quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Entre frames #33: Human - Rag'n'Bone Ma






Mais um Entre Frames no ar! Seguindo nessa linha de clipes internacionais hoje analisarei o clipe Human de Ran'n'Bone Ma. Essa música e esse clipe simplesmente bombaram. A música abre o cd de estreia do cantor e seu clipe tem mais de um bilhão de visualizações (1.162.879.801 visualizações, para ser mais preciso). O clipe foi lançado há mais de 4 anos (21 de julho de 2016), mas ainda assim sua mensagem reverbera nos dias atuais. Ele possui 7,6 milhões de curtidas e 234 mil descurtidas no Youtube

E qual é a mensagem de Human? Bem, a música e o clipe falam de humanidade, perdão, regeneração e erros. O clipe possui um ambiente natural, cores sóbrias e apresenta pessoas das mais diferentes etnias, estilos e aparências. Assista-o:



Como já é de costume, vamos às minhas considerações.

  

Estética, luz e paleta de cores




Todo o clipe tem a predominância do marrom e suas variações, indo do marrom escuro, até o claro. As roupas dos atores do clipe são baseadas nessa tonalidade, como casacos, casacos de pele, maquiagem e batom. O marrom lembra a terra e a nossa humanidade, pois segundo a Bíblia fomos feitos da terra e do barro. 

A predominância do marrom entra em contraste, por várias vezes, com o branco. Esse contraste ficou interessante pois o marrom e o branco são cores opostas. O marron é uma cor mais fria e escura, enquanto o branco uma cor neutra e clara.

Podemos observar no clipe certo bucolismo e rusticidade, com a utilização de paredes de tijolos e colunas para a composição. 

A luz do clipe, por sua vez, é natural, visto que ele foi gravado de dia. Por diversas vezes, a luz entra por frestas de janelas e compõem um ambiente interessante e criativo.

  

Aproximando-se e afastando-se - a humanidade





O clipe inicia focando o cantor no centro do vídeo e da cintura para cima (0:00 - 0:03). Ele começa a cantar a música com certa lentidão, mas ao mesmo tempo com força, até que a câmera se distancia sutilmente dele(0:03 0:12). 

Por vários momentos a câmera se distancia das pessoas (0:24 - 0:27), mas também se aproxima delas (0:47 0:49). O ato de se distanciar e de se afastar vai mostrar uma única coisa: a humanidade do cantor e das pessoas que fizeram parte do clipe. O intuito é exatamente mostrar a falibilidade dos seres humanos. Ninguém é perfeito. 

 

Humanos em foco!











Logo no início do clipe (0:13 - 0:24), assim como em outras partes, pessoas de várias etnias, raças e aparência passam em frames rápidos. Cada uma delas combinando com a estética e as cores do clipe (Como já falado). As pessoas cantam com Ra'n'Bone Ma, que também surge entre os rostos. 

O recurso do close serviu para aproximarmos desses humanos, conhecermos suas cicatrizes, dores, perdas, alegrias e tristezas. Destaco um dos homens que surge com o rosto cansado, machucado e ferido. O clipe é isso: as pessoas surgem sem filtros, mostrando sua humanidade e seu interior. 



Um detalhe que merece ser mencionado é que as pessoas aparecem na frente de uma parede de tijolos marrom, ainda combinando com a estética do clipe. 


Humanos do busto para cima




Aos 1:06 as pessoas aparecem se movimentando para frente e para trás em uma montagem com elas na frente de paredes. Elas aparecem do busto para cima e a câmera ora se movimenta rápida (1:06), ora lentamente (1:23). A câmera parece tremer.

Uma das pessoas que chamou a minha atenção foi um jovem de casaco branco, que parece estar envergonhado e querendo pedir perdão por alguma coisa. Mais à frente vou detalhar sobre ele. 

 

Falibilidade humana




Uma das questões que a música trabalha é sobre a falibilidade humana. Todos são humanos, todos erram. A letra também fala de culpa e de perdão. Por falar de culpa, várias pessoas são enfocadas cabisbaixas e com sentimento de tristeza. Elas precisam ser desculpadas por algo que fizeram. Assim, a câmera filma o sentimento delas, mas sem interferir à fundo. As pessoas são focadas, na maioria das vezes, à esquerda, como se estivessem tímidas e introspectivas. Isso acontece entre 1:36 - 1:371:43 - 1:44; e 1:45

O rapaz de boné, que escondia o rosto logo acima, agora aparece triste (1:45) e de costas caminhando (1:46), como se tivesse tomado a decisão de pedir perdão. Isso me fez refletir que a culpa aprisiona, mas que pedir desculpas é libertador. Tanto é libertador que o rapaz caminha para um lugar com entradas de luzes naturais. 






Ainda nesse tópico destaco um homem que aparece sem camisa sentado em uma cadeira virado para uma parede e de costas para a câmera (1:30 - 1:31). Em um primeiro momento, estamos distantes dele. Já que ele está ao fundo de uma sala e o vemos a partir da entrada desta. Depois vemos ele de frente, com marcas, machucados e socos (1:33 - 1:35). Isso me faz refletir que quando estamos distantes das pessoas, não conhecemos suas dores, anseios e dificuldades de perto. Somente quando nos aproximamos é que é possível perceber sua dor. 





Tudo leva a crer que ele brigou fisicamente com alguém, apanhando mas também revidando. E agora? Quem teria que pedir perdão? Ele ou outro? Não sei, mas uma coisa digo: não devemos esperar que o outro nos peça perdão, pois pode ser tarde demais! 


"Não coloque sua culpa sobre mim"



Quando o cantor canto o trecho "Don't put your blame on me" (Não coloque sua culpa em mim) (0:33 - 0:37) ele segura o casaco para cima e deixa cair, como se não quisesse levar o peso da culpa. Ou seja, tinha uma culpa sobre ele, ele deveria liberar o perdão, sim, mas ele não queria carregar o peso da culpa de ninguém. 

 

Centralismo, profundidade e outras coisas mais




Como puderam ver nos frames printados, o clipe utiliza, em sua maior parte, o recurso da câmera centralizada, o que deu certa harmonia ao vídeo. Por exemplo, aos 0:46 o cantor aparece de lado, centralizado e olhando para o lado; já entre 1:41 - 1:42 uma mulher com casaco de pele é enfocada de baixo para cima, de forma que ela fica centralizada. 





O clipe é muito poético visual e esteticamente falando. No frame 1:30 - 1:31 há o recurso do centralismo e da profundidade ao mesmo tempo. Aliás, esse é um dos meus frames favoritos. A forma em que todo quadro foi montado ficou incrível: um homem em uma sala vazia em uma cadeira e uma parede de tijolos. 




A construção do cenário ficou perfeita. Diria que ela é minimalista e prezou por formas harmônicas, como colunas, blocos de concreto, entre outros. Não há nada exagerado, nenhuma cor berrante, sendo que no máximo podemos ver de três a quatro paletas de cores por cena.

A forma como a câmera construiu os frames ficou de um primor só, como no frame 1:32 - 1:33 quando a tela aparece dividida com as paredes e o cantor dos ombros para cima. Quer frame mais estético que esse?




Câmera em 360º











Outro movimento de câmera que merece ser ressaltado é o de 360º que proporcionou um efeito muito legal (1:57 - 2:13). A câmera se movimentava rapidamente em 360º, mostrando as pessoas (os principais protagonistas do clipe) por diversos ângulos e perspectivas. É um movimento tão frenético, mas criativo. A câmera chega a tremer (Recurso utilizado anteriormente e falado em outro tópico).

Entre 2:07 e 2:13 o cantor aparece e a câmera gira em 360º, se aproximando dele gradualmente. Entre 2:20 e 2:23 o cenário muda e a câmera continua girando sobre Rag'n'Bone Ma. 



Esse recurso de câmera me fez refletir que uma pessoa não pode ser vista somente sob uma perspectiva ou um lado. Ninguém é 8 ou 80. Aliás, entre 8 e 80 existem muitos números, e assim são as pessoas. Ninguém é somente bom ou ruim, mas todos tem nuances positivas e negativas. Por isso, não se deve ver as pessoas com preconceito, mas conhecê-las em todos os lados, em sua essência. 


Sincronia


A música do clipe inicia calma e introspectiva, e os movimentos de câmera seguem isso. A medida que ela cresce sonoramente, a câmera se movimenta rapidamente, no ritmo dela. Isso pode ser verificado quando o cantor balança e mexe a cabeça no som da música e da batida, havendo uma sincronia. 


O significado da luz


Se o marrom da parede e dos tijolos significa humanidade (Como falado anteriormente), a luz significa a divindade. E é interessante ver a complementação do primeiro elemento com o segundo, quando, por exemplo, a luz invade o ambiente (2:49). A luz também significa sabedoria, e analisando por um aspecto mais profundo, só é possível perdoar com a  ajuda de Deus e obtendo a sabedoria que vem Dele. Com isso, descobrimos que somos HUMANOS, SIM, mas que podemos contar com a ajuda de DEUS e do DIVINO. 

 

Close final


Entre 2:49 e 2:56 a música fica mais calma e o cantor também, uma vez que ele deixa de lado seu ímpeto e força, e opta por concluir a canção com serenidade. Com isso, as pessoas que abrilhantaram o clipe não aparecem mais, mas somente o cantor. 

Então, a câmera vai se aproximando dele até dar close em seu rosto. Mais uma vez, vemos o aspecto mais humano do cantor (2:57). O clipe, porém, não finaliza no rosto do cantor, mas em um fade out que deixa a tela toda preta (3:15 - 3:17). 

 

Letra

A letra fala sobre a humanidade das pessoas. Destaco alguns trechos:

"I'm only human

I make mistakes

I'm only human

That's all it takes

To put the blame on me

Don't put the blame on me"

(Eu sou apenas humano

Eu cometo erros

Eu sou apenas humano

É tudo que precisa

Para colocar a culpa em mim

Não coloque a culpa em mim)

 

"'Cause I'm no prophet or Messiah

Should go looking somewhere higher

I'm only human after all

I'm only human after all

Don't put the blame on me

Don't put the blame on me"

(Eu não sou nenhum profeta ou Messias

Deveria ir procurar em algum lugar mais alto

Eu sou apenas humano, afinal de contas

Eu sou apenas humano, afinal de contas

Não coloque a culpa em mim

Não coloque a culpa em mim)

 

Música


Human estourou e ainda estoura nas rádios. É uma música grandiosa sonoramente falando. Quando a ouvimos percebemos vários elementos da música negra gospel. Há um coral cheio de força vocal e um ritmo envolvente. 

A música foi escrita pelo próprio Rag'n'Bone Ma em parceria com Jamie Hartman. Ela foi produzida por Two Inch Punch.

Esse foi o Entre Frames de hoje. Saiba que todos nós somos humanos e falhos, e existe beleza nisso. Até o próximo! J-J

 









Por: Emerson Garcia

12 comentários :

  1. Boa noite Emerson. Suas análises e comentários são excelentes. Vamos um dia no Tamanqueiro meu amigo.

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  2. Excelente análise, mas não conheço a música.

    Beijinhos
    n. // www.fashionjacket.com.br

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  3. Não conhecia, gostei da análise! :) bom fim de semana.
    --
    O diário da Inês | Facebook | Instagram

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  4. Nossa, esta música parece ser 'das minhas' (mensagem curta e contundente). E óbvia. num tempo em que o óbvio precisa - desesperadamente - ser dito. E ainda conta com filigranas outras, como elementos da música gospel, coral etc.

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  5. Não conhecia, tu vais ao infímo pormenor!!
    xoxo

    marisasclosetblog.com

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  6. Nunca tinha ouvido falar, mas achei a análise demais.

    Beijo!
    Cores do Vício

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  7. Essas suas análises são muito legais!!
    E eu nunca tinha ouvido falar no Ran'n'Bone Ma...
    Fiquei bem curiosa pra assistir o clipe, em casa vou ver :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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  8. Olá, Emerson.
    Gosto bastante dessa coluna de analise dos clipes. Mas geralmente nunca conheço nenhum deles porque sou bem pro fora do assunto hehe.

    Prefácio

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  9. Confesso que não conheço, mas sua análise é por demais profunda.

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  10. Eu conheço esta música, mas nunca tinha visto o clipe. Realmente, muitos detalhes para pensar. Seu blog é massa! :D

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  11. Adoro esta música, sempre de um actualidade e musicalidade impressionantes! Nem tinha noção de que já teria sido lançada há 4 anos! Aqui em Portugal, também fez parte da banda sonora de uma novela de um dos canais nacionais, por isso foi uma música muito bem aceite, por um leque variado de espectadores de todas as idades!...
    Como sempre gostei imenso, da pormenorizada análise do vídeo!
    Um grande abraço! Bom fim de semana!
    Ana

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