segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Niemeyer III



Chamou-me a atenção esta por ser bem moderna e que fazia o concreto sair da monotonia e do estático para se transformar em algo em movimento. Quem subia aquela escada tinha a sensação de estar acompanhando seu formato e entrando em sintonia com ela. Olhei para o teto daquele espaço frio, vazio e amplo e constatei vários círculos que comportavam, cada um, uma lâmpada oval. Imaginei à noite todas aquelas fontes de luz acesas e iluminando o saguão. No pátio via vasos de plantas, o que confirmava que apesar da modernização, o ser humano não se esqueceu da natureza. Aliás, ao redor dos três arcos suntuosos e côncavos de Oscar Niemeyer vi um gramado, de um verde fosco e sem vida e várias árvores e plantas.
A Casa é composta por vários postes de luz, cada um com uma dupla de lâmpadas espalhados pelo gramado de verde fosco, que garantem a iluminação ao cair da tarde. Além dos postes, percebi onze mastros para bandeiras. Um deles comportava a bandeira brasileira e estava localizado simetricamente ao grupo de mastros. Outro era para a bandeira do Distrito Federal. Os demais, nove mastros, eram para os nove estados nordestinos. Fiquei imaginando todas as bandeiras colocadas ali.
A esquerda dos três arcos, um campo de futebol improvisado com duas traves compõem a aparência da Casa. Do outro lado, abaixo de um dos arcos existe um auditório aberto, com uma espécie de arquibancada, estilo estádio de futebol, bancos sem encosto. Um palco de concreto com uma escada lateral servia como palco para os shows. O espaço possui uma concha acústica que permite a evasão do som por todo o ambiente, o que facilita que o público de todo o auditório, inclusive os das últimas fileiras, escutem com perfeição. O recinto se assemelha a um teatro com o diferencial de ser fendido. Na parede do palco uma placa escrito:

AUDITÓRIO
JORGE PELLES
Ceilândia – DF 30 de Julho de 1999


A pessoa que iria me atender finalmente chega. Mulher, cabelos curtos, óculos, um pouco acima do peso, calça jeans, uma camisa descolada e dona de um sorriso verdadeiro e encantador. Sua voz era grave. Falava bem. Neumara é auxiliar de atividades culturais responsável por todos os eventos que acontecem na Casa inclusive um que ocorreria em breve: Cantoria de Pé de Parede[1]. Trabalha no Palácio desde novembro de 2008, numa sala pequena, apertada, com cortinas persianas, computador, rádio e telefone, somente.
Atende-me de maneira estimulante. Digo que queria conhecer a estrutura e, principalmente a função daquela Residência. Ela fala que iria procurar na sala de livros alguns materiais sobre e me convida para ir ao lado.
De semelhante modo, a biblioteca conhecida como Patativa do Assaré[2], tinha o mesmo espaço da sala de Neumara. Estantes e prateleiras de aço com livros sobre Ceilândia, Brasília, Casa do Cantador e barbantes com livros de cordéis, além de vários mostruários de literatura nordestina como Os beatles, A intriga do cachorro com o gato, Um guerreiro Potiguar no Araguaia, e exemplares de Jorge Amado e Ariano Suassuna, estavam ali divididos por temas e etiquetas. A moça verifica e acha algumas cartilhas sobre a origem da C.C.
Neumara me oferece as cartilhas e diz que seria bom que eu conversasse com Damião Ramos, afinal ele sabia bastante coisa sobre aquele lugar e poderia me mostrar cada instalação, cada pedacinho daquela Casa.

Continua...












Por: Emerson Garcia




[1] Duas cadeiras onde sentam os cantadores para fazer show de cordel.
[2]  A origem da denominação é em homenagem a Antônio Gonçalves da Silva que foi apelidado de Patativa do Assaré por ser poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro.

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