domingo, 18 de fevereiro de 2018

O carnaval que é o ano inteiro na política




Carne Vale é uma expressão latina que significa “adeus à carne” em referência ao período da Quaresma que se aproxima, liturgicamente marcado pelo jejum e por outras penitências e sacrifícios. Consequentemente, meio que para tentar compensar a carência vindoura, não é de se estranhar que, durante essas festividades, as pessoas se acostumaram a abusar da carne, doces, álcool, desejos sexuais e de quaisquer outras coisas que possam vir a ser objeto das suas futuras abstenções.

Certas autoridades e políticos, no entanto, apesar de não se absterem de fazê-la ao longo do restante do ano, aproveitam esse período para abusar ainda mais da paciência e passividade do povo brasileiro. A última veio do Diretor-Geral da Polícia Federal, que novamente se manifestou descabida e publicamente para defender o presidente na única investigação ainda pendente contra ele, no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à agência Reuters, Fernando Segóvia afirmou não haver indícios de que o decreto dos Portos, sancionado por Temer em maio de 2017, tenha beneficiado a empresa Rodrimar, aventando, ainda, a possibilidade de punição do delegado encarregado do inquérito.

A festa, também, é marcada pela inversão geral das regras e convenções cotidianas. As pessoas se fantasiam, rico se mistura com pobre, homem se veste de mulher. Por que não aproveitar, então, para desautorizar outros magistrados e mandar soltar presidiários? Essa foi a contribuição de Gilmar Mendes, “muso” multi-homenageado nessa época, ao conceder a liberdade ao ex-secretário de Saúde de Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes, preso na Operação Fatura Exposta, desdobramento da Lava Jato no Rio. Afinal, como disse o próprio beneficiado: "as putarias têm que continuar”.

Se bem que, nesse quesito, como na Bahia, o Carnaval de Gilmar é o ano inteiro. Ele já havia concedido habeas corpus aos empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, presos naquela mesma operação. Livrou também o ex-governador Anthony Garotinho, o ex-médico estuprador Roger Abdelmassih (que depois fugiu para o Líbano), o ex-banqueiro Daniel Dantas, entre outros casos ilustres. O empresário carioca Jacob Barata Filho, mais conhecido como “Rei do ônibus”, deve ter mais prestígio que o Rei Momo. Foi solto pelo Ministro três vezes seguidas.

Para todos esses abusos, só há um remédio possível. Passada a ressaca da folia, a população precisa limpar o glitter, despir sua fantasia de palhaço e encarar a realidade o quanto antes. Para conseguir mudanças positivas no país, as pessoas terão que atuar juntas, conscientizando-se umas às outras e mobilizando-se para formar um bloco cada vez maior, mais organizado e coeso para lutarem por aquilo que querem. Sem pressão, nenhuma das pautas que efetivamente interessam ao Brasil - a exemplo de uma ampla reforma política, incluindo o fim do foro privilegiado, - vai avançar no Congresso. Daí, então, o cavaco não será o único a chorar... J-J


Por: Regis Machado, auditor do Tribunal de Contas da União 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A mensagem do sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo em 'Ressuscitou' de Marine Friesen



No dia 30 de novembro do ano passado a cantora Marine Friesen lançou seu segundo cd intitulado Ressuscitou. Marine é uma das novas vozes da música gospel, tendo seu início de carreira no Diante do Trono através de um projeto de novos artistas. 

Seu primeiro trabalho solo, Alfa e Ômega gravado em estúdio e ao vivo, à deu visibilidade e à colocou nas principais rádios evangélicas com a canção Alfa e Ômega - que inclusive é cantada na minha igreja. 

Marine tem uma voz diferenciada, rouca e grave. Esta demonstra a própria identidade da cantora. Quando ela canta, produz sensações diferentes ao ouvido e é como se quiséssemos que ela continue soltando a voz. 

Ressuscitou é um álbum de estúdio lançado pela MK Music. Confesso que Marine arriscou-se bastante em voltar para o estúdio, uma vez que ela possui uma desenvoltura em álbuns ao vivo - vide os cd Alfa e Ômega  e Alfa e Ômega: Nova versão - onde ela teve presença de palco, afinidade com o público e possibilidade de criar espontâneos e momentos devocionais. Não que Ressuscitou seja uma obra ruim, mas é porque já estava acostumado com ela cantando ao vivo.

Seu novo cd conta com 11 faixas, contendo a versão de Vasos Quebrados (Broken Vessels) do Hillsong e uma regravação de Águas purificadoras do Diante do Trono.  Ele conta com várias participações especiais, aliás um número razoavelmente bom delas: Nívea Soares, em Por amor; Ana Paula Valadão, em Como eu te amo; e Mariana Almeida, em Melodia do Céu

O projeto tem uma linha de mensagem propagada. A principal delas é o sacrifício vigário de Jesus que salvou a humanidade, mas também o grande evento da ressurreição. Para mim, esse foi um excelente presente para a época de natal. Interessante um cd que conta a história de Jesus Cristo.

A obra tem uma grande veia congregacional, com várias músicas com refrões fortes, mas também tem uma pegada intimista e de adoração. Ele não conta com muitas faixas dançantes, exceto a primeira, Emanuel, e a última, Tudo posso

Destaco as seguintes canções: Eu quero estar, Por amor, Mestre do Amor, Vasos quebrados, Ressuscitou e Salmo 91.





















Eu quero estar é uma música calma, mas que traz uma mensagem muito interessante. Acho uma canção doce e relaxante. O refrão diz assim: "Eu quero estar onde Tu estás Eu quero ser como Tu és Molda-me, meu coração é Teu".

Por amor tem uma excelente parte instrumental e teclados bem tocados. Essa é ideal para ser um louvor congregacional, por conta de sua facilidade musical e mensagem. Marine Friesen e Nívea Soares realizaram um dueto perfeito. Enquanto aquela tem um tom de voz mais grave, esta mais suave. "Por Teu sangue eu livre sou Teu amor me abraçou Não mais órfão, sou filho amado Em Teus braços seguro eu estou".

Mestre do Amor foi um dos primeiros singles lançados. A letra fala sobre o sacrifício de Jesus Cristo e o poderio D'Ele sobre a morte. A letra diz assim: "Aleluia, digno de louvor Aleluia, o meu resgatador Mestre do Amor"Esta música tem uma versão em clipe que você pode ver logo abaixo:






Vasos quebrados é a minha faixa preferida A versão dela na voz da Marine ficou muito boa. A cantora trouxe uma roupagem doce, porém intensa. Não existe refrão mais poderoso que esse: "Sublime graça, doce o som Que salva o pecador Fui cego e agora eu posso ver Perdido e me encontrou Agora eu posso ver Eu posso ver seus olhos de amor Pra que eu possa viver Sua vida ele entregou". Vasos quebrados, acredito eu que seja a única canção gravada ao vivo e com a presença do público, o que a deixou com um efeito interessante e arrebatador. Esta, com certeza, tem potencial para ser um verdadeiro hino de adoração!







Ressuscitou é a música-título do cd. À medida que ela é tocada, os instrumentos e a voz da cantora crescem e elevam-se. Aliás, o estilo de Marine, de começar suas músicas de forma suave e depois vir com toda a força, está bem marcado aqui, principalmente nessa parte: "Ressuscitou, o Cordeiro triunfou Adorarei a Cristo, meu Rei". Teclado, bateria e guitarra são bem presentes na música. Ouvindo com cuidado essa canção também percebi que ela foi gravada ao vivo.

Marine Friesen trouxe uma nova roupagem e percepção sobre o Salmo 91 - texto bastante conhecida da Bíblia. Sua releitura traz um dedilhar contido do violão, um teclado e violino bem intimistas. Gostei bastante do resultado. Coloco seu refrão: "Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita Nada o atingirá, nada o atingirá No abrigo do Altíssimo"


Capa


Uma publicação compartilhada por Marine Friesen (@marinefriesen) em



Os tons - branco e dourado - trouxeram certa beleza, elegância e ar sublime à capa. Esta é sóbria, sem exageros ou coloridos. O branco, tanto no fundo como na roupa de Marine, me trazem paz e esperança. O dourado, por sua vez, me remetem ao poder e à grandeza Daquele que ressuscitou. Fazendo uma análise minuciosa, percebi que as letras foram preenchidas com algo que me lembrou bastante a coroa de espinhos de Cristo. Além disso, o "O" de "Ressuscitou" é a própria coroa de espinhos.





Este é um cd que recomendo para aqueles que procuram uma voz diferente, porém bastante bonita. Além disso, o ofereço para quem gosta de canções mais calmas, congregacionais e de adoração. As músicas de Ressuscitou são marcantes e trazem uma ótima mensagem. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A hipocrisia dos haters de 'Surubinha de leve'



A versão "proibidona" de Surubinha de leve de MC Diguinho foi excluída das plataformas Spotify e Youtube no último dia 17 de janeiro por fazer apologia ao estupro e à violência contra as mulheres. A decisão veio logo após reclamações e denúncias de ouvintes que a consideraram pesada e agressiva. 

Retirar a música do ar somente agora revela a hipocrisia dos próprios ouvintes e amantes do funk. Aqueles que rechaçaram Surubinha de leve nas redes sociais, são os mesmos que a colocaram em primeiro lugar no Brazil Viral 50 do Spotify. Aliás, um dos últimos traz nas primeiras posições funks como Joga bunda e Que tiro foi esse





Há uma incongruência visível: a música retirada das plataformas é a mesma ouvida, consumida e dançada nos últimos meses. A cantora Ludmilla recentemente mostrou essa hipocrisia:






É facílimo bancar o politicamente correto na internet e dizer que a letra de MC Diguinho faz apologia ao estupro e no baile rebolar até o chão e querer ser chamada de novinha. Músicas como Surubinha de leve só fazem sucesso porque há quem goste das letras com teor sexual e da batida. Não por acaso que o funk é um dos ritmos mais consumidos no Brasil. Se as músicas forem proibidas então... Nem se fala.





Me pergunto por que somente agora houve a percepção da putaria no gênero e por que nos escandalizamos com uma letra proibida somente de janeiro para cá? "É porque a letra fala de estupro claramente, Emerson". Sério?! E o que dizer de sucessos como Todo dia (Pabllo Vittar), Tava no fluxo (MC Pedrinho), Vou botar (MC Don Juan) e Faz a fila (MC Denny)? Todas essas músicas são pesadas. A primeira trata a mulher como vadia, a segunda como uma novinha que só quer transar, a terceira como um objeto sexual e de prazer e a quarta como uma mulher - QUE PASMEM! - sofre abuso sexual e estupro (OLHA A APOLOGIA DE NOVO!). 

Em momento algum vi os mimizentos reclamarem de crianças que tratam a mulher como um objeto sexual com buracos "que só quer pau" ou que querem "botar nela". Pelo contrário, Tava no fluxo e Vou botar são as maiores febres em bailes funks. As meninas, ou melhor dizendo, as novinhas rebolam até o chão, dançam e cantam normalmente as letras que chamam elas próprias de safadas e fáceis.





Febre também verificada em Faz a fila que possui a aprovação de mais de 331 mil pessoas contra a desaprovação de 23 mil no Youtube de uma letra que faz apologia à violência sexual e um clipe com cenas quase explícitas de sexo. Assista:






O seguinte refrão mostra de forma clara a apologia e a violência sexual na música: "Vou socar na tua buceta sem parar; E se você pedir pra mim parar, não vou parar; Porque você que resolveu vir pra base transar; Então vem cá, se você quer, você vai aguentar". Faz a fila fala sem nenhum pudor de sexo, trata de estupro como se fosse algo normal e traz "novinhas" alegres e afoitas. Atitudes estas aprovadas pelos fãs de funk que curtem uma "boa putaria", como a própria cantora Ludmilla disse em um dos seus tuítes. 

O que percebo é que há dois pesos e duas medidas sobre a retirada da versão proibida de Surubinha de leve das redes sociais. Enquanto esta não está mais disponível no Youtube e Spotify, Faz a fila, Tava no fluxo, Vou botar - e tantas outras - ainda estão públicas nessas mesmas plataformas. Daí me pergunto: que diferença existe entre "Taca a bebida Depois taca a pica e abandona na rua" e "Vou socar na tua buceta sem parar; E se você pedir pra mim parar, não vou parar"? Nenhuma! Me admira o critério do Spotify de exclusão e mais ainda a hipocrisia das pessoas que criticam Surubinha de leve, mas a dançam na balada e também curtem e compartilham tantas outras proibidonas. 

















Logo após a exclusão da versão proibida de Surubinha de leve (Atualmente não é mais possível acessar a letra nem a música, como podem ver aqui), MC Diguinho lançou uma light divulgada em letra e vídeo na tentativa de amenizar a polêmica e não causar "interpretações erradas", como ele mesmo disse. Agora no refrão se canta: “Só uma surubinha de leve, surubinha de leve / Com essas mina maluca /Taca a bebida / Depois taca e fica / Mas não abandona na rua”. Veja o clipe:

  




A atual versão ainda não foi excluída das redes sociais, já que agora não há nada de absurdo, mesmo que o vídeo retrate mulheres fáceis e a suruba como algo normal (#ironia). Em minha opinião, entre a versão light e a pesada as pessoas ainda preferem esta última. É só lembrarmos das versões de Deu onda e vermos qual das duas fez mais sucesso. No final das contas, as fãs de funk gostam mesmo é de serem chamadas de novinhas, de uma sacanagem e de rebolarem até o chão (E não me convençam do contrário - é só ver as músicas que lideram as paradas por aí).

Então, antes de reclamar de Surubinha de leve e compartilhar a imagem abaixo, veja se não é hipócrita e não rebola até o chão ao ouvir "Quando ela bate com a bunda no chão", "Tava no fluxo Avistei a novinha no grau Sabe o que ela quer? Pau, pau", "Não espero carnaval pra ser vadia Sou todo dia Sou todo dia", "Vai passar mal Viro sua mente com meu corpo sensual Minha boca é quente, vem Não tem igual Tá todo carente no pedido informal Vai passar mal" - digo isto pois fiquei perplexo quando uma pessoa compartilhou a imagem, mesmo curtindo baladas, músicas de funk e dançando sensualmente em vídeos (Ser hipócrita a esse ponto não dá, né?).






Não me surpreende o teor de Surubinha de leve. O que me surpreende mesmo é a hipocrisia de seus haters que agora querem dar uma de santinhos e politicamente corretos, depois de terem curtido, dançado e ouvido a música, além de a terem rankeado. Conteúdos desse nível estou mais que acostumado em ouvir, o próprio MC Diguinho disse que "apenas fez uma música da realidade que ele vive e muitos brasileiros vivem". Realidade esta que sempre fora retratada pelos funks proibidões e aplaudida, dançada e cantada pelos fãs e ouvintes. J-J   


Por: Emerson Garcia

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Esse não tem sido um ano criativo para a Globo no que diz respeito ao Carnaval











Hoje é feriado de Carnaval e para essa volta do blog resolvi falar sobre a vinheta Globeleza 2018. A primeira vez que a vi tive a sensação de Déjavu, sabe? Cheguei até mesmo a pensar que fosse uma reprise e que em breve seria lançada a nova. Estava enganado, o que via era mesmo a propaganda de carnaval da Globo de 2018.

Ano passado fiz uma análise do novo conceito de carnaval e da mulher globeleza que a Globo lançou. Uma observação profunda, enaltecendo as inovações, mas também elogiando a vinheta. O que ocorre em 2018 é que parece que a emissora reciclou o vídeo de 2017, sem ao menos mudar alguns takes dos dançarinos, com a desculpa esfarrapada que é uma consolidação gráfica e uma evolução do conceito que fora trabalhado anteriormente.

Não seria possível consolidar a mensagem de 2017 sem reciclar o vídeo? Acredito que sim, já que nenhuma vinheta até o ano passado foi igual à outra. A Globeleza já foi caracterizada como indígena, avatar tecnológico e até com adereços metalizados (Leia mais sobre no Memória Globo). 

Em 2018 não houve uma nova gravação de vídeo, nem produtores e designers se debruçaram em criar artes ou colocar na tela os conceitos repaginados. O único trabalho deles foi inserir confetes, serpentinas, plumas, paetês, bois de Parintins, bumbos, bonecos de Olinda e máscaras de baile, além de criar um "novo" arranjo musical e inserir outros instrumentos de percussão, sopro e metal. Assista as vinhetas de 2018 e 2017 e compare:










As diferenças são quase imperceptíveis, mas tenho algo a comentar sobre a de 2018: por que mexer em uma vinheta que já estava consolidada e emperiquitar com elementos carnavalescos? Essa foi uma tentativa de tornar a vinheta nova? Se for isso, o objetivo não foi concretizado, pelo contrário: foram tantos adereços incluídos que é difícil prestar atenção na mensagem principal. Não era necessário acrescentar nada na vinheta de 2017. O colorido contrastante com o fundo branco, as representações das festas brasileiras e os papéis prateados picados estavam perfeitos e na medida, sem exageros. Ela ficou uma vinheta clean e minimalista. O mesmo não se pode dizer sobre a de 2018, em que há muitos elementos que poluem a mensagem e até mesmo o fundo branco.

Esse não tem sido um ano criativo para a Globo no que diz respeito ao Carnaval. Saudades das vinhetas inovadoras e diferenciadas da Globeleza a cada ano. Hoje, o que há é a consolidação de conceitos e evoluções gráficas com materiais de arquivos que já foram gravados há meses. A magia das boas artes e vinhetas foram extintas. Será que o Carnaval está em crise? Ou será que a Globo está no vermelho? Não sei responder a essas perguntas, mas até mesmo as vinhetas dos sambas-enredos na Globo agora só possuem as letras, ao invés dos luxuosos clipes (informação compartilhada pelo colaborador Layon Yonaller) algo que pareceu um Karaokê em rede nacional de péssimo gosto. Assista:





Uma pena. J-J



Por: Emerson Garcia
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