Parei um dia e me perguntei o que estava acontecendo comigo? Por que me sentia tão triste? Até hoje não encontrei as respostas. Meus pais dizem que é frescura; meus amigos dizem que se eu curtir a vida passa; os mais experientes dizem para eu viajar; e os médicos dizem que é depressão.
Este podia ser meu relato ou de qualquer jovem ou adolescente que passa por depressão e/ou ansiedade. Não é preciso um motivo específico para desencadear essa doença (nem mesmo um trauma), mas quando ela aparece toma proporções gigantescas. E sim, haverá risco de vida e de prejudicar a saúde física (já que com esta, todos se preocupam). É complicado perceber quando algo não apresenta uma tosse, febre, não sangra. Nada que seja visual. Mais complicado ainda de acreditar, já que pela divulgação e popularização da doença tudo parece banal.
Cientificamente, depressão é um distúrbio cerebral caracterizado por tristeza persistente ou perda de interesse em atividades, causando prejuízos significativos na vida diária. As causas possíveis incluem uma combinação de fontes biológicas, psicológicas e sociais de angústia. Socialmente é um distúrbio que impede a pessoa de ser feliz, de se socializar ou dormir bem. A depressão não é simplesmente tristeza, é uma doença desafiadora, com taxas de mortalidade maiores que 30% (entende-se por mortalidade o suicídio como o principal meio).
Não é um fator isolado que a causa, mas uma série de eventos acumulados e a maneira como eles são encarados e a relevância deles no cotidiano. Isso normalmente gera a pergunta: “Se é um acumulo de situações, por que é possível ter essa doença com tão pouco tempo de vida?”. Essa é um questionamento realmente intrigante, mas já parou para pensar que eventos não precisam de anos para serem importantes? Que para cada indivíduo as coisas tem relevâncias diferentes? E que às vezes um susto pode ser só um evento engraçado para alguns e para outros pode ter proporções tão grandes que geram uma fobia?


O chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa (SP), Fábio Barbirato, destaca que 12% dos jovens entre 12 e 18 anos sofrem de depressão, enquanto esse índice não chega a 10% nos adultos. Além disso, 77% dos adultos com a doença tinham histórico de sintomas na infância ou adolescência. Isso é alarmante! Os sintomas de depressão são muito semelhantes às características da idade: irritabilidade, isolamento, rebeldia e melancolia.
Agora, partindo para opinião pessoal. Acredito que esse número alto ainda não é fiel a real situação. Quantos jovens não são diagnosticados apenas por desconhecerem o que é a doença? E quantos não tem alguém que lhe dê atenção o bastante para saber que há algo errado? Acho que a maior culpa vem das mudanças familiares do século XXI. Os valores morais estão distorcidos, as famílias perdem referências sólidas, principalmente com os novos modelos (pais separados, apenas um dos pais, irmãos de vários pais, avós fazendo papel de pais, etc.). Nesses sistemas referenciais importantes na formação da pessoa como indivíduo social são, muitas vezes, distorcidos, superestimados ou ambíguos.
Quando o indivíduo - que teve seus referenciais alterados - é inserido numa sociedade de referencial também alterado e sem valores, este se torna vulnerável a toda e qualquer influência. Com isto, temos jovens que procuram alívio no álcool, nas drogas, nos grupos sociais ou adquirem uma doença, se não todas as coisas de uma única vez.
Com esse texto quero apenas fazer um apelo: olhe bem para as pessoas da sua casa; converse; procure saber como foi o dia; como ela está; se houver motivos para discussões espere saber sobre isso primeiro antes de começar; e faça da sua presença algo agradável antes de encarar os problemas (se não perguntamos não temos como saber o que está acontecendo). Com isso você pode evitar que o depressivo fique pior, reconhecê-lo e ajudá-lo. Não espere algo ruim acontecer e não seja o motivo de tudo tornar-se horrível para o outro. J-J
Causa mortis: suicídio por enforcamento
Por: Stephanie Ferreira