quinta-feira, 16 de julho de 2020

Entre Frames #30: Falso Azul - Cícero







Hoje é quinta-feira e esse é o Entre Frames. Aliás, será o último antes das merecidas férias do JOVEM JORNALISTA. Para encerrar esse primeiro período de 2020 resolvi analisar o clipe Falso Azul, do cantor Cícero. Lançado no dia 16 de março desse ano, o clipe conta com quase 200 mil visualizações, 13 mil curtidas e 58 descurtidas. O vídeo é estrelado exclusivamente por Cícero. A realização e montagem é de Guilherme Braz, com direção de fotografia de David Marques, produção de Grumpy Panda From Outer Space e o lighfilm online Pedro Vicente (Musgo Studio). Além deles, o clipe contou com o colorista Paulo Inês. 

Falso Azul tem passagens na rua e em um hotel. Tudo acontece na Europa. Cícero marca presença com seu ar poético e sua solidão, esta última sentida na pele pelos telespectadores. A fotografia e paleta de cores são em tons amenos e pasteis. Há muitos movimentos de câmera, edições, montagens e conceitos visuais. Assista:




Como de costume, vamos aos meus apontamentos sobre o clipe.


Fotografia, estética e outras coisas mais

O clipe possui uma fotografia e estética acolhedoras, apesar de ser um clipe e letra tristes e melancólicos. A fotografia é intimista, trazendo o ar frio e nublado da Europa, por meio de uma paleta de cores de tons pasteis. O clipe é ora azulado, ora amarelado, ora amarronzado. Pelo uso das cores é impossível imaginar um clima quente e ensolarado. 

O azul e amarelo são cores contrastantes entre si e no clipe elas aparecem unidas e combinadas. O azul frio e nublado do céu, casa muito bem com o casaco amarelo de Cícero. O azul, aparece como solidão, frieza e angústia. Já o amarelo, não como uma cor alegre e descontraída, mas sim tristonha. Enfim, o clipe é bonito de se ver, no bom sentido da palavra. 


A solidão de Cícero




Como falei na introdução, ela dá para ser sentida por quem assiste ao clipe. Cícero, queria estar acompanhado e dançando com uma amada, mas ele escolhe ir para um hotel em um dia nublado e frio, jogar xadrez e dançar sozinho em um salão. 

O início do clipe me trouxe esse desconforto e tristeza, pois ele inicia de forma silenciosa e com a câmera estática (0:04 - 0:15). Já dá para perceber a amargura do cantor pelo seu olhar e a forma que ele sai do carro, sem causar alarde ou barulho. 

A câmera não invade a tristeza de Cícero. Ela apenas acompanha o que acontece na cena, sem ser invasiva, como no momento que Cícero começa cantando e olhando para ela (0:16 - 0:17). A câmera não faz um simples movimento, ficando estática. Outra coisa importante a ser analisada nesse frame é o seu posicionamento assimétrico.  




Cícero entra no hotel



Da paleta azulada do início, o clipe conta com filtros e paredes amarelos, mas claro, sem deixar de lado a atmosfera já construída. O frame de Cícero no corredor do hotel (0:26 - 0:31) é um dos mais belos de todo o vídeo. A simetria e o centralismo do cantor foram muito bem empregados. A quantidade de elementos à esquerda, é a mesma à direita e a profundidade deu um efeito da hora na tela. 



Cícero entra no elevador




Continuando com o desbunde artístico do clipe, passamos para o momento que o Ciço entra no elevador (0:31 - 0:35). A paleta de cores é, em sua maioria, em tons de amarelo, seja qual for! Algo que chamou a minha atenção são os elementos retangulares e quadrados no frame. São figuras circunscritas dentro das outras, o que deu um resultado incrível.  

O próximo frame é artístico (0:36) e não deveria estar ali, teoricamente. Cícero estava dentro do elevador, certo?! Mas nesse frame aparece ele entrando no elevador, e depois foca para ele no elevador novamente. Esse recurso mudou com toda a narrativa do clipe. O editor "brincou bonito" na edição. 




Cícero na mesa de restaurante



Os frames seguintes (0:37 - 0:44) vão mostrar Cícero sozinho em uma mesa de restaurante, mas de uma forma criativa. A câmera começa filmando do canto direito para o esquerdo, lentamente. Ela mostra todo o ambiente e o cantor em uma mesa lá no fundo.  

O cantor está melancólico e com cara de poucos amigos (0:44 - 0:47). Ele joga xadrez e observa a neblina pela janela. Talvez pense que o frio do clima é melhor que o frio da sua alma. Talvez tenha imaginado estar no hotel com alguém amado. Talvez acreditasse que jogaria xadrez com alguém. Talvez. O frame seguinte (0:48) foca no rosto de Cícero. Ele está pensativo e reflexivo. É interessante perceber o equilíbrio entre sua face e a paisagem de neblina pela janela. O quadro foi muito bem dividido. 




O frame seguinte são duas cenas divididas, mostrando várias perspectivas. Aliás, a divisão de telas foi muito utilizada em Falso Azul




Você jogaria xadrez consigo mesmo?! É exatamente isso que o cantor faz, mas ele não aguenta muito tempo. Ele precisa de companhia, de contato físico. Então, ele se aborrece por conta do tédio da vida e derruba as peças com uma força descomunal, que é possível até mesmo ouvir os barulhos delas (0:48 - 0:53). 





Centralismo, formas geométricas e câmera de dentro pra fora




Os frames seguintes (0:54 - 0:55) são lindos, artisticamente falando. É possível perceber o centralismo e uso de formas geométricas, bem como a câmera que filma de dentro para fora. Primeiro quero falar do centralismo. É tudo tão perfeitamente medido no frame, que dá gosto de ver. A quantidade de cadeiras à esquerda do cantor é a mesma à sua direita. E os vidros da janela foram calculados milimetricamente para ficarem no meio.

Segundo, falo das formas geométricas. Os quadrados dos vidros tornaram o frame mais belo. Aliás, o cinegrafista não nos poupou de colocar figuras geométricas na tela, como já vimos nesse texto e ainda veremos mais à frente. 

Por último, analiso a câmera nesses frames. Primeiro a câmera mostra um plano geral do ambiente e de Ciço, depois ela foca no rosto do cantor e, lindamente, vai se distanciando dele (0:55), como se a gente se despedisse da estrela do clipe. 





Cícero brinca com uma lanterna




No quarto do hotel, Cícero pega uma lanterna e parece procurar algo com ela (1:00 - 1:02). O que ele devia estar procurando? O interessante é que a luz da lanterna é azul e tem um frame que a tela toda fica iluminada com a cor (Veja o próximo tópico). 


Tela se enche de cores



Durante todo o clipe há - pelo menos - seis inundações de cores na tela. O interessante é que as tonalidades variam entre cores frias e neutras (azul e branco), até em tonalidades quentes (amarelo claro, laranja e vermelho). Claro que para perceber todas elas é preciso de um olhar atento, pois ocorrem rapidamente. A primeira inundação de cor é com uma luz branca (0:56); a segunda e a terceira com uma azul (1:05); a quarta com uma laranja (1:26); a quinta com uma vermelha (2:14); e a sexta com um jogo de luz amarelo pastel.


Vários frames e montagens



Algo que chama a minha atenção no clipe de Falso Azul é sua edição primorosa e cuidadosa. O editor junta vários pedacinhos de cenas de modo a construir frames rápidos e flashes do cantor. A primeira vez que ele faz isso são nos frames acima (1:03 - 1:04), em que o cantor se senta em uma poltrona, depois em outra e depois se levanta e olha para uma janela. Ao meu ver, os frames mostram a inconstância do cantor. Ele não fica parado hora nenhuma, por conta do seu tédio e solidão. Achei isso incrível! 

A segunda é quando Cícero está em frente a uma parede azulada e vemos vários frames rápidos e flashes do cantor (1:27 - 1:31). Em cada frame ele está em uma posição diferente e ele chega a brincar com a câmera que o visualiza, colocando até mesmo o capuz do casaco. 





A última vez é quando a câmera foca em várias partes do corpo do cantor, como braços, ombro, mãos cruzadas e cabelo encaracolado (2:35 - 2:44)





Entre um café e outro




Para amenizar a solidão, Cícero pede um café (1:07 - 1:15). Apesar de não ser uma presença humana, o café oferece aconchego e um lugar quentinho no peito. Em determinado momento do clipe Ciço começa a dançar no ritmo da música e a bater na mesa. O café que está na mesa começa a balançar com o batucar das mãos do cantor.

A câmera faz um trabalho incrível de filmar Cícero de cima para baixo, focando em suas mãos e no café, até que ela mostra Cícero em um plano geral batendo na mesa (1:16 - 1:20). A câmera fica estática, assim como no início do clipe, e enquadra Cícero quase no meio da cena, mas mais alinhado para a direita.  

Nos frames seguintes (1:21 - 1:25) a tela se divide em duas cenas. A primeira de Cícero se levantando da mesa e caminhando pelo restaurante; e a segunda dele dançando. Mais uma vez, o clipe é belo, pois é utilizado o recurso de contra luz em que podemos ver a sombra do cantor e das grades da janela. Lindo, né non?!




Depois dessa explosão de beleza aos nossos olhos, o clipe volta a ficar na coloração original e traz Cícero simétrico e centralizado na cena (1:32). 




Cícero mergulha em uma piscina



Se tratando de videoclipe, é plenamente aceitável ver alguém cantando de roupa na piscina (1:41 - 1:42). Cícero faz desse momento, algo poético e único. As cores desse trecho vão do amarelo do teto e dos vidros, até o amarelo do casaco de Cícero, marrom da sua calça e azul da piscina. Aliás, tudo dentro da paleta de cores e da estética do clipe desde o início.   


Cícero dança solitário



A produção do clipe oferece uma leveza ao telespectador, embora com toda atmosfera pesada que se instaura desde o seu início. Conforme a música e o clipe progridem, o telespectador tem a capacidade de se soltar ao ver o Ciço dançando e segurando o riso de forma tímida (1:35 - 1:38). A dança de Cícero é simples, mas envolvente. Ele mexe os pés, se ajoelha e passa a mão no salão do hotel, etc... 


Câmera torta



Os últimos clipes que analisei tiveram esse recurso artístico e visual e gostei muito. Em Falso Azul ele é repetido (1:43). Percebe que o cinegrafista experimenta várias coisas no clipe? E que o editor também mandou super bem?


E anoitece!



O falso azul do clima e da melancolia de Ciço, abre espaço para um azul muito mais intenso e penetrante quando anoitece (2:15). Foi incrível sentir a tonalidade desse céu "azulão" e ver o cantor em contra luz. Ficou poético, até. 


Metade do cantor




O clipe explora muitos bons planos, dimensões e ângulos. Mas se fosse pra destacar um momento em que isso acontece, seria quando a câmera filma metade do cantor de baixo para cima do seu rosto (2:24 - 2:26). Ficou da hora esse frame!


Cícero no quarto do hotel



Depois de passar tanto tempo "curtindo" sua solidão e dançando, Cícero vai até o seu quarto de hotel e filosofa e reflete sobre sua vida (2:27). A cor que predomina na cena é a amarelo. O cantor aparece alinhado à direita do vídeo. 

Em 2:29 Cícero se deita na cama exausto. A câmera, mais uma vez, foca em seu rosto melancólico e triste. Vemos vários frames de partes do corpo do cantor (Assunto já falado)  e o clipe finaliza com Cícero deitado, alinhado mais à esquerda da cama e com um jogo de luz em tom pastel (Também já falado) (2:43). 



Frames finais

De 2:46 à 2:49 é possível ver a ficha técnica do clipe, patrocínios e agradecimentos. A ficha é em tom amarelo, sob um fundo negro. A disposição da ficha me lembrou filmes antigos e até mesmo a ficha técnica de desenhos antigos. 





O clipe, apesar de não contar uma história, conta muitas histórias

Não foi preciso narrar uma história, construir uma argumentação, preparar um roteiro ou ter vários atores envolvidos para que o clipe tivesse uma história. Aliás, o clipe conta muitas histórias, como: a solidão de Cícero em um dia frio, nublado e com neve em algum lugar da Europa e sua ida à um hotel qualquer da região. A história do clipe, imprime em quem o assiste, melancolia, dor, tristeza. Como falei no início do texto, é possível sentir a dor do cantor, que faz de tudo para afastá-la mas não consegue. 

O falso azul pode ter vários significados, são eles: ausência de nuvens no céu europeu; clima e temperatura europeias; ou até mesmo a própria tristeza do cantor de estar sozinho. 

Enfim, Cícero conseguiu criar algo bacana e compreensível aos seus fãs. É um clipe simples, porém objetivo, onde foram criadas inúmeras conexões com o telespectador. 


Letra


A letra fala da ausência de céu e de um falso azul que pode ser percebido na atmosfera. Cícero anseia por ter uma companhia que dançe com ele, mas tudo não passou de um triste sonho. Destaquei alguns trechos:

"Céu não há
hoje foi embora
tem, mas não tá
ou não quer aparecer"

Ele fala de uma inconstância, que pode ser tanto da natureza como do ser humano.


'Outro céu

outro céu num quarto de hotel"

O trecho menciona o lugar em que se passa o clipe - o hotel.


"Batia o sonho
e nesse sonho eu dançava com você
raiava o dia
e nesse dia eu dançava com você
mas era sonho"

Aqui o letrista - no caso o Cícero - chega a delirar e imaginar que dançava com alguém. 


"Venha, luz bonita
alumiá-la
raio da manhã no luar"

A luz podia ser uma ponta de esperança que o autor tivesse. 


Música

O clipe é pop, assim como a música. A melodia tem um ritmo calmo, mas incisivo e é cheio de ranhuras instrumentais. Ela lembra bastante a pegada sonora de Sábado, o segundo cd do cantor.   


E assim encerramos o Entre Frames desse meio de temporada. Até o retorno! J-J













Por: Emerson Garcia

terça-feira, 14 de julho de 2020

'Havaianas Pride': coleção LGBTQ+ causa polêmica




Para celebrar o mês LGBTQ+ a Havaianas lançou a coleção Havaianas Pride em junho desse ano. A coleção é composta por duas chinelas, uma bolsa, dois conjuntos de pins (brochês) e um body/maiô nas cores da bandeira, mas uma polêmica se instaurou: as cores da bandeira arco-íris não estavam de acordo com a tradicional seis cores, mas sim oito, com o rosa e anil. A Havaianas Pride deu muito pano para manga.


E por que a coleção deu pano para manga? Porque as cores utilizadas supostamente estariam desatualizadas e não refletiriam a luta atual da classe LGBTQ+. A bandeira com as colorações a mais foi a primeira representante do movimento, como vimos no post Bandeiras LGBTQ+. Criada por Gilbert Baker na década de 1970, por ser muito trabalhoso pintar as oito cores na bandeira, o autor decidiu retirar o rosa e anil, as mais difíceis e caras de serem encontradas, dando origem a tradicional bandeira, com seis cores. 

Acredito que as Havaianas não errou no conceito da coleção. Criar produtos com as oito cores do arco-íris fazem referência à primeira bandeira LGBTQ+ e resgata a história da classe LGBTQ+ lá no final dos anos 1970. Em resposta ao post das Havaianas no Twitter, Raphael Freire chamou a necessidade de conhecimento da história LGBTQ+. Leia:

Essa foi a forma que a empresa de calçados encontrou de homenagear a classe LGBTQ+. Confira:

Em outro tweet, Rapahel Freire disse que é importante que os LGBTQ+ conheçam a sua própria história. Leia:























Já outros internautas não curtiram a escolha, explicando que resgatar a bandeira desatualizada não acrescenta para a luta atual do movimento, pois já existe uma versão da bandeira LGBTQ+ moderna com oito cores, mas sendo elas o preto e o marrom, para dar visibilidade às questões raciais. 




Um usuário do Twitter disse o seguinte:

“Usar o ANIL E O ROSA na bandeira hoje não demonstra não que vocês estão resgatando a bandeira histórica, onde tudo começou. Mas sim que vocês estão MEGA DESATUALIZADOS, não entendem o porquê historicamente já mudamos das cores e quais são as alterações que estamos fazendo HOJE.”


Acredito que a Havaianas não está desatualizada. Falo isso, porque criar e apoiar essa causa demonstra que ela está atenta ao que a comunidade tem passado na atualidade. Mais do que cores, é o intuito e o propósito que importam. 






Para Quasar, a nova versão é mais inclusiva porque além das cores do arco-íris, traz referência à diversidade racial e aos transgêneros. Sobre a sua criação ele disse o seguinte (com grifos):

Ainda temos muita luta e evolução para fazer desde que se criou a primeira bandeira. E a nova bandeira lembra as pessoas disso. A bandeira da Trans e as faixas da comunidade marginalizada foram deslocadas para o guincho da bandeira e receberam uma nova forma de seta. A seta aponta para a direita para mostrar o movimento para a frente, enquanto que ao longo da borda esquerda é mostrado que o progresso ainda precisa ser feito.”


De oito cores, a bandeira LGBTQ+ passaria para 11 cores. Um colorido imenso e sem igual. Fico imaginando se as Havaianas estampasse em seus itens as 11 cores. Ficaria muito mais chamativo e com mais informação do que precisaria ter. Não é para tanto né?! Sabemos que as cores do arco-íris tem a capacidade de originar mais e mais cores. 

A coleção Havaianas Pride é realizada em parceria com a ONG All Out - que combate a homofobia - em que 7% dos valores arrecadados com as compras serão doados à instituição. A doação será constante, já que os materiais serão vendidos de forma permanente. Além dos modelos pride, a empresa também afirma que está ampliando a numeração dos calçados, do 46 ao 49, promovendo maior inclusão. 

A CMO da Alpargatas, Fernanda Romano, disse que a Havaianas avançou mais passos no quesito inclusão e diversidade:

“Nos últimos anos, avançamos muito no quesito diversidade em nossas comunicações, mas sabemos que essa é uma jornada longa. Entendemos que essa mudança funciona como uma cascata e é mais forte se for um compromisso de longo prazo.”










O canal Shop Zappos no Youtube apresentou dois tipos de Havaianas dessa coleção. A primeira, a Top Pride All Over; a segunda, a Top Pride Strap. Assista aos vídeos: 









Adicionar ou diminuir cores não influi na mensagem que a empresa quis passar. Em minha opinião fizeram muito burburinho para nada. A intenção das Havaianas é o que importa.


E você, o que achou dessa polêmica toda? Já conhecia a coleção da Havaianas? Diga nos comentários! J-J  






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Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Fake Democracy



“Se controlo o meio, verdade é o que digo, e mentiroso todo aquele que discordar”

Democracia”, junção das palavras demos (povo) e kratos (poder) para significar “governo do povo”, é um regime político que surgiu na Grécia, no século V a.C., e alargou a participação decisória para além da minoria (aristokratia) que, até então, costumava governar. Essa cidadania democrática, de início, era restrita a uma elite (homens, filhos de pai e mãe atenienses, livres e maiores de 21 anos), mas, pouco a pouco, expandiu-se para, nas democracias modernas, após diversos movimentos pelo sufrágio universal, passar a incluir todos os cidadãos adultos.

Segundo Robert Alan Dahl, cientista político que teorizou sobre um sistema democrático perfeito, por ele denominado “poliarquia”, diversas são as condições necessárias para que os processos de escolha representem ao máximo a vontade das pessoas, entre elas, inexoravelmente, a liberdade de expressão e a garantia de acesso a fontes alternativas de informação. Sem esses pilares, não há democracia possível.

Com o advento da Internet e o avanço das redes sociais, a hegemonia da mídia tradicional se viu seriamente ameaçada. Na última eleição presidencial, por exemplo, sagrou-se eleito candidato praticamente sem tempo de TV (dos 12 minutos do horário eleitoral, a coligação do PSDB tinha 5 minutos e meio, a do PT quase 2 minutos e meio e Bolsonaro meros 8 segundos) e com quase nenhum recurso. Sua campanha, que custou pequena fração daquela despendida pelo adversário do segundo turno [1], foi capitaneada pelas carinhosamente denominadas “tias do zap”, senhoras (e senhores) de meia idade que usam, diariamente, conhecido aplicativo de troca de mensagens.

Mas a reação veio a galope. Tramita na Câmara dos Deputados o PL 2.630/2020 (“Lei das Fake News”), de autoria de senador de um dos partidos da fracassada coligação do PSDB e aprovado a toque de caixa no Senado Federal [2]. Entre as medidas, exigiam-se números de documento e de celular para cadastro em redes sociais e aplicativos de mensageria, além de se impor limitações à quantidade de usuários em grupos e severas restrições ao encaminhamento de mensagens, especialmente “em período de propaganda eleitoral”. Verdadeira mordaça na “tia do zap”.



Adicionalmente, o PL 2.630/2020 define “desinformação” como sendo o conteúdo assim declarado pelos “verificadores de fatos independentes”, empresas que passarão, então, a ditar o que é verdade e o que é fake (e, portanto, passível de criminalização e de censura). Agora, imagina quem está por trás de algumas das principais agências de verificação de fatos (fact-checking) do Brasil? Os veículos da mídia tradicional, claro! Apenas a título de exemplo, citam-se as agências Fato ou fake (do grupo Globo) e UOL Confere (do Universo Online). Bingo!

Além da questão acerca da isenção das entidades verificadoras, na qual, conforme apontado, somente alguém muito inocente acreditaria, ainda permanecem diversos problemas. Por exemplo, como selecionar o que será checado, uma vez que, por óbvio, não é possível checar 100% do conteúdo circulante? Como essa classificação vai impactar na redução do alcance das postagens ou nos resultados das buscas? Por fim, mas não menos importante: mesmo a checagem mais bem intencionada e bem feita não é infalível e, como toda atividade humana, está sujeita a erros. Ou seja, fora o nítido risco de viés, a própria atividade de checagem pode gerar desinformação.

Enfim, as pessoas precisam acordar, o quanto antes, para os verdadeiros interesses por trás do PL 2.630/2020. Pois, no fundo, no fundo, não se trata de combater “fake news”, mas, sim, de amordaçar as “tias do zap”, de modo que as eleições não saiam, nunca mais, do script historicamente ditado pela mídia tradicional. Como bem ensinou o finado Robert Dahl, democracia sem voz não é democracia. É fake democracy. J-J

**as opiniões do autor não constituem posicionamento institucional do TCU.


Por: Regis Machado, auditor do Tribunal de Contas da União

domingo, 12 de julho de 2020

Inverno de novidades 'Kibon'



Trago novidades para os meus leitores! A Kibon - marca querida do JOVEM JORNALISTA - lançou três novos produtos para esse inverno. Comercializados a partir do dia 1º de julho, os picolés e sorvetes são inovadores e vieram agregar valor à coleção já tão conhecida. Foram lançadas duas novidades de Magnum e uma de Cornetto, que já estão à venda em todo o país. 

Falarei de cada um dos lançamentos, embora não tenha provado nenhum deles ainda pois estão em falta na minha cidade


Magnum Pote

O delicioso sorvete de baunilha coberto com a casquinha de chocolate agora ganha novo formato: é o Magnum Pote, criado para esse momento em que as pessoas estão de quarentena. A qualidade do Magnum, com ingredientes selecionados, continua a mesma, mas agora em pote de 297g/440mL. O produto apresenta o sabor que conhecemos: "sorvete cremoso de baunilha, rico em pedaços de chocolate, coberto com outra camada de chocolate Magnum que envolve todo o pote". O Magnum Pote pode ser encontrado em dois sabores: chocolate preto e chocolate branco. 

Magnum Pote Clássico


Sorvete de baunilha perfeitamente cremoso e aveludado com deliciosas e crocantes lascas de chocolate belga Magnum, coberto por uma espessa casca de chocolate. 


Magnum Pote Branco


Equilíbrio perfeito do cremoso e aveludado sorvete de baunilha com deliciosas e crocantes lascas de chocolate branco Magnum, coberto por uma espessa casca de chocolate. 


Feito para quebrar!

Os novos Magnum Pote são feitos para quebrar. Ao abrí-lo, a empresa sugere que a pessoa quebre o chocolate da parte superior com uma colher e aperte o pote quebrando o restante de chocolate que vem dentro da embalagem. Original no mercado, o lema do Magnum Pote é ser "Fiel ao prazer", perfeito para os dias de inverno, quando queremos ficar debaixo das cobertas assistindo algo na Netflix

A gerente de marketing da Kibon, Camila Conti, conta mais desse sorvete e de sua importância para os dias de isolamento e frio. Ela disse o seguinte (com grifos):

"No inverno naturalmente as pessoas já passam mais tempo dentro de casa, e neste ano em especial, essa é a recomendação para enfrentarmos de forma segura o momento que estamos vivendo. Nesse contexto, o Magnum Pote chega para mostrar que todos merecem ter um momento de prazer que só a marca pode proporcionar. Só que agora é no sofá de casa, assistindo sua programação favorita."


A youtuber Tamires Fernandes experenciou como é o Magnum Pote Branco assista:






Magnum Vegano





Nesse inverno, a Kibon lançou até mesmo novidade para os veganos, é o Magnum Vegano. O sorvete não tem nenhum ingrediente de origem animal, sendo um deleite para veganos, vegetarianos e o público que anseia por uma alimentação balanceada. Ele combina, perfeitamente, o sorvete de baunilha com uma cobertura crocante de chocolate vegano e pedaços de amêndoas. Com 90 mL, o produto possui o selo de Produto Vegano da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), que certifica toda uma cadeia de suprimentos com critérios rígidos de um produto vegano. 






O youtuber Flavio Giusti fez um react experimentando o Magnum Vegano. Assista:







UniCornetto





Finalizo essa explosão de novidades da Kibon, com o UniCornetto. Trabalhado todo na questão unicorlesca, a edição é LIMITADA. Ela brinca com a magia das cores, possuindo sabor morango com chantily em uma calda rosa, mas a cor do sorvete é azul em uma casquinha rosa. O sorvete possui confetes coloridos no sabor chocolate branco. A ideia é deixar as redes sociais mais coloridas, principalmente as fotos do Instagram, por ser um produto único. Ele possui 90 mL. 

A gerente de marketing da Kibon para picolés, Cristine Lu, disse que o UniCornetto traz para dentro de casa toda a magia desse mundo. Leia (com grifos):

"O UniCornetto chega para trazer um pouco da mágica do universo dos unicórnios, algo que cai bem nesse momento que estamos vivendo. Disponível em pré-lançamento, ele tem feito muito sucesso nas lojas de Kibon dos principais aplicativos de entrega do país, mostrando que as pessoas estão trazendo para dentro de casa o consumo dos sorvetes que normalmente elas tomavam fora do lar."


O TikTok da Experimenta Isso mostrou como o UniCornetto é por fora e por dentro. Assista:




A youtuber Ana Morales também mostrou como é o sorvete. Veja:






Todas essas incríveis novidades - que é difícil até escolher uma pois todas são incríveis! - estão disponíveis nos principais pontos de venda do país, bem como nos aplicativos de delivery.

Eu poderia postar meus vídeos experimentando essas novidades? Poderia. Poderia ter recebido essas delícias da Kibon na minha casa? Poderia. Enquanto as novidades não chegam na minha cidade, eu fico babando por elas. Lembrando que não recebi nenhum mimo ou brinde da Kibon, mas bem que poderia.

E você, já conhecia essas novidades da Kibon? Qual foi a sua preferida? Diga nos comentários! J-J


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Por: Emerson Garcia
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