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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O respeito cabe em todo lugar



O racismo, preconceito e, principalmente, a falta de respeito ainda são visíveis na sociedade brasileira e brasiliense. Dois episódios recentes me levaram à esta reflexão. O primeiro, quando modelos foram comparadas à escravas em um desfile aqui no Distrito Federal; o segundo, quando uma chamada de jornal online reforçou o estereótipo 'negão' em uma matéria.

Não adianta negar. Não adianta fechar os olhos. Essas questões ainda estão bastante presentes em nossa sociedade. Muitos ainda não tem a noção que o racismo é crime, mata e machuca.

Nesse post quero discutir os dois episódios apresentados no primeiro parágrafo, além de refletir sobre educação e respeito, pois estes cabem em todo lugar.



Modelos são comparadas à escravas


Em um concurso da TOP Cufa DF 2018 no JK Shopping (Distrito Federal) no último dia 13 modelos negras foram comparadas à escravas por um grupo de jovens ofensores no Whatsapp

Achei esse fato de uma sordidez imensa. As jovens foram motivo de chacota e riso. Pouco se ligou para sua beleza e seus outros atributos. O que foi levado em consideração foi (E apenas!) a cor de suas peles. Quando somos reduzidos à cor de pele temos um sério problema, pois há uma objetificação e estigmatização, além de reforços de estereótipos, preconceito e racismo.



Um dos jovens chega a brincar com o nome do desfile e o chama de "Black Moda Week". Me pergunto qual o problema de um evento somente com negras? Quer dizer que se fosse com brancas de olhos azuis não haveria problema? É nessas horas que percebo como a supremacia branca ainda é visível na sociedade brasileira e brasiliense

Uma supremacia que não mede o que se fala, que faz brincadeira com tudo e que trata o próximo apenas como objeto. Entre as brincadeiras está à de uma foto com escravos enfileirados com bacias na cabeça e uma imagem preta. 







Que bom que esses jovens responderão por esse crime. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) eles serão ouvidos em depoimento por praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito em função de raça ou cor

Veja como foi a reação de um policial ao receber os prints acima (E outros também!), com grifos:

"À noite, recebi esses prints do grupo de uma das modelos. Tomei um susto”.


Susto é pouco. O que senti ao ver esses prints foi ojeriza e daí para cima. 



Nota de repúdio 


O próprio evento se manifestou sobre o episódio. Leia: 





Destaco os seguintes trechos (com grifos):


"A organização preocupa-se ainda com o crescimento de casos de racismo relatados em todo o nosso país. Uma das características do concurso é o recorte territorial, no qual apenas mulheres da periferia podem concorrer, as ofensas em questão foram direcionadas às candidatas negras que participavam da seleção. Todas as medidas cabíveis para a punição dos responsáveis junto a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra Pessoa com Deficiência – DECRIN, já foram tomadas."


"É importante lembrar que racismo, no Brasil, é crime inafiançável previsto na lei, com pena de até três anos."



Achei a postura da organização sensata e correta.



Ator é estigmatizado por sua cor



No dia 30 de junho, uma matéria publicada pela Notícias da TV apresentava o ator Dan Ferreira apenas como um 'negão'. Atores da novela Segundo Sol e internautas se manifestaram contra a notícia e a classificaram como racista e estereotipada. O ator publicou um texto em seu Instagram:




Ei! Notícias da TV, Eu não sou seu negro! Precisamos falar sobre objetificação de corpos negros. Quisera eu, que todos tivessem ideia da responsabilidade que nos atravessa em cena pra não reproduzir estigmas, não sublinhar estereótipos, não ficar chato, fazer bem e as vezes também se permitir esquecer tudo isso. Porque não pensar sobre essas coisas e apenas executar o seu trabalho é libertador, mas nem sempre possível. Quisera eu! Porém, o que me fez escrever aqui sobre a manchete acima, além dela ser absurda, são as mensagens que recebo nas redes e nas ruas. Palavras que falam de orgulho e representatividade, e que me fazem ter compromisso e responsabilidade quando boto a minha cara na tela. É por isso que escolhi ser ator, pra comunicar, andar com o nosso tempo e contribuir com reflexão. O que para mim, enquanto jovem ator, é responsabilidade e consciência, para quem se propõem a ser jornalista deveria ser obrigação. É muito difícil ver essa parcela da impressa do nosso país que, ainda se permite escrever e publicar esse tipo de manchete, que reproduz e reforça estigmas preconceituosos, reduzindo e hiper sexualizando os nossos corpos com uma escrita viciada em troca de cliques. Sei que temos aqui, veículos e jornalistas sérios, com propósito, e é nesse tipo de imprensa que acredito e busco dialogar. Márcia Pereira, Daniel Castro, Notícias da TV, faltou respeito e responsabilidade, meus caros! Pega a visão: Os tempos são outros. Repito: Eu não sou seu negro!
Uma publicação compartilhada por Dan Ferreira (@odanferreira) em


Destaco os seguintes trechos (com grifos): 


"Ei! Notícias da TV, Eu não sou seu negro! Precisamos falar sobre objetificação de corpos negros." 

"É muito difícil ver essa parcela da impressa do nosso país que, ainda se permite escrever e publicar esse tipo de manchete, que reproduz e reforça estigmas preconceituosos, reduzindo e hiper sexualizando os nossos corpos com uma escrita viciada em troca de cliques." 


O intérprete de Acácio toca em pontos importantes: como a objetificação do corpo negro e a hiper sexualização. Uma pessoa negra não pode ser reduzida apenas à cor de sua pele ou ao seu corpo. Não levou-se em consideração o talento do rapaz e sua atuação. Apenas que ele era um 'negão'.


Polêmicas



Claro que as polêmicas sobre esse fato surgiram. O autor da matéria, Daniel Castro, disse que é a própria Globo quem cria estereótipos e estigmas. Segundo ele, ninguém chegou a refletir que o racismo pode vir do próprio roteiro de João Emanuel Carneiro. Até mesmo o ator Emílio Dantas entrou na discussão. Veja os prints abaixo: 


























































Ressalto os seguintes pontos: 


1- Negros no núcleo central


Realmente concordo com o Daniel quando ele fala da falta de negros no núcleo central de Segundo Sol, como falei no texto Chip do embranquecimento: quando a mídia busca atores brancos ou negros tendo em vista o sucesso, mas isto não pode ser um subterfúgio para reafirmar estereótipos em uma matéria. 


2- Polêmica ou racismo?


Concordo com o ator Emílio Dantas quando ele diz que o que há de verdade no episódio é racismo, ao contrário do jornalista que disse que "não há polêmica". O racismo sempre será racismo aqui ou em qualquer parte do planeta Terra


3- Objetificação


Daniel fala da objetificação de negros que ficam de cueca em rede nacional. Sim, de fato há essa objetificação, mas o jornalista mesclou a vida pessoal com a profissional do ator. Um personagem jamais pode ser confudido com um ator. Já vi casos de pessoas que xingaram ou agrediram (verbal ou fisicamente) atores por conta de seus papéis na TV. Deve-se ter o máximo de cuidado com isso. 



4- Papel de negão


Daniel falou certo: 'é um papel', e não uma verdade de vida ou a realidade. O intérprete de Acácio levou as dores porque foi tratado apenas como um mero objeto com uma cor, quando na verdade o jornalista deveria deixar claro que tratava-se de seu personagem. 



5- A culpa é do roteiro?


A culpa pode ser do roteiro, do autor, da mídia. Existem vários culpados para estereotipar e coisificar as pessoas na tela, mas isso não pode ser a justificativa para reafirmar esses estereótipos de forma alguma. 



Respeito cabe em todo lugar






Ainda sonho com uma sociedade onde o respeito seja a moeda de troca e não as ofensas gratuitas e sem fundamentos.

E você, acredita que ainda há racismo em nossa sociedade? Acredita que o respeito cabe em todo lugar? Digam tudo nos comentários! J-J


Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Influenciador digital é boa alternativa para jornalistas

Recentemente (07 de agosto) recebi por email um texto sobre a reinvenção dos jornalistas como influenciadores digitais após a crise do jornalismo impresso que ocasionou a demissão de vários profissionais. O texto é da jornalista, consultora de imagem e especialista em imagem digital Dani Almeida.

Achei-o muito interessante por apresentar novas possibilidades ao jornalista. Com o 'boom' das redes sociais e a internet, precisamos se adequar à isto. As pessoas não tem mais apenas como fonte de informação o jornalismo impresso, mas sim as redes sociais e a internet. Muitos jornalistas de renome tem se reinventado. Alguns deles, até mesmo migrado para o entretenimento. Confira o texto com mais detalhes!




A popularização da internet mudou a forma como as pessoas se relacionam, e as redes sociais se tornaram grandes protagonistas desse processo. Elas estão transformando o acesso à informação e o compartilhamento dela, tanto é que estão mudando a forma que se pratica o jornalismo no mundo.

Recentemente, diversos grupos gigantescos de comunicação anunciaram o descontinuamento de grandes nomes de veículos impressos. "Enquanto muitos jornalistas podem enxergar isso como algo extremamente ruim, outros podem ver como uma oportunidade", comenta Dani Almeida, jornalista e especialista em influência digital.

A realidade digital, segundo ela, está chamando para mudanças. Cerca de 40% das pessoas consomem informações diretamente nos portais informativos ou por meio dos temas no Google e 56% no Facebook. “O que os jornalistas precisam fazer é pegar toda nossa experiência de mídia e se adequar aos novos tempos. Eu tive que me reinventar, caso contrário, teria sido engolida. Sou jornalista de formação e desenvolvi autoridade nas redes sociais em como ser uma influenciadora de sucesso, tanto que hoje já possuo três cursos online para desenvolver esta nova carreira”, explica Dani.

Segundo a especialista, alguns grandes jornalistas já estão vivendo esta nova realidade, como é o caso do Evaristo Costa. Seu status de celebridade influenciadora surgiu por conta de seus posts divertidos nas redes sociais e interação com os fãs via Twitter. Há 1 ano desde que saiu da Rede Globo ele tem feito comerciais e parcerias de sucesso, tanto que esta semana voltou a aparecer na TV como garoto propaganda de uma peça publicitária para uma empresa de investimento on-line. "Na campanha, Evaristo Costa celebra sua nova profissão, a de influenciador digital e brinca com os estereótipos de “sério” e “reservado” geralmente atribuídos a um jornalista", aponta.

Outro caso bastante interessante é o de Nathalia Arcury, criadora do canal Me Poupe!, sobre investimentos. Em 2012, após se consagrar como repórter especial de um dos programas mais longevos da TV aberta, a criadora se viu diante de um dos maiores desafios da vida: a carreira já havia chegado ao ápice e havia pouco espaço para crescer. Foi em busca de novas formas de comentar sobre o que realmente queria e em 2015 fundou o blog Me Poupe!. Hoje, Nathalia Arcuri é considerada a mulher mais influente da internet brasileira (IPSOS 2017).

Segundo a especialista em influência digital, Cid Moreira é outro exemplo de sucesso. O jornalista, um dos principais nomes do jornalismo da Globo nos anos 1980 - quando apresentou o Jornal Nacional ao lado de Sérgio Chapelin - agora está no Youtube. Com sua voz famosa por narrar os feitos de Mister M no Fantástico e a versão em áudio da Bíblia, Moreira agora é locutor do Canal da Bíblia, espaço no site de compartilhamento de vídeos dedicado a textos do livro sagrado.

Com todos estes casos, Dani finaliza dizendo: "A comunicação está mudando e as pessoas – em especial os jornalistas – precisam usar isso a seu favor, não enxergar os influenciadores digitais como concorrentes e sim como aliados e quem sabe, em um futuro bem próximo, esta não será a nova profissão de sucesso de mais de 50% dos jornalistas". J-J


Por: Dani Almeida

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

15 anos da morte de Roberto Marinho: índios homenageiam proprietário das Organizações Globo

Tronco representando Roberto Marinho. | Rede Globo


Hoje, 06 de agosto 2018, faz 15 anos da morte do proprietário das Organizações Globo (atual Grupo Globo) Roberto Marinho. Na noite de quarta-feira do ano de 2003, Marinho foi vítima de uma embolia pulmonar aos 98 anos. [1]


O filho, José Roberto, é ornamentado com pintura de jenipapo e urucum. | Rede Globo


LEIA TAMBÉM: Ensaios sobre a Rede Globo [3]


Um ano após seu falecimento, índios do Xingu fizeram tributo ao jornalista no quarup – cerimônia de homenagem aos mortos. Os indígenas haviam realizado o mesmo evento ao antropólogo Darcy Ribeiro e aos irmãos sertanistas Vilas-Boas. Assim foi exibida matéria do Jornal Nacional em 16 de agosto 2004: [2]






O filho, José Roberto Marinho – presidente da Fundação Roberto Marinho e vice-presidente do conselho de administração do atual Grupo Globo – participou da cerimônia e fez seu comentário:

“Foi uma homenagem muito bonita pro meu pai. [...] Depois da perda vem a celebração da vida.”



Até mais! J-J
















Por: Layon Yonaller, colaborador especial do JOVEM JORNALISTA

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A desistência de José Luiz Datena ao senado e a programação dominical da Band

José Luiz Datena em seu programa na Band. | perfil oficial – Facebook/ Instagram


ATENÇÃO: Deixo claro que vou expor uma análise e evitar a todo custo emitir opiniões – assim como no Eu vi e no Registrado – porque meu objetivo é informar a todos os leitores do blog. A opinião fica com cada um de vocês.

Desde que a Rede Bandeirantes de Televisão (Band) deixou de exibir os jogos de futebol do Campeonato Brasileiro em 2016 [1] a emissora preencheu a grade de programação com filmes, séries e documentários nas quartas-feiras e domingos. Os problemas financeiros que atingem não apenas a emissora como o Grupo Bandeirantes é o motivo que orientou tal decisão.

Ao longo destes anos muitos profissionais do jornalismo, esporte e entretenimento saíram, migraram de emissora, foram demitidos ou pediram demissão. Além disso, a RedeTV! faz planos [2] para reestruturar sua programação e tirar a Band do quarto lugar na audiência de televisão. Afinal, a emissora do ponto de exclamação está obtendo índices de audiência satisfatórios, como os programas Encrenca e Sensacional, além do projeto de um terceiro telejornal diário em vista.

O baque principal da Band foi o de abrir mão de transmitir a Copa do Mundo FIFA de 2018 na Rússia. O que antes poderia se ter a exibição do evento em conjunto com a Rede Globo se deu em conta a falta de condições de cobrir a Copa. Sem o mundial não há verba publicitária.


LEIA TAMBÉM: 80 anos do Grupo Bandeirantes. [3]

Enquanto isso, o aniversário de 50 anos da Band em 13 de maio de 2017 passou em branco. Quase foi da mesma forma a efeméride do grupo (80 anos do Grupo Bandeirantes). No vídeo, o único evento que lembrou o aniversário foi esta matéria que passou no Jornal da Band na época:






2018: o ano em que a TV Band resolveu reagir


Com o slogan “A família cresceu” o início de 2018 começa com a Band a reagir para manter sua programação atraente e brigar por mais pontos de audiência: coloca no ar o reality show O Sócio (The Profit), a série mexicana Senhor do Céus (El Señor de Los Cielos), além dos musicais de sexta-feira Música na Band. Amaury Jr (do programa Amaury Jr.). e Catia Fonseca (Melhor da Tarde) são contratados para reforçar o elenco da casa, aumentar os recursos financeiros e diminuir o espaço aos programas independentes e religiosos.

Programas escalados para reforçar a grade da emissora. | Band



O programa Superpoderosas entra no ar para reforçar as manhãs da emissora. O culinário Dia Dia de Daniel Bork é renomeado para Cozinha do Bork. O apresentador José Luiz Datena ganha seu programa de entretenimento (Agora é Com Datena) que a princípio prometia se distanciar do perfil conhecido no jornalístico policialesco Brasil Urgente. O esportivo Terceiro Tempo de Milton Neves daria lugar ao repaginado Show do Esporte.

Apesar dos investimentos da Band em incrementar sua programação os resultados de audiência não foram sequer perto do que se desejava. [4] No caso do domingo – dia de maior concorrência entre emissoras de TV – as estreias de Agora é Com Datena e Show do Esporte tiveram índices inferiores aos programas anteriores que ocupavam a grade dominical como os filmes da Sessão Livre e Domingo no Cinema, além do Terceiro Tempo.


Programação de domingo, o Datena e a candidatura ao senado


José Luiz Datena ganhou seu programa, que a princípio se diferenciava do Brasil Urgente. Agora é Com Datena é um programa de show de talentos, brincadeiras, músicas e um pouquinho de jornalismo. Para suprir a progressiva ausência dele no policialesco, entrava em seu lugar seu filho Joel Datena. Um programa de seis horas de duração (das 15h até 21h) sucedido do novo Show do Esporte (das 21h até 0h), com discussões futebolísticas, músicas e imitações humorísticas.

Com dois programas que somavam nove horas de duração foi visível o desgaste das atrações. Como consequência, a concorrente RedeTV! obteve altos índices de audiência com os programas Conexão Models, Encrenca e João Kléber Show. Semanas depois com a greve dos caminhoneiros, o programa de entretenimento de Datena acabou se tornando uma extensão do Brasil Urgente: a audiência reagiu e ganhou altos índices [5] com a cobertura da greve.

Sem a greve, a audiência baixava. [6] Aos poucos o programa dominical de Datena perdia a proposta inicial. Até o gerador de caracteres (GCs) se assemelhava ao do jornalismo da Band. Reportagens que passava no Brasil Urgente se repetia no Agora é com Datena e vice-versa.


O GC de rodapé do programa igual ao do Brasil Urgente. | Band



CANDIDATO: Em 27 de junho de 2018 José Luiz Datena aceitou ser candidato ao Senado Federal pelo estado de São Paulo. Políticas a parte, a Band terá de mexer em sua grade porque as leis eleitorais do Brasil não permitem que um candidato a cargo eletivo tenha um programa de televisão. A emissora enxerga este momento de arrumar a grade para estancar os problemas de audiência com os dois longuíssimos programas dominicais.


A partição do programa de José Luiz Datena. | montagem: LAYON YONALLER



O Agora é com Datena se reparte em dois: o cantor Netinho de Paula é contratado às pressas [7] para apresentar o artístico Brasil da Gente, enquanto Joel Datena faz o  jornalístico Agora é Domingo. Após o programa de Netinho ficar com menos de um ponto de audiência na Grande São Paulo – o maior e mais importante mercado publicitário do Brasil – o Brasil da Gente é cancelado.


O novo Show do Esporte teve seu programa e cenário reduzidos. | Band



Na outra ponta, o novo Show do Esporte teve o estúdio reduzido ao parecido com o do Terceiro Tempo apenas com a diferença das cores do cenário: passa das 20h até 22h. A sessão de filmes Domingo no Cinema foi ressuscitada  para preencher a grade noturna.


Desistência da candidatura e a programação da Band


Datena desiste de tentar o cargo de senador por São Paulo. A grade da Band precisa ser reformulada novamente. E como fica Netinho de Paula? Até segunda ordem, o cantor fica para escanteio. Neste domingo (15/7/2018) ele assume o seu programa com o nome de Agora é Domingo. O apresentador ignorou o nome e insistiu com o título Agora é com Datena.

No dia 09 de julho 2018 de volta ao policialesco Brasil Urgente, Datena explica sua desistência ao cargo mais importante do legislativo brasileiro:






Este cenário em que a programação de domingo da Band teve que se adaptar três vezes em função de Datena, além das complicações de preencher a grade expõe um cenário de imprevidência e falta de planejamento. Ao submeter à programação que tinha certa audiência duramente conquistada após não ter mais o futebol na grade a experiências sem norte e estudos prévios põe em risco a permanência do telespectador na rede de TV.

Esta notícias de 1º de fevereiro [8] e 22 de abril de 2018 [9] – mostram que o nome de Datena ventilando ao cargo político – devia ter deixado a emissora de sobreaviso e até ter adiado o programa de entretenimento até se resolver a questão. A contratação apressada de Netinho expõe o que foi dito em parágrafo anterior.

No Brasil, a TV no domingo é o dia da semana mais concorrido para as emissoras e muitas contam com uma programação consolidada, apenas brigando entre si para manter seus pontos (Eliana X Rodrigo Faro; Fantástico X Silvio Santos). É legítimo a Band buscar reagir e buscar novos públicos depois que perdeu o futebol, mas mostrou falta de preparo. O novo Show do Esporte teve cenário reduzido e o programa do Datena se firma no que sabe fazer no Brasil Urgente.

Aguardemos os próximos passos para a Band se firmar entre as quatro grandes redes de TV do país e ter uma fatia considerável de audiência e faturamento. Recentemente a emissora está lutando para adquirir o Campeonato Paulista Sub-20  e um campeonato na Europa [10]. Para todos da Bandeirantes, boa sorte e sucesso porque a competição é fundamental para a TV brasileira como um todo. J-J
















Por: Layon Yonaller, colaborador especial do JOVEM JORNALISTA

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O vídeo da FETCESP não é o motivador da greve dos caminhoneiros!




Um vídeo divulgado e publicado pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) tem sido investigado desde o último dia 25 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) por, supostamente, terem sido encontrados indícios de ação premeditada e organizada dos caminhoneiros, o que poderia ter antecipado os movimentos grevistas que vivemos nos últimos dias.

Soube dessa informação ao ver uma reportagem no Jornal Hoje da Globo no dia 26. Como jornalista, não fiquei satisfeito somente com ela, mas procurei pesquisar e investigar mais à fundo sobre o que estava sendo noticiado. E foi assim que esse post nasceu.

Ele terá o intuito de: desvendar o vídeo da FETCESP; falar sobre a investigação do CADE; esmiuçar a reportagem da Globo; e apresentar o lado da FETCESP.


O vídeo


O vídeo que está sendo investigado foi publicado no Youtube no dia 8 de maio de 2017, HÁ MAIS DE UM ANO ATRÁS e foi criado com o intuito de valorizar os caminhoneiros e a valorização das cargas. Assista:






Entre outras coisas, a propaganda enaltece a profissão dos caminhoneiros e suscita a hipótese de uma greve da categoria e suas consequências durante apenas 5 dias de paralisação. O locutor narra, dia a dia, o que aconteceria com os principais serviços da sociedade. Ao final, a FETCESP conclui que a sociedade se tornaria prejudicada, além de falar da importância dos transportes de carga.

Ao ver o vídeo, é possível que façamos uma relação com os dias que vivemos e ainda temos vivido. Contudo, o contexto deve ser levado em consideração e ser melhor interpretado: Não se fala de greve, nem se orquestra uma, apenas é enfatizado a importância da profissão e do profissional. Leia o texto publicado junto com o vídeo no site da FETCESP. 

Uma segunda propaganda foi publicada no dia 27 de maio de 2018 com o mesmo intuito da anterior (Leia o texto da Federação aqui). Nela, a FETCESP promove a valorização do transporte de carga alimentícia, tais como verduras, frutas e legumes. Assista:






É BURRICE fazer analogias dos vídeos com o momento que o Brasil passa. Após a exibição do primeiro vídeo, vários outros acontecimentos sociais, políticos e econômicos culminaram e que podem estar ligados à greve. É uma atitude CRETINA encontrar relações entre um vídeo de valorização de transporte de carga e a greve. 



A investigação


O CADE abriu uma investigação contra o vídeo O que aconteceria se os caminhões sumissem durante 5 dias do FETCESP. O CADE percebeu indícios de ação premeditada sobre a greve e uma tentativa de prejudicar a economia e a concorrência no mercado.  O intuito é levantar todos os dados possíveis, para que as pessoas envolvidas sejam ouvidas pelo Conselho.

Acredito ser de suma importância que a investigação não descarte a data do vídeo (11 de maio de 2017); e o contexto em que ele foi criado. Só dessa forma se pode chegar em uma justiça justa. 



A reportagem da Globo



A reportagem Vídeo da Federação de Empresas de Transporte de Cargas de SP é investigado pelo Cade anunciada pelo apresentador Dony de Nuccio e reportada por Camila Bonfim no último dia 26 teve o intuito de tão somente demonizar os caminhoneiros e já colocar a FETCESP no banco dos réus. Por isso que disse no início que não me contentei apenas com a reportagem. 

À todo o momento, percebemos que a Globo tenta culpar os caminhoneiros pela crise. O vídeo só veio para corroborar com a visão negativa que a emissora já tem deles e facilitou que a classe fosse ainda mais culpabilizada. Frases repetidas intencionalmente, como "A FETCESP está sendo investigada. ESTÁ SENDO INVESTIGADA" "A FETCESP entrou na mira do CADE" só vem para reafirmar que a Globo não está do lado dos caminhoneiros, muito menos da população. Veja:







Precisa de provas mais contundentes? Acompanhe os tópicos que destaquei:



- A repórter não diz a data de publicação do vídeo


Logo que o link da repórter entra, ela diz que "um vídeo da FETCESP foi divulgado", mas sem dizer o dia exato, pois isso inocentaria a federação e não era o intuito da Globo. A reportagem faz crer que o vídeo foi publicado recentemente. Somente no final, em uma pequena frase da repórter, que se menciona que o vídeo foi divulgado em 2017, mas isso depois de meter o pau na FETCESP e na classe dos caminhoneiros, claro. 


- Trecho do vídeo colocado de forma intencional

Por ser uma reportagem de TV, logicamente um vídeo de 3:30 não seria exibido na íntegra, mas até mesmo o trecho escolhido para exibição teve o intuito de demonizar os caminhoneiros e associá-lo com os dias de greve que temos vivido. O trecho selecionado mostra os efeitos de uma possível paralisação de 5 dias. Intencionalmente, suprimiu-se o contexto do vídeo, a ideia de valorizar a classe caminhoneira e a importância do transporte de cargas. 



- A reportagem relaciona diretamente o vídeo com a greve dos caminhoneiros


Por não dizer literalmente a data de exibição da campanha e por conta do trecho escolhido, a reportagem consegue a façanha de relacionar a greve dos caminhoneiros com o vídeo. Até porque, se uma data não é apresentada, podemos acreditar que o material audiovisual é recente e fora gravado na semana passada, por exemplo.



- A posição do CADE é muito mais enfatizada


Mostrar todos os lados de uma situação é primordial em reportagens, e em 3 minutos e 30 segundos a Globo não equilibra a posição do CADE e da FETCESP. Apenas 7 segundos da matéria são dedicados para a defesa da FETCESP e, por conseguinte, da classe caminhoneira. Há uma preocupação maior em falar da investigação do CADE, mostrar um vídeo editado propositalmente, do que ser imparcial.



- Ao final, a repórter fica desatenta

A credibilidade de uma reportagem pode ser colocada em jogo quando não é percebido firmeza em quem passa as informações. Logo após a exibição do trecho EDITADO SAFADAMENTE do vídeo da FETCESP, Camila Bonfim está claramente desatenta, sem feeling com o telespectador e sem levar à sério o que reportou. Ela fica no seu Iphone teclando não sei o que/com não sei quem por incríveis 6 SEGUNDOS. Assista:






E no G1?

No G1, a canalhice das organizações Globo também está presente, quando foi divulgado o vídeo da campanha da FETCESP editado. O original possui 2:49, enquanto o da página de notícias 2:24. A escrotidão também foi tamanha quando o site disse que o vídeo da FETCESP foi divulgado "NO ÚLTIMO DIA 11", ou seja, em 11 de maio de 2018, enquanto na verdade ele fora disponibilizado no Youtube no dia 8 de maio de 2017. Veja: 







Quer mentira maior que essa? De modificar a data de um vídeo só para que a sociedade acredite que ele estava ligado com a paralisação dos caminhoneiros? A expertise do G1 foi tão grande que a matéria fora divulgada no dia 26 de maio de 2018 e a frase "NO ÚLTIMO DIA 11" faz referência à 11 de maio de 2018. No coments!

Só para desmentir a "Rede Bobo" mais uma vez, veja quando a matéria sobre o vídeo foi divulgada no site da FETCESP: 11 DE MAIO DE 2017!

























A defesa do FETCESP


Frente à investigação do CADE e a reportagem da Globo, o FETCESP se pronunciou com a seguinte nota. Leia (com grifos):



"A FETCESP esclarece que não apoia e tampouco incentiva qualquer tipo de paralisação das atividades de transporte rodoviário de cargas.

A notícia da abertura de investigação da FETCESP pelo CADE em virtude de vídeo divulgado pela entidade, mostra apenas parte do vídeo o que distorce o sentido da mensagem nele contida e que se pretende passar ao público em geral.

Esclarece que iniciou no ano passado uma campanha com o objetivo único de valorizar a imagem do transporte rodoviário de carga, que é a mensagem final do vídeo divulgado e omitida no noticiário. A intenção clara no vídeo é a de conscientização da população sobre importância do transporte rodoviário de cargas e de amenizar a rejeição ao caminhão.

Este foi o primeiro vídeo da campanha que se justifica em razão das restrições ao tráfego de caminhão.

Daí a importância de mostrar o seu papel relevante no abastecimento das cidades.

A FETCESP entende que a manifestação em curso no País não contribui com a valorização da imagem do transporte e atua no sentido de que seja restabelecida a normalidade e as empresas, que são inquestionavelmente prejudicadas com a paralisação, possam livremente desenvolver seu trabalho e sua atividade de escoamento da produção e o abastecimento de todo o mercado."

Flavio Benatti,
Presidente da Fetcesp


Ressalto os seguintes tópicos:


- A notícia mostrou apenas parte do vídeo;
- A campanha foi iniciada no ano passado; e
- As manifestações não contribuem com a valorização da imagem do transporte de cargas. 



Greve dos caminhoneiros


A atual greve da classe não foi impulsionada pelo vídeo de maio do ano passado da FETCESP. Pelo contrário, outros interesses estão em jogo. Vimos que de forma alguma a Federação é a favor da greve e que o intuito dela com os vídeos apresentados é valorizar a categoria e a importância do transporte de cargas. 

É fácil para a Globo culpabilizar os caminhoneiros por conta da greve e encontrar motivos no vídeo para isso, mas escondendo a verdade, o contexto e principalmente a data da campanha de você, telespectador. Sim, a Globo achou que distorceria a situação, mas não conseguiu.

É cômodo falar que a falta de medicamentos, alimentos, combustíveis, gás de cozinha e outros serviços públicos é por conta da greve dos caminhoneiros. E antes da greve, quantas pessoas morreram em hospitais por conta da falta de vacinas e medicamentos? Quantos tem morrido por falta de alimento e nutrição, não por conta da greve da classe, mas devido à miséria e à crise financeira que assola o país? A Globo só esqueceu de colocar o principal causador de tudo isso: o governo omisso, corrupto e que pouco se importa com a sociedade.

Que você não engula essas ideias que a Globo tem a intenção de nos fazer acreditar. Que, de uma vez por todas, não associe a greve dos caminhoneiros com o vídeo da FETCESP e com a falta de medicamentos, alimentos, combustíveis, gás de cozinha e outros serviços públicos. O causador de tudo isso é outro. E você sabe muito bem quem. J-J


Por: Emerson Garcia
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