sexta-feira, 26 de junho de 2020

Designação de crianças transgêneros



As crianças transgêneros existem, por mais que o assunto possa parecer polêmico. Em determinado momento da vida, elas se percebem de um gênero diferente do que recebeu desde seu nascimento. Daí a necessidade dessa criança ter o acompanhamento familiar e médico desde cedo, de forma que ela tenha suporte para a mudança do nome social e no processo de transição.

De acordo com o psiquiatra do Nationwide Children's Hospital em Ohio, nos Estados Unidos, Scott Leibowitz, a criança, por volta dos 2 anos de idade, já tem conhecimento do que existe o feminino e o masculino e algumas percebem que seu comportamento não condiz com o que o corpo indica. De acordo com o psiquiatra por volta dos 6 ou 7 anos a desconformidade entre o sexo biológico (aparência física) e identidade de gênero (o que a pessoa vê que é) fica mais evidente. 

As crianças transgêneros passam pelo que é chamado de disforia de gênero, um "desconforto ou sofrimento causado por uma discrepância entre a identidade de gênero de uma pessoa e seu sexo atribuído no nascimento". Essa discrepância deve ser acompanhada por profissionais médicos, além de ter um apoio da família. O que é chamado de atendimento multidisciplinar, que envolve psiquiatras, psicólogos e a família.

O processo de designação de crianças transgêneros não é tarefa fácil, pois há tabus, preconceitos, desconhecimentos, entre outros fatores, mas ele deve acontecer. Já o processo de redesignação sexual (mudança cirúrgica do sexo biológico) acontece mais tarde. De acordo com artigos, a mudança cirúrgica só pode ocorrer aos 21 anos, enquanto a reposição hormonal aos 16 anos. 

O post de hoje, portanto, é focado nas crianças transgêneros até os 15 anos. Falarei de sexualidade e gênerodescoberta e aceitação; como lidar com crianças transgêneros?; acompanhamento profissional e familiar; polêmicas e preconceitos; políticajustiça e direitos. Os tópicos serão desenvolvidos baseados em artigos e matérias de casos reais. 


Sexualidade e gênero






























A transexualidade tem a ver com a identidade de gênero. Existem três tipos de identidade de gênero: cisgênero, fluido e transgênero, e nenhum deles tem a ver com orientação sexual. Como representado na imagem acima produzida pelo G1 a identidade de gênero está ligado à mente/cérebro. Assim, a transexualidade é a pessoa que não se identifica com o gênero atribuído. Ou seja, um homem com a genitália masculina (pênis) que pensa e tem a mentalidade feminina; ou uma mulher com a genitália feminina (vagina) que pensa e tem a mentalidade masculina. 

De acordo com pesquisa divulgada no G1 as crianças transgêneros se sentem tão meninas ou meninos que as cisgêneros. Isso porque as cisgêneros se reconhecem com o seu gênero. O mesmo ocorre com as transgêneros, elas se reconhecem com o seu gênero, apesar do seu gênero biológico. 

Foi observado nessa pesquisa os brinquedos que as crianças preferiam, quem eram seus principais companheiros de brincadeira e se suas roupas eram mais femininas ou masculinas. Os estudiosos perceberam uma forte consistência entre as crianças. Foi constatado que as crianças transgêneros mostram preferências de identidade e tipo de gênero consistentes, assim como as crianças cisgêneros. 


Descoberta e aceitação




Os padrões de comportamento masculino e feminino são percebidos pela criança desde seus primeiros anos de vida. Ela percebe como a mãe e o pai se comportam e entende o que é homem e mulher e o que se espera de ambos. Pode acontecer da criança se identificar com o gênero oposto ao que nasceu. Um forte indício quando isso ocorre é a atração pelas coisas culturalmente associadas a ele. Mas isso não quer dizer que a criança será transexual. Por exemplo, uma menina que gosta de brincar com carrinhos e não se interessa por bonecas, não tem disforia de gênero. A psicóloga especialista em questões de sexualidade e gênero disse o seguinte:


“O ser humano é muito complexo. A criança pode se interessar por coisas ditas do outro sexo e isso não é ruim e nem quer dizer que ela é trans. Há graus de masculinidade ou feminilidade e isso tudo deve ser explicado desde cedo, para que ela não se sinta mal por ser diferente.”

A descoberta da criança pode acontecer por conta da insistência dela de dizer que não é menino ou menina e seus interesses sobre o assunto. É necessário portanto que os pais percebam os comportamentos de seus filhos, prestando toda atenção possível. A criança deve autoaceitar e ter a aceitação das pessoas que a rodeiam.

Um documento da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacou indícios aos quais os pais e pediatras podem estar atentos, como o desejo da criança em se vestir com trajes do sexo oposto e o sofrimento dela em relação ao sexo biológico, que pode agravar conforme seu crescimento. O documento ainda salienta que se o pequeno não se sentir à vontade no próprio corpo, fica mais claro no período em que a sua identidade já está formada. A criança, se não estiver designada ao seu gênero correto, pode apresentar ansiedade, insônia ou depressão.  

Por isso é importanto esse apoio à criança transgênero, para que lá na frente - aos 16 anos - ela possa optar pela terapia hormonal, e aos 18 anos pela redesignação de gênero, com a cirurgia da mudança do sexo biológico. 

Uma reportagem publicada pelo Correio Braziliense conta a história de Maria Eduarda, de 13 anos. Nascida como João Victor, a mãe percebeu que a filha chorava ao usar roupas masculinas e não gostava do próprio nome e que ela se aproximava mais de tudo relacionando ao universo feminino. Certo dia, quando Duda tinha entre 9 e 10 anos, viu uma personagem trans em uma novela e disse "Eu acho que é isso que eu sou mamãe". Depois disso, a família passou a compreender a filha, se informar e iniciar o precesso para que ele fosse aceita pela sociedade. 

Em reportagem também publicada no Correio Braziliense intitulada O que pais precisam saber sobre transexualidade? a psicóloga Ingrid Quintão disse que é importante que os pais escutem seus filhos e percebam seus comportamentos (com grifos):


"O que chama a atenção para a transgeneridade é o sofrimento da criança com o gênero de nascimento. Muitas traduzem o sofrimento em tentativas de automutilações, se escondem para não aparecerem em público caracterizados de acordo com o gênero de nascimento, crescem odiando o corpo. Logo, existem indícios que vão se confirmando ao longo do tempo, que, quando são compreendidos pelos adultos, trazem menos desconforto para as crianças."



Como lidar com crianças transgêneros?








Ter uma criança transgênero pode causar estranhamento em um primeiro momento, mas não é um bicho de sete cabeças. Como falei, é necessário que haja um apoio e observação da família em como a criança age; como ela se sente em brincar com determinado brinquedo e não com outro; que sentimentos existem ao ser chamada pelo seu nome entre outros. Isso tem que ser feito de forma tranquila.

Os pais devem observar os comportamentos do pequeno e não tentar corrigí-los ou impor outro tipo de comportamento, pois isso será prejudicial à ele. O ideal é se esquivar de estereótipos e pensamentos, como: "Mas você é menino, tem que se vestir dessa forma";  ou "Você é menina, não pode brincar de carrinho". É ideal deixar a criança livre e à vontade, da forma que ela se sente. Os pais e familiares agindo dessa forma, evitarão problemas no futuro.

Após essa observação é necessário um acompanhamento psiquiátrico e psicológico com a criança. Recomenda-se que ela faça sessões periódicas com esses profissionais, pois eles podem ajudá-la da forma correta. Quando ela chegar na puberdade, tendo certeza de sua decisão pode, ou não, optar pela hormonização, até que se tenha certeza de qual caminho seguir, se a criança passará pelo processo de redesignação ou não. 


Acompanhamento profissional e processo de transição

O acompanhamento psiquiátrico e psicológico deve ser constante e sempre com o consentimento dos pais. É necessário conversa e entendimento profissional do que a criança passa. Para o psicólogo Alexandre é preciso acompanhar a criança, mas sem ser invasivo:


“É importante acompanhar e estimular que a criança revele o que se passa dentro dela, mas não podemos ir na frente da criança e definir se ela é cis, trans, homo ou heterossexual.”


Com o decorrer das consultas, os pais da criança podem optar por injeções que bloqueiam os hormônios durante a puberdade, até ela atingir a idade adulta (21 anos) e optar pela cirurgia de mudança de sexo.

Os atendimentos são baseados em projetos de pesquisas e oferecem um leque de especialidades, que variam de psiquiatria, psicologia, endocrinologia, pediatria generalista, fonoaudiologia, enfermagem e serviço social.  

Entre as vantagens do processo de transição iniciado na pré-adolescência, está o fato de que o bloqueio hormonal pode ser revertido e não causar danos ao desenvolvimento da criança. 

Quando a criança é designada para seu gênero correto - quando necessário - ela tem mais segurança, maturidade, melhoria em sua saúde mental e autoaceitação. A criança acaba descobrindo que não é errado ser transexual.  

O processo de transição só ganha corpo após o acompanhamento profissional contínuo. Ele deve ser realizado com cuidado. Ele envolve a mudança de pronome e nome da criança, de roupas, corte de cabelo, entre outros. 


Aparência

A primeira mudança em uma criança trans, depois da aceitação dos pais e de acompanhamento médico, é em sua aparência. Meninas trans passam a deixar seus cabelos longos e usar roupas femininas e se comportar com o gênero que se identifica. 

O termo que se usa para isso é passabilidade, ou seja, "passar-se por". A respeito da transexualidade, a criança trans "passa por" o gênero que se identifica e, mais que isso, ela se aparenta e é o gênero que se identifica. Esse termo pode gerar polêmica, pois muitos acreditam que a criança trans quer "passar por" cisgênero, quando na verdade ela quer ser reconhecida apenas como criança trans, apesar de suas dificuldades e preconceitos que isso pode oferecer. 


Polêmicas e preconceitos

A polêmica principal a respeito das crianças trans é advinda dos críticos à ideologia de gênero, pois eles acreditam que se a criança nasceu homem é homem e se nasceu mulher é mulher, não existindo meios termos. Contudo, não podemos fechar nossos olhos e dizer que as crianças trans não existem, pois elas existem.

O primeiro preconceito que uma criança trans passa é em sua família, quando muitos pais acreditam que a ela é homossexual - gay ou lésbica, sem ter o conhecimento profundo de que trata-se de transexualidade. 

O segundo é na escola e na sociedade, quando muitas dessas crianças sofrem bullying por serem como são. É necessário, portanto, um trabalho nas escolas, para que essas crianças se sintam aceitas e pertencentes ao grupo. A explicação da transexualidade deve ser clara, pois é melhor explicar do que esconder a verdade. Tem que explicar de forma doce, lúdica e clara.

De forma geral, as crianças trans são aceitas em casa. Há um conforto e apoio muito forte. Muitos compreendem que uma menina trans nasceu menina, mas no corpo de menino. Essa explicação deve ser levada para os outros espaços também.  


Religião

A religião deve ter um papel fundamental na aceitação da criança trans, afinal Deus a fez da forma que é, sem defeitos. Além do mais, Deus é amor e aceita as pessoas do jeito que são. 

Contudo, não é bem assim que as coisas funcionam. Atualmente a religião é o principal argumento daqueles que não aceitam coisas como orientação sexual diferente de hétero e identidade de gênero diferente daquela atribuída ao indivíduo ao nascer.

Com isso, faz-se necessário alguma lei, argumento ou resolução que a criança, a partir de uma certa idade, não dependa da autorização dos pais para assumir a sua identidade, assim como protegê-las de possíveis represálias por parte dos pais conservadores.


Política, justiça e direitos




No âmbito político é necessário que haja leis e um amparo às crianças transgêneros. Hoje em dia já existem leis que autorizam a mudança do nome social de crianças transgêneros em registros, certificados de batismos e até mesmo na chamada da escola. Ter seu nome mudado e documentos alterados é uma grande vitória para a criança trans. 

No entanto, ainda é necessário que isso continue a avançar, protegendo esses indivíduos de situações que possam ser um agravo a saúde, como por exemplo, ter lidar com o preconceito dos pais e da sociedade principalmente, que pode ser tão impactante ao psicológico da pessoa que pode levá-la a cometer suicídio. 

Ainda, também é necessário que as pessoas trans sejam amparadas de outras formas, vistas que a sociedade enxerga com maus olhos essa parcela da população, o que faz com que elas sejam marginalizadas.Com isso, o avanço, embora seja grande, ainda precisa ir  além, garantindo oportunidades de qualidades de vida para as crianças trans.


Conclusão

A criança trans deve ter seus direitos resguardados e deve ser protegida pela família e pela sociedade. É necessário que haja um acompanhamento psicológico e psiquiátrico, até que ela possa tomar decisões mais acertadas. 

Esse foi o post de hoje! Até amanhã. J-J



Por: Emerson Garcia
Ilustração: Milena A. Soares

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Sexualidade, fetiches (desejos) e sexo entre as pessoas LGBTQ+



Dando continuidade à Semana do Orgulho LGBTQ+ 2020 hoje falarei de desejo, fetiches e sexo entre as pessoas LGBTQ+. Como já falado no blog, o indivíduo é dotado de sexualidade e afetividade, ou seja, ele possui uma identidade de gênero, uma expressão de gênero, um sexo biológico e uma orientação sexual, como verificado no infográfico abaixo:




Sem me ater a identidade e expressão, me aterei à orientação e ao sexo biológico do indidívuo, pois serão fundamentais para o assunto principal do post. A orientação sexual diz respeito à aspectos físicos e emocionais do indivíduo, baseados em seu sexo/gênero e o da outra pessoa. Nesse sentido, a pessoa pode orientar-se afetiva e sexualmente, sendo heterossexual (indivíduo que sente atração pelo gênero oposto), bissexual (indivíduo que sente atração pelos dois gêneros) ou homossexual (indivíduo) que sente atração pelo mesmo gênero).

Já o sexo biológico é a característica física do indivíduo quanto ao órgão, hormônios e cromossomos. São três os sexos biológicos: fêmea, representado pela vagina, ovários e cromossomos XX; macho, pênis, testículos e cromossomos XX; e hermafrodita, uma combinação dos dois anteriores. 

Sabemos que o desejo e fetiche que desembocam em uma relação sexual (sexo) são inerentes à quase todos os indivíduos, com excessão dos assexuais (pessoas que não sentem nenhuma atração sexual pela outra) e demissexuais (pessoas sem nenhuma atração pela outra, exceto se for emocional ou romântica); e que o órgão sexual (pênis, vagina e ânus) que faz parte de nós tem funções tanto orgânicas, reprodutoras e sexuais, sendo fontes de desejo e prazer. 

Como estamos na Semana do Orgulho LGBTQ+ 2020 resolvi ressaltar os desejos e fetiches de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e drag queens; bem como falar da relação sexual (sexo), ressaltando a importância da prevenção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre a comunidade. Confira!


Como lidar com a sexualidade LGBTQ+?



O principal tema desse post é a sexualidade, na sua essência e pureza. Procurarei ser o mais sensível com a temática, sem levar para o lado promíscuo ou de devassidão. Sobre a sexualidade LGBTQ+, fica a questão: como lidar com ela?! 

Em um processo evolutivo da humanidade, percebemos que uma das funções dos indivíduos é a líbido, ou seja, a energia sexual de cada ser com o fim de oferecer prazer a quem a busca. A líbido (energia sexual ou desejo) oferece benefícios ao organismo, além de ter uma função social e coletiva. Gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e drag queens são seres que possuem líbido e, além disso, órgão genital, então não podemos retirar deles esse direito, agir com preconceito ou dizer que por sua condição são promíscuos e devassos. Não! São seres humanos que também necessitam de sexo e prazer!

A humanidade criou conceitos de moralidade, filosofia, ciência, códigos de ética, política, chegando a influenciar como lidamos com nossa sexualidade ou orientação sexual e romântica. Muitas vezes essa influência é parcial, pois ela aceita como ideal somente a relação sexual heteronormativa, não levando em conta os outros tipos de relacionamentos sexuais (Quando leva é para o lado perjorativo, como já falei). Se for um relacionamento sexual transexual então, nem se fala... 

Em algumas culturas históricas não existe essa influência parcial e negativa. Nelas a temática de diversidade sexual é bastante natural, ou seja, o sexo entre pessoas do mesmo gênero (gay e lésbico) ou entre transexuais e travestis é aceito sem represálias.

Então, é importante que gays, lésbicas, travestis, transexuais e drag queens saibam lidar com sua sexualidade, não a menosprezando ou crendo que "é pecado ter um relacionamento sexual fora da heteronormatividade". A líbido, desejo, fetiche e sexo são inerentes a quase todos. 


Fetiches (Desejos)

O fetiche é um substantivo masculino com origem no termo fétiche, do idioma francês, significando um objeto enfeitiçado, comportamento, parte do corpo ou objeto que desperta excitação social. Também pode estar ligado ao misticismo, sendo um amuleto ou talismã, com origem obscura e com poderes mágicos ou sobrenaturais (tribos africanas possuem certos objetos desse gênero, apreciados pelo povo). Na psicologia o fetiche possui conotação sexual e representa um comportamente específico de prazer em determinadas atividades, objetos ou partes do corpo.

O fetiche, portanto, se caracteriza pelas manifestações dos cinco sentidos estimulados. Entre os fetiches conhecidos estão: partes do corpo; curvas e contornos; formas e peles; cores e estilos; perfumes e aromas; vozes e sussurros; e sabores e texturas. Eles adveem de uma exercitação sexual, de uma experiência particular ou do imaginário interior de cada um. 

Gay



Começo falando de alguns fetiches (desejos) de gays (homossexuais). Reuni 11 tipos de fetiches, são eles:

1- salirofilia: fetiche por fazer sexo com um homem suado. A atração pela saliva também faz parte desse gênero. 

2- hibristofilia: fetiche por fazer sexo com um homem perigoso. É o gay que se sente atraído e excitado por um criminoso ou agressor. 

3- tricofilia: atração física pelos pêlos (sejam pubianos ou não) e cabelos do parceiro. Quem possui esse fetiche prefere os parceiros peludos. 

4- odaxelagnia: fetiche associado ao sadismo e masoquismo. É o fetiche da prática de morder e bater ou ser mordido e batido por alguém. 

5- bondage: fetiche de quem domina ou se é dominado. Os fetichistas recorrem a cordas, algemas, vendas, bastando a imaginação. É importante saber respeitar os limites do parceiro e combinar uma palavra-chave para que ninguém saia mal da brincadeira. 




6- sexo em grupo: é um fetiche comum tanto a gays como héteros. O sexo com vários companheiros é um dos fetiches mais comuns. 

7- estigmatofilia: atração sexual por parceiros com tatuagens, cicatrizes ou piercings no corpo. 

8- voyeurismo: o voyeur é aquele que gosta de ver o sexo e de espiar. Ele, por vezes, atinge o orgasmo masturbando-se ao observar os parceiros sem que estes o vejam. 





9- partialismo: fetiche por uma parte específica do corpo do parceiro, que não as genitais, despertando erotismo. As partes podem ser pés, peito (peludo ou não), abdomen, músculos, mãos, axilas, entre outras. 

10- role play: fetiche que consiste em o casal ou um dos membros do casal idealizar um papel diferente do costume entre quatro paredes, ou seja, fantasiar-se. Entre as fantasias mais comuns estão de policial, bombeiro, gangster (mafioso), médico e marinheiro. 

11- narratofilia: fetiche por falar palavras sujas e palavrões durante o ato sexual. 


Lésbico



O relacionamento sexual lésbico não é moda; não é um ato para provocar a líbido e o prazer de um homem querer transar com duas mulheres (ménage à trois); e não é nada do que se pense que não seja uma opção sexual. O sexo lésbico deve ser respeitado, assim como as relações sexuais heterossexuais. Então, nada de machismo e heteronormatividade!  Um homem, ao ver duas mulheres se beijando, deve se comportar normalmente. Nada de mostrar a língua e segurar o saco. Não é um convite para um relacionamento a três! 

Agora, falarei de 10 fetiches lésbicos. São eles:

1- uso da língua: fetiche de mulheres por usar a língua no corpo da outra, sentindo na língua a textura e o macio da pele. 

2- ejacular pela vagina: um desejo feminino recorrente é o de ejacular (squirting). O orgasmo pelo ponto G é de deixar os membros bambos, mexer o corpo, revirar os olhos e sair de órbita por segundos. Lésbicas conseguem o squirting por meio do sexo oral ou da masturbação. 

3- amarrar o corpo da outra: outro fetiche comum é o de amarrar o corpo da parceira e realizar vários desejos que não podem ser sequer ditos nesse post. 

4- lugares públicos: lésbicas tem o fetiche de transar dentro do carro, no elevador ou ainda no banheiro do avião. A adrenalina nesses momentos fala mais alto.

5- strip-tease: toda mulher adora ver a parceira babando por ela, mesmo em um strip-tease. 



6- sadomasoquismo: toda mulher gosta de ser uma Christian Grey com a outra e vice-e-versa. Ser amarrada e dominada ou dominar é um fetiche recorrente entre lésbicas. Tapinhas e puxões de cabelo leves também são permitidos. 

7- força: toda mulher gosta de ser amada e bem tratada, mas tem horas que ela quer ouvir palavras ousadas, ser pega com um pouco mais de ímpeto e não dar limites para a parceira. 

8- sexo com estranhas: há lésbicas que fantasiam o sexo com alguma mulher desconhecida. A proposta é só se dar prazer e descobrir do que a parceira é capaz.

9- filmar: existem lésbicas com o fetiche de ser filmada pela outra.

10- ménage a trois: fetiche do casal lésbico em ter um relacionamento sexual com outra mulher. 


Bissexual



Uma pesquisa revelou que heterossexuais objetificam bissexuais ao sexo, mas nesse post quero tirar essa visão que bissexuais são apenas objetos de prazer. Outrossim, são seres dotados de líbido, desejos e fetiches (Como falado anteriormente). 

Uma pessoa bissexual conhece bastante o seu desejo e fetiche de gostar de ambos os sexos. Estar apaixonado ou ter um desejo sexual por uma mulher, não exime a falta de gostar de um homem. A bissexualidade é mais que uma curiosidade da adolescência, é uma condição sexual, de ser uma pessoa autônoma e decidida mesmo.  

Uma matéria da Morangão, ex BBB, no UOL mostrou bissexuais que gostam de dominar mulheres e ser submissas aos homens. Bissexuais também gostam de ménage a trois, de ser passivos ou ativos na relação sexual. 

Shudo (pederastia japonesa): um jovem rapazo entretém um amante mais velho, cobrindo os olhos enquanto beija sorrateiramente uma mulher serva. I Wikipédia


Transexual e travesti


Pessoas transexuais e travestis também tem líbidos, fetiches e desejos. Os transexuais tem o desafio de sentirem prazer a partir da redesignação sexual (corte do pênis e cirurgia para a criação de uma vagina ou de um pênis). Já os travestis, tem o desafio de sentirem prazer por meio de seu pênis, pois muitas delas optam pela não redesignação de seus órgãos sexuais, e por isso não podem ser confundidas com pessoas transexuais.




A mesma problemática que existe com os bissexuais, existe com relação aos transexuais e travestis. Muitos as consideram como objeto de prazer e fetiche, mas esquecem que elas são seres humanos dotados de libido também. 


Drag queens



Algumas drag queens tem o fetiche de fazer sexo com o parceiro ou a parceira "montada", o nome para essa atividade é cross-dressing


Sexo e prevenção

Seja gay, lésbica, transexual, travesti ou drag queen a regra é a mesma: use camisinha! É necessário buscar se proteger, se prevenir e possuir uma higiene íntima (seios, pênis, vagina e ânus) com frequência. A forma mais conhecida e mais eficaz de se proteger das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são as camisinhas, tanto para órgãos masculinos, quanto para órgãos femininos. Veja a utilização de cada uma abaixo:

1. Abra a embalagem com cuidado - nunca com os dentes - para não furar a camisinha. Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto.

2. Desenrole a camisinha até a base do pênis, mas antes aperte a ponta para retirar o ar. Só use lubrificantes à base de água, evite vaselina e outros lubrificantes à base de óleo.

3. Após a ejaculação, retire a camisinha com o pênis ainda duro, fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze da camisinha.

4. Dê um nó no meio da camisinha e jogue-a no lixo. Nunca use a camisinha mais de uma vez.

(Fonte: Giv)





1- Observar a data de vencimento.

2- Observar a integridade da embalagem.

3- Abrir a embalagem com cuidado para evitar furar a camisinha. Deixar a
embalagem semiaberta para facilitar na hora do uso.

4- Segurar a argola menor com o polegar e o indicador. Apertar a argola e introduzi-la na vagina com o dedo indicador.

5- Empurre-a com o dedo indicador.

6- A argola maior fica para fora da vagina, isso aumenta a proteção.

(Fonte: Sexo seguro)



Gays



A camisinha é o principal método de prevenção, seja para o sexo oral ou anal. Os gays devem ter esse cuidado de sempre utilizar o preservativo, tendo em vista o crescimento do HIV/AIDS.

Além desse cuidado, também faz-se recomendado a higiene íntima tanto do ânus como do pênis. 

É necessário fazer a conscientização dos gays, sejam por meio de palestras e peças de teatro em saunas e boates gays. 


Lésbicas



As lésbicas também devem se prevenir em uma relação sexual. Entre as recomendações estão o uso de sabonete íntimo antes e depois dos atos sexuais; a higienização ou uso de camisinhas masculinas em brinquedos eróticos; uso da camisinha de látex, caso haja contato entre vulvas e vaginas; estar com os exames preventivos em dia; observação caso haja ferimentos e sangramentos; utilização de luva de latex para proteger o dedo e a vulva, no caso de penetração com o dedo; e a camisinha cortada e plástico filme na vagina, caso haja sexo oral. Confira os infográficos abaixo:






As lésbicas tendo esse hábito de prevenção evitarão doenças como sífilis, herpes genital, HPV, tricomoníase e gonorreia clamídia. 


Bissexuais



Nesse caso, repito o que já disse: higiene e camisinha são a chave!


Transexuais e travestis




A prevenção vai além do uso da camisinha, é esclarecer sobre sexualidade. É a pessoa trans ou travesti ter a noção clara de quem se é. 


Sexualidade, fetiches (desejos) e sexo entre as pessoas LGBTQ+




Falar de sexo e informar a comunidade LGBTQ+ não é promiscuidade. O sexo é inerente às pessoas sexuais, como vimos nesse post. Todo fetiche é válido, se saber-se respeitar o outro e a si mesmo. Lembre-se: sexo, só se for com camisinha e com todos os cuidados necessários. J-J


Por: Emerson Garcia
Ilustração: Milena A. Soares

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Saúde LGBTQ+ no Brasil



Seguindo com a Semana do Orgulho LGBTQ 2020 por aqui, falarei dessa questão que muito pouco é tratada como prioridade na sociedade. Nosso Sistema de Saúde pode não ser o mais eficiente, mas ele funciona. Comparado com muitos outros Sistemas de Saúde do mundo, o SUS é gratuito e oferece muitos tratamentos para a população brasileiro sem custo nenhum.

Contudo, ele precisa de muitas melhorias para atender melhor não só a população LGBTQ+, como também seus outros milhões de brasileiros. Nosso texto hoje vai ser focado nessa comunidade, mas esperamos que as melhorias que possam a aparecer possam ser expandida para todos.


Comunidade LGBT: definições



Nos anos 90, a sigla que representava a comunidade não era como conhecemos atualmente (como já vimos algumas vezes aqui no blog). Nessa época, era utilizado GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) para abranger todas as pessoas que não faziam parte dos costumes heteronormativos. Entretanto, essa sigla era muito excludente, deixando de foras outras orientações sexuais e identidades de gênero. Com isso, ela foi atualizada para LGBTQ+.

Com essa nova sigla, novas letras foram adicionadas para aumentar a representatividade da comunidade. Letras como B de bissexuais, T de transsexuais, Q de queer além do “+”, que representam outras identidades de gênero como gênero-fluido e não-binário, e orientações sexuais como a panssexualidade.

Com isso, alguns esclarecimentos são necessários. Como também já foi mencionado aqui em outras publicações, entende-se como orientação sexual o desejo de se relacionar afetiva e/ou sexualmente com outro indivíduo, seja ele do mesmo gênero que o seu ou não. Já no caso da identidade de gênero diz respeito a como a pessoa se enxerga na sociedade, como sendo do gênero masculino, feminino, ambos ou nenhum.


Histórico


Desde muito tempo atrás essa comunidade é alvo de preconceito. No início da década de 80, em Los Angeles, cinco homens jovens foram diagnosticados com doenças como candidíase oral, citomegalovírus (CMV), pneumonia por Pneumocystis Carinii, Sarcoma de Kaposi (SK) e sintomas como emagrecimento e febre persistente. Estes pacientes apresentavam um quadro de doenças oportunistas, aquelas que aproveitam a baixa imunidade de um indivíduo para se instalarem.

Ainda desconhecida pelos cientistas e médicos da época, os dados coletados indicavam que a doença era transmitida por via sexual ou contato com sangue de pessoas infectadas. Ainda com o agente infeccioso desconhecido, muitos nomes foram dados para a tal doença: câncer gay, pneumonia gay, síndrome gay, e por fim, GRID (Gay Related Immune Deficiency). Em 1982, a doença foi renomeada para Acquired Immunodeficiency Syndrome (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), ou AIDS. 

No ano seguinte, o vírus causador da doença foi isolado no Instituto Pasteur, na França, pelo virologista  Luc Montagnier. Três anos depois, em 1986, o vírus foi nomeado como HIV (Human Immunodeficiency Virus), o vírus da imunodeficiência humana. 



Por ter seus casos identificados inicialmente em pessoas da comunidade LGBTQ+ da época, os nomes como “câncer gay” e “doença gay” acabaram se perpetuando por muito tempo, causando reflexos que ainda são visto até os dias atuais. Uma grande parcela da comunidade religiosa da época acreditava que isso era uma forma de punição para indivíduos que tivessem práticas sexuais diferentes das consideradas normais, assim como aqueles que fazem uso de drogas ilícitas, e essa imagem permaneceu por bastante tempo (e ainda existe nos dias atuais). O que era observado da época não era que o HIV era uma doença que poderia atingir qualquer pessoa sexualmente ativa, e sim que era a doença dos gays.

No início não acreditava-se que a transmissão ocorria com o compartilhamento de seringas, contato com sangue de pessoas contaminadas e relações sexuais desprotegidas, mas sim que acontecia entre indivíduos com comportamentos irresponsáveis, anormais, e assim, Deus estaria os punindo por seu comportamento inapropriado.

A mulher esteve escondida das estatísticas científicas, desde o início da pandemia de AIDS até o final dos anos 80, o que contribuiu para que a doença fosse atribuída à homossexuais masculinos devido ao próprio preconceito que estes já sofriam da sociedade. Contudo, mulheres consideradas “da vida” também pareciam estar ocupando um espaço para a disseminação da doença, porém era mais fácil apontar um culpado, especialmente quando os princípios da sociedade iam contra todo o comportamento daquela comunidade.



Culpados pela origem da doença, assim como com a sua disseminação, os homens gays eram definidos pela sociedade como promíscuos, e a culpabilidade em cima deles só aumentava com o crescimento no número de soropositivos. Um pensamento que muitos hoje em dia, infelizmente, ainda compartilham. Atualmente já sabemos que essa enfermidade é transmitida não só por pessoas homossexuais, como também por pessoas heterossexuais, mas mesmo assim a doação de sangue por pessoas homossexuais ainda é proibida em muitos países ao redor do mundo.

No final de 1991, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um estudo que indicava que o maior disseminador do HIV eram em relações entre homens e mulheres, contrapondo tudo o que era dito na época. Portanto, seguindo o pensamento antiquado desse tempo, algum indivíduo teria que ter tido relações sexuais com algum portador da doença que fosse homossexual masculino e depois tido relações com uma mulher para que isso pudesse acontecer, novamente entrando em um assunto delicado que seriam os famosos “enrustidos”.

Por volta do mesmo período, iniciavam-se estratégias de prevenção contra o alastramento do vírus do HIV, procurando conscientizar a população, não só os homossexuais da época, mas também homens e mulheres heterossexuais.

Mesmo antes da AIDS, a comunidade LGBT já era extremamente marginalizada. Em diversos países ao redor do globo, estes indivíduos eram submetidos a tratamentos dos quais prometiam uma “conversão sexual” que os trariam de volta à “normalidade”. Isso ocorria porque a homossexualidade nesta época ainda era considerada uma doença e era referida como “homossexualismo”.

No contexto da homossexualidade como patologia, muitos procedimentos cirúrgicos eram adotados para tratar o “homossexualismo” que era diagnosticado nos indivíduos. Estratégias como vasectomia, histerectomia, ovariectomia, clitoridectomia, entre outros. Além destes, métodos como tratamento de choque, hipnose, tratamento hormonal, tratamentos com estimulantes ou antidepressivos sexuais, entre outros, também estão na lista de estratégias utilizadas nesse tipo de abordagem.



Durante o período entre guerras, a Alemanha nazista resolveu “tratar” homossexuais, os forçando a fazer um tratamento hormonal e a terem relações sexuais com prostitutas. Segundo a ideologia deles, era necessário tratar estes indivíduos para que eles pudessem retornar a prática de reprodução (lembra a ideia de alguma outra pessoa nos dias de hoje?). Contudo, estes indivíduos acabavam sendo castrados com o intuito de impedir que estes sentissem qualquer tipo de prazer sexual, visto que os procedimentos de “cura” não eram eficazes.

Finalmente, em maio de 1990, a OMS, em uma Assembleia-geral, retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, sendo seguida por várias outras organizações ao redor do mundo.

Por fim, em uma realidade mais próxima da nossa atualmente, mulheres transsexuais, que são majoritariamente agredidas pela sociedade, não só fisicamente como também psicologicamente, também precisam de atenção. Embora a homossexualidade não seja mais considerada uma doença no que se diz respeito a saúde, a transexualidade não foi inclusa.

A transexualidade é definida como um transtorno de identidade de gênero, na qual o indivíduo não se identifica com o seu gênero biológico. Este diagnóstico, portanto, inclui pessoas transexuais e travestis.

Geralmente, as pessoas transexuais procuram o auxílio médico para realizar a cirurgia de redesignação sexual. Contudo, para que se inicie o procedimento para que isso ocorra, é necessário que estas pessoa sejam diagnosticadas com o transtorno de identidade de gênero. 

Levando em consideração que o desejo de mudança de sexo surge com a certeza do não-pertencimento ao gênero biológico, esse método dificulta o acesso destes indivíduos ao Sistema de Saúde, propiciando também que estas pessoas se mutilem. Isso pode ser observado no caso de Simone Rodrigues da Silva, uma mulher trans que cortou os próprios testículos com um estilete e costurou o corte, tudo isso sozinha e em casa. 

Segundo a própria, ela tomou essa decisão após recorrer ao Sistema de Saúde para realizar a cirurgia de redesignação sexual e receber a notícia que ela deveria passar por um acompanhamento psicológico de dois anos para que ela pudesse entrar na fila. Esse é o procedimento padrão nestes casos atualmente. 

Com isso, a história já demarca a necessidade de atenção à essa comunidade que passou por tantas dificuldades ao longo dos anos, principalmente, mas não exclusivamente, acerca da saúde.


Problemas 

Como visto no tópico anterior, a comunidade LGBTQ+ passou, e ainda passa nos dias de hoje, por muitas dificuldades no quesito saúde, mas também em quesitos políticos, sociais e econômicos. No entanto, o propósito do texto é falar sobre os problemas da saúde, então vamos nos atentar a isso.

Gays



O homem gay, principalmente o afeminado, enfrenta uma sociedade machista e homofóbica desde o começo da sua vida. Ainda na adolescência, enquanto ainda está descobrindo e explorando sua sexualidade, o jovem gay precisa ouvir comentários dos familiares acerca da necessidade de entrar em um relacionamento heterossexual (vulgo “e as namoradinhas?", entre outros). 

Isso, assim como a falta de diálogo em relação a tópicos como sexo, sexualidade, e outros assuntos considerados tabus pela sociedade, faz com que ele se retraia, muitas vezes achando que está errado em se sentir daquela maneira, visto que as pessoas ao seu redor discursam dessa forma. Esse tipo de comportamento é extremamente prejudicial ao adolescente, que muitas das vezes recorrem a atitudes devastadoras, como tirar a própria vida.

Um estudo realizado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde participaram jovens de 13 a 17 anos, indica que gays são cinco vezes mais propensos a cometerem suicídio comparados a jovens heterossexuais. Além disso, o ambiente de convívio também foi um grande dado da pesquisa onde, locais dos quais as pessoas eram mais abertas a tratar a homossexualidade com a normalidade que se deve, a taxa era menor. 

Além disso, os gays afeminados enfrentam um preconceito ainda maior perante a sociedade. Isso porque estes demonstram mais que não pertencem a normalidade heterossexual imposta, com isso, enfrentam ainda mais preconceito comparado com aqueles que não demonstram tanto a sua feminilidade. 

Homofobia, descrito como “ódio explícito”, ou uma série de atitudes e sentimentos negativos frente a indivíduos homossexuais, ocorre com frequência há bastante tempo. Esta, muitas vezes sendo homofobia institucionalizada (como aquelas provindas de religião ou o Estado) e a homofobia internalizada (partindo daquelas pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo mas a reprimem). 

Desde muito novos, os homens gays passam por experiências homofóbicas, na maioria das vezes, dentro da sua própria casa ou na escola. Em ambientes escolares, a homofobia disfarçada de bullying ocorre com frequência. E isso se estende ao ambiente hospitalar também.

Os homens gays muitas vezes são discriminados no próprio hospital quando chegam para atendimento. Às vezes, vítimas de agressão, esses indivíduos sofrem ainda mais preconceito no atendimento hospitalar, reflexos da nossa sociedade.



Lésbicas



Já no caso de mulheres que mantêm relações sexuais e afetivas com outras mulheres, ou seja, lésbicas e bissexuais, o problema é relacionado ao lado preventivo da saúde. Mulheres, independente de sua sexualidade, precisam fazer um acompanhamento médico-ginecológico preventivo desde muito cedo. Doenças como câncer de mama e do colo do útero são, muita das vezes, diagnosticadas tardiamente nesse grupo porque estas mulheres não se sentem confortáveis ao frequentar um serviço de saúde. 

Além disso, existem também questões acerca da psique dessas mulheres. É relatado por muitas mulheres em relacionamentos homossexuais um sofrimento psicológico bem agravante desencadeado pela violência física sofrida em casa, nas ruas e no trabalho. Esse tipo de sofrimento é constante, o que causa que estes indivíduos (não só estes, como outros também) procurem drogas ilícitas, o que agrava ainda mais a saúde dessas mulheres.

Ainda assim, temos a preocupação acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Existem dois aspectos que preocupam a Rede Feminista de Saúde, uma articulação política nacional do movimento de mulheres, feminista e anti-racismo, criada em 1991: a primeira delas é a falta de conhecimento dessas mulheres a respeito de ISTs em relações sexuais entre mulheres; e a segunda é a observação de casos de doenças como HPV e herpes em mulheres que nunca tiveram relações heterossexuais.

Esses tipos de casos acerca da transmissão de ISTs em relações entre mulheres parte da falta de informação delas sobre o assunto, o que poderia ser prevenido com um acesso melhor ao Sistema de Saúde.


Transexuais e travestis



Se homossexuais já enfrentam dificuldades no Sistema de Saúde por não se enquadrarem em um padrão, agora imagine pessoas trans. Pessoas transexuais são aquelas que não se identificação com o seu gênero biológico. Com isso, elas acabam ficando no topo do ranking de preconceitos e discriminações enfrentadas pela comunidade LGBTQ+, isso porque elas desafiam a regra imposta pela sociedade heteronormativa, onde homem é homem, mulher é mulher e estes devem fazem as coisas de acordo com o seu gênero e qualquer coisa que fuja disso é encarado com repulsa. Muitas das vezes, essa repulsa custa vidas de membros dessa população.

Como qualquer coisa que fuja da binaridade padrão causa estranhamento, as travestis acabam sendo postas ainda mais na marginalidade pois quebram a divisa entre o masculino e o feminino. 

Como já foi mencionado, em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. Contudo, isso não ocorreu acerca da transexualidade. Travestis e transexuais são identificadas como indivíduos portadores de uma patologia na qual é chamada como disforia de gênero, ou transtorno de identidade de gênero. 

TIG, ou Transtorno de identidade de gênero, é descrito como uma condição da qual o indivíduo sente um grande desconforto relacionado a características e marcas sexuais atribuídos a ele ao nascer. 

Sendo assim, esta parcela da comunidade LGBTQ. enfrenta um grande estigma social. Muitas das vezes, esses indivíduos se vestem e se comportam de acordo com o gênero do qual se identificam, causando estranheza às pessoas presentes no seu ambiente de convívio. Isso, somado ao preconceito enraizado na sociedade, fazia com que essas pessoas acabassem sendo exiladas do meio social que conheciam. 



Algumas pessoas dizem que a epidemia de AIDS beneficiou essa parcela da população, porque fez com que elas fossem introduzidas apropriadamente no Sistema de Saúde. Antes do HIV, uma travesti ou transexual dificilmente procuraria uma assistência médica em caso de necessidade. Muitas das vezes elas se automedicavam, recorrendo ao atendimento hospitalar apenas em último caso, só quando a automedicação não funcionava. Ocasionalmente abusavam de diversos hormônios, na maioria das vezes, indicados por trans mais velhas, o que nem é necessário alertar o quão perigoso isso é.

Ademais, algumas possuíam a prática de utilizar silicone líquido industrial, muita das vezes aplicado por pessoas que não possuíam conhecimento nenhum da área da saúde. Este procedimento, obviamente, era ilegal, visto que isso é considerado um procedimento cirúrgico e há uma série de cuidados que devem ser seguidos para que não ocorra agrave a saúde. Quando acontecia de uma dessas trans precisar de atendimento, os médicos se recusavam a cuidar, alegando que não poderiam tratar pois não conheciam as causas e os efeitos do que estava acontecendo com aquelas pessoas.

Hoje em dia muitos indivíduos se perguntam o motivo de pessoas trans recorrerem a esse tipo de procedimento tão invasivo. Mas o que eles não entendem é que esse tipo de produto tinha um efeito mais rápido no corpo comparado aos hormônios, proporcionando às trans o corpo desejado de uma maneira mais rápida.

Além disso, há também dois outros quesitos a serem tratados: o primeiro seria o social, no qual essas pessoas, que muitas vezes são postas para fora de casa por não serem compreendidas pelos seus familiares e acabam sofrendo violência física por serem quem são; e o segundo, não se distanciando muito do preconceito, seria o educacional, visto que muitas vezes os profissionais da área da saúde não sabiam lidar com essa comunidade. 

Podemos adicionar também as dificuldades enfrentadas por essa população a questão do procedimento da transição de gênero. Para uma pessoa se aplicar ao procedimento é necessário um acompanhamento por uma equipe, formada principalmente por psicológicos e cirurgiões, que vão explicar todas as fases para ter certeza que é isso mesmo que a pessoa deseja e precisa. Contudo, esse acompanhamento pode durar dois anos ou mais. 

Até o momento da cirurgia propriamente dita, o indivíduo é submetido a tratamentos hormonais, dos quais ocorre o bloqueio hormonal, visando não desenvolver características sexuais como o crescimento de seios, menstruação, o crescimento de barba, o engrossamento da voz, entre outros, tudo acompanhamento pela equipe médica.

Entretanto, tudo é muito lindo na teoria, mas quando chegamos na prática vemos que não é bem assim que funciona. Vemos muitas destas pessoas reclamando da burocracia desse tipo de atendimento e a precariedade no atendimento médico que recebem, muitas vezes partindo de profissionais que as discriminam, fazendo com que essas pessoas tomem decisões graves como cortar os próprios membros sexuais em casa, usando um estilete.

Com isso, a lista de problemas para essa fração da comunidade LGBTQ+ só aumenta, e a maneira como a sociedade lida com isso, principalmente o Sistema de Saúde, só piora.



Leis que amparam LGBTs na saúde 



Ao longo dos anos, com o avanço das pesquisas na área da psicologia, diversas leis homofóbicas ao redor do mundo foram modificadas. Ainda há países que tratam a homosexualidade como uma doença e até mesmo possuem pena de morte para quem demonstre ou assuma uma orientação sexual ou identidade de gênero diferente da heterossexual e cisgênero. 

Nos EUA, até 1962 havia uma lei que criminalizava relações homoafetivas e expressões de diversidade, como homens vestindo-se de mulher, em New York essa lei permaneceu até 1980. No final de 2009, David Bahati, um deputado da Uganda, fez uma proposta ao Parlamento com um projeto de lei que criminalizava a homossexualidade, assim como sua promoção, entre outras condutas, com penas de prisão perpétua para os delitos.

No entanto, esse tipo de abordagem tem mudado nos últimos anos. Alguns políticos têm escutado as necessidades da comunidade e criado projetos de leis com o intuito de melhorar a qualidade de vida e a aquisição de direitos por parte dessa população. O caso mais recente foi a criminalização da homofobia no Brasil, em 2019, onde o Supremo Tribunal Federal (STJ) determina que a discriminação contra pessoas LGBTQ+ seja enquadrada nos crimes previstos na Lei Nº 7.716/1989 (Lei do Racismo) até que uma norma específica seja elaborada. 

No âmbito da saúde, a Política Nacional de Saúde Integral de LGBTQs foi instituída em dezembro de 2011 no intuito de promover a saúde integral LGBTQ+ eliminando a discriminação e o preconceito institucional. Essa Política reconhece que a discriminação das identidades de gênero e orientações sexuais causam um agravo à saúde nessa comunidade.

Estão incluídos nesta política: 

I- respeito aos direitos humanos LGBT contribuindo para a eliminação do estigma e da discriminação decorrentes das homofobias, como a lesbofobia, gayfobia, bifobia, travestifobia e transfobia, consideradas na determinação social de sofrimento e de doença;

II - contribuição para a promoção da cidadania e da inclusão da população LGBT por meio da articulação com as diversas políticas sociais, de educação, trabalho, segurança; 

III - inclusão da diversidade populacional nos processos de formulação, implementação de outras políticas e programas voltados para grupos específicos no SUS, envolvendo orientação sexual, identidade de gênero, ciclos de vida, raça-etnia e território; 

IV - eliminação das homofobias e demais formas de discriminação que geram a violência contra a população LGBT no âmbito do SUS, contribuindo para as mudanças na sociedade em geral; 

V - implementação de ações, serviços e procedimentos no SUS, com vistas ao alívio do sofrimento, dor e adoecimento relacionados aos aspectos de inadequação de identidade, corporal e psíquica relativos às pessoas transexuais e travestis; 

VI - difusão das informações pertinentes ao acesso, à qualidade da atenção e às ações para o enfrentamento da discriminação, em todos os níveis de gestão do SUS; 

VII - inclusão da temática da orientação sexual e identidade de gênero de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais nos processos de educação permanente desenvolvidos pelo SUS, incluindo os trabalhadores da saúde, os integrantes dos Conselhos de Saúde e as lideranças sociais;

VIII - produção de conhecimentos científicos e tecnológicos visando à melhoria da condição de saúde da população LGBT; e

IX - fortalecimento da representação do movimento social organizado da população LGBT nos Conselhos de Saúde, Conferências e demais instâncias de participação social.



Além disso, o processo transexualizador também foi um direito adquirido pela comunidade trans. Instituído pela Portaria nº 1.707 e nº 457 de agosto de 2008 e ampliado pela Portaria nº 2.803, de 19 de novembro de 2013, garantindo um atendimento respeitoso à pessoas trans desde o uso do nome social, concedendo acesso a hormonioterapia, até a fase da cirurgia de readequação do corpo à sua identidade.

O procedimento ocorre de acordo com a seguinte estrutura:

I - Atenção Básica: é o componente da Rede de Atenção à Saúde (RAS) responsável pela coordenação do cuidado e por realizar a atenção contínua da população que está sob sua responsabilidade, adstrita, além de ser a porta de entrada prioritária do(a) usuário(a) na rede;

II - Atenção Especializada: é um conjunto de diversos pontos de atenção com diferentes densidades tecnológicas para a realização de ações e serviços de urgência, ambulatorial especializado e hospitalar, apoiando e complementando os serviços da atenção básica de forma resolutiva e em tempo oportuno.



No caso da atenção especializada, ainda existem dois componentes: o ambulatorial e o hospitalar. No ambulatorial ocorre o acompanhamento clínico, onde acontece a hormonioterapia, assim como as fases de pré e pós-operatório. Já no hospitalar é onde acontece a realização da cirurgia, além do acompanhamento pré e pós-operatório. 

Mesmo com a aquisição de todos esses direitos no papel, vale ressaltar que o estigma social perante a essa comunidade ainda é muito grande, o que não garante o cumprimento dessas leis, visto que ainda há uma tradicionalidade enorme que impede a aceitação de certos comportamentos fora do padrão.




Em maio de 2020, O STF finalmente finalizou uma votação que estava em andamento desde 2017, derrubando a proibição de doação de sangue por pessoas LGBTs que tiveram relações sexuais com pessoas do mesmo sexo em um período de 12 meses, algo que não era cobrado de pessoas heterossexuais, mesmo que estas mantivessem relações com múltiplos parceiros. Na votação, uma maioria de 7 votos a favor e 4 votos contra, o STF considerou inconstitucionais as normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Com isso, a partir desta data, está permitido a doação de sangue de pessoas LGBT. Contudo, obviamente, há problemas. De acordo com o jornal Estado de São Paulo, hemocentros ao redor do país continuam rejeitando doações dessa comunidade. Segundo um ofício elaborado pela ANVISA e distribuído pelo portal do Ministério da Saúde, eles orientam que os laboratórios continuem negando a coleta até que haja conclusão total do trâmite, visto que a decisão ainda não havia sido postada no Diário Oficial da União.  No entanto, integrantes do STF afirmam que a decisão entra em vigor imediatamente após a conclusão do julgamento.



Conclusão

Portanto, mesmo com a comunidade adquirindo direitos melhores a cada ano, os problemas permanecem porque, como já mencionado, na prática o jogo rola de uma maneira completamente diferente. Profissionais de saúde preconceituosos negando atendimento a uma pessoa homossexual que acabou de sofrer uma violência que partiu de homofobia, ou não tratando uma pessoa trans pelo nome social, entre outras situações que temos consciência que acontecem.

Com isso observa-se a necessidade de tratar de assuntos como sexualidade desde muito cedo, para que o indivíduo cresça sabendo as diferenças, entendendo as dificuldades que essa comunidade passa, e podendo assim aprender a respeitá-las. Respeito e empatia talvez seja o que está nos faltando.

Além disso, ainda na área da educação, se faz necessário disciplinas e cursos ofertados à profissionais de saúde em formação relacionados diretamente a questões de identidade de gênero e orientação sexual (além de outras questões de minorias que também ainda encontram problemas no Sistema de Saúde) e aprendam assim a lidar melhor com as pessoas dessa população. Ainda assim, também é necessário uma punição mais rigorosa para aqueles que descumprirem as leis, aumentando junto a fiscalização para garantir o cumprimento delas. 

Para essa parcela da população, a violência física e emocional enfrentada já é prejudicial o suficiente e representam um agravo significativo à saúde deles. É necessário que essas pessoas tenham um acesso melhor a saúde, principalmente a pública, aderindo procedimentos como os mencionados acima, garantindo um melhor atendimento médico à eles.

Esse foi o post de hoje. Amanhã continuamos com a Semana do Orgulho LGBTQ+! J-J



Por: Thiago Nascimento e Milena A. Soares
Ilustrações: Milena A. Soares
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