domingo, 20 de setembro de 2015

Sangue ruim



Eu e o Thiago Nascimento tivemos a ideia de uma Semana da Reflexão, que começa hoje. Serão 7 posts especiais que levarão os leitores a reflexão. O primeiro post é sobre "igualdade na veia". 


Qual seria sua reação se estivesse precisando de uma doação de sangue urgente, e só tivesse uma pessoa homossexual compatível com você?! Se você tivesse apreço a sua vida, iria aceitar, para viver mais tempo, não é?! E se eu dissesse que você está em risco de morte, só existe um homossexual compatível, mas o sangue dele é ruim, e você vai morrer. Concordaria com isso?

Infelizmente, é o que tem acontecido. Há alguns meses, foi veiculado uma reportagem no Bom dia Brasil, da Globo, que falava da proibição de doação de sangue de homossexuais. Eles não podem doar, por conta do fator de risco. Eles não podem doar, porque a ignorância é maior do que a vontade de salvar vidas. Eles não podem doar, porque  são homossexuais.

O equívoco já começa daí: achar que a Aids só atinge os gays. E os heterossexuais que transam a torto e direito, sem prevenção?! E os g0ys, os héteros que mantêm relação com homens?! E os que não saíram do armário, mas que doam sangue?!

Mas isso não vem de hoje. O movimento vem desde os anos 1970, quando mais de 39 milhões de pessoas morreram de Aids no mundo. (de pessoas, não só de homossexuais). 

Confira a primeira reportagem na tv brasileira sobre a Aids, na época, a doença era conhecida como SIDA. Um dado interessante  diz que "70% das vítimas são homossexuais", além ser chamada de "praga do homossexual". Depois desse nome pejorativo, um cientista disse que a "síndrome NÃO pode mais ser tratada como praga do homossexual".





Toda essa seleção sanguínea equipara-se ao tempo em que Hitler queria criar uma raça perfeita e pura. A seleção é assim: existem dois tipos de sangue: o heterossexual - que tem salvado vidas; e o sangue homo - que é inútil e ruim. A escolha do sangue do macho alfa e da fêmea alfa é na sala de doação, quando se assina a papelada burocrática. É ali que o homo pode dizer que é hétero, que o gay se diz gay, que o hétero se diz hétero. A doação sanguínea é baseada no parâmetro da orientação sexual, e não se seu sangue tem muita testosterona, se ele é rosa ou cheio de purpurina. Nenhum médico será louco de analisar a amostra sanguínea e dizer: "Esse sangue está bem 'bicha'"

O preconceito existe, e é lá na sala de doação. Você pode ser gay, usar camisinha religiosamente, não ter Aids, seu parceiro ser fixo, mas se alguém estiver morrendo por falta de sangue, não pode doar. É a Anvisa que diz isso: 

"Qualquer homem que tenha tido relações sexuais com outro, nos últimos 12 meses, deve ser impedido de doar sangue, mesmo que tenha um parceiro fixo e faça uso de preservativo". 


Na época do vídeo acima, o repórter diz que não existia nenhum exame que mostrava se o sangue estava contaminado, ou não. Hoje, a tecnologia avançou muito. Já tem como constatar a contaminação no sangue por meio de análises. Aidéticos, podem viver com qualidade, por meio de tratamento mais eficazes. O médico Dráuzio Varella explicou:

 Atualmente, não se veem mais pacientes com essas características morrendo de AIDS. Pode-se dizer até que, graças à medicação existente, ela se transformou numa doença de certa forma crônica e controlável, o que lhes permite levar vida normal. (Reportagem completa aqui)





Repercussão


A evolução é incontestável, só que não. Não evoluímos em nossos pensamentos e conceitos. Um projeto de lei quer mudar esse cenário do preconceito sanguíneo. Trata-se do Igualdade na veia, campanha lançada durante a Parada Gay 2015, para dar oportunidade de homossexuais doarem sangue, mas claro, os que não forem aidéticos. A iniciativa gerou mobilização, camisetas, passeatas, e até uma petição, para apoiar a causa (clique aqui para assiná-la). 








Jeffery Self & Jake Wilson, também, parodiaram a música de Taylor Swift, Bad Blood (sangue ruim), em um vídeo chamado Sad Studs. Confira aí: (O vídeo não é legendado mas dá para entender)






Iniciativas como essas deveriam ter o apoio de toda a população, não só do Brasil, como do mundo inteiro. Afinal, salvar vidas deveria ser um ato nobre. Não pense: "Mas se for um sangue contaminado, um sangue ruim, essa pessoa não pode morrer?!" Pense assim: "O sangue será submetido a análises. Se for um sangue de fator de risco, não será injetado na pessoa. Mas se for compatível e saudável, salvará uma vida. Não importa se é um sangue de um macho alfa, fêmea alfa ou de um gay". E se fosse você que estivesse precisando de sangue? J-J

O Brasil já passa de 6 milhões de habitantes. Apenas 1,9% da população doa sangue. Esse número de doadores poderia ser bem maior se o preconceito fosse deixado de lado.



O que acharam desse post de estreia? Você é a favor ou contra a doação de sangue de homossexuais?




Por: Emerson Garcia

18 comentários :

  1. Pra mim, mais que uma campanha em prol dos homossexuais, deveria haver uma grande campanha que englobasse todos. E concordo, nem todos que se dizem homens, de fato são.

    rasgadojeans.blogspot.com

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    1. Mas a campanha de doação existe já. Mas acho que poderia existir mais doações sr não houvesse essas restrições.

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  2. Não sabia que não estavam aceitando as doações dos homossexuais. Quanta ignorância! É simples, faz um exame pra ver como está o sangue e pronto.
    http://cristadelicada.blogspot.com.br/

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    1. Nesse caso, mais importante do que a pessoa é o seu sangue.

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  3. Hello from Spain: the gay world in my country is very normal. For years it legal wedding between two men. They have the same rights as other couples. I am in favor of donating blood from gay men if this blood is of good quality. You can not discriminate for being gay. Keep in touch

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    1. Yeah. The blood is even more important . It is the blood that saves lives. I'm glad there in Spain things are better resolved.

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  4. que coisa ridícula... ser homossexual não interfere com a qualidade do sangue de ninguém. há heterossexuais que não podem doar sangue! mas isso nada tem que ver com a orientação sexual de cada um. enfim!

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    1. Pois é. Tem muitos heterossexuais anémicos, aidéticos por aí. Esse mito tem que cair por terra.

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  5. Quando vi isso no Facebook, fiquei me questionando a veracidade da informação e tive que ir atrás para saber se era verdade mesmo.. (não dá mais pra confiar nas notícias que rola por lá)..

    Fiquei chochada =/
    Acho que a opção sexual não interfere em nada na qualidade do sangue =/

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  6. Essa temática é tão triste que nem quero acreditar. As pessoas têm de aprender a ser mais abertas e aceitar cada um como é sem restrições!

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  7. Adorei o blog!! Muito bom e interessante
    Já sigo!!
    http://modadarapunzel.blogspot.pt/

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  8. Adorei o post, e a ideia de uma semana de reflexão! Eu sinceramente duvido muito que alguém realmente morra, ou pior ainda deixe um filho, ou outro parente querido morrer porque o sangue do doador e de um gay ( e quem o faz é um doente, e não sabe )
    Beijos Emerson

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigado, Lilly. Pois é. Essas restrições deveriam não existir. Mais importante é a vida. Ninguém precisa saber de onde vem o sangue. Ninguém precisa saber de quem é o coração ou médula doado. Mas todos precisam saber que existiu alguém com bom coração que quis ajudar a salvar uma vida.

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  9. LoL Quanta ignorância. Ok que o mundo inteiro é ignorante em diversos pontos, até nos mais bobos. Adorei a ideia de semana de reflexão, isso é bem legal (: Além de ser bacana de escrever, é bacana de ler também.
    E bom, sangue é sangue, independente de quem seja, desde que esteja bom npe, deve ser aceito. Você não precisa saber quem é seu doador -_-

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    www.carolespilotro.com

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  10. Fiquei sabendo que homossexuais não podiam doar sangue há pouco tempo e até pensei que fosse uma coisa antiga, porém, não... É uma pena ver como as pessoas ainda são tão intolerantes por falta de informação. Quando começamos a acreditar que as coisas estão melhorando e que as pessoas estão mudando, nos deparamos com situações como essa e o que dizer? Péssimo saber que alguém pode perder sua vida por causa de um preconceito bobo. Lamentável... É no meio dessa sociedade que temos que viver, infelizmente. :/

    Acabei de conhecer seu blog e já sou fã! haha ;)
    Falso Escritor

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