terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Solidariedade ainda que tardia?



Desde a semana passada (29) solidariedade foi o que não faltou entre os apaixonados por futebol, brasileiros e até mesmo estrangeiros. Uma tragédia de tamanha grandeza, como a do acidente aéreo que levou a óbito importantes jogadores que estavam no auge da carreira e profissionais de jornalismo, despertou nos seres humanos o sentimento de amor, alteridade e compaixão. 

Tal fato me fez refletir no despertamento da solidariedade em tempos de crise. Será que nós, seres humanos, só nos convalescemos do semelhante quando ele passa por uma situação adversa? Durante esses dias, vi dezenas de internautas colocando em suas fotos do Facebook o filtro #VamosChape, vi diversos monumentos nacionais e mundiais aderindo a cor verde do time e vi, ainda, uma união impressionante entre times, de diferentes cores e mascotes, unidos em solidariedade, bem diferente de jogos em que há torcidas se degladiando. 

No meio de uma tragédia, times usaram o brasão chapecoense e outros abriram mão do uniforme habitual, por um de luto, na cor preta. Os amantes do esporte disseram que o futebol não é apenas competição, mas que existe algo muito maior: a união. Sim! A união que veio após a tragédia.

Que interessante seria se os times esportivos sempre deixassem a rivalidade de lado e caminhassem de mãos dadas, não? A rivalidade começa dentro do campo de futebol e chega até às arquibancadas, tendo como pano de fundo socos, pontapés, sangue e narizes quebrados. Foi necessário uma tragédia para que o estádio em Medellín retirasse de cena a violência esportiva e desse espaço às homenagens, balões brancos e minutos de silêncio. 

Não sou insensível até o ponto de não reconhecer os abraços, palavras solidárias, espírito de "chorar com os que choram" dos colombianos. Eles foram nobres em suas atitudes e eu sei que emocionaram a cada um que viu o estádio daquela forma. Não sou casca grossa de não achar os monumentos verdes a coisa mais linda do mundo, nem de ser tão seco que não possa aplaudir a atitude do Conmebol de declarar a Chape como campeã da Copa Sul-Americana de 2016. Mas o que venho colocar em reflexão é o seguinte: será que tem que acontecer uma tragédia para que nos juntemos, formemos um único time e um cordão de solidariedade?

Nos últimos dias, vi muitas atitudes solidárias como: o filtro do Chape no Facebook; o belíssimo encerramento do Jornal Nacional, com funcionários aplaudindo os atletas e jornalistas que morreram na tragédia; a cobertura sensibilizante do Fantástico, que incluiu cavalos esportistas tristes (um até com a camisa do Chape e com uma lágrima escorrendo!), a simulação da cobertura da final do campeonato em um estádio vazio, triste e silencioso realizada por Galvão Bueno (Arte e produção incrível!) e uma mãe de um jogador que consolou um jornalista que a entrevistava (E olha que eu fico com um pé atrás com essas reportagens dramáticas heim?!). 




Uma das formas que podemos contribuir para a nossa comunidade é com atitudes solidárias e que vejam o semelhante como um ser igual a nós. Mas não podemos achar que a solidariedade só é possível em momentos como a tragédia do avião da Chapecoense. Estaremos sendo hipócritas e oportunistas. Existem seres humanos que estão sofrendo tragédias em vida: o desemprego, a fome, a miséria, a escassez, a falta de moradia, a pobreza. E onde estão os nossos olhos solidários para essas pessoas? 

É muito fácil, após a morte da equipe de Chapecó, dizer que "se é chapecoense desde criancinha" ou "atleticano desde bebê" por que o time do Atlético cedeu o título à Chapecoense. Poderia mudar a minha foto do Facebook para o filtro do #VamosChape? Poderia! Mas solidariedade é maior que um filtro, e se utilizasse-o muitos diriam que era oportunismo, afinal odeio futebol e jamais poderia dizer que sou chapecoense desde criancinha! O filtro também daria margem à essa interpretação. Se houve alguma solidariedade da minha parte nas redes sociais, foi um post manifestando as minhas condolências às vítimas e familiares e uma logo preta do Jovem Jornalista em sinal de respeito e luto. 

Por outro lado, por que reconhecer os jogadores como heróis e os vencedores do campeonato após suas mortes? Quer dizer que uma pessoa só é reconhecida como herói depois que morre? Quer dizer que eu só posso demonstrar solidariedade por alguém quando esse alguém transcende para outro plano? O histórico da Chapecoense foi só de vitórias e ascensão: da série D para a A em 5 anos, até chegarem ao céu. Quantos internautas colocaram o filtro do Face antes dos jogadores morrerem? Quantos foram chapecoenses enquanto a equipe estava brilhando em campo? Me digam quantos que eu excluo esse texto!

Hoje em dia? Dias e dias de coberturas, homenagens, reconhecimentos à equipe. Será que é válida essa solidariedade ainda que tardia? Sim! É aquela palavra bíblica né?! "Chorar com os que choram e sorrir com os que sorriem". E o acidente com o avião da equipe do Chapecó e os jornalistas foi uma situação de choro. Mas que tal nos unirmos em solidariedade em outros momentos, que podem ser pequenos, de alegrias, em que os heróis não estão mortos, de tragédias em vida, e que não há uma comoção nacional? Você pode demonstrar solidariedade para uma pessoa que respira e viva, como a Thalita Moreira pode relatar no dia 25 de abril de 2013. Muitas vezes, quem precisa de uma atitude solidária é seu vizinho e você não está nem aí pra ele. J-J


Por: Emerson Garcia

4 comentários :

  1. Realmente não devemos esperar uma situação de tragédia para sermos solidários uns com os outros.Devemos praticar o amor e a compaixão ao próximo todos os dias.

    www.paginasempreto.blogspot.com.br

    Beijos

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  2. Não devemos esperar algo assim para ajudar alguém, mas é ótimo ver que as pessoas conseguem ser solidárias e isso deveria acontecer sempre.
    Art of life and books

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  3. Olá JJ,

    Tudo o que escreveu é verdade..

    Um beijo,

    www.purestyle.com.br

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  4. Sim, concordo com o que você escreveu.

    www.vestindoideias.com

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