
Quando escrevi o post Ansiedade & Depressão no dia 11 de junho desse ano, falei sobre um tratamento para a depressão - a Psicoeducação. Em dois parágrafos, mencionei de forma rápida e resumida. No post de hoje, pretendo detalhar melhor sobre o assunto.
A Psicoeducação é uma abordagem terapêutica com o objetivo de desenvolver o paciente e seus familiares e cuidadores no que diz respeito ao conhecimento de doenças psíquicas e emocionais e o processo de tratamento. É necessário essa informação para saber como conduzir o tratamento do paciente, além de participar de forma precisa e ativa no processo de mudança e cura. A cura vem a partir do momento em que há a ciência e aceitação da doença, assim, o paciente começa a melhorar e entender sua forma de reação e funcionamento, para aprender a resolver seus problemas e demandas; e a família sabe como atuar de forma mais assertiva.
Em outras palavras, a Psicoeducação é uma estratégia e ferramenta para o aprendizado com o intuito de modificar pensamentos e ideias, sabendo lidar com estados emocionais e transformando de forma produtiva seu comportamento. Um paciente com transtorno de ansiedade e crises de pânico, que vive em angústia e preocupação podendo estar com um grave problema cardíaco, pode se acalmar ao saber que suas crises estão inseridas no transtorno do pânico, aprendendo a lidar com essas intercorrências e com os medos e evitações.

Psicoeducação é a junção de duas palavras - psico e educação. Psico se refere à psicologia, ou seja, as técnicas para ensino, os termos e as ferramentas práticas e teóricas- ; e educação à pedagogia - transmissão de uma mensagem e ensino para o paciente. A psicoeducação envolve aspectos sociais, emocionais e comportamentais. Por isso, é preciso atentar-se para todas essas esferas nesse tipo de tratamento.
O post de hoje tem o intuito de explanar sobre os seguintes tópicos sobre a psicoeducação: características; tipos; aplicação; importância e benefícios.
Características
As principais características são: informações úteis e práticas; acolhimento do sofrimento; quebra de mitos; respostas de dúvidas; e desenvolvimento de habilidades.
Ela leva em consideração quatro pontos principais: situação, pensamento, emoção e comportamento. Funciona assim: algo acontece, a situação é interpretada, a emoção toma conta por meio de um sentimento resultante do pensamento e uma ação ocorre em resposta à emoção gerada. Digamos que a psicoeducação tem "poder" de interferir nos âmbitos do pensamento, emoção e comportamento, amenizando sintomas de situações ruins, minimizando recaídas e gerando bem estar pela mudança de pensamentos, emoções e comportamentos.

A Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) é utilizada na psicoeducação e é eficaz porque há um ensinamento cognitivo, hipóteses diagnósticas, processo terapêutico, técnicas e estratégias envolvidos. Quando aplicada de forma adequada, gera resultados incríveis e satisfatórios.
A TCC se caracteriza pela colaboração entre paciente e terapeuta de forma ativa, diretiva e breve. É necessário, portanto, o conhecimento do paciente sobre o funcionamento da TCC, sobre o tratamento, a queixa, transtorno mental e funcionamento mental.
Portanto, a psicoeducação é uma forma de aprendizagem que utiliza a TCC e tem a capacidade de proporcionar ao indivíduo o desenvolvimento de pensamentos, ideias e reflexões sobre si e o mundo, permitindo mudanças de pensamentos e comportamentos. Um dos princípios da TCC é ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta.
Tipos

Há três tipos de psicoeducação (PE) principais, são elas: PE individual; PE em grupo; e PE por outros meios.
PE individual: realizada em sessões individuais com o paciente ou com familiares.
PE em grupo: feita com um grupo de pacientes ou familiares.
PE por outros meios: modalidades que não precisam de contato direto e são realizadas por facilitadores de intervenção psicoeducacional. São oferecidos folhetos, cartazes, materiais audiovisuais, internet, software, correio por email ou informações publicadas na web aos pacientes, visando educá-los.
OBSERVAÇÃO: A PE é usada em conjunto com remédios e tratamento psicoterápico individual ou de grupo. A PE é tanto aplicada em orientações e suportes, como intervenções ativas, advindas de abordagens psicoterápicas.
Aplicação

A psicoeducação pode ser aplicada por diversos profissionais da saúde, desde que preparados. Veja alguns princípios de sua aplicação:
- Adaptação à capacidade dos pacientes de compreender e processar informações;
- Fornecimento de explicações claras e breves, com ênfase na colaboração e utilização de materiais disponibilizados por facilitadores;
- Incentivo à participação do paciente;
- Solicitação de feedback; e
- Recomendações de leituras específicas, pesquisas ou outras atividades educativas (É importante que o material seja conciso e não extenso).
Sobre a aplicação da psicoeducação familiar, algumas metas são importantes. Acompanhe:
- Promoção da aceitação familiar do transtorno psiquiátrico;
- Desenvolvimento de expectativas realistas em relação ao paciente;
- Explicações sobre intervenções farmacológicas e psicológicas; e
- Reconhecimento de sinais precoces de recaídas e mudanças sintomatológicas.
Importância e benefícios

Esse tipo de terapia traz ótimos resultados. Por exemplo, um estudo comprovou que a psicoeducação fez com que um grupo de pessoas que convivia com alguém acometido por Alzheimer, tivesse até 80% mais ações positivas do que quem não tem acesso à ela. Outra pesquisa demonstrou que esquizofrênicos tiveram melhora no quadro ao aprenderem sobre sua condição e técnicas para serem aplicadas.
Ela ajuda a identificar sintomas e manejo de crises. Por exemplo, a síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises de pânico, com dores no peito, palpitações (taquicardia), sudorese, respiração ofegante, tremores e náusea. Uma pessoa desinformada não sabe que esses sintomas não são orgânicos, e sim psicológicos. A psicoeducação ajuda na compreensão da condição e identificação de crises de pânico, além de ensinar sobre técnicas para lidar com estes sintomas.
Um outro exemplo é a pessoa depressiva que apresenta pensamentos de baixa autoestima. Na psicoeducação ela é encorajada a enfrentar esses pensamentos, compreendendo mais os sintomas e buscando evidências de que eles não correspondem à realidade.
Já as pessoas bipolares possuem a mania, em um episódio de humor criado por sentimentos eufóricos, autoestima elevada, sentimentos de grandiosidade e aumento da energia. A psicoeducação as ajuda a reconhecer esses pensamentos como episódio de humor, ajudando na compreensão que esses sentimentos não correspondem à realidade e aplicando técnicas para evitar comportamentos irresponsáveis, reduzindo danos.
Eis alguns benefícios da psicoeducação:
- Favorecer a melhora de qualidade de vida;
- Favorecer insight/crítica sobre a doença;
- Melhorar a adesão ao tratamento farmacológico;
- Auxiliar a promoção de hábitos saudáveis;
- Promover regularidade no estilo de vida;
- Colaborar para o controle do abuso de substâncias; e
- Ensinar a identificar precocemente recaídas.
Conclusão
É preciso salientar que cada indivíduo é um indivíduo, cada família é uma família, cada grupo é um grupo. A psicoeducação traz independência aos pacientes e seus familiares. Os materiais disponíveis aos pacientes precisam ser atraentes, agradáveis, informativos e didáticos.
A psicoeducação, portanto, tem se mostrado efetiva no contexto das doenças emocionais e psíquicas, assim como de doenças físicas, pois o conhecimento delas, suas causas, modos de controle e efeitos colaterais das medicações podem ajudar na adesão ao tratamento. J-J
Por: Emerson Garcia