segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Análise: "O milagre sou eu", Eyshila


No início de novembro a cantora Eyshila lançou o seu 12º cd intitulado O milagre sou eu. Desde que o ouvi manifestei o desejo de falar no blog, mas por várias circunstâncias esse texto era adiado. Hoje chegou o dia.

O milagre sou eu me marcou por conta da carga emocional, dos arranjos e letras. Eyshila optou por um trabalho intimista, com ausência de músicas agitadas, mas com uma mensagem forte. A música-tema foi criada por ela logo após a morte de seu filho, Matheus Oliveira, que morreu em junho por conta de uma meningite. Esse foi um fato que mobilizou todo o país e fez com que as pessoas apoiassem Eyshila e torcessem pela cura de Matheus. Mas isso não aconteceu. Eyshila, em meio a dor, a aflição e a perda produziu esse cd e criou essa canção que muito me emociona. Ela não parou de adorar a Deus por conta disso. O milagre sou eu foi lançado 4 meses após a morte do filho. 

Em meio à sucessos como Terremoto, Até tocar o céu e Nada pode calar um adorador, Eyshila talvez emplaque mais um em sua carreira solo. O álbum conta com treze faixas, produção de Emerson Pinheiro e Sérgio Assunção e composições autorais de Eyshila, Marcos Brunet, Delino Marçal, Alda Célia, entre outros. Além disso, a penúltima canção Saudade é assinada e solada por seu filho Lucas Santos. 




O projeto gráfico de O milagre sou eu também está primoroso. Todo o encarte teve como conceito o efeito de aquarela - criado pelo artista Eudes Correia - que deixou o trabalho com uma linguagem visual leve, harmônica e simples. A capa traz uma pintura de Eyshila inserida dentro de um espelho que traduz leveza, paz e sabedoria em lidar com os problemas. O site Verdade Gospel explicou mais sobre (com grifos):

"A escolha do espelho na capa do CD representa o enfrentamento da nossa realidade. Nossas lutas, dores, lágrimas e imperfeições são demostradas através do espelho. Porém, além de toda transitoriedade da nossa essência humana, o espelho também mostra que com Deus podemos superar todas as coisas".


Quando passamos a capa e vemos as outras lâminas do encarte, é como se a história familiar da cantora fosse contada e como se a maioria dos brasileiros fizessem parte dela. As imagens (em aquarela) traz ela e seu marido, eles com os filhos e ela com seu filho Matheus. O encarte por si só já diz muita coisa. 





A faixa que abre o cd, O milagre sou eu, foi composta dois dias após a morte do filho de Eyshila. A canção fala de compreender os caminhos de Deus, por mais que eles doam. O teclado e harpas intimistas unem-se a voz embargada e cheia de verdade da cantora e também a saudade impressa na voz de Lucas Santos, seu filho. Foi incrível a forma que ela abriu a obra. "Se Ele quiser, Ele ressuscita mortos, Ele faz o impossível, tudo porque Ele é Deus. Mas se Ele não quer que aconteça do meu jeito, eu declaro que eu aceito. E agora o milagre sou eu". Uma letra forte, cheia de consolo, não só para esse momento que a cantora passou, mas pelos quais também passamos e também que os familiares dos jogadores da Chapecoense e dos jornalistas passam atualmente (#forçachape). 

O designer Mateus Araújo publicou um lyric video no Youtube da canção, que já alcançou milhares de visualizações. Confira:




Digno é a segunda faixa do álbum e é um verdadeiro hino de louvor a Deus em reconhecimento à sua extraordinária sabedoria e perdão. É a primeira canção do cd que leva a adoração congregacional. O violino a deixa mais emocionante. É a canção de maior duração do álbum, mas que não a deixa cansativa. "Digno eternamente Digno, impressionante Digno, diante de ti eu me inclino".

Em Descansa o seu coração Eyshila torna a explorar o assunto milagre da primeira canção. A música traz uma atmosfera calma e intimista, seja pelo dedilhar do violão ou o toque do teclado. Em determinado momento, a canção cresce, quando Eyshila diz: "Um novo milagre todo dia Um novo milagre Ele tem Um novo milagre em nossas vidas Jesus, Jesus Tu és o meu maior milagre Jesus Tu és o meu maior milagre".

Licença pra vida é outra canção belíssima da obra. Nela, Eyshila discute o poder da vida e a capacidade que só Deus tem de dar e retirar o fôlego e sopro de existência. Ela se refere ao momento de luto em que a cantora perdeu a vontade de viver, mas Deus lhe deu o direito de continuar de pé, cheia de força. "Consolador, Redentor Ninguém pode impedir teus planos Autor da minha fé Dono do fôlego que me mantém de pé". Em um dos momentos mais emocionantes da canção, a intérprete profetiza o sopro de Deus sobre todas as pessoas que perderam a vontade de viver: "Sopra, Espírito de vida vem e sopra Sobre a minha casa vem e sopra Sobre as famílias vem e sopra Sobre a igreja vem e sopra Sobre os que não querem mais viver sopra Sobre os que acabam de nascer sopra Sobre os enlutados e feridos Sobre os enfermos e oprimidos vem e sopra sopra, sopra, sopra, sopra". O destaque também vai para os sons discretos de batimentos cardíacos ao final. 

Batiza com fogo narra uma das passagens mais conhecidas do novo testamento: o dia da criação da igreja e quando o espírito santo desceu sobre a congregação. É a primeira canção do álbum que foge um pouco do tom melancólico que se teceu até aqui. Traz o som de guitarras pesadas, uma voz mais incisiva da cantora, além de um back vocal cheio de bons arranjos. "Batiza Teu povo, derrama Tua shekinah, Senhor".

Teu reino é a sexta faixa e talvez uma das menos interessantes do álbum. A letra é bastante repetitiva, principalmente quando Eyshila diz "Buscarei teu reino primeiro" e "Venha o teu reino" por diversas vezes. A inovação está exclusivamente quando ela entoa uns versos acelerados, assim como fez na música Deus está me ensinando. "Eu olho pra aves do céu elas não semeiam, não segam nem ajuntam em celeiros Eu olhos pros lírios do campo e vejo que nem salomão na sua glória se vestiu assim Eu olho no espelho e vejo a imagem de alguém que Deus criou e amou primeiro Se ele cuida dos lírios dos campos e das aves dos céus ele também vai cuidar de mim".

Presença foi escrita por Denilo Marçal, um importante cantor gospel da atualidade. O ritmo traz o dedilhar suave do violão e é quase uma canção acústica. Ela é despretensiosa e minimalista. Apesar de ser bastante simples, não deixa de ser bela e tocante. "Deus eu vim aqui por causa da tua presença Deus eu vim aqui por causa da tua presença"Doce presença - hino congregacional bastante conhecido no meio evangélico - também foi inserido e entoado, em sua maior parte, por seu back vocal. "Doce Presença, Presença Santa Vem Sobre nós, enchendo-nos do teu poder".




Em tua presença é uma regravação e uma releitura que já foi cantada por Fernanda Brum e Alda Célia. A canção é uma continuação da anterior (Presença) e fala sobre praticamente o mesmo assunto. O ritmo traz uma bateria e um teclado leves e suaves. "Existe um lugar na fenda da rocha, bem junto a Ti Em Tua presença, em Tua presença".

Seja bem-vindo também fala da presença de Deus, em especial a presença do espírito santo, fechando uma trilogia em sequência. Traz belos arranjos instrumentais e vocais. "Seja bem vindo entre nós Fique à vontade entre nós Somos Teu povo, ó Deus Somos Teu Israel". Não é uma das minhas canções preferidas, mas sem dúvidas quem a ouve pode sentir a presença e intimidade com Deus. 

Teu óleo vim buscar segue a linha de adoração e traz também um clima intimista e calmo. Destaque para o teclado e o violino. "Eu quero óleo Dá-me mais óleo Enche minha vida Teu óleo eu vim buscar".

Me guardará é praticamente a última faixa do disco, já que as próximas são quase um bônus. Ela se encaixou perfeitamente no final, já que em uma passagem bíblica, Deus diz que nos guardará em nossa saída e em nossa entrada. É quase uma despedida de O milagre sou eu. "O meu Deus me guardará No dia mal, pois Ele é fiel E em mim sua palavra se cumprirá Pois Ele prometeu". Não é uma das melhores faixas, mas precisa ser mencionada.

Saudade, a penúltima faixa, é solada pelo filho da cantora, Lucas Santos. A canção retorna ao clima dramático e melancólico do início do álbum. Lucas escreveu essa belíssima canção em meio a dor que estava sentindo com a falta do seu irmão, já que ele era mais que um irmão, e sim um amigo (a diferença de idade dos dois era de apenas um ano). A música é dotada de emoção e tem um ar de alegria e esperança, mesmo com toda dor que ela imprime. Eyshila faz um emocionante back vocal no final, encerrando, assim, o álbum. Uma mensagem de esperança para quem vive momentos de luto e dor atualmente. "Eu ainda vou ver O seu rosto outra vez Juntos iremos ter A alegria de viver Viver num lugar que é difícil explicar Não vai haver dor e nem por que chorar Memórias ruins todas vão se apagar Com o nosso Deus Vamos juntos morar". Confira o clipe da canção:





O cd é encerrado com O milagre sou eu instrumental, interpretada no sax por Josué Lopez. A ideia de fechar o álbum assim ficou criativa, interessante e muito bem feita. 





O Milagre sou eu talvez não possa ser um recorde de vendas, nem sinônimo de lucro. Ele não é um álbum com diferentes estilos e arranjos musicais que mescla faixas agitadas e de adoração. Contudo, sua mensagem é uma das mais fortes e impactantes que já pude ouvir. Fiquei muito feliz de em meio a dor Eyshila voltar a cantar e ainda ter forças para adorar a Deus. Pude aprender com cada lição, mensagem e experiência que a cantora quis passar. Na verdade, a gente sempre quer um milagre mas nem sempre acontece assim ou acontece de uma forma diferente. O milagre, muitas vezes, somos nós e o que temos dentro da gente. J-J


Para quem se interessou pelo cd após minha análise confira as canções no Spotify


Por: Emerson Garcia

sábado, 3 de dezembro de 2016

5Q: Looking – O filme







Moral
O quão prejudicial pode ser para você e para sua vida deixar algo inacabado?

Cena boa
A despedida do Patrick e do Kevin.

Cena ruim
O beijo do Patrick e do Dom. Não precisava. 

Perfil
Patrick é um homem gay que teve seu coração dividido entre dois amores. No longa, ele retorna a São Francisco para resolver esses problemas.

Opinião
Um ótimo final para série. A HBO ganhou meu respeito ao decidir que ia fazer um filme para concluir a série depois de a terem cancelado. Eles realmente concluíram a história em aberto e ainda conseguiram deixar que o filme ficasse um amorzinho. Não tenho muitas críticas, além de terem colocado a cena do Patrick e o Dom se beijando. Dom é como se fosse o irmão mais velho do Patrick (muito mais velho), não dá para aceitar isso. Que bom que não foi para frente. Espero que o mundo crie mais filmes como Looking. J-J


Por: Thiago Nascimento

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

10 Músicas de divas pop

Pessoal, voltei para fazer um post aleatório a pedido do Emerson. Pensei em vários temas, mas do nada veio este aqui. Escolhi as músicas que mais gosto destas cantoras:


Beyoncé - Single Ladies (Put a Ring on it)






Britney Spears - Toxic






Madonna - Like a virgin






Fergie - Fergalicious






Katy Perry - I kissed a girl






Lady Gaga - Judas






Taylor Swift - Shake it off






Miley Cyrus - Wrecking Ball






Ivete Sangalo - Deixo






Sandy - Aquela dos 30






Espero que vocês gostem desta seleção musical pouco provável, pois eu não pareço gostar destes estilos. Atrás de uma carcaça roqueira que tenho sou um bom ouvinte de músicas boas para os meus gostos. Não estou aqui para obrigar a ninguém a gostar do que gosto e sim para compartilhar minhas preferências. Se gostarem da minha participação peçam para o Emerson para eu continuar. Beijos e abraços para todos. J-J



Por: Arthur Claro

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Quinta de série- nostalgia: Under the dome

*Pode conter spoilers




Antes de mais nada farei a seguinte observação: não percam o seu precioso tempo assistindo Under the dome. Dito isso, queria dizer que acho que vai ser a primeira vez que falarei mal de uma série aqui no QdS. Peço desculpas as pessoas que assistiram a série e gostaram de tudo (se é que esse serumaninho realmente existe).

Bom, para eu não começar falando mal de UTD, vamos para as partes boas. A série começa quando um misterioso campo de força invisível prende todos na cidade de Chester’s Mill. Ninguém entra, ninguém sai. O mistério no começo da produção é algo bem intrigante. Você fica realmente curioso para saber o que foi que causou aquele bendito campo de força. 



Vaquinha foi partida ao meio na hora que a redoma caiu. Acho que foi a morte que eu mais fiquei com pena. Tadinha dela!

Adolescentes saudáveis começam a ter convulsões do nada, e durante os ataques falam repetidamente: “Estrelas rosadas estão caindo. Estrelas rosadas estão caindo em fileiras.” Acredito que essa parte foi a mais interessante da série. Eles conseguiram montar um roteiro bem construído nessa fase. Conforme ela vai prosseguindo, eles descobrem um ovo negro que tem um mini-redoma em volta. Com isso, acreditam que o ovo é uma espécie de fonte de energia e estaria alimentando a redoma ao redor da cidade.




Depois que as estrelas rosadas finalmente cairam e que eles realmente decifraram do que se tratava o domo, o enredo começou a decair. Os personagens legais começaram a ficar chatos e os chatos começaram a tomar conta do enredo (Exceto o Júnior. Quem assistiu sabe que esse personagem começou chato e terminou chato). 

A primeira temporada foi realmente muito excitante. A assisti direto. Não consegui parar até terminar. Cada dia era uma coisa nova sobre a redoma, cada episódio era uma dificuldade nova (comida acabando, energia, água, todo mundo se lascando). A segunda ainda foi bem interessante, mas já começou a deixar o enredo mais lentinho. Já na terceira, foi quando desgraçou de vez. Sinceramente, não sei como consegui terminar. Foi a série, até hoje, que eu mais lutei para assistir até o final. Deus me livre! Ainda bem que já terminou. Hahaha!


As estrelas rosadas finalmente caindo do céu.


Apenas um recado para o Barbie (um dos protagonistas da série): você não fez jus ao seu nome. Você foi uma Barbie na primeira temporada. Na segunda, você virou uma Susi. E na terceira, você já era Polly. Pelamor de Deus! MAN UP!

Tiveram personagens muito bem construídos, isso não posso negar. Mas além da parte final do enredo da série (terceira temporada) ter sido chata, forçada e muito mal escrita, os diálogos da série foram horríveis. Pensei que era uma série infantil, sei lá, algo bem Disney (e olha que gosto de algumas séries da Disney).

Já vi muitas séries depois de serem canceladas (The New Normal – que já falei aqui no blog – foi uma delas) e não me decepcionaram tanto quanto ela. Quando faltavam 4 episódios para acabar, eu já estava assim:




Eu me rendo!!!!


Bom, então é isso. Espero que tenham gostado do post. Para quem quiser se arriscar na série, todas as temporadas estão disponíveis na Netflix. Boa sorte nessa aventura. Vocês vão precisar. J-J






Por: Thiago Nascimento
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