ele contém a logo na parte superior direita e as informações do evento na parte oposta. A escolha da fonte e cor dão clareza e tiram todas as dúvidas. No centro do desenho, o desenho minimalista da Taça Fifa é repetido. Discretamente, as cores dos países-sede estão representadas: vermelho, azul e branco. 




18- Alemanha (2006)




Pela primeira vez na história, um poster foi escolhido com a ajuda do público. Eles votaram no cartaz que mais os agradava em um concurso por telefone. Foram quase 50 mil ligações e mensagens de texto em cinco dias de competição, até que este foi escolhido. Revelado em Stuttgart, Alemanha, o cartaz é ilustrado com estrelas em um céu que formam uma bola de futebol. O tom azul é elegante e bonito e as palavras escritas em branco trouxeram conforto e tranquilidade. A ideia foi totalmente inovadora e com certo simbolismo. Talvez seja um dos posteres mais subjetivos e fantasiosos de todos os apresentados. 




19- África do Sul



O cartaz não representa apenas a África do Sul, mas todo o continente africano - que pela primeira vez teve uma copa sediada. É um poster muito bem construído, em que o rosto de um africano forma a África e encabeça uma bola de futebol - a Jabulani. Composto pelas cores marrom, vermelho, verde, amarelo e preto, representa não só as cores da África do Sul, mas de outras africanas. Na parte inferior direita há a logo em forma de selo. 



20- Brasil



Com uma logo e mascote criticados, o poster da Copa no Brasil se redimiu um pouco. Ele ilustra dois jogadores de futebol que chutam uma bola e que formam o desenho do mapa brasileiro. Há vários degradês entre as cores verde, azul e amarelo e o vermelho, sem explicação (aliás serviu como um degradê passando do laranja até chegar no amarelo de novo), lembram a cor da nossa bandeira. Há estampados em desenhos o carnaval, fauna, flora, calçada de Copacabana que são clichês da nação que dificilmente um estrangeiro desconheça. Na parte superior direita há a logo do evento e mais abaixo os patrocinadores - que pela primeira vez são apresentados em um banner. 



21- Rússia



Um cartaz retrô que muito me agrada. Nele está estampado o ex-goleiro russo Lev Yashin que continua a ser o único da história a ganhar uma Bola de Ouro como o melhor do mundo. 


Lev Yashin, considerado o maior goleiro de todos os tempos. O único goleiro a receber a Bola de Ouro. I Internet



O poster tem inspirações do Construtivismo Russo, ao apresentar formas geométricas como círculos, linhas e retângulos. Ele lembra bastante cartazes antigos de propaganda política soviética, mas sem cores fortes e intensas como o vermelho. Aliás, o verde, laranja e amarelo claro trouxeram mais leveza e alegria. 


Cartaz Soviético. I Internet 



Lev agarra uma bola antiga que tem o mapa da Rússia estampado. Esta parece "soltar raios", lembrando o Sputnik, o primeiro satélite criado por um russo. 


Sputnik sendo lançado. I Internet



O cartaz mistura conceitos antigos e retrôs com tecnologia russa (soviética) e design atuais, mas sem levar isso para o campo político. Ele é todo escrito em russo e traz a logo do evento no canto inferior direito. 

Este banner lembra muito o primeiro da Copa no Uruguai, há 88 anos, por trazer também um goleiro e ser construído quase na mesma posição. As cores usadas entre ambos também são parecidas e semelhantes. Veja e compare:






Confira a incrível concepção e apresentação do cartaz russo, em um vídeo divulgado pela Fifa:







OBS.: Pela segunda vez em um banner (Depois do do Brasil) são apresentados os patrocinadores do evento na parte inferior. Acredito que esta será uma tendência nos próximos cartazes. 



Gostaram dos cartazes? Qual(is) o(s) seu(s) preferido(s)? Chegamos ao fim da Semana da Copa. Agradeço a participação, interação e comentários de cada um. Com certeza foi uma Semana marcante. No decorrer da Copa outros posts podem ser criados e postados, dependendo da importância ou criatividade dos temas. Até mais! J-J

























Por: Emerson Garcia
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