quarta-feira, 20 de maio de 2009

Esteriótipos [Brasília e Rio]

Certos esteriótipos já são manjados. A gente que mora em Brasília sabe bem o que é viver e sobreviver na capital do país. Talvez nos sentimos ofendidos com coisa do tipo: “lá só tem ladrão” ou “lá não tem praia”. O fato é que não se tem como evitar essas etiquetas que colocam na gente.
Falando desse assunto aqui eu me lembrei de um texto que um professor passou no segundo semestre: “O que é ser de Brasília”. Vou destacar alguns pontos do texto (ao lado os meus comentários):

- Ouve dizer “é bem pertinho” e pensa tranquilamente em 50 Km. Como os lugares em Brasília são longe. Um clube perto da gente? Nem pensar... Teatros? Só lá no Plano.
- Acha que de mar o nosso céu não tem nada, e na primeira oportunidade dá uma escapada para praia. Só se for a prainha né?
- Odeia quando chegam os seus parentes querendo conhecer a torre e a esplanada. Também são os únicos lugares que a gente pensa em visitar quando se fala em Brasília.
- Sabe, perfeitamente, o que significa quando alguém diz “Eu moro no Lago”. A pessoa que fala isso pode até não estar querendo ofender, mas quem não mora se sente ofendido, somos um só povo, porque segmentar tanto Brasília?
- Vê crianças gostarem tanto de descer para brincar “debaixo do bloco”. Hoje em dia elas nem descem mais do tanto que estão enjoadas. Devia ter mais opções para elas de diversão.

Foto por Emerson Garcia

É bom termos uma identidade própria, algo que nos identifique. Ser de Brasília é ser do Brasil inteiro. É ser do norte, do sul, do sudeste. A vantagem que nós temos de viver aqui é que conhecemos a cultura de todo país por sermos essa mistura de gente, de comida e de costumes.

Na teledramaturgia, vemos a mesma coisa. Eu, por exemplo, identifico 3 tipos de Rio de Janeiro. O de Manuel Carlos, o de Gilberto Braga e o de Agnaldo Silva. E o melhor de tudo isso que podemos ver uma tríade de facetas do Rio de Janeiro. Não o resumindo a “Cidade Maravilhosa” e muito menos a “Cidade Violenta”.
Rio bossa


O estilo de Manuel Carlos em suas novelas, vamos pegar como exemplo “Mulheres apaixonadas”, é a cidade matutina, a cidade ensolarada, as praias, as pessoas. Há uma toda ambientação de mostrar um Rio de Janeiro turístico e um lugar agradável para se viver. A trilha sonora das novelas de Maneco é tipicamente bossa nova, aquele ritmo que nos faz levar a um bem-estar e que identifica essa cidade. Engana-se aquele que pensa que o autor só mostra esse lado turístico, do Corcovado, do Leblon, das praias de Copacabana.

Por outro lado, há uma preocupação do autor de mostrar a violência nessa cidade –apesar da característica de seus personagens serem típicos de classe média e a região do Leblon. Um capítulo da novela “Mulheres apaixonadas” que mostrou essa violência, tanto da parte de bandidos como de policiais, foi o assassinato de Fernanda (Vanessa Gerbeli). Essa cena comoveu, parou e mobilizou não só os cariocas como todos os brasileiros.

Rio night


O Rio de Janeiro de Gilberto Braga é mais noturno, festeiro e glamuroso. Na novela “Paraíso Tropical” vimos o núcleo de mulheres da noite, como Bebel (Camila Pitanga), que lutam para ganhar a vida pelos calçadões da cidade, assim como um núcleo de ricos, como Maria Clara (Malu Mader), de "Celebridade", ganhando muito dinheiro, famosa e poderosa. O Rio de Janeiro, deste, também é corrupto, vemos Olavo (Wagner Moura) e das noites de dança na gafieira.

Rio da baixada

Atualmente a novela “Senhora do destino” ambientada no Rio de Janeiro mostra um Rio mais periferizado. Aqui Agnaldo Silva percorre o caminho oposto ao de Manuel Carlos, o Rio de Janeiro dele é de favelas, Baixada Fluminense, popular, se assim podemos dizer. Aqui o autor muda o olhar para aquelas pessoas mais pobres, sem poder aquisitivo. Vemos a protagonista Maria do Carmo (Suzana Vieira) como a nordestina lutadora que venceu e é uma mulher de negócios.


Personagens populares como Maria do Carmo, Giovanni Inprota (José Wiker) –isso é felomenal- compõem o povo humilde, ao mesmo tempo carismático do Rio. O autor usa, de maneira sábia, a Baixada Fluminense, assim como o samba –que caracteriza e segmenta o Rio- como as ilustrações desse “Rio da baixada”.O núcleo da escola de samba é rico no sentido de pessoas de classe baixa trabalharem na confecção de alegorias, carros alegóricos e possuírem lugar de destaque na novela, fazendo “samba de gente de bem”.Lembro-me da abertura da novela "Duas Caras", a construção, passo-a-passo de uma favela feita com materiais recicláveis, como papelão, plástico, além da trilha sonora, algo como "Eu acredito é na rapaziada", que só demonstra o estilo de Aguinaldo Silva.





*Você pode ser do Rio ou de Brasília, mas sempre alguém vai te taxar de acordo com o lugar em que vive. Isso, se for positivo, é bom, porque te identifica e mostra o que você é - talvez você nem saiba direito a história da sua cidade ou país- mas, por outro lado, quando esses esteriótipos são maldosos, no sentido de discriminar o lugar em que você vive, ou então de mostrar alguma coisa que não condiz com a sua realidade e a região que você mora, isso pode ser considerado um crime. (JJ)


Por: Emerson Garcia

Um comentário :

  1. Brasília é o lugar mais ESTERIÓTIPADO que pode existir, a gente é tudo rico, mora perto do presidente e é filho de político. As vezes isso me cansa.

    Mas todo mundo que vem aqui acaba criando uma outra imagem, ás vezes não tão boa, dizem que somos frios e tals...mas eu digo que AMO esse lugar..com sua cultura em construção!

    Quanto ao Rio, também acho que sofre do mesmo...eu sinto que ele se resume em Cristo, Ipanema, Copacabana e Favela...lá deve ter muito mais, mas só indo lá com coragem pra conhecer.

    Espero conhecer um dia, afinal é cartão postal do País...(só espero que não esbarrar com nenhuma bala perdida HÁ! ...bem clichê isso né?!)

    Ah! Vou colocar o link do seu blog lá no nosso! Ok!

    e que bom q gostou da Tiê...adoro!

    By: Sami Correia

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