sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O brega de todos nós

Ewow Brasil

Bizarro; sem noção; ultrapassado. De mau gosto; cafona; exagerado. Esses são alguns dos adjetivos supostamente depreciativos utilizados pelos detratores da obra de Reginaldo Rossi. Pouco importa se são justos ou não, já que ser chique não era o objetivo do trabalho do cantor. O fato é que muitos dos que dizem não apreciar suas letras e negarão até a morte que se identificam - e muito - com aquelas conhecidas histórias musicadas da vida real simplesmente não conseguem esquecer o que elas dizem.

Inegável é que Rossi, apresentado na certidão de nascimento como Reginaldo Rodrigues dos Santos, foi um fenômeno. Quem nunca ouviu falar dele? Quem não tem decorado sequer um verso seu? A explicação para essa conexão tão imediata chega a ser tão singela quanto as músicas estamos falando de episódios que podem acontecer (e acontecem!) na vida de cada um de nós. Como dor de cotovelo não é exclusividade de ninguém, basicamente todo mundo fica cafona quando se apaixona ou sofre por amor.

E foi assim, levando suas mensagens de forma direta, na linguagem simples e despojada do povo, que ele conquistou um imenso público com canções sobre temas universais como amor, ciúmes e traição. Tratando com franqueza incomum os prazeres e os dissabores dos relacionamentos amorosos, tornou-se o "Rei do Brega".

Ser "eleito" monarca naquilo que faz não é pouco num país fascinado pela aura da nobreza, mas a carreira de Rossi não merece menos. O recifense chegou a estudar engenharia civil e deu aulas de matemática, mas seu lugar era o palco. E o destino era o brega: expoente do rock no Nordeste dos anos 1960, conheceu o sucesso ao investir forte no romantismo nas décadas seguintes.

Divulgação


Apenas Garçom, hit máximo da história do brega nacional, vendeu 2 milhões de cópias após seu lançamento, em 1987, e fez Rossi decolar no Sudeste. Ainda que famoso no território nordestino, somente a partir de então, já com mais de vinte anos de carreira, tornou-se conhecido em todo o país.

O pouco espaço aberto pela mídia para ritmos regionais e artistas que atuam fora da região mais rica do país foi alvo de crítica de Rossi. "Infelizmente, a imprensa foca sua cobertura no eixo Rio-São Paulo. Os meios de comunicação isolam outras regiões e deixam de lado uma série de talentos e uma rica cena musical", disse certa vez.

Mesmo diante da pouca atenção da grande imprensa, a carreira cresceu e o sucesso não parou aí: ao todo foram 21 LPs, dez CDs, 14 discos de ouro, dois discos de platina, um de platina duplo e um disco de diamante.

O legado inclui centenas de canções e muitos sucessos, como A raposa e as uvas, Leviana e Recife minha cidade. Além das milhões de cópias vendidas e do respeito de representantes de todos os gêneros musicais, o trabalho atraiu a atenção para o brega e outros estilos, influenciando cantores como Amado Batista, Zezo dos Teclados e Falcão.

Reginaldo Rossi morreu na manhã desta sexta-feira, 20 de dezembro de 2013, aos 69 anos. Fumante, teve falência múltipla dos órgãos ocasionada por um câncer de pulmão diagnosticado tardiamente. O Brasil, no entanto, nunca esquecerá de quem tão bem traduziu em música os amores da vida real. J-J



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Por: Allan Virissimo

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