segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As pessoas ainda assistem TV e a 'Globo'!





A televisão aberta ainda é um dos principais meios de comunicação, informação e entretenimento dos brasileiros. Embora com o crescimento de plataformas de streamings (Netflix, Plays), a TV não foi abandonada. Aliás, streamings contém programações televisivas, assim como plays, episódios de séries, capítulos de novelas e reportagens, por exemplo, que primeiro foram televisionados (O contrário também pode acontecer: episódios de séries que são disponibilizados primeiramente no Play e depois na TV). Mesmo com essas novas plataformas, ela ainda está presente! Deixar de assisti-la não é uma possibilidade. Não por agora.

Recentemente, um boicote foi orquestrado para que as pessoas deixassem de assistir TV, aliás, a um canal específico: a Rede Globo. Isso por conta da emissora assumir uma posição, supostamente, parcial sobre temas como a polêmica do MAM e Queermuseu e a ideologia de gênero. As hashtags #Globolixo e #BoicoteàRedeGlobo tornaram-se exponenciais nas redes sociais. Parece que o povo acordou, se revoltou e abriu os olhos. Parece.

Quem promoveu o boicote, provavelmente era acostumado a assistir à Globo e ficava ligado em sua programação. Por outro lado, tiveram aqueles que fizeram campanha para um meio boicote (Porque um inteiro seria difícil e hipócrita demais, né?!), ao lançarem a campanha #Dia12semGlobo. Isso quer dizer que se não fosse Dia das Crianças, assistir ao canal estava liberado! Esses haters de meia tigela foram "xingar muito no Twitter" depois de terem assistido de tudo na Vênus Platinada. Tiveram aqueles que promoveram o boicote, mas sem desligar a TV ou mudar de canal.





A atitude de abolir a Globo da TV é drástica e difícil demais. As mesmas pessoas que criticaram as reportagens do Fantástico, são as mesmas que - religiosamente - assistem ao Jornal Nacional todos os dias. Quando a TV é ligada em muitos lares em qual canal que ela costuma estar? Se formos em padarias, salões de beleza ou outros estabelecimentos em qual emissora o aparelho televisor estará ligado? Mesmo que saibamos que a Globo é tendenciosa e parcial, a qualidade de som, imagem e transmissão são inigualáveis. No final das contas, prezamos pela qualidade do que assistimos.

A qualidade técnica da Globo merece julgamento, assim como o que ela apresenta a cada um dos telespectadores. Estes não são massa de manobra e manipulados pelo que ela lhes apresenta. Por isso, é interessante que os telespectadores questionem, reflitam e analisem tudo o que é televisionado, seja em um jornal, novela, programa de entretenimento, etc. Quando alguém não concorda com o que viu, pode desligar a televisão, mudar de canal ou bloqueá-lo. Mas essa deve ser uma decisão individual ou familiar, mas não de grandes grupos ou de uma sociedade inteira. Por isso compreendo que muitos desses que se dizem haters não deixaram de ver a Globo, mas continuam assistindo-a para questionar e odiá-la ainda mais. Como seria possível odiar algo sem ter visto?







A campanha 100 Milhões de Uns - lançada em 22 de outubro no Fantástico - é resultado de uma pesquisa minuciosa que prova que as pessoas não deixaram de assistir ao canal após as hashtags #Globolixo e #BoicoteàRedeGlobo e que muitos haters ainda acompanham a Vênus Platinada. Veja, de acordo com informações da própria emissora (com grifos):

"De janeiro a setembro deste ano, a Globo teve um alcance médio diário de 98 milhões de pessoas, o maior índice desde 2011. Com audiências crescentes, a marca de 100 milhões de pessoas foi ultrapassada algumas vezes. No acumulado do mês, são 190 milhões – ou 95% das pessoas com TV em casa no Brasil. Nos seus ambientes digitais, a Globo fala com uma média de 14 milhões de pessoas por dia. De acordo com os dados da comsCore, o conteúdo Globo em plataformas como G1, globoesporte.com, GShow e Globo Play impactou 64 milhões de brasileiros por mês, entre janeiro e agosto deste ano (os dados de setembro só estarão disponíveis no final de outubro)*. Ou seja, mais de 100 milhões todos os dias e o Brasil inteiro, comprovadamente."



Assista à propaganda (Esta na voz de Eliane Giardini, uma das atrizes da Casa):







Muitos a consideraram como uma atitude desesperada do canal de reconquistar seu público. Uma semana após seu lançamento, artistas, apresentadores e globais estavam vestidos com a camiseta da campanha (Aliás, achei-a bem bonita). Isso foi visto como autopromoção. Contudo, o que percebi foi uma campanha bem sucedida em um tempo oportuno. Esta foi uma carta na manga da Globo que agora irá compartilhar com o mercado e parceiros informações e conhecimento sobre o público que assiste TV, e, principalmente, seu canal.






Mais um ponto positivo da campanha é que ela tratou os telespectadores em suas singularidades (O vídeo mostrou bem isso), um cuidado pessoal da Globo com uma única pessoa que a assiste. Logo depois, a Globo lançou uma hashtag (Usando as redes sociais ao seu favor e tentando reverter essa maré de azar online), a #EuSouUmDos100MilhõesDeUns. Não tenho conhecimento da aderência a ela, mas fica registrado aqui essa informação. Veja o post no Instagram da Globo:






Por último, a Globo ainda soube lidar com todo o episódio e seus odiadores, alfinetando-os: "Uns gostam da gente; uns dizem que não". Entre esses 100 Milhões de Uns, também existem aqueles que odeiam o canal e só o assistem para criticar. No final, a Globo continua saindo à frente, pois audiência é sempre audiência né?


100 Milhões de Uns foi uma campanha tão impactante que teve até outra emissora recentemente tentando copiá-la. A vice líder de audiência, RecordTV, não perdeu a chance de se autopromover. Leia:


“Nada contra os 100 milhões de uns. Mas, se sua marca precisar falar com mais 50 milhões de outros, fale com a gente”








100 Milhões de Uns.... 50 Milhões de Outros... Já parou pra pensar o tanto de gente que ainda assiste TV nos dias de hoje, mesmo com os serviços de streaming e Play? Seja Globo, seja RecordTV, seja SBT... as pessoas ainda assistem. Me parece que esse boicote não surtiu efeito. A relação entre emissoras e telespectadores ainda é muito forte. De um lado, estes foram habituados a terem televisores em seus lares, se reunindo pra assistir ao final de uma novela ou de um jornal, e aquelas tentam falar com estes de forma íntima, pessoal, sempre levando em consideração seus gostos, críticas, criando programações diversas. Está certo que algumas vezes os canais não agradam seus públicos, mas nada que não seja corrigido por eles e aceito pelos telespectadores que, por incrível que pareça, ainda continuam os assistindo.

A TV aberta continua sendo o meio mais acessível de informação e entretenimento dos brasileiros. Pelo menos até o presente momento eles não deixaram de assisti-la. Acredito que nenhum boicote à Globo terá êxito (Os dados mostram isso), justamente porque o hábito de assisti-la é pessoal. Trabalhar para bani-la dos lares implicará em partir para a ignorância e trocar o canal de estabelecimentos, salões de beleza e padarias. Algo bem difícil. Percebo que mesmo que as pessoas não admitam não gostar do conteúdo, não deixam de assisti-lo. É aquela questão né? "Não concordo, mas vou assistir pra criticar. Ou então vou ver porque não tem nada de melhor ou porque não tem canal que se compare a sua qualidade técnica". J-J



Por: Emerson Garcia

11 comentários :

  1. Bem interessante a sua reflexão neste post.

    www.paginasempreto.blogspot.com.br

    Beijos

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  2. Parabéns pelo post Emerson!!!
    Verdade seja dita, de fato muita gente que diz que não assisti, acaba assistindo, seja pra criticar ou odiar está assistindo. A rede globo continuará a influenciar muitas e muitas famílias através de seus programas, seja em TV aberta ou fechada. Acredito que cada um deve analisar o que é proveitoso assistir, o que não fere seus princípios, que não é tendencioso, cada um deve ter este senso crítico. Se não gostou, muda de canal, desliga ou vai assistir um filme ou uma série, o poder está nas mãos dos telespectadores, basta acionar um simples botão.

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    Respostas
    1. Sim. O poder está com os telespectadores. Valeu por comentar.

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  3. Precisamos saber filtrar o que tem na tv aberta ou fechada e nas mídias sociais também. Com tanto recurso disponível dá pra assistir o que quiser ou não. Eu particularmente achei bem fraca a propaganda dos 100 milhões de uns, não aguento mais assistir rs.

    rasgadojeans.blogspot.com

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  4. Estou há 17 anos na Holanda, não assisto TV brasileira aqui. Gostava das novelas e alguns programas da Globo nos anos 80;)
    Bjs!

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  5. Vou com a Liduh! A Globo dos anos 80 ainda tinha um quê de interessante. Não a assisto mais e nem tenho canais por assinatura.Não me vejo pagando $150 dólares ao mês quando tenho uma jornada de trabalho de 10 hrs por dia(mínimo). Estabelecemos aqui em casa que apenas dedicaremos 4hrs por semana na frente da TV, pra assistir 2 dvds kkkkkkkkkk!!!
    Ótimo post! Um tapa na cara da sociedade.

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    Respostas
    1. Legal você trazer sua rotina. Acho que assistir TV é hábito mesmo e você perdeu, né? Aqui assistimos todos os dias.

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