Pode conter spoilers!
No Quinta de série de hoje apresento uma série documental original do Globoplay chamada Caçador de Marajás, que foi lançada em 16 de outubro de 2025. A produção enfoca na ascensão meteórica e a queda dramática de Fernando Collor de Mello, o presidente mais jovem do Brasil e o primeiro a sofrer um processo de impeachment. Caçador de Marajás foi escrita por Charly Braun; roteirizada por Bruno Passeri, Charly Braun, Guilherme Schwartsmann e Miguel Antunes Ramos; e dirigida por Charly Braun. Produzida pela Boutique Filmes, Waking Up Filmes e Estúdios Globo, ela conta com 7 episódios de em média 50 minutos cada um.
Caçador de Marajás se refere à um apelido que Fernando Collor de Mello possuía. Fernando utilizou o marketing e o apelido, prometendo combater a corrupção e privilégios. O tema de abertura da produção é o instrumental de Pense em mim, de Leandro & Leonardo. A escolha da música foi acertada, uma vez que na época a sociedade inteira pensava em Fernando Collor de Mello. A música sertaneja foi então acusada de ser "a trilha sonora da era Collor". Ele viveu seus tempos áureos, mas também tempos sombrios e de queda.
A produção mostra a trajetória política e pessoal dessa figura emblemática. A série, sobretudo, fala sobre as denúncias feitas pelo irmão de Fernando, Pedro Collor, que levaram ao seu afastamento. Além disso, ela explora o esquema de corrupção comandado por PC Farias, o impacto da inflação na época, as mobilizações estudantis dos "Caras-Pintadas" (lideradas por figuras como Lindbergh Farias) e as entrevistas históricas que abalaram o governo.
A série utiliza vasto material de arquivo e depoimentos de figuras-chave do período. O elenco da produção conta com depoimentos riquíssimos de Thereza Collor, Luiz Estevão, Dora Kramer, Boris Casoy, Mônica Waldvogel, Xico Sá, Ricardo Kotscho, Merval Pereira, Ali Kamel, Boni, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Alexandre Frota e grande elenco. Os depoimentos são claríssimos e o objetivo não é de enaltecer a vida de Collor, mas mostrar quem ele realmente é nos bastidores.
A fotografia da produção é de Carol Quintanilha e ela faz um trabalho impecável de captação de imagens. A série faz um retrato fidedigno do político alagoano e de sua família, do começo do poderio político familiar até a chegada de Collor à presidência e sua renúncia frente ao processo de impeachment.
Caçador de Marajás é um documentário de investigação jornalística que se transforma em um retrato intenso sobre poder, corrupção e impunidade no Brasil. O documentário faz isso por meio de uma narrativa dinâmica e cheia de tensão, misturando depoimentos, documentos e reconstituições para mostrar como essas investigações ganharam repercussão nacional. Um dos pontos altos da produção foi quando Collor, na época, pediu para que a sociedade saísse às ruas nas cores verde e amarelo em busca de seus direitos. Ocorreu justamente o contrário: jovens e pessoas saíram vestidos de preto e com a cara pintada de verde e amarelo - os famosos caras-pintadas.
A produção tem o intuito de revelar os bastidores de um sistema político que durante anos funcionou quase sem ser questionado. Perguntas como: até que ponto a sociedade acompanha o uso do dinheiro público? E como a transparência pode mudar essa relação entre população e poder?, são levantadas e colocadas em questão.
Enfim, a produção transforma um tema político e administrativo em algo acessível e envolvente. É o tipo de série que provoca indignação, mas também reflexão sobre responsabilidade coletiva, ética e participação social. É uma produção para quem gosta de documentários investigativos que unem informação, tensão e debates extremamente atuais. Uma das lições que a produção nos deixa é que o Brasil mudou para melhor. A outra é que ele não mudou tanto assim. J-J
Por: Emerson Garcia








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