sábado, 19 de setembro de 2020

Temas sociais em 'O Rico e Lázaro'



Exibida entre 13 de março e 20 de novembro de 2017 e reprisada entre 13 de agosto de 2019  e 13 de abril de 2020, a novela O Rico e Lázaro da RecordTV tratou de vários temas sociais recorrentes não somente naquela época como nos dias atuais. 

Já é corriqueiro novelas retratarem temas sociais, mas não é comum ocorrer em novelas bíblicas. Paula Richard fez isso com a trama do triângulo amoroso Zac, Asher e Joana de uma forma inovadora. É certo que a resolução dos temas sociais algumas vezes foram superficiais, mas o que valeu foi a tentativa da autora.

Os temas sociais que a novela abordou foram os seguintes: estupro; compulsão alimentar; insônia e sonambolismo; e drogas e alcoolismo. A partir de agora falo de cada um desses temas, como foram abordados e se suas resoluções foram satisfatórias ou não. 


Estupro



Um tema fortíssimo que a autora ousou em explanar em sua produção. Na época que a novela é retratada, a mulher não tinha muita voz (Hoje em dia é assim, embora em proporções menores). A forma como o tema foi tratado levou em conta os problemas psicológicos que são gerados na mulher estuprada, que podem durar a vida inteira; os prejuízos, sejam morais ou físicos; e a dificuldade que a mulher tinha de se casar depois de ser estuprada. 

Logo no início da trama o telespectador teve que lidar com a violência sexual de um sacerdote idoso, Fassur, contra uma pobre menina, Naomi. O sacerdote usou dos seus privilégios para estuprá-la. Isso gerou em Naomi problemas psicológicos e de relacionamento seríssimos. Naomi era retraída e não entendia o porquê de ser assim, até que lembrou-se do fato que tanto a machucou. Ela, então, procurou ajuda, expondo suas dores, que iam até a alma, e denunciando o abusador. Foi algo dolorido, mas ela conseguiu. A forma como a autora trabalhou isso foi de uma delicadeza tremenda, dando voz a quem passa esse tipo de situação e mostrando que mulher alguma tem culpa do mal que os outros venham fazer. Somente quando Naomi criou coragem para denunciar o violentador é que ela foi curada tanto física como emocionalmente.

Outro episódio importante foi quando a personagem Dana foi estuprada por um dono de escravos. Dana estava prestes a casar-se com Levi, quando o estuprador a violentou. Ela, então, sentiu-se extremamente machucada e triste. Quando ela contou do fato para o seu noivo, ele não aceitou mais casar-se com ela, a abandonando. Uma mulher estuprada naquela época era vista como impura, usada e não poderia mais se casar. A personagem sofreu com isso, até que Absalom, que sempre a amou, descobriu que ela foi estuprada, mas mesmo assim queria casar-se com ela. Mais uma vez Paula Richard tratou o tema com carinho, mostrando o quão doloroso é quando uma mulher é estuprada e que ela sempre é a vítima.

A causa de Dana foi levada até o rei da Babilônia e o dono de escravos foi julgado. Dana expôs seu caso ao rei Nabonido, mas não adiantou muita coisa porque faltavam provas contra o abusador. Pense como a moral dela já estava e como ficou depois disso. A cena demonstra que a falta de credibilidade dada às mulheres estupradas não é um problema de hoje, mas de muito antes. Contudo, o príncipe Belsazar estava presente e resolver julgar a causa com as próprias mãos, cravando uma espada no dono de escravos. 

Por último, falo das tentativas de estupro que a protagonista Joana sofreu também por conta do sacerdote Fassur. Por pouco ela não foi estuprada por ele, que a julgava como uma "semente do mal". Mas o que quero falar aqui é que existem muitos estupradores que posam de santos, mas que só fazem o mal, e que se não forem denunciados, eles continuarão fazendo isso. A ação de muitos estupradores é recorrente, até que - graças a Deus - eles são presos e severamente punidos. 


Compulsão alimentar



Paula Richard ousou e inseriu na novela uma trama de compulsão alimentar e bulimia. Até então, não vi nenhuma novela que fosse bíblica fazer isso. Raquel e Mesaque tinham um problema de alimentação, de comer tudo o que viam pela frente e depois se arrependiam disso. 

Raquel sempre sofria com a compulsão alimentar, satisfazendo seus desejos e comendo vários alimentos gostosos, mas depois reclamando de seu peso. Mesaque, por sua vez, tinha a mesma doença de Raquel. Ambos se ajudaram e se viram livres desse mal. Mesaque ajudou Raquel a controlar sua compulsão alimentar e vice-e-versa. 

Raquel descobriu que o trauma de sair de Jerusalém e viver na Babilônia fez com que ela desenvolvesse essa compulsão. Paula Richard soube trabalhar essa questão bem, mostrando que a compulsão alimentar é uma doença, mas que possui cura.   


Insônia e sonambulismo



Durante vários capítulos, nos perguntamos: Por que a costureira real Dalila ficava com medo e confusa quando eram mostrados vestidos que ela supostamente havia costurado? Tudo levava a crer que era ela quem fazia as costuras, mas ela dizia que não. Em outras noites, Dalila costurava peças e cantarolava. Certa noite, também, Nabucodonosor dormia até que Dalila entrou em seu quarto confusa, e quando acordou não se lembrava que havia feito isso. Então, ela foi à julgamento, e Sadraque, que era apaixonado por ela, disse haver uma explicação para os lapsos de memória, e que iria provar isso. Dalila, então, foi presa e Sadraque ficou de tocaia. 

Em certa oportunidade, Sadraque estava em frente à cela de Dalila e ouviu barulhos vindo de lá, até que ele entrou na cela e viu a costureira costurando peças "dormindo acordada". O que Dalila tinha era insônia e sonambulismo. Ela fazia coisas que não  se lembrava. Naquela época já existia doenças de distúrbios do sono e a autora teve um cuidado para retratá-las.

Quando Sadraque entrou na cela, ele recitou textos bíblicos, até que Dalila adormeceu e teve uma noite tranquila. Desde essa ocasião, ela não teve mais insônia e sonambulismo. É claro que para os dias atuais, além de Dalila ter essa ajuda espiritual seria importante ela ter um tratamento. Mas só da autora tratar do tema já é válido.

Dalila tinha insônia e sonambulismo devido ao mesmo trauma de Raquel, ou seja, de ser retirada de sua região para uma terra desconhecida. A questão do trauma desencadear doenças do sono posso confirmar, pois passei por traumas na infância que, até certo tempo, atrapalharam meu sono. Hoje em dia existem muitas pessoas que precisam de remédios para dormir, pois possuem o sono perturbado.   


Drogas e alcoolismo



A dependência drogadícia e alcoólica também foi tratada na novela por meio das personagens Samu-Ramat, Darise e Shag-Shag. Samu-Ramat e Darise usavam uma droga chamada "Flor da Alegria" e Shag-Shag era viciada na cerveja babilônica.

Paula Richard mostrou os efeitos das drogas e do álcool no ser humano. Quando as personagens os usavam, elas ficavam fora de si, em outra dimensão e totalmente perturbadas da mente. Samu-Ramat tinha delírios de sua vida passada, enquanto Darise sofria de abstinência quando não cheirava uma "Flor da Alegria", sendo até mesmo chantageada por Samu-Ramat, ora oferecendo à ela a droga, ora negando à ela. Já Shag-Shag fazia coisas sob o efeito da cerveja que em sã consciência não faria.

Infelizmente Samu-Ramat e Darise não foram libertas do uso de drogas, ao contrário de Shag-Shag que - graças a Deus - parou de beber exacerbadamente. Esses dois destinos podem acontecer em quem usa drogas e álcool e Paula Richard fez questão de frisar.


Conclusão

Esses foram os temas sociais que foram, em sua maior parte, bem tratados na trama. Que possamos entender que esses temas não são somente obra de ficção, mas fazem parte da realidade de muitas pessoas. O Rico e Lázaro fez alertas das temáticas, ensinando e educando as pessoas sobre elas. Novela também é cultura e aprendizado. J-J


Por: Emerson Garcia 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Quinta de série: The Good Place

Pode conter spoilers!






Bem vindos ao Bom Lugar! Mas será que ele realmente existe?! No Quinta de série de hoje falarei da série de comédia dramática chamada The Good Place. Produzida pela NBC e exibida pela Netflix, a série contou com quatro temporadas e 50 episódios de 25 minutos. Criada por Michael Schur (Saturday Night Live, The Office, Parks and Recreation, Brooklyn Nine-Nine e Master of None) a produção foi exibida de 19 de setembro de 2016 a 30 de janeiro de 2020. TGP teve em seu elenco Kristen Bell, William Jackson Harper, Jameela Jamil, D'Arcy Carden, Manny Jacinto, Ted Danson e Adam Scott. 

A produção conta a estória de Eleanor Shellstrop que acorda e descobre estar morta e entra na vida após a morte. Ela vai para o Good Place, o Bom Lugar, mas tudo é estranho e ela não merece estar ali. Sua ida para esse paraíso foi um erro, porque ela não foi uma pessoa exatamente boa em sua estadia na Terra. Logo que chega no local descobre, por meio de seu mentor Michael, que está nesse lugar por causa de suas boas ações. O Lugar Bom é um lugar onde as pessoas tem casas personalizadas com seus gostos em vida, mas Eleanor percebe que a casa não tem nada de pessoal. No local ainda não é permitido xingar, o que deixa a protagonista muito confusa, pois ela ama isso. Cada pessoa, ainda, tem sua alma gêmea.



Não demora muito para Eleanor descobrir que sua ida para o Bom Lugar foi um engano e que ela não merece estar ali. E agora, será que ela conseguirá esconder a verdade de Michael, o coordenador da vizinhança? Será que o Bom Lugar é realmente o "Bom Lugar"?

Nesse "paraíso" Eleanor conhecerá Chidi Anagonye, sua alma gêmea; Tahani Al-Jamil, a socialyte frustada; e Jianyu Li, o monge farsante. Esse grupo se tornará amigo de Eleanor. Juntos, descobrirão os mistérios da vida após a morte. Posso dizer que Eleanor e os demais tem mais em comum do que se imagina. 

O grupo conta com a mentoria de Michael e a ajuda tecnógica e sábia da robô Janet. Descobrimos que Michael é o criador e arquiteto do Bom Lugar e que ele guarda mais segredos do que se imagina, e que Janet é aquela robô que os heróis da trama podem contar para tudo. 



The Good Place é uma série que trata da vida após a morte de forma leve e descontraída. Além disso, fala de comportamento, humanidade, ética e moral. Tudo isso com boas pitadas de comédia, fantasia e, até mesmo, drama. Digo comédia porque a série te fará sorrir em vários momentos. Fantasia, porque os elementos da eternidade e da vida após a morte são um mistério e tudo é especulativo. E drama, porque TGP emociona, fazendo chorar em vários momentos e cenas. Enfim, TGP é isso: comédia, fantasia e drama em uma fórmula que deu certo na telinha.


Personagens



Eleanor: protagonista da trama. É definida como "lixo humano do Arizona", daí já se pode ver que não é flor que se cheire. Quando morre, é enviada para o Bom Lugar, mas existe algo de errado nessa história. Em vida, tinha as mais reprováveis atitudes, seja em seu trabalho ou até mesmo com seus amigos. Ludibriava as pessoas e as enganava, com o intuito de sempre se dar bem. 




Chidi: forma o par (nada provável) romântico com Eleanor. Ele é inseguro, paranoico e indeciso até nas decisões mais fáceis. Professor de filosofia, possui conhecimento de moral e ética, o que o tornava inteligente e charmoso. Apesar de suas qualidades, tem um jeito desajeitado e engraçado, sofrendo bullying tanto em vida como após a morte. 




Tahani: uma socialyte frustada que sofria rejeição dos pais em sua vida, pois eles achavam mais interessante sua irmã e a menosprezava. É apaixonada por festas, luxo e requintes. Sua alma gêmea é o Jianyu Li/Jason. Após o sucesso em TGP, a atriz Jameela Jamil tornou-se ativista contra os padrões de beleza da sociedade, sendo uma crítica ferrenha a reality-shows como a Família Kardashian e lançando a página I Weigh, com o intuito de ajudar pessoas com problemas de autoaceitação. 




Janet: fazia a assistente celestial quase robótica de Michael. Apesar das aparências, não é uma mulher nem um robô. Sabe tudo sobre o Bom Lugar e foi criada para servir e atender os pedidos dos moradores de lá. Sempre que alguém falava "Janet", ela surgia juntamente com um som eletrônico. No decorrer dos episódios apaixona-se por Jianyu. 




Michael: criador e arquiteto do Bom Lugar onde reside o Esquadrão da Alma após a morte. Projetou o Bom Lugar para ser um local paradisíaco e de paz. Cada casa construída por ele foi pensada de acordo com a personalidade de seu morador. Michael criou o manual de convivência do Bom Lugar e um placar para que os moradores acumulassem pontos de acordo com suas atitudes. Mas, nem tudo é como se parece. Michael guarda grandes segredos. 




Jianyu Li/Jason: é o monge farsante do Bom Lugar (entendedores entenderão). Pouco inteligente, o rapaz possui um bom coração, sendo considerado a "criança" do Esquadrão da Alma. Em sua vida preguessa era um DJ falido, mas por que se tornou monge após morrer? Só assistindo para saber. 


Evolução



Uma das coisas mais interessantes da série foi poder acompanhar a jornada e evolução desses personagens citados. O desenvolvimento de cada um deles foi incrível, notável e, sobretudo, natural. A partir de agora, discorrerei sobre o processo evolutivo de cada um dos personagens principais.

Começamos com Eleanor. Ela era egoísta, perdida e solitária, com o poder de afastar as pessoas e usando das suas piores qualidades para isso. A Eleanor do final da série aprendeu a importância de se relacionar com os outros e que ela não era o centro do universo. Ela, surpreendentemente, colocou o outro acima dela mesma e salvou o Bom Lugar em várias oportunidades. 

Chidi deixou de ser indeciso e ansioso, tornando-se uma pessoa cheia de confiança e calmaria. Ele, então, foi capaz de tomar decisões, sendo inundado pela paz e não se arrependendo de suas decisões. Suas últimas cenas foram emocionantes!

Tahani, no início era egocêntrica, insegura e que fazia de tudo para esconder sua profunda sensação de inutilidade. Obcecada por coisas externas e superficiais, no final conseguiu curar essas feridas, importando-se com os outros e focando seus objetivos em aprender, criar e ser útil. Enfim, Tahani deixou de ser uma pessoa solitária e perdida, e passou a ser confortável e segura consigo mesma. 

Janet iniciou TGP como uma espécie de Siri mais avançada - um computador com todo o conhecimento do universo. Por meio de várias reinicializações, a personagem tornou-se mais humana, aprendendo a ter empatia, importar-se e a amar. 

Michael evoluiu muito na série também. Ele mudou sua forma de ser e de agir para um não-humano muito melhor. Ele sempre teve curiosidade sobre o que significava ser humano e como seria ter uma vida humana. Michael tornou-se mais altruísta e teve um final surpreendente. 

No início da série, Jason/Jianyu Li era impulsivo, egoísta e bobão. No fim, ele consegue evoluir, crescer como pessoa e tornar-se mais maduro. 

Essa foi um pouco da magia de TGP: as pessoas podem mudar, e para melhor! 


Conceitos filosóficos



Apesar de ser uma série de comédia, TGP ensinou muito e tratou de temas "cabeças", como Ética, Moral, Metafísica e Utilitarismo. Autores como Aristóteles e Immanuel Kant tiveram suas teorias explanadas na série de forma inteligente. Diria que a filosofia, foi a matéria-prima para a produção da série. O que é bom? O que é ruim? Uma pessoa pode evoluir ou ela sempre será o que é desde sua origem? Essas foram algumas perguntas que a série soube responder com clareza e certo didatismo. A partir de agora, pincelarei os principais conceitos filosóficos da série.




Ética virtuosa de Aristóteles: tem a ver com o transcendental e com o equilíbrio entre o excesso e a falta. Para o filósofo, o agir das pessoas visa a algum bem, e o bem supremo, seria a felicidade. De acordo com ele, ela só pode ser atingida por meio de uma vida cheia de qualidades. Esta última só é obtida por meio da excelência moral, que seria o meio termo. Ele é a ação equidistante entre os extremos. O conceito foi desenvolvido em sua clássica obra Ética à Nicômaco. 




Ética prática de Immanuel Kant: é fundamentada nos imperativos morais universais. Sua teoria permite o julgamento das ações e do agir correto. Tal julgamento é adquirido pelos imperativos morais práticos, são eles: hipotético e categórico. Para Kant, comportamentos imorais como mentir ou roubar nunca são justificáveis. Mesmo que a pessoa esteja roubando um alimento para sustentar sua família.




Recompensa moral: a série traz esse conceito, quando Eleanor, por ser uma pessoa boa (Ou ao menos tentar ser), merecia algo bom em troca. Contudo, a série mostra que as pessoas não devem realizar suas ações apenas tendo em vista recompensas, sejam morais ou materiais.   




Utilitarismo: o utilitarismo de Jeremy Benthan e John Stuart Mill diz que a escolha certa é advinda de um bem maior, ou prazer, e menos dor ou sofrimento. O personagem Doug Forcett ilustra isso, ao testar cosméticos perigosos em si próprio com o intuito de salvar a vida dos animais.  




Teoria do Eu como um feixe: a teoria de David Hume diz que o nosso Eu é um feixe de percepções em fluxo e nossa mente uma espécie de teatro, onde as percepções passam, rapidamente, e se esvaem em seguida. Para o autor, o que existe são percepções sensíveis que servem para avaliar a busca do maior prazer e da menor dor. 


Poder do Verso



A série é dotada de conceitos e ideias abstradas transformadas em algo palpável, como se pode observar no tópico anterior. Conceitos filosóficos difíceis de serem entendidos, foram transformados em episódios curtos, mas cheios de ensinamentos. Além disso, na série é possível observar que vários personagens possuem poderes e forças intuitivas para criarem universos inteiros, realidades alternativas e simulações. Por exemplo, há os criadores das luzes e trevas, do Lugar Bom, Médio e Ruim. Enfim, fantasia, filosofia e conceitos morais e éticos estão disponíveis em todo o seriado. 


Conheça os lugares de The Good Place

Como falado anteriormente, na série há o Lugar Bom, Médio e Ruim. Falarei de cada um deles e de suas peculiaridades agora.


Lugar Bom



É conhecido como paraíso. Para lá, vão todas as pessoas que fizeram o bem durante a vida e tiveram uma boa pontuação no sistema de pontos. Um lugar onde tudo é imaginado e os sonhos durante a vida são concretizados. 


Lugar Médio



Não é nem o inferno nem o paraíso. No Lugar Médio mora a única exceção ao sistema de pontos, que os moradores do além são submetidos: Mindy St. Claire. Ela não é nem boa, nem ruim, o que levou os arquitetos a criarem um lugar especialmente para ela. No Lugar Médio não há tortura, o que faz com que Mindy fique entediada. 



Lugar Ruim


É o que conhecemos como inferno. É o lugar para onde vão as pessoas que tiveram uma pontuação baixa durante a vida. Seres humanos, como Shakespeare e Einstei estão lá. No Lugar Ruim, os humanos são torturados por toda a eternidade por "demônios", seres imortais que são como os humanos mais desagradáveis possíveis. As Janets ruins (Sim! Existem várias versões dessa personagem!) vivem lá incomodando tanto os humanos quanto os seres imortais. 


Curiosidades 

Inferno e Paraíso são relativos, e TGP está aqui para ilustrar isso. Abaixo, 8 curiosidades sobre a criação da série. Confira! 


1 - Baseado em comportamentos reais



Os comportamentos dos personagens foram baseados em comportamentos reais. O criador da série, Michael Schur, idealizou um lugar onde as pessoas perderiam pontos ao fazerem ações negativas. 


2 - Inspirado em ficções



TGP é inspirada em Leftovers e Lost. Schur se inspirou em ambas as produções para criar o conceito de sua série. 


3 - Um arcanjo no elenco



Schur baseou-se no arcanjo Miguel, que de acordo com convicções religiosas é quem decide quem vai para o céu ou não, e criou o personagem Michael. 



4 - Contra estereótipos



Na série temos atores orientais, como Manny Jacinto de descendência filipnina. Desse modo, TGP subverte os prenceitos contra outras culturas.  



5 - Representante de Deus, representado por um crianção



O intérprete de Michael é puramente um bonação, que faz piadas e traquinagens com os colegas de elenco. 



6 - Eleanor não aprende, mas Kristen sim



Quando a personagem começa a ter aulas de Ética com Chidi, a própria atriz passou a se interessar pelo assunto e agora até cita autores em conversas pessoais. 



7 - Um bom papel, uma personagem detestável



No início, Jameela, detestava seu papel. Ela achava Tahani uma jovem passivo-agressiva. Foi somente na segunda temporada que a atriz passou a gostar mais de sua personagem. 



8 - Vencendo uma jovenzinha



A atriz e comediante D'Arcy Carden fez o teste e competiu com uma jovem atriz de apenas 16 anos. Ela, então, foi a escolhida para o papel, ficando surpreendida.  



Momentos inesquecíveis

Separei 5 momentos memoráveis da série. Veja:

1 - "Ya Basic"



Durante uma discussão entre Chidi e Eleanor, essa última não conseguia falar palavrão. Então, ela usa o melhor do seu vocabulário e diz ao rapaz "ya basic", algo como "você é básico"



2 - "Eu me sinto como Friends"



Enquanto sofria por não poder mais interferir na vida dos habitantes do Bom Lugar, Michael se isola com seu capuz e diz a fantástica frase, fazendo referência à Friends: "Eu me sinto como Friends na 8ª temporada. Sem ideias e forçando Joey e Rachel juntos, mesmo que não fizesse sentido". 



3 - "Eleanor, você é uma mocinha sorrateira"




Eleanor tem um espírito perspicaz e descobre o maior segredo de Michael. O arquiteto só consegue dizer: "Eleanor Shellstrop, você é uma mocinha muito sorrateira!"



4 - "Como saberemos quem é quem?"



Devido a um efeito colateral na programação feita por Janet, os humanos são transformados em Janet's. Quando percebem que não estão mais em seus corpos, eles se desesperam e Michael procura compreender quem é quem no meio de toda essa confusão.


5 - "Um burrito sabichão"



Em uma das cenas mais emblemáticas do show o grupo vai até à Juíza Gen com o intuito de provarem que evoluíram como pessoas. Ao chegarem lá, dão de cara com um burrito em cima da mesa e acreditam que estão diante de Vossa Alteza. Então, Eleanor se apresenta ao alimento, garantindo ótimas gargalhadas. 



Abertura

Traz o nome da série sobre um fundo verde e uma trilha instrumental. A abertura é singela e minimalista. Assista:






Pesquisando no Youtube, encontrei essa abertura extendida que traz os protagonistas, com a trilha sonora maior. Acompanhe:






Audiência

A série teve uma boa aceitação no início, mas teve uma audiência mediana do meio da primeira temporada em diante, como exposto no gráfico abaixo (Dados do Wikipédia):





Crítica



TGP foi uma série que me surpreendeu. Ela misturou comédia, drama e fantasia, criando algo inovador na telinha. TGP possuiu cenas emocionantes, reflexivas e filosóficas. 

Os personagens são carismáticos e com boas histórias. Cada um deles possui uma personalidade diferente. Foi interessante ver a evolução e o desenvolvimento dos heróis. Meus personagens preferidos são a Janet e o Jianyu. A Janet por seu jeito eficiente de ser, o Jianyu por ser avoado. 

Os episódios tinham bons ganchos e reviravoltas do começo ao fim. Os heróis passaram pelas mais distintas aventuras, descobertas e ensinamentos.

TGP tem um roteiro inovador e não repetitivo. Os diálogos são bem construídos. A série possui poucos episódios, de pouca duração, não a tornando cansativa. Enfim, não há barrigas no roteiro. 

Durante as temporadas os personagens viajam por diversas dimensões, visitam memórias e lugares. Achei interessante a composição dos cenários e das ambientações. Cada pedacinho do cenário foi bem pensado e construído. O figurino dos personagens também é algo que merece destaque. 



Os episódios finais produziram um quentinho no meu coração e acredito que a série fechou com chave de ouro. Será que os personagens aprenderam? Evoluíram? Como os personagens tiveram seus desfechos concluídos? Só posso falar algumas coisas: portal... decisões... escolhas... pó... e nova fase.



TGP ensina que a nossa vida terrena é incerta, cheia de obstáculos, momentos ruins e bons. Mas também ensina que todos podem evoluir e tornarem-se pessoas melhores. Então fica os questionamentos: precisamos de muito para nos sentirmos completos? Seremos completos aqui na vida terrena? O que é ser completo? Qual é o propósito da vida? 



Essa foi o Quinta de série de hoje. Já conhecia a série? Ela te ensinou lições? Diga nos comentários. Até o próximo Quinta de série! J-J





Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Primavera televisiva: um ensaio sobre a guerra de audiência entre Globo, RecordTV e SBT

Globo, SBT e RecordTV: As três maiores redes de TV do Brasil. | montagem: LAYON YONALLER


O ano de 2020 fez as emissoras de televisão brasileiras (e do mundo todo) a repensar seus planos por conta da COVID-19. O jornalismo e o ao vivo deram lugar a vários programas pré-gravados e novelas de poucos anos atrás voltaram ao ar para suprir as inéditas – gravações suspensas pelo motivo citado.

Os traços da guerra de audiência entre as três grandes redes do Brasil se desenham a partir do momento em que a Rede Globo decide abrir mão das transmissões de competições esportivas (a Copa Libertadores e a Fórmula 1) [1] [2] e a pressão dos clubes de futebol para que a Medida Provisória 984/2020 (que dá ao mandante de campo a decisão de vender a exibição da partida a uma empresa de comunicação) torne-se lei. [3]


Como resultado da MP, veio o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) interessado em comprar a partida da final do Campeonato Carioca de Futebol de 2020 e ver seus índices de audiência subirem em São Paulo – principal mercado de mídia do país – e ganhar a liderança no Rio de Janeiro – quintal da concorrente Globo e local de nascimento do dono do SBT, Silvio Santos. [4]


A Fazenda que reina...

 Estreia d'A Fazenda 12 chama atenção nas redes sociais e da concorrência. | RecordTV


Na RecordTV, a 12ª edição do reality show de confinamento A Fazenda chama atenção do público, da mídia especializada e das redes sociais. Sua estreia foi esperada e calibrada pelo anúncio dos participantes (o contrário do que fazia: só se sabia quem estava no programa no dia de sua estreia) e gerou muito assunto e torcidas. [5]

A audiência do primeiro dia foi a maior das temporadas: 13,6 (14 arredondados) pontos na Grande São Paulo. [6] No dia seguinte, a da “prova do fazendeiro” – sobre quem liderará a fazenda por uma semana – a RecordTV roubou a audiência do SBT e passou a liderar após a partida de futebol exibida pela Globo. [7] Antes disso, a expectativa turbinou os índices da reprise da novela Jesus. A promessa é de sucesso de audiência e faturamento para a RecordTV.



...Até a chegada dos Libertadores da América


SBT detém exclusividade da Libertadores até 2022. | SBT


Mas o que pode dar um nó e fazer a audiência ser mais disputada, principalmente nas quartas-feiras é a notícia de que o SBT adquiriu os direitos exclusivos na TV aberta em transmitir a Copa Libertadores da América até o ano de 2022. [8] A emissora de Osasco está contratando profissionais e buscando patrocinadores para incrementar sua cobertura no evento.

Por enquanto o SBT vai exibir os jogos no mesmo horário da Globo (antiga detentora dos direitos), mas depois da próxima fase da competição terá o direito de decisão sobre os horários dos jogos de times brasileiros.






Reação da Globo ante seus concorrentes

Se pensar que a Globo vai assistir suas concorrentes ganhar terreno impunemente é melhor ver o que ela preparou para conter, diminuir ou derrotar as investidas da RecordTV e SBT: o Corinthians e a sua consolidadíssima grade de programação. [9]

Sobre a sua grade: a emissora dos irmãos Marinho vai esticar o tempo de exibição do seu principal noticiário, o Jornal Nacional (que começa pontualmente às 20h30 – exceto quarta-feira às 20h – até por volta das 21h15) terminará lá pelo quase das 22h; seguida da Novela III (a novela das nove); e por último sua linha de shows que serão remanejados para os limites da meia-noite.

Sobre o Corinthians: a emissora que possui os direitos do Campeonato Brasileiro de Futebol e da Copa do Brasil vai usar seu poder de remanejar os jogos do clube Corinthians preferencialmente às quartas-feiras porque o time de futebol é de São Paulo (se lembra do que disse: São Paulo é o principal mercado de mídia do país) e chama muita audiência do público da localidade. A Globo vai diminuir e muito a sua cobertura jornalística dos eventos perdidos gerando aos telespectadores da emissora carioca uma sensação de que a Libertadores sequer exista.



Teremos uma guerra ou uma “guerrilha” de audiência?

Aos entusiastas que não gostam da Rede Globo surgem frases comoÉ o fim da Globo”; “A Globo vai falir e perder audiência” entre outras. Acredita-se que vai surgir uma nova alvorada na qual a Globo estará derrotada e onde a RecordTV ou o SBT vão liderar os índices em todo o território nacional.

Para quem não mora no Brasil ou não entende os 70 anos da televisão por aqui não se dá conta que a Globo é líder de audiência desde os anos 1970 e que depois da extinção da rival Rede Tupi de Televisão em 1980 nunca houve uma estação televisiva que ameaçasse sua hegemonia.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde há uma audiência disputada de verdade com as grades redes concorrentes em igualdade, no Brasil a preferência do público é pela Globo – o que já escrevi por aqui em 2018. [10] 

SBT exibia “A pantera cor-de-rosa” enquanto a Globo não termina de exibir sua novela. | SBT


O que fazem as concorrentes da Globo? Em vez de consolidar suas grades e arrebanhar telespectadores fiéis elas buscam mexer em sua programação para que seus programas não concorram diretamente com os horários mais hegemônicos globais. O mestre em guerrilhas televisivas e que mais usa deste artifício foi e é o SBT. Por exemplo: enquanto a Novela III (novela das oito, atual das nove) não terminava a emissora de Silvio Santos colocava programas tapa-buraco e com constantes avisos de que tal programa nobre vai começar depois que a trama dramatúrgica da Globo terminar.






Quem der uma olhada nas grades de programação do prime-time das concorrentes da Globo verá que nenhum deles começa antes ou por volta das 22h30 ou 22h45 e/ou nenhum deles vai se atrever a entrar no ar depois das 20h30, onde está no ar o Jornal Nacional.



Agora vai ou será apenas mais um sucesso passageiro?

O reality A Fazenda (no ar desde 2009) começa todo o mês de setembro desde 2014 e levanta o  moral da RecordTV, mas no restante do ano a emissora do bairro da Barra Funda fica estagnada entre o segundo e o terceiro lugar nos índices do Ibope (o único medidor de audiência do Brasil). O SBT não tem muita tradição dos esportes, só algumas investidas nos anos 1990 e início dos anos 2000, pois sua vocação é ser uma emissora popular e de auditório.

Tanto uma como a outra fizeram projetos ousados para disputar pontos no Ibope contra a Globo, mas se torna padrão que no final das contas a Globo vence a disputa e tudo volta como era antes.

O dia de quarta-feira o controle remoto terá muito trabalho e Globo, RecordTV e SBT disputarão corações e mentes do povo brasileiro. Será que esta disputa se alargará para os outros dias da semana (exceto o domingo onde este é o dia mais disputado entre todas as grandes redes, entre as três citadas e as outras duas concorrentes: a Rede Bandeirantes – Band – e a RedeTV!) ou tudo ficará localizado em um único dia útil da semana?

Não seria este momento de a Record, o SBT e as demais concorrentes criar uma grade de programação competitiva e que tenha como consequência a livre escolha do telespectador, e o aquecimento do mercado de mídia? A história da televisão do Brasil diz que não, e que a Globo dará um jeito de recuperar os campos perdidos e tudo voltará como antes. Mas o futuro será diferente aos que quiserem ser não apenas uma alternativa, e sim, uma grande rede que dará muita dor de cabeça a emissora do Rio. J-J

















Por: Layon Yonaller, colaborador especial do JOVEM JORNALISTA
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