segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A indústria cultural brasileira na abertura das Olimpíadas 2016

Finalmente assisti a abertura das Olimpíadas Rio 2016 completa. No dia que foi ao ar, só tinha assistido parte, mas agora posso falar com mais propriedade dela. 




Definitivamente, o Brasil estava bem representado, principalmente no aspecto cultural. Os produtores Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e Andrucha Washington (Casa de Areia) e as cenógrafas Daniela Thomas e Rosa Magalhães tiveram a missão de sintetizar a cultura brasileira em 4 horas de cerimônia. Os principais ritmos musicais estavam representados: desde o samba e bossa nova, até o funk, pop e rap. O show contou com personalidades e cantores conhecidos do Brasil, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Marcelo D2, Karol Conka, Giselle Bündchen, Jorge Ben Jor e Anitta. 

Logo no início da cerimônia, ouvimos músicas no ritmo da bossa nova e o hino nacional cantado e tocado por Paulinho da Viola, que ficou singelo e mostrou toda a identidade brasileira. Sem falar ainda do hino carioca Aquele abraço, com composição de Luis Melodia. 

A produção do show teve um trabalho fenomenal ao contar a história do Brasil, com uma trilha sonora instrumental empolgante e bonita. De um tom instrumental, passou-se para algo atual e contemporâneo, como a releitura empolgante de Construção, composta por Chico Buarque em um ritmo ora clássico, ora eletrônico; o belíssimo instrumental Samba do Avião; Garota de Ipanema, composta por Tom Jobim e "desfilada" por Giselle Bündchen; Rap da felicidade, cantado por Ludmilla; e Deixe a vida me levar, em samba, por Zeca Pagodinho, e em rap, por Marcelo D2. 



O fato é que a cerimônia deu voz à música que caracteriza e identifica o Brasil. Não teve somente samba, muito menos só funk ou somente bossa nova. A periferia e os morros estavam representados, assim como as lajes e os bairros glamourosos. Uma das preocupações da abertura foi exatamente essa, mas também a de promover a diversidade e dar voz a classes menos favorecidas.


Brasil diverso e das minorias

Regina Cazé e Jorge Ben Jor celebraram as diferenças com a música País Tropical, que reuniu pessoas das mais diferentes características que estavam em cima de faixas coloridas, projetadas por um painel eletrônico. Essa música é bem popular e ela se encaixou como uma luva para o momento.



Índios, transgêneros, mulheres, negros, comunidade LGBT, favelados. Essas pessoas foram representadas na cerimônia, sem filtros e sem cortes. Em um momento que muito tem-se falado de empoderamento feminino, lá estavam Karol Conka e Mc Soffia, para não só enaltecer as mulheres, como os negros, com a canção Toquem os tambores, com uma pegada de break dance e capoeira.

De acordo com Fernando Meirelles, personalidades políticas iriam odiar a cerimônia:

"Bolsanaro vai odiar a cerimônia. Trump também.
Pelo menos nisso acertamos".


Pergunto à vocês: por que eles odiaram?


O samba de Anitta

A diversidade e a mistura foi tão grande que não só Marcelo D2 e Zeca Pagodinho se uniram, mas também outra união questionável aconteceu na cerimônia: Anitta, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Talvez o que causou estranheza, principalmente nos gringos, foi unir um ritmo bastante tradicional como o samba, com uma cantora de funk contemporânea. Mas não me assustou em nada, já que essa abertura foi democrática, diversa, DIFERENTE. Sem falar, que não é só o samba que identifica o Brasil atualmente, mas todos os outros ritmos. Assim, estavam reunidos os grandes reis da MPB e a diva do pop nacional cantando Isto aqui, o que é? de Ary Barroso. 


Tudo acabou em samba, como deveria ser. A delegação brasileira entrou ao som de Aquarela do Brasil e com várias escolas de samba do Rio de Janeiro. Pelo céu do Maracanã e do Rio de Janeiro ecoava-se esse ritmo, que contagiou o público e as delegações olímpicas.


A cultura não foi só a música

As artes, a poesia e as invenções brasileiras também estavam representadas na abertura com o desenhista Ziraldo, a atriz Fernanda Montenegro, o poeta Carlos Drummond de Andrade e Santos-Dumont. 

O Ziraldo deixou registrado seus traços ao criar uma árvore inscrita em um símbolo de paz, que foi exibida em um dos pontos altos da cerimônia quando passava a mensagem de sustentabilidade e preservação. 




Aliás, como se esquecer dos aros olímpicos com plantas verdes? Um belo trabalho artístico e de produção!




Também merece destaque a poesia do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, recitada pela voz inconfundível de Fernanda Montenegro. Enquanto declamava, apareciam imagens belíssimas em alta definição. Esses versos ficarão para sempre em minha memória:


"[...]Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio".



O inventor Santos-Dumont também estava lá sobrevoando o Maracanã e a cidade maravilhosa ao som de Samba do Avião. Um ícone da cultura brasileira querendo os Estados Unidos ou não!




Gambiarra artística

A cerimônia das Olimpíadas do Rio 2016 custou 85% menos que as de Londres, e não dava pra ser diferente, já que o país enfrenta uma crise econômica considerável. Foram usados recursos mais baratos e materiais foram comprados no "tom da Saara" - uma região de comércio popular carioca. Utilizaram também recursos sustentáveis, como a pira olímpica que consome e emite menos gás, mas que não tirou sua beleza, pois ela estava envolta de uma escultura cinética belíssima em forma de sol.




Apesar da economia, o Brasil não fez feio por trazer o melhor da indústria cultural brasileira para todo o mundo. J-J 




Por: Emerson Garcia

8 comentários :

  1. Achei bem bonita também. Claro que, não achei tudo que fizeram super legal, mas me surpreendeu positivamente =)

    rasgadojeans.blogspot.com

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  2. Eu achei bem bonita a abertura. O sol com espelhos ficou muito bonito.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  3. Achei a abertura muito bonita e confesso que me emocionei em alguns momentos;)
    Bjs!

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    1. Eu também me emocionei. E olha que é difícil me emocionar com esportes.

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  4. Eu assisti toda a cerimônia, do começo ao fim, e simplesmente me encantei e me emocionei com tudo. Eles contaram nossa história de uma forma linda. Ver os ameis olímpicos serem formados através das mudas que eles plantaram e a pira olímpica sendo acesa por Vanderley (não sei se escreve assim o nome dele) foi mágico.
    Um beijo!

    www.impulsofeminino.com

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    Respostas
    1. Sim! Vanderley emocionou a todos. Foi uma recompensa e uma honra pra ele.

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Obrigado por mostrar seu dom. Volte sempre ;)

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