sábado, 27 de junho de 2020

Bandeiras LGBTQ+



As comunidades LGBTQ+ adotaram diversos símbolos para representá-las. Dando continuidade à Semana do Orgulho LGBTQ+ 2020 aqui no blog falarei de bandeiras LGBTQ+. Elas representam a identidade, união, orgulho e compartilhamento de valores. A bandeira mais conhecida é a do arco-íris. Há uma associação e um recall imediato ao vê-la - trata-se de uma flámula LGBTQ+.

No entanto, existem muitas outras bandeiras que foram criadas para representar o orgulho de se pertencer à uma comunidade LGBTQ+. A primeira criada foi a LGBTQ+ (1978), depois dela surgiram a bissexual (1998); a lésbica (1999); a transgênero (1999); a intersexual (2009); a assexual e a genderqueer (2010). Além dessas, outras foram inventadas, são elas: a goy, a pansexual, a assexual, a demissexual, a não-binário, a dos gêneros fluidos, a do orgulho leather e a da irmandade de ursos. 

Antes mesmo de existirem bandeiras de orgulho, já haviam símbolos para definir os LGBTQ+. Na Alemanha nazista, por exemplo, os judeus homossexuais eram identificados com um triângulo rosa. As cores verde e roxo, por sua vez, já foram símbolos de homossexualidade. 

É comum na atualidade qualquer gênero ou orientação possuir sua bandeira. Não é errado ter sua identidade representada em uma. Neste post você conhecerá a história, cores e significados das principais bandeiras LGBTQ+ (Falerei de 14 ).  


Bandeira do Movimento LGBTQ+



É a bandeira mais conhecida da comunidade LGBTQ+, representando a comunidade no geral. Ela foi criada pelo artista Gilbert Baker, em 25 de junho de 1978 (ou seja, há 40 anos) com o intuito de atender uma necessidade dos ativistas da época que queriam um símbolo de identificação. 

Gilbert Baker era militar, mas após ser dispensado do exército, foi morar em São Francisco, na Califórnia, onde se envolveu mais com o movimento LGBTQ+, que passava a ser discutido nos anos 1970. Foi lá que aprendeu a costurar, criando a arte da bandeira toda colorida, nas cores do arco-íris. O supervisor da cidade de São Francisco na época, Harvey Milk, pediu a ele que criasse um ícone para a comunidade. O artista, então, realizou esse trabalho inspirado nos hippies que veem o arco-íris como símbolo de paz; e na canção Over the Rainbow que diz que "além do arco-íris existe um lugar muito bom"

Gilbert criou uma bandeira arco-íris com oito faixas horizontais de cores (imagem acima), são elas: rosa, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índico e violeta. Contudo, como o rosa não estava disponível comercialmente na época, o artista abriu mão dessa cor e o Pride Committee retirou mais uma (azul anil), para facilitar a divisão da parada em faixas iguais ao longo da rua - três cores numa metade, três na outra. Assim nasceu a bandeira LGBTQ+ de 6 cores (imagem abaixo). 






Desse modo, as duas bandeiras (de 8 e 6 cores) são usadas atualmente. A bandeira LGBTQ+, portanto, representa a diversidade e cada uma das cores um conceito, como percebido na imagem abaixo:




A cor preta foi incluída também em homenagem às vítimas do HIV, com o intuito de trazer uma imagem forte sobre toda a comunidade. Entretanto, ela foi suprimida e a bandeira voltou apenas com as cores originais. 

Em 1978 a Gay and Lesbian Freedom Day March adotou a bandeira, e em seguinda a Pride Parade Committee, após o assassinato de Harvey Milk, o oficial eleito abertamente gay da Califórnia e incentivador da criação da bandeira por Gilbert Baker. 

As cores LGBTQ+ são utilizadas em vários outros contextos como produtos, e até mesmo em bandeiras. Confira:












A bandeira do arco-íris também tem outros significados. Para os cristãos e religiosos, é símbolo da aliança de Deus. Já para os camponeses da Guerra dos Camponeses no século XVI na Alemanha, esperança na nova era. Atualmente, portanto, a bandeira é reconhecida como símbolo do movimento LGBTQ+ e usada como símbolo de paz. 


Bandeira do Movimento Bissexual




Ela foi desenhada em 1998 por Michael Page, com o intuito de dar voz aos bissexuais, tanto na sociedade como na comunidade LGBTQ+ - já que os bissexuais não se identificavam com movimentos GLS, por se considerarem heterossexuais, apesar de suas orientações sexuais e parceiros. Michael Page, inspirado por seu trabalho voluntário no grupo BiNet USA, criou a bandeira que possui três cores, são elas: rosa, roxo e lilás. 

Page criou a bandeira de forma que ela fosse 40% rosa, 40% azul e 20% roxa, mostrando que essa última faixa cria uma "transição suave" entre as faixas rosa e azul. Ou seja, a bandeira mostra que o bissexual pode transitar livremente tanto com as comunidades gays e lésbicas como em comunidades heterossexuais.

O rosa (magenta) foi escolhido por significar a atração sexual ao mesmo sexo somente (gay e lésbico); o azul, por sua vez, por representar a atração sexual ao sexo oposto somente (indivíduo heterossexual); e o roxo (púrpura ou lavanda) por significar a atração sexual a ambos os sexos (bissexuais).



Bandeira do Movimento Lésbico





Ela foi criada pelo designer Sean Campbell em 1999, apresentando a união de símbolos lésbicos, ou seja o ícone de Labrys com o triângulo negro invertido e fundo roxo. O Labrys ou machado de dupla folha foi um ícone usada na antiga civilização minoica, associado ao poder matriarcal e nas lendas da Grécia antiga, com Amazonas, o símbolo da fertilidade e da agricultura e suas devotas com machados de dupla folha que lavravam a terra. O triângulo negro invertido faz referência a utilização desse símbolo em lésbicas na Alemanha Nazista, que eram vistas como "mulheres indesejáveis" ou "antissociais". A cor roxa por sua vez é ligada ao movimento lésbico e feminista.

Duas outras bandeiras são utilizadas para identificar o movimento lésbico. A primeira apresenta um degradê que vai do lilás ao marrom, criada pelo blog This Lesbian Life em 2010, com o intuito de expressar a feminilidade das lésbicas (lipstick lesbian). Algumas lésbicas, portanto, acham-a controversa por a considerarem excludente ou por não concordarem com os ideias da criadora. 





A segunda é uma que mostra um degradê do laranja ao lilás, passando a representar não somente as lésbicas com feminilidade, mas também as que não possuem essa característica. 







Bandeira do Movimento Sexual Goy




A bandeira Goy foi criada juntamente com o termo no início dos anos 2000. O movimento Goy pode ter surgido entre fraternidades masculinas universitárias (frat houses), surfistas e skatistas, para designar o que hoje se chama de hétero goy - comportamento bastante comum entre homens na Grécia antiga, que ao contrário do que se pensa não envolvia sexo anal. 

O azul é a cor masculina (embora existam controvérsias) e na bandeira ele aparece em várias tonalidades em degradê. O azul escuro representa profundidade/intensidade; o azul índigo, guerreiro por natureza; o branco, paz e amizade; e o azul turqueza, integridade. 



Bandeira do Movimento Pansexual




Ela foi criada para distinguir-se da bandeira bissexual (já apresentada). Formada por três cores - rosa, amarelo e azul - ela representa a atração das pessoas por todos as identidades de gênero e sexos biológicos. 

A faixa azul representa a atração por homens; a rosa por mulheres; e a amarela por pessoas que se identificam como sem gênero, de ambos os gêneros ou de um terceiro gênero. 



Bandeira do Movimento Assexuados




Bandeira criada em 2010 a desejo da Asexual Visibility and Education Network (AVEN - Rede de Educação e Visibilidade Assexual). A bandeira é formada por uma faixa negra, cinza, branca e roxa e representa as pessoas que não possuem nenhuma atração sexual por outra. 

A cor roxa é empregada para as comunidades assexuais. Ela representa a coesão desse grupo e os identifica a partir de um padrão visual. Já as cores preta, cinza, e branca representam a gradação da sexualidade humana. Assim, o preto representa a assexualidade; o cinza a área entre ser sexual e assexual; e o branco significa as pessoas sexuais (hétero, homo ou bi) simpatizantes ou que apoiam a questão assexual. 



Bandeira do Movimento Demisexual




A bandeira demissexual foi criada para representar as pessoas sem atração sexual por qualquer pessoa, a menos que tenha uma atração emocional ou romântica ligada a alguém. O nível de conexão determina o quanto o relacionamento é mais íntimo ou não. Demi é um prefixo que significa metade e é usado para representar sexuados e assexuados.

A bandeira contêm um triângulo preto, com uma faixa roxa que divide o espaço branco do cinza. O triângulo preto representa o antissocialismo e a interseção sexual. A faixa roxa é a cor padrão para a atração sexual das comunidades assexuais. Já a escala cinza e branca, representa os grupos assexuais e sexuais. 


Bandeira do Movimento da Transexualidade




Ela foi criada em 1999 por Monica Helms, uma mulher trans que resolveu representar a comundade transexual. A bandeira foi hasteada pela primeira vez numa parada do orgulho LGBTQ+ em Phoenix, Arizona em 2000. Ela foi produzida em cinco faixas horizontais nas cores azul, rosa e branca, significando que todos os caminhos conduzem ao mesmo caminho, havendo uma transição. A transexualidade não é a mesma coisa que homossexualidade, pois os transexuais podem ser heterossexuais, bissexuais, homossexuais e estar representado por configurações de homem ou mulher. Nada interfere. Daí a ideia da transição, entende? Sobre a ideia da bandeira, Helms disse:

"O padrão foi criado de forma que, não importa que maneira essa bandeira seja hasteada, ela sempre está correta, o que representa o processo de como nós encontramos a maneira correta de vivermos nossas vidas". 


As faixas azul claro representam a cor tradicional dos bebês homens; as rosa claro a cor tradicional para bebês mulheres; e as brancas aqueles que são intersex, estão em transição ou se identificam com o gênero neutro ou não tem gênero definido. 



Bandeira do Movimento Não-Binário ou genderqueer




Ela foi criada em setembro de 2010 por Marilyn Roxie, tendo seu design final em junho de 2012. A bandeira representa o gênero não binário, que é um gênero que não é nem masclino, nem feminino; e o genderqueer que representa pessoas que não se identificam com as expectativas da sociedade referente a sexo, expressão de gênero e sexualidade. 

As cores da bandeira é a lavanda, branco e verde. A faixa lavanda representa pessoas andróginas e a androgia; a branca a neutralidade de gênero; e a verde representa identidades definidas para além ou sem qualquer referência ao sistema binário de gênero (homem e mulher).

Cada tom mostra essa transição (entre uma identidade binária e uma não-binária), havendo uma combinação entre eles. Embora não seja a bandeira mais fácil de lembrar, não é difícil de se lembrar das cores. 



Bandeira do Movimento da Interssexualidade




A bandeira interssexual lembra um pouco a transgênero por conta de suas cores, mas com diferenças. A bandeira interssexual traz em seu centro uma faixa azul bebê e rosa bebê que se unem em um efeito degradê, mostrando que a pessoa interssexual passeia por ambos os gêneros (masculino e feminino) e tem caracteres sexuais, como cromossomos, gônadas e órgãos sexuais de ambos os gêneros. Desse modo, os interssexuais possuem dimorfismos (duas formas) sexuais como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. 

A bandeira, portanto, apresenta seis faixas de cores, que são parecidas nas pontas (superior e inferior), com uma intersecção de cores no meio. 


Bandeira do Movimento Intersex





Ela foi criada pela Intersex Human Rights Australia (Organização Internacional Intersex na Austrária) por Morgan Carpenter em julho de 2013. Possui um círculo roxo no centro, em cima de um fundo amarelo. As cores amarelo e roxo representam as cores hermafroditas, ou seja, tons femininas e masculinas ao mesmo tempo. Já o círculo não tem quebras ou ornamentos e representa a integralidade e a completude, seja corporal como genital, simbolizando o direito de "ser quem e como queremos ser". 

A bandeira foi utilizada por diversas organizações de mídia e direitos humanos. Em junho de 2018, ativistas intersexo participaram do Utrecht Canal Pride, com a bandeira. Já em maio de 2018, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país onde a bandeira intersexo foi erguida fora do parlamento nacional. 



Bandeira do Movimento fluidos de gêneros




A bandeira representa um subgrupo da comunidade LGBTQ+ que diz respeito as flutuações e flexibilidade do gênero em pessoas fluidas de gênero. 

A bandeira contém cinco listras: rosa, branca, lilás, preto e azul. A primeira faixa, rosa, representa a feminilidade ou sentimento feminino; a segunda, a ausência de sexo, incluindo gênero neutro; a terceira, a combinação da masculinidade e feminilidade, incluindo vários graus de androginia; a quarta, todos os os outros gêneros, terceiros gêneros e pansexual; e a quinta, a masculinidade ou sentimento masculino. 



Bandeira do Orgulho Leather




Criada por Tony DeBlase em 1989, durante uma competição para Mr. Leather em Chicago. A bandeira celebra a subcultura que aprecia práticas e formas de se vestir para atividades sexuais que utilizam principalmente o couro.

A bandeira é composta por nove faixas horizontais de mesma largura que se alternam nas cores preta e azul royal. A faixa central é branca. No canto superior esquerdo há um grande coração. Tony DeBlase não deu um significado direto para as cores e símbolos da bandeira: "Deixo por conta de quem observa a bandeira interpretar as cores e os símbolos", disse em entrevista. 



Bandeira da Irmandade dos Ursos



Criada por Craig Byrnes em 1996 com o intuito de celebrar a subcultura dos "ursos", uma gíria para homens fortes que exibem pêlos pelo corpo e são grandes (apesar de não ser uma exigência cabal). 

É formada por sete faixas horizontais com cores de pêlo e nacionalidades de urso de todo o mundo. Na parte superior esquerda traz a imagem de uma pata de urso.  



Bandeiras LGBTQ+

Abaixo tem um resumo das bandeiras faladas nesse post, algumas não foram faladas, mas ficam para curiosidade de vocês. Veja: 




A bandeira é apenas uma das formas de representação da comunidade LGBTQ+, mas existem muitas outras.


E você, já conhecia essas bandeiras? Diga nos comentários! Até amanhã com o último post da Semana do Orgulho LGBTQ+ 2020! J-J

Falar de sexo e informar a comunidade LGBTQ+ não é promiscuidade. O sexo é inerente às pessoas sexuais, como vimos nesse post. Todo fetiche é válido, se saber-se respeitar o outro e a si mesmo. Lembre-se: sexo, só se for com camisinha e com todos os cuidados necessários. J-J




Por: Emerson Garcia
Ilustração: Milena A. Soares

10 comentários :

  1. Como o Paulo aí acima, também achei muito interessante e dei uma olhada nos teus posts anteriores ,onde estás falando sobre esse tema...Fico impressionada o quanto falta a todos nós conhecer! Gostei de te ler! abraços, lindo fds! chica

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    Respostas
    1. Verdade. Essa Semana LGBTQ+ tem o intuito de todos os anos de trazer luz e informação sobre o tema.
      Que bom que gostou de ler.
      Bom final de semana pra você também.

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  2. Acompanhando desde o primeiro dia. Tomo banho noutra praia, mas respeito que toma banho numa praia... diferente.
    Gostei de ler
    .
    Saudação amiga
    Fim de semana feliz

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  3. Olá!
    Não sabia que cada cor tinha um significado, muito interessante!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Olá,
    Não conhecia essas bandeiras e nem os significados das cores. Gostei muito do seu post.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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  5. Nossa, Emerson!

    Seu post foi muito interessante, porque eu não fazia ideia de que tinha uma bandeira para todos os movimentos, só conhecia a do movimento LGBTQ+!

    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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    Respostas
    1. Pois tem, sim, bandeira para cada movimento. Tem umas mais recentes e outras mais antigas.

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  6. Amigo! Eu não conhecia nada dessas bandeiras. Excelente post. Aprendi muito!

    Beijos sabor carinho e um finalzinho de sábado abençoado

    Donetzka

    Blog Magia de Donetzka

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