sábado, 7 de janeiro de 2017

As letras e versões de "Deu onda"


Com certeza a música Deu onda do MC G15 é uma das grandes febres e um dos possíveis hits do verão e carnaval. Só para se ter ideia, ela foi uma das músicas mais tocadas na passagem de ano, desbancando grandes sucessos. Milhões de visualizações em aplicativos, como Spotify, Apple Music e Dezer, além de ter conquistado famosos, como Anitta, Neymar e Marcello Melo Jr. que dançou o hit e fez muito sucesso nas redes sociais

O criador da música chama-se Gabriel, de 18 anos. O apelido MC G15 faz referência ao seu nome e a idade que começou a cantar (15). Ele escreveu Deu onda para a sua esposa, que está com ele já há 5 anos. 

O funk tem a versão +18 - com mais de 16 milhões de visualizações no Youtube - e a versão light - com quase 58 milhões. A versão "proibidona" foi publicada no Youtube cerca de um mês antes que a light, em 22 de novembro de 2016. Ao que tudo indica, o mesmo cantor que fez um funk "fofinho e romântico" e publicou o clipe em 21 de dezembro de 2016, foi o que queria "fuder, garota" e disse "meu pau te ama" em novembro! Que romântico, não?!

A versão light tem até uma história interessante e uma declaração de amor a alguém especial. O ritmo é leve e contagiante (Chiclete mesmo!). Um funk rasteirinho, melódico e romântico. MC G15 fala que quando a garota chegou em sua vida, mudou-a completamente e até mesmo retirou seus vícios. Veja (com grifos):

"Eu preciso te ter
Meu fechamento é você, mozão

Eu não preciso mais beber
E nem fumar maconha
Que a sua presença me deu onda

O seu sorriso me dá onda
Você sentando, mozão, me deu onda"


Qual é a garota que não gostaria de ouvir isso de um rapaz? Que ele abriu mão de um vício, por um outro muito melhor? Agora, o que lhe "dá onda" é o sorriso da amada e, até mesmo, quando ela senta em uma bicicleta (Isso fazendo uma alusão ao clipe, heim?!). Creio que as garotas se sentiriam lisonjeadas e nas nuvens. A frase "meu fechamento é você, mozão" é sucesso em redes sociais como Facebook e Instagram. Eu até creio que muitos casais de namorados citam essas palavras um ao outro, de tão grande é seu teor romântico.

MC G15 continua sua declaração dizendo, por diversas vezes, "que gosta da garota" e diz o que as meninas mais gostam de ouvir (Sim! Elas tremem as pernas, ficam com coceirinhas nos ouvidos e com uma tensão no pescoço) ou seja, que ele a ama, e não só uma, mas várias vezes. Confira (com grifos):

"Que vontade de te ter, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?

O pai te ama, é
O pai te ama
O pai te ama, é
O pai te ama"


Lindo, né?! OPA!! ALTO LÁ! A letra até seria bonitinha, se não fosse sua versão original e mais antiga. Uma letra que acaba com a química, a magia e o romantismo da coisa. Se eu fosse a menina que recebeu essa cantada (Ainda bem que não sou menina, nem a menina que recebeu a cantada! Risos!), não acreditaria em nenhuma linha do que o cara disse. Uma dose de romance, após um convite nada gentil; amor bem depois de sexo; carinho depois de segundas intenções. Vamos aos trechos "proibidões", lembrando que essa é a versão original (com grifos):

"Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?

Meu pau te ama, é
Meu pau te ama
Meu pau te ama, é
Meu pau te ama"


A letra começa com o romantismo (Não muda nada da versão light) e depois vem com essas palavras. Pra que a necessidade de transformar uma letra bonita em algo tão baixo? Respondo: para ter audiência e conquistar as novinhas. Funk que é funk precisa ter letra de cunho sexual e bastante obscenidade. No fundo, ninguém gosta de uma letra leve e romântica no funk. Tanto é, que a cantora Anitta em seus shows costuma cantar a versão proibida e até mesmo MC G15 - colocando por água a baixo a homenagem à esposa, embora ele tenha o cuidado de não chocar sua família:

“Gosto da versão proibida, mas também canto a versão mais light sempre pensando nos meus irmãos mais novos e nos meus pais”, MC G15 para o Extra


Na versão "proibidona" ainda destaco o trecho "meu pau te ama". Onde já se viu o órgão masculino amar alguém e ter sentimento? Se existe algum tipo de amor nessa letra, ele tem a ver com prazeres e satisfações sexuais. Sublimarmente, o rapaz que declara que ama e gosta de uma garota, quer mais é transar com ela. Algo não tão chocante em uma sociedade atual que banaliza o amor, coisifica as pessoas e valoriza muito mais o sexo que o romance.





Algo parecido ocorre com duas músicas - de mesmo ano, de cds distintos e com letras totalmente diferentes - do cantor Lucas Lucco. Se Deu onda foi da inexistência de romance para um romance (mas bem difícil de ser verdadeiro), com Lucas Lucco foi da fofurice para a pegação.

Ao que tudo parece Mozão (álbum Tá diferente, 2014) foi lançada antes de Vai vendo (O destino, 2014), mesmo ambas sendo do mesmo ano. Perceba que as duas são bem antagônicas (com grifos):

"Momozim, vamos fazer assim
Eu cuido de você, você cuida de mim
Não desisto de você e nem você de mim
Vamos até o fim…" (Mozão)


"Esse arrocha é pra você que achou que eu tava aqui sofrendo (Uh vai vendo, uh)
Eu tô solto na balada e aqui o couro tá comendo (Uh vai vendo, uh)
Enquanto você ta em casa, eu to aqui no bar bebendo (Uh vai vendo, uh)
Postando fotos com as gatas pra você ficar sabendo (Uh vai vendo, uh)" (Vai vendo)





Sério! O que aconteceu com o Lucas romântico da primeira música? E vocês, meninas, achando que ele era pra casar, que só cantava música romântica né?! Aliás, o VERDADEIRO romantismo está em falta nas músicas. E quando a gente acha que ele existe, VEM UMA VERSÃO ANTIGA E ORIGINAL PARA TE ESFREGAR NA CARA QUE O QUE INTERESSA MESMO É SEXO E PERVERSÃO. Deu onda tinha tudo pra ser uma fofura (E olha que eu não gosto muito de funk!), mas o que a estraga é a versão proibida, que também faz sucesso em festas, boates e em shows de famosos. Ambas, a light e a +18, são virais.  J-J


Por: Emerson Garcia

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Estreia: Rádio Bagaralho


A Rádio Bagaralho surgiu em meados de 1969, sendo idealizada por um jovem chamado José Carvalho Pinto, mas como ele não tinha grana para os locutores apresentarem as músicas, engavetou esta ideia. 

Em meados de 2010, o jovem Arthur Claro, enquanto trabalhava numa loja de variedades, começou a executar a ideia de José Carvalho Pinto. 

Nesta loja tem de tudo, até discos antigos em vinil (a loja é real). Desde que começou a executar, Arthur fazia playlists das músicas tiradas dos discos empoeirados. Isto durou até o dia que ele teve que se retirar da loja, pois o trabalho era temporário. 

Agora, em 2017, o não tão jovem Arthur Claro volta para alegrar as sexta-feiras do blog Jovem Jornalista com as músicas escolhidas pela audiência (vocês, caros leitores). Aceitamos sugestões de qualquer estilo musical sem preconceito nenhum. E então, vamos ajudar o Arthur Claro a tocar as músicas?! Deixem nos comentários o que vocês querem ouvir. Uma boa sexta-feira para todos. Em breve nos veremos de novo. J-J

Por: Arthur Claro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Justifica o reajuste do GDF nas passagens de transporte público?



Em seu texto de ontem, Pedro Blanche disse o seguinte:


"[...] janeiro tem um impacto que contagia nossas vidas: [...] os preços das tarifas são reajustados sem ninguém perceber[...]"


Ele se referia à elevação repentina das taxas de ônibus e metrô em diversas cidades do país no início desse ano, inclusive aqui, no Distrito Federal. Foi oportuno o aumento no primeiro dia do ano, quando o Congresso e a Câmara estão em recesso. A jornalista Simone Moraes comentou o fato com ironia:

"A assessoria de comunicação do governo Rollemberg é brilhante. Só pode! Anunciar o aumento de passagem na véspera do Ano Novo? Vai virar o peru da noite."


Foi no final da manhã do dia 30 quando a assessoria do Governo de Brasília (GDF) publicou o anúncio do aumento em sua página no Facebook. O segundo, em pouco mais de um ano. A medida entrou em vigor na última segunda-feira (02).








Reajuste

Segundo o GDF, o reajuste é para manter o serviço e a gratuidade, já que o governo paga 50% dos gastos para o funcionamento do transporte coletivo. A Secretaria de Mobilidade atribui ao aumento dos custos do sistema essa mudança nas tarifas (com grifos):

"O reajuste é necessário para acompanhar a elevação de custos do sistema, manter as gratuidades para estudantes e pessoas com deficiência e compensar os quase dez anos de congelamento das tarifas, enquanto outros índices cresciam."


Em setembro de 2015, já na gestão de Rollemberg, a tarifa sofreu aumento devido a crise que assolou o Brasil e ao rombo financeiro deixado pela gestão anterior. Agora, a assessoria do governo fala de "compensar" os quase dez anos de congelamento das tarifas. E o aumento de 25% em pouco mais de um ano? Quer dizer que as tarifas congelaram em 2009? (Me engana que eu gosto).

De acordo com a assessoria do GDF, a medida em 2015 reduziu 23% o complemento tarifário, mas, mesmo assim, o Estado gastou cerca de R$ 600 milhões em 2016 com o subsídio ao transporte público. De acordo com o infográfico abaixo, o reajuste de tarifas de 2015 ficou abaixo dos índices que influenciam nas passagens:





Que melhoria?



   
Fala-se em restaurar a economia local logo após o rombo da gestão de Agnelo Queiroz, mas parece que esse problema ainda está longe de ser solucionado.

Também, em buscar um transporte melhor e repleto de tecnologia. E o que mudou no transporte, de fato, nesses períodos de reajustes? A espera por uma condução chega a 40 minutos ou 1 hora (Isso quando não é bem mais!); ônibus superlotados sem conforto e sem ar condicionado (Sim! Desligam os aparelhos para economizar!); metrôs que não atendem toda a população do Distrito Federal e estações que nunca saíram sairão do papel; entre outros. 

Será que vale a pena pagar R$ 5 por uma condução e R$ 10 durante todo o dia? O GDF diz que sim, pois em sua concepção quando o cidadão de bem gira a roleta ele não paga pela tarifa, mas por uma série de "benefícios", como o pagamento de motoristas e cobradores, gasolina, impostos, gratuidade dos idosos e estudantes, melhoria no transporte e a incrível tecnologia dos ônibus (Um ConectBus que funciona quando bem entende; uma BusTv que vive desligada, e quando ligada passa programação de 1900 e bolinha; e ar condicionados de enfeite).

Além disso, o GDF se gaba de possuir mil linhas e 3 mil coletivos de empresas e cooperativas bem equipados, novos e tecnológicos. Na prática, o governo prefere circular ônibus pequenos - em detrimento daqueles grandes com ar condicionado - em horários de pico para economizar (Eu tenho relatos disso!); diminuir a frota e o número de linhas; e ainda, dar poucas opções aos usuários, inclusive depois de meia noite quando muitos estão na rua. 

O jornalista Allan Virissimo enumerou uma série de motivos pelos quais o transporte do Distrito Federal jamais valerá R$ 5:




Da sua fala, destaco o seguinte (com grifos): 

"A lista de motivos pelos quais esse transporte jamais vale R$ 5 é tão extensa que não cabe num post. Mas esse governo covarde prefere jogar a culpa nos estudantes, idosos e pessoas com deficiência.
Cumplicidade total com a verdadeira máfia das empresas de ônibus. Que, ao contrário do trabalhador, nunca saem no prejuízo."


Máfia essa que não coaduna com as reais necessidades dos cidadãos, infelizmente. O que dizer do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)? Um benefício prometido para os passageiros que nem se fala mais. Ou ainda da extensão das estações de metrô? (Eu, por exemplo, para pegar esse meio de transporte tenho que andar cerca de 20 minutos!). 

A integração, por sua vez, seria - SERIA! - a salvação da lavoura (Eu já me beneficiei pegando dois ônibus pelo preço de um), mas no ano em que os ônibus amarelinhos começaram a circular e que aquelas belas estações de vidro foram inauguradas, o nosso querido governador Rodrigo Rollemberg, que alegou que com a expansão desse tipo de serviço iria abaixar o preço da passagem, fez justamente o contrário. Ele aumentou a passagem para R$ 4 e agora R$ 5! E, acreditem se quiser, antes de sua gestão terminar deve aumentar pra R$ 7 ou R$ 10! Tá bom pra você? NÃO ESTOU BRINCANDO!


Parou na justiça




Várias manifestações e protestos foram marcados como insatisfação ao reajuste. O primeiro foi no dia 31 de dezembro, o segundo segunda-feira (02) e o último ontem (04). Além disso, o aumento das tarifas no DF parou na justiça à pedido do PMDB e Rodrigo Rollemberg tem dez dias (TEEEMPO! TIC TAC TIC TAC TIC TAC) para explicar o reajuste. A decisão pode ir à debate no Congresso Nacional e nesta semana o PSol entrará com uma ação, esperançoso de reverter a situação como fez em Porto Alegre. 

O PMDB entrou na justiça, alegando abuso e falta de publicidade da parte da assessoria do GDF (com grifos):

"O processo [...] alega que o aumento no valor das passagens foi abusivo porque superou a alta do salário mínimo, que cresceu 6,5% – enquanto a tarifa mais cara de ônibus subiu 25%. [...] (Houve) falta de publicidade do anúncio do reajuste, por ter sido feito no último dia útil de 2016". (Correio Braziliense)


Além disso, em uma matéria o Correio Braziliense alega que o óleo diesel, um dos principais insumos do sistema de transporte, não teve aumento de preço em 2016 (com grifos):

"Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do combustível em janeiro deste ano era de R$ 3,23. Este mês, o valor médio ficou em R$ 3,20, ou seja, caiu em comparação com o patamar de um ano atrás."


O fato é que Rollemberg tem muito a explicar. Ninguém está engolindo pagar R$ 5 em transporte! Esse é quase o preço de uma passagem do entorno. O bilhete da Rodoviária do Plano Piloto (Brasília, centro) para Águas Lindas custa R$ 6,10 e o da Rodoviária para Luziânia R$ 5,50, por exemplo. É INADMISSÍVEL QUE EU PAGUE R$ 5 DA MINHA CIDADE PARA O PLANO PILOTO, JÁ QUE LUZIÂNIA É MUITO MAIS LONGE! J-J


Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Janeiro em nossas vidas

Jano: o deus romano que originou o nome do primeiro mês do ano. | Imagem de internet


Caros leitores, como há tanta gente que prometeu que a partir do dia primeiro de janeiro - ou dia 1, como falam nossos irmãos portugueses - iria fazer dieta, aprender uma nova língua, parar com seus vícios e taras pessoais, entre outras coisas. Por que justamente o primeiro dia do ano? 

Aliás, porque em janeiro? Para nós, habitantes do Hemisfério Sul é em janeiro que começa o "parou geral". É onde apertamos o botão de "já chega!" do tanto que fizemos até dezembro. No Hemisfério Norte, janeiro é o "julho e agosto" deles porque lá é inverno, está frio e se trata apenas de mero recesso e, daqui a pouquinho eles voltam aos seus afazeres.

Na política, é em 20 de janeiro que o Inauguration Day (o Dia da Posse Presidencial) ocorre nos Estados Unidos (isso se o Obama não trapacear ou matarem o Trump antes). Aqui no Brasil, a posse do maior cargo nacional é bem no dia 1º e já tem projeto em lei para mudar isso porque este dia é de descanso, ressaca, folga e é "muito duro" começar justamente no primeiro dia do ano.

Janeiro tem este nome por conta do deus romano Jano, aquele que tem dois rostos olhando o passado e o presente. De Jano veio janeiro e as... Janelas! As mesmas janelas que deixamos entrar o sol, o vento e, se descuidar, a chuva!

Em nossa história, demorou-se muito tempo para que a cultura ocidental aceitasse que a partir de janeiro é que começaria o ano "de verdade". Antigamente, o começo de tudo para as pessoas era em abril. É em abril que na Europa começa a primavera, quando floresce-se as plantas e quando o frio e a austeridade do inverno vai-se embora. É por isso que, por exemplo, a Grupo Abril se chama assim, pelo significado do calendário e da natureza. A "árvore da Abril" representa fertilidade e vida ,e o verde o símbolo de esperança e otimismo.


A árvore símbolo do Grupo Abril. | Grupo Abril



Aos poucos, abril deixou o protagonismo no quesito "começar o ano". Esta tarefa simbólica ficou para janeiro. Por conta disso é que existe o Dia da Mentira em 01/4, porque algumas pessoas achavam que aquele mês continuava a ser o início de um ano civil, mas não era mais. Aos outros enganados, num espaço de quatro meses, fica o "primeiro de abril, você caiu!". A zero-hora de nossas vidas começa mesmo em janeiro.


Funciona começar tudo em janeiro?

Voltando ao mote principal, janeiro tem um impacto que contagia nossas vidas: gestantes planejam que seus filhos nasçam justamente neste dia deste mês, os preços de tarifas são reajustados sem ninguém perceber, chefes do Poder Executivo brasileiro são empossados, uma nova dieta maluca começa. Mas tudo tem o seu porém e os vícios em que as pessoas juram querer deixar lá no ano passado. Será que isso funciona mesmo? Bem, depende de cada um ter a coragem de vencer seus medos e vícios para começar o ano bem melhor que ano passado.

Seja lá o que você prometeu fazer a partir do dia 1º (ou dia 1, ora pois!) tenha força, foco e fé. Comece a fazer o que prometera a partir da segunda semana de fevereiro ou, antes de janeiro,  crie um hábito que te faça progredir.

Um bom ano de 2017 a todos.

Até mais, pessoal. J-J














Por: Pedro Blanche
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