segunda-feira, 10 de julho de 2017

"Existe debate nisso, sim!" - Tréplica sobre legalização do aborto





Quem determina quem vive ou quem morre? O homem? Deus? A lei? As escrituras? O homem fez Deus a sua imagem e semelhança? Ou seria o contrário? Certamente essas são questões bem complexas de responder. Cada um responderá de acordo com seu ponto de vista, tomando por base seu aprendizado de vida ou credo e se aproximando do etnocentrismo, onde cada indivíduo tem uma visão de mundo característica de quem considera o seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais. A questão principal não seria o ponto de vista certo ou errado, mas sim a possibilidade de discussão e debate de todas as ideias, sejam elas absurdas ou bem fundamentadas.

O que difere os seres humanos das outras espécies - além do polegar opositor (que também está presente nos primatas) - é a capacidade de pensar e fazer escolhas racionais e coletivas, visando não apenas o seu próprio bem-estar, mas também o do ambiente ao seu redor. Quando determinamos que algo se quer deva ser debatido, estamos não só privando os que pensam diferente de nós de expressar sua opinião, mas nos aproximando do pensamento extremista, em que os que pensam diferente, além de não ter voz, não são aceitos.

Não precisamos ir muito longe para notar os impactos que pensamentos extremistas causam na humanidade. Ao longo da história notamos suas consequências em diversas culturas, desde o início da civilização até os tempos atuais. Dentre os casos, destaca-se a Inquisição na idade média, em que seres humanos eram queimados vivos em nome da fé. Já na atualidade, podemos conferir diariamente atos de grupos terroristas que sacrificam vidas em nome de um credo baseado no extremismo. Então, um questionamento se faz necessário: qual o melhor caminho para resolver esse impasse? Seria a decisão absoluta e inquestionável de um único grupo, ou a apresentação de ideias por todos da sociedade onde se debateria em conjunto quais rumos seguir?

Mais importante que a resposta para a pergunta da legalização do aborto, é saber se estamos preparados para respondê-la. Quais julgamentos devem entrar na discussão (morais, religiosos, políticos, sociais); e quem deve decidir (legisladores, população, juízes)? Quando resumimos nossa decisão a apenas um “não existe debate nisso!”, estamos limitando nossa própria capacidade de análise e impondo aos demais a mesma escolha. É essa a sociedade em que queremos viver? Onde matérias importantes e que nos impactam não devem ser questionadas ou se quer analisadas?

A coluna Economia de segunda tem como objetivo trazer ao leitor uma visão ampla do mundo através de reflexões econômicas e sociais, nas quais estamos todos envolvidos. Logo, privá-lo do debate seria uma afronta a nossa sociedade pertencente ao mundo livre. Nesse post não irei defender a legalização ou me opor a ela, pois já expus (em publicação anterior) dados suficientes para uma avaliação quantitativa do caso. Quanto à análise qualitativa, em que diversos outros pontos devem ser analisados, não cabe apenas a mim apresentá-la. O diálogo deve ser aberto para que todos os envolvidos expressem suas opiniões, experiências de vida e sentimentos. J-J





Por: Jonas Gomes, pai da Tiffany e do Adrian

Um comentário :

  1. Turn down for what ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ . Muito bom, parabéns pelo texto. Esse é o ponto!

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