segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Vibe humor: músicas críticas


Seguindo com a semana da reflexão, o Vibe humor dessa semana trará músicas que criticam a sociedade e o Estado.  




Começando com um rockzinho básico, temos Pitty com um de seus sucessos: Admirável Chip Novo. Seu título foi baseado no livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. O tema principal da música é sobre o controle e a censura que a sociedade sofre do Estado. “Pane no sistema, alguém me desconfigurou, aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido, eu sempre achei que era vivo [...] Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça, use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste, viva...”.

Marcelo D2 acertou em cheio nessa música de crítica a sociedade. Confesso que não sou muito de escutar rappers, mas o D2 e o Gabriel Pensador não tem como não ouvir. “Tu quer a paz, eu quero também, mas o Estado não tem direito de matar ninguém. Aqui não tem pena de morte, mas segue o pensamento, o desejo de matar de um Capitão Nascimento que, sem treinamento, se mostra incompetente. O cidadão por outro lado se diz impotente, mas a impotência não é uma escolha também, de assumir a própria responsabilidade, hein?”.

Que país é esse?, do Legião Urbana, trata claramente sobre a corrupção que há no Brasil (e quem diz que não há, não está enganando aos outros, e sim, a si mesmo). “Nas favelas, no senado. Sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.Que país é esse?”.

Construção, de Chico Buarque, narra a história de um trabalhador da construção civil morto no exercício de sua profissão, desde a saída de casa para o trabalho até o momento da queda mortal. A letra contém uma forte crítica à alienação do trabalhador na sociedade capitalista moderna e urbana, reduzido à condição mecânica. Confesso que ri da primeira vez que ouvi essa música, achei-a engraçada no seu verso final: “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”. “Seus olhos embotados de cimento e lágrima. Sentou pra descansar como se fosse sábado. Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe. Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago. Dançou e gargalhou como se ouvisse música. E tropeçou no céu como se fosse um bêbado. E flutuou no ar como se fosse um pássaro. E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público. Morreu na contramão atrapalhando o tráfego...”.




Temos ainda Charlie Brown Jr com Eu Protesto. Me desculpem se eu interpretei errado, mas acredito que o início da música fale sobre o capitalismo e como Eles (o Estado) querem que continuemos comprando. A canção fala muito sobre essa questão de você ter eleito uma pessoa para governar nosso país e essa pessoa não estar fazendo nada para merecer estar onde está. “Quase todo aquele luxo te deixou confuso, e aquela vida fútil comprou mais um inútil. Foi você quem colocou eles lá, mas eles não estão fazendo nada por vocês. Enquanto o povo vai vivendo de migalhas, eles inventam outro imposto pra vocês”.

Agora temos, Gabriel Pensador com Até quando. A letra tenta abrir o olho da população para a impunidade, para a corrupção, para a desigualdade social. Essa música é um tapa muito forte na cara da sociedade. É meio triste saber que existem músicas assim e que nossa realidade é, de fato, exatamente como ela retrata. “Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!) Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!) Até quando vai ser saco de pancada?”.

Brasil de Cazuza faz referência ao estado de escravidão ao qual o país foi submetido a partir do momento da nossa suposta independência em 1822. Naquela ocasião a nossa independência da coroa portuguesa foi negociada em troca do pagamento da dívida de Portugal com os banqueiros. Quando Cazuza questiona: “quero ver quem paga pra gente ficar assim” e “o nome do teu sócio”, ele faz uma espécie de provocação, afinal, ele sabe muito bem de quem se trata. Sabemos que a navalha é comumente utilizada por suicidas para cortar os pulsos. Quando Cazuza diz “o meu cartão de crédito é uma navalha” ele quer dizer que o uso do cartão de crédito, ou de qualquer meio de endividamento, é análogo a um suicídio, pois perdemos as nossas vidas a partir de então. “Brasil! Mostra tua cara. Quero ver quem paga, pra gente ficar assim. Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim”.

Uma música sugerida pelo Emerson, foi Tudo vira bosta, da divíssima Rita Lee. A citação da Rita que não tem como não mencionar: “O segredo da vida qual é? A gente nasce, a gente cresce, a gente estuda, trabalha, arranja um emprego, ganha grana, vai ao supermercado. Tosta toda a grana na comida, chega em casa faz comida, come tudo e tudo vira bosta!” Nós nos preocupamos muito com coisas fúteis e as coisas que importam mesmo, nós acabamos deixando de lado. Nos preocupamos em estudar, trabalhar, ter dinheiro, guardar dinheiro, ter fama, mas acaba que, de fato, tudo vira bosta. Devemos nos preocupar mais com o agora do que com o daqui a pouco. “Um dia depois, não me vire as costas, salvemos nós dois, tudo vira bosta...”.  J-J




Por: Thiago Nascimento

13 comentários :

  1. Gostava muito da Pitty *-*

    Bjuuuuu
    http://www.blogjumedeiros.com/

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  2. Boa Thiago, uma playlist ótima para começar a semana!

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  3. Das que eu mais gosto! Principalmente Construção, amo!

    :**

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    1. Construção é uma das que eu mais fiquei traumatizado ouvindo. Haha. Mas não deixa de ser brilhante.

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  4. eu gosto muito das musicas da Pitty e admiravel chip novo é umas que mais gosto, sabe que gosto dessas musicas que falam de nossa sociedade
    beijos http://www.blogdaxavier.com.br/

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  5. Olá Thiago,
    Gostei muito do seu post.
    Sou apaixonada pela música do Legião, Cazuza, D2 e Pitty, ouvia direto. Hoje em dia, ouço mais Legião.
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Pitty e D2 curto bastante, principalmente Pitty. *-*

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  6. Não costumo ouvir esse tipo de música, mas no campo das artes, sempre de uma forma sutil, ou nem tanto, colocam a sociedade/governo na parede.

    rasgadojeans.blogspot.com

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  7. Muito interessante a postagem. Muitas músicas nos dão esse prazer da reflexão do "estado"/mundo em que vivemos, formas que agimos, etc..

    www.vivendosentimentos.com.br

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  8. Que país é esse é um clássico do protesto! adoro... mas uma que você colocou na lista e eu acho perfeita é o "Até quando?!" principalmente o trecho que ele diz sobre a televisão que entretêm para você não ver que o programado é vc... é demais... bem real!!

    Boa Lista!!

    Bjinhos
    JuJu
    As Besteiras Que Me Contam

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    1. Pois é. A mídia torna as pessoas alienadas de um jeito tão absurdo, e para tirar isso da sociedade... Quem tira?

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