segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A contemporaneidade da música e clipe 'A cidade' de Cícero




Na última sexta-feira (24), às 7 horas da noite, o cantor Cícero Rosa Lins - mais conhecido com Cícero - lançou seu novo videoclipe de A cidade, que faz parte de seu quarto cd que em breve será lançado. A Cidade apresenta uma melodia melancólica, fria e urbana (que assemelha-se bastante ao tom de seu segundo cd - Sábado - já falado aqui); uma letra com uma mensagem forte; e um clipe perturbador e reflexivo. 

Sonoramente falando, A Cidade vai do rock ao samba, e do jazz até um som psicodélico. A banda Albatroz, que agora acompanha o cantor, imprimiu uma instrumentalidade triste, abafada, porém forte. O som, harmonicamente falando, não é certinho, mas torto e imperfeito, além de produzir uma espécie de labirinto que enerva os ouvidos de quem ouve a canção. Há vários sons repetitivos, que levam à psicodelia. 

A letra traduz o caos urbano atual e o isolamento dos indivíduos. O trecho "Em algum lugar Em meio a confusão Só resta esperar De pé na condução" traduz a rotina das grandes cidades, da correria e falta de tempo. A calmaria dá lugar ao caos, às buzinas de carro e à fumaça. Mas, mesmo em meio ao aglomerado de pessoas na cidade, engarramentos no trânsito, os indivíduos, na realidade, estão sós e somente preocupados consigo mesmos, em chegar à tempo no trabalho, em não perder a condução, etc.

Cícero também fala da rotina das cidades. Um ciclo vicioso que as pessoas enfrentam todos os dias, com estresse e cansaço. Em meio ao caos não existe inovação, novidade e novas perspectivas. Tudo é exatamente igual. 


"Amanhã o dia Amanhã será Foi e é assim desde sempre O mesmo desespero a desesperar A mesma alegria a alegrar Repetindo repetidamente Amanhã o dia Amanhã será E anoitecerá"




A composição de A cidade mostra uma sociedade desprovida de esperança, alegria e descontração. Na letra percebe-se a frieza social, o cinza das grandes metrópoles e a urbanidade que destruiu o verde, a natureza e a calmaria. O trecho "Um dia breve no cimento" traduz isso. 

Quanto ao clipe, ele foi produzido por Artur Miranda e consegue em imagens explicar a canção. No vídeo ocorre um acidente de trânsito, em que o carro capota, Cícero se fere e as pessoas se aglomeram ao seu redor. O caos instaura-se. Assista:






Uma situação cotidiana que acontece todos os dias. Cícero faz uma crítica à sociedade, que em meio ao caos da cidade, à correria e falta de rotina, ainda consegue parar não para socorrer o semelhante, mas pra fazer disso um show. As relações humanas estão cada vez mais banais nessa cidade de tijolo e cimento. Em que cada um preocupa-se consigo mesmo, em filmar tragédias, tirar fotos, e ser um espectador da dor alheia. 

Aquilo que deveria ser sério, vira banal. As pessoas estão cada vez mais acostumadas em relativizar e banalizar tragédias. Se houvesse uma continuação do vídeo, seria dos indivíduos seguindo suas vidas, como se nada tivesse acontecido. Como se fosse mais um dia, como diz no início da música: "Tudo continua igual Tudo continua A cidade no redor A menina nua A cabeça assimilando Tudo continua Desmorono"

O cantor soube retratar em poucos minutos o que a sociedade atual tem passado: relacionamentos frios, correria, caos e falta de tempo. Um momento em que as pessoas só se preocupam com o aqui e agora. Onde tudo é passageiro, relativizado. 


"Um dia breve no cimento"




O trabalho artístico do clipe merece destaque. Achei interessante o uso de cores e o clima nublado do ambiente. O cinza do cimento das imagens caiu como uma luva à mensagem da música. O Cícero deitado cantando também foi chocante e trouxe uma mensagem forte. Já o carro capotado simula um acidente de trânsito bastante realístico. Os figurantes e as pessoas ao redor também fizeram um bom trabalho, mostrando o caos e o nosso individualismo. 

A filmagem, por sua vez, soube contar muito bem a história, com planos-sequências e sem a utilização de cortes durante a edição. Também gosto de quando a câmera filma de cima e em panorama. 

A Cidade traz uma mensagem fortíssima, seja na melodia, letra ou clipe. Cícero, mais uma vez, conseguiu jogar verdades na cara dessa sociedade contemporânea, cada vez mais fria, caótica, individualista e que banaliza as coisas que não deveriam ser tratadas assim. A música, assim como o clipe, são socos secos no estômago. Gostei bastante dela por fazer reflexões bem atuais. 

E vocês, gostaram? O que extraíram da música e do clipe? Digam nos comentários! J-J



Por: Emerson Garcia

6 comentários :

  1. Oi, td bem?
    Não conhecia o cantor e adorei a música e o clipe!
    Beijos
    www.somosvisiveiseinfinitos.com.br
    Vídeo novo: https://www.youtube.com/watch?v=b7Wm9ShHyI4&t=2s

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    1. Que bom wue gostou. Essa semana sai o novo CD.

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  2. Já tinha ouvido falar, mas nunca escutado! Gostei do clipe dele, a música eu gostei mas gosto de música calma e poética num estilo O teatro mágico sabe? É um pouco mais animada rs

    www.vestindoideias.com

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    1. Sério que você achou essa música animada? Achei ela bem melancólica.

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  3. Eu gosto muito do cicero, minha música preferida dele é antiga: açúcar ou adoçante... sempre acho que ele transmite algo com sua voz, sem tom e seu ritimo não conhecia esse novo trabalho nem a crítica social atrás de letra e curti muito JJ. Abraços!

    http://www.cherryacessorioseafins.com.br

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    Respostas
    1. Que bom que gostou da crítica. Açúcar e adoçante eu gosto muito também. É um tapa na cara.

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